O Estado de S. Paulo
Ele precisa ampliar seu apoio político ao
centro, e tratar os problemas com uma visão mais analítica que a de seu
discurso eleitoral.
Há tempos Lula sentiu a necessidade de
ampliar sua sustentação política além da advinda de grupos que tradicionalmente
o apoiam, como sindicalistas e petistas históricos, mais à esquerda, com seus
líderes ávidos pelo poder e suas benesses.
Esse apoio tradicional também explica, em
parte, por que enquanto candidato Lula não apresentou uma visão detalhada de
seu plano de governo, em razão de seu receio de desagradar esses grupos. Mas,
de agora em diante, a realidade vai se impor. Politicamente, Lula já buscou
ajuda mais ao centro, como ao escolher Geraldo Alckmin como vice-presidente. E
teve apoios importantes como o de Simone Tebet e também o de muitos brasileiros
que se arrependeram do seu voto em Jair Bolsonaro em 2018, vendo agora no petista
um risco menor do que o associado ao atual presidente.
Lula terá de mostrar serviço, diante da dura realidade econômica e social. Para tanto, será fundamental que prossiga este movimento mais ao centro, pois ele é indispensável para contar também com quadros políticos e administrativos mais experientes em lidar com os muitos problemas a enfrentar. E será preciso que isso seja feito prestigiando o entendimento desses problemas em suas múltiplas dimensões, o que, numa linguagem mais acadêmica, significa buscar apoio em análises científicas, e não em visões baseadas em crenças preconcebidas.



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