terça-feira, 17 de julho de 2012

Em BH, PT e Kassab perdem no TRE

Juiz eleitoral anula a intervenção da direção nacional do PSD em Minas. Com isso, vale a coligação do partido com o PSB, de Marcio Lacerda

Juliana Cipriani

Na disputa pelo PSD, e com ele os pouco mais de dois minutos no horário eleitoral gratuito, o prefeito Marcio Lacerda (PSB), candidato à reeleição em belo Horizonte, venceu o primeiro round. O juiz diretor do Foro Eleitoral da capital, Rogério Alves Coutinho, concedeu ontem liminar para suspender os efeitos da intervenção feita pelo presidente nacional do PSD, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Com isso, fica validada a convenção municipal do partido que decidiu pela aliança com o PSB. A coligação de Patrus Ananias (PT) pode recorrer.

O partido de Kassab havia sido registrado duplamente no Tribunal Regional Eleitoral, constando tanto da chapa de Lacerda como na do adversário do PT, o ex-ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias. A divergência ocorre porque, apesar de o Diretório Municipal ter decidido e registrado o apoio ao socialista, o presidente nacional do PSD instituiu uma comissão interventora formada por três deputados federais e o presidente estadual da legenda, Paulo Simão, e ela cancelou a convenção de 23 de junho, estabelecendo a coligação com Patrus e acabando com a união para a chapa de vereadores com o PPS, ficando com uma única candidatura para a Câmara Municipal.

Na argumentação, o juiz entende que não há notícia de falhas na convenção municipal que pudesse justificar a intervenção e que a decisão foi tomada de forma atabalhoada, prejudicando inclusive a chapa de vereadores. Considera ainda que as mudanças políticas ou quebras de acordo "não permitem a alteração da soberana vontade dos convencionais reunidos em 23 de junho, sem o devido processo legal, ou seja, com a convocação de outra convenção para tratar especificamente deste assunto". O magistrado cita o estatuto do partido, que delega à instância municipal a prerrogativa de decidir sobre as alianças eleitorais.

A liminar atende a ação apresentada pelo secretário de estado de Gestão Metropolitana e secretário do PSD de BH, Alexandre Silveira, na sexta-feira, impugnando a participação do PSD na chapa de Patrus Ananias. No documento, assinado pelos demais integrantes da comissão provisória do partido na capital, ele alegou truculência e violência da intervenção nacional. O secretário arrolou a vice-presidente nacional da legenda, senadora Kátia Abreu, que segundo ele testemunharia que a Executiva Nacional não deliberou sobre a situação de Belo Horizonte, ou seja, teria sido uma decisão somente de Kassab.

Alexandre Silveira afirmou que a decisão do TRE, embora do ponto de vista jurídico não seja uma surpresa, restabelece a democracia e a liberdade de escolha do partido em Minas e em Belo Horizonte. Segundo ele, ela é uma contribuição para que o comando nacional do PSD reflita a partir de agora como os rumos da legenda devem ser conduzidos: "A construção de um partido é feita a partir da base, que deve ter sua voz respeitada. E, em Minas, havíamos decidido pelo apoio a um projeto vitorioso, que é administração do prefeito Marcio Lacerda."

Para uma ala do PSD mineiro, a articulação para tirar o partido da chapa de Lacerda viria de Brasília, por uma pressão da presidente Dilma Rousseff (PT) para garantir apoio ao seu partido, e de São Paulo, onde Kassab atenderia ao aliado José Serra (PSDB), candidato a prefeito que disputaria com o senador Aécio Neves a indicação dos tucanos para concorrer à Presidência em 2014. Tal medida teria o intuito de enfraquecer Aécio.

O racha no partido criado com a intervenção levou o vice-presidente nacional Roberto Brant a se desfiliar. Alegando descontentamento com a interferência de Kassab, o político deixou os quadros do PSD dias depois da intervenção.

Indefinições Na mesma situação, outros três partidos registrados nas chapas de Patrus e Lacerda aguardam definições da Justiça Eleitoral. O PCdoB, que havia aprovado em convenção municipal apoio a Marcio Lacerda, modificou sua posição nas vésperas do registro das candidaturas e mudou sua ata para apoiar Patrus. Já o PDT tem em sua ata da convenção municipal registrado o apoio a Lacerda. O PRB também consta das duas chapas.

FONTE: ESTADO DE MINAS

Em BH, Manifesto rebate petista

Partidos aliados a Lacerda chamam Patrus Ananias de arrogante por ter reivindicado a paternidade das ações que deram certo em BH

Alessandra Mello

Deputados federais e estaduais que apoiam a candidatura à reeleição do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB) ,divulgaram ontem um manifesto com críticas ao candidato do PT, Patrus Ananias. O documento, que conta com o apoio de 34 deputados estaduais e federais, classifica como "desrespeitosa e arrogante" a declaração de Patrus, feita sábado, durante caminhada pela Região de Venda Nova, de que "o que existe de importante em Belo Horizonte" começou durante sua administração. Desde o início oficial da campanha, os dois candidatos disputam a paternidade de programas desenvolvidos pela prefeitura.

Elaborado pelo deputado estadual João Vitor Xavier (PRP), o documento elenca obras feitas por administrações anteriores à de Lacerda, começando pelo ex-presidente Juscelino Kubitschek, prefeito de Belo Horizonte na década de 40, que tiveram ações positivas para a cidade. "O PT age como se todas as conquistas de Belo Horizonte tivessem sido feitas somente por Patrus", critica o parlamentar, se referindo ao candidato do PT que foi prefeito da capital mineira entre 1993 e 1996. "Querer apagar a história é um desrespeito com o povo de Belo Horizonte", diz o documento, que critica a escola plural, implantada pela gestão de Patrus, e não cita o governo do ex-prefeito Fernando Pimentel, hoje ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, um dos apoiadores da campanha de Patrus.

Questionado sobre o manifesto, Lacerda disse que o documento era de iniciativa dos deputados e não contou com sua participação. "O manifesto não foi ideia minha. Ele expressa apenas a opinião dos deputados estaduais e federais da nossa coligação." Lacerda disse que não vai disputar paternidade de nenhum projeto durante a campanha e que pretende apenas apresentar para o eleitor o que ele fez durante seu mandato e o que pretende fazer nos próximos quatros anos. "Da minha parte não há briga por paternidade. Pretendo não entrar nesse tipo de polêmica, acho mais interessante olhar para a frente." Lacerda também garantiu que pretende fazer uma campanha sem ataques, voltada para a discussão dos problemas da cidade. "Vamos focar no que fizemos nesses três anos e meio. Não quero fazer campanha contra a, contra b, nem em desfavor de ninguém", assegurou. Lacerda disse que a campanha vai ser "muito dura", por isso é importante o apoio "desde o mais simples cidadão até o deputado mais votado".

O presidente do PSDB, deputado federal Marcus Pestana, aproveitou o encontro de ontem para rebater o argumento de que as eleições na capital serão nacionalizadas e que o resultado pode interferir na disputa de 2014, quando serão eleitos presidente e governadores. "Estamos tratando do presente e do futuro de Belo Horizonte para o período de 2013 a 2016. Qualquer discussão além dessa é falsa", afirmou. Lacerda disse que um dos seus principais cabos eleitorais, o senador Aécio Neves, pré-candidato à sucessão de Dilma Rousseff, vai participar das caminhadas e ações da campanha, mas que a agenda desses eventos ainda não foi fechada.

FONTE: ESTADO DE MINAS

Raupp, do PMDB, 'exclui' Chalita de disputa paulistana

O presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), disse ontem que a disputa pela Prefeitura de São Paulo será polarizada entre PT e PSDB, sem mencionar o potencial do candidato de seu próprio partido, o deputado federal Gabriel Chalita.

Raupp participou de um evento em Belo Horizonte ao lado do candidato do PT, o ex-ministro Patrus Ananias, e admitiu que as campanhas em São Paulo e Belo Horizonte estão nacionalizadas. "São Paulo é uma disputa do PT, que é o partido no governo, com o PSDB. E em Minas, não é com o PSDB, mas acabou sendo uma disputa nacional com as forças do PSDB, contra PT e PMDB". Na capital mineira, Patrus disputa contra o prefeito Marcio Lacerda (PSB), que tenta a reeleição com apoio tucano. Em São Paulo, o PT tem o ex-ministro Fernando Haddad (PT) e o PSDB, o ex-governador José Serra.

Raupp confirmou também que o partido negocia a fusão do partido com outras legendas. Segundo ele, já há negociações em andamento com "três ou quatro" siglas - mas ele não quis revelar quais. / M. P.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Partidário de Chalita vai fazer campanha para Serra

Secretário deve deixar posto no governo Kassab, mas se nega a apoiar peemedebista

Diógenes Campanha

SÃO PAULO - O secretário municipal de Esportes de São Paulo, Bebetto Haddad (PMDB), deixará o cargo para entrar na campanha de José Serra (PSDB) à prefeitura.

Ele havia sido pressionado pelo PMDB a sair da secretaria em maio, para que o candidato do partido, Gabriel Chalita, ficasse livre para criticar a atual gestão, mas se recusou e sinalizava que apoiaria o tucano.

A Folha não conseguiu falar com Bebetto ontem, quando ele se reuniu com o prefeito Gilberto Kassab (PSD) para acertar a mudança.

Na última sexta, Bebetto havia dito à reportagem que a decisão sobre sua permanência seria do prefeito e que faria campanha por Serra.

