terça-feira, 22 de junho de 2010

Serra vê terrorismo com privatizações e diz que Dilma deve desculpas por dossiê

SABATINA NA FOLHA DE S. PAULO

"Lula chamava o Bolsa Família de Bolsa Esmola", diz Serra em sabatina

Serra se diz a favor da união civil e da adoção de crianças por gays

Serra diz que governo da Bolívia faz corpo mole e chama de absurda cassação de aliados

Também tenho uma enorme curiosidade de saber quem será meu vice, diz Serra

"Escolha do vice não tem sido estressante", diz Serra

Para Serra, governo errou ao tratar dos royalties em ano eleitoral

SÃO PAULO -
O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, afirmou nesta segunda-feira que as privatizações de empresas estatais são usadas como "terrorismo eleitoral" e que sua adversária na disputa, Dilma Rousseff (PT), deve desculpas pelo suposto dossiê contra tucanos.

"Isso [as privatizações] é usado mais como terrorismo eleitoral, do que como realidade", disse ele em sabatina da Folha, em referência a uma suposta intenção sua de privatizar empresas estatais.

Sobre o Banco do Brasil, afirmou que é "terrorismo em estado puro".

Serra também falou sobre o suposto dossiê contra tucanos. Segundo reportagem da Folha, os dados fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, levantados pelo "grupo de inteligência" da pré-campanha de Dilma, saíram diretamente dos sistemas da Receita Federal, como atestam documentos aos quais a reportagem teve acesso.

"Por que a Receita vai quebrar o sigilo de alguém e fazer vazar isso à toa? Não é à toa", disse Serra. "Diante das evidências, caberia uma atitude mais dramática, de afastar as pessoas, pedir desculpas publicamente", afirmou ele sobre a reação que Dilma deveria ter em relação ao caso.

O jornalista responsável pelo pedido de levantamento de informações saiu da campanha petista, mas Dilma nunca foi a público dizer que houve falha de sua campanha. O presidente Lula chegou a dizer que o caso seria uma "armação".

Outro lado

O ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) disse que é Serra quem deve desculpas à Dilma por acusar membros da pré-campanha petista.

"Quem tem de pedir desculpas é quem está buscando relacionar esta história de dossiê com a pré-campanha da ministra Dilma", disse Padilha, após reunião com o presidente Lula, em Brasília.

Casais homossexuais

Ele disse ser a favor da união civil e da adoção de crianças por casais homossexuais. "Tem tanto problema grave de crianças abandonadas no Brasil. Isso vale para qualquer tipo de casal, qualquer tipo de pessoa. Não vejo por que não aprovar isso", disse ele durante sabatina da Folha.

O tucano disse ser a favor, "em geral", de ações afirmativas. Ele defendeu o modelo adotado pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). "Na Unicamp você tem pontos se você veio de escola pública, se tem cor negra. É diferente e tem funcionado bem."

Dilma também defende o direito de os casais gays adotarem crianças. Marina Silva (PV), que é evangélica, sempre escapa dessa pergunta. Há meses, diz que ainda não formou opinião.

Serra afirmou que não é a favor da descriminalização das drogas e disse que não mexeria na atual legislação sobre o aborto. "Liberar o aborto criaria uma verdadeira carnificina no país."

Vice

O tucano afirmou, ao ser questionado sobre o vice que irá compor sua chapa, que também tem uma "enorme curiosidade" em saber o nome do político que vai ocupar a vaga.

"Eu também tenho uma enorme curiosidade. Até o fim do mês resolve. Essa não tem sido uma questão estressante para mim, nem para grande parte do PSDB", disse ele durante sabatina da Folha.

Hoje, os mais cotados são Sérgio Guerra, Tasso Jereissati e Álvaro Dias, todos senadores do PSDB. No DEM, José Carlos Aleluia, deputado baiano, tem chances também.

Respondendo a uma pergunta se seria o candidato da continuidade ou da mudança, o tucano afirmou que será o "candidato do avanço".

Um dos entrevistadores da sabatina, Fernando Rodrigues, citou uma frase do presidente do PSDB, Sérgio Guerra, criticando o programa Bolsa Família, e Serra emendou: "É uma pena que você tenha pesquisado e deixado de ver o que o Lula falou. Antes de ser presidente, Lula e o PT chamavam o programa de Bolsa Esmola".

Serra falou sobre sua relação de congressista com o governo Fernando Collor para dizer que não faz oposição do "tudo ou nada, do quanto pior, melhor".

O tucano acusou o PT de fazer "terrorismo" contra sua candidatura. Ele culpou os petistas por boatos de que acabaria com o Bolsa Família ou o ProUni, marcas de sucesso do governo Lula.

"Isso nunca me passou pela cabeça. É como dizer que é contra a energia elétrica, a água encanada", reclamou. "Tem tanta coisa maluca espalhada que eu não quero nem falar. Depois endureceu o tom: "Esse é o método terrorista. Não violento, mas terrorista".

O tucano afirmou que governo não precisa ter uma marca específica. "Eu não acho que tenha que ter uma marca. Acho que tem que trabalhar muito. A minha marca foi trabalhar muito."

O presidenciável citou suas principais realizações no Ministério da Saúde, como genéricos, programa contra a Aids e campanha de vacinação contra a gripe, para dizer que nenhuma delas foi uma marca de sua gestão, e o famoso vídeo em que orienta a população a tomar cuidado com o porquinho para evitar a gripe suína. "Essa é uma das grandes gozações que eu sofri na minha vida pública, a coisa do porquinho."

PV

Após o PSDB nacional oficializar apoio neste fim de semana à candidatura de Fernando Gabeira (PV) ao governo do Rio de Janeiro, o tucano afirmou hoje que Gabeira é "um grande quadro" de sua geração. O palanque do deputado no Rio está dividido entre ele e Marina.

Questionado sobre se acha que herdará os votos de Marina num eventual segundo turno com Dilma, Serra afirmou que adoraria. "Eu adoraria ser o herdeiro, mas a decisão não é minha, é dos eleitores."

O tucano disse não concordar com a hipótese levantada de que Marina está lhe poupando na campanha."Eu até toparia uma tabelinha, mas eu não acho que a Marina esteja fazendo algum viés, não. Agora, eu tenho uma proximidade grande com a área ambiental. Me considero um ambientalista. Mas não há nenhum tipo de entendimento político", afirmou Serra.

PP

O candidato disse que não perdeu a esperança de atrair o PP para sua coligação. O partido flertou com Serra, mas agora indica que ficará neutro na disputa. "Ainda não acabaram as coisas, temos até o fim do mês. O PP tem alianças no Rio Grande do Sul, com o PSDB. O Brasil é heterogêneo, os partidos também são. Estamos trabalhando", disse Serra.

Perguntado sobre as chances matemáticas de fechar com o PP, o tucano arriscou uma metáfora futebolística, no estilo do presidente Lula: "Não sei qual é a chance, mas, se soubesse, não diria. Se numa partida de futebol o técnico diz: 'Acho que a chance do Kaká entrar pela esquerda e cruzar para o Elano é de 80%'. Isso não ocorre. Porque vão marcar o Kaká e o Elano."

Ele ainda evitou comentar sua participação como protagonista do programa do PSDB, na última quinta-feira. "A Justiça vai julgar."

Em seguida, atacou o PT e candidata Dilma. Segundo ele, está havendo "uso da máquina". "Por exemplo, falar de crack e no dia seguinte vir um programa contra o crack", disse, referindo-se ao episódio em que sua adversária levantou o problema da disseminação do vício e, em seguida, o governo federal lançou um plano nacional de enfrentamento da droga.

Serra ainda defendeu o fim da reeleição, mas disse que não transformará a ideia em "programa de governo".

Bolívia

Serra afirmou que o governo da Bolívia faz corpo mole contra as drogas. Segundo ele, a alegada "cumplicidade" do governo daquele país com o tráfico é só um fator do problema.

"São vários fatores. Nada contra o povo boliviano. É um país que tenho muito carinho. Agora, que o governo lá faz corpo mole, faz", disse ele durante sabatina da Folha.

O tucano também chamou de "absurdas" as cassações de dois aliados: os ex-governadores Cássio Cunha Lima (PSDB), da Paraíba, e Jackson Lago (PDT), do Maranhão.

"É um absurdo. O Jackson foi cassado porque o governador o apoiava e ele foi numa solenidade em que o governador disse não sei o quê."

Ambos podem ser impedidos de concorrer este ano pela Lei Ficha Limpa, o que causa apreensão na campanha tucana. Segundo Serra, a lei não deve ser usada contra os dois aliados.

"A lei teve como objetivo pegar malandro que rouba. Eles foram cassados, já foram punidos. Agora, diante da interpretação do TSE [Tribunal Superior Eleitoral], cada caso terá que ser julgado individualmente", disse. "Presumo que a Justiça fará uma via rápida para resolver isso a tempo. Se não, vai ser uma grande confusão no país."

Banco Central

Serra voltou a explicar hoje a afirmação de que o Banco Central não é a Santa Sé. "Eu disse algo muito óbvio. Acho que tem que funcionar direito, tem que ser entrosado."

Em uma alfinetada no governo, ele afirmou que terá uma equipe entrosada, sem divergências públicas entre o BC e os ministérios da Fazenda e do Planejamento. "Não pode ter uma política que vai para um lado e uma que vai para o outro. Com esse entendimento, vamos conseguir fazer uma bela política econômica."

Ditadura

Perseguido pelos militares, Serra disse que era contra a luta armada e não poderia ficar no Brasil como clandestino. "Viver na clandestinidade, se você tem cara conhecida, é praticamente impossível."

O tucano disse que salvou o petista Marco Aurélio Garcia, coordenador do programa de Dilma, no Chile. "Eu o ajudei no Chile, quando teve o golpe lá [em setembro de 1973]. Chamei o Paulo Renato [Souza] para ele levar o Marco Aurélio a uma embaixada que eu mesmo tinha aberto."

Ele ainda brincou com o aliado Aloysio Nunes Ferreira, candidato ao Senado pelo PSDB, sentado na primeira fila do Teatro Folha. "Luta armada, eu nunca acreditei. Tem amigos meus que acreditaram. Vou olhar de levinho aqui..."

Aposentados

Serra também falou sobre o reajuste de 7,7% para os aposentados, sancionado na semana passada pelo presidente Lula. "Quem está lá tem o domínio dos números."

Ele defendeu, sem entrar em detalhes, uma reforma previdenciária que não mexa em direitos adquiridos. O tucano lembrou de sua época de constituinte, em que diz ter defendido "um novo sistema, pra quem está nascendo hoje".

CPMF

Questionado sobre a extinção da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e se ela voltaria num eventual governo tucano, Serra se esquivou de responder.

