quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Daqui para a frente tudo vai ser diferente:: Rosângela Bittar

São os mais próximos à presidente Dilma que avisam: ela também não gostou do desempenho do governo em 2011, talvez até concorde com as avaliações, feitas aqui mesmo, de que falhou redondamente onde se achava e se dizia melhor, reconheceu isto publicamente nas reuniões de janeiro com grupos de ministros e, agora, está buscando, objetivamente, o caminho de fazer política sem descuidar da gestão.

Do ponto de vista da organização política, continuará governando com os partidos, e seus gestores serão os ministros-parlamentares, indicados por diferentes facções. O que vai mudar é a atitude da presidente. Ela cobrará e o partido que não entregar a meta que lhe foi determinada perderá o posto ou sofrerá por parte da presidente uma intervenção. Se precisar trocar todo o segundo escalão para o governo funcionar, trocará. E cada vez mais buscará nos partidos auxiliares com quem tenha maior afinidade.

O exemplo que se dá é o do Ministério da Agricultura, de onde saiu o PMDB e entrou o PMDB. Só que o deputado Mendes Ribeiro é muito mais um ministro de Dilma, comprometido com sua orientação sobre o que fazer, do que era o defenestrado Wagner Rossi. Outro: Não há a menor dúvida de que a presidente pode esperar cumprimento de metas do PAC, que estão 60% nas mãos da Petrobras, com Graça Foster na presidência do que esperaria de Sérgio Gabrielli.

Garantias de que Dilma vai se dedicar 100% à gestão e às obras que pretende entregar até a campanha da reeleição, em 2014, é o que não precisa mais dar daqui para a frente. Seus mais frequentes intérpretes sublinham que, nos últimos anos, Dilma foi a única presidente que não usou seu primeiro ano de governo para fazer reformas constitucionais, e por isso não precisou de dois terços do Congresso, embora tivesse uma base aliada ampla. Mas aprovou três projetos fundamentais, que eram motivo de barganha anual e agora lhe darão trégua até 2015: a política definitiva para o reajuste do salário mínimo, a aprovação da DRU e a correção da tabela do imposto de renda. Dilma tirou poder do Congresso, mas acredita ter resolvido essas questões até 2015.

Prosseguindo com o governo fatiado entre os partidos, acredita que continuará tendo apoio para aprovar os projetos que pretende ainda este ano ver em vigor. Não terá reformas a apresentar - essas estão no horizonte só de primeiro ano de governo, não nos demais - mas um Funpresp (o fundo de previdência do funcionário público), por exemplo, cita-se no Palácio, tem o valor de dez reformas, exigindo apenas maioria de votos.

A presidente também não fez o Orçamento real para 2012, com o qual teoricamente executará seus planos para o segundo ano. A lei das verbas da União continua sendo uma peça de ficção, como passaram a ser ficção também os cortes dramaticamente anunciados neste Orçamento. É tudo tão dissimulado no Orçamento que não se ouvem mais reclamações, nem dos ministros nem dos parlamentares. Haverá, como todos os anos, excessos de uma arrecadação sempre subestimada, e tudo se resolverá até 31 de dezembro sem que o Brasil passe a contar com um Orçamento verdadeiro.

Contudo, a ênfase que o governo dá a esse Orçamento com que pretende pegar à unha a gestão do governo não é que a presidente mais uma vez não conseguiu reformar o modelo de elaboração e execução da principal lei de sua administração. Disso sem se cogitou. O que se destaca é que com o Orçamento da União de 2012 Dilma conseguiu dar dois sinais claros ao público externo. Um, para o mercado, informando que a meta de superávit não vai estrangular o governo, as obras estão mantidas. Outro, para os políticos, um recado também anual: terão que barganhar a liberação de verbas, o que dá ao governo ainda instrumentos de manobra no Parlamento.

Aos que imaginam que isso tem outro nome, a administração Dilma prefere chamar de realismo. Para dentro, a presidente deu também seus recados em 80 horas de reuniões ministeriais realizadas em janeiro.

Deu poderes à ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, para coordenar e cobrar. Cada um de seus auxiliares tem que dizer periodicamente o que poderá ou não mais poderá entregar, e proibiu - sim, com toda a objetividade - seus ministros de falarem com ela, Dilma, sem ter passado antes por Gleisi.

