segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Opinião do dia: Thomas Jefferson

Gosto mais dos sonhos do futuro do que da história do passado.

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Thomas Jefferson (3/4/1743 - 4/7/1826), foi autor da Declaração de Independência e presidente dos Estados Unidos.

Convenção vira ato pró-Alckmin 2018

Partido. Governador paulista é impulsionado por correligionários para comandar PSDB e disputar o Planalto em 2018; pela primeira vez, tucano não descarta assumir sigla

Pedro Venceslau / O Estado de S. Paulo.

A convenção estadual do PSDB, realizada ontem em São Paulo, transformou-se num ato de apoio à candidatura do governador Geraldo Alckmin à presidência da República, nas eleições de 2018. Rodeado por lideranças tucanas e de partidos aliados, Alckmin foi ovacionado por correligionários e admitiu pela primeira vez a possibilidade de assumir o comando do partido, como fez Aécio Neves no pleito de 2014. “Precisamos de unidade para mudar o Brasil. Essa tem de ser a nossa mensagem. Com todos os riscos e muita coragem”, disse.

O governador Geraldo Alckmin foi ovacionado ontem como pré-candidato ao Palácio do Planalto por militantes e dirigentes tucanos durante a convenção paulista do PSDB. Em meio à disputa pelo comando nacional da legenda, pela primeira vez ele mudou o tom e já não descarta mais a possibilidade de assumir a sigla. Aos correligionários e lideranças de cinco partidos aliados, Alckmin fez um discurso de campanha para destacar a necessidade de união dos integrantes de sua legenda.

Alckmin chegou à Assembleia Legislativa, na capital paulista, local da convenção, ao lado do ex-governador Alberto Goldman, que assumiu o cargo de presidente interino do partido após o senador Aécio Neves (MG) destituir o colega Tasso Jereissati (CE) do posto. Tasso e Marconi Perillo, governador de Goiás, vão disputar o comando da legenda na convenção nacional marcada para o dia 9 de dezembro. O tucano foi cercado por militantes que pediam “Geraldo presidente”.

Mudança.“Nós precisamos de unidade. Mas eu pergunto: união e unidade para quê? Para mudar o Brasil. Essa tem de ser a nossa mensagem, a nossa proposta. Com todos os riscos e com muita coragem”, disse. Em seguida, afirmou que é a hora de o PSDB voltar às suas origens, ir ao encontro do povo, buscar a eficiência da gestão para reduzir as desigualdades e fazer o País voltar a crescer.

PSDB paulista aclama Alckmin e reforça críticas a Aécio Neves

Em convenção, governador desconversa sobre pressão para comandar o partido

Cleide Carvalho / O Globo

SÃO PAULO - A convenção estadual do PSDB em São Paulo, realizada ontem, serviu de palanque para as pretensões presidenciais do governador Geraldo Alckmin. Acompanhado por políticos de outros cinco partidos, o governador viu seu nome ser aclamado como candidato tucano à Presidência pelos correligionários paulistas. Enquanto seus aliados defendiam publicamente o afastamento do senador Aécio Neves do partido, Alckmin desconversava sobre a possibilidade de assumir o comando da sigla para apaziguar os ânimos, como defende o ex-presidente Fernando Henrique. Também presente ao evento de ontem, o presidente interino, Alberto Goldman, declarou que deve se reunir com líderes da legenda para debater uma candidatura única para o comando da sigla e o desembarque do governo de Michel Temer.

Ao discursar para a militância, na Assembleia Legislativa, Alckmin assumiu um discurso de candidato e falou sobre a necessidade de recolocar o Brasil no “rumo da eficiência e produtividade” e de impedir que o país caia no “populismo latino-americano”. Sobre o perfil ideal nas eleições de 2018, o governador afirmou:

— Temos que saber jogar o jogo do século 21. Devemos ser o Zé Ninguém a serviço de uma grande causa.

Alckmin disse que o PSDB precisará enfrentar o corporativismo estatal e privado e que a reforma da Previdência deve romper com privilégios, não ser apenas um ajuste fiscal.

Tido como um dos principais concorrentes de Alckmin pela candidatura tucana a presidente da República, o prefeito João Doria chegou à convenção estadual do PSDB junto com o governador e fez um discurso rápido em prol da unidade. Doria saiu antes do fim da cerimônia para ir ao GP Brasil de Fórmula 1 e não viu Alckmin ser ovacionado. Ao pedir palmas para Goldman — a quem já chamou de “improdutivo”, que “vive de pijama em sua casa” —, o prefeito sinalizou uma reaproximação com o presidente interino da legenda. Doria afirmou:

— Esta é a convenção da pacificação. É de São Paulo que sairá a força para vencer a eleição.

Evento do PSDB-SP tem coro de 'fora, Aécio' e tentativa de pacificação

Anna Virginia Balloussier / Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - Para o governador paulista Geraldo Alckmin, o momento era de "união e unidade".

Mas, com gritos de "fora, Aécio", a convenção estadual do PSDB-SP, realizada neste domingo (12), na Assembleia Legislativa de São Paulo, mostrou que o racha no tucanato não cicatrizou.

O mestre de cerimônias do evento bem que tentou: "Eu quero que você abrace a pessoa ao seu lado e fale: 'Eu amo o PSDB'". Mas o clima paz e amor dissipava rápido quando o nome do senador mineiro era evocado.

"Ele deveria colocar o pijama e voltar para a casa", disse à imprensa Pedro Tobias, reconduzido no dia à presidência do diretório paulista da sigla, sobre Aécio Neves. "Quieto ele ajuda mais."

Entre as últimas bicadas internas, destacam-se a permanência do PSDB no governo Michel Temer e a manobra de Aécio para reassumir a presidência nacional da legenda, destituir o senador Tasso Jereissati (CE) da interinidade e indicar o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman para o cargo.

No sábado (11), o PSDB-MG fez sua própria convenção, e nela Aécio reconheceu que é hora do partido deixar a administração peemedebista, mas "pela porta da frente, da mesma forma como entramos". Ele disse, sem especificar qual cargo disputaria (se Senado ou governo mineiro), que seu nome no pleito de 2018 é garantido.

Tucanos de SP lançam Alckmin à presidência da sigla

Por André Guilherme Vieira e Cristiane Agostine | Valor Econômico

SÃO PAULO - A convenção estadual do PSDB de São Paulo transformou-se ontem em uma campanha pela eleição do governador paulista, Geraldo Alckmin, à presidência nacional do partido. Alckmin foi defendido por dirigentes tucanos como uma solução para "pacificar" a legenda. Questionado sobre a possibilidade de comandar a sigla e garantir sua candidatura à Presidência em 2018, Alckmin não descartou essa possibilidade.

A divisão em torno das candidaturas do senador Tasso Jereissati (CE), e do governador de Goiás, Marconi Perillo, à presidência do PSDB agravou uma das piores crises enfrentadas pela sigla desde a fundação, há quase 30 anos, a reboque do escândalo de corrupção em que seu presidente, senador Aécio Neves (MG), se envolveu, com o suposto recebimento de propina de R$ 2 milhões da JBS - fato que o parlamentar nega.

