quarta-feira, 7 de abril de 2010

Primazia nacional leva tensão ao PT:: Rosângela Bittar

DEU NO VALOR ECONÔMICO

Contrários, antipatizantes, adversários oficiais do ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), incomodados com a persistência de sua candidatura ao governo de Minas Gerais e da liderança regional do partido que ainda exerce, postulações que com ele disputa o ex-ministro Patrus Ananias (PT), estão levando essa briga para dentro da campanha presidencial de Dilma Rousseff. Pimentel é um dos coordenadores do grupo que traça os rumos da candidatura, tarefa que divide com o deputado Antonio Palocci. E tem muito poder, nutrido na confiança e proximidade com a ex-ministra, que vem de longa data.

Ora o bombardeiam em Minas para confiná-lo à campanha presidencial, ora o tiram de tudo. Um grupo de políticos petistas que tem pensado os rumos do partido, porém, não quer dar maior peso à refrega mineira, no momento, por basicamente duas razões.

Uma é que, segundo creem, o embate interno do PT de Minas e as relações do partido, em si conflagrado, com o PMDB do candidato a governador Hélio Costa, já virou caso perdido. Não há acordo possível e ninguém aposta mais em uma solução negociada.

O que se espera, até entre auxiliares do presidente Lula, é que uma pesquisa sobre o apoio dos eleitores aos três líderes políticos do campo governista - Pimentel, Hélio e Patrus - convença-os a definir o candidato a ser apoiado pelos demais. E já está passando a hora do desenlace, marcado para fim de março ou começo de abril.

Um colégio de deputados federais, senadores e dirigentes partidários analisaria os dados da pesquisa. Com a subida de Antonio Anastasia, candidato do ex-governador Aécio Neves, informa-se, nas discussões em Brasília, que Hélio Costa caiu um pouco e já não é tão certo que surgirá em primeiro lugar dessa consulta. Se Pimentel estiver à frente, ele deve insistir na disputa do governo e haverá mais tensão dentro do PT. Se Hélio ainda estiver em primeiro, espera-se forte pressão final do PMDB para Pimentel ficar só com a campanha de Dilma, deixando o caminho do Senado livre para Patrus.

Vê-se que são muitas correntes contra Pimentel, e elas estão esticando a corda ao máximo. Os que estão pensando o partido, preocupam-se com a hipótese de essa implosão, em Minas, inviabilizar definitivamente uma candidatura do PT. E seria, então, mais um Estado politicamente importante onde o partido dispensaria o papel protagonista.

Esses formuladores veem o PT perdendo espaço nos principais colégios eleitorais do país em consequência da prioridade absoluta atribuída à eleição presidencial.

Para entregar segundos a mais ao programa eleitoral comandado pelo marqueteiro João Santana, o partido estaria entregando eleições para os aliados, do PMDB, o mais guloso, ao PR, PDT e até o PC do B.

Não é só em Minas que o PMDB quer engolir o aliado. No Pará, Jáder Barbalho, do PMDB, não cede ao PT. No Rio, preparado para a conquista, o PT foi conquistado pelo PMDB e até pelo PR. No Paraná, deu seu lugar ao PDT. No Maranhão, com sacrifício, muita tensão e oposição da Presidência da República, o partido venceu o esquema Sarney, por apenas 2 votos, e vai brigar sozinho. No Amazonas, o PT entregou-se ao PR. Em São Paulo, depois de enfraquecer-se muito à espera de uma definição de Ciro Gomes, ainda tenta erguer sua candidatura própria.

Diz um desses intérpretes do que define como reais interesses do partido: "O problema não é Minas Gerais, ali ainda se resiste à pressão para ceder espaço. O PT não terá candidatos para sustentar o governo Dilma, não terá governadores, deputados, senadores". O cenário resultante dessas análises é pessimista: "Se a ministra vencer a disputa presidencial, seu partido terá pouca importância na aliança. Se perder, o PT terá se reduzido em todo o país, inutilmente". O partido se vê fraco em qualquer desfecho.

Conflito

Existiu um conflito sério na direção da campanha de Dilma Rousseff, candidata do PT a presidente, provocado pela histórica difícil relação do governo, do PT, da candidata e do staff que os cerca com a imprensa.

Embora muitos defendessem desprezo ao assunto, "por ser insolúvel", um dos coordenadores, o ex-ministro e deputado Antonio Palocci, tomou a si o problema e determinou: "O candidato que quer se eleger não despreza nenhuma questão, muito menos esta. Vamos dialogar".

Palocci advertiu que não poderiam começar uma campanha com um contencioso com a imprensa. O comando se dividiu mas a candidata, na decisão, acabou pendendo para a argumentação de Palocci.

Sobrevivente

A intensa e direta campanha lançada pelo governo contra o Tribunal de Contas da União, ao longo de todo o ano passado, não só manteve o colegiado vivo como provocou-o a ampliar e aperfeiçoar seus instrumentos de fiscalização e controle.

O TCU manteve sua independência para fiscalizar os três poderes, está se unindo à Receita Federal, Polícia Federal, Banco Central e outros órgãos que atuam em controles para evitar superposições e explorar os instrumentos à disposição de cada um, tem um projeto de criar um corpo de procuradores capazes de fazer execução judicial e, sobretudo, entre dezenas de novas iniciativas, aperfeiçoar sua ação de controle preventivo.

Ao traçar ontem um panorama do desempenho da instituição, sem contar as adversidades, o presidente do Tribunal, Ubiratan Aguiar, e seu vice-presidente, Benjamin Zymler, destacaram uma medida de controle preventivo que fala direto ao bolso do gestor do dinheiro público e deve funcionar mais do que qualquer multa: a retenção de parcelas. Evitar que o dinheiro saia do cofre, porque depois que sai é difícil recuperar.

Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras.

Intelectuais, cultura e democracia::Coordenadores: Luiz Jorge Werneck Vianna (IUPERJ), Rubem Barboza Filho (UFJF)

Resumo:

O protagonismo assumido pela intelligentsia em diferentes momentos da história ocidental merece uma continuada reflexão. Ainda que o tradicional papel exercido pelos intelectuais no Ocidente seja hoje o objeto de uma crítica normativa, a presença relevante da intelectualidade continua a ser considerada um elemento fundamental numa sociedade democrática e reflexiva.
Com o intuito de explorar e compreender o território comum entre as temáticas dos intelectuais, da cultura e da democracia, este Seminário Temático se dedicará à discussão de aspectos teóricos e metodológicos relacionados à sociologia dos intelectuais e da cultura, à análise de suas produções artísticas ou acadêmicas, à discussão de seus espaços de sociabilidade e reflexão, bem como à relação que os intelectuais mantêm com a vida pública e com temas relacionados à construção da democracia nos mais variados contextos.

Ementa:

A compreensão da presença dos intelectuais e de sua atuação na vida pública tem sido alvo de diversos estudos nos últimos anos (Baumann, 1987; Carvalho, 2007; Habermas, 2009; Micelli, 2001). O protagonismo assumido pela intelligentsia em diferentes processos de modernização, seja na construção de uma agenda pública, seja na crítica dos resultados desses processos, justifica uma maior atenção ao seu papel na configuração da cultura e dos regimes políticos. Em especial no momento em que os modelos consagrados de organização política e democrática enfrentam sérios desafios, nascidos de profundos movimentos de mudança do mundo contemporâneo.
Nesse sentido, a capacidade de interpelar criticamente a sociedade a partir do posicionamento em questões cruciais para a vida pública, vocalizando demandas, construindo alternativas, ou mesmo endossando posições consolidadas pode, de certo modo, ser compreendida como elemento fundamental na formação dos arranjos democráticos. Ainda que o tradicional papel exercido pelos intelectuais no Ocidente seja hoje o objeto de uma crítica normativa – como no caso de Baumann, que para eles reclama tão somente a condição de “intérpretes” -, a presença relevante da intelectualidade continua a ser considerada um elemento fundamental numa sociedade democrática e reflexiva.

Com o intuito de explorar e compreender o território comum entre as temáticas dos intelectuais, da cultura e da democracia, este Seminário Temático se dedicará à discussão de aspectos teóricos e metodológicos relacionados à sociologia dos intelectuais e da cultura, à análise de suas produções artísticas ou acadêmicas, à discussão de seus espaços de sociabilidade e reflexão, bem como à relação que os intelectuais mantêm com a vida pública e com temas relacionados à construção da democracia nos mais variados contextos.
Esta proposta se origina a partir da constatação da inexistência, nos últimos anos, de um espaço na ANPOCS com o foco direcionado para a discussão entre as temáticas acima destacadas de maneira articulada. Este seminário nasce, portanto, com a vocação de reunir pesquisadores de variadas regiões do país, no sentido de constituir tanto uma agenda de pesquisas em torno das temáticas destacadas, quanto um direcionamento para pensar vínculos cada vez mais intensos entre a universidade e a vida associativa brasileira.

BAUMAN, Zygmunt. (1987), Legislators and interpreters. Cambridge: Polity Press.

CARVALHO, Maria Alice Rezende de. (2007), “Temas sobre a organização dos intelectuais no Brasil”. RBCS, vol. 22, pp. 17-31.

HABERMAS, Jürgen. (2009), “Espaço público e esfera pública política: raízes biográficas de dois motivos conceituais”. Rio de Janeiro: Lúmen Júris.

MICELI, Sergio. (2001), Intelectuais à brasileira. São Paulo: Companhia das Letras.

Convite para o IV Seminário de Sociologia da Cultura e da Imagem

Com grande satisfação, viemos convidá-los para o VI Seminário de Sociologia da Cultura e da Imagem a acontecer nos dias 08 e 09 de abril no IFCS/UFRJ. Organizado pelo Núcleo de Pesquisa em Sociologia da Cultura, NUSC/UFRJ, o evento tem o objetivo de promover um debate sobre os usos das artes e das imagens e suas relações com as Ciências Sociais.

Mantendo o formato dos outros anos, discutiremos trabalhos de pesquisadores de diversas instituições pautados nas temáticas de artes plásticas, pensamento social, cinema e televisão, contando ainda com palestras e com a exibição de filme e posterior debate com o diretor.

Contamos com a presença de todos!

Cordialmente,

Equipe organizadora

Serra vai se apresentar como moderado

DEU NO VALOR ECONÔMICO

Raquel Ulhôa, de Brasília

Um pré-candidato à Presidência politicamente moderado, com experiência administrativa e propostas para o futuro é como o ex-governador José Serra (PSDB) vai se apresentar no sábado, em evento em Brasília dos três partidos que o apoiam (PSDB, DEM e PPS).