É literal: "Não tentem vir falar comigo antes de falar com a Gleisi", disse em todas as reuniões ministeriais. A agenda da chefe da Casa Civil indica, em qualquer dia que se olhe, o cumprimento rigoroso da ordem. Ontem, por exemplo, os despachos com Gleisi registravam Edison Lobão (Minas e Energia), Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), Marco Antônio Raupp (Ciência e Tecnologia), Siqueira Campos (governador do Tocantins), Marco Aurélio Bertaiolli (prefeito de Mogi das Cruzes/SP), Márcio Fortes (presidente da Autoridade Pública Olímpica). De um tudo nesse menu.

Ao contrário de intensa boataria ocorrida em Brasília há duas semanas, Gleisi não está de saída do governo e o poder que tem hoje vale dez governos do Paraná, sem contar que ainda há muito tempo para decidir se quer entrar em campanha eleitoral no Estado ou não, como indicava o falatório.

Nesse plano, enquanto o governo segue seu curso, Dilma ficará com a pressão direta sobre empresários e executivos de algumas obras empacadas sobre as quais jogará seu peso político presidencial. A constatação da paralisia da Transnordestina, por exemplo, não foi obra de uma visita ao acaso. A presidente já foi lá sabendo o que iria encontrar, quis chacoalhar Benjamin Steinbruch. Foi ao Castanhão, esta semana, no Ceará, porque informada de que emperrou uma das ligações que impedem a finalização do projeto. Vai fazer o mesmo em estádios e obras de metrô. Entre as iniciativas que quer fazer acontecer está a política de concessão dos Portos. A presidente já avisou auxiliares que, em casos como esse, muito intrincados, ela começará, enfrentará os principais tabus, como a resistência dos sindicatos, montará editais e irá em frente. Mesmo que não conclua o projeto em seu governo, terá iniciado o percurso de um caminho sem volta.

Parece um estilo contundente, uma administração por sustos? Pois dizem que será. O fato é que a presidente não quer chegar ao fim de 2012 como chegou ao fim de 2011, tendo que dar razão aos seus críticos. As avaliações de janeiro de 2013 terão que ser opostas às feitas este ano.

FONTE: VALOR ECONÔMICO

O foro é como a cela especial:: Fernando Rodrigues

Há duas discussões na praça sobre o foro privilegiado para autoridades. Acabar com o sistema resolve ou não a impunidade crônica para uma certa parcela da elite política? A outra indagação é se essa norma é justa.

Uma análise complacente produz duas respostas no estilo do brasileiro cordial. Primeiro, acabar com o foro privilegiado não vai resultar no fim da impunidade. Segundo, seria uma imprudência submeter o presidente da República ou altas autoridades a um tratamento temerário em varas comandadas por magistrados de primeira instância.

Esses dois argumentos são falácia pura. É claro que acabar com o foro privilegiado não produziria o fim imediato da impunidade. Mas teria um efeito pedagógico para a sociedade. Ajudaria a construir um valor republicano ainda em falta na jovem democracia brasileira: todos são e devem ser iguais perante a lei.

Já o notório baixo nível, na média, dos juízes de primeira instância é uma realidade. Mas defender o foro privilegiado usando esse ponto de vista é admitir a derrota do Estado. É como justificar a ignomínia maior que é a cela especial separada para quem tem curso superior.

A eliminação do foro privilegiado para autoridades chamaria a atenção para o estado de depauperação de certos setores do Judiciário em primeira instância. No dia em que um juiz do interior mandar prender um deputado ou até o presidente sem ter amparo legal, as coisas começarão a mudar.

Não faz muito tempo, membros de uma igreja processaram a jornalista Elvira Lobato em dezenas de cidades. Era uma tentativa de intimidar a repórter e a Folha, onde saíram as reportagens contestadas. Tratou-se de clara chicana jurídica -mas o governo Lula, à época, não viu nada de errado. No dia em que a elite política for tratada pelos juízes como todos os outros cidadãos, a Justiça começará a melhorar.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Parar a entrada de capitais? Celso Ming

Em depoimento nesta terça-feira na Comissão de Economia e Finanças do Senado, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, apoiou o diagnóstico do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o principal fator de valorização do real (baixa do dólar) é o despejo nunca visto de moeda nos mercados pelos grandes bancos centrais: Federal Reserve (dos Estados Unidos), Banco Central Europeu (área do euro), Banco da Inglaterra e Banco do Japão.

O objetivo preponderante desses bancos centrais é desbloquear o crédito e promover grande oferta de recursos para que os juros de longo prazo pagos pelos títulos soberanos (dívida dos Tesouros) possam se manter em níveis muito baixos, para não sobrecarregar o custo do endividamento.

Tombini não confirmou a mobilização do arsenal de medidas de que tanto fala Mantega. Em compensação, observou que os países emergentes estão acostumados a lidar com esse problema.