"A CPMF, quando foi extinta, já não estava mais vinculada à saúde. Essa história de que prejudicou a saúde é conversa. O dinheiro da saúde já vinha escasseando, porque o governo deixou de mandar."

O tucano afirmou que só pode falar de criação ou extinção de imposto no contexto de uma reforma tributária. Sobre essa reforma, repetiu um mantra de campanha: "É como eletricidade e água encanada. Todo mundo é a favor".

Segundo Serra, o governo precisa de um projeto claro a respeito. "A primeira coisa que um governo deve ter é um projeto. Segundo: batalhar pelo projeto. E, em terceiro, ganhar a opinião pública."

O tucano repetiu que "temos a maior carga tributária no mundo em desenvolvimento, a maior taxa de juros". "Tem algo errado aí. Com toda essa grana, se gasta mal o dinheiro."

Para ele, a preocupação com a eficiência no gasto público é "pequenininha" e fica "lá no horizonte".

Serra prometeu ainda fazer a Nota Fiscal Brasileira, nos moldes do programa Nota Fiscal Paulista, criada por ele em São Paulo. Segundo ele, não é promessa, é um "anúncio".

Royalties

Serra afirmou que o governo errou ao tratar da polêmica sobre os royalties de petróleo em ano eleitoral. "A questão dos royalties nunca poderia ter sido levantada em ano eleitoral. Para que?
Criou-se a sensação de que o pré-sal está aí na esquina. Levantar em ano eleitoral é trazer a discórdia e a desavença para o país."

O tucano diz que discorda do modelo de partilha, aprovado pelo Congresso, que tira recursos do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.

"Lógico [que discordo]. Tira tudo do Espírito Santo e do Rio de Janeiro, que estão crescendo com isso. Você não pode chegar para a cidade de Campos e dizer que a partir de amanhã isso acabou.
Você vai criar um colapso. Óbvio que há uma reação muito forte. A troco de que? Não faz sentido."

Serra disse ainda que não se opõe à criação da nova estatal que administrará o pré-sal. "Em princípio, não sou contra criar nenhuma nova estatal, se ela for imprescindível. Neste caso tenho dúvidas, mas já é uma decisão tomada."

Copa-2014

O candidato tucano também falou sobre a exclusão do Morumbi da Copa-2014. "Por mim, teria feito no Morumbi. Não teria acontecido nada", disse. "As obras que cabiam ao governo do Estado, nós nos encarregamos. Aquilo que precisava do governo, nós garantimos tudo."

Ele ainda reclamou da Fifa: "Acho que há muita exigência também."

Cuba e Irã

Serra avalizou a relação do Brasil com Cuba e disse que o bloqueio americano à ilha é "uma coisa odiosa", mas afirmou que o respeito aos direitos humanos deve ser defendido pelo Brasil. "Se o Brasil votar para censurar a falta de direitos humanos em Cuba, vai votar sim."

Ele ainda defendeu as sanções ao Irã e comparou o presidente Mahmoud Ahmadinejad ao líder nazista Adolf Hitler. "O Brasil entrou num caminho que não tinha mais volta. Eu não teria feito essa negociação", disse, chamando Ahmadinejad de ditador. "Não é alguém confiável. Guardando as proporções, é como o pessoal que confiou em Hitler."

Debate

Antes de se despedir, Serra deu uma alfinetada em Dilma, que cancelou sua participação no debate, alegando uma viagem internacional.

"Um debate como esse não tira pedaço de ninguém. O ideal seria que todos comparecessem."

Ele ainda se desculpou pelo atraso de 40 minutos. Prevista para as 11h, a sabatina só começou por volta das 11h40. "Peço perdão sem esperança de obtê-lo."

Questionado sobre seus atrasos, Serra admite o problema, mas relativiza. "Quando eu chego na hora, não acontece nada."

Cenário eleitoral no Rio é atípico

DEU EM O GLOBO

Motivo seria ausência de candidatos do PT e do PSDB

A indefinição na corrida eleitoral no Rio este ano, segundo especialistas, é atípica se for comparada a eleições anteriores. Ricardo Ismael, professor do Departamento de Sociologia e Política da PUC-RJ, por exemplo, apontou duas características fundamentais para as mudanças no estado: a aliança nacional entre PT e PMDB e o fato de o PSDB fluminense não lançar candidatura própria ao governo.

— Ou seja: na eleição deste ano, os dois principais partidos da conjuntura nacional, PT e PSDB, não vão lançar candidatos ao governo.

É uma situação diferente em se tratando da importância do Rio em relação aos outros estados — disse Ismael.

Para o professor, apesar de o PT ter adiado a convenção temendo uma possível traição do PMDB, o acordo será mantido: — Os dois partidos têm uma aliança nacional.

O PT fez isso por questão de cautela, mas tudo deverá ser resolvido.

Ismael também acredita que os problemas na coligação PV-PSDB-DEM-PPS, por enquanto, estão superados depois de o deputado federal Fernando Gabeira ter oficializado sua candidatura no último sábado.

— O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, depende do apoio de Gabeira aqui no Rio. O comando nacional dos tucanos pressionou (para ter direito a uma vaga ao Senado na chapa, ocupada pelo ex-deputado Marcelo Cerqueira, do PPS). Mas pressão tem limite, e a aliança, ao que parece, superou o impasse — disse ele, lembrando que as atenções, agora, estão voltada para Anthony Garotinho.

Já Eurico Figueiredo, coordenador do Programa de Pós-Graduação de Ciências Políticas da Universidade Federal Fluminense (UFF), afirma que o cenário no estado está “confuso e turbulento”: — As pesquisas apontam um favoritismo para Sérgio Cabral. Mas não sabemos se Garotinho conseguirá ser candidato. Se não for, o governador será o maior beneficiado.

Os votos de Garotinho não são ideológicos. São personalistas e comunitários.

Mesmo se Garotinho declarar apoio a Gabeira, caso não concorra, esse apoio será quebrado, e boa parte desses votos vai para Cabral

Jarbas não desiste de Magalhães

DEU NO JORNAL DO COMMERCIO (PE)

O senador e pré-candidato ao governo Jarbas Vasconcelos (PMDB) ainda não conseguiu fechar a chapa majoritária, faltando oito dias para a convenção das oposições (PMDB/DEM/PSDB/PPS), marcada para o dia 30. Ele retorna hoje de Brasília, no último voo, o das 23h, e passará a semana recluso, com exceção da saída a Caruaru e Gravatá, amanhã, para festejar o São João. Ele está em intensa articulação para a escolha do segundo candidato ao Senado das oposições. Apesar das negativas do deputado Roberto Magalhães (DEM), informações de bastidor dão conta de que há espaço para fazer o parlamentar, nome preferido de Jarbas ao Senado, voltar atrás da ideia de largar a política este ano para se integrar à chapa majoritária.

O principal argumento tem um componente pessoal: o “sim” de Magalhães poderá ajudar a reeleger o seu amigo há décadas, o senador Marco Maciel (DEM), a quem o próprio deputado atribui sua entrada na política. Maciel, que inclusive é um dos escalados para “convencer” o amigo, enfrentará a chapa do governador Eduardo Campos (PSB), que terá o ex-secretário de Estado, Humberto Costa (PT), e o deputado Armando Monteiro Neto (PTB) como candidatos ao Senado. “Não é uma nem duas conversas que farão doutor Roberto voltar atrás, mas estamos trabalhando nisso”, contou um aliado.

Caso esse convencimento não ocorra, o deputado Raul Jungmann, nome sempre cogitado para o posto, poderá ser, enfim, confirmado. O parlamentar tem a aprovação de Jarbas para disputar o Senado e também o apoio do senador e presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra. Embora o dirigente afirme que o partido tucano precise ter o “número 45” nas composições regionais para ajudar o presidenciável José Serra, a solução de Pernambuco teria outro arranjo em função da falta de quadros do PSDB que satisfaça a todos.

A oposição deve usar o prazo máximo, dia 30, data da convenção, para anunciar esse segundo nome ao Senado. O evento das oposições será no Clube Atlético de Amadores, em Afogados. O ato está marcado para às 13h, mas Jarbas e os companheiros de chapa só devem chegar ao local às 16h. Data e horário igual à convenção do adversário, Eduardo Campos.

Ceará:Expectativa quanto ao encontro dos tucanos hoje

DEU NO DIÁRIO DO NORDESTE (CE)

Está confirmada para esta manhã, no escritório do senador Tasso Jereissati, a reunião dos deputados, prefeitos e outras lideranças do PSDB, anteriormente programada para o anúncio do nome do candidato do partido ao Governo do Estado.

Ontem, no entanto, alguns tucanos admitiam que esse nome poderá não ser conhecido hoje e ainda admitiam que o senador Tasso Jereissati teria um encontro, ainda nesta terça-feira, em Brasília, com o deputado federal Ciro Gomes (PSB), articulado por amigos comuns.

Na onda das especulações, em razão da falta de informações, os deputados estaduais do PSDB, ontem, não se cansavam de telefonar uns para os outros em busca de notícias. A maioria, no final do dia, concluiu que o partido até aquele momento, ainda não tinha um nome para lançar como candidato.

Na bancada, o nome do deputado Marcos Cals era apontado como uma solução, no caso de o partido realmente querer disputar a sucessão estadual. Marcos Cals cujo nome é sempre apontado para disputar um cargo majoritário, passou o dia longe das especulações, embora fosse o centro de todas elas.

Por não existir informação merecedora de confiança, todos se achavam com o direito de especular dando notícia de ter visto aquilo e aquilo outro, ou que alguém disse que foi informado sobre isso, que na verdade não existia.

Os tucanos só foram chamados ontem para o encontro que vai acontecer hoje. E nada mais lhes foi dito pelo portador do convite para o encontro, embora eles tenham procurado saber o que realmente vai acontecer. Se o partido vai anunciar ou não o seu candidato à governador.

Outros

Em entrevista ao Diário do Nordeste, ontem, o líder do PR no Ceará, ex-governador Lúcio Alcântara, admitiu a sinalização para um segundo turno com a possibilidade de o PSDB lançar um nome. Desde o início deste ano, o republicano insistia em formar alianças para que Cid tivesse um opositor no Estado. "Eu levantei essa luta sozinho no começo", lembra Lúcio.

Agora, embora não tenha conseguido, pelo menos por enquanto, se aliar ao PSDB para juntos tentarem desbancar o governador Cid Gomes, Lúcio vê com bons olhos a possibilidade de um segundo turno, o que para ele beneficia os partidos menores. "Em princípio, eu acho que isso é bom para todos porque ainda estamos nesse cenário de incertezas", destaca.

Se até o fim da semana não conseguir apoio para formar uma aliança de oposição a Cid, é Lúcio Alcântara quem vai encabeçar a chapa majoritária do PR na disputa pelo Governo.