No primeiro evento em que apresentará propostas para o futuro, Serra deve explicitar as diferenças entre sua candidatura e a da ex-ministra Dilma Rousseff, do PT, considerada "tecnicamente fraca e inconsistente" pela oposição. Ao contrário do que disse a pré-candidata governista em discurso na segunda-feira, Serra não se apresentará como o "anti-Lula".

Além do pré-candidato e dos presidentes dos três partidos, também falarão no evento o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, como presidente de honra do PSDB, e o ex-governador Aécio Neves (MG), em nome dos governadores. Um vídeo com a história pessoal e política de Serra será exibido. Mostrará a infância humilde, mas dará ênfase à trajetória como homem público.

Mais de 2 mil pessoas são aguardadas. Pelo menos um representante de cada palanque estadual vai comparecer. "Queremos dar uma demonstração de unidade e do nosso tamanho nessa eleição", disse o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). "Queremos mostrar qual é nosso time para disputar a eleição no país todo. Nosso time estará presente", completou.

Como explica Guerra, Serra evitou manifestar-se sobre questões eleitorais enquanto estava no cargo e agora terá chance de apresentar seu ponto de vista. O evento partidário será a oportunidade para ele falar sobre "o que fez, faz e fará pelo Brasil". De acordo com o dirigente tucano, a ideia é fugir do cenário habitual de eventos partidários como esse, "nos quais o barulho é grande e as pessoas prestam pouca atenção".

O formato da organização do evento em Brasília deverá ser submetido a FHC e lideranças de partidos aliados. Um dos objetivos é evitar militância profissional. O foco será o discurso de Serra, voltado para o futuro. A oposição pretende que seja um diferencial em relação a Dilma, que faz discurso baseado nas conquistas do governo Lula. O tom mais agressivo que a ex-ministra adotou em evento do PR, em Brasília, no qual chamou os oposicionistas de "lobos em pele de cordeiro", foi comemorado pelos aliados de Serra.

"Foi um discurso ótimo para nós. Quanto mais brava ela ficar, melhor", disse Guerra.

Acordo com o PR sai caro para governo

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

Bastidores: Marcelo Moraes
Para garantir apoio formal do PR e aumentar o tempo de propaganda eleitoral para a campanha da pré-candidata petista Dilma Rousseff, o governo federal fez concessões políticas importantes que provocaram mal-estar político em várias frentes aliadas.

Em troca da aliança, Dilma e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aceitaram, por exemplo, participar da campanha do ex-governador do Rio Anthony Garotinho (PR), o principal adversário do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), criando constrangimento entre os peemedebistas locais.

Desde sua eleição, no fim de 2006, Cabral se tornou o aliado preferencial de Lula no Estado. Agora, já não esconde sua insatisfação com a abertura de espaço para Garotinho na campanha de Dilma, uma das exigências apresentadas pelo comando nacional do PR para apoiar a ex-ministra da Casa Civil.

O próprio Lula tentou amenizar o problema ontem, conversando com Cabral durante sua passagem pelo Rio e oferecendo apoio federal para amenizar os efeitos dos temporais no Rio. Mas a crise está longe de solução.

Carlismo. Na Bahia, são os partidos de esquerda, incluindo o PT, que se queixam do movimento feito pelo governador da Bahia, Jaques Wagner, com a chancela de Lula, para se aliar ao PR local, apoiando a reeleição do senador César Borges. Antigo representante do carlismo, Borges foi adversário direto da esquerda durante muitos anos e sofre grande rejeição desse grupo que não quer pedir votos a seu favor.

A aliança em torno da disputa pelo Senado poderia até ser assimilada pelos partidos de esquerda.
O problema é que o PR quer que o acordo valha também para as eleições proporcionais. Ou seja, o partido estaria coligado com o PT e toda a esquerda nas eleições para deputados federais e estaduais. O movimento é visto como suicídio político pela esquerda, que avalia que a reunião de muitos partidos na mesma chapa reduziria o número dos seus parlamentares eleitos.

Como presidente do PR baiano, Borges defende a coligação completa como condição para fechar o acordo político com o PT.

No Amazonas, o novo presidente nacional do PR, o senador e ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento, terá apoio incondicional de Dilma, de quem se tornou amigo e aliado durante a convivência na equipe de governo.

O problema é que esse movimento deixa Lula e Dilma tendo de administrar a insatisfação do ex-governador Eduardo Braga (PMDB), que disputará o Senado, mas apoiará para sua sucessão Omar Aziz, do PMN, que assumiu o governo em seu lugar.

Mesmo que haja palanque duplo para Dilma no Amazonas, a proximidade com Alfredo Nascimento deixa clara a preferência da ex-ministra pelo presidente do PR, enfraquecendo a campanha do grupo liderado por Braga.

FHC fará discurso em lançamento de Serra

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

Lista de oradores do encontro não está definida, mas os três partidos de oposição já bateram o martelo em relação ao nome do ex-presidente

Christiane Samarco / BRASÍLIA

Ausência mais notada na cerimônia em que José Serra despediu-se do governo de São Paulo na semana passada, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não será "escondido" na festa, em Brasília, para lançamento da pré-candidatura do tucano à Presidência.

O encontro nacional que reunirá o PSDB, o PPS e o DEM será no próximo sábado. Embora líderes dos três partidos ainda não tenham "batido o martelo" sobre o formato do evento, está decidido que FHC terá a palavra como presidente de honra do PSDB.

O tucanato avalia que, em encontros desse tipo, a regra geral é muito barulho, dispersão e pouca atenção aos oradores. Por isso, os organizadores estão empenhados em realizar uma cerimônia que não dure além de quatro horas. Esse modelo não comporta mais do que meia-dúzia de oradores - todos orientados a fazer discursos curtos até que Serra tome o microfone para apresentar sua candidatura. A ideia é fazer com que a estrela da festa comece a discursar ao meio-dia. Só o pré-candidato terá tempo franqueado para falar sem pressa.

"O Serra ficou muito calado esse tempo todo", diz o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). "Como ele tem falado pouco, os brasileiros querem ouvir muito mais sobre o que ele fez, o que faz e o que fará pelo Brasil." O foco da cerimônia é criar um espaço político para que Serra possa apresentar suas ideias sem infringir a Lei Eleitoral, que não permite campanha até o lançamento oficial das candidaturas nas convenções partidárias de junho.

Vozes. Além de FHC, também terão direito a voz os presidentes nacionais das três legendas. Vice dos sonhos da aliança, o ex-governador de Minas Aécio Neves, falará em nome dos governadores. E os partidos avaliam a conveniência de convidar uma prefeita da aliança para falar como representante das mulheres.

Também estarão presentes líderes e dirigentes de outros dois partidos, o PTB e o PSC, que os tucanos querem incluir na aliança, além de dissidente da base do governo, como o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), que deve disputar o governo de Pernambuco para dar mais um palanque forte a Serra no Nordeste.

A programação incluirá exibição de um vídeo sobre Serra, preparado pelo publicitário Luiz Gonzales, que deverá cuidar do marketing da campanha.

Guerra não arrisca palpite sobre o conteúdo do discurso de Serra, que está sendo alinhavado pelo próprio pré-candidato. Ele avalia que a adversária petista Dilma Rousseff subiu o tom e exibe postura mais agressiva, mas não se queixa: "O discurso da Dilma é ótimo para nós. Quanto mais brava ela estiver, melhor". O tucanato acredita que Serra se apresente exibindo serenidade.

No Twitter

Ontem, depois de contar que passou o feriado empacotando coisas, José Serra confidenciou que um de seus seriados preferidos é Monk, um detetive hipocondríaco e que sofre de TOC.

'Dilma deve estar perdida sem Lula'

DEU EM O GLOBO

SÃO PAULO. Principal articulador político da gestão José Serra (PSDB) no governo de São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira diz que os ataques da ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff (PT) ao tucano são uma forma de encobrir os problemas do governo Lula na gestão do PAC. Aloysio deixou o cargo de secretário estadual da Casa Civil junto com Serra para disputar uma vaga no Senado, e diz que irá se empenhar na campanha presidencial.

Sérgio Roxo

O que o senhor achou da declaração da ex-ministra Dilma Rousseff de que aceita um embate no campo ético com o PSDB?

ALOYSIO NUNES FERREIRA: Estamos prontos para uma comparação em qualquer terreno. Nós damos de 10 a 0 em qualquer terreno.

E o fato de a Dilma ter falado que Serra planejou o apagão quando era ministro do Planejamento?

ALOYSIO: É uma forma de encobrir o fiasco da sua função de gestora do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), em que a maior parte das obras ficara inconclusa.

O senhor acredita que o tema da campanha serão sempre esses ataques?

ALOYSIO: Acho que não. Daqui a pouco começam (outros assuntos). Ela (Dilma Rousseff) deve estar um pouco perdida sem a tutela do presidente Lula, agora que não é mais ministra. Deve estar um pouco aturdida com a nova situação.

As citações de questões éticas feitas por Serra no discurso de despedida são uma forma de confronto com adversários?

ALOYSIO: Quem vestiu a carapuça é que tem que se explicar. O governador José Serra fez no seu discurso um apanhado do conjunto de princípios que regem a sua vida pública. Entre esses princípios está esse, do respeito ao dinheiro público, à gestão ética, à transparência, à responsabilidade.

Qual será o seu papel na campanha de Serra?

ALOYSIO: Estou absolutamente envolvido na campanha dele, convencido de que ele é o melhor para o Brasil neste momento. Vou me empenhar como se fosse minha própria campanha.

TSE mantém multa a Lula; Ayres condena promiscuidade na política

DEU EM O GLOBO

ELEIÇÕES 2010: Tribunal rejeita recurso do presidente apresentado pela AGU

"Ninguém foi eleito para fazer seu sucessor, mas para seu projeto de governo"

BRASÍLIA e RIO. Por quatro votos a três, o plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a condenação imposta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva por ter feito campanha eleitoral para sua pré-candidata, Dilma Rousseff, fora do prazo permitido por lei. Em 18 de março, o ministro auxiliar Joelson Dias havia determinado a Lula o pagamento de multa no valor de R$5 mil pela infração. Na sessão de ontem à noite, a maioria dos ministros da Corte concordou com o relator. Ainda há possibilidade de recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A decisão de Joelson Dias foi tomada em representação feita pelo PSDB, com relação a inauguração de obras no Rio em 29 de maio do ano passado. Na ocasião, Lula, na companhia de Dilma, disse ter certeza de que ganhariam as eleições de 2010. Ele também torceu para que os gritos de apoio a Dilma fossem uma "profecia".

