sexta-feira, 21 de agosto de 2026

A farsa de Pablo Marçal, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Coach subiu no picadeiro para ajudar Flávio Bolsonaro e promover seus próprios negócios; registro deve ser negado pelo TSE

A nova aventura de Pablo Marçal está com os dias contados. Inelegível até 2032, o coach registrou a candidatura a presidente nos últimos minutos do prazo. Conseguiu tumultuar a disputa, mas deve ser barrado pelo TSE.

Com milhões de seguidores nas redes sociais, Marçal tem a receita para bagunçar o coreto. Em seis dias de campanha, berrou palavrões, insultou jornalistas e chorou num podcast.

Ele reapareceu a bordo de um factoide: declarou R$ 7 bilhões em patrimônio. Depois de ganhar as manchetes, alegou erro ao preencher um formulário. Quem o conhece identificou mais uma pegadinha para causar polêmica e reforçar a imagem de novo rico.

Marçal já deixou claro que a candidatura é uma farsa. Ele subiu no picadeiro para promover seus negócios e ajudar Flávio Bolsonaro, beneficiário dos ataques a Lula e Renan Santos.

Para o Ministério Público, a chapa foi arquitetada sobre duas fraudes. Além de estar com os direitos políticos suspensos, o coach forjou uma filiação ao PRTB com data retroativa. Bons tempos em que a sigla só era notada pela figura exótica de Levy Fidelix, o bigodudo do aerotrem.

Ontem o TSE proibiu Marçal de usar recursos públicos e participar de debates. A decisão unânime indica que a candidatura de mentirinha já subiu no telhado. Mesmo assim, ele ainda pode ter duas ou três semanas para encenar a farsa e pedir doações a incautos.

O candidato-coach é produto de uma era em que a política se confunde cada vez mais com o entretenimento. Suas presepadas geram engajamento e votos, como se viu na última eleição para a Prefeitura de São Paulo.

A seu modo, Marçal deve repetir a passagem-relâmpago de Silvio Santos pela corrida presidencial de 1989. O homem do baú entrou na disputa a 15 dias do primeiro turno. Chegou a ameaçar o favoritismo de Fernando Collor, mas foi barrado pelo TSE por irregularidades no registro partidário.

As semelhanças terminam no lançamento de última hora e no uso de uma legenda de aluguel. Diante do que se vê hoje, a candidatura de Silvio teve a inocência de um programa de calouros.

 

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