Ontem, Alckmin não descartou que pode assumir a presidência do PSDB. "Temos dois pré-candidatos, vamos aguardar. Essa é uma decisão coletiva do Brasil inteiro", afirmou, durante a convenção estadual tucana que reconduziu o deputado Pedro Tobias ao comando do diretório. A escolha do futuro presidente do PSDB será em menos de um mês, em 9 de dezembro.

O prefeito de São Paulo, João Doria, que há cerca de um mês travava disputa interna para angariar apoio e ser o presidenciável tucano, também declarou que Alckmin poder ser uma boa opção para pacificar o PSDB. "Pode ser. A melhor pacificação é o diálogo, é o entendimento. Se para isso for necessário que o governador Geraldo Alckmin assuma essa função, desde que ele deseje, é bom para o PSDB", disse. O prefeito, no entanto, ressalvou que mantém o apoio à candidatura de Perillo.

O nome de Alckmin para a presidência do PSDB é defendido por deputados paulistas, principalmente por Pedro Tobias, que fez crítica contundente a Aécio, afirmando que o senador "não está ajudando em nada". "[Aécio] Deveria colocar o pijama e voltar para a casa dele", disparou Tobias, para quem a entrada do PSDB no governo Michel Temer "foi errada e vai sair tarde demais".

Reforma de Temer deve diminuir espaço do PSDB

Mudanças na Esplanada, após pressão de aliados e Centrão, estão em discussão para serem realizadas nos próximos 15 dias

Renan Truffi, Lu Aiko Otta, Daiene Cardoso / O Estado de S. Paulo.

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer deve tirar a reforma ministerial do papel nas próximas semanas. A informação é confirmada por fontes no Palácio do Planalto e por parlamentares do chamado Centrão – o grupo pressiona para ganhar mais espaço no governo. Temer já comunicou alguns de seus interlocutores no Congresso sobre a intenção de redesenhar a distribuição de cargos de primeiro escalão nos próximos 15 dias. Com as mudanças, o PSDB deve perder dois dos seus quatro ministérios, enquanto PMDB e PP podem ganhar mais espaço.

A antecipação da reforma foi revelada ontem pela Folha de S.Paulo. O Estado apurou que a ideia inicial do presidente é reduzir o tamanho do PSDB no governo pela metade. Dos quatro ministérios que detêm atualmente – Governo, Cidades, Relações Exteriores e Direitos Humanos –, os tucanos continuariam com dois. Sob forte pressão do PTB e do PP, Temer deve tirar Bruno Araújo (PE) do Ministério das Cidades e Luislinda Valois (BA) dos Direitos Humanos.

Antonio Imbassahy (BA) tende a perder a Secretaria de Governo, mas, como se tornou uma figura próxima do presidente, pode ser deslocado para outra pasta. O tucano é alvo de críticas de parlamentares e está desgastado na função por não atender aos pleitos da base. Já Aloysio Nunes Ferreira (SP) deve continuar à frente do Itamaraty.

"O povo não está nem aí para o fato de estarmos ou não em governos"

- Valor Econômico

SÃO PAULO - Presidente do Instituto Teotônio Vilela, centro de estudos do PSDB, José Aníbal diz que falta autoestima aos tucanos que criticam a participação do partido no governo Michel Temer. A seguir, os principais trechos da entrevista ao Valor.

Valor: Como o senhor avalia a atitude de Aécio ao destituir Tasso?

José Aníbal: Não vejo como destituição. Foi a substituição de um vice-presidente indicado pelo Aécio por outro vice que não está no processo sucessório. Aécio viu que havia o desejo de ter uma condição mais isonômica, de que a presidência fosse exercida por alguém que não é parte da disputa.

Valor: Mas em 2016 Aécio prorrogou seu mandato por dois anos sem deixar a presidência do partido. São dois pesos e duas medidas?

Aníbal: De jeito nenhum. Aécio era presidente eleito do partido e cumpriu o que manda o regimento. Chamou a Executiva e usou os procedimentos previstos. São situações diferentes. Ele até antecipou o fim de seu mandato, que estava previsto para terminar em maio de 2018, e convocou as eleições para este ano. Tem um mal-estar no partido, mas vamos caminhar para o apaziguamento.

Valor: A crise do PSDB se intensifica a menos de um ano das eleições. Essa articulação do Aécio não prejudica a candidatura de Alckmin?

Aníbal: Não acho que agravou a crise. O partido já está mais pacificado. Essa insistência feita pelos 'cabeças pretas' de reduzir a disputa dentro do PSDB a ficar ou sair do governo Temer é algo completamente estapafúrdio, equivocado. O grande desafio é enfrentar os nossos problemas, construir a nossa unidade e fazer o Brasil avançar. O PSDB tem um compromisso firme com as reformas e deve assumir protagonismo nisso. Quanto melhor estiver o país, com a recuperação da economia, menos chances terá uma candidatura salvacionista. A crise interna é um problema nosso e a sociedade não está preocupada com isso.

Valor: Temer deve fazer a reforma ministerial neste mês e poderá tirar o PSDB. O partido não pode ficar isolado se sair do governo por decisão do presidente?

Aníbal: O partido está construindo a sua saída. Essa questão não pode ser uma questão presente na nossa convenção. É resultado de um compromisso: apoiar o governo em direção das reformas. O governo vinha operando as reformas, aprovou a trabalhista e já ia entrar na previdenciária. Vamos sair do governo, mas é uma relação civilizada, foi um compromisso em função de um programa de quinze pontos que apresentamos. Questões internas têm de ser trabalhadas não para a fragmentação do partido, mas para o fortalecimento. A convenção tem que discutir a revitalização das nossas diretrizes, a construção das premissas de um governo a ser adotado pelo candidato à Presidência.

Marcus André Melo: Procurando Macron

- Folha de S. Paulo

Martin Wolf, festejado colunista do "Financial Times", perguntou-se onde estaria o Macron brasileiro, pois o país precisaria urgentemente de renovação e liderança. Macron é icônico: por meio de um partido recém-criado ascendeu à Presidência da França deflagrando uma renovação parlamentar espantosa de 78%.

Mas Macron nos interessa por outra razão: foi eleito com um amplo programa supostamente impalatável, com reformas trabalhista e do seguro-desemprego. O contraste com o padrão que predomina em novas democracias é grande.

Governante algum defende reformas que infligem custos elevados no curto prazo ao eleitorado. Os que o fazem não se elegem.

Susan Stokes, cientista política da Universidade Yale, mostrou em "Mandates and Democracy" que em mais de um terço das eleições presidenciais latino-americanas que examinou ocorreu reversão de políticas.

Presidentes eleitos com plataforma crítica a ajustes fiscais e reformas acabaram implementando o programa do seu adversário. Aconteceu com Lula (2003) e Dilma (2015).

*Denis Lerrer Rosenfield: As boas almas e a política

- O Estado de S.Paulo

Quem vai erguer a bandeira de dar sequência ao atual projeto de reformas?