Ontem, o TSE manteve a decisão do relator ao rejeitar um recurso da Advogacia Geral da União (AGU) em defesa de Lula. Em seu voto, Dias ressaltou que a infração foi potencializada porque era uma cerimônia com cobertura da imprensa. Ele rebateu o argumento da defesa de que o evento ocorreu muito antes do início da campanha e, por isso, não poderia ser considerada propaganda antecipada. Para o ministro, não seria razoável deixar a prática impune por esse motivo. Ele também afirmou que a infração ocorreu, mesmo que apenas poucas pessoas tenham assistido ao discurso.

- Não deixam nenhuma dúvida as imagens do evento - disse, completando: - A propaganda eleitoral extemporânea é conduta vedada, independe de potencialidade de desequilibrar as eleições.

Concordaram com o relator os ministros Cármen Lúcia, Aldir Passarinho e Carlos Ayres Britto, presidente do TSE, que aproveitou para dar um recado aos políticos:

- A qualidade da vida política no Brasil é ruim por essa promiscuidade entre projeto de governo e projeto de poder. Ninguém foi eleito para fazer seu sucessor, mas para implementar seu projeto de governo. Quando o chefe do Poder Executivo só pensa em fazer o sucessor, ele desvia o olhar do projeto de governo para o projeto de poder, como acontece em alguns países muito próximos ao nosso.

O presidente do TSE criticou a prática de o governante se afastar do cargo, mesmo que informalmente, para se dedicar à eleição de seu sucessor:

- Essa confusão entre projeto de governo e projeto de poder é cultural, infelizmente. Está na cabeça dos prefeitos, dos governadores e do presidente da República, quem quer que seja ele. Se acham na obrigação de fazer sucessor e se afastam 2, 3 meses do mandato para se dedicar a isso. Ele foi eleito para o mandato cheio, e não para se afastar para fazer o sucessor!

Ayres Britto lembrou que, à época das inaugurações do Rio, Dilma já era conhecida como "mãe do PAC" e se apresentava como pré-candidata. Para o ministro, numa inauguração, o presidente deveria ter falado da importância da obra para o local, e não estimulado o público, "um modo subliminar, disfarçado, camuflado, de estimular o público" a aplaudir a ministra.

Lula diz condenar uso de máquina na eleição

DEU EM O GLOBO

"É preciso que a gente seja, definitivamente, republicano neste país", afirma presidente

Apesar de já ter sido multado duas vezes pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por fazer campanha antecipada para a pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que condena o uso da máquina pública durante o processo eleitoral. Em entrevista à Rádio Tupi, ele contou ter dito aos novos ministros, na primeira reunião com eles, segunda-feira, que "não pode haver abuso do poder econômico" na campanha eleitoral.

- É preciso que a gente seja, definitivamente, republicano neste país. Que a gente passe para a sociedade a ideia de que é possível você ajudar um candidato, você participar de um processo eleitoral sem utilizar a máquina como sempre se usou neste país para beneficiar um ou outro candidato - disse Lula.

Ao ser perguntado se é possível fazer campanha sem usar a máquina, disse que sim e que seria um teste importante para a democracia.

Lula voltou a negar ter feito campanha antecipada, e responsabilizou as redes de TV que noticiaram o evento pela edição de imagens, ao comentar as punições impostas a ele.

- Não conheço o teor das multas, não li o processo. A primeira multa que tive parece que foi na inauguração da sede de um sindicato. Portanto, uma entidade particular, não tinha obras públicas ali. E me parece que fui multado porque falei que íamos ganhar as eleições, e a câmera de televisão (a estatal EBC) mostrou a cara da Dilma, que estava lá no palanque. Então, no meu entendimento, quem deveria ser multado era a televisão, e não eu. Não tenho o controle da câmera.

O presidente afirmou que, se a Justiça entender que ele é culpado, pagará pelo erro.

Uso da Máquina: Lula sofre de dissonância cognitiva grave, diz Jungmann

Por: Diógenes Botelho
Portal do PPS

Para deputado, declarações de Lula contrárias ao "uso da máquina" na campanha são contraditórias, pois é ele quem mais vem desrespeitando a legislação para beneficiar Dilma.

"Lula está dando demonstrações de dissonância cognitiva grave", afirmou nesta terça-feira (05/04) o deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE) ao analisar declaração do presidente à rádio Tupi de que é contra o uso da máquina pública no processo eleitoral. "Ou então ele teve uma crise de autocrítica, pois hoje quem mais vem ferindo e desrespeitando a legislação é o próprio Lula', completou o parlamentar.

Jungmann ressaltou ainda que nem os ministros de Lula acreditam em suas palavras e conselhos. Na última segunda-feira, em reunião ministerial, o presidente orientou seus ministros sobre como deveriam se comportar no processo eleitoral e fez advertências sobre o usa da máquina pública em campanha. Horas depois, o ministro dos Transporte, Paulo Sérgio Passos, foi de carro oficial (veja), em pleno horário de expediente, ao ato político em que o Partido da República (PR) anunciou apoio oficial a candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff à Presidência da República. "As determinações do presidente não estão sendo levadas em conta. Mas também fica difícil, pois qual é a autoridade dele? A tendência é que isso fique na base do faça o que eu diga e não faça o que eu faço", resumiu o deputado.

Mesmo sem acreditar nas declarações do presidente, Jungmann afirmou que vai cobrar a promessa de uma campanha sem o uso da máquina. "Vamos tomar por valor de fato e esperar que o presidente passe a observar os limites da legislação eleitoral, até porque ele já tomou duas multas inéditas do Tribunal Superior Eleitotal".

Goldman: chamar tucanos de lobos é coisa de quem não tem o que falar

Para novo governador de SP, o presidenciável do PSDB, José Serra, deve manter distância dessa discussão

Carolina Freitas - Agência Estado


O governador recém-empossado de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), rebateu nesta terça-feira, 6, as críticas da pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, que na última segunda-feira, 5, chamou os tucanos de "lobos em pele de cordeiro". "Quem não tem o que falar fala isso. Nós vamos entrar em uma discussão de temas políticos. Se nos chamarem de cordeiros ou de lobos, não precisamos disso", disse, ao ser questionado sobre a fala da ex-ministra.

Para Goldman, o presidenciável do PSDB, José Serra, deve manter distância dessa discussão. "Debate de nível que não leva a nada ele não entra. Serra tem luz própria, pode levantar o debate", afirmou. "Quem partir para uma atitude agressiva vai perder. Se alguém agride, o outro tem de fazer de conta que não é com ele."

Serra, que renunciou ao governo paulista na última sexta-feira, 2, não foi à posse de Goldman na Assembleia Legislativa nem participou da recepção ao governador no Palácio dos Bandeirantes. O pré-candidato deve tirar a semana para descansar, até o dia 10, quando lança sua candidatura em Brasília. Segundo Goldman, Serra não achou "pertinente" participar dos festejos desta terça-feira, pois poderia tirar os holofotes do colega tucano. "Como ele é um foco muito forte da imprensa, talvez ele não tenha desejado desfocar."

'Sou intolerante à corrupção', alfineta Alberto Goldman

Discurso do tucano seguiu a mesma linha da despedida de Serra, com foco na defesa da ética política

Carolina Freitas - Agência Estado

O tucano Alberto Goldman tomou posse nesta tarde como governador de São Paulo. Em cerimônia na Assembleia Legislativa do Estado, Goldman afirmou que dará continuidade ao trabalho do antecessor José Serra, que deixou o posto para concorrer pelo PSDB à Presidência da República. O discurso do tucano seguiu a mesma linha da despedida de Serra, com foco na defesa da ética política.

"Tornei-me mais aguerrido no exercício do mandato de deputado federal, como líder do PSDB em 2005 na Câmara dos Deputados, quando fui colocado diante de um delicado momento da história política deste País: o escândalo do mensalão", afirmou o governador. "Aliás, devo admitir, continuo intolerante frente ao mau-caratismo, à mentira, à deslealdade e à corrupção", enumerou o tucano.

Goldman aproveitou para esclarecer como vai tratar uma das heranças deixadas pela gestão Serra: a greve de professores que completa um mês nesta quinta-feira. O governador citou duas vezes a importância do trabalho dos servidores estaduais e falou de forma indireta do movimento grevista.

"Estaremos sempre prontos a dialogar dentro do nível de respeito necessário entre nós e os servidores. Nunca com aqueles que ameaçam atos de violência. Não vamos conciliar com os que transformam reivindicações em instrumento político, com finalidade eleitoral", ressaltou.

O governador reiterou a intenção de manter o governo do Estado nos rumos do que Serra determinou. Goldman classificou o antecessor como "o mais preparado e eficiente homem público" que conheceu.

O tucano lembrou de seu ingresso na vida política como militante de esquerda, contrário à ditadura militar no País. Ele brincou ainda que mantém a mesma disposição de quando tinha 18 anos. "Estou apenas mais maduro, realista e experiente", afirmou.

Goldman reforçou sua opção por não concorrer à sucessão ao Palácio dos Bandeirantes nas eleições de outubro. "É uma decisão de vida e uma decisão política consciente de que outros companheiros também podem alcançar os mesmos objetivos", disse, fazendo mistério. "Eu não sou insubstituível. Outros podem fazer o que eu gostaria de fazer", acrescentou.

O QUE PENSA A MÍDIA

EDITORIAIS DOS PRINCIPAIS JORNAIS DO BRASIL
Clique o link abaixo

A CHUVA NO RIO:: Graziela Melo

Cai chuva
Na minha alma
E molha
meu coração

Chegam ventos
Trazendo raios,
Vão soprando,
friorentos

Dos recantos
Do céu,
Já cinzentos,

Fogem as estrelas,
Se esconde a lua!!!

Minha alma
entristece
E se esconde
Da tua

Meu corpo
Padece

Só olho
Para as águas

Que rolam
Na rua!!!!

Os ruídos
dos ventos
Me fazem
tremer

O céu
Escurece
E a chuva
teimosa
Volta a chover!!!


