O Globo
Sucessão de crises em pouco mais de uma
década e duelo de ministros do STF deixam eleitor entre desdém e asco, e pleito
pode resultar em busca por revanche em vez de futuro
O Brasil tem vivido, pelo menos desde 2013,
de sobressalto em sobressalto. Depois de uma sucessão de crises em que a mais
grave é sempre a próxima, a eleição de 2026 vai ganhando contornos de uma
grande DR, com cobranças de promessas não cumpridas, ressentimentos cultivados
e desejo de revanche pautando, em caminhos paralelos, o comportamento do
eleitor, dos protagonistas e das instituições.
As Jornadas de 2013; a reeleição de Dilma Rousseff por um fio de cabelo e sua rápida queda, menos de dois anos depois; a Lava-Jato; a eleição de Jair Bolsonaro; a pandemia e os abusos autoritários do bolsonarismo no seu curso e depois; a reviravolta que tirou Lula da cadeia e o reconduziu ao Planalto; e condenação e prisão de Bolsonaro compõem um enredo que geraria consequências profundas em qualquer país caso se desenrolasse ao longo de décadas, mas ocorreu em pouco mais de dez anos.
Personagens de todos esses eventos dramáticos
parecem se encontrar no atual momento, com decisões tomadas ao longo dessa
quadra influenciando de forma capital o escrutínio de um eleitor exausto de
viver fatos históricos como quem dá bom dia no grupo de WhatsApp.
Lula prometeu preservar a democracia, retomar
o diálogo entre os diferentes, voltar a tirar o Brasil do Mapa da Fome, retomar
os programas sociais, restabelecer a confiança na ciência e em dados e
evidências, promover a igualdade de gênero nos espaços de poder e devolver à
população o poder de compra, simbolizado na metáfora da picanha com cerveja.
A plataforma foi se perdendo pelo caminho. O
8 de Janeiro tratou de fazer o prato da balança pender para o discurso quase
único da defesa da democracia, e a ideia de que só ele poderia impedir a volta
do bolsonarismo o levou a trair uma das promessas mais importantes: que, se
eleito, não seria candidato de novo.
A escolha de Flávio Bolsonaro é decorrência
direta da candidatura de Lula, e a disputa entre dois campeões absolutos de
rejeição ajuda a explicar o desdém, quando não asco, que o eleitor demonstra ao
ter de fazer de novo a escolha do que considera menos pior.
Na ausência de um futuro em debate, o que se
tem é um eterno retorno a esse passado de tretas e esgarçamento paulatino e
constante da boa política, da capacidade de diálogo, da tão jovem quanto
maltratada Constituição e do papel de cada uma das instituições da República,
que nos trouxe ao vale-tudo de hoje em que dois ministros da Suprema Corte
duelam à beira do abismo ameaçando levar o país com eles na queda.
É nesse contexto de desconfiança total que
qualquer decisão de Alexandre de Moraes será lida como destinada a enterrar o
bolsonarismo e assegurar a permanência de Lula no poder, enquanto toda ação de
André Mendonça será vista pelo outro lado como premeditada para levar à vitória
de Flávio Bolsonaro. Pouco importa, para essas narrativas rasas, que haja
exorbitações graves de ambos e, no caso de Moraes, algo bem mais comezinho: a
suspeita de favorecimento a um criminoso que ele não se digna a minimamente explicar.
Para superar esse impasse que pode ter
profundas implicações no resultado da eleição e no futuro do país, o presidente
do STF, Edson Fachin, tem de ser firme e superar as questões corporativas para
encerrar a batalha dos tronos sangrenta que se desenrola sob seu nariz.
Extinguir o inquérito das fake news, definir em plenário o afastamento da
cúpula da Polícia Federal e se Mendonça ainda pode continuar relatando os casos
Master, INSS e Lulinha são as decisões para já. Mas há outras.
O tempo das consultas de coxia por parte do
presidente e da omissão conveniente dos demais ministros, mais preocupados com
alinhamentos internos que com a sociedade, acabou. Quando togados decidem lutar
no gel se valendo de sua caneta para isso, ou os que não estão no ringue dão um
basta à rinha, ou o próximo capítulo da sucessão de crises pode ser a revanche
contra o Supremo como um todo.

Um comentário:
Nos últimos sete anos desde que abriu o inquérito das Fake News Alexandre de Moraes tem exercido sua função de forma ditatorial abrindo processo sendo vítima investigador acusador e julgador até os Estados Unidos condenaram essa posição aqui como era pra combater o Bolsonaro todo mundo fechou os olhos agora está vendo que o artífice dessa perseguição Bolsonaro é um bandido Corrupto Que utiliza da sua toga como projeto de poder e para enriquecer
Todo o processo do 8 de janeiro é fraudulento não havia nenhuma acusação formal nas pessoas foram julgados em grupos completamente fora da Constituição que prevê julgamento individual para apenas individuais
Tudo errado a mídia aplaudiu agora está apavorada percebendo um monstro que criou que está devorando a todos
Fora Morais , fora Lula!
O consórcio ST F e Lula para comandar o país foi denunciado de revelado
A imprensa tem que pedir desculpa à sociedade por ter avaliado durante todos esses anos os atos ditatoriais e de exceção do morais que perseguiu à direita conservadora e acabou por prender Bolsonaro e as lideranças de direita
A hora do Morais chegou
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