Reconheça-se, preliminarmente, um fato incontornável: todo presidente governa com o Parlamento que tem à mão. Não é de escolha presidencial tal ou qual Câmara dos Deputados ou Senado. É o povo que escolhe os seus representantes.

O presidente da República, este ou qualquer outro, depara-se com um Poder Legislativo constituído segundo a soberania popular, conforme um ritual constitucional que passa por eleições, debates públicos, organizações partidárias, imprensa e outros meios de comunicação livres. Se o povo escolhe “bons” ou “maus” deputados, comprometidos ou não com ilícitos, é problema seu essa sua escolha, e não do presidente.

Quando assumiu a Presidência da República, Michel Temer viu-se obrigado a formar uma base de apoio na Câmara dos Deputados e no Senado, conforme as relações partidárias existentes. Não poderia ter inventado um novo Poder Legislativo, salvo se tivesse enveredado por uma solução autoritária, o que, evidentemente, não fazia parte de seus propósitos. Tratava-se de estabelecer as condições de governabilidade e, mais do que isso, de levar adiante um ambicioso programa de reformas.

E para realizar esse programa lhe era necessário compor uma ampla base parlamentar, sem a qual qualquer projeto seria inviável. É bem verdade que deveria ter tido mais cuidado na escolha de seu Ministério, uma vez que vários de seus ministros foram obrigados a deixar o cargo por envolvimento em ilícitos. O problema político, porém, tem outro viés que merece ser destacado.

Gaudêncio Torquato: As duas imagens do Brasil

- Blog do Noblat

O grau civilizacional de uma Nação pode ser aferido pela maior ou menor identificação com o sistema do qual faz parte. Que espelho ou sistema podem ser usados para o Brasil ser visto?

Tomemos emprestadas duas imagens do Ocidente que o professor Samuel P. Huntington utiliza em seus ensaios.

Na primeira, as nações ocidentais dominam a estrutura financeira internacional, manobram moedas fortes, fornecem a maioria dos bens acabados, controlam o ensino de ponta, realizam as grandes pesquisas científicas, dominam o acesso ao espaço, as co¬municações internacionais, a indústria aeroespacial e as rotas ma¬rítimas, enfim, compõem o maior agregado de bens e serviços do mundo.

Na segunda imagem, distingue-se um conjunto de Nações em crise, com parcela de seu poder político, econômico e militar em declínio.

Nesse segundo cenário, apontam-se lento crescimento econômico, alto desemprego, enorme déficit público, baixas taxas de poupança, criminalidade e imensa desigualdade social.

Com qual imagem a Nação brasileira mais se parece?

Para ajudar o leitor a tirar conclusões, vale lembrar que o País, depois de décadas de inflação alta, tem hoje uma moeda estável. Apresenta bom superávit na balança comercial, chegando a exibir US$ 5,178 bilhões em setembro último, o melhor resultado para o mês desde o início dessa série histórica do governo, em 1989.

Exibe, em alguns setores, tecnologia de ponta; é competitivo em nichos como o agronegócio; tem administrado o risco País, que havia crescido muito.

Em outra escala, exibe péssimo coeficiente (Gini), que mede a distribuição de renda entre indivíduos.

Hoje, o Brasil ocupa o 79º lugar entre 188 nações no ranking de IDH, que leva em conta indicadores de educação, renda e saúde, despencando 19 posições na classificação correspondente à diferença entre ricos e pobres.

Fernando Limongi: Insanos e obcecados

- Valor Econômico

PSDB flerta seriamente com o suicídio eleitoral

Recuperado das dores que o impediram de continuar colaborando com o presidente Michel Temer, leve e solto, o senador José Serra deu para fazer graça. Jantando com correligionários, diagnosticou: o PSDB necessita de tratamento psicológico. Faltou fornecer o perfil do profissional: especialista em suicidas e obcecados pelo poder. Pois é disto que se trata. Serra, Aécio e outros tantos tucanos vêm fazendo das tripas o coração para destruir o partido. Só pensam em si e teimam em não aceitar o óbvio. A hora de pendurar as respectivas chuteiras já passou.

Serra recobrou suas energias e ambições. Os convivas reunidos na cantina foram informados que a Lava-Jato "perdeu ritmo". Tradução: o senador já conta com a garantia de que sairá ileso das graves acusações - a de ter organizado um cartel entre as empreiteiras e a de manter contas na Suíça - que pesam sobre suas vértebras combalidas.

Com certeza, a manifestação recente da Procuradora-Geral da República alimentou a segurança do senador. Raquel Dodge afirmou que o repasse de R$ 500 mil da Odebrecht ao ministro Aloysio Nunes, citado com Serra nesta investigação, é incontroverso. Esclareceu, contudo, que restam dúvidas sobre a 'origem e finalidade' da transferência. Generosa e apaziguadora, a procuradora acrescentou que os dois não têm com o que temer, pois a combinação entre a data do ocorrido e a idade de ambos garante a prescrição da pena. São, digamos assim, delitos provectos.

Marcus Pestana: Educação e inovação, nossos maiores desafios

- O Tempo (MG)

Na última semana, falei sobre nosso calcanhar de aquiles: o grave desequilíbrio fiscal que estrangula o setor público. Hoje, intencionalmente, passo ao largo das intensas polêmicas que envolvem meu partido, o PSDB. Prefiro dedicar este nobre espaço a reflexões sobre um aspecto central da realidade brasileira: a necessária revolução educacional inconclusa.

Nas diversas experiências de planejamento no Brasil, uma se destacou: o Plano de Metas de JK. Na metodologia que embasou a concepção do plano, havia os conceitos de pontos de estrangulamento e pontos de germinação. Utilizando esse paradigma, o desequilíbrio fiscal seria o maior ponto de estrangulamento, e a revolução educacional inconclusa e o processo de inovação, os maiores pontos de germinação.

A economia no século XXI, centrada no conhecimento, na integração global, na inovação, no capital humano, mais nos serviços do que na indústria, digital e não analógica, coloca novos desafios.

Vinicius Mota: O Terceiro elemento

- Folha de S. Paulo

Os efeitos sensíveis de reviravoltas no ciclo econômico —numa nação relativamente complexa, remediada e populosa como o Brasil— são sempre defasados. A pior recessão em uma geração começou em meados de 2014, mas demorou bastante tempo para a ficha cair.

O desemprego sustentou-se em níveis muito baixos até o final daquele ano, o que ajudou a reeleger governantes, como Dilma Rousseff e Luiz Fernando Pezão, diretamente responsáveis por escolhas calamitosas de política econômica. Em 2016, com a desocupação perto do pico histórico, a oposição ao PT e ao statu quo colheu estrondosa vitória nos municípios.

A dinâmica territorial do veneno recessivo também mostrou-se heterogênea. Em 2014, todos os Estados do Nordeste, à exceção de Sergipe, cresceram acima da média nacional de 0,5%. A taxa da Bahia, o maior deles, foi quase cinco vezes a brasileira. Já São Paulo encolheu 1,4%.