Para quem chega só agora ao assunto, o problema do forte afluxo de moeda estrangeira é a derrubada do câmbio interno que, por sua vez, tende a tirar competitividade do setor produtivo nacional, por encarecer em dólares o produto brasileiro e baratear em reais o importado.

Uma das propostas mais insistentes entre economistas e industriais brasileiros é erguer um dique à entrada de capitais – tática que está entre as mais empregadas pelos países emergentes, inclusive pelo Brasil, como lembrou Tombini.

Hoje, já há a imposição do Imposto sobre Operações Financeiras, de 1%, na entrada de recursos destinados a aplicações de renda fixa. É um jeito de reduzir o retorno das aplicações financeiras no mercado interno e desestimular essas operações.

Mas a maior parte desse volume ou vem como financiamento de longo prazo (emissão de bônus ou títulos) ou vem como Investimentos Estrangeiros Diretos (IEDs). No ano passado, apenas nessa alínea entraram US$ 66,7 bilhões, o equivalente a 26% das receitas com exportações ou 2,7% do PIB brasileiro.

É complicado, mas é possível controlar esses afluxos. Mas impor barreiras aos financiamentos externos implica fechar torneiras, justamente quando empresas brasileiras (como a Petrobrás) mais precisam de recursos baratos para reforço de capital de giro. Nos últimos sete dias, o Bradesco trouxe US$ 1,1 bilhão e o Banco do Brasil, US$ 750 milhões. Esses financiamentos não interessam ao Brasil?

E conter os IEDs exigiria imposição de critérios duvidosos – como determinar qual investimento é bom ou ruim. Por que, por exemplo, investimentos estrangeiros em serviços (como transporte, telecomunicações, supermercados) ou em agropecuária seriam indesejáveis, enquanto os destinados à indústria seriam bem-vindos? Em seguida, como controlar essas aplicações, se um grupo poderia trazer recursos novos para a indústria e usar suas reservas em outra área?

A questão mais importante, no entanto, é saber que sinais para o mundo restrições assim passariam. É ou não do interesse do País estimular investimentos, criação de empregos e aumento de produção? E por que não tirar proveito da grande disponibilidade de capitais, quando o que mais falta no País é poupança para empurrar o desenvolvimento econômico?

CONFIRA


A expansão do crédito pelos bancos segue alta, acima de 18% em 12 meses. É fator que, ao lado da expansão da massa salarial, puxa o consumo, num momento em que o setor produtivo avança mais devagar. Isso significa que as importações continuarão a ser acionadas para ajudar a suprir o consumo.

Garfo neles. O candidato socialista à presidência da França, François Hollande, pede alíquota de 75% no Imposto de Renda dos super-ricos. É proposta desenhada para mais efeito político do que arrecadatório.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Visão do BC:: Míriam Leitão

Faltam seis dias para a divulgação pelo IBGE do PIB oficial de 2011. O número será baixo. O BC previu 2,7%. Como explicação antecipada para o baixo desempenho, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, avisou ao Senado que há três trimestres o Brasil cresce abaixo do seu potencial. A queda do crescimento o ajudou, por outro lado, a explicar as mudanças na forma de atuação do BC em relação aos juros, até com anúncio de quedas futuras.

Se for confirmado o número divulgado pelo Banco Central, o Brasil teve o pior desempenho entre os emergentes, um dos mais baixos da região, e menos até do que a Alemanha que está no centro da crise na Europa. Mas o número fortalece o argumento do Banco Central para explicar por que derrubou os juros no ano passado, quando a inflação ainda estava acima do teto da meta, e por que avisou antecipadamente que a taxa será de um dígito, antes de garantir que a inflação chegue à meta de 4,5%.

Ao dizer que derrubou os juros porque o país cresce abaixo do seu potencial, ele respondeu a quem o critica por excesso de juros e a quem o critica por estar convivendo com a inflação acima da meta. "Não é por outra razão, disse ele, que o BC vem ajustando a sua taxa de juros para baixo nesse período." A razão é que o país cresce menos do que poderia crescer.

A seu favor, Tombini tem um bom argumento: a inflação, mesmo alta, tem caído nos últimos meses, no acumulado de 12 meses, apesar de a queda ser puxada basicamente pelos produtos que ficam mais baratos como efeito do dólar baixo. A inflação de serviços, que não tem influência de moeda estrangeira, continua em 8,5% e será pressionada pelo aumento de 14% do salário mínimo. Para este ano, a previsão do presidente do BC é que o país vai crescer mais do que no ano passado e aumentará o ritmo no segundo semestre, em relação ao primeiro.

