segunda-feira, 14 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Sessão do STF exigirá decoro dos ministros

Por O Globo

Integrantes da Corte terão a última oportunidade de restituir ao tribunal a credibilidade que lhe é essencial

Todo brasileiro tem a consciência de que a sessão de amanhã do Supremo Tribunal Federal (STF) não será fácil. Certamente será a mais difícil já vivida por seus ministros. Haverá debates acalorados, diferentes pontos de vista, enfrentamento de controvérsias jurídicas. Por isso, alguns de seus integrantes temem que a imagem da Corte saia ainda mais arranhada. E farão até a última hora manobras ou por sessão fechada ou por adiamento.

Trata-se, porém, de um sofisma: se houver excessos, não é a imagem da Corte que sofrerá danos, mas daqueles que perderem a compostura diante da população. São adultos, conhecem as boas maneiras, estudaram em universidades de ponta. Sabem, portanto, o que é discussão legítima e o que é vulgaridade e insulto. Conhecem o que é motivo real para suspeição e o que é apenas fumaça sem sentido para tumultuar a sessão. Aqueles que passarem do limite do aceitável devem, eles mesmos, responder por falta de decoro nas instâncias devidas.

O retrocesso democrático que vem do poder judicial, por Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

Crise do STF não é obra de uma maçã podre, mas de facções judiciais que transformaram prerrogativas processuais em instrumentos de proteção recíproca

De alvo do retrocesso democrático, o Judiciário converteu-se em agente da erosão institucional

Há algum tempo inverti o título da obra clássica de Alexander Bickel, "The Least Dangerous Branch", para advertir que o Supremo havia se tornado o poder mais perigoso da República. Em outras colunas, recorri à imagem das "facções judiciais" mob lawyers. O escândalo atual mostra que não eram apenas figuras de linguagem.

O problema do STF não se resume a uma maçã podre. Quando duas ou três maçãs estão comprometidas, elas formam maiorias em turmas e podem integrar maiorias no plenário. Como o tribunal é um órgão coletivo, desvios individuais passam a contaminar suas decisões institucionais.

Voto antirracista tem poder de definir a eleição e transformar o Brasil, por Ana Cristina Rosa

Folha de S. Paulo

Por que as desigualdades étnico-raciais não estão no centro do debate político?

Só os políticos que reconhecem o impacto do racismo nas vidas de milhões de cidadãos brasileiros deveriam merecer voto

A três semanas das eleições gerais —pleito para escolher presidente e vice-presidente da República, governador e vice-governador dos estados e do Distrito Federal, senadores e deputados federais, estaduais e distritais (TSE)— decidi compartilhar algumas indagações que me acompanham sobre o voto no Brasil.

Considerando que o papel dos políticos é representar os interesses dos cidadãos para garantir que as decisões levem em conta direitos e necessidades do povo:

Por que as desigualdades étnico-raciais (que constituem um dos principais entraves nacionais ao desenvolvimento e ao estabelecimento de uma sociedade mais justa, próspera e democrática) não estão no centro do debate político?

Babando na gravata, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Além dos cochilos em reuniões e das pernas inchadas, Trump pode estar ficando gagá

O problema é se o trumpismo depende dele para existir, assim como o bolsonarismo

Fotos de Donald Trump o mostram com hematomas nas mãos, pernas inchadas e dificuldade de ficar acordado em cerimônias. Alguns veem nisso sinais de decrepitude. A Casa Branca desmente. Segundo ela, as manchas são provocadas pelos apertos de mão que Trump tem de cumprir —mas, como elas aparecem também em sua mão esquerda, será porque, às vezes, ele cumprimenta canhotos? As pernas inchadas se deveriam às horas que passa sentado com outros líderes —mas estes cumprem a mesma rotina em seus países e não aparentam o problema. Quanto a cochilar nas cerimônias, por que não se Trump mal escuta o que dizem nelas?

A posição diagonal: em busca de freios e rumo ao descer ladeira*, por Paulo Fábio Dantas Neto**

Começo pela franqueza necessária para dizer que não encontro nada não redundante a dizer sobre o tema especifico da campanha eleitoral, muito menos sobre prognósticos a respeito dos seus resultados possíveis ou do que podem ser seus desdobramentos políticos. Tudo o que meu discernimento alcança como diagnóstico já vem sendo dito. Isso vale para o que chamamos análise, sejam elas platitudes que lemos e ouvimos por aí, sejam opiniões qualificadas e equilibradas. E quanto a prognósticos, confesso que os que poderia fazer estariam irremediavelmente contaminados por desejos e/ou pelo efeito de sua quase certa frustração. Evito-os, na medida do possível. Logo, tento, mas não os evito totalmente.

Estou consciente dos efeitos embaraçosos que o atual processo eleitoral tem provocado em mentes como a minha, treinadas para através do pensamento procurarem soluções políticas, por mais opaco que o cenário possa parecer ao escrutínio de suas nuances. Suponho, contudo, que essa reação mental encapsulada não é algo meu ou de mentes afins. Reflete até sentimentos públicos compartilhados por um número de pessoas que não sei mensurar, incluindo outros profissionais da ciência política.

Opinião do dia: Manuel Castells*

“Em tempos de incertezas costuma-se citar Gramsci quando não se sabe o que dizer. Em particular, sua célebre assertiva de que a velha ordem já não existe e a nova ainda está para nascer. O que pressupõe a necessidade de uma nova ordem depois da crise.

Mas não se contempla a hipótese do caos. Aposta-se no surgimento dessa nova ordem de uma nova política que substitua a obsoleta democracia liberal que, manifestamente, está caindo aos pedaços em todo o mundo, porque deixa de existir no único lugar em que pode perdurar: a mente dos cidadãos.

A crise dessa velha ordem política está adotando múltiplas formas. A subversão das instituições democráticas por caudilhos narcisistas que se apossam das molas do poder a partir da repugnância das pessoas com a podridão institucional e a injustiça social; a manipulação midiática das esperanças frustradas por encantadores de serpentes; a renovação aparente e transitória da representação política através da cooptação dos projetos de mudança; a consolidação de máfias no poder e de teocracias fundamentalistas, aproveitando as estratégias geopolíticas dos poderes mundiais; a pura e simples volta à brutalidade irrestrita do Estado em boa parte do mundo, da Rússia à China, da África neocolonial aos neofascismos do Leste Europeu e às marés ditatoriais na América Latina.”

*Manuel Castells, sociólogo espanhol. “Ruptura”, Editora Zahar, Rio de Janeiro, 2018.

Texto Publicado na Folha de S. Paulo / Ilustríssima, 10/6/2018

Poesia | O açúcar, de Ferreira Gullar

 

Música | João Cavalcanti - Ponto de Vista

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