Jose Roberto de Toledo: Lula, Bolsonaro e o tempo

Adicionar legenda
- O Estado de S. Paulo

Eles estão nas pontas opostas da corrida presidencial, com eleitorados distintos um do outro, mas, mesmo assim, têm algo em comum. O populismo, gritarão os sem-candidato entre eles. Porém, as convergências de quem foi preso pela ditadura com quem vive para ressuscitá-la são mais do que adjetivas. Por ora, Lula e Bolsonaro são os dois únicos candidatos a presidente com capacidade de mobilizar militantes e campanhas na rua e na rede.

Os pontos em comum são, ao mesmo tempo, causa e consequência da liderança que ambos sustentam nas pesquisas de intenção de voto. Conseguem mobilizar eleitores porque estão na frente, e estão na frente porque conseguem mobilizar eleitores. A questão é se largar na dianteira é uma vantagem tão fugaz quanto foram as “pole positions” de Lula em 1994 e de Serra em 2010. É no que apostam (e torcem) 9 entre 10 consultores do mercado financeiro.

Se o restrospecto conta uma história desfavorável aos apressados, pela primeira vez se vêem indícios de que a campanha digital pode ter impacto positivo sobre a campanha real. Em pleitos anteriores, mídias sociais (WhatsApp à frente) serviram para detonar os rivais, mas foram de pouco valia para ganhar votos. A julgar por 2017, isso está mudando. A força da campanha via redes digitais conseguirá se equiparar à da TV? Se sim, a cronologia das eleições passadas talvez não se aplique a 2018.

Ricardo Noblat: Eles estão vencendo

- O Globo

Grito de um militante do PSDB na convenção do partido em São Paulo “Primeiramente, fora Aécio”.

O que significa “sair do governo pela porta da frente”? É o que fará o PSDB, segundo garantiu no fim de semana o senador Aécio Neves (MG), duas vezes afastado do mandato por decisão da Justiça, com ele reconciliado graças à intervenção dos seus pares. Sim, o mesmo Aécio que construiu com dinheiro público um aeroporto para chamar de seu, e descolou R$ 2 milhões do empresário Joesley Batista.

SAIR DO GOVERNO pela porta da frente significaria sair de livre e espontânea vontade? Pois o PSDB arrisca-se a sair enxotado por Temer, que poderá antecipar a reforma do seu ministério para não perder o apoio de partidos mais à direita. A ser abandonado pelo PSDB, Temer prefere abandoná-lo antes. Dos atuais quatro ministros do PSDB talvez segure dois: Aloysio Nunes (Itamaraty) e Antonio Imbassahy. (Secretaria do Governo).

SAIR DO GOVERNO pela porta da frente significaria ganhar tempo para dar um jeito de não sair? Se dependesse de Aécio e de parte dos deputados federais do partido, o PSDB ficaria no governo até o seu final. Aécio, porque precisa da influência do PMDB nos tribunais superiores para escapar de uma dezena de processos. Os deputados, porque ainda à cata de favores que os ajudem a se reeleger.

Cida Damasco: Caindo na real

- O Estado de S.Paulo

Com fé, reforma enxuta da Previdência passa em 2018. E a próxima?

Tem muita gente fazendo planos para descansar no feriadão esticado que começa quarta-feira e vai até a segunda. Incluindo os parlamentares. Para o governo, porém, a temporada terá de ser de trabalho pesado, se o objetivo for mesmo pôr para andar as votações mais importantes da pauta econômica, conforme a enxurrada de declarações oficiais nos últimos dias. Especialmente a reforma da Previdência, transformada de prioridade absoluta em “quase descartável” e de novo em prioridade absoluta, isso tudo em 72 horas.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), senhor da agenda do Congresso, continua alertando a turma do Planalto para a desarticulação da base parlamentar e os consequentes riscos de rejeição das mudanças na Previdência, e pede empenho do governo. O Planalto, por sua vez, se diz disposto a negociar, mas sempre que pode “lembra” que, em última instância, a responsabilidade é do Congresso. Para quem precisa de um jogo articulado, não parece nada promissor esse reinício das conversas, tornando inevitável que a Previdência volte a ocupar o centro das preocupações do próximo governo.

Angela Bittencourt: Eleição 2018: mercado já tem guia e candidatos

- Valor Econômico

Itaú e BNP Paribas divulgam cartilhas e listam candidatos

Enquanto o presidente Michel Temer e líderes dos partidos aliados engatam uma reforma ministerial capaz de atender a múltiplos interesses e assim garantir os 308 votos necessários para a aprovação de alguma reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, bancos, assets e consultorias já estão mobilizadas para as eleições de 2018. Nas próximas semanas, deve ser acelerada a distribuição, iniciada há poucos dias, de cartilhas, guias ou manuais sobre as eleições brasileiras do ano que vem.

Gestores de recursos tratam de municiar investidores com informações sobre potenciais candidatos: trajetória profissional, nível educacional e filiação partidária. E, sobre os candidatos que já são políticos, os manuais da eleição trazem uma retrospectiva de certames passados e perfil de eleitores.

A iniciativa das instituições pode parecer apressada a um ano da eleição, mas ela não será só mais uma. A próxima eleição será a primeira a ocorrer após uma troca de governo e uma inédita recessão econômica.

Em 2018, as urnas deverão produzir, no mínimo, um governo substituto a "2 em 1". O próximo titular no Palácio do Planalto será o sucessor de Michel Temer e de Dilma Rousseff, ex-presidente afastada do cargo, em definitivo e por crime de responsabilidade, no fim de agosto do ano passado.

Inflação, renda e consumo – Editorial: O Estado de S. Paulo

Com inflação ainda moderada e melhores condições de emprego, o consumidor poderá ter um fim de ano mais folgado, ou menos apertado, que o de 2016. Se isso se confirmar, comércio e indústria poderão entrar no próximo ano com estoques moderados, talvez baixos, e também esse detalhe contribuirá para manter a economia animada nos primeiros meses de 2018. A evolução do cenário político até o recesso do Parlamento, em dezembro, poderá, é claro, derrubar qualquer prognóstico otimista, mas, por enquanto, os números permitem alguma animação. A inflação oficial acumulada no ano ficou em 2,21% até outubro, a menor taxa para esses dez meses desde 1998, quando bateu em 1,44%. O total contabilizado em 12 meses passou de 2,54% em setembro para 2,70%, mas permaneceu abaixo do limite inferior de tolerância. A meta do ano é 4,5%, com margem de variação permitida de 1,5 ponto porcentual para cima e para baixo.

No fim do ano, segundo especialistas, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) poderá estar em 3% ou pouco acima – dentro, portanto, do espaço de tolerância. Se essa estimativa estiver correta, o presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, será poupado de uma estranha obrigação: explicar em carta ao ministro da Fazenda por que a inflação ficou abaixo do limite inferior fixado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Não há, de toda forma, expectativa de grandes pressões neste fim de ano, exceto por novo aumento da conta de eletricidade.