"Neutro eu não ficarei, vou fazer campanha. Não farei campanha para o Chalita. Vou ajudar o candidato do prefeito", disse. Ele era presidente municipal do PMDB até ser trocado por Chalita.

A adesão do secretário à candidatura de Serra deve fazer com que saia do PMDB.

Quando Bebetto se negou a abandonar a prefeitura, em maio, o partido já havia dissolvido quatro diretórios controlados por ele no interior do Estado. Em junho, decretou intervenção em seis zonais da capital leais ao secretário.

A Secretaria de Esportes deve voltar a ser chefiada pelo PSDB: o deputado Walter Feldman, que foi titular da pasta (2007-2011), é o mais cotado para substituir Bebetto. Ele, porém, reluta em deixar a campanha de Serra, da qual é coordenador de mobilização.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Por campanha de Serra, Kassab faz minirreforma

Prefeito de São Paulo realiza mais duas trocas em seu primeiro escalão a fim de que quadros passem a compor equipe do candidato tucano

Bruno Boghossian, Felipe Frazão

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), prepara mais uma minirreforma no primeiro escalão de seu secretariado para ajudar a campanha de José Serra (PSDB) na sucessão municipal. Kassab reuniu-se ontem com titulares de pastas para avisá-los de que passarão a integrar o núcleo da equipe do tucano. Bebetto Haddad (Esportes), do PMDB, e Antonio Carlos Malufe (Relações Governamentais), do PSD, deixarão os cargos em data a ser definida.

Além deles, o ex-vice-presidente da Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab), Ricardo Montoro, que havia deixado o posto para se candidatar a vereador, também vai integrar o staff da campanha serrista.

Malufe e Montoro devem assumir papéis estratégicos no time de Serra. O atual secretário de Relações Governamentais será o responsável pela campanha dos principais candidatos a vereador da coligação - grupo que inclui os atuais parlamentares e potenciais puxadores de voto. Já Montoro, a convite de Serra, trabalhará com o coordenador da equipe, Edson Aparecido.

A função de Bebetto na campanha ainda não foi definida. A entrada do peemedebista na campanha de Serra deve evidenciar divergências internas no PMDB e constranger o candidato da sigla, Gabriel Chalita, que faz críticas à gestão Serra/Kassab.

Ex-presidente do PMDB paulistano e ligado ao ex-governador Orestes Quércia, Bebetto tornou-se um desafeto dentro do partido após a chegada de Chalita. Ele deixou o comando do diretório municipal, mas se negou a abandonar a gestão Kassab - como o partido exigia, para dar liberdade a Chalita para atacar a gestão do prefeito.

Bebetto resistiu a pressões do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), e chegou a sofrer retaliação da nova direção da legenda em acordos políticos firmados por seu grupo. Diz estar "sem ambiente" no partido e estudar propostas para se filiar ao PSD ou outra sigla.

O ex-deputado Walter Feldman (PSDB) é cotado para assumir a Secretaria de Esportes em seu lugar. Ele já comandou a pasta e foi enviado por Kassab a Londres para acompanhar, em 2011, a preparação da cidade inglesa para os Jogos Olímpicos. Feldman enfrenta resistências dentro do PSDB por ter apoiado a reeleição do atual prefeito, em 2008, contra Geraldo Alckmin.

Outras reformas. Quando se concretizar, esta será a terceira troca conjunta de comando nas secretarias, com fins eleitorais. Outras duas ocorreram em abril e junho, por causa dos prazos de desincompatibilização exigidos pela Justiça Eleitoral - para candidatos a vereador e a vice-prefeito.

Kassab já havia exonerado o escolhido para a vice de Serra, Alexandre Schneider (Educação), a atual vice, Alda Marco Antonio (Assistência Social), Miguel Bucalem (Desenvolvimento Urbano) e Marcos Cintra (Desenvolvimento Econômico e Trabalho) - todos do PSD -, Eduardo Jorge (Verde e Meio Ambiente) e Marcos Belizário (Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida) - ambos do PV.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Milícias: MP propõe vigiar verbas de candidatos

Presidente do TRE convoca eleitores a denunciar irregularidades: "A população tem de ser parceira do tribunal", diz Zveiter

Sérgio Ramalho, Vera Araújo

O procurador regional eleitoral do Ministério Público Federal (MPF), Maurício da Rocha Ribeiro, defendeu ontem o monitoramento sistemático da arrecadação e dos gastos de campanha de candidatos suspeitos de ligação com grupos paramilitares, como forma de evitar a utilização de recursos ilegais arrecadados pelas milícias para eleger seus aliados.

A estratégia, segundo o procurador, foi um dos principais pilares da Operação Mãos Limpas, posta em prática na Itália na década de 1990, que comprovou a ligação de partidos políticos com grupos mafiosos.

Ribeiro admitiu que a realização deste tipo de trabalho depende de uma ação conjunta envolvendo representantes de diferentes órgãos de controle do estado, como foi proposto pelo presidente do TRE, desembargador Luiz Zveiter. Conforme O GLOBO noticiou ontem, a força-tarefa vai reunir representantes da Secretaria de Segurança Pública, da Polícia Federal, do Comando Militar do Leste (CML) e do Departamento de Polícia Rodoviária Federal. Apesar de favorável à proposta, o procurador disse não ter sido convidado a participar do grupo especial.

Para Ribeiro, o rastreamento das fontes de financiamento de campanha de candidatos supostamente ligados às milícias pode levar à cassação do registro de campanha ou à perda do mandato, no caso de candidatos eleitos:

- Sem dúvida, é um trabalho que demanda tempo e estrutura de investigação, mas é possível, sim, impedir que um candidato apoiado por esses grupos assuma um cargo eletivo, desde que população e autoridades trabalhem conjuntamente - disse o procurador.

Primeira reunião da força-tarefa será hoje

Hoje, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio promove a primeira reunião com integrantes dos setores de inteligência da Secretaria de Segurança Pública, da Polícia Federal, do Comando Militar do Leste e da Polícia Rodoviária Federal. O objetivo é traçar um plano para evitar que o crime organizado controle os votos em seus redutos. O presidente do TRE, Luiz Zveiter, convocou a população a denunciar quem tentar interferir no processo eleitoral:

- As pessoas devem denunciar eventuais problemas que tenham na sua região - disse Zveiter. - O Disque-Denúncia do TRE (3513-8144) está à disposição dos eleitores. A população tem que ser parceira do tribunal neste momento em que se inicia o processo eleitoral. Ela não pode ser coadjuvante.

Segundo Zveiter, o grupo dependerá de informações sobre irregularidades que, eventualmente, sejam praticadas:

- O eleitor não pode votar naqueles que descumprem a lei e tentam burlá-la. Depois de eleito, com certeza, ele vai continuar burlando a vontade do eleitor, descumprindo com suas propostas - disse Zveiter.

FONTE: O GLOBO

No Rio de Janeiro, candidatos pedem mais integração

Aspásia diz que já topou com milicianos e traficantes; falta de segurança preocupa

Candidatos à prefeitura do Rio defenderam ontem mais integração no combate aos grupos que tentam transformar regiões da cidade em currais eleitorais. Para a candidata do PV, Aspásia Camargo, o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, também deveria informar oficialmente aos candidatos as áreas sob domínio desses grupos, para evitar problemas:

- Estou circulando por vários pontos da cidade e, em alguns, foi possível notar a presença desses grupos, não apenas composto por milicianos, mas também por traficantes. Não negocio a compra de votos - disse Aspásia.

Para Marcelo Freixo (PSOL) a Justiça Eleitoral precisa ter um planejamento específico para o Rio, atuando de forma integrada com Secretaria de Segurança e Polícia Federal, para que os serviços de inteligência possam interagir e combater a esses currais eleitorais.

O candidato da coligação DEM-PR, Rodrigo Maia, defendeu que o planejamento de segurança proposto pelo TRE para o período eleitoral se estenda aos cidadãos do Rio:

- Espero que as boas intenções do TRE se espalhem para toda a cidade de janeiro a janeiro, pois a falta de segurança é uma das principais reclamações que escuto. Ainda não fiz campanha em nenhuma comunidade, e espero não ter problemas com a falta de segurança nessas áreas.

O prefeito Eduardo Paes, candidato à reeleição, não retornou as ligações.

FONTE: O GLOBO

Em Recife, Humberto vê no mensalão “jogo” para prejudicá-lo

Perto do julgamento do Mensalão, petista vê como estratégia dos adversários as versões de que José Dirceu teria apadrinhado o seu nome e enviado emissários ao Recife

Débora Duque

Às vésperas do julgamento do Mensalão, marcado para 2 de agosto, o senador Humberto Costa (PT) aponta a existência de uma estratégia, montada por seus adversários, para tentar vinculá-lo à imagem do ex-ministro José Dirceu (PT), acusado de chefiar o esquema de compra de votos no Congresso. O petista está incomodado com a versão que tem sido propagada pela imprensa de que Dirceu teria “apadrinhado” a sua candidatura no PT nacional e, de quebra, enviado emissários para atuar na campanha à Prefeitura.

No PT local, permanece vivo o “fantasma” de 2006, quando as acusações de envolvimento na Máfia dos Vampiros terminaram por tirar Humberto do segundo turno da disputa pelo governo. Absolvido dois anos depois, ele teme que as tentativas de associá-lo a Dirceu provoquem, agora, um desgaste eleitoral semelhante.

“Alguém está querendo divulgar uma mentira. Estão querendo fazer um jogo para quando chegar o julgamento execrarem José Dirceu e dizer que eu sou ligado a ele. Esse tipo de baixaria é a única coisa que pode me tirar da disputa. Agora, tem gente que só sabe jogar assim”, afirmou, sem citar nomes. Ao negar a interferência do ex-ministro na campanha, o petista disse que só trata de “eleição” com Lula, Dilma e Rui Falcão, presidente nacional do PT.

As declarações foram dadas, ontem, antes de Humberto participar de um encontro com as mulheres do partido. Ainda que de modo cauteloso, ele voltou a insinuar que o governador Eduardo Campos (PSB) descumpriu o acordo firmado com o PT ao lançar uma candidatura do PSB na capital. “Foi ele quem pediu para João da Costa ser substituído. Ele disse várias vezes que achava que o prefeito não ganharia a eleição e chegou a dizer que apoiaria qualquer candidato do PT. O presidente Lula confirmou isso”, frisou, evitando prolongar a polêmica com o PSB. Hoje, ele vai a Brasília, onde articulará a participação de ministros na campanha.

FONTE: JORNAL DO COMMERCIO (PE)

Mestre e aprendiz:: Eliane Cantanhêde

Tanto a cúpula nacional do PMDB quanto a do PSD correram afoitamente para quebrar um galho para Dilma: encorpar a candidatura do petista Patrus Ananias em Belo Horizonte. Mas a forma e os resultados foram muito diferentes. Enquanto o vice-presidente Michel Temer foi cirúrgico, o prefeito Gilberto Kassab foi barbeiro.

Temer recebeu a incumbência numa segunda-feira, e em 24 horas o serviço estava feito, sem dor, sem sangue, sem barulho: o PMDB retirou a candidatura própria, entregou a cabeça do ex-candidato de bandeja para Dilma e, unido, apoiou Patrus.

Já Kassab, além de ter ido dormir apoiando o petista Fernando Haddad e ter acordado aliado ao tucano José Serra em São Paulo, desarticulou o PSD de Minas ao lhe impor o candidato do PT em Belo Horizonte.

Em entrevista à Folha, no domingo, Temer falou como vitorioso. Enalteceu o apoio do PMDB ao PT em BH, desdenhou dos arroubos nacionais do governador Eduardo Campos (PSB) e contou, à sua maneira, que saiu do imbróglio com um troféu: se Dilma resistia ao nome de Henrique Eduardo Alves para a presidência da Câmara, não resiste mais. Em troca do apoio ao PT em BH, o PMDB vai levar Câmara e Senado em 2013. "Desprendimento" custa caro.

Também em entrevista à Folha, ontem, a senadora e líder ruralista Kátia Abreu (PSD) reclamou do "centralismo e autoritarismo" de Kassab, criticou o personalismo dele em São Paulo e em Belo Horizonte e lamentou a saída de Roberto Brant do partido. Ela está brava e ameaça claramente sair do novo partido.

A diferença: o PMDB é um partido com história, enraizado em todo o país e comandado por uma profusão de líderes, e Temer é hoje sua maior estrela, enquanto o PSD e Kassab estão apenas engatinhando.

PS - O líder na Câmara, Arlindo Chinaglia, pode ser o último dos moicanos do PT-SP no mapa político de Dilma e seu governo. Está para cair.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Prova material:: Dora Kramer

De modo geral, as análises sobre o destino da CPI do Cachoeira depois da cassação de Demóstenes Torres convergiram para a conclusão de que um mandato de senador saciaria os apetites punitivos e, com isso, a tendência seria o esvaziamento dos trabalhos da comissão.

É uma maneira de ver as coisas. Um tanto apressada por se basear na opinião anônima de uma maioria interessada em mudar de assunto o quanto antes, desconsiderar o papel do público e, por isso mesmo, talvez equivocada.

A lógica diz justamente o contrário: cassado Demóstenes, comprovado ficou que na interpretação do Senado há realmente infiltração do crime organizado no ambiente político, o que por si já é motivo suficiente não para enfraquecer, mas para fortalecer o objetivo da CPI de investigar as relações do chamado esquema Cachoeira com agentes públicos e privados.

Aliás, se não fosse a repercussão que a comissão de inquérito deu ao caso, o desfecho da votação da semana passada no Senado poderia ter sido outro.

A realidade também informa que será preciso mais que um sofisma – aquele segundo o qual a retirada de Demóstenes de cena levaria a CPI a perder o sentido – para dar o dito pelo não dito.

A dificuldade para se levar a termo a tese do esvaziamento é que a comissão não é senhora dos fatos. Há o inquérito da Polícia Federal cujo conteúdo todos os dias fornece uma revelação que renova a necessidade de o Congresso levar adiante o que começou.

A mais recente envolvendo o governador de Goiás, Marconi Perillo, pode ser verdadeira ou não, mas precisa ser esclarecida. Afinal, a Polícia Federal está dizendo que um chefe de Executivo estadual vendeu um imóvel a um acusado de comandar organização criminosa que pagou a ele com dinheiro de uma empreiteira em troca da liberação de pagamentos referentes a contratos com o governo.

Em português claro, acusa-se Perillo de ter recebido propina da Construtora Delta. Empresa que depositava dinheiro em empresas fantasmas para, segundo as suspeitas, irrigar dutos de corrupção e caixa dois de campanhas eleitorais.

Não bastasse, um prefeito (de Palmas) foi filmado combinando troca de favores com Carlos Cachoeira, outro governador (do Distrito Federal) mantinha em seu gabinete gente de relações estreitas tanto com o bicheiro quanto com a empreiteira e resta ainda esclarecer até que ponto a amizade do governador do Rio de Janeiro com o dono da Delta respeitou ou não a fronteira entre o público e o privado.

Tudo isso ganhou destaque por causa da CPI. Arquitetada com objetivos baixos, acabou tomando o rumo do inesperado, prestando-se a propósitos mais altos.

No ponto em que se chegou fica impossível promover um recuo à estaca zero. Simplesmente porque essa decisão não está nas mãos de nenhum partido, não depende da vontade dos senadores e deputados, não é um brinquedo a ser posto de lado por decreto parlamentar.

Querendo ou não, a única opção de suas excelências é prosseguir. Até porque já está patente que as informações originadas na Polícia Federal não deixarão que seja diferente.

Empurra. O publicitário Duda Mendonça acusa o colega Marcos Valério, que chama atenção para a responsabilidade dos "protagonistas políticos", entre os quais José Dirceu, que, por sua vez, joga culpa no ex-tesoureiro petista Delúbio Soares.

Eis o que resumidamente se conhece até agora das alegações das defesas desses três réus do processo do mensalão, indicando que juridicamente faz-se insustentável a versão disseminada no campo político de negar os fatos para transformar um escândalo de corrupção em conspiração golpista contra Lula e o PT.

Do exposto até agora pelos advogados, portanto, há admissão de que crimes houve, restando apenas estabelecer quem os cometeu. A partir desse pressuposto é que a desunião entre os acusados pode fazer prevalecer a força dos relatos contidos nos autos.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Pibinho de Dilma já parece com o de FHC:: Raymundo Costa

A presidente Dilma Rousseff, ao contrário de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, pode acabar seu primeiro mandato, em dezembro de 2013, com índices tucanos de crescimento econômico. A última previsão do mercado é de 1,9% de crescimento do PIB, em 2012. Na média, a previsão para os dois primeiros anos de Dilma está próxima à média dos oito anos de Fernando Henrique Cardoso, o primeiro e único presidente do PSDB a ocupar o Palácio do Planalto.

A confirmação das dificuldades por que passa a economia brasileira veio semana passada, com a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado espécie de prévia do PIB, que registrou queda de 0,02% na comparação com abril. O mercado já trabalha com um crescimento de 1,9% para 2012, o que deixará Dilma com algo na faixa definitivamente tucana de 2,3%, na média de seus dois primeiros anos de mandato.

Esses números parecem deixar constrangida a presidente da República, tanto que Dilma tratou de minimizar as expectativas sobre o crescimento do PIB. "Uma grande nação deve ser medida por aquilo que faz para suas crianças e adolescentes, não é o Produto Interno Bruto", disse a presidente durante uma conferência sobre os direitos da criança e dos adolescentes.

Isso foi na quinta-feira. No dia seguinte, ao discursar na cerimônia de batismo de uma plataforma da Petrobras, na Bahia, a presidente talvez tenha colocado o problema em uma perspectiva mais realista, muito além do cerco imposto ao debate pela disputa PT-PSDB. "Meu governo está atento para garantir que nosso país, diante dessa situação internacional, tenha um desempenho o melhor possível, e saia dessa crise aproveitando oportunidades que sempre uma crise traz".

A tabela abaixo, compilada pelo Valor Data, deixa claro que independentemente do erros de cada governo, as crises internacionais não distinguem o PT do PSDB. Dilma é hoje tão vítima da crise financeira desencadeada em setembro de 2008, com a quebra do Lehman Brothers, e da crise na zona do euro, como foi FHC em quatro grandes crises externas, na segunda metade dos anos 1990: México, Asiática, Russa e Argentina.

Crises econômicas mundiais são iguais para PT e PSDB

A crise mexicana começou em 1994 e pegou FHC no seu primeiro ano de mandato, 1995. O chamado "Efeito Tequila" desencadeou uma onda de desconfiança nos mercados, sobretudo nos países em desenvolvimento. FHC ainda conseguiu navegar nas ondas do Plano Real, baixado no ano anterior, o país cresceu 4,2% em 1995, mas já em 1996 caiu para 2,2%, tomou algum fôlego em 1997 (3,4%) e despencou para zero no ano da reeleição do presidente.

No primeiro ano (1999) do segundo mandato do tucano o país cresceu 0,3%, e o governo FHC também entrou na lista de responsáveis pelas grandes crises do período com a desvalorização do real, encapsulado durante os primeiros quatro anos do PSDB no Palácio do Planalto.

A crise monetária do sudeste asiático ocorreu em 1997; no ano seguinte sobreveio a crise da Rússia. Mas nem só a ela deve ser debitado a ausência de crescimento do PIB. Àquela altura já era evidente que FHC mantinha o câmbio sob rédeas curtas à espera da reeleição em outubro.

Os anos 2000 começaram com a crise da Argentina, gestada desde a década anterior, que se estendeu até 2002, quando chegou a registrar uma forte recessão, após a qual entrou em rota acelerada de recuperação. No Brasil, o sindicalista Lula e o PT conseguiram, por fim, conquistar a Presidência da República, após quatro tentativas.

O reducionismo do debate partidário PT-PSDB, em geral distante da crítica honesta, joga nas costas de um certo "efeito Lula" o baixo crescimento do primeiro ano do novo presidente. De fato, à época, Lula ainda despertava temores no mercado e na classe média (basta lembrar de Regina "eu tenho medo" Duarte na televisão). Mas já era um Lula domesticado que estava na Presidência. Sob a batuta de Antonio Palocci ele fez o forte ajuste que já em 2004 levaria o país a crescer 5,7%. Lula navegou uma época favorável da economia externa, seu maior problema, em 2005, foi interno, o escândalo do mensalão - este mesmo que irá a julgamento No Supremo Tribunal Federal, em agosto.

No fim de 2008, Lula tripudiou da crise financeira mundial. A conta da "marolinha" chegou em 2009, com o PIB negativo (- 0,3%). Dilma assumiu a conta da farra de gastos de 2010 (para sua eleição) e da crise mundial. PT e PSDB talvez divirjam efetivamente sobre o remédio para as crises, mas o país é vulnerável a cataclismas econômico-financeiros mundiais, não importa qual deles é o plantonista.

FONTE: VALOR ECONÔMICO

Os aliados do governador :: Michel Zaidan

A mídia especializada na cobertura política das próximas eleições municipais anda perplexa diante da instabilidade do quadro das pré-candidaturas à Prefeitura do Recife, acostumada como está a vislumbrar um certo grau de arrumação nos partidos e candidatos ao pleito. Dessa vez, as coisas se complicaram, porque as instâncias municipais de decisão foram literalmente esvaziadas pela ação de outros eleitores qualificados, que passaram a definir esse quadro, em função de seus interesses e à revelia dos partidos e de seus eleitores. O que se viu nas últimas semanas aqui em Pernambuco, mas não só em Pernambuco, foi uma verdadeira desestabilização do quadro político-eleitoral pela ação de atores e personagens que, embora não estando diretamente ligados ao pleito, passaram a ter um poder de decisão e de interferência sobre a vida dos partidos, como nunca se viu.

Como se explica que um político, sequer filiado a um partido, possa ter uma influência tão grande na definição das pré-candidaturas desse partido, a ponto de desagregar a organização e depois resolva lançar um candidato às eleições municipais pelo seu próprio partido? E as manobras dissuasórias para evitar que a oposição lance seus candidatos? Estamos diante de uma esfera pública dominada por uma espécie de coronelismo, que pensa ter a iniciativa política na sociedade, para isso desestabilizando totalmente o quadro partidário, desagregando os partidos e cooptando a oposição. Esse cenário lembra, curiosamente, a atitude de ex-governador peemedebista, hoje cooptado, diante dos partidos políticos em Pernambuco, quando derrotou o avô do atual governador. A história se repete. O vencedor desagrega os partidos aliados e coopta os de oposição. Fica o eleitor com a impressão que o seu poder de decisão e o da instância interna dos partidos não vale nada. Ele se limita a convalidar uma escolha já feita por outros, em outras instâncias, e inspirada por outros interesses.

Podemos arguir que se deve à fragilidade dos partidos e ao alto grau de mandonismo pessoal que ainda caracterizam as nossas instituições políticas. E que isso tudo poderia ser consertado com uma inadiável e necessária reforma política. Infelizmente, estamos diante de um caso em que a mera reengenharia institucional não resolve. Aqui, o peso das tradições oligárquicas, patrimonialistas ou neocoronelistas, ainda que travestidas de modernas ou gerenciais, é muito grande. A falta de densidade institucional dos partidos, sua precária democracia interna, a inexistência de coerência doutrinária ou programática se casam à perfeição com a personalização dos partidos, a falta de princípios nas alianças e as negociatas de todo tipo entre as agremiações.

Do Judiciário, poderiam vir normas estabilizadoras das regras do jogo eleitoral. Mesmo assim, esse poder tem limites para fixar regras e delineamentos legais. O Legislativo tem reclamado através de ações de inconstitucionalidade junto aos Tribunais Superiores. De toda forma, é preocupante a falta de segurança e nitidez do quadro político-partidário, na proximidade das eleições. Essa falta de visibilidade e critério permite um “vale-tudo” na política, inclusive que petistas e malufistas se deem as mãos, sob a bênção dos socialistas do PSB. Imagine o que não vai ainda acontecer no cenário eleitoral de 2014.

Michel Zaidan é cientista político

FONTE: JORNAL DO COMMERCIO (PE)

As ideias não correspondem mais aos fatos:: Arnaldo Jabor

O tempo atual é a Renascença ou a Idade Média? Os acontecimentos estão inexplicáveis, pois a barbárie das coisas invadiu o mundo dos homens. Temos um acesso à informação infinita, mas nada se fecha em conclusões coerentes, nada acaba, nada se define.

O socialismo não deu certo, o capitalismo global não trouxe paz nem progresso, tudo o que depende da vontade dos homens e de seus sonhos de controle não chega a um final feliz. As coisas têm vida própria, e seus criadores não controlam mais os produtos. O mundo é cada vez mais uma tumultuosa marcha de fatos sem causa, de acontecimentos sem origem. Cada vez temos mais ciência e menos entendimento. As teorias não deram certo, e percebemos hoje que Kafka e escritores do início do século XX, como Mann, Musil, depois Beckett e Camus, sacaram o lance. "Esperando Godot" é mais profundo e profético que cem anos de ilusões politicas.

Hoje, viramos objetos de um "sujeito" imenso, sem nome, sem olho, misterioso, que talvez só entendamos depois do tempo esgotado, quando for tarde demais. Essa é a sensação dominante.

Por que estou com essas angustias filosóficas hoje? Bem... Porque no Brasil também estamos diante do dilema: Renascença ou Idade Media, progresso ou regresso?

A rapidez do mundo atual, para o bem e mal, nos deixa para trás. Vivemos uma modernidade veloz e falamos discursos antigos. As ideias não correspondem mais aos fatos, como cantou Cazuza.

Hoje as palavras que eram muros de arrimo foram esvaziadas de sentido. Uma palavra que era pau para toda obra: "futuro". Que quer dizer? Antes, "futuro" era um lugar aonde chegaríamos um dia, que nos redimiria de nossos sofrimentos no presente. Agora o termo "futuro" tem uma conotação incessante, como se já estivéssemos nele. Estamos com saudades do presente, que nos escapa como um passado. O presente se esvai e o futuro não para de "não" chegar.

Outra palavra: "felicidade". Ser feliz hoje é excluir o mundo em torno. Ser feliz é uma vivência pelo avesso, pelo "não". Ser feliz é não ver, não pensar, é não se deixar impressionar pelas desgraças do país ou dos outros.

Outra: "miséria". A miséria sempre nos foi útil. Diante dela tínhamos a vantagem, a riqueza da "compaixão". Era doce sentir pena dos infelizes. Hoje, diante das soluções impossíveis, temos uma espécie de raiva, de irritação nobre, bem ancien regime contra os desgraçados. Ficamos humilhados diante da impotência de soluções. O pobre virou um "estragaprazeres". E os nomes?

Que nome daremos ao desejo de extermínio que brota nos cérebros reacionários? Exterminar bandidos — e excluídos também?

E que nome daremos à paralisia da política brasileira, ao imobilismo das reformas, ao absurdo desinteresse pelos dramas do país?

Que nome daremos ao ânimo do atraso, à alma de nossa estupidez? Que medula, que linfa ancestral energiza os donos do poder do atraso, que visgo brasileiro é esse que gruda no chão os empatadores do progresso e da modernização? Vivemos sob uma pasta feita de egoísmo, preguiça, escravismo colonial. Que nome dar a essa gosma que somos?

Que nome dar às taras de nossos intelectuais incompetentes? São dois tipos básicos que surgem: o gênio inútil e o neocretino. O gênio inútil sabe tudo e não faz nada. O neoidiota tem certezas sem saber nada.

E que nome daremos a esse bucho informe que a miséria está criando nas periferias?

Como chamar esta nova língua, este novo "bem" dentro do "mal"? Não é mais "proletariado" ou "excluídos" apenas. Surge uma razão dentro da loucura. Parece um país paralelo esfarrapado, com cultura própria, com uma ética produzida pela fome e pela ignorância.

E na política? Quem somos, o que somos? Neoliberais, velhos radicais, neoconservadores, progressistas-reacionários, direita de esquerda ou, hoje no poder, "esquerdismo de direita"?

E a palavra-chave de hoje: "democracia". Que é isso? Que quer dizer? No Brasil, democracia é lida como tolerância, esculacho, zona geral. Democracia, que é o único sistema "revolucionário" a que devemos aspirar, é a melhor maneira de espatifar o entulho arcaico, corrupto, patrimonialista que o Estado abriga. A única revolução que se faria no Brasil seria o enxugamento de um Estado que come a nação, com gastos crescentes, inchado de privilégios e clientelismo, um Estado que só tem para investir 1,5% do PIB. A única revolução seria administrativa, apontada na educação em massa, nas reformas institucionais, já que, graças a Deus, a macroeconomia foi herdada do FHC, e o Lula teve a esperteza de mantê-la, graças ao Palocci, que salvou o país.

Só um choque de livre empreendimento pode mudar o Brasil. Mas esta evidência é vista com pavor. Como aceitar o óbvio, que o Estado, nas ultimas décadas, congestionado, moribundo, só tem impedido o crescimento? Isso vai contra os velhos dogmas dos intelectuais... A maioria dos críticos sociais e culturais prefere morrer a rever posições. O recente caso do Paraguai é vergonhoso. Protestam pelo "golpe" como se o Lugo fosse um grande líder, quando todo mundo sabe que era uma espécie de Berlusconi tropical; ignoram o fato de que a Constituição deles previa um impeachment como esse e abrem caminho para que o fascista Chávez comece a provocar o Mercosul junto com a espantosa Cristina Botox, que está destruindo a Argentina. Como perguntou alguém outro dia: "Quando nossos intelectuais de esquerda vão denunciar pelo menos a Coreia do Norte?"

A verdade é que para eles a democracia parece lenta e ineficaz. Como disse o Bobbio: o ódio à democracia une a esquerda e direita. Querem um autoritarismo rápido, que mude "tudo isso que está aí". Esse episódio do Paraguai, a que a presidente Dilma visivelmente teve de aderir de má vontade, por imposição dos cucarachas fascistas, aponta para uma restauração da velha febre anti-imperialista que justifica e absolve a incompetência da América Latina. E tudo isso apoiado por picaretas neomarxistas como o showman Slavoj Zizek e alguns babacas daqui.

A América Latina está com fome de autoritarismo, que é bem mais legível para os paranoicos.

FONTE: O GLOBO

Cenário deteriorado:: Celso Ming

O Fundo Monetário Internacional (FMI), principal patrulha da economia mundial, publicou novo relatório nesta segunda-feira. Nele rebaixa suas projeções de crescimento do PIB global em relação às divulgadas em abril.

A impressão que deixou foi a de que, embora mais pessimista, o FMI foi otimista demais. Prevê avanço da economia mundial de 3,5% em 2012 e de 3,9% em 2013 – enquanto a percepção geral é de desempenho pior do que esse. (As pequenas divergências entre esses números e os do gráfico se devem a diferenças entre bases de comparação.)

No caso do Brasil, o FMI prevê avanço de 2,5% em 2012, muito alto ante projeções recentes que consideram dados mais atualizados. As cerca de cem instituições auscultadas semanalmente pelo Banco Central na Pesquisa Focus, por exemplo, apontam, em média, 1,9% de crescimento (veja o Confira) – número que pode ser menor nas próximas semanas.

O relatório do FMI parece consciente da relativa precariedade das suas projeções ao trabalhar com pressupostos de difícil realização. Um deles é o de que a área do euro consiga colocar em marcha políticas destinadas a resolver sua crise. Outro, o de que decisões de afrouxamento dos países emergentes produzam resultados.

Os maiores riscos, alerta o FMI, são, primeiramente, de que a zona do euro não chegue à união bancária – o que pressuporia a instalação de mecanismos de supervisão até o final deste ano no âmbito do Banco Central Europeu (BCE) e a consequente capitalização dos bancos. E, em segundo lugar, que divergências políticas nos Estados Unidos impeçam acordo sobre expansão da dívida. Se a dívida americana não puder superar o teto de US$ 14,3 trilhões, o país terá um cobertor orçamentário mais curto e a economia afundará na recessão.

O FMI sugere que o BCE quebre de uma vez por todas suas resistências e volte a imprimir moeda para irrigar sua economia e, assim, ajude a baixar os juros cobrados no financiamento e no refinanciamento das dívidas soberanas da área.

O ortodoxo FMI pede que o BCE não tenha medo de parecer irresponsável e que mergulhe na heterodoxia por meio da recompra de dívidas com emissão de euros. Em outras palavras, a pressão do FMI é de que o BCE enverede pelo caminho trilhado pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que emitiu moeda para recomprar títulos do Tesouro dos Estados Unidos em duas operações de afrouxamento quantitativo. No entanto, a resistência a providências como essa não está localizada no BCE, mas no governo da Alemanha, que não aceita pagar um pedaço da dívida dos outros países do bloco.

Assim, o FMI, que, no passado, foi tão rigoroso e intransigente quando os países mergulhados na crise da dívida eram latino-americanos ou asiáticos, agora se mostra bem mais flexível quando os superendividados são europeus.

Mas essa nova flexibilidade do FMI não se atém às recomendações e às políticas exigidas. Transmite-se também às análises e, sobretudo, às projeções sobre o comportamento da economia mundial.

Como os principais obstáculos à solução desses problemas não foram removidos, seguem as dúvidas de que, mesmo piores, esses resultados sejam alcançados.

Confira

O gráfico mostra a evolução da percepção do mercado sobre o ritmo do crescimento do PIB neste ano.

Consumo e desemprego. Contrariando previsões de pequena alta, as vendas ao varejo nos Estados Unidos em junho caíram 0,5% em relação a maio. Como no caso do ovo e da galinha, é difícil dizer o que vem primeiro – se a queda de consumo ou se o desemprego que, em maio, estava nos 8,2%. Na paradeira, os dois fatores se reforçam mutuamente. O empregador não contrata pessoal porque o consumo está fraco e o consumidor segura seu cartão de crédito porque teme o desemprego.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Crédito com risco:: Míriam Leitão

O BNDES concedeu outro crédito-ponte de R$ 1,8 bilhão para a Norte Energia, empresa que está construindo Belo Monte. Ao todo, já colocou à disposição do empreendimento R$ 6,6 bilhões. O Ministério Público comunicou ao Banco Central que empréstimos têm sido concedidos sem a devida análise de risco. O BNDES concedeu o crédito, apesar de o Ibama ter multado Belo Monte em R$ 7 milhões por problemas ambientais.

A multa imposta pelo Ibama é pelo não cumprimento de compromissos assumidos na concessão da licença prévia. Pelas normas do BNDES, repetidas em nota enviada ontem à coluna, empréstimos só são concedidos para empresas que estão em dia com obrigações ambientais.

O segundo empréstimo foi concedido sem que o Ministério Público do Pará, que vem acompanhando essa questão detalhadamente, soubesse. A primeira informação foi divulgada por uma ONG. O primeiro crédito-ponte foi de R$ 1,1 bilhão; o segundo empréstimo, de R$ 1,8 bi, além do crédito através do Plano de Sustentação do Investimento no valor de R$ 3,7 bilhões.

A obra é controversa, continua no meio de muita polêmica, mas nada disso impediria o banco de conceder o empréstimo, se tivesse respeitado os seguintes requisitos: uma análise de risco de crédito, o cumprimento por parte do tomador de empréstimo da legislação ambiental e uma ampla publicidade ao fato.

Só se soube que o crédito foi concedido, porque a ONG International Rivers procurou o recém-criado Serviço de Informação ao Cidadão do BNDES e pediu o dado. Foi surpresa para o próprio Ministério Público do Pará, que pedirá o contrato do adiantamento. Ontem, perguntei ao banco se o crédito tinha, de fato, sido mesmo concedido e, em nota, ele informou que sim. "Duas operações de curto prazo no valor total de R$ 1,8 bilhão, realizadas na modalidade indireta, por meio de repasse de recursos dos agentes financeiros Caixa Econômica Federal (R$ 1,5 bilhão) e Banco ABC (R$ 300 mil)".

Segundo a nota do BNDES: "Com relação ao segundo empréstimo-ponte, o BNDES estabeleceu uma série de obrigações e condições, entre as quais a de manter em situação regular suas obrigações junto aos órgãos de meio ambiente, inclusive como condição para utilização de recursos". Após a coluna ter perguntado por que o banco concedeu o empréstimo em fevereiro (contratado em março), apesar de a multa do Ibama ter sido dada naquele mês, o BNDES respondeu que, ao ser informado da multa, suspendeu a liberação dos recursos.

"O dinheiro relativo a este segundo empréstimo-ponte só começou a ser desembolsado após comprovada a regularidade ambiental. A Norte Energia apresentou ao banco no final de março ofício do Ibama atestando que, embora tivesse sido aplicada a multa, a licença de instalação do projeto continuava válida e que a empresa permanece autorizada a prosseguir com as obras para implantar a usina". O banco disse isso quando foi consultado pela coluna pela segunda vez.

O Ibama multou a empresa em fevereiro pelos "atrasos constatados na implementação do Projeto Básico Ambiental". As licenças prévias do Ibama foram concedidas com o condicionante de que seria feito o PBA para adotar ações de mitigação do impacto da usina para a vazão do rio e os moradores da região.

Sem saber desse novo empréstimo de R$ 1,8 bilhão, o Ministério Público, no final de maio, havia consultado o BNDES sobre outra dúvida em relação ao primeiro empréstimo-ponte de R$ 1,1 bilhão e ao crédito do Programa de Sustentação de Investimento de R$ 3,7 bilhões. O MP quer saber se existem estimativas de custos de mitigação e compensação de impactos ambientais e sociais que estão previstas na concessão das licenças prévia e de instalação. Queria saber também dos "resultados da análise de risco" e da "análise técnica da viabilidade econômico-financeira" de Belo Monte para conceder o empréstimo principal. A consulta ao presidente do banco, Luciano Coutinho, foi assinada pelos procuradores Cláudio Terre do Amaral e Bruno Alexandre Gütschow.

Foi enviado também ao BC no dia 30 de maio, ao chefe do Departamento de Supervisão de Bancos, Carlos Donizeti Macedo Maia, informações sobre esses empréstimos "com a finalidade de instruir Inquérito Civil Público". O ponto do MP é que o próprio BNDES havia informado em relação ao primeiro empréstimo-ponte o seguinte: "ainda não foi possível elaborar a classificação de risco dessa operação de financiamento". Segundo os procuradores, não há nada que permita a concessão de crédito sem análise de níveis de risco.

O que os documentos mostram é que Belo Monte, mesmo com seu pedido de empréstimo de R$ 23 bilhões não aprovado ainda, já teve dois empréstimos-ponte de R$ 2,9 bilhões, mesmo recebendo multa do Ibama por descumprimento básico da lei. E ainda teve um crédito de R$ 3,7 bilhões do Plano de Sustentação do Investimento. É isso que está sob investigação do Ministério Público.

FONTE: O GLOBO

Dilma busca base aliada menor e mais fiel

O governo Dilma planeja recompor as forças na base aliada da Câmara dos Deputados após as eleições municipais. Isso passa por fortalecimento do PMDB, reequilíbrio de força dos grupos internos do PT, inclusão oficial do PSD e enfraquecimento ou até exclusão de PR, PSC e PTB. O objetivo é trabalhar com uma base menor e mais fiel, já que desde o início do atual governo aumentou o desalinhamento de boa parte das bancadas em relação à orientação do Planalto.

Segundo dados do Cebrap, partidos como PR, PSC e PTB passaram a apoiar menos o governo na Câmara. Ao mesmo tempo, partidos da oposição votaram menos contra o governo, embora com taxas de apoio globais baixas.

Dilma planeja uma base menor e mais fiel para depois das eleições

Caio Junqueira

BRASÍLIA - O governo planeja uma recomposição de forças na base aliada da Câmara dos Deputados após as eleições municipais. Ela passa pelo fortalecimento do PMDB, reequilíbrio de força dos grupos internos do PT, inclusão oficial do PSD e enfraquecimento ou até mesmo exclusão do PR, PSC e PTB. O objetivo é trabalhar com uma base menor e mais fiel, já que, desde o início de seu governo, o desalinhamento de boa parte das bancadas em relação à orientação do Palácio do Planalto aumentou.

Segundo dados do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), partidos como PR, PSC e PTB apresentaram neste período grande queda nos seus índices de governismo na Câmara. Isso ocorreu ao mesmo tempo em que partidos da oposição, embora com taxas de apoio globais baixas, tenham diminuído o caráter oposicionista nas votações. (veja quadro nesta página).

Por essa razão, o Palácio do Planalto pretende fazer algumas alterações. O primeiro passo de um novo modelo deve ser sinalizado em agosto, quando, em um ato público, PT e PMDB reafirmarão o acordo realizado no final de 2010 para apoiar a eleição do líder pemedebista na Casa, Henrique Eduardo Alves (RN), à Presidência da Câmara em fevereiro de 2013.

O ato foi um pedido da própria presidente Dilma Rousseff para assegurar o partido do vice-presidente Michel Temer como principal aliado em 2014. Mas tem também um efeito colateral previamente calculado: o de se precaver contra o esperado salto no número de prefeituras petistas nas eleições municipais de outubro.

O aumento é dado como certo por todos os aliados e apontado como maior prova do tratamento diferenciado que os petistas têm pelo Palácio do Planalto, seja pela predominância da legenda nos cargos da administração, seja pelo atendimento preferencial de suas emendas parlamentares. Por isso, a confirmação desse crescimento petista nas urnas é tido como um possível fator de instabilidade na base após as eleições. Já se precavendo disso, o governo quer se antecipar e mostrar que apoia um não-petista para presidir a Casa.

O gesto também é um sinal claro à ala petista comandada pelo líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e pelo presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), de que Henrique Alves não deve ser alvo das articulações petistas desse grupo que, desde o cumprimento do acordo, trama pelo o rompimento desse acordo.

Há ainda a avaliação de que esse grupo se fortaleceu muito durante os dois primeiros anos de legislatura e que é preciso reequilibrar as forças internas da bancada petista. Nesse sentido, a articulação política do governo também defende o cumprimento de outro acordo que vive sob ameaça desse mesmo grupo: o rodízio na liderança da bancada entre Jilmar Tatto (SP), ligado a Marco Maia e Chinaglia, e José Guimarães (CE), que integra o grupo do ex-líder do governo Cândido Vaccarezza (SP).

O próprio calendário político colabora para esse reequilíbrio de forças, na medida em que Marco Maia deixa o posto em fevereiro. Além disso, o relator do Orçamento de 2014 será egresso do grupo de Vaccarezza, que trabalha ainda para que a terceira-secretaria da Mesa fique com o outro aliado seu: o deputado André Vargas (PT-PR), secretário de Comunicação do PT.

O contrapeso viria com a Vice-Presidência da Câmara, que, no desenho atual, seria ocupada pelo deputado Paulo Teixeira (SP) e com a liderança do governo, que pode vir a ser trocada se Chinaglia não se recompor a tempo. Apesar de o governo não ter perdido nenhuma votação relevante no plenário, sob sua gestão acumulam-se derrotas nas comissões, como convocações de ministros muito próximos a Dilma - Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) - e a aprovação do projeto que destina 10% do PIB para a educação. Interlocutores de Dilma prometem que ela cumprirá a promessa de rodízio no cargo. Paulo Teixeira também é cotado para o posto, assim como o deputado Ricardo Berzoini (SP). Apesar de ligado ao grupo petista da bancada hoje majoritário, não concorda com todas algumas de suas posições mais "autônomas" em relação ao governo.

Em outra frente, a presidente cogita colocar o PSD oficialmente na base, concedendo-lhe um ministério. O partido é o que teve maior mudança no comportamento em relação ao governo na Câmara. Passou de 21,7% de alinhamento em 2011 (contando-se a partir de outubro, quando foi criado), para 62,1% neste ano. A entrada do PSD obedece ainda a outra estratégia: desestabilizar o ânimo do partido em se aliar ao PSB e ao PCdoB para lançar uma candidatura alternativa à Presidência da Câmara, com os deputados Júlio Delgado (PSB-MG) ou Márcio França (PSB-SP).

Os movimentos da presidente nas últimas semanas já colaboraram para isso. Ela interferiu na eleição de Belo Horizonte para juntar PT, PSD e PMDB contra o PSB e o PSDB. Reafirmou, assim, o PMDB como principal aliado e forçou o presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, a incorporar a seu projeto político a eleição de Henrique Alves para a Presidência da Câmara.

A bancada do PSB sentiu o golpe e agora afirma que uma candidatura em seu campo só sairia com o aval de Campos e do presidente do PSD e prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que, com um ministério na mão, dificilmente jogaria contra o governo.

Assim, a chance da candidatura alternativa poderia vir de partidos cada vez mais alijados do processo político governista, como o PR, PSC e PTB e até mesmo o PDT. O nível de infidelidade neles é muito alto. Com a entrada do PSD na base, a tendência é que eles fiquem escanteados de vez.

Entretanto, a se manter a insatisfação generalizada na base com o tratamento recebido pelo Palácio do Planalto, pode vir daí a tentativa de galvanizar esse sentimento e ganhar votos de rebeldes de todas as bancadas. Pré-campanha já existe: Inocêncio Oliveira (PR-PE), ex-presidente da Casa e deputado há nove mandatos (Henrique Alves está no décimo-primeiro mandato), promete se lançar oficialmente no final do ano.

FONTE: VALOR ECONÔMICO

Elis Regina - Travessia

Primeiros anos:: Ferreira Gullar

Para uma vida de merda
nasci em 1930
na rua dos prazeres

Nas tábuas velhas do assoalho
por onde me arrastei
conheci baratas, formigas carregando espadas
caranguejeiras
que nada me ensinaram
exceto o terror

Em frente ao muro negro no quintal
as galinhas ciscavam, o girassol
Gritava asfixiado
longe longe do mar
(longe do amor)

E no entanto o mar jazia perto
detrás de mirantes e palmeiras
embrulhado em seu barulho azul

E as tardes sonoras
rolavam
sobre nossos telhados
sobre nossas vidas .
Do meu quarto
ouvia o século XX
farfalhando nas árvores lá fora.

Depois me suspenderam pela gola
me esfregaram na lama
me chutaram os colhões
e me soltaram zonzo
em plena capital do país
sem ter sequer uma arma na mão.

(Buenos Aires, 1975)

segunda-feira, 16 de julho de 2012

OPINIÃO DO DIA – Karl Marx: o concreto e o pensamento

O concreto é concreto porque é a síntese de múltiplas determinações, portanto, unidade da diversidade. Por essa razão, o concreto aparece no pensamento como processo da síntese, como resultado, não como ponto de partida, não obstante seja o ponto de partida efetivo e, em conseqüência também o ponto de partida da intuição e da representação. Na primeira via, a representação plena foi volatilizada em uma determinação abstrata; na segunda, as determinações abstratas levam à reprodução do concreto por meio do pensamento. Por isso, Hegel caiu na ilusão de conceber o real como resultado do pensamento que se sintetiza em si, aprofunda-se em si e movimenta-se a partir de si mesmo, enquanto o método de ascender do abstrato ao concreto é somente o modo do pensamento de apropriar-se do concreto, de reproduzi-lo como um concreto mental. Mas de forma alguma é o processo de gênese do próprio concreto.

Karl Marx (5/5/1918-14/3/1883). Grundrisse(1857-1858), pág.54. Boitempo Editorial, São Paulo, 2011.

Manchetes de alguns dos principais jornais do Brasil

O GLOBO
Eleições 2012 - Milícias ainda controlam redutos eleitorais no Rio
UE caçará sonegadores, que devem € 2 trilhões

FOLHA DE S. PAULO
Pedágio será cobrado em qualquer distância em SP
CPI vai indiciar governador de Goiás, diz relator
Senadora ameaça deixar o PSD e já elogia Dilma

O ESTADO DE S. PAULO
Governo quer reduzir área de floresta conservada
Cartão de crédito lidera calote dos brasileiros
PSB é o partido que mais cresce em número de candidaturas

VALOR ECONÔMICO


BRASIL ECONÔMICO
Governo abrirá novas concessões e lançará 'agenda de crescimento'
"O endividamento dos brasileiros não é ruim"
BB colhe os frutos da redução de juro

CORREIO BRAZILIENSE
R$ 1 trilhão só para pagar aposentados
Servidores começam a acampar na Esplanada

ESTADO DE MINAS
Advogados fora da lei
Copa de 2014 - Empresários temem faltar mão de obra

ZERO HORA (RS)
Reeleição é desafio de pelo menos 232 prefeitos gaúchos
Governo aposta em antiviral para evitar o agravamento dos casos.

JORNAL DO COMMERCIO (PE)
Ex-mulher diz que Collor usou magia negra

O que pensa a mídia - editoriais dos principais jornais do Brasil

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Entrevista - Fernando Henrique Cardoso : Mas onde foi parar o debate?

André Petry

WASHINGTON - Honrado com um prêmio equivalente a um Nobel, o ex-presidente diz que o Brasil continua no rumo mas reclama da apatia social e da falta de discussão política

Com seu proverbial bom humor, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso contou a uma plateia de 200 pessoas em Washington que só não aceitou ficar nos Estados Unidos nos anos 70, quando dava aulas no país, porque o convite não incluía uma cadeira de senador. “No Brasil, concorro e ganho”, brincou. Voltou e ganhou a cadeira. Aos 81 anos, FHC cumpriu uma carreira brilhante, que lhe rendeu, na semana passada, o prêmio Kluge, concedido pela Biblioteca do Congresso americano. Equivalente a um Nobel na área de humanas, o prêmio vem com um cheque de 1 milhão de dólares, que ele pretende partilhar com os netos para ensinar-lhes a fazer ação social. Depois da premiação, em seu hotel na capital americana, ele falou do mundo e do Brasil na entrevista a seguir.

No exterior, até o ano passado o Brasil era uma estrela mundial, o país do futuro ao qual o futuro finalmente chegou. Agora, deu uma virada. Houve exagero antes ou agora?

Houve exagero tanto antes quanto agora. O Brasil melhorou muito, mas não foi tanto assim. Faltou a percepção de que o PIB cresceu mas a sociedade continua com problemas. Não somos uma sociedade organizada, com democracia enraizada, acesso à educação e à saúde de boa qualidade. O mundo começou a olhar para o Brasil como se tudo estivesse resolvido. O exagero não se deu apenas em relação ao Brasil. Fiz uma visita recente à China, e lá eles fazem questão de insistir que são um país em desenvolvimento. Olhe que a China é o segundo PIB do mundo. Mas, efetivamente, é um país em desenvolvimento. Como o Brasil.

A mudança da percepção externa sobre o Brasil não é fruto do ativismo econômico do governo atual?

A mudança começou quando apareceram alguns sinais de que talvez o Brasil fosse se desviar do caminho anterior, com as intervenções tópicas do governo na economia. Depois, a balança comercial deixou de ser tão favorável. O sujeito que tem bilhões de dólares investidos no Brasil começa a ficar com receio. Mas a situação não é tão negativa quanto está sendo pintada. O governo tem obrigação de se ajustar à conjuntura. A economia política é política por um lado, mas não é propriamente ciência por outro. É uma navegação. Se tem uma ilha, desvia-se. Sem tem tormenta, reduz-se a velocidade. Só não pode perder o rumo. Agora, não vamos ignorar que o governo da presidente Dilma é mais voluntarioso no que diz respeito à sua relação com o mercado. É o comando do estado sobre o mercado, mas não é estatista. Tanto que acabou de fazer a concessão dos aeroportos. O que se percebe é que o DNA do governo atual é outro. O presidente Lula procurava disfarçar o seu DNA, se é que o tinha. A presidente Dilma é mais consequente com aquilo em que ela acredita. E ela acredita mais na regulação.

Há risco de o Brasil perder o rumo?

Não acredito. Falaram muito por causa da mudança cambial, mas é bobagem. Eu mesmo mexi no câmbio várias vezes. Já demiti presidente do Banco Central. O perigo está na tendência ao protecionismo. A Argentina tem tendência protecionista abertamente. O Brasil também, mas é topicamente. O protecionismo seria ruim para nós. Temos de aumentar a produtividade para poder baixar os preços e assim beneficiar a todos. Mas, quando se fecha o mercado, reduz-se a competição e, ao fazê-lo, reduz-se também o incentivo para as pessoas aumentarem a produtividade. Com o tempo, fica-se defasado. Nada disso é do interesse do Brasil.

Para manter o rumo, qual deve ser a prioridade do Brasil nos próximos anos?

O vento no mundo não sopra mais a nosso favor. Então, o desafio do governo da presidente Dilma é retomar algumas reformas e fazer o que o governo do presidente Lula não fez durante o bom momento do crescimento econômico, que é cuidar do investimento e da poupança. No vento a favor, Lula cuidou do consumo, não da produção, do investimento. A produtividade da nossa indústria perdeu em comparação com a de outros países. Mas não é a produtividade de dentro da fábrica. É de fora. São as estradas, o custo da energia, os aeroportos, o sistema tributário, a educação. Mais do que a possibilidade, a presidente Dilma tem a necessidade de olhar para a poupança e o investimento. Nosso futuro está aí.

A crise no capitalismo ocidental está ajudando a tornar o capitalismo de estado da China mais atraente?

Há muita insatisfação social nos países ocidentais e, daí, há um fascínio com o que se imagina que seja o outro lado. Mas a China tem um modelo complicado. Ali, deu-se a aliança do capitalismo de estado com as grandes corporações internacionais. O preço é menos liberdade. Não é um caminho para o Brasil. Nós somos mais ocidentalizados, estamos acostumados à liberdade. E PIB não é tudo. Nos anos 70, nosso PIB cresceu muito mas as pessoas não foram beneficiadas. Havia concentração de renda. Monopólios, públicos ou privados, concentram renda. Só ter grandes empresas concentra renda. É o perigo do Brasil de hoje.

Mas o Brasil não vive um processo de desconcentração de renda?

A transferência de renda saudável é para baixo, mas também temos a transferência para cima. O BNDES pega dinheiro do Tesouro e empresta a empresas com juros subsidiados. Quem paga o subsídio? Nós, os contribuintes. Dá cerca de 20 bilhões de dólares. A Bolsa Empresa está forte no Brasil. É provável que na década de 70, com grandes estatizações e grandes empresas, a renda tenha se concentrado. Agora, não será igual porque temos os dois movimentos: concentração para cima e desconcentração para baixo. O Brasil hoje é o país da Bolsa Família e da Bolsa Empresa, o que resultou na felicidade geral. Daí o apoio ao governo.

Isso é ruim?

Primeiro, a felicidade é quase geral. A classe média ficou de fora. Mas, com a prosperidade das bolsas, as pessoas perderam a motivação para debater. Não há mais debate. O debate político-partidário perdeu sua centralidade. Não é um fenômeno só brasileiro. A Europa vive isso, os EUA também, mas com menor intensidade. No nosso caso, isso decorre da desconexão entre o mundo institucional da política e a sociedade. Passou a haver uma relação direta do Executivo com o povo, pulando o Congresso. É uma tendência brasileira antiga, mas se acentuou. Toda hora dizem que não temos oposição no Brasil. Está errado. A oposição está dentro do Congresso, só que o Congresso não tem repercussão na rua. Os partidos saíram da sociedade e se aninharam no Congresso ou no governo. O partido com mais vínculo com o movimento social era o PT. Com o PT no governo, o movimento social virou cadeia de transmissão da vontade oficial. Perdeu vitalidade. O debate se deslocou para a mídia. É por isso que o governo acusa a mídia de ser oposição. Porque é a única instituição que fala e o povo ouve.

Como os partidos podem voltar a se reconectar com a sociedade?

Eles precisam tomar posição diante dos fatos correntes. Como têm medo de assumir posições, os partidos não falam nada. Legalização das drogas? Silêncio. Aborto? Silêncio. Relação do estado com a religião? Silêncio. Qual a melhor maneira de resolver a questão do transporte? Silêncio. São questões do cotidiano. Questões que levariam a população a se identificar com os partidos. A própria sociedade civil, antes vibrante e ativa, se encolheu. Sempre digo: se você não politiza, não acontece nada. Veja o mensalão. Se Roberto Jefferson não tivesse dramatizado e politizado, talvez o caso não tivesse a consequência que teve. Política requer que se tome partido, que se tome posição. Tem de dizer se está certo ou se está errado. A política é valorativa.

Se o debate político perdeu vigor no Brasil, mas também na Europa e nos EUA, pode-se falar em crise da democracia?

Fala-se nisso, mas não concordo. Ninguém quer não democracia. Mas é preciso ter um mecanismo pelo qual a população possa participar do processo decisório. Do debate, do antes. Só consegui fazer reformas porque houve muito debate e discussão. Agora, não. Quem debateu as quatro usinas da Petrobras? Quem debateu o trem-bala?

Se os réus do mensalão forem absolvidos pelo Supremo Tribunal, qual será o tamanho do desastre?

Não sou juiz e não sei qual deve ser a sentença. O que sei é que, se houver algo a ser corrigido, e for, será um marco histórico. Até hoje, o povo sente que gente importante pode fazer o que quiser e não paga o preço. Uma absolvição, se for percebida como algo por baixo do pano, vai referendar isso. É um julgamento histórico porque uma sociedade se forma de símbolos. Quando Lula foi eleito, preparei a transição mais civilizada possível. Entre outras razões, porque Lula era o primeiro líder popular sindical eleito presidente. Simbolicamente, é importante.

Faltou diplomacia brasileira na crise que resultou no afastamento do presidente do Paraguai?

Faltou diplomacia, mas não só brasileira. De todo mundo. Se eu pudesse ter interferido, aconselharia evitar o afastamento faltando dez meses para o fim do governo. A ação do Paraguai foi muito rápida, o que é politicamente inconveniente, mas não foi ilegal. Agora, grave também foi a entrada da Venezuela no Mercosul na ausência do Paraguai. Sou a favor da Venezuela no Mercosul. Mas ela tinha de ter cumprido o requisito básico de adotar a tarifa externa comum.

O Brasil está perdendo o foco na América do Sul ou perdendo influência?

Está perdendo influência. Antes, tínhamos uma influência não discutida, automática e não anunciada. No meu governo, houve várias crises no Paraguai. Lidamos com elas de maneira efetiva e discreta. O Peru e o Equador estavam em guerra. Ajudei muito na paz entre esses países, mas nunca anunciei isso. Agora, com Hugo Chávez na Venezuela, criou-se outro polo de influência. Tenho a impressão de que o Brasil prefere não se contrapor. É como se fôssemos da mesma família. Sei que ele é meu primo, meu primo é meio canhoto, eu preferia que ele não fosse, mas é meu primo. O Brasil fica um pouco tolhido de tomar posições para não ser percebido como alguém que saiu da família.

Há analistas dizendo que a relação entre estado e mercado será definida pelo que os Brics fizerem. O senhor concorda?

Ninguém vai transformar a Europa numa China, ou vice-versa. É preciso entender que há diversidade na cultura, na forma de organização política. A Rússia é uma plutocracia autocrática. Isso não se aplica ao Brasil, à Índia nem à China. A China é um mandarinato ilustrado com responsabilidade popular. Na minha visita ao país, fiquei bem impressionado com o debate na universidade. Eles estão voltando a falar em termos confucianos da virtude. O funcionário público, o mandarim, deve ser competente, fazer concurso e ter a virtude de servir o público. Na Rússia, não tem isso. No Brasil, o estado sempre foi muito importante, continua sendo e sempre será. Há diferenças. Nos EUA, fala-se em universalizar a saúde e eles entram em pânico. No Brasil, quem vai dizer que saúde gratuita é medida socialista? Não teremos um modelo só no mundo. Haverá vários. Os países árabes, islâmicos, não vão adotar comportamentos idênticos aos do Ocidente. Isso é ilusão do ocidentalismo e seu poder militar, que vinha para impor a cultura. Isso não dá mais. O desafio é como conviver com as diferenças.

O que seguirá unindo o mundo?

A noção de direitos humanos está voltando a ter peso. Sem perceber, estamos recriando a ideia de humanidade. Quando Hegel falava de humanidade. Marx dizia que, enquanto houvesse classe social, seria a classe. Só quando todos fossem iguais, poderíamos falar em humanidade. Agora, por causa da bomba atômica, do meio ambiente, é preciso pensar em humanidade. Gorbachev diz isso. Temos de pensar no conjunto, no que é universal e afeta a todos. Voltamos a ter de nos preocupar com os direitos que pertencem à humanidade. Temas como igualdade de homem e mulher, como tortura. O mundo terá de se organizar a partir de um núcleo de valores que afetem a humanidade, mas há que ter limite. Não podemos usar isso para impedir manifestações de diversidades culturais que são normais. Inclusive na política. O próprio mercado, hoje praticamente universal, sofre restrições diferentes aqui e ali. Vai continuar sofrendo. Esse é o desafio para o século XXI.

FONTE: REVISTA VEJA

Razão e ressentimento:: Wilson Figueiredo

No último Congresso da Central Única dos Trabalhadores, cujas cinzas ainda estão quentes da retórica do presidente de saída, o centro de gravidade política se deslocou da razão para o ressentimento. E, como não podia deixar de acontecer, a quem ouve bem do ouvido esquerdo não escaparia a oportunidade de fazer a citação de Karl Marx mais repetida: a História não gosta de vestir um episódio com os sinais exteriores de outro já passado. Errar ou acertar, uma vez é suficiente.

Ao abrir o Congresso da CUT, o presidente Artur Henrique começou pelo irrealismo de falar como se a entidade sindical fosse realmente a única central sindical brasileira. Há um punhado de centrais sindicais suficientes para dar musculatura política e distanciar dos interesses de classe dos operários o vício conhecido por peleguismo histórico, mal de nascença desde o Estado Novo, que deu o que tinha a oferecer com a intenção de controlar a energia de nova classe, assim que o Brasil começou a se industrializar.

Sem a ressalva de que central única quem tem é a vovozinha, o presidente Artur Henrique, já de saída poucos dias depois, aproveitou para limpas as gavetas da alma e despejou o mantra cuja autoria não é dele, mas é como se fosse, com a bravata de que “não vamos permitir o retrocesso, a volta dos tucanos, do PSDB, ao governo e aos governos (estaduais, claro)”. A proposta é politicamente indecorosa e, na visão do sindicalismo com responsabilidade democrática, seja de idéias quanto de ações, não pode ficar sem reparo para não trazer de volta a velha, mas lépida frase de Marx, segundo a qual a História também não gosta de errar duas vezes. A segunda é sempre acachapante, e de custo político mais elevado. Uma farsa.

O que se viu, antes de 1964, como contribuição involuntária, mas principalmente depois de 1988, não é para ser esquecido nem vingado, mas suficiente para evitar coincidências de palavras de ordem que se confundem com desordem. E servem de pretexto para reações iguais ou maiores e contrárias. A exibição de musculatura sindical fora do seu raio de ação suscita iguais e contrárias demonstrações de força política que se resolvem de forma mais adequada com saldo de votos. E não deixam de ser a munição apropriada à legítima defesa.

O que se destaca ao observador atento é menos o conteúdo restrito ao sindicalismo petista e mais a desatenção para com ouvidos capazes de ouvir e entender mais do que vem sendo dito. É aí que está a questão, e não o receio de que o sindicalismo de falta de resultados esteja apenas faltando com a verdade, mas a corrosiva suspeita de que possa estar mais interessado em confrontos de forças, e não apenas de votos. A idéia de barrar um partido que exerceu e exerce o poder (ao qual tem chegado pelo voto dos cidadãos), e sem dizer de que maneira, mas quando nada a despeito das liberdades democráticas, é uma janela aberta para o perigo de que muitos já parecem estar distantes.

A idéia da social-democracia representa espaço a ser ocupado pela classe média, porque aqueles que estão a caminho são testemunhas e, a cada dia, estão aprendendo com as liberdades num país que se dá bem com elas, mas ainda sujeito a raios e trovões. É também a primeira vez que um partido político (o PSDB) se propôs a ocupar o espaço entre a tradição liberal socialmente inflexível e a esquerda descabelada, que não convence como socialismo e muito menos democrático, para atender à demanda política da classe média, cada vez mais próxima de representar a maior fatia da opinião pública. É a mais sensível à indignação com as formas de corrupção praticadas como se o enriquecimento pessoal com dinheiro público fosse legítimo.

O novo presidente da CUT mostrou as cartas: perfilha as idéias e posições políticas de que Artur Henrique foi portador e porta-voz. E reforçou a linha peleguista com a promessa de que a CUT vai tomar, publicamente, posição política na eleição municipal e agir, à margem da lei, como partido político em tempo de eleição. Quem não aprende com a História está realmente condenado a repeti-la.

Wilson Figueiredo é jornalista

FONTE: JORNAL DO BRASIL