O Estado de S. Paulo
Flávio Bolsonaro fez o papel de homem de família e o presidente Lula, o de homem das massas
Na estreia da propaganda eleitoral de rádio e
TV, Flávio Bolsonaro fez o papel de bom moço, homem de família, enquanto Lula
encenou o líder das massas, do “povo”, e, assim, deixou um alerta para a
campanha do opositor: Flávio precisa melhorar o conteúdo e a força da mensagem
para convencer que é uma opção melhor do que Lula.
Talvez a principal frase de efeito tenha sido de Lula: “Flávio, o pior dos Bolsonaro”, um contraponto, justamente, à versão de que seria o filho primogênito de Jair Bolsonaro seria “o melhor”, “o moderado” ou o “bom moço” da família, como acabara de se apresentar.
As duas estratégias foram pautadas pelas
pesquisas. Flávio, que sofre resistência no eleitorado feminino e precisa
manter o evangélico, falou de mulheres e família, mostrando a mãe, a mulher e
as duas filhas num lar simples e feliz.
Ele também tocou em pontos frágeis do governo
Lula, como a (falta de) segurança, preços altos e endividamento das famílias,
com uma boa sacada, que irrita as pessoas e “cola”: os produtos diminuem nas
embalagens, mas os preços, não.
Lula relembrou sua trajetória, usou vídeos de grandes atos e momentos políticos, colocou-se como uma espécie de vítima das elites e do sistema e fez um sutil sinal da cruz, falando para seu eleitorado mais fiel: baixa renda, baixa escolaridade, negros e mulheres.
Ele tem o maior tempo, graças às alianças com
o Centrão, e é o incumbente, que tem o que apresentar, ou melhor, pode mostrar
o que fez para seu maior público alvo e esconder o que não fez para o resto.
Apesar da versão de que a TV e a propaganda
gratuita “não têm mais importância”, isso é questionável numa eleição bastante
apertada e nesses tempos de internet, que potencializa e massifica erros e
acertos nos programas, debates e sabatinas.
Os eleitores assistem com desconfiança, como
se tudo fosse ficção, mas há sempre mensagens, frases, imagens, erros e
acusações que fazem depois a festa nas redes sociais, como as fotos com Roberta
Luchsinger, após Lula dizer na Globo que nunca a tinha visto. Esse tipo de
coisa afeta um voto daqui e outro dali, que, somados, podem fazer a diferença.
Ronaldo Caiado e Augusto Cury se apresentaram à maioria da população, que nunca ouviu falar neles. Caiado reforçou seus feitos no governo de Goiás, muito bem avaliado, e bateu em Lula. Cury não mostrou nada e bateu na polarização. Romeu Zema e Renan Santos ficaram de fora. Os programas começaram como cartões de visita, alegres, coloridos e “para cima” e a pancadaria vai entrar a partir de agora pela casa adentro de quem pretende votar e quer escolher o melhor. Ou o menos pior.

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