Bolsonaro em pauta – Editorial: Folha de S. Paulo

Se já deve ser levado a sério como candidato à Presidência, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) igualmente dá sinais de que busca se tornar um nome palatável ao establishment político e econômico nacional.

Trata-se de movimento pragmático, cujo propósito imediato é obter apoios e estrutura para sustentar uma pré-campanha que até o momento se impôs por meio de uma retórica raivosa, que explora medos e preconceitos.

O postulante da direita radical beneficia-se, ao mesmo tempo, da degradação econômica e social do país nos últimos anos e da ausência de candidaturas definidas fora do campo esquerdista.

Por ora um lobo solitário nesse terreno, pesca nas águas turvas do quadro de escândalos de corrupção, descrédito de partidos tradicionais, insegurança trabalhista e temor da violência.

Divisão põe em xeque papel do PSDB na eleição – Editorial: Valor Econômico

O aprofundamento da crise do PSDB lança uma sombra sobre o futuro do governo do presidente Michel Temer e sobre a capacidade do partido se recuperar e voltar ao poder nas eleições presidenciais de 2018, mais de uma década e meia depois de deixar o Palácio do Planalto. Os tucanos, ave símbolo do partido que fez o Plano Real, quebrou monopólios e fez as privatizações, é que dão credibilidade ao atual governo junto à elite social, econômica e política do país. Eles deveriam em princípio representar esses valores na disputa eleitoral do próximo ano.

As dificuldades para se manter coeso e de obter consensos sobre temas um pouco mais espinhosos do cotidiano nacional, no entanto, são, desde 2002, obstáculos quase instransponíveis para o PSDB retomar o poder que perdeu para o PT nas urnas, e ao qual só conseguiu voltar agora de carona com o PMDB no impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Em 2002 como agora, o PSDB também chegou rachado à sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso, após oito anos no Palácio do Planalto.

Os tucanos exibiram sua divisão, contida enquanto FHC estava no Palácio do Planalto, em praça pública. Nada mais constrangedor que a declaração do senador Tasso Jereissati (CE) - novamente protagonista do racha tucano - de abandonar o candidato oficial do partido, José Serra (SP), para apoiar a candidatura do conterrâneo Ciro Gomes, hoje no PDT e à época candidato a presidente da República pelo PPS.

Desobediência civil – Editorial: O Globo

A carga de ideologia que existe no tema leva magistrados a defenderem interpretações contra a lei

O ciclo de reformas em que o país está, forçado pela mais grave crise econômica de que se tem registro, deflagrada por irresponsabilidades fiscais e outras, inevitavelmente tem sido acompanhado — e será até seu esgotamento — por embates com grupos de interesses que se valem da velha ordem, que não mais se sustenta. Ou melhor, uma ordem que passou a ir contra todo o sistema.

As mudanças no arcabouço previdenciário — dos assalariados do setor privado e dos servidores públicos — são um exemplo claro: com o passar do tempo, normas desatualizadas em relação à demografia do país, entre outros fatores, começaram a ampliar o déficit do INSS, e passou a ser necessário fazer com que as pessoas se aposentem com idade mais elevada (a partir de 65 anos). As resistências são ferozes.

Mas há imperativos aritméticos que forçam esta e outras mudanças. O mesmo ocorre com os servidores, privilegiados em relação aos trabalhadores de empresas privadas. O déficit do seu sistema, no caso da União, chega a ser maior que o do INSS, mesmo que conceda benefícios a apenas um milhão de aposentados, contra 33 milhões na área privada. A grita contra mudar este estado de coisas é, óbvio, enorme.

Por reforma enxuta, campanha do governo dirá que nova Previdência combaterá privilégios

Painel / Folha de S. Paulo

De cara nova O governo vai lançar uma ofensiva publicitária para defender o texto mais enxutoda reforma nas regras de aposentadoria. Michel Temer e seus auxiliares definiram o mote da campanha: “Combater privilégios e salvar a Previdência”. A ideia é usar a proposta de unificação dos regimes público e privado para desconstruir o discurso de que as mudanças acabarão com direitos, como prega a oposição. Moreira Franco (Secretaria-Geral) define nesta segunda (13) a agência que fará a propaganda.

Geni A comunicação foi apontada como uma das responsáveis pelo naufrágio da primeira etapa da discussão da reforma previdenciária. O governo busca agora uma linguagem menos fiscalista e mais palatável à população.

É de casa O Planalto optou por uma concorrência interna entre as três agências que já prestam serviço para a Secretaria de Comunicação. Elas apresentarão ao ministro suas propostas para campanhas de rádio, TV e internet.

Isca Para driblar a resistência da Câmara à criação de uma alternativa ao imposto sindical, as centrais usarão o discurso de que a proposta fortalece os sindicatos e, consequentemente, o negociado sobre o legislado –um dos pilares da reforma trabalhista.

Fio de esperança Sindicalistas tentam convencer Rodrigo Maia (DEM-RJ) a levar o projeto ao plenário na última semana de novembro.

PMDB aposta em legado econômico para 2018

Coluna do Estadão / O Estado de S. Paulo.

O PMDB aposta que terá um bom legado a apresentar na disputa presidencial de 2018 na área econômica, com a geração de empregos e o crescimento do PIB. Se hoje o apoio de Michel Temer é tido como tóxico por sua baixa popularidade, os peemedebistas confiam que, à medida que os números positivos da economia forem aparecendo, o partido voltará a influenciar na eleição Planalto. O presidente do PMDB, o senador Romero Jucá diz que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), é quem melhor representará esse patrimônio na disputa.

Ajustes. O presidente Michel Temer disse para a Reuters, em setembro, que possivelmente o PMDB terá candidato ao Planalto em 2018. Mas, a legenda já não descarta apoiar Meirelles, que está no PSD.

Norte. Gilberto Kassab, comandante do PSD, usou as redes sociais para autorizar os diretórios estaduais a fazerem alianças em 2018, mas pediu esforço no sentido de lançarem candidatos da sigla aos governos, Senado e Câmara. Só não falou da sucessão presidencial.

Briga no ninho. A decisão de Aécio Neves de destituir Tasso Jereissati da presidência do PSDB foi comemorada por aliados de José Serra. Esse grupo acha que a aliança de Tasso com Geraldo Alckmin ampliaria o poder do governador, minando o espaço de Serra na estrutura partidária.

Quebra cabeça. José Serra vem recebendo pressões para se candidatar ao governo de São Paulo. Paralelamente, Alckmin já está decidindo quem ele irá indicar ao governo do Estado, para formar o palanque majoritário estadual.

Fernando Pessoa: A Outra

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Amamos sempre no que temos
O que não temos quando amamos.
O barco pára, largo os remos
E, um a outro, as mãos nos damos.
A quem dou as mãos?
À Outra.

Teus beijos são de mel de boca,
São os que sempre pensei dar,
E agora e minha boca toca
A boca que eu sonhei beijar.
De quem é a boca?
Da Outra.

Os remos já caíram na água,
O barco faz o que a água quer.
Meus braços vingam minha mágoa
No abraço que enfim podem ter.
Quem abraço?
A Outra.