Rio, 06/04/10 - 16,57hs

ABERTURA 1812 - (Tchaikovsky) Seiji Ozawa - regente

Abertura 1812 - Orquestra Sinfônica de Berlin, regência de Seiji Ozawa

Morte e vida Severina (Auto de Natal Pernambucano) – parte 16 :: João Cabral de Melo Neto

FALAM AS DUAS CIGANAS QUE HAVIAM APARECIDO COM OS VIZINHOS

— Atenção peço, senhores,
para esta breve leitura:
somos ciganas do Egito,
lemos a sorte futura.
Vou dizer todas as coisas
que desde já posso ver
na vida desse menino
acabado de nascer:
aprenderá a engatinhar
por aí, com aratus,
aprenderá a caminhar
na lama, como goiamuns,
e a correr o ensinarão
o anfíbios caranguejos,
pelo que será anfíbio
como a gente daqui mesmo.
Cedo aprenderá a caçar:
primeiro, com as galinhas,
que é catando pelo chão
tudo o que cheira a comida;
depois, aprenderá com
outras espécies de bichos:
com os porcos nos monturos,
com os cachorros no lixo.
Vejo-o, uns anos mais tarde,
na ilha do Maruim,
vestido negro de lama,
voltar de pescar siris;
e vejo-o, ainda maior,
pelo imenso lamarão
fazendo dos dedos iscas
para pescar camarão.
— Atenção peço, senhores,
também para minha leitura:
também venho dos Egitos,
vou completar a figura.
Outras coisas que estou vendo
é necessário que eu diga:
não ficará a pescar
de jereré toda a vida.
Minha amiga se esqueceu
de dizer todas as linhas;
não pensem que a vida dele
há de ser sempre daninha.
Enxergo daqui a planura
que é a vida do homem de ofício,
bem mais sadia que os mangues,
tenha embora precipícios.
Não o vejo dentro dos mangues,
vejo-o dentro de uma fábrica:
se está negro não é lama,
é graxa de sua máquina,
coisa mais limpa que a lama
do pescador de maré
que vemos aqui, vestido
de lama da cara ao pé.
E mais: para que não pensem
que em sua vida tudo é triste,
vejo coisa que o trabalho
talvez até lhe conquiste:
que é mudar-se destes mangues
daqui do Capibaribe
para um mocambo melhor
nos mangues do Beberibe.

O Rio de Janeiro nos jornais






















A grande chuva:: Míriam Leitão

DEU EM O GLOBO

É mais do que a queda de um Boeing. De novembro para cá, morreram pelo menos 307 pessoas em sete estados castigados pelas grandes chuvas que têm marcado os últimos meses. A chuva encharcou o Rio nas últimas horas num índice muito acima do normal, e isso criou o caos urbano. O problema é que o anormal de hoje pode ser o normal de amanhã.

Os climatologistas avisam que eventos mais extremos ficarão mais frequentes. O que será das cidades que hoje já não absorvem a água que cai? Cada evento é tratado como fato isolado, as autoridades demonstram não esperá-lo e dele não tiram lições. Se os eventos vão ficar mais frequentes como parte das mudanças que os climatologistas dizem que estão contratadas, as cidades precisam se preparar para este futuro. Mas o quadro é pior: elas não estão preparadas para o presente.

O Brasil é urbano. O espaço urbano abriga 80% dos brasileiros. As cidades, pequenas, médias e grandes, têm os mesmos defeitos: bueiros entupidos, drenagem deficiente, construções nas encostas, ocupação desordenada do espaço, excessivo bloqueio do solo, concretagem de margens de rios, lixo e esgoto jogados em rios e córregos. Estamos despreparados para qualquer chuva forte nos padrões atuais. Os administradores públicos e as empresas, que não se planejam para os eventos regulares, não têm planos de emergência para o fato extraordinário.

Eventos extremos não são apenas chuvas e enchentes; são também secas mais severas e prolongadas, ciclones mais fortes. O Brasil trata cada caso como se ele fosse uma surpresa, um fato único. Assim que passa a situação emergencial, os governos se desligam do assunto como se aquilo não fosse mais se repetir. Santa Catarina, depois das tragédias das chuvas em 2008, aprovou uma lei que permite mais desmatamento nas encostas. Segundo o site Contas Abertas, o Ministério da Integração, cujo ministro era até a semana passada Geddel Vieira Lima, mandou R$69 milhões para a prevenção e preparação para desastres nos municípios baianos e R$8,7 milhões para os do Rio, São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul, somados.

O Brasil precisa de mais respeito ao dinheiro público, mais rigor nas regras urbanas; precisa equipar a defesa civil, investir em saneamento, drenar as cidades, ter uma matriz energética que não dependa tanto da hidroeletricidade. Isso não significa aumentar as térmicas mas apostar em alternativas limpas para os momentos de secas severas. Elas virão, isso é tão certo quanto as chuvas intensas.

Cada órgão público tem que saber o que fazer em momentos de emergências. Segunda-feira à noite no Galeão não havia um único meio de transporte para sair do aeroporto, nem sinal da existência da Infraero nas longas horas de espera por transporte. Nas emergências, os responsáveis somem, em vez de aparecer para mostrar que têm um plano para enfrentar o problema. A mesma situação de abandono dos passageiros aconteceu em Guarulhos.

Moro no Alto Gávea, e no meu terreno há uma encosta cuja vegetação mantive preservada. Há três anos, uma parte pequena dela desceu, e chamei a Georio para me orientar a conter a encosta da forma correta. O funcionário, para meu espanto, lavrou uma autuação me intimando a resolver o problema. Situação kafkiana. Perguntei ao funcionário o motivo da agressividade já que eu tinha pedido por um conselho. Ele disse que era a única forma de "abrir um procedimento" para que eu fosse orientada. A orientação foi procurar uma empresa de uma lista. Chamei a primeira, e ela me apresentou um projeto ambientalmente errado - fazer um paredão de concreto - e me cobrou um valor extorsivo. Recusei o projeto. Procurei outras, ouvi diagnósticos contraditórios. Fui multada. A multa nunca chegou, fiquei sabendo dela por um funcionário que esteve na casa para "inspecionar" minha encosta. Tive que correr atrás da multa para pagá-la.

A vegetação voltou a crescer e o terreno se estabilizou, até que o vizinho resolveu tirar a parte dele do morro para construir uma área de lazer. A encosta voltou a ficar instável. Como há um novo prefeito, chamei a Georio novamente. Desta vez, foi uma relação normal de munícipe com a prefeitura - sem ameaças, intimações e achaques - mas o problema é a falta do sentido de urgência. Tenho que fazer um projeto, aprová-lo na prefeitura para depois executá-lo.

O Rio, espremido entre mar e montanha, com um terreno específico, em camadas, que parece às vezes se esfarelar, é de extremo risco para seus moradores, se as grandes águas descerem mais frequentemente. No Brasil todo há problemas, cada pessoa tem sua história. A questão é que agora não é mais um aborrecimento individual. Estão se acumulando as tragédias. Quem ouve os climatologistas sabe que o futuro será pior. Nós não estamos preparados para o presente, para um dia de chuva mais intensa, e temos que planejar as cidades para enfrentar um clima mais rigoroso e em mudança. O poder público não está preparado para proteger os pobres, orientar a classe média, impor a lei a todos, usar bem os impostos nem prevenir o previsível.

Salve-se quem puder:: Ricardo Melo

DEU NA FOLHA DE S. PAULO

SÃO PAULO - Deixo para os leitores as conclusões sobre a primeira reação de autoridades diante da tragédia (anunciada) no Rio de Janeiro. A semelhança com o que governantes falam quando chuvas atingem SP ou qualquer outro lugar do país não é mera coincidência.

"Nosso apelo é para que as pessoas permaneçam em casa, não saiam de casa, não levem seus filhos ao colégio". Eduardo Paes, PMDB, prefeito do Rio.

"Todas as vias importantes da cidade estão interrompidas por alagamentos. É um risco enorme para qualquer pessoa tentar atravessar alagamentos". Idem.

"Os problemas que estamos vendo são estruturais, e compete à prefeitura resolvê-los. Não adianta vir aqui e dizer que são heranças históricas". Idem.

"Eu peço para essas pessoas se retirarem. É uma loucura, é uma irresponsabilidade permanecer nesse momento. Essas pessoas estão cometendo quase um suicídio." Governador Sérgio Cabral, PMDB, sobre as áreas de risco.

"Todas as enchentes atingem mais as pessoas pobres, que moram em regiões inadequadas.

Não é mais possível permitir que as pessoas ocupem áreas irregulares. É preciso que os administradores públicos antevejam isso." Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"A única coisa que a gente pode fazer, num momento como este, é pedir a Deus que a chuva pare um pouco para as coisas melhorarem e voltarem à normalidade." Idem.

"Devido à forte chuva que atinge o Rio de Janeiro, por decisão da Presidência da República, comunicamos o cancelamento da cerimônia de inauguração de obras do PAC, no Complexo do Alemão, prevista para esta terça-feira (6), que contaria com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Saúde, José Gomes Temporão." E-mail enviado pela assessoria do Ministério da Saúde aos chefes de reportagem ontem pela manhã.

O presidente estava no Copacabana Palace.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Reflexão do dia – Fernando Henrique Cardoso

Com relação a sua pergunta sobre como vejo as esquerdas, nos anos 50, 60, o eixo fundamental que se tinha era a União Soviética. Esse era o paradigma. Havia ali uma transformação grande do pensamento original marxista para a ideia do partido que toma conta do Estado e socializa os bens de produção. Democracia não se discutia, não era tema. E passou esses anos todos sem ser discutida. Claro, houve uma crise da Europa, antes do final do regime soviético, introduzindo certa abertura para a ideia de democracia como valor, sobretudo entre os italianos. Tanto na Europa como aqui, líamos e falávamos em Gramsci, embora não fosse a linha dominante. Já no final dos anos 80 vem a queda da União Soviética e, antes mesmo disso, nos 70, a globalização já estava em marcha, com seus saltos tecnológicos, a comunicação, a internet, etc. Naquele momento, vi a formação do PT. Estava-se fazendo um partido de trabalhadores no sentido proletário, o que não se sustentava, pois a concepção de que aquela classe iria transformar a história estava desaparecendo. Por ter feito essa crítica, à época, me chamavam de "policlassista". A verdade é que o PT nasceu de três vertentes: a católica, que vinha dos movimentos sociais de base, a guerrilheira/ideológica e a dos sindicalistas. Hoje, prevalece a dos sindicalistas. A vertente católica foi se esvaecendo e a ideológica perdeu peso também. Na prática, o PT vira um partido social-democrata no governo, absorvendo as transformações do mundo. Mas por que mantenho a minha crítica? Porque permanece essa luta contra a ideia de globalização e contra o que se chama de "neoliberalismo". Hoje, o governo do PT se orgulha das multinacionais brasileiras que se globalizaram e até dá dinheiro para isso. Só que, na teoria, a coisa é diferente: os documentos do partido mantêm até hoje a mesma visão antiga. O fato é que o Brasil ganhou com a globalização. Virou Bric. O que precisa agora é haver uma crítica da própria elite da esquerda, uma crítica teórica, porque, na prática, essa esquerda no poder já está fazendo até demais (risos). Há também essa defesa da "democracia plebiscitária" do Chávez, essa ideia de que se você tiver o consenso da massa tudo se justifica. É risco para a democracia.