Embora admita que ainda está "conversando com alguns partidos", ele diz não poder ficar esperando pelas siglas maiores, por isso o PR já tem esse plano.

Definido vice, Berfran diz: “Yeda pode confiar em mim”

DEU NO ZERO HORA

Depois de idas e vindas com nomes do PP, governadora recebeu ex-secretário do PPS na sede tucana

Juliana Bublitz

Quando pisou na sede do PSDB, na Capital, às 13h24min de ontem, vestindo um traje rosa pink e sorrindo, a governadora e candidata à reeleição Yeda Crusius só tinha olhos para ele. No fundo da sala, rodeado por colegas de partido, Berfran Rosado, deputado estadual e presidente do PPS, devolveu o sorriso, estendeu o braço e foi correspondido. Estava selada a parceria capaz de dar fim a uma novela que se arrastava havia meses.

Desde a semana passada, o nome de Berfran era o mais cotado para assumir o posto de candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Yeda, que vinha procurando, sem sucesso, um parceiro de disputa confiável, fechado com seu projeto e discreto o bastante para se manter sempre “dois passos atrás” dela. Ontem, o engenheiro civil de 50 anos, que gosta de se definir como um “técnico em gestão pública”, não apenas aceitou o desafio, como prometeu lealdade à colega.

– Estou muito honrado. A governadora pode confiar em mim – afirmou Berfran.

Pela mão, Berfran foi conduzido por Yeda para uma sala com capacidade para 50 pessoas na sede do PSDB, que logo ficou pequena. Em tom descontraído, o deputado do PPS intimou o grupo que se aglomerava na entrada:

– Vamos lá, gurizada.

E foi seguido, em meio a risadas e burburinho, por políticos dos partidos que ontem formalizaram a união em torno de Yeda: PSDB, PP, PPS e PRB.

Além de confidenciar que esperava por Berfran havia “quatro anos”, ela aproveitou para alfinetar o atual vice, Paulo Feijó (DEM), durante entrevista.

– Um vice do porte do Berfran é capaz de contribuir para o Rio Grande em todas as áreas, mais do que eu consegui sozinha. Não apenas por não ter um vice atuando, mas por ter um vice contra o meu projeto de desenvolvimento – disse a candidata, que se desmanchou em elogios ao PP, por ter tornado possível a escolha de Berfran.

Foi a saída de cena do PP, que até então detinha a prioridade na indicação do vice. Isso viabilizou a entrada do PPS na campanha – considerada fundamental para alavancar as chances de reeleição.

TCU anuncia mais 5 mil que não podem disputar eleição

DEU EM O GLOBO

Tribunal envia à Justiça Eleitoral lista de gestores públicos condenados

A lista dos fichas-sujas, impedidos de disputar as eleições deste ano, aumentou ontem com o envio ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de uma relação de gestores condenados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por mau uso do dinheiro público. São 4.922 administradores em todo o país, que acumulam 7.854 condenações por irregularidades em convênios de estados e municípios com entidades federais. O número de condenados aumentou, em relação à última lista, elaborada em 2008, quando 3.178 gestores foram impedidos de concorrer. Neste ano, na ponta do ranking, está o Maranhão, com 728 condenações.


Mais cinco mil inelegíveis

TCU envia à Justiça Eleitoral lista de gestores públicos com contas rejeitadas

Catarina Alencastro

BRASÍLIA - O Tribunal de Contas da União (TCU) divulgou ontem uma lista com os nomes de 4.922 gestores públicos que estão impedidos de disputar as eleições de outubro. Eles ficaram inelegíveis porque tiveram suas contas dos últimos anos rejeitadas por mau uso do dinheiro da União em convênios de estados e municípios com entidades federais.

A grande maioria dos integrantes da lista é de funcionários de carreira ou ocupantes de cargos de confiança; e grande parte não pretende disputar a eleição.
Mas quem tiver essa pretensão será barrado na Justiça Eleitoral.

A lista do TCU, entregue ontem pelo presidente do tribunal, Ubiratan Aguiar, ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ricardo Lewandowski, tem 7.854 condenações — alguns gestores foram punidos mais de uma vez. O número de condenações e de gestores aumentou em relação à última lista do TCU, divulgada nas eleições municipais de 2008, que continha 4.840 condenações de 3.178 pessoas.

Para os presidentes dos dois tribunais, essa lista é um instrumento a mais para barrar os registros de candidaturas de pessoas com ficha suja. A lista será entregue também a todos os Tribunais Regionais Eleitorais, ao procuradorgeral Eleitoral, Roberto Gurgel, e aos Tribunais de Contas de estados e municípios. Quem já homologou sua candidatura na Justiça Eleitoral e estiver nessa lista terá seu registro cassado.

Para o presidente do TSE, a Lei da Ficha Limpa, recém-aprovada no Congresso Nacional, fechou o cerco contra os que praticam irregularidades com dinheiro público. A rejeição de prestação de contas é um dos critérios para impedir o registro da candidatura.

— A Lei da Ficha Limpa realmente endureceu contra aqueles que empregam mal o dinheiro público — disse Lewandowski.

Maranhão está na ponta do ranking

O maior número de condenações foi no Maranhão: 728, seguido por Bahia (700), Distrito Federal (614) e Minas Gerais (575). Na outra ponta, com o menor número de condenações, está Santa Catarina: 86.

No Estado do Rio, o TCU somou 211 condenações, e em São Paulo, 455.

O presidente do TCU lembrou que esse trabalho vem sendo feito há 20 anos, para ajudar a Justiça Eleitoral a sanear o processo político do país. Ele disse que, a cada ano, aumenta o número de condenações.

O que é, segundo ele, fruto de uma ampliação no esforço que o tribunal vem fazendo para chegar aos nomes de quem praticou ilícitos.

— Essa lista com quase 5 mil nomes reflete um trabalho muito firme do TCU, um trabalho que sempre foi muito bem aproveitado — afirmou Aguiar.

Ao entregar o documento a Lewandowski, Aguiar também lembrou da Lei da Ficha Limpa.

— Espero que essa lista possa subsidiar a ação da Justiça Eleitoral no momento em que o Congresso aprovou a Lei da Ficha Limpa, na segurança de conseguir expurgar os maus gestores, e fazer prevalecer a ética e a moralidade da coisa pública — afirmou.

Caberá à Justiça Eleitoral, a partir dessa lista, decretar a impossibilidade desses gestores de concorrerem a um cargo eletivo. O levantamento será atualizado até 31 de dezembro deste ano, levando em conta recursos impetrados em tempo hábil, com efeito suspensivo.

Novos nomes poderão ser incluídos.

Seriam aqueles que forem condenados após a elaboração dessa primeira versão. A impossibilidade desses gestores participarem das eleições também é prevista na Lei das Inelegibilidades (64/90).

Lewandowski observou que o instrumento é importante para dar transparência e sanear a administração pública: — Queremos fazer prevalecer a moralidade pública e o princípio da probidade administrativa.

Entre as 214 contas condenadas pelo TCU no Estado do Rio, algumas estão relacionadas a irregularidades praticadas pelos gestores na compra e aquisição de equipamentos e medicamentos hospitalares; há muitas condenações de funcionários de órgãos federais como os Correios, Caixa Econômica Federal e Dataprev, além de prefeituras.

Alguns aparecem com quatro ou cinco condenações. Caso de José Carlos dos Santos Rocha, da prefeitura de Rio Claro (RJ), que aparece com cinco condenações na lista do TCU por irregularidades na prestação de contas sobre a utilização de recursos repassados pelo Fundo Nacional de Saúde. Com quatro condenações, figura na lista Paulo Cesar Chagas Lessa, que teve rejeitadas suas contas como diretor-geral do Hospital Geral de Andaraí.

Também condenações de funcionários do governo federal. Entre os que figuram na lista está o ex-coordenadorgeral do Audiovisual do Ministério da Cultura, Sérgio Eustáquio Assunção

Serra defende modelo chileno para o BC

DEU NO VALOR ECONÔMICO

Cristiane Agostine, Luciano Máximo e João Villaverde, de São Paulo

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, defendeu o modelo de Banco Central adotado pelo Chile, no qual as decisões são tomadas em conjunto com o Ministério da Fazenda. O tucano foi entrevistado no programa Roda Viva, da TV Cultura, que foi ao ar ontem à noite, e citou o modelo chileno ao ser questionado sobre o que faria no caso de o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentar a taxa de juros e ele, se eleito presidente, considerar a decisão errada.

Serra explicou que no Chile, onde refugiou-se durante o regime militar, decisões econômicas importantes são articuladas. "Lá no Chile nunca teve nenhuma decisão do BC, nenhuma, que não fosse de comum acordo com a Fazenda, com todo mundo...". Sem fazer críticas diretas ao governo, ressaltou que isso difere de "coisa de amador, de análises cucarachas".

No país vizinho, o BC é considerado independente. O equivalente ao Copom brasileiro no Chile se reúne mensalmente para definir os rumos da política monetária. Ao lado do presidente e dos diretores da instituição, o ministro da Fazenda chileno tem cadeira cativa e espaço para fazer suas considerações. Só não pode votar pela subida ou pelo corte dos juros.

Para o ex-diretor do BC Alexandre Schwartsman, "colocar gente que defende interesses diferentes da estabilidade monetária não funciona". Ele lembra que o controle da inflação nos últimos anos não seria possível sem a autonomia do BC, "que deveria ser formal". Na avaliação do ex-diretor do BC Carlos Thadeu de Freitas Gomes, o candidato do PSDB tem uma visão "mais explícita" de que a autoridade monetária deve sofrer influência do governo. "Ele já deu esse sinal. Não é inconsistente o que ele falou, mas o mercado demanda menos interferência e maior transparência. E isso só existe com influência zero, que só é possível um BC autônomo legalmente", afirmou Freitas Gomes.

Já para o professor da Uerj Luiz Fernando Rodrigues Paula, especialista em finanças internacionais, Serra pretende copiar o modelo chileno de cooperação entre governo e BC. "A declaração sinaliza que ele está disposto a fazer alterações na política econômica, mas não bruscas", disse o acadêmico.

Para Luiz Gonzaga Belluzzo, professor da Unicamp, Serra "tem razão". "Há toda uma sacralização dos membros do Copom, que tem uma composição muito acanhada".

Serra disse que o BC precisa "trabalhar direito" e ironizou a atuação da autarquia durante a crise econômica mundial, por não ter reduzido a taxa de juros. "O Banco Central brasileiro foi o único no mundo civilizado que manteve o juro sem baixar durante quatro meses", afirmou.

O tucano declarou que vai ser "moleza" manter o câmbio flutuante se o país tiver uma política de crescimento sustentável. Ao analisar a área econômica do governo Lula, o tucano atacou também o papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a política industrial e o déficit na conta corrente. O candidato discorda da atuação do BNDES ao subsidiar juros para grandes empresas e ao dar suporte a fusão de conglomerados. "Eu não sou contra uma empresa comprar a outra, agora vai dar dinheiro público, subsidiado? Todos os contribuintes vão pagar para uma empresa comprar outra? Não tem sentido", declarou.