Bem sei, és bela, és quem desejei...
Não deixe a vida que eu deseje
Mais que o que pode ser teu beijo
E poder ser eu que te beije.
Beijo, e em quem penso?
Na Outra.

Os remos vão perdidos já,
O barco vai não sei para onde.
Que fresco o teu sorriso está,
Ah, meu amor, e o que ele esconde!
Que é do sorriso
Da Outra?

Ah, talvez, mortos ambos nós,
Num outro rio sem lugar
Em outro barco outra vez sós
Possamos nos recomeçar
Que talvez sejas
A Outra.

Mas não, nem onde essa paisagem
É sob eterna luz eterna
Te acharei mais que alguém na viagem
Que amei com ansiedade terna
Por ser parecida
Com a Outra.

Ah, por ora, idos remo e rumo,
Dá-me as mãos, a boca, o ter ser.
Façamos desta hora um resumo
Do que não poderemos ter.
Nesta hora, a única,
Sê a Outra.

Paulinho da Viola: Bebadosamba

domingo, 12 de novembro de 2017

Eliane Cantanhêde: Bruxas? Fogueiras?

- O Estado de S.Paulo

A crise política, econômica e ética induz a um contra-ataque do conservadorismo?

Há ou não uma onda conservadora no Brasil, arrastando a política, a economia, o comportamento e a visão de mundo das pessoas? Essa questão é impulsionada pela ascensão do deputado Jair Bolsonaro ao segundo lugar nas pesquisas presidenciais, pelos assassinatos de mulheres (pelo menos quatro horrendos na semana passada!) e por militantes que botam fogo num boneco representando a pensadora Judith Butler, defensora da identidade de gênero. Fogueiras?! Bruxas?!

É daí a importância de uma pesquisa do movimento Agora!, com o instituto Ideia Big Data, feita face a face com 3 mil brasileiros e brasileiras de 38 cidades de todas as regiões, entre 31 de outubro e 6 de novembro. A grande maioria desdenhou de um salvador da Pátria na política, mas quase metade concorda que “bandido bom é bandido morto”.

Merval Pereira: Congresso X STF

- O Globo

Congresso escolhe quais decisões do STF acatar. Estamos vivendo um momento de tamanha desorganização social, que o Congresso decide que decisões do Supremo Tribunal Federal acatar, de acordo com a conveniência de seus grupos de pressão. As que beneficiam os parlamentares de maneira geral, como a que, equivocadamente a meu ver, deu às Casas Legislativas a última palavra em qualquer punição de seus pares, são elogiadas e cumpridas com rapidez nada comum.

Por todo o país, e não só em Brasília, parlamentares estão saindo das cadeias ou prisões domiciliares para retomar seus mandatos. E as que atingem os parlamentares, como a recente ampliação do alcance da inelegibilidade da Lei da Ficha Limpa, estão sendo revistas em Brasília, neste caso para tornar sem efeito a decisão do STF, em benefício de prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais.

A alegação de que a decisão do Supremo faz a lei retroagir em prejuízo do condenado foi recusada pela maioria do plenário do Supremo, pois a inelegibilidade de oito anos existe na lei a partir de 2010, não importando em que ano o crime foi cometido. É uma exigência que todos devem cumprir ao se inscrever para concorrerem às eleições.

Hélio Schwartsman: Balançando as redes

- Folha de S. Paulo

Sobrou para as redes sociais. Se até há pouco eram vistas como promessa de liberdade, agora são apontadas como ameaça à democracia. São acusadas tanto de fomentar a crescente polarização como de terem se convertido no celeiro onde surgem e prosperam as "fake news". Será que é para tanto?

Não há dúvida de que vivemos numa época de radicalismos. Meu palpite pessoal é o de que a internet tem algo a ver com isso. Mas, se formos em busca de evidências, veremos que os processos pelos quais isso ocorre não são tão simples nem diretos como normalmente se presume.

Num trabalho cujas conclusões são bem contraintuitivas, Boxell, Gentzkow e Shapiro mostraram que, nos EUA, a polarização cresceu mais justamente nos grupos demográficos que utilizam menos a internet, como os idosos com mais de 75 anos. Não é o suficiente para inocentar as redes sociais, mas já seria o bastante para nos fazer procurar por explicações um pouco mais sofisticadas.

Vera Magalhães: A cara do pai

- O Estado de S.Paulo

Às vésperas de completar 30 anos, o PSDB se assemelha nas práticas e no desgaste ao PMDB

Em 25 de junho de 1988, um grupo de filiados do PMDB deixou o partido por não concordar com os rumos do governo de José Sarney e com as práticas fisiológicas da sigla. Nascia assim o PSDB, com um programa social-democrata baseado em alguns pilares: defesa de uma máquina pública mais enxuta e menos fisiológica, adoção do parlamentarismo e de uma economia de mercado em que o Estado atuasse mais na regulação.

O partido foi um case de sucesso eleitoral: em seis anos, elegeu um presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, o segundo depois da restituição de eleições diretas no País. Governou por oito anos e, desde então, tem sido um dos polos da política nacional, se revezando com o PT no poder.

Às vésperas de completar 30 anos, o partido dos tucanos é a cara do pai. Não dos pais fundadores, políticos como Mário Covas, Franco Montoro e Fernando Henrique Cardoso, que se distinguiam no discurso e nas biografias daquele PMDB então já carcomido pela velha política. Do pai PMDB, mesmo.

Fernando Gabeira: Onde está todo mundo?

- O Globo

No vestiário da piscina, cumprimento um amigo. — Tudo bem — responde. — Família? —Tudo bem conosco, família, amigos. Mas o país…

Mesmo entre as pessoas que passam bem e tocam seu barco cotidiano, as conversas tendem a terminar assim, com um lamento sobre o Brasil. Isso acontece também em diálogos na rede social. Mas é diferente. Com a presença física do outro, sentimos mais fortemente o desencanto com o país.

Não sei se por nostalgia dos tempos de manifestações, passeatas, assembleias, às vezes sinto um vazio que a internet não preenche. Era como se estivesse numa sala e perguntasse: onde estão todos nesse momento? Sei que posso encontrá-los num simples clique. Mas não é a mesma coisa. A respiração ofegante, olhares, o suor escorrendo, gritos — tudo isso faz parte do mundo que convencionamos chamar de presencial.

Creio que 2018 será diferente. Eu mesmo já me desloco para ouvir amigos, conversar com eles sobre o buraco em que nos metemos. Não tenho grandes certezas, nem um discurso acabado. Ambos não ajudam numa boa conversa. De que adianta falar com quem acha que sabe tudo?

Arnaldo Jordy: O desafio do clima

- Portal do PPS

Os países membros da ONU estão na Alemanha neste momento para Conferência sobre Mudanças Climáticas (COP 23). Em pauta, os crescentes aumentos de temperatura no mundo, o aumento do nível do mar e do número de tempestades, secas, inundações, furacões e outros desastres naturais que podem ser consequência do aquecimento global. Documento da Organização Meteorológica Mundial revela que a ocorrência de eventos climáticos extremos tem acompanhado a curva de crescimento das emissões de gases-estufa e o aumento da média da temperatura global.