(Fernando Henrique Cardoso, no debate Aliás, domingo, em Estado de S. Paulo)

A hora do artifício::Dora Kramer

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

Encerrada a fase das despedidas, começa a semana das festas que marcam o início das campanhas ainda sem os candidatos oficialmente escolhidos. Depois disso se inicia o período mais perigoso de todos: dois meses de limbo, até as convenções de junho.

Os candidatos ainda não são candidatos, já deixaram os cargos importantes que ocupavam, precisam se manter em atividade permanente e diária. Só que descontando jornalistas e políticos, ninguém mais está pensando 24 horas em eleições.

Se você tem candidatos ocupando cargos no governo é uma coisa. Há a cobertura natural decorrente das atividades governamentais. Quando voltam à planície, é necessário que seus movimentos sejam jornalisticamente interessantes. Natural, então, que cada um se empenhe em assegurar presença no noticiário.

A Advocacia-Geral da União tem o entendimento de que Dilma Rousseff pode participar de eventos oficiais do governo federal como convidada do presidente Luiz Inácio da Silva. Isso não quer dizer que a Justiça Eleitoral entenda da mesma forma. A AGU é governo.

Ainda que não possa andar junto do presidente, por alguns dias Dilma estará garantida como convidada de convenções de partidos da base aliada e até do PT em vários Estados.

O mesmo vale para Serra e eventos organizados pelo PSDB e aliados. Os dois principais candidatos sempre terão repórteres junto deles. Atrás da foto mais original, da frase mais inusitada e da tolice mais saborosa ou da explosão de temperamento mais reveladora. A questão é: há eficácia real na formação do conhecimento sobre os atributos de cada um dos candidatos na cabeça do eleitor nessa fase ou a entressafra cumpre apenas um roteiro malfeito da Lei Eleitoral?

A rigor, não existe campanha. Não pode haver debates. O programa eleitoral só começará em agosto. E até lá o que fazem? De substancial para o público muito pouco.

A campanha para o eleitor será no segundo semestre. Até agora o que se viu foi campanha para arrumar a vida de partidos e candidatos.

Um duro danado. A Advocacia-Geral da União vai ter trabalho para convencer a Justiça Eleitoral de que o presidente Lula exercerá suas atividades de campanha fora do expediente de trabalho.

Ele mesmo estabeleceu a premissa de que a prioridade de governo agora é eleger Dilma Rousseff.

Isso posto, avisou que quem quiser derrotá-lo terá de "acordar mais cedo".

Quer dizer, já começa o dia em campanha. No horário do expediente, portanto.

Quando chama para si a disputa, se põe na condição de candidato de fato impossibilitando na prática a separação das figuras do presidente e do cabo eleitoral.

Pelo modelo que vem adotando dificilmente deixará de se licenciar do cargo mais à frente para poder continuar ajudando Dilma sem ficar tão vulnerável a ações judiciais.

Quando surgiu a notícia sobre a licença semanas atrás, o presidente negou, dizendo que isso equivaleria a desqualificar a candidata. Daria a impressão de que ela por si não seria capaz de conquistar o eleitor. Ocorre que tanto Lula quanto Dilma derrubaram esse argumento na cerimônia de despedida da ministra do governo.

Lula, ao convocar o adversário à luta direta com ele, transformando a candidata em sujeito oculto da eleição; Dilma, ao se referir 28 vezes num único discurso ao "senhor" de sua plataforma presidencial.

Sem acordo. O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, nega qualquer possibilidade de acordo com o PT para evitar ações na Justiça Eleitoral. Guerra diz que procurou o presidente do PT, José Eduardo Dutra, para falar sobre as greves de funcionários públicos de São Paulo e pedir ajuda para contenção dos radicais.

Dutra se dispôs a atuar "na medida do possível". Aproveitou para abordar o assunto da "judicialização" da política, mas, segundo Guerra, não pediu ao PSDB que evitasse recorrer à Justiça. "Até porque não adiantaria. Nossas relações políticas são civilizadas, mas a Lei Eleitoral é assunto dos advogados."

Duas ou três palavras:: Janio de Freitas

DEU NA FOLHA DE S. PAULO

Nenhum presidente, ou outra personalidade, diminuiu-se jamais por descer no Brasil ou nos EUA de um avião fretado

Promovido a imbecil pela sempre refinada conceituação crítica de Lula, reconheço sem modéstia que os seus anos de governo não foram capazes de me mudar em nada. Não só porque refratário a todo tipo de propaganda que em vez de informar quer tapear e seduzir. Mas sobretudo por ter concluído, já nos primeiros dos sete anos, que Lula só pode ser entendido a partir do olhar que, a seu ver, caracteriza dos imbecis.

"Eu lembro a imbecilidade daqueles que criticaram quando eu comprei um avião", dizia ele pela Bandeirantes no domingo. "Era uma vergonha para este país andar de avião alugado", repugnava-se, conta agora, a sua opinião de aristocrata.

Pois bem, tive a impressão de que Lula agiu naquele momento como um deslumbrado lamentável, e de lá para cá só pude constatar que não se tratou de uma fraqueza de momento, mas de deslumbramento tão imbuído quanto os seus ressentimentos raivosos e indisfarçáveis.

A atitude de um presidente responsável e homem digno, naquelas circunstâncias, seria comprar um avião de porte adequado às pistas interioranas, supondo-se que a compra fosse mesmo necessária. E dar ao país a alegria de ouvi-lo dizer que a diferença de preço e gastos permanentes, em dezenas de milhões de dólares, teria melhor aplicação na obra de novos hospitais, escolas e casas. E fazer a compra na Embraer, em reconhecimento e em promoção da indústria brasileira mais reconhecida no exterior do que aqui. Para as viagens internacionais, ficaria muito apropriada a solução de tantos países mais ricos e importantes, de aviões fretados.

Nenhum presidente, ou outra personalidade, diminuiu-se jamais por descer no Brasil ou nos Estados Unidos de um avião fretado. Nem mesmo de um avião comercial, como há poucos dias fizeram o rei e a rainha da fabulosa Suécia. Só a incapacidade de perceber o que é a verdadeira importância pode imaginar humilhação e vergonha no uso de um avião fretado por um presidente. E com essa elevação intelectual obrigar o país e sua pobreza a custearem um avião de voos internacionais, com manutenção caríssima, para voar quase sempre de Brasília a São Paulo ou Recife, a Natal ou ao Rio, viagens de duração entre curta e curtíssima.

A imbecilidade continua a considerar que Lula agiu com irresponsabilidade, em desconsideração ao seu dever cívico e com a dignidade pessoal substituída pelo deslumbramento, como todos, primariamente ilusório. Falo pela imbecilidade que me cabe, mas com a suspeita de que tem companhias também desinteressadas de motivações políticas. Não há dúvida, porém, de que o avião do deslumbramento foi a escolha ideal para quem é capaz de chegar ao Oriente Médio dizendo-se portador do espírito da paz.

No extremo oposto à propriedade verbal com que Lula qualificou os críticos de seu deslumbramento aéreo, e aéreo em muitos sentidos, o Vaticano elegeu uma palavra abominável como qualificativo das denúncias de abusos sexuais por prelados. Mesmo na missa papal de Páscoa, o decano do Colégio de Cardeais, Angelo Sodano, repetiu que são apenas "pequenos fuxicos". Ou, como traduzido no noticiário, "fofoquinhas". É o insulto em cima do crime. E a impiedade disfarçada de insulto.

Cultura? :: Carlos Vereza

DEU EM O GLOBO

"Quando ouço falar em cultura, sinto vontade de puxar o revólver"
(Goebbels, ministro de Propaganda do III Reich)

Por que os ditadores e governantes com tendências autoritárias odeiam a cultura e os significados que ela expressa? De acordo com o senso comum, "cultura seria tudo o que é produzido pelo homem, o que o difere dos animais".

Poderíamos ampliar a definição e sugerir que cultura abrange desde o pensamento filosófico mais sofisticado até as manifestações mais populares, como literatura de cordel, procissões religiosas, carnaval, internet, todos os meios de comunicação etc.

Acredito que cultura define o rosto de um país e só pode manifestar-se em toda plenitude em regimes democráticos.

Diria também que cultura é um processo que denota um padrão de significados incorporados aos símbolos de um país e historicamente transmitidos.

Especificamente no Brasil, todas as manifestações culturais - exceto o carnaval e o futebol - encontram-se relegadas a um solene desprezo da parte dos órgãos governamentais.

Motivados por um equívoco ideológico ultrapassado, não se investe em pesquisa de ponta, laboratórios são depredados pelo MST subsidiado pelo governo, o sistema educacional está completamente ultrapassado, e um viés arbitrário insinua-se, como o retorno da censura aos meios de comunicação.

Os Goebbels tupiniquins há muito já sacaram suas armas, em ataques verbais sistemáticos à imprensa - como sempre, a vilã da História.

Consequentemente, como não existe um projeto de construção de uma nação, com a cidadania resgatada como valor maior, o que nos resta é a eterna frustração de um país condenado a um futuro eternamente adiado.

Carlos Vereza é ator.

Migalhas - Simone

Ao lado de Serra

DEU NO CORREIO BRAZILIENSE

Denise Rothenburg

O candidato tucano à Presidência da República, José Serra, contará com a presença de alguns peemedebistas históricos na festa que o PSDB promoverá em Brasília no próximo sábado para a apresentação da candidatura: o senador Jarbas Vasconcelos (PE) e o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia. Jarbas está na Tailândia e a informação no ninho tucano é a de que voltará direto para participar do lançamento do nome de Serra. Quércia marcou presença em várias inaugurações ao lado de Serra nos últimos dois meses em São Paulo. Agora, quando se recupera de uma cirurgia de hérnia de disco, também pretende estar em forma para acompanhar o candidato.

A presença maciça de integrantes do DEM e do PPS, partidos que se manifestaram a favor da candidatura de Serra, já era esperada. Mas havia dúvidas quanto aos peemedebistas. Não está descartada nem mesmo a presença de um grupo de quercistas para animar a festa e, ao mesmo tempo, mostrar que Michel Temer, candidato a vice na chapa da petista Dilma Rousseff, não tem a predominância sobre o PMDB de São Paulo.