Sobre a política industrial, Serra novamente ironizou o governo Lula e disse que o presidente não deve ter conhecimento de que "o país está se desindustrializando". "Tenho certeza de que Lula não sabe disso. Não é obrigado saber de tudo. Vai levando."

Serra disse que Lula está fazendo um novo modelo de privatização do dinheiro público. "Uma das grandes farsas no Brasil é a questão da privatização. Tem gente que fala contra, chega no governo e não só não volta para trás como dá dinheiro subsidiado. O governo emite dívida pública, pega esse dinheiro e empresta, por um juro menor do que está pagando pela dívida, dando subsídio para uma empresa comprar outra. Um uso curioso de privatização de dinheiro público".

Durante a entrevista, o candidato do PSDB interrompeu a diretora de redação do Valor, Vera Brandimarte, por três vezes antes que pudesse ter sido completada pergunta sobre o avanço do PT no governo federal como banco estatal. O tucano negou que teria criticado o governo por privatizar bancos estaduais. "Eu não critiquei, eu estou analisando". Ao tentar completar a pergunta, Vera Brandimarte foi novamente interrompida. "Olha, todos aqui ouviram. Critiquei o governo Lula por ter vendido bancos estaduais que já eram de propriedade federal, da área privada? Os telespectadores estão ouvindo que você falou que eu critiquei... não critiquei", disse.
Em seguida, ressaltou que não tinha criticado o governo Lula.

O mediador do programa, Heródoto Barbeiro, também foi interrompido pelo tucano ao tentar completar uma pergunta sobre a política de pedágios das rodovias paulistas.

Cruz e caldeirinha no G20 :: Vinicius Torres Freire

DEU NA FOLHA DE S. PAULO

EUA querem que governo alemão abra a carteira; BCE e Alemanha podem causar nova recessão na Europa

NO PRÓXIMO fim de semana haverá cúpula do G20. Estava previsto o fracasso das conversas sobre a excessiva desvalorização da moeda chinesa, sobre a criação de um imposto mundial sobre transações financeiras e sobre um imposto sobre bancos. Cúpulas quase sempre terminam em fracasso.

Depois de arreganhar um pouco os dentes, a China espertamente deu um peteleco no yuan, deixando que ele se valorize um tico, sabe-se lá quanto e até quando. De qualquer modo, os chineses saíram da roda. Devem entrar os alemães.

Os EUA implicam com a Alemanha e com o Banco Central Europeu, uma instituição na prática alemã. Os EUA querem que os governos maiores da Europa, Alemanha em particular, não cortem gastos. Acham que isso pode deprimir de novo a economia europeia.

Moedas mais valorizadas em tese fazem um país exportar menos e importar, consumir, mais. Os americanos faz tempo pedem aos chineses que deixem o yuan subir, sendo periodicamente esnobados.

Os chineses e os alemães são os maiores exportadores do planeta. São economias superpoupadoras -poupança doméstica maior e um pouco de câmbio ajudam a exportar. Os alemães não podem ser acusados de manipular o câmbio, de desvalorizar o euro, que cai pelas tabelas devido à crise da dívida de países da periferia europeia.

Mas americanos -governo e alguns de seus principais economistas- acham que os alemães têm de gastar mais e que o governo poderia incentivar tal atitude.

Para começar, poderiam evitar o corte de gastos recém-anunciado pelos alemães e apoiado pelo BCE com o fim de "restaurar a confiança de consumidores, empresários e investidores". Na Alemanha, corte de gasto público pode aumentar a confiança dos consumidores. Não é bem esse o caso no sul da Europa.

Na verdade, a Alemanha vai cortar gastos apenas a partir do ano que vem, e só um pouco. Mas vai continuar superexportadora, ainda mais agora, com o euro em baixa.

A disciplina fiscal que a Alemanha vai impor ao resto da eurozona, porém, vai restringir o crescimento da economia a décimos de porcentagem, com exceção da Alemanha, que vai se beneficiar do euro fraco, da França e da Holanda. A Europa do Mediterrâneo vai ficar no zero ou mesmo permanecer em recessão.Mesmo crescendo neste ano, o nível do PIB da Europa dos 15 ainda será equivalente ao de 2006. A taxa de juro real do euro é zero. Deve ficar por aí até meados de 2012. Mesmo assim, a economia reage devagar.

Nessa situação, crescimento entre 0,5% e 1% em 2010 com taxa de juro zero, seria interessante manter o estímulo dos gastos dos governos.

Mas os mercados financeiros ameaçaram cortar o financiamento de Grécia e Portugal. O resto da Europa está com medo. No entanto, com recessão e queda de receita de impostos, a Grécia, pelo menos, não arrumará dinheiro para pagar sua dívida. Muita gente séria prevê calote formal da Grécia em 2012.

Ou seja, boa parte da Europa nem vai crescer nem vai melhorar sua situação fiscal. Está entre a cruz e a caldeirinha. Não é o caso da Alemanha, o caixa continental.

Talvez os americanos tenham razão. Assim como quem diz que seria melhor já organizar uma redução da dívida grega, um calote autorizado.

Jogada chinesa:: Míriam Leitão

DEU EM O GLOBO

O anúncio da China, uma semana antes da reunião do G-20, de que vai tornar mais flexível sua política cambial foi bem recebido ontem pelo mercado, inicialmente. As avaliações são de que o Brasil pode ser um dos beneficiados pelo efeito favorável nas commodities. A nova política tem a cara da velha, que foi adotada entre 2005 a 2008, e que recuperou um pouco o valor da moeda chinesa

O yuan desvalorizado artificialmente é um fator perturbador na economia internacional. Ele torna mais competitivos os produtos chineses, desequilibra o comércio, provoca inúmeras distorções. Mas ninguém acha que o anúncio chinês seja o início de uma mudança para valer.

Alguns analistas acham que foi só uma jogada de marketing para sair do centro das discussões do G-20, outros acham que mesmo sendo suave a mudança será benéfica.

No seu blog, a economista Monica Baumgarten de Bolle, da Galanto Consultoria, diz que comparado com outros países que saíram de câmbio fixo para uma valorização da moeda, o comportamento cauteloso da China não é muito diferente dos outros. Entre 2005 e 2008, quando teve um câmbio mais flexível, a China valorizou sua moeda em cerca de 7% ao ano. Ao todo, em pouco mais de 20%. Em 2008, voltou bruscamente à política anterior de preço do yuan praticamente fixo em relação ao dólar e a valorização foi interrompida, como se pode ver no gráfico abaixo.

Com o yuan mais fraco, as exportações chinesas ganham competitividade, mas a política cambial é uma distorção num mundo de câmbio flutuante e diante da situação chinesa de grande receptora de capital, grande exportadora.

Com uma política cambial um pouco menos controladora, a moeda já teria ganhado valor diante do dólar. A China vai agora adotar uma cesta de moedas em vez do dólar para controlar sua taxa de câmbio, mas continua com uma política tão misteriosa quanto sempre foi, já que não se sabe a composição da cesta.

Será que essa vai ser uma mudança significativa? Em que vai impactar o mercado? Inicialmente, o mercado reagiu com euforia e depois passou a ver com menos entusiasmo e de forma mais setorial. As bolsas americanas que começaram o dia em alta terminaram no vermelho.

Pela manhã, os investidores estavam confiantes de que a valorização da moeda chinesa iria ajudar o comércio mundial. À tarde, a análise já era outra, mais minuciosa, com as ações das empresas de tecnologia em queda porque a importação de componentes eletrônicos chineses ficará mais cara. O Dow Jones fechou em 0,08%; Nasdaq, -0,90%; e o S&P, -0,39%. No Brasil, o índice Ibovespa depois de subir 1,65% na abertura do pregão perdeu fôlego e fechou em alta de 0,60%.

— A alta no Brasil foi sustentada pelas empresas ligadas a commodities e mineração, que devem ser beneficiadas pelo yuan mais forte. Se tirássemos a influência dessas empresas, o índice Ibovespa também fecharia no vermelho, assim como as bolsas americanas — explicou Rodrigo Moliterno, analista de investimentos da corretora Fator.

As ações da Vale subiram 2,9%; Usiminas, 0,94%; CSN, 1,26%; Gerdau, 1,15%. O índice de commodities CRB fechou com valorização de 0,76 ponto percentual.

Como disse o presidente do Banco Central brasileiro, Henrique Meirelles, é melhor esperar o desenrolar dos acontecimentos, já que com a China tudo é sempre muito pouco transparente.

No atual contexto cambial, a ligação do yuan a uma cesta de moedas pode acabar levando a menos valorização diante do dólar porque o euro tem perdido força diante da moeda americana.

Da perspectiva da China, é um bom momento para introduzir a mudança. A consultoria RGE, do economista Nouriel Roubini, acha que a moeda chinesa terá uma alta de 3% a 4% diante do dólar no próximo ano. É difícil saber em quanto uma mudança assim lenta ajudará o rebalanceamento do comércio global. Do ponto de vista político, pode acalmar alguns ácidos críticos da política cambial chinesa dentro do Congresso americano nesta conjuntura de eleição de meio de mandato e vai tirar essa questão do centro da mesa da próxima reunião do G-20, em Toronto

O QUE PENSA A MÍDIA

EDITORIAIS DOS PRINCIPAIS JORNAIS DO BRASIL
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Franz Liszt - La Campanella - pianista: Atsuko Seta

Hino à Beleza :: Charles Baudelaire


Vens do fundo do céu ou do abismo, ó sublime
Beleza? Teu olhar, que é divino e infernal,
Verte confusamente o benefício e o crime,
E por isso se diz que do vinho és rival.

Em teus olhos reténs uma aurora e um ocaso;
Tens mais perfumes que uma noite tempestuosa;
Teus beijos são um filtro e tua boca um vaso
Que tornam fraco o herói e a criança corajosa.

Sobes do abismo negro ou despencas de um astro?
O Destino servil te segue como um cão;
Semeias a desgraça e o prazer no teu rastro;
Governas tudo e vais sem dar satisfação.

Calcando mortos vais, Beleza, entre remoques;
No teu tesoiro o Horror é uma jóia atraente,
E o Assassínio, entre os teus mais preciosos berloques,
Sobre o teu volume real dança amorosamente.

A mariposa voando ao teu encontro ó vela,
"Bendito este clarão!" diz antes que sucumba.
O namorado arfante enleando a sua bela
Parece um moribundo acariciando a tumba.

Que tu venhas do céu ou do inferno, que importa,
Beleza! monstro horrendo e ingênuo! se de ti
Vêm o olhar, o sorriso, os pés, que abrem a porta
De um Infinito que amo e jamais conheci?