Conter o aquecimento, no entanto, enfrenta outra barreira, que deverá ser um dos pontos centrais de discussões na COP 23, a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, por iniciativa do governo de Donald Trump, repetindo o que George W. Bush fizera com o Protocolo de Kyoto, e a consequente desidratação do fundo global de financiamento das ações contra o aquecimento, que é formado, proporcionalmente, pelas contribuições dos países que mais jogam dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, sobretudo EUA e China.

Míriam Leitão: Aflição e orgulho

- O Globo

Um lado do país dá aflição; o outro, orgulho. Vivo a sensação de estar em um país partido, divorciado de si mesmo. Um lado apodrece e tem poder, o outro resiste com força espantosa. Os políticos afrontam diariamente os valores com suas decisões e falas. Mas eu visito escolas públicas que dão certo em locais improváveis, um hospital modelo em pleno desastre do Rio, funcionários públicos que defendem o patrimônio ambiental do país. Tudo é real.

É realidade um governo que conspira em medidas e decretos contra o meio ambiente. É realidade que dois funcionários do ICMbio, Enrique e Dolvane, navegam pelas curvas do Rio Negro em Anavilhanas com paixão e denodo. Confiam que vão ser efetivos em suas ações nos mais de 350 mil hectares do arquipélago fluvial da floresta alagada.

É verdade que recursos públicos são desviados ou mal geridos. E é real a Escola Maria Leite de Araújo, na zona rural de Brejo Santo. O prêmio recebido do governo do Ceará por ser escola Nota Dez foi investido em melhorias decididas depois de reunião com os pais. Uma das mães que entrevistei disse que a escola é como se fosse sua família. Nas horas que passei lá, vi uma cena inusitada: uma criança pulou o muro, mas para dentro da escola. Ele é do turno da manhã, não havia ainda começado o turno da tarde e o portão está fechado. Como mora perto, costuma pular para dentro. Gosta.

Luiz Carlos Azedo: A fortuna do príncipe

Prudente por natureza, Alckmin pode repetir a performance de Orestes Quércia (PMDB), governador paulista “cristianizado” nas eleições de 1994

Um dos últimos capítulos do clássico O príncipe, de Nicolau Maquiavel, obra seminal da teoria política, parece escrito sob medida para as movimentações de bastidor dos líderes principais do PSDB na tentativa de construção de candidatura capaz de unificar forças de centro e derrotar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o deputado Jair Bolsonaro (PSC), que hoje polarizam as pesquisas eleitorais. Intitulado “De quanto pode a fortuna nas coisas humanas e de que modo se lhe deva resistir” (Quantum foruna in rebus humanis possit, et quomodo illis sit occurren dum), trata da relação entre as virtudes dos governantes e a sua fortuna (que tem mais a ver com as contingências do que propriamente com a sorte ou o acaso).

Para Maquiavel, o governante prudente se prepara para as adversidades. “Não ignoro que muitos têm tido e têm a opinião de que as coisas do mundo sejam governadas pela fortuna e por Deus, de forma que os homens, com sua prudência, não podem modificar nem evitar de forma alguma (…) Esta opinião se tornou mais aceita nos nossos tempos pela grande modificação das coisas que foi vista e que se observa todos os dias, independentemente de qualquer conjectura humana. Pensando nisso algumas vezes, em parte, inclinei-me em favor dessa opinião. Contudo, para que o nosso livre arbítrio não seja extinto, julgo poder ser verdade que a sorte seja o árbitro da metade das nossas ações, mas que ainda nos deixe governar a outra metade, ou quase.”

*Bolívar Lamounier: Pensando o impensável

- O Estado de S.Paulo

Difícil sugerir algum caminho, quando Aécio se comporta como um coronel de priscas eras

São raros, em qualquer país, os momentos de real concórdia. Em geral, o que se tem é uma paz aceitável, e por vezes precária. As nações menos felizes passam por solavancos sérios e só com muito esforço conseguem evitar que novos solavancos lhes destruam por muito tempo a perspectiva da felicidade.

O que me deu coragem para encetar tal divagação foi a recuperação econômica, por enquanto tênue, e os prospectos algo mais animadores que vão ganhando corpo para 2018. Com os poderosos instrumentos de análise de que dispõem, os economistas são em média mais otimistas. Acreditam que a recuperação reaproxima os políticos, desarma os espíritos e repõe o país nos trilhos. Torço para que estejam certos, mas vejo certa utilidade em pensar o impensável. Imaginar, como exercício, que as raízes dos nossos problemas possam ser mais complexas e profundas.

Essas ideias soltas me vieram à mente como subproduto de uma reflexão sobre nossos últimos 25 anos, intercalada com premonições sobre os próximos cinco ou dez e com uma avaliação do estado atual dos nossos partidos políticos.

O governo Collor, os desacertos iniciais do governo Itamar Franco e a hiperinflação batendo às nossas portas poderiam ter sido um solavanco considerável. Mas conseguimos revertê-lo, e fizemos melhor, preparamos o terreno para reformas econômicas importantes e para uma alternância pacífica no governo: a ascensão de um ex-operário e de um partido ainda imbuído de certo ranço revolucionário. Se tivéssemos falhado naquele momento, é óbvio que a sequência previsível dos acontecimentos poderia ter sido extremamente grave. Teríamos, desde logo, um segundo solavanco – uma polarização política acirrada, com reflexos negativos na economia e assim sucessivamente. Isso não aconteceu lá atrás, mas aconteceu há coisa de três ou quatro anos, arrastando o País para a recessão e para uma forte elevação do desemprego.

Depois – e temo que esta seja a etapa em que agora nos encontramos –, uma situação de anomia, de desesperança e descrença generalizada. Reverter tal situação é possível, mas é mais difícil despolarizar do que polarizar. E depois da anomia, o que pode vir?

Sérgio Besserman Vianna: Centro vazio ou cheio

 - O Globo

Lula e Bolsonaro se alimentam de dicotomia falsa

É conhecida a metáfora do copo meio cheio ou meio vazio. Pois nas eleições de 2018, para escaparmos do populismo de direita ou de esquerda, uma boa metáfora seria nos perguntarmos se queremos um centro vazio de ideias e cheio de interesses ou cheio de conteúdo e visão de futuro e vazio daquilo que os brasileiros não suportam mais.

Em excelente artigo no “Estado de S.Paulo”, o professor Sergio Fausto tocou na ferida: “À direita se ouve: é preciso aumentar a produtividade da economia. À esquerda se ouve: é necessário reduzir a desigualdade social.” E corajosamente discorre sobre como, ao invés de se oporem, no Brasil, obrigatoriamente se complementam.

“Não é trivial criar uma narrativa eleitoralmente competitiva em torno de ideias de aumento da produtividade e redução da desigualdade”, conclui, e finaliza observando que, no entanto, “é o caminho para escapar das formulas fáceis e vazias do marketing eleitoral”.