Enquanto os tucanos cuidam da política e da presença de aliados, o candidato prepara o discurso em que apresentará as linhas gerais de seu programa de governo. Aproveitará para mostrar uma roupagem mais nacional, sem deixar de se referir às realizações enquanto governador de São Paulo. Ele baterá firme na tecla da experiência administrativa e política, como pré-requisitos para implantar no Brasil os projetos que desenvolveu no plano estadual.

Serra também pretende deixar claro em sua fala que, em todos os cargos que ocupou, nunca desmontou o que funcionava — um recado para mostrar que não pretende acabar com programas do governo Lula, caso do Bolsa-Família. Não está decidido, mas há quem diga que ele deve falar de algumas “obras de vento”, ou seja, projetos inaugurados ou anunciados pelo governo, mas que não saíram do papel ou são apenas um canteiro sem obras.

O candidato deve participar hoje da posse oficial do novo governador de São Paulo, Alberto Goldman. O restante da agenda de hoje entretanto está em aberto, por conta da insistência de Serra em trabalhar no seu discurso com antecedência. Ele quer evitar o que aconteceu na semana passada, quando deixou o governo de São Paulo. O discurso feito no meio da tarde tinha sido concluído às 7h. Embora Serra goste de dormir tarde, não dá para repetir a dose em Brasília, uma vez que a festa no Centro de Convenções Brasil XXI está prevista para começar às 10h.

PT leva a aliança, mas não o partido

DEU NO CORREIO BRAZILIENSE

Em São Paulo, Pernambuco, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, Temer encontra dificuldades em colocar o PMDB no palanque de Dilma

Josie Jerônimo

O PT ganhou a aliança com o PMDB, mas corre o risco de não levar o apoio maciço prometido pelo partido. Nem mesmo após a saída do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, do páreo pela vaga de vice na candidatura de Dilma Rousseff (PT) à Presidência, o deputado Michel Temer (SP) consegue reunir o partido. O PMDB está rachado: pelo menos cinco importantes diretórios estaduais — que reúnem 40% do eleitorado — anunciaram posição contrária à aliança do PMDB com o PT e negam apoio ao nome de Temer como vice.

Se Temer for confirmado como vice de Dilma, o PT ficará sem a prometida adesão de “porteira fechada” à candidatura petista. Até agora, três correntes despontam no partido.

Nomes da cúpula do PMDB que foram contemplados com ministérios ou receberam auxílio direto do governo federal mostram-se fiéis a Dilma, mas peemedebistas que sempre tiveram proximidade ou governaram com líderes tucanos não vão mudar de lado e já desembarcam na campanha de José Serra (PSDB-SP). Em São Paulo, Pernambuco e Santa Catarina, os peemedebistas Orestes Quércia (presidente do PMDB de São Paulo), o senador Jarbas Vasconcelos e o ex-governador Luiz Henrique da Silveira anunciam apoio a Serra (veja quadro ao lado).

Votação interna

No caso do Paraná e do Rio Grande do Sul, os peemedebistas que não querem fechar com os tucanos e não apoiam Temer saíram pela tangente da candidatura própria, engrossando fileiras na aventura de Roberto Requião (PMDB-PR). Os “rebeldes” do partido afirmam que a convenção pode desgastar Temer, demonstrando que ele não tem maioria na sigla para se cacifar como vice de Dilma.

De acordo com o senador Pedro Simon (PMDB-RS), um dos defensores da candidatura própria, a cúpula da legenda vai “empurrar com a barriga” para que a votação interna só se realize no fim de junho. “Os ministros do PMDB vão pressionar. A cúpula do partido apoia, mas a realidade é nos diretórios. É como dizia o Tancredo Neves, voto secreto dá uma vontade de trair”, disse Simon.

Levantamento interno realizado pela Fundação Ulysses Guimarães indicou que 531 dos 800 delegados não apoiam o nome de Temer para vice de Dilma. O racha do PMDB, para o ex-ministro e pré-candidato ao governo da Bahia, Geddel Vieira Lima, não será um problema para o PT. Os petistas contam com a atuação interna do próprio Michel Temer para resolver os impasses regionais que minam a aliança nacional. “O Temer já era o vice antes da saída do Meirelles, ele tem papel de balizador nas questões regionais. Os rebeldes não têm tamanho na convenção e não existe unanimidade em nenhum partido”, afirmou Geddel.

Os cenários

Confira as três opções de alianças do PMDB para as eleições de outubro


Com Dilma

O PT anuncia como alianças já estabelecidas os cenários do Rio de Janeiro, Paraíba e Mato Grosso. O governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ), no entanto, está chateado com o flerte de Dilma com o PR do arqui-inimigo Anthony Garotinho. Os ex-ministros Hélio Costa (Minas Gerais) e Geddel Vieira Lima (Bahia) acenam como aliados fiéis de Dilma para a disputa deste ano, pois não têm chance de aproximação com tucanos em seus estados.

Com Serra

Em pelo menos três estados, a ala rebelde do PMDB já anunciou que não cederá à aliança nacional do partido com o PT e oferecerá palanque a José Serra. Luiz Henrique Silveira deixou o governo de Santa Catarina e entregou o cargo ao vice, o tucano Leonel Pavan. O PMDB de Santa Catarina é Serra. Em São Paulo, o presidente do PMDB no estado, Orestes Quércia, reforça a ala serrista do partido. O senador Jarbas Vasconcelos comanda em Pernambuco a corrente a favor do tucano.

Candidatura própria

Os peemedebistas que não concordam com o nome de Temer para vice de Dilma encontraram na defesa da candidatura própria o mote para evitar escolher entre apoiar o presidente da sigla ou o candidato tucano. Os diretórios do Rio Grande do Sul e do Paraná levam a sério o desejo de Roberto Requião para que seu nome seja analisado como possível candidato do PMDB à Presidência da República na convenção do partido. Os defensores da candidatura própria afirmam que os delegados do partido podem surpreender e rejeitar aliança com o PT. Requião deixou o governo do Paraná para concorrer ao Senado.

PSDB cobra de Dilma biografia de tesoureiro

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), aceitou desafio feito pela pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff em entrevista ao Estado -, de trazer o debate ético para a campanha eleitoral. Guerra cobrou da ex-ministra que começasse esclarecendo o "dossiê dos aloprados" e a biografia do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, ligado à Bancoop.

Presidente do PSDB reage a Dilma e cobra "biografia do tesoureiro do PT"

Christiane Samarco, Eugênia Lopes

BRASÍLIA - O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), aceitou desafio da pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, de trazer o debate ético para a campanha eleitoral. Ele cobrou da ex-ministra que começasse esclarecendo o "dossiê dos aloprados", o mensalão do PT e a biografia do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto.

O caso dos "aloprados" - conforme a definição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - está ligado ao falso dossiê de corrupção que seria usado contra candidatos tucanos nas eleições de 2006. O PSDB também quer explicações sobre o caso Bancoop, a cooperativa habitacional que deu calote em vários associados e que era dirigida por Vaccari.

Em entrevista publicada ontem no Estado, a ex-ministra disse que o PT não se assusta com a discussão ética proposta feita pelo pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, ao fazer balanço de sua gestão em São Paulo. "Esse debate é muito bom para a gente", afirmou a petista.

Cheque. "Temos que conhecer melhor a biografia do Vaccari, que, na condição de tesoureiro do PT, assina o cheque para pagar o aluguel da casa da candidata", afirmou Guerra. "Esse discurso de desonestidade intelectual é marca registrada deles", reagiu o deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP).

Como Dilma questionou a competência de Serra à frente do Ministério do Planejamento, no primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso, os tucanos saíram em defesa de seu pré-candidato. Para o PSDB, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é versão piorada do Avança Brasil, que começou a ser desenvolvido na gestão de Serra, batizado de Brasil em Ação.
"Esse conceito, completamente correto e estratégico, foi abandonado pelo populismo eleitoral do PAC da ministra, que não tem nem cronograma nem realização; só tem propaganda", disse Guerra.

A oposição entende que "a mãe do PAC" deve explicações sobre as "graves irregularidades" apontadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em várias obras do PAC, como a refinaria Abreu e Lima. Para o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), o PAC não é bem planejado, uma vez que sua execução é baixa. Ele afirmou que o Planejamento não é atividade-fim, diferentemente da Saúde onde a gestão Serra apresentou resultados concretos.

Planalto. Após a primeira reunião do presidente Lula com os dez novos ministros, o governo deu uma demonstração de que não vai deixar sem resposta os ataques da oposição. O escalado para isso foi o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, que saiu do encontro repetindo o discurso de Dilma.

"O PSDB e o DEM não têm moral para vir falar sobre tema ético do governo do presidente Lula. Temos o que mostrar sobre a aliança PSDB e DEM". Padilha acrescentou: "Se os tucanos quiserem fazer o debate ético, é ótimo. Queremos enfrentar esse debate sobre a ética. Temos o que mostrar, o que o nosso governo fez no combate à corrupção, na Controladoria-Geral da União, na Polícia Federal, e o que foi feito pelos governos anteriores."

A primeira parte da reunião ministerial foi aberta para que o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, apresentasse a cartilha sobre como todos devem se comportar nas eleições para evitar problemas com a Justiça. Lula aproveitou para determinar que a AGU mantenha um canal aberto para que ministros possam consultá-la caso tenham dúvidas.

Depois de Adams, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, em tom professoral, lembrando sua experiência no Tribunal Superior Eleitoral, advertiu os colegas sobre os cuidados que devem ter neste período por causa da falta de clareza da legislação, que permite cada juiz interpretá-la à sua maneira. A advertência de Jobim foi tão forte que o vice-presidente José Alencar, com seu jeito mineiro, reconheceu que "é preciso ter cautela". Mas Alencar avisou aos novos ministros, tentando tranquilizá-los, que não podem ter medo: "Tem de enfrentar a campanha porque, se ficar com medo, não tem campanha."

Serra manda recados musicais

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

No Twitter, citou ópera, que fala de "homens que se creem deuses", e Caetano, com "há de vingar"

Roberto Almeida

Agora ex-governador de São Paulo e pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra disse via Twitter que tirou o primeiro fim de semana fora do cargo "para reorganizar a vida e voltar para casa". "Hora de parar tudo e acertar as coisas", afirmou. Mas, pelo que mostram seus outros tweets, sábado e domingo não serviram só para "se acertar", mas também para se inspirar.

A sensação, segundo Serra, é de "alea jacta est", ou seja, de que a sorte está lançada. Para aproveitar o momento, tudo indica que a arrumação pré-campanha foi embalada por ópera e MPB, com letras recheadas de indiretas para os adversários.

Aos seus 187 mil seguidores no Twitter, Serra postou links para letra e música de Mon Dieu, da ópera Moisés no Egito, de Gioacchino Rossini. Destacou o trecho Pitié pour notre terre, ou "tenha piedade de nossa terra".

A ópera é interpretada pela cantora grega Nana Mouskouri. Ela entoa: "Pardonne à l"insolence / Des hommes quand ils se croient des dieux". Em tradução livre, é um pedido a Deus que "perdoe a insolência dos homens que se creem deuses".

No dia seguinte, domingo, o tucano desejou feliz Páscoa com a música Amanhã, de Guilherme Arantes, interpretada por Caetano Veloso. Um dos trechos: "Amanhã / Redobrada a força / Pra cima que não cessa / Há de vingar".

As inspirações e bastidores de Serra nesse intervalo entre a saída do governo e o início da campanha, em julho, continuarão no Twitter. A estratégia é conhecida desde a eleição do presidente americano Barack Obama, em 2008.

Sobre questões do governo, o pré-candidato evitou comentários. "Agora, vocês devem enviar as mensagens envolvendo assuntos do governo de SP ao @governosp", avisou. Seus seguidores questionaram: vai deixar o Twitter? "Não vou abandonar", afirmou. "Talvez até possa entrar aqui mais vezes e de dia."

Ao lado de Garotinho, Dilma ataca os 'falsos cordeiros'

DEU EM O GLOBO

Pré-candidata do PT à Presidência, a ex-ministra Dilma Rousseff participou da convenção do aliado PR e se reuniu a portas fechadas com o ex-governador Anthony Garotinho. "É um parceiro antigo", disse ela. "Somos amigos históricos", devolveu ele. Tom muito diferente Dilma usou para atacar a oposição, especialmente o PSDB do ex-governador José Serra, revelando a linha que adotará na campanha: tachar a oposição de "anti-Lula" e "falsos cordeiros". No estilo evangélico de Garotinho, usou urna fábula para chamar Serra, sem citá-lo diretamente, de "lobo em pele de cordeiro". Mais cedo, em entrevista, ela já tinha responsabilizado Serra pelo "apagão" no governo FH. O PSDB classificou o discurso de Dilma de descompensado e terrorista.

"Garotinho é um parceiro antigo", diz Dilma

Já os adversários da oposição ela chama de "lobos em pele de cordeiro"

Maria Lima, Gerson Camarotti e Marcelle Ribeiro

Em seu primeiro dia de voo solo como pré-candidata a presidente, a ex-ministra Dilma Rousseff participou de evento da cúpula do PR que a aproximou ainda mais do casal Garotinho, o que pode complicar sua relação com o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), candidato à reeleição. Em encontro reservado após a solenidade de posse do senador Alfredo Nascimento como presidente do PR, Dilma avisou que não participará da festa de lançamento da pré-candidatura de Garotinho ao governo do Rio, no próximo sábado. Mas, em discurso no qual endureceu o tom nos ataques ao PSDB e fez citações religiosas, ressaltou laços históricos com o agora primeiro-secretário do PR, levando o ex-governador a sair do encontro otimista quanto ao seu apoio.

No discurso, Dilma citou parceria bem-sucedida com os ex-governadores Anthony e Rosinha Garotinho. No final, posou para fotos com o aliado político.

- O Garotinho é um parceiro antigo, do tempo do PDT - disse Dilma, citando também a importância da parceria com Rosinha.

- Se eu estou apoiando a campanha dela, é natural que ela retribua. Somos amigos históricos - justificou Garotinho.

Logo após a solenidade, Dilma, acompanhada do presidente do PT, José Eduardo Dutra, se reuniu por cerca de meia hora com Garotinho. Na conversa, ela determinou que o ex-governador desarmasse o palanque que estava sendo montado com sua presença, sábado, no Rio, para o lançamento da pré-candidatura, porque sua agenda estaria lotada. Sobre o futuro próximo, no entanto, Garotinho saiu otimista:

- Na presença do Dutra fechamos que a ministra vai nos dois palanques. A Dilma está firme, disse que vai subir no meu palanque e pedir votos para mim. Estamos juntos, firmes. Está tudo certo. Se o Cabral vai gostar ou não, se vai ficar com ciúmes, não entro em questões emocionais - declarou Garotinho.

Mas o presidente nacional do PT, logo em seguida, disse que não é bem assim.

- Nos casos de palanques duplos, é um processo que ainda vamos discutir. É fato que queremos o apoio de Garotinho, mas quem vai no palanque de quem, se vai nos dois palanques, isso só será decidido em julho - rebateu Dutra.

Para evitar mais desgaste com Cabral, a cúpula do PT planeja novo evento para Dilma, acompanhada do presidente Lula, com sindicalistas no ABC paulista, no sábado.

- Nesse momento a agenda tem que ser para a Dilma. Não tem sentido ela ir para eventos de pré-candidatos nos estados - disse Dutra.

Eles são anti-Lula, discursa a petista

No discurso de estreia da pré-campanha, Dilma endureceu o tom contra o PSDB e revelou a linha que adotará daqui para a frente: tachar os adversários que prometem continuar as conquistas do governo como "anti-Lula" e "falsos cordeiros".

Usando uma citação religiosa, sem citar o candidato José Serra, chamou-o de "lobo em pele de cordeiro", por estar prometendo dar continuidade às coisas boas do governo Lula. Disse que só quem pode garantir essa continuidade é a aliança "virtuosa" que elegeu Lula e apoiará agora sua candidatura.

- Aqueles que venderam nosso patrimônio, que quebraram o Brasil e deixaram o povo sem um salário digno não têm condições de levar isso adiante. São lobos em pele de cordeiro, mas o povo brasileiro está esperto e sabe reconhecer os falsos cordeiros. Um dia falam que vão continuar. Outro dia eles mostram patinha de lobo ao cometer um ato falho e ameaçam acabar com o PAC, com a política econômica. Como eles podem continuar o governo Lula se passaram os últimos sete anos e meio criticando este governo? Antes de mais nada, eles são anti-Lula - disse Dilma.

Em tom irônico, disse que os adversários apostaram na catástrofe, disseram que o Brasil iria quebrar na crise global e que o governo Lula só conseguiu avanços por sorte.

- Sorte nós queremos sim. O que não queremos é nenhum pé frio e nenhum azarado dirigindo o Brasil - disse, solicitando que, daqui para frente, cada um dos aliados peçam aos amigos, a conhecidos para defender "milímetro a milímetro, dia após dia, minuto a minuto" a continuidade do projeto de Lula e do PT.

- Não podemos permitir que as forças do atraso voltem e tragam décadas de estagnação. (não queremos de volta) O chamado voo da galinha, que cresce um pouco (a economia) e para depois.

Pré-candidata culpa Serra por apagão

Mais cedo, em entrevista à rádio Jovem Pan, em São Paulo, Dilma disse que os responsáveis pelo apagão ocorrido no segundo mandato do tucano Fernando Henrique foram o governo e ocupantes dos ministérios de Minas e Energia e também do Planejamento, comandado, à época, por José Serra. Também sem citar o nome do pré-candidato tucano, Dilma disse que, na época, havia a mentalidade de que planejar era algo "ultrapassado, velho". Na opinião de Dilma, entre 2000 e 2002, o Brasil visivelmente ficou sem energia não porque não houvesse linhas de transmissão, mas porque faltava energia para distribuir.

- Como é que um racionamento acontece? Ele não acontece do dia para outro, acontece porque você não planeja. O horizonte de planejamento mínimo do setor elétrico no Brasil é entre dez e cinco anos. O planejamento falhou, houve falha intrínseca do planejamento. Os responsáveis estão nos ministérios que tinham ligação com a área, tanto no do Planejamento quanto no de Minas e Energia. Os responsáveis são vários. O governo inteiro é responsável, porque essa questão é seríssima - disse ela.

Em entrevista publicada ontem no "Estado de S.Paulo", Dilma também relacionou Serra com a suposta falta de planejamento no governo Fernando Henrique.

- O Serra que me desculpe, mas ele não foi só ministro da Saúde. Foi ministro do Planejamento. Planejou o quê, hein? Ali se gestou, sabe o quê? O apagão - disse Dilma, apesar de ela ter sido ministra das Minas e Energia no governo Lula, que sofreu um apagão.

Sobre a influência de Lula caso seja eleita, Dilma disse que pretende consultá-lo porque é um dos líderes "mais lúcidos do mundo".

- Tenho uma relação para além de política com o presidente, tenho um sentimento forte de amizade e respeito. Eu vou ter no presidente Lula uma pessoa que eu vou consultar, escutar. Acho o presidente Lula, politicamente, um dois líderes mais lúcidos, não só no Brasil como no mundo. Aliás, eu não serei a única a consultá-lo. Acredito que hoje vários presidentes o consultam - disse à rádio.

Dilma afirmou que ela e Lula compartilham do mesmo projeto.

- Acredito que sempre vou conversar com o presidente. Obviamente, o meu estilo pode ser diferente, no pessoal, mas aí é detalhe. No fundamental, nós comungamos do mesmo projeto - completou a ex-ministra.

Dilma Rousseff falou ainda sobre a escolha do seu vice na chapa à Presidência. Ela está certa de que o PMDB vai saber escolher bem e disse que o vice será o considerado "mais adequado":

- É natural que haja um processo de diálogo. Tenho certeza de que o PMDB vai saber indiciar os melhores nomes. Até agora, o nome cogitado tem sido o do deputado (Michel) Temer, que, sem sombra de dúvida, é respeitado. É o presidente da Câmara, é uma pessoa que tem todas as qualificações para pleitear o posto.

Na opinião da ex-ministra, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que cogitou deixar o cargo para disputar as eleições, seria um bom candidato. Especulava-se que ele poderia disputar o Senado por Goiás ou ser vice-presidente na chapa do PT.

- Henrique Meireles seria, sem sombra de dúvidas, um bom candidato a qualquer posto que pleiteasse - afirmou a ex-ministra.

PSDB reage e diz que Dilma faz 'terrorismo'

DEU EM O GLOBO

Para Guerra, debate ético proposto pela petista é "fraude" e PT tem de explicar dinheiro de aloprados

"Quem tem que explicar apagão é ela, afinal, o Serra nunca foi ministro de Minas e Energia", diz líder tucano


Adriana Vasconcelos e Flávio Freire

BRASÍLIA e SÃO PAULO. O PSDB reagiu ontem às críticas feitas pela presidenciável petista, Dilma Rousseff, classificando seu discurso de "descompensado e terrorista". Para o presidente nacional do partido, senador Sérgio Guerra (PE), o tom mais agressivo dos ataques da ex-ministra à oposição seria um reflexo da retomada da trajetória de crescimento da candidatura do tucano José Serra, identificada pela última pesquisa do Datafolha e outras internas encomendadas pela cúpula tucana. Guerra destacou que no Rio Grande do Sul, por exemplo, Serra já teria aberto uma vantagem de mais de 20 pontos em relação à adversária petista.

- Uma pessoa não sai para o confronto aberto se não tiver necessidade de fazer isso. Acredito que a ex-ministra começou a perceber algumas complicações eleitorais que já identificamos em pesquisas internas indicando que ela está perdendo intenções de voto. Por isso esse discurso descompensado e terrorista - atacou Sérgio Guerra.

Na avaliação de Guerra, a ex-ministra começa mal sua pré-campanha e deixa transparecer seu temperamento agressivo:

- Não faz bem subestimar adversários e muito menos ameaçá-los. Neste seu primeiro ensaio de pré-campanha, começa a explicitar uma agressividade que já havíamos identificado nela.

Sobre declaração da ex-ministra, em entrevista ao jornal "O Estado de S.Paulo", na qual disse estar pronta para o debate ético com a oposição, o senador tucano propôs que ela comece explicando onde foi parar a montanha de dinheiro usada pelos "aloprados" do PT na campanha de 2006.

- Esse debate ético que a ex-ministra propõe é uma fraude. Afinal, foi o atual governo que inviabilizou o instituto das CPIs no Congresso e é o mesmo que ignora sistematicamente os alertas do Tribunal de Contas da União sobre obras superfaturadas patrocinadas pelo PAC. Continuamos esperando ainda uma explicação sobre o destino dos aloprados do PT - cobrou Guerra, que questionou ainda o comportamento do tesoureiro do PT, João Vaccari Netto, sob suspeita de ter participado do desvio de quase R$100 milhões da Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo) para campanhas petistas.

- O cheque do aluguel da casa que a ex-ministra está morando foi assinado pelo Vaccari. Isso por si só já é uma condenação. Esse é o carimbo ético ao qual ela se refere? - provocou Guerra.

Por enquanto, Serra não pretende entrar nesse bate-boca. De acordo com o presidente nacional do PSDB, o ex-governador e pré-candidato tucano à sucessão presidencial vai aproveitar os próximos dias para elaborar o discurso que fará no próximo sábado, no lançamento de sua candidatura. A previsão é a de que Serra chegue a Brasília na sexta-feira à noite.

Para o dirigente, o discurso de Dilma vai na contramão também em relação à conduta do PT no Congresso.

- Uma das coisas fundamentais na CPI das ONGs, por exemplo, é a quebra do sigilo bancário, mas os petistas, para proteger os apadrinhados, alegam que ninguém vai ter os sigilos fiscal e bancário quebrados sem que haja provas contra as pessoas. Ora, a quebra sempre foi um elemento central das investigações, sempre pedida pelo próprio PT, mas agora eles tentam abafar o trabalho - disse ele, que prepara encontros do pré-candidato com lideranças regionais em diferentes pontos do país, a partir da próxima semana, depois do lançamento oficial do tucano pelo partido.

Na entrevista, Dilma ironizou o trabalho de Serra à frente do Ministério do Planejamento, insinuando que o tucano "planejou" apenas o apagão. Guerra saiu em defesa do ex-governador.

- Quem tem que explicar apagão é ela, afinal, o Serra nunca foi ministro de Minas e Energia - ironizou ele, para quem Dilma não objetiva o embate, "apenas tenta mostrar que tem garganta".

Um dos homens mais próximos de Serra, o chefe da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, evitou polêmica, mas ironizou.

- Não li e nem vou ler a entrevista dela. Não tenho o menor interesse - disse ele.

Bandeira do atraso:: Celso Ming

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

O Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) promete mais um abril vermelho, com um festival de invasões, ocupações, derrubadas de cerca e destruição de plantações.

Na edição do caderno Aliás, no Estadão desse domingo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso denunciou o apego aos valores do atraso pelo MST. O sociólogo José de Souza Martins, que há décadas estuda os movimentos sociais no Brasil, observa que, longe de ser uma vanguarda dos novos tempos, o MST é um núcleo aferrado a valores do conservadorismo. É o exemplo do que os cientistas políticos e também Fernando Henrique chamam de movimentos das utopias regressivas.

Houve um tempo em que o MST sabia o que perseguia. Queria a reforma agrária com a mesma radicalidade com que o viajante francês August Saint Hilaire viu esta terra em 1822: "Ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil." De lá para cá não aconteceu nem uma coisa nem outra. Também a reforma agrária vai perdendo o sentido depois que surgiram por aqui o agronegócio e o Bolsa Família. Quase não há mais latifúndio improdutivo e, onde ele ainda existe, os líderes do MST não se interessam por assentamentos, porque fica longe de tudo.

O MST está sem foco. Partiu para depredações do que chama de monoculturas. Ataca laranjais, plantações de eucalipto e até os seculares canaviais, a cultura trazida nas caravelas de Martim Afonso de Souza em 1530, como se fossem nocivos e como se houvesse outro jeito de produzir suco de laranja, celulose, açúcar e álcool.

O MST valoriza a cultura de subsistência como ideal de vida moderna. Em princípio, é hostil a novas tecnologias e aferra-se a uma agricultura familiar jecatatuísta, como se os verdadeiros valores da humanidade só se desenvolvessem em condições de atraso.

Quer parecer independente do governo Lula, a ponto de desprezar os interesses eleitorais do PT, mas depende dele para tudo, para distribuição de terras, para obtenção de sementes, para escoamento da produção e, até mesmo, para sobrevivência do assentamento. Relaciona-se com a autoridade como se fosse a única supridora dos excluídos, a força que faz chover e nascer o sol e que tem de lhe fazer a vontade aqui e agora.

Para as lideranças do MST não há nunca o que negociar. Tudo tem de ser como está na cabeça deles, inclusive a imposição do regime socialista no Brasil, seja lá o que isso signifique. "Não existe para o MST a ideia de passar pelos canais institucionalizados, partidos, etc.; existe é pressão", aponta Fernando Henrique.

Apesar de tudo o que apronta, o MST vem sendo tolerado. E uma das razões pelas quais isso acontece parece ter a ver com a percepção de que cumpre a função de dar alguma organização ao lúmpen que se formou nas periferias das grandes cidades interioranas. Entrega-lhe uma bandeira e ensina-lhe alguns hinos, preserva-o da delinquência pura e simples e aponta-lhe um futuro cujo símbolo é o pedaço de chão que um dia vai receber.

As lideranças do MST ainda não perceberam que o assentado não quer terra; quer emprego. A maioria dos que compõem os acampamentos não sabe o que fazer com a terra que recebe. E os que sabem logo se dão conta de que, mesmo com a ajuda oficial, a terra não lhes oferece futuro se não estiver inserida no sistema global de produção, distribuição e consumo. Mas essas são imposições do capital internacional e do neoliberalismo...

Confira

Para o alto

Os preços do barril de petróleo (159 litros) saltaram ontem em Nova York para US$ 86,62, o mais alto desde outubro de 2008, às vésperas do estouro do Lehman Brothers, que injetou pânico nos mercados, bloqueou o crédito e derrubou os bancos.

É mais um indício de que aumenta a confiança na recuperação dos Estados Unidos. Mas esse não é o único recado. Alta do petróleo significa aumento dos custos da energia, significa inflação e inflação aciona os grandes bancos centrais, especialmente o Fed (o banco central americano), para puxar pelos juros.

'Contenha seu entusiasmo pelo Brasil'

DEU EM O GLOBO

Colunista do "Wall Street Journal" diz que país parece ter abandonado reformas

NOVA YORK. Desde que o Brasil descobriu novas e promissoras reservas de petróleo na sua costa em 2007, o país parece ter abandonado várias reformas que deveriam deixá-lo em sintonia com sua ambição de conquistar um lugar entre as nações mais industrializadas do mundo.

É o que diz um artigo publicado ontem no “Wall Street Journal” e assinado por Mary Anastasia O’Grady, editora e colunista do jornal americano de finanças.

O texto, intitulado “Contenha seu entusiasmo pelo Brasil”, questiona o otimismo manifestado no país sobre o sucesso das parcerias público-privadas na reinvenção “de um Brasil com sua nova riqueza”. Mary Anastasia se refere em particular ao entusiasmo do empresário Eike Batista, dono do grupo EBX, em recente passagem por Nova York.

Ela conta que Eike — o homem mais rico do Brasil e o oitavo do mundo pela revista “Forbes” — “encantou a plateia com seu entusiasmo, não apenas por seus próprios projetos no desenvolvimento da exploração de petróleo, de portos e de estaleiros, como também pelo seu país”.

“Apesar dos muitos erros do passado, ele (Eike) disse que o Brasil mudou e está pronto para reclamar seu lugar de direito entre as nações industrializadas”, escreve.

Mas a autora do artigo se diz “cética” quanto ao otimismo de Eike, e se pergunta se o resto do país também vai se beneficiar das oportunidades que se abriram para o empresário no setor de gás e petróleo.

“Quanto mais a elite do país fala sobre sua parceria público-privada para reinventar o Brasil com sua recém-descoberta riqueza, mais soa como o mesmo velho corporativismo latino”, diz ela. Mary Anastasia admite que o Brasil melhorou “em relação ao que era em meados da década de 90, quando a hiperinflação alimentou caos nacional”, e disse que “o crédito por controlar os preços vai para o ex-presidente de dois mandatos (Fernando) Henrique Cardoso, cujo governo implementou o Plano Real”.

A autora minimiza o papel do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no comando do país, dizendo que “uma revisão de sua gestão revela que a melhor coisa que ele fez como chefeexecutivo do país foi nada”. “Além da reforma da lei de falências e a melhoria da legislação relativa a seguros, ele (Lula) fez muito pouco.” A jornalista considera positivo que mudanças sejam gradativas, mas diz que “o problema é que desde que o Brasil descobriu petróleo abundante na costa em 2007, parece ter abandonado até as reformas modestas”.

No artigo, ela sugere que faltam reformas que facilitem a operação de muitas empresas de pequeno e médio porte. Citando relatório do Banco Mundial de 2010, a jornalista diz que o Brasil não tem bom histórico em relação à abertura de empresa, pagamento de impostos, contratação de funcionários e obtenção de alvará de construção