De Satã ou de Deus, que importa? Anjo ou Sereia,
Se és capaz de tornar, - fada aos olhos leves,
Ritmo, perfume, luz! - a vida menos feia,
Menos triste o universo e os instantes mais breves?

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Reflexão do dia – José Serra


" Hoje me choca ver gente que sofreu sob a ditadura no Brasil cortejando ditadores que querem a bomba atômica, que encarceram, torturam e matam adversários políticos, fraudam eleições, perseguem a imprensa livre. "


(José Serra, em entrevista, sábado em S.Paulo)

O eterno retorno:: Luiz Werneck Vianna

DEU NO VALOR ECONÔMICO

Parece que o relógio da história atual do Brasil desandou: quanto mais ele avança no tempo mais volta ao seu passado em busca de velhas soluções. Fora de controvérsias a natureza bem-sucedida do nosso capitalismo, indicada de modo evidente na força do seu sistema financeiro, estatal e privado, no seu diversificado parque industrial, no agronegócio, na sua presença afirmativa na cena do mundo. Essa força da economia capitalista brasileira é registrada, dia a dia, em todos os veículos da mídia que abrem amplos espaços aos seus temas - quando não inteiramente dedicados a eles -, mobilizando um sem número de especialistas em suas questões e na tradução de suas demandas para o governo e para a opinião pública, quando dissemina sua linguagem e seus valores em várias camadas sociais.

Essa presença poderosa da economia capitalista na nossa vida social se expressa com igual vitalidade na vida associativa que reúne os seus dirigentes em influentes corporações, como a Fiesp e a Febraban, para não mencionar a rede com que o chamado sistema S recobre, capilarmente, a sociedade civil, inclusive nas artes e na cultura, bem o caso do Sesc, que se substitui ao Estado na proteção de manifestações vulneráveis do ponto de vista do mercado, exemplarmente as da atividade teatral.

Tais êxitos, contudo, não podem ser inteiramente debitados à livre iniciativa, não sendo o resultado "natural", ao longo do tempo, das ações, cálculos e deliberações dos agentes econômicos, mas sim, em grande parte, ao Estado e à sua política que, desde os anos 1930, impuseram os objetivos e as linhas mestras do processo de modernização que recriou o país. A nossa modernização, como se sabe, nos veio verticalmente, de cima para baixo, caracteristicamente autoritária, ora duramente repressiva como nos ciclos 1937-45 e 1964-85, ora sob formas mais brandas como no governo JK, e da sua obra, como traços principais, ficaram não só a articulação solidária entre suas elites urbano-industriais com as agrárias como também formas de organização corporativa dos interesses de empresários e trabalhadores.

Com a democratização do país, o peso dessa herança logo se fez sentir. Salvo o caso do PT que se constituiu como um partido classista e de agregação de interesses dos trabalhadores - de início, fundamentalmente do setor industrial -, os grandes interesses dos setores urbanos industriais, assim como o dos agrários, tiveram um papel secundário na reorganização da vida partidária. Essa distância quanto aos partidos conta com mais um exemplo no Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), cuja opção foi a de preservar sua identidade de movimento social, deixando sem representação partidária direta o que nos restava de campesinato e a pequena propriedade rural.


Sob essa estratégia, as velhas formas de representação recuperaram viço, fortalecendo seus vínculos com o Estado e adotando uma perspectiva instrumental em relação aos partidos - no interior do Legislativo, segmentos de interesses atuam por meio de bancadas de parlamentares pertencentes a vários partidos. Tal prática se tem reforçado pelo fato de os últimos governos, especialmente o do PT, terem atribuído posições-chave na administração pública a lideranças de corporações. Nessa direção, o governo do PT foi além ao criar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, de formatação inequivocamente corporativa, a fim de exercer funções de mediação direta entre ele e a sociedade.

Com essa orientação, o atual governo, oriundo do antigo partido classista dos anos 1980, restaura o estilo e instituições típicas do Estado Novo, redescobrindo, em condições de plena democracia política, a fórmula de um capitalismo politicamente orientado que não impõe seus fins a seus agentes econômicos porque os estabelece em negociação com eles. Assim, temos o processo de modernização mais bem-sucedido do antigo 3º Mundo, temos uma Constituição que consagra a democracia política e cria instrumentos eficazes para sua defesa e aperfeiçoamento, mas não contamos com partidos fortes, nem com uma sociedade robusta em termos de organização política.

O liberalismo dos empresários é vocalizado nos editoriais e nas páginas de opinião dos grandes jornais; o socialismo, nas revistas dos intelectuais. Mas, como ninguém ignora, nem um nem outro são figuras em extinção, eles estão aí, inclusive como ideologia silenciosa de próceres da atual administração. Mas se não há, na sociedade, espaço para sua expressão é porque esse Estado que está aí não admite espaço vazio que não tenha a marca da sua ocupação.

Fora do mundo dos interesses organizados e das instituições dedicadas a eles, há o povo, objeto passivo das políticas públicas, mas presença determinante na hora das urnas, quando a linguagem sistêmica conta pouco, salvo para o grupo seleto dos diretamente envolvidos em sua lógica. Para ele, se reserva a linguagem dos sentimentos, como a da compaixão, porque será da sua inclinação que se vai ter a decisão do lado vencedor.

A ressurgência do tema do populismo, lido agora em luz favorável, mesmo por parte dos seus ferozes críticos no passado, vem dessa atrofia da política, da imobilização da sociedade diante de um Estado que traz tudo para si como se fosse um agente da Providência. Não há porque discutir os rumos possíveis para a nossa sociedade: sistemicamente, eles já estão previstos, o que cumpre fazer é ganhar a alma popular, quando a política se confunde, então, com as artes demiúrgicas de quem, por destino, aprendeu a decifrá-la.


Luiz Werneck Vianna é professor-pesquisador do Iuperj e ex-presidente da Anpocs. Escreve às segundas-feiras

Anacronismo surreal: Fernando Rodrigues

DEU NA FOLHA DE S. PAULO

A disputa política deste ano está explicitando de forma inédita o anacronismo da lei eleitoral brasileira. No primeiro semestre já houve a curiosa fase de pré-campanha. Candidatos fingiam ser apenas "pré-candidatos".

Agora, outros aspectos demonstram a caduquice da lei. Um deles é a obrigatoriedade de registrar as "propostas defendidas pelo candidato a prefeito, a governador de Estado e a presidente da República".

Essas plataformas têm de ser apresentadas no ato do registro da candidatura. Trata-se de uma impossibilidade prática legal e real.

Como pode um político que ainda não é candidato redigir um programa de governo se ainda não tem autorização legal para se comportar como candidato? Se não fizer nada, ficará impossibilitado de cumprir a exigência legal para se habilitar a disputar a eleição. Como ninguém pode fazer atos de campanha antes do registro, supõe-se que hoje dezenas de candidatos a governador e a presidente estejam, em segredo, fazendo essas suas plataformas.

Pior ainda. Todos esses programas de governo serão peças de ficção. Um amontoado de textos formulados só para atender a uma formalidade kafkiana legal.

Não deixa de ser revelador da alma do país a existência de uma lei exigindo dos políticos o registro formal de suas propostas. Em qualquer sociedade madura, os cidadãos ouvem os candidatos, fazem um julgamento e votam. Ou alguém acredita que uma plataforma de governo impressa seja garantia de alguma coisa? Aliás, nas últimas eleições os candidatos sempre publicam seus programas de governo.

Os vencedores descumprem as promessas de forma sistemática.

Pré-campanha de mentira, programas de governo fictícios, proibição de se declarar candidato a qualquer tempo e época são restrições surreais. Mas, pensando bem, compatíveis com o atual estágio da democracia brasileira.

A encruzilhada do presidente :: Ives Granda da Silva Martins

DEU NA FOLHA DE S. PAULO

É de se lembrar que o presidente não reconheceu as eleições livres em Honduras, mas anda de braços dados com ditadores

O presidente Lula encontra-se em uma encruzilhada real, em que o fantasma da inflação, as multas que vem recebendo por desrespeitar à Constituição que jurou cumprir e a desfiguração de seu perfil de protagonista internacional podem empanar o que de positivo fizera no seu primeiro mandato.

O certo é que o sucesso do primeiro governo em assegurar respeitabilidade no exterior, tendo obtido justa e merecida exposição, com reconhecimento internacional, desde o episódio de Honduras -em que foi armadilhado por Chávez e protagonizou melancólico papel-, principiou a se desfazer, e a imagem exitosa ainda é mantida no país à custa de uma fantástica propaganda oficial.

É de se lembrar que não reconheceu as eleições livres realizadas em Honduras, mas anda de braços dados com notórios ditadores, como Fidel Castro, Raúl Castro e Ahmadinejad, nada obstante pisotearem, esses senhores, os direitos humanos em seus países.

Em clara seletividade, aceita tais violações, por conta de sua amizade com ditadores ou seus aprendizes (Chávez e Morales), mas é cruel em relação aos governantes democraticamente eleitos em Honduras, pelo fato de seu presidente não ser acólito do histriônico e verborreico presidente venezuelano.

O pior, todavia, reside na instalação de uma República sindical no país, com legislação por ele aprovada, que possibilitou a transferência de polpudas somas dos contribuintes para as centrais sindicais, as quais se utilizam de dinheiro do povo para fazer, aberta e ilegalmente, a campanha de sua candidata.

Mais do que isso, o presidente da República, transformado em cabo eleitoral, festeja a alta carga tributária brasileira para sustentar um Estado hoje tomado por expressivo número de sindicalistas não concursados.

Compara-a, de forma canhestra, com a carga dos EUA, ignorando que lá a carga é bem menor que no Brasil, como o é no Japão, na China e em outros países que prestam serviços públicos dignos a seus cidadãos, ao invés de ser destinada, quase exclusivamente, a assegurar benesses aos detentores do poder.

Nunca votei em Lula, muito embora tenha reconhecido, desde o primeiro ano de seu governo, seu talento e habilidade, que permitiram a aceitação internacional e os elogios do presidente Obama.

O certo é que essa imagem começa a se desfigurar, nada obstante a manutenção de sua popularidade à custa de maciça propaganda.

Quando a poeira da história se assentar e o historiador examinar o período de seu governo, sem as manipulações da propaganda oficial, certamente tais violações marcarão sua gestão e será contada a "verdade verdadeira" da era Lula.

Poder-se-á dizer que dirigiu bem a economia, o que é verdade, pois teve o bom senso de seguir rigorosamente a política de Fernando Henrique quanto a moeda e fundamentos, montando equipe de valor, que não se curvou aos apelos de gastança de todos os amigos do rei, malgrado o fantástico inchaço da máquina burocrática.

O certo, todavia, é que, mesmo na área econômica, o excesso de benesses aos servidores da máquina oficial (quase R$ 200 bilhões para pagar a mão de obra de menos de 1 milhão de brasileiros) projeta bomba de efeito retardado para o futuro governo, seja ele qual for.

É pena que Lula tenha se despido das vestes de estadista -que chegou a envergar, no primeiro mandato - para mostrar a face de exclusiva ambição pelo poder a qualquer preço, transformando-se em cabo eleitoral cuja especialidade maior é tisnar a lei e a verdade.



Ives Gandra da Silva Martins, 75, advogado, professor emérito da Universidade Mackenzie, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e da Escola Superior de Guerra, é presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio.

Função democrática :: Thamy Pogrebinschi

DEU EM O GLOBO

A Câmara dos Deputados concluiu o relatório da subcomissão instalada para acompanhar a 1aConferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada, não sem controvérsias, em dezembro do ano passado. Com votação prevista para breve, o relatório aponta que aproximadamente 35% (222) das 641 diretrizes aprovadas na conferência requerem algum tipo de intervenção legislativa por parte do Congresso Nacional, a despeito de o principal destinatário das políticas públicas demandadas em conferências nacionais ser o próprio Poder Executivo que as convoca e organiza.

Mais interessante do que isso é a constatação de que 2/3 (148) dessas diretrizes já são objeto de atividade legislativa, o que pode ser constatado por projetos de lei e estudos legislativos em tramitação na Câmara e no Senado. Com a participação de representantes da sociedade civil, de empresários do setor e do Poder Público, a 1aConfecom aprovou 641 diretrizes de políticas públicas para a área de comunicação, desdobradas em temas tão diversos quanto convergência digital, ética no jornalismo, conteúdo de interesse social, proibição de monopólios e oligopólios, produção e veiculação nacional, e tão controversos quanto controle social da mídia, radiodifusão pública, e direitos humanos e de minorias.

A resposta do Congresso, na verdade, reproduz uma tendência: entre 1988 e 2009, a atividade legislativa do parlamento brasileiro foi significativamente influenciada pelos temas debatidos nas conferências nacionais.

No fim de 2009, 19,8% dos projetos de lei (2.629 iniciativas) e 48,5% das propostas de emenda constitucional (179 PECs) então em trâmite no Poder Legislativo possuíam algum tipo de pertinência temática com as diretrizes oriundas desses processos participativos.

As conferências nacionais têm se revelado uma forma de mediação política que corre paralela às eleições e aos partidos, mas que, como eles, convergem na realização da democracia através das instituições representativas.

A participação social contribui para tornar as instituições políticas mais representativas (pelo grau de abrangência e inclusividade dos interesses que o Poder Legislativo passa a apreciar com maior ênfase) e propicia uma representação política fortalecida pelos novos incentivos recebidos pelos parlamentares para iniciar o processo legislativo em determinadas direções.

A forte presunção de legitimidade popular de que dispõem as diretrizes derivadas das conferências nacionais faculta que as mesmas se superponham à lógica tradicional de distribuição dos interesses partidários.

As diretrizes de políticas públicas oriundas das conferências nacionais propulsionam a atividade legislativa do Congresso Nacional oferecendo aos parlamentares um amplo cardápio de demandas formatadas diretamente de acordo com as preferências da sociedade em um ambiente não eleitoral, e portanto livre de influências partidárias, do apelo midiático e de qualquer outra eventual interferência na formação da opinião e da vontade dos cidadãos. Desfaz-se, assim, o mito de que práticas participativas constituem uma ameaça às instituições democráticas representativas e que estas não são responsivas às demandas da sociedade.

Thamy Pogrebinschi é cientista político e professor do Iuperj

Arlindo Cruz - Chegamos ao Fim - MTV Ao Vivo

No PV, mais divergência

DEU EM GLOBO

Partidos dividem palanque estadual, mas disputam apoio nacional

Depois do estresse pré-convenção — que correu o risco de não sair no sábado por conta da pressão do PSDB para ter candidato próprio ao governo do Rio —, a coligação em torno de Fernando Gabeira, que soma PV, tucanos, DEM e PPS, vive as sequelas de sucessivas crises. As siglas já delimitaram o espaço dos presidenciáveis José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV). De acordo com o presidente regional do PV, Alfredo Sirkis, Gabeira estará em todas as agendas de Marina no Rio e selecionará aquelas em que acompanhará Serra. Mas os incômodos permanecem.

O PV reclama que o PPS fez no sábado uma faixa com os nomes de Gabeira e Serra.

— Não sei se fizeram inadvertidamente ou de propósito. Vou procurar o PPS e esclarecer.

Gabeira apoia Marina — afirmou Sirkis.

Comte Bittencourt, presidente local do PPS, discorda do PV e defende a faixa: — Essa discussão é uma bobagem. A faixa é do PPS, que vai pedir votos para os dois. Essa questão está muito bem articulada, foi bem negociada no pré-lançamento da campanha de Gabeira, todo mundo é maduro e não tem motivo para ficar criando confusão — disse.

Sirkis defendeu que o PV punirá candidatos a deputado que fizerem dobradinhas com políticos de outros partidos. O PV não está coligado com o PSDB na eleição proporcional.

Segundo o presidente do DEM, Rodrigo Maia, a atuação de Serra na campanha será natural: — Ela se dará para que não se crie embaraço para ninguém.

Marcelo Cerqueira, nome do PPS ao Senado, disse que o mal-estar com o PSDB é passado: — Sou amigo do Zé (Serra). Mágoa só faz mal a quem a tem — disse

Serra: governo Lula privatiza dinheiro público

DEU EM O GLOBO

Ao defender novo tipo de privatização no país, candidato tucano critica empréstimos da União a empresas

Tatiana Farah

SÃO PAULO. O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, defendeu a recuperação das rodovias brasileiras por meio de concessões e chamou a postura do governo em relação às privatizações de “farsa”, em entrevista ao programa “Roda Viva” que vai ao ar às 22h de hoje, na TV Cultura. Ele afirmou que o governo Lula privatiza o dinheiro público, ao conceder empréstimos a empresas.

— É uma nova modalidade, muito interessante (de privatização).

Você dá o dinheiro, e o proprietário é privado. Uma das grandes farsas no Brasil em toda discussão é a questão da privatização. Quando chega no governo, não só volta atrás como dá dinheiro para elas (as empresas). É um modelo curioso de privatização do dinheiro público — afirmou ele, ressaltando que, em seu governo, haveria restrições ao uso de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a fusão de empresas.

O tucano afirmou que as críticas ao preço dos pedágios das estradas paulistas são “trololó petista” e não descartou a possibilidade de, se eleito, cobrar pedágio em estradas federais.

— Uma coisa eu te garanto: se for feito, vai ser bem feito, e não malfeito para jogar para a arquibancada e contra os motoristas — disse Serra.

Ontem, ao lado de intregrantes do PSDB e do DEM, Serra assistiu ao jogo do Brasil no bairro Itaim Paulista, em São Paulo

Serra cobra desculpas de Dilma por dossiê

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, disse que Dilma Rousseff (PT) deveria ter pedido desculpas e afastado assessores acusados de envolvimento na montagem de suposto dossiê contra ele. Durante gravação do programa Roda Viva, da TV Cultura, ele atribuiu a Dilma a fabricação do documento: "Não sei se ela tinha (conhecimento), mas ela é responsável.

Serra cobra desculpas de Dilma por dossiê e diz que petista é responsável

Candidato tucano à Presidência voltou a atribuir à adversária petista fabricação de documento contra ele, cobrou uma atitude mais categórica do presidente Lula e negou que sua equipe de campanha use a mesma estratégia para atingir adversários

André Mascarenhas, e Fausto Macedo

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, afirmou que a petista e sua adversária na disputa, Dilma Rousseff, deveria ter pedido desculpas e afastado imediatamente os assessores acusados de envolvimento na montagem de um suposto dossiê contra o tucano.

Durante gravação do programa Roda Viva, da TV Cultura, anteontem, ele novamente atribuiu a Dilma a fabricação do documento. "Não sei se ela (Dilma) tinha (conhecimento), mas ela é responsável", disse. O programa vai ao ar hoje, a partir das 22h.

Para Serra, o dossiê supostamente encomendado pela equipe da petista é material "requentado". "Quem não gosta de ouvir fofoca", respondeu ao ser questionado se os dossiês seriam um mal necessário nas campanhas. "O PT tem divulgado isso há muito tempo em seus blogs", disse. "Quando se fala em dossiê, é bom que se diga fajuto."

Ele negou que sua campanha use a mesma estratégia para atingir adversários. Ontem, no intervalo do jogo do Brasil com a Costa do Marfim, que assistiu em uma quadra esportiva na zona leste, Serra foi categórico ao cobrar do governo Lula investigação. "Tinha que ter uma comissão de sindicância, é o mínimo que se espera", disse. Pouco antes, Geraldo Alckmin, candidato tucano ao governo do Estado, já havia apontado para o Planalto. "O governo federal precisa explicar como é que o sigilo da Receita é quebrado. A sociedade brasileira espera explicações."

Apesar de os petistas negarem a produção do dossiê, o PSDB insiste em responsabilizar a candidata do PT pelo episódio. "A principal responsabilidade por esse novo dossiê é da candidata Dilma Rousseff.

Disso eu não tenho dúvida, assim como o principal responsável pelo dossiê dos aloprados foi o Aloizio Mercadante e como a principal responsabilidade por dossiês em 2002 foi do Ricardo Berzoini", disse Serra no primeiro comentário público sobre o episódio, no início do mês, logo depois das denúncias publicadas pela revista Veja.

Na época, os tucanos decidiram que partiriam para o contra-ataque. "Vamos para a briga", disse o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, que também é coordenador da campanha de Serra.

Os tucanos tentam colar em Dilma a autoria do documento relembrando o caso do dossiê com gastos do cartão corporativo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de sua mulher Ruth Cardoso. O documento, que indicaria gastos pessoais irregulares na gestão FHC, teria sido elaborado pela Casa Civil, quando Dilma era ministra.

Privatização. Na entrevista ao Roda Viva, Serra falou também sobre economia, segurança e educação, além de ter defendido a união civil de homossexuais, mas não o casamento, e se posicionado contra a descriminalização da maconha.

Ao abordar a privatização, assunto sensível ao PSDB, o tucano procurou mostrar em que pontos tentará marcar diferenças com as políticas do governo Lula. Questionado se levaria para o resto do País a política de privatização de estradas do Estado de São Paulo, demonstrou considerar a possibilidade. "Mas uma coisa eu garanto: se for feito, vai ser bem feito", afirmou.

O presidenciável defendeu o modelo para os aeroportos brasileiros e criticou a concessão de empréstimos de bancos públicos para a fusão de empresas privadas, que classificou como o "modelo de privatização" do governo Lula.

Ao responder sobre as tarifas elevadas dos pedágios em São Paulo, atacou os rivais. "Você está apenas retransmitindo o que diz a oposição", respondeu Serra ao apresentador do programa. "Esse é o trololó petista, que tem muito pouco a falar sobre São Paulo", completou.

Economia. Serra procurou diminuir a responsabilidade do governo Lula no avanço econômico do País. Para ele, a alta taxa de crescimento no primeiro trimestre de 2010 é resultado da expansão reduzida dos últimos anos. "No ano passado crescemos 0%", lembrou o ex-governador, para quem há um processo de "desindustrialização" no Brasil.

Citou a indústria da celulose, setor em que, segundo ele, o país exporta matéria-prima para importar o produto final. Indagado sobre de quem é a culpa, disse: "É do atual governo. Mas muitos deles não sabem disso. O presidente Lula não sabe. Ele vai levando", afirmou.

O presidenciável tucano também atacou o loteamento de cargos no governo federal, comentou sobre a escolha do vice que vai compor a sua chapa e ainda defendeu a ampliação da Lei de Responsabilidade Fiscal para todos os níveis da administração federal (leia texto ao lado).

'Escolhemos esperar até o fim', afirma presidenciável sobre o vice

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

O presidenciável tucano José Serra não conseguiu escapar da pergunta sobre a escolha de seu vice. Até agora, o PSDB ainda não definiu quem vai compor a chapa com Serra.

"Não trouxe o vice. O vice vai ser anunciado no fim do mês. Não tem demora. Tem o prazo até o fim do mês, então nós escolhemos esperar até o fim", disse ele. Depois, brincou: "Já que ninguém perguntou, eu digo, o vice vai ser a Argentina", fazendo referência à Copa do Mundo.

Como vem fazendo sempre que tem a oportunidade, o tucano atacou o loteamento de cargos no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

"Eu não acredito que seja um mal necessário para o País o loteamento de cargos", diz, ao ser questionado se é possível governar sem alianças com políticos mal intencionados.

"Eu estou combatendo essa ideia (do mal necessário)", afirmou. Serra aproveitou também para atacar o loteamento a Fundação Nacional de Saúde e nos Correios. No final, defendeu que a Lei de Responsabilidade Fiscal seja estendida para todas as esferas da União. / A.M. e F.M.

Serra é sabatinado hoje por Folha e UOL

DEU NA FOLHA DE S. PAULO

Inscrições já estão esgotadas, mas leitores poderão acompanhar a entrevista, a partir das 11h, pela internet

Marina Silva (PV) já foi entrevistada; Dilma Rousseff (PT) cancelou a participação marcada para o dia 17 de junho
SÃO PAULO - A Folha, numa parceria com o UOL, sabatina o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, hoje às 11h, em São Paulo.

O tucano responderá a perguntas de entrevistadores, da plateia e dos internautas. Com duração de duas horas, a sabatina será realizada no Teatro Folha (av. Higienópolis, 618).

Ele será entrevistado pela editora do caderno Poder da Folha, Vera Magalhães, pelo colunista do UOL e da Folha Fernando Rodrigues, pela editora da coluna "Painel" da Folha, Renata Lo Prete, e pelo gerente geral de Notícias do UOL, Rodrigo Flores.

As inscrições para participar da sabatina já estão esgotadas. Mas os leitores podem acompanhar pela página uol.com/sabatina.

Marina Silva, candidata do PV, foi sabatinada na quarta-feira passada. Dilma Rousseff, do PT, cancelou sua participação na sabatina marcada para o último dia 17, alegando que tinha agendado uma viagem internacional naquela data.

A ordem dos entrevistados foi definida por um sorteio. No dia 13 de maio, todas as campanhas assinaram um documento no se comprometiam a cumprir o que foi acertado. A Folha e o UOL argumentaram com a direção da pré-campanha de Dilma que as sabatinas foram agendadas depois de mais de quatro meses de negociações.

DEBATES

Neste ano, a eleição presidencial terá 13 candidatos, sendo que 7 têm direito de participar de eventuais debates nos rádios e nas TVs.

A lei impõe restrições ao rádio e à TV porque são concessões públicas: na web podem ser convidados só os principais candidatos. Os debates realizados por veículos da mídia impressa ou por meio da internet não estão sujeitos a essas regras.

Há seis meses, a Folha e o UOL negociam com os principais candidatos para que seja realizado um debate a ser transmitido, ao vivo, pela internet. Até agora não houve acordo sobre uma data para que Dilma, Serra e Marina participem desse debate.

Jarbas compara gestões e ataca Eduardo Campos

DEU NO JORNAL DO COMMERCIO (PE)

Ao adotar a postura mais incisiva desde que assumiu a pré-candidatura ao governo, senador critica capacidade gerencial e política do adversário, chama obra de “fajuta” e diz que pode fazer melhor

Jorge Cavalcanti

O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) disparou duro contra o governador Eduardo Campos (PSB), ao mesmo tempo em que afagou o deputado federal Roberto Magalhães (DEM) para que aceite disputar a segunda vaga ao Senado pela oposição, no último sábado, em Caruaru (Agreste). Conhecido pela forma ácida de fazer campanhas, Jarbas tentou minar uma das características que Eduardo mais preza: a figura de um político firme e envolvido com a administração.

No evento organizado pela deputada estadual Miriam Lacerda (DEM), sua colega de chapa, o peemedebista chamou a duplicação da BR 104 de “fajuta”, num dos municípios mais beneficiados pela BR 232, principal feito de seu governo. “A obra não anda porque Pernambuco não tem comando político e administrativo. Não anda porque o governador quer viver debaixo da asa do presidente Lula. Se tivesse um governador altivo, como eu fui, já estava pronta”, discursou, arrancando aplausos de uma plateia formada por cerca de 1.300 pessoas.

Na expectativa do palanque governista apostar numa campanha comparativa, Jarbas acusou Eduardo de prometer e não cumprir, apesar de não citar quais compromissos deixaram de ser realizados. “Vou disputar uma eleição com um governador que prometeu e não fez. Fiz muito mais do que ele”, afirmou, relembrando que herdou de Miguel Arraes – avô de Eduardo – um governo “desestruturado”.

Nos bastidores, aliados do senador viram no ataque uma estratégia para tirar Eduardo dos discursos administrativos e trazê-lo para o embate político. Nas críticas ao governo, raras vezes Eduardo se envolveu publicamente em polêmicas. Sempre delegou a subordinados, na maioria das vezes o líder do governo na Assembleia Legislativa, Isaltino Nascimento (PT). As exceções foram as denúncias da oposição contra a Empresa de Turismo (Empetur) e a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe).

A postura adotada por Jarbas, sábado, foi a mais incisiva desde que aceitou disputar o Palácio do Campo das Princesas, há 22 dias. De lá para cá, ocorreram mais cinco eventos. Mas em nenhum deles os ataques aconteceram num tom tão elevado. O senador voltou também a criticar a presidenciável do PT, Dilma Roussef, a quem acusou de “não ter visão nem competência”.

SENADO

O evento de sábado – mais um com a ausência do senador Sérgio Guerra (PSDB), a quarta consecutiva – serviu como tentativa de sensibilizar Roberto Magalhães de abandonar a política. O próprio Jarbas foi o porta-voz dos apelos. “Tenho certeza que, pela minha vontade e de todos presentes aqui, você não deixa a vida pública”, pediu.

Com a certeza de que o PSDB não indicará um quadro competitivo, e com a desistência do deputado Raul Jungmann (PPS), Jarbas e o DEM apostam em Magalhães para ter um palanque forte, com três ex-governadores.

Para Serra, Dilma deveria ter afastado assessores

DEU NO ZERO HORA (RS)

Dados fiscais levantados contra Eduardo Jorge teriam partido dos sistemas da Receita FederalA batalha entre PT e PSDB por conta do suposto dossiê contra José Serra tem mais um round. O tucano afirmou que a adversária Dilma Rousseff (PT) deveria ter pedido desculpas e afastado imediatamente assessores envolvidos no caso.

Durante gravação do programa Roda Viva, da TV Cultura, no sábado, ele novamente atribuiu a Dilma a fabricação do documento.

– Não sei se ela (Dilma) tinha (conhecimento), mas ela é responsável – disse.

O programa vai ao ar hoje, a partir das 22h.

No sábado, o jornal Folha de S.Paulo trouxe a informação de que os dados fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, levantados pelo “grupo de inteligência” da pré-campanha de Dilma, saíram diretamente dos sistemas da Receita Federal, como atestam documentos aos quais o jornal teve acesso.

Em todas as páginas de um conjunto de cinco declarações completas do Imposto de Renda (entregues entre 2005 e 2009) de EJ, como o dirigente tucano é conhecido, consta a seguinte frase: “Estes dados são cópia fiel dos constantes em nossos arquivos. Informações protegidas por sigilo fiscal”.

Vale tudo para ficar no poder

DEU NO ESTADO DE MINAS

PT barra pretensões políticas de filiados históricos em favor de alianças com outros partidos, que em troca lhe dão apoio para renovar a estada no Palácio do Planalto
Ivan Iunes

Brasília – A caminhada do PT rumo ao pragmatismo político, com alianças firmadas com partidos de centro-direita, pode ser vista sob duas óticas. Por um lado, possibilitou à legenda alcançar o maior posto eleitoral do país, a Presidência da República, em 2003. O outro ângulo revela uma diáspora petista, a partir da mudança do rearranjo de prioridades dentro da sigla. Mais do que isso, faz crescer uma lista de aliados antes preferenciais, e até de membros do próprio partido relegados no plano eleitoral, em prol da aliança com partidos como PMDB e PR. Somente no atual xadrez eleitoral, pelo menos cinco candidatos petistas, ou de aliados históricos, ficaram pelo caminho para não pôr em risco os planos da legenda de renovar a estada no Palácio do Planalto, com Dilma Rousseff (PT). Nomes com forte potencial eleitoral, Fernando Pimentel (PT-MG), João Paulo (PT-PE), Lindberg Farias (PT-RJ), Antônio José (PT-PI) e Flávio Dino (PcdoB-MA), tiveram os planos políticos prejudicados em razão das alianças nacionais do PT, em especial o acordo fechado com o PMDB. “O PT decidiu adotar o pragmatismo para conseguir chegar ao poder e isso, naturalmente, produziu uma mudança de espírito do partido”, resume a deputada federal, e ex-petista Luíza Erundina (PSB-SP).

Com planos políticos de virarem governadores, Pimentel, Lindberg e Antônio José tiveram de limitar o horizonte eleitoral. Os dois primeiros ganharam do partido a legenda para o Senado Federal. O último ainda não tem o futuro garantido e pode acabar tentando a reeleição à Câmara dos Deputados. Dentro do Maranhão, Flávio Dino até conseguiu garantir o apoio petista. Mas o pragmatismo eleitoral fez o diretório nacional do PT retirar o apoio em nome da candidatura de Roseana Sarney (PMDB). Dino teve de se contentar em virar candidato nanico, com o apoio do próprio partido e do PSB.

Greve de fome Em protesto contra a decisão, o deputado federal Domingos Dutra (PT-MA) chegou a fazer greve de fome de uma semana no plenário da Câmara e praticamente abandonou a disputa pela reeleição. “O José Sarney fez questão de dobrar o PT do Maranhão por uma questão pessoal. Só que nós, internamente, decidimos ficar com o Dino. A eleição da Dilma está praticamente garantida, mas o diretório nacional, por medo do Sarney, praticou uma violência contra a militância e contra a própria democracia”, reclama Dutra.

Para o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, a mudança na política de alianças da legenda foi necessária para que o partido se consolidasse no plano nacional, com reais chances de dirigir o país. Um dos reflexos dessa nova realidade é o número de candidatos do partido a governador, nos estados e no Distrito Federal. Em outubro, apenas 11 petistas disputarão o controle dos governos. A média histórica era de 20, por eleição, até 2002. “A partir do momento em que você alcança a Presidência, não há mais necessidade de se marcar posição, o trabalho é manter o projeto. Para isso, precisamos de alianças. Em política não dá para fugir da realidade. Antes, lançávamos candidatos somente para marcar posição, mas elegíamos poucos. Agora, serão 11 com boas chances de vitória”, justifica Dutra.

Brasil desiste de papel de interlocutor entre Irã e potências

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

Amorim diz que País não terá mais "posição proativa" com Teerã; EUA comemoram Recuo

BRASÍLIA – Desapontado com a aprovação de novas sanções da ONU contra o Irã, o Brasil desistiu de exercer um papel de interlocutor entre as potências ocidentais e o país persa. A revelação foi feita pelo chanceler brasileiro, Celso Amorim, em entrevista ao jornal britânico Financial Times, publicada ontem.

"Não vamos novamente ter uma posição proativa (em relação à negociação iraniana), a não ser que sejamos solicitados", disse Amorim. Segundo o ministro, o Brasil acabou prejudicado "por fazer coisas que todos afirmavam ser positivas". "Ao final, descobrimos que tem gente que não sabe receber "sim" como resposta", alfinetou o chanceler.

Uma autoridade americana que pediu anonimato comemorou a declaração de Amorim. "Não vejo o Brasil e a Turquia em uma posição de exercer essa mediação", disse ao Financial Times. "Por terem votado contra as sanções da ONU, eles não são mais realmente neutros."

De acordo com o Itamaraty, o Brasil foi incentivado pelo próprio presidente Barack Obama a selar o acordo de 17 de maio, que previa a troca na Turquia de 1.200 quilos de urânio iraniano por 120 quilos de combustível nuclear. Obama teria afirmado - por meio de cartas vazadas à imprensa pelo governo brasileiro - que o compromisso seria um sinal positivo, embora insuficiente para fazer os EUA desistirem de novas sanções a Teerã.

Mas, após o pacto ser firmado, a diplomacia americana adotou posição oposta. Washington justificou seu ceticismo em relação ao acordo afirmando que a rápida ampliação dos estoques iranianos de urânio praticamente anulava o impacto da troca sobre o avanço de Teerã em direção à bomba.

Eleito com folga, candidato de Uribe promete governo de união na Colômbia

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

Ex-ministro da Defesa, Santos recebe maior número de votos da história colombiana e derrota o opositor Antanas Mockus por uma diferença de mais de 40 pontos; favoritismo, fortes chuvas e Copa do Mundo fazem abstenção chegar a 55%

Renata Miranda
ENVIADA ESPECIAL / BOGOTÁ

Vencedor. Santos comemora vitória entre seu vice, Angelino Garzon, e sua mulher, Maria Clemencia, no centro de Bagdá


Confirmando o favoritismo e as pesquisas de intenção de voto, o candidato governista Juan Manuel Santos foi eleito ontem o novo presidente da Colômbia, com 69% dos votos, prometendo um governo de "unidade nacional". Com mais de 9 milhões de votos, Santos obteve a maior votação na história da Colômbia, superando as vitórias de seu mentor político Álvaro Uribe em 2002 e 2006.

Em um segundo turno marcado pela abstenção, seu rival, Antanas Mockus, do Partido Verde, obteve 27% de apoio, com 99,77% das urnas apuradas.

"O relógio hoje marca uma nova hora, chegou a hora da unidade nacional", afirmou Santos a milhares de partidários no Coliseu El Campín, em Bogotá. "Os colombianos votaram por unidade e hoje sou o presidente eleito de todos." O governista elogiou Mockus e convidou o opositor a participar de seu projeto de unidade. Santos também agradeceu o apoio de Uribe e prometeu dar continuidade às suas políticas.

O novo presidente da Colômbia aproveitou o discurso para enviar uma mensagem à comunidade internacional, garantindo melhorar as relações com os países vizinhos, como Venezuela e Equador. "Vocês podem ter certeza de que em meu governo encontrarão um aliado e um sócio." Sobre o combate à guerrilha, Santos disse que "se esgotou o tempo das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia)", prometendo "dureza e toda firmeza" na luta contra a insurgência.

Mockus, ex-prefeito de Bogotá, felicitou seu rival pela vitória. Ele disse também que, apesar de sua derrota nas eleições, seu partido consolidou-se como "uma força política independente".

O resultado das eleições é um claro reconhecimento do legado do presidente Álvaro Uribe, um dos líderes mais populares da América Latina que, em oito anos de governo, melhorou drasticamente a segurança do país. Em pronunciamento na TV, Uribe felicitou Santos e agradeceu o Exército pela segurança durante o processo eleitoral.

Como seu ministro da Defesa, Santos recebeu parte dos créditos pelos impressionantes resultados da política de Segurança Democrática e é visto como o símbolo de continuidade das populares medidas do governo.

Apesar da proximidade com o presidente, Santos promete fazer mudanças na Casa de Nariño. Analistas, porém, acreditam que após a vitória de seu herdeiro político, a presença de Uribe no próximo governo deve ser forte (mais informações nesta página). A governabilidade de Santos também está garantida, com uma base de apoio de 232 dos 268 deputados da Câmara, ou 86% do total de cadeiras da Casa.

Abstenção. "Altos níveis de votação melhoram sensivelmente os índices de governabilidade", disse o articulista Edulfo Peña no jornal El Tiempo. "Uma maioria significativa de votos dá ao presidente mais autoridade diante dos demais atores políticos."

Estima-se que apenas cerca de 45% dos colombianos foram às urnas escolher entre Santos e Mockus. Uma das principais preocupações deste segundo turno era tentar reduzir o número de abstenções - o voto na Colômbia não é obrigatório e na primeira fase da eleição, 50% do eleitorado decidiu ficar em casa.

O baixo comparecimento às urnas foi atribuído ao desânimo causado pela grande diferença de votos entre os dois candidatos no primeiro turno. As autoridades também temiam que os jogos da Copa do Mundo e a chuva desestimulassem os eleitores.

"É um grande avanço para o nosso país que os maiores problemas desta eleição sejam as partidas de futebol e a chuva", disse o candidato governista depois de ter votado pela manhã na capital. Ele elogiou o apoio do Exército para realizar as eleições.

Juan Manuel Santos
PRESIDENTE ELEITO
"Mockus foi um rival de alto nível, que fez a Colômbia pensar no valor da vida, transparência e legalidade. Compartilhamos essas bandeiras e o convido a, juntos, mantê-las no alto"

Antanas Mockus
CANDIDATO DERROTADO
"Desejo a (Juan Manuel) Santos o maior dos êxitos para o bem de nosso querido país"


PONTOS-CHAVE

Vizinhos
O novo presidente terá a difícil tarefa de normalizar as relações com Venezuela e Equador, abaladas após um ataque aéreo contra um acampamento das Farc em território equatoriano

Farc
Combate à guerrilha foi prioridade de Uribe e seu sucesso em acuar rebeldes é determinou sua alta popularidade. Santos afirma que se recusará a negociar com a guerrilha

Economia
O novo presidente terá de desenvolver políticas que melhorem a economia da Colômbia - que está saindo da recessão - e incentivem a criação de empregos. O desemprego no país é de 12,4%

Narcotráfico
O combate ao tráfico de drogas é um dos desafios do futuro líder. Apesar da ajuda dos Estados Unidos, a Colômbia continua sendo o primeiro produtor mundial de cocaína

Ato democrático :: Graziela Melo



Dentro dos espaços históricos, irregularmente democráticos da América Latina, me tocou, ainda na tenra infância, o período do Estado Novo de Getúlio.

Depois o país deu uma respirada, mais ou menos aliviada até o famigerado golpe de 64. Aí, já em plena juventude passei a sentir o sabor amargo de uma ditadura. A seguir, foi o Chile democrático de Salvador Allende. Pura alegria.

Depois de sair dos becos escuros, dos buracos negros, clandestinos onde e como vivíamos, tentando driblar os lobisomes da repressão, chegar a um país repleto de passeatas, bandeiras de distintos partidos desfraldadas ao ar, livremente, acompanhados da música e da voz de Victor Jara, do Conjunto Quilapayum, era uma emoção indescritível.

Bem, foi uma emoção semelhante que senti no último sábado pela manhã, ao chegar ao local da Convenção quadripartidária (PSDB-PPS-DEM-PV) que homologou Gabeira ao governo do Estado, Marcio Fortes, vice, Marcelo Cerqueira e Cezar Maia, para o senado, no Clube Canto do Rio, em Niterói, superlotado de gente, aguardando seus candidatos e partidos.

Inúmeras bandeiras desfraldadas Esse foi um belo espetáculo democrático. As pessoas se misturavam pelo pátio, batendo papo, tomando cervejinha, contando piadas. Uma bela maré humana!

A democracia é boa, gostosa de ser e para ser vivida e faz um grande bem à saúde!

Viva a democracia!!! A melhor e mais sábia forma de convivência humana!!!

O QUE PENSA A MÍDIA

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Franz Liszt: Liebestraum cello and piano

Canção do exílio:: Murilo Mendes


Minha terra tem macieiras da Califórnia
onde cantam gaturamos de Veneza.
Os poetas da minha terra
são pretos que vivem em torres de ametista,
os sargentos do exército são monistas, cubistas,
os filósofos são polacos vendendo a prestações.
A gente não pode dormir
com os oradores e os pernilongos.
Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda.
Eu morro sufocado
em terra estrangeira.
Nossas flores são mais bonitas
nossas frutas mais gostosas
mas custam cem mil réis a dúzia.

Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade
e ouvir um sabiá com certidão de idade!



In: MENDES, Murilo. Poesias, 1925/1955. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1959