Alvíssaras! Enquanto a corporação política opera para maximizar suas chances de reeleição e conduz o debate eleitoral para o ilusionismo marqueteiro cínico, Sergio desestabiliza a superficialidade rasa.

Samuel Pessôa: A janela se fecha

- Folha de S. Paulo

Sem reforma da Previdência, não haverá opção à política monetária além de aceitar inflação
Governo Temer

Desde meados de maio, em seguida à divulgação da reunião do presidente Temer com o empresário Joesley Batista, em circunstâncias nada republicanas, no Palácio do Jaburu, vivemos um período de descolamento entre a política e a economia.

Apesar do agravamento da crise política e de o presidente ter que gastar seus cartuchos políticos para defender seu mandato e, portanto, de o espaço para seguir com a tramitação da reforma da Previdência ter se estreitado, a economia prosseguiu em sua trajetória de recuperação. O câmbio e o risco-país se mantiveram contidos.

Dois fatores explicam a calma do mercado em meio ao crescimento insustentável da dívida pública.

Primeiro, uma surpresa desinflacionária na economia americana. A inflação roda hoje por lá a uma taxa um ponto percentual abaixo do que se previa para 2017 no fim do ano passado. A redução generalizada dos juros americanos, em razão da queda da inflação, nos deu tempo.

Segundo, uma forte surpresa desinflacionária no Brasil. Em agosto de 2016, eu esperava que o IPCA fecharia 2017 em 5,5%. Hoje, meu número é de 3,2%. Erro de 2,3 pontos percentuais. Uma parcela importante do erro deveu-se à desinflação de serviços maior do que se esperava.

A surpresa desinflacionária sugere que o BC poderá praticar juros por alguns trimestres inferiores ao que imaginávamos no final de 2016.

José Roberto Mendonça de Barros*: Na recuperação, a diversidade se acentua

- O Estado de S.Paulo

Há empresas que conseguem navegar na recessão, mas se tornam insolventes depois dela

Finalmente, o Brasil saiu oficialmente do buraco. O Comitê de Datação de Ciclos Econômicos, da FGV, apontou que por longos 11 trimestres vivemos em recessão, de abril de 2014 a dezembro de 2016. Nesse período, o PIB per capita caiu quase 10%, algo difícil de ocorrer em tempos de paz.

Como sempre acontece em recessões profundas, é muito variada a experiência de pessoas, empresas, setores e regiões. Em primeiro lugar, porque é muito diversa a condição de entrada no processo de queda, especialmente quando ela é abrupta, como foi o caso. Algumas pessoas carregam dívidas, outras não, algumas empresas têm sólida estrutura de capital e boa gestão, outras não. Da mesma forma, alguns setores podem estar num ciclo maduro (automóveis e outros bens duráveis), e outros não.

Além da condição de entrada, a vivência na crise também é muito diversa, uma vez que alguns podem ser capazes de fazer um ajuste consistente com a situação, enquanto outros tentam simplesmente se salvar, e nem todos conseguem.

Rolf Kuntz: Congresso Nacional, interesses, nem tanto

- O Estado de S.Paulo

São três Poderes, mas só um é visto como responsável pela saúde financeira do Estado

Há sinais de civilização no Brasil, e até, podem crer, de responsabilidade e seriedade. Quem quiser uma prova, certamente escassa, deverá olhar os números da inflação. Será reconfortante esquecer por um momento as baixarias e barganhas brasilienses, a decomposição do PSDB e a insistência petista em copiar o desastre venezuelano. Uma pergunta crucial para a avaliação do sistema político – de quem depende, em Brasília, a defesa do poder de compra das famílias? – poderá ser feita pouco depois. Valerá a pena curtir em primeiro lugar os dados positivos. Os preços ao consumidor subiram 2,70% nos 12 meses terminados em outubro e 2,21% em 2017. Essa foi a menor taxa para o período de janeiro a outubro desde 1998, quando ficou em 1,44%. A alta do indicador no mês passado, 0,42%, é atribuível principalmente à elevação dos preços da energia elétrica e do botijão de gás, afetados um pela seca e outro pelas condições internacionais. São preços flexíveis e podem baixar mais tarde.

Retome-se a pergunta: a quem compete zelar pelo poder de compra dos consumidores e, portanto, pelo valor da moeda? A resposta completa envolve os três Poderes do Estado, com destaque para o Executivo e o Legislativo. Mas quem se responsabiliza mais claramente pela estabilidade dos preços é o Executivo, ou uma parte dele. No caso do Brasil, a concentração de responsabilidades econômico-financeiras em um Poder é especialmente visível quando se trata do gasto público. Invoca-se a independência dos Poderes para defender o aumento de salários e benefícios no Judiciário e no Legislativo, enquanto se despreza um dado tão simples quanto fundamental: o Tesouro, assim como o Estado nacional, é único e indivisível.

Vinicius Torres Freire: Cheiro de queimado no mercado

- Folha de S. Paulo

Juros de prazos mais longos sobem, indícios de medo de 2018 e Lula, além de risco para a recuperação do PIB

"O mercado descolou da política" é uma expressão que se tornou lugar-comum desde junho. Pareceu então que o apodrecimento terminal de Michel Temer, cortesia de Joesley Batista, não causara tumulto maior na finança nem afetava essa mínima recuperação da economia real.

Mas não foi bem esse o caso, ao menos em recantos mais obscuros, porém importantes, do mercado financeiro. Nem o problema agora se deve apenas a Temer. Desde setembro, o cheiro de queimado na finança fica mais forte. Não parece mais apenas um fogo de palha.

Em resumo simples, a eleição e dúvidas sobre a capacidade do próximo governo de conter a dívida pública já parecem pesar bastante no custo do dinheiro, nos juros futuros. "A persistirem os sintomas", como diz propaganda de remédio, a recuperação econômica pode cair de cama.

Vamos sair do governo pela porta da frente, como entramos, diz Aécio

Presidente afastado do PSDB nega que presença da sigla no governo seja ‘fisiológica’, mas admite que há ‘convencimento de todos’ sobre desembarque

Pedro Venceslau e Marcelo Osakabe / O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - Dois dias depois de destituir o senador Tasso Jereissati (CE) da presidência interina do PSDB, o senador Aécio Neves (MG), presidente afastado do partido, participou da convenção tucana em Minas Gerais que reelegeu seu aliado, o deputado Domingos Sávio, presidente da legenda no Estado. Em entrevista no final do evento, neste sábado, 11, Aécio reconheceu que o PSDB deixará em breve o governo Michel Temer, mas criticou os "cabeças pretas", ala que faz oposição ao Palácio do Planalto. "Vamos sair do governo pela porta da frente, da mesma forma que entramos", disse o senador.

De acordo com o senador, há no PSDB "um convencimento de todos" de que está chegando o momento de deixar o governo. "Quero sugerir aos dois candidatos (à presidência do partido) que convoquem os ministros do PSDB para uma reunião e que definam o momento da saída". Aos jornalistas, Aécio afirmou que, após a posse de Temer, chegou a "aventar" Tasso Jereissati para ocupar o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio.