Folha de S. Paulo
Campanha começa como se previa, sem ideias e
discutida na polícia ou na Justiça
Pleito também é laboratório de líderes digitais para a sucessão de quem se aposenta
A campanha para presidente começou bem. Bem
do jeito que se previa. Por ora, é caso de polícia: de questões judiciais, de
tentativas de artimanhas judiciais e candidatura pirata. Em São Paulo, se
batem direitas que vão disputar a cidade daqui a dois anos, prenúncio de
projetos de renovação inevitável de métodos e lideranças políticas no caminho
da aposentadoria. Isso tem algum efeito na campanha presidencial.
O inelegível Pablo Marçal, um dia candidato a prefeito de São Paulo, lançou-se a presidente com um truque que pode durar até o início de setembro, quando o TSE deve tirá-lo da disputa oficial. Por ora, essa pessoa apenas está sem acesso a recursos oficiais de campanha, mas terá uns 20 dias de mumunha eleitoral. A avacalhação não tem fim.
Marçal serve de braço da candidatura de Flávio
Bolsonaro (PL),
batendo em Luiz Inácio Lula da Silva
(PT) e em Renan Santos (Missão). Renan bate em Lula e em Flávio, mas é
relevante por causa do mercado de votos futuros. Sua candidatura é, no mínimo,
projeto mais estruturado de ocupar o lugar impressionante que Marçal teve na
eleição paulistana de 2024.
Marçal chegou em terceiro lugar, com mais de
1,7 milhão de votos, 28,2% do total. Ricardo Nunes (MDB), que seria eleito
prefeito de São Paulo, teve 29,5%; Guilherme Boulos (PSOL, ministro de Lula 3),
29,1%. Marçal quase chegou lá.
Assim, 2026 tem muito de 2030. Sucessores na
esquerda e na direita fazem um apronto, esperam sair desta eleição com capital
para se lançar daqui a dois ou quatro anos; espraiam de vez a política digital.
Marçal inspira e vai inspirar tentativas eleitorais da neodireita em várias
praças —vide
Cleitinho (Republicanos) em Minas Gerais.
Quanto ao que os candidatos pretendem fazer
da política macroeconômica (gasto, imposto, juros etc.), sabemos apenas das
inanidades dos programas que os partidos registraram no TSE. Talvez saibamos
mais do assunto quando assessores econômicos dos candidatos contarem planos
para banqueiros e donos do dinheiro grosso em geral —se contarem algo que
preste. Os candidatos desprezam a opinião pública.
Quanto ao mais, marqueteiros
dizem que o eleitorado está desanimado e desinteressado. A campanha inexiste
a não ser em grupos de zap e similares —e olhe lá, dizem entendidos, pois nem
ali o assunto está quente.
Faltam TV e ainda mês e meio para a eleição?
A esta altura, conviria que já tratássemos ao menos do problema crítico da
administração econômica em 2027. Ou antes. O ambiente econômico aqui e lá fora
está esquisito, sujeito a acidentes.
O caso
Lulinha (Fábio Luiz Lula da Silva) vai descer do Supremo para
instância inferior? STF, Procuradoria-Geral da República, alguns policiais e
políticos dos dois lados maiores mexem pauzinhos. Informações vazam do
inquérito e pingam cada vez mais ácido na campanha governista.
O lulismo espera vazamentos a respeito
do dinheiro
que Daniel Vorcaro deu aos Bolsonaro e a lembrança da ficha corrida de
Flávio. Há outros escândalos em bancadas, gavetas ou geladeiras, que irão para
o ventilador a depender da conveniência e do tamanho da troca de chumbo.
Este 2026 também é 2030 por outros motivos.
Quase ninguém que se ocupa de economia ou de tantos problemas sérios espera
plano relevante no próximo governo. Seriam quatro anos enrolados no pântano da
economia, em ambiente travado pelo centrão-direitão. Mudança maior apenas se
houver colapso financeiro ou recessão maior.
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