O ano, segundo Tombini, está mostrando recuperação de ativos nas bolsas de todo o mundo, principalmente nos países emergentes (vejam no gráfico). Mas ficou claro na sua apresentação que a incerteza internacional continua. A elevação da bolsa pode ser apenas efeito da impressionante enxurrada de liquidez do Fed, Banco Central Europeu (BCE), Banco do Japão (BoJ) e Banco da Inglaterra (BoE). Entre 2008 e 2012, a oferta de dinheiro por parte dessas autoridades monetárias foi de US$ 4,6 trilhões, um aumento de 112% (vejam no gráfico). O volume ficará ainda maior porque o Banco Central Europeu despejará mais 500 bilhões esta semana. Isso, sem falar nas taxas de juros que vão do zero do Japão; 0% a 0,25% nos Estados Unidos; 1% na Zona do Euro; e 0,5% na Inglaterra. Nunca se viu juros tão baixos por tanto tempo.

A grande pergunta que fica, para quem avalia esses números apresentados ontem por Tombini ao Senado, é se esse volume de oferta de dinheiro aos bancos pelos bancos centrais mais poderosos do mundo não está mascarando o problema global da economia. O dinheiro excessivo cria fluxos que provocam altas em bolsas, reduzem custos de financiamento, mas apenas porque o capital está procurando rentabilidade, e não porque a situação econômica tenha melhorado de fato. Um efeito indesejado desses fluxos é o de supervalorizar moedas como a brasileira. Outro é elevar o preço de alimentos e do petróleo.

Para Tombini, a perspectiva da economia global está melhor, mas não muito. Nos Estados Unidos, o desemprego cai ligeiramente, o mercado imobiliário se recupera e indicadores de consumo estão acima da expectativa. Apesar disso, ele alertou que o endividamento das famílias ainda é alto, o desemprego, também, e há pouco espaço para elevação de gastos para reativar a economia.

A economia global cresce pouco. Na Zona do Euro, seis países estão oficialmente em recessão: Grécia, Portugal, Itália, Bélgica, Holanda e República Checa.

Para o Brasil, ele promete mais PIB e menos inflação em 2012. O país vai crescer mais e com a inflação convergindo para a meta. Ele admitiu que a classificação de risco do país ainda é alta, mas disse que o custo de financiamento da dívida pública brasileira no mercado internacional é o menor em 40 anos.

FONTE: O GLOBO

O dragão recatado:: Rolf Kuntz

Muito mais notável que o diagnóstico - é preciso ajustar o modelo chinês - é o fato político. O governo da China, segunda maior economia do mundo, maior emergente e única potência industrial ainda sujeita a um regime de partido único, fez dobradinha com o Banco Mundial para estudar um roteiro econômico para os próximos 18 anos. China 2030 é o título do relatório de 468 páginas preparado por economistas do banco e do Centro de Pesquisa de Desenvolvimento, órgão do Conselho de Estado da China. O prefácio é assinado pelo presidente do centro, Li Wei, e pelo presidente do Grupo do Banco Mundial, Robert Zoellick, esnobado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como "sub do sub". Nesse tempo, Zoellick chefiava a diplomacia comercial da potência número um, mas o presidente brasileiro parecia desconhecer ou menosprezar esse detalhe.

A concepção lulista das relações internacionais continua dominante em Brasília. Segundo essa concepção, o mundo é uma versão ampliada do ABC paulista e os países correspondem, na escala micro, a patrões e empregados. Por isso, a linguagem adequada para falar ao mundo é a das assembleias de Vila Euclides. Esse foi o critério seguido pelo presidente em todas as suas manifestações internacionais. Ainda é, com pequenas mudanças, o padrão da diplomacia econômica petista. A atuação do ex-presidente podia ser mais pitoresca, mas a mensagem se mantém.

Segundo esse discurso, os interesses dos emergentes são essencialmente iguais e se opõem, de modo geral, aos dos países capitalistas mais desenvolvidos. A tese vale, portanto, também para os componentes do Bric - Brasil, Rússia, Índia e China. A maior parte dos emergentes parece ter outra visão, porque esses países quase nunca apoiam as pretensões brasileiras (a um posto permanente no Conselho de Segurança da ONU, por exemplo) e, além disso, dão prioridade comercial aos parceiros mais desenvolvidos.

De acordo com o mesmo discurso, o Grupo dos 20 (G-20), formado pelas maiores economias desenvolvidas e em desenvolvimento, é o fórum econômico mais importante e suas decisões pautam as instituições multilaterais. Novamente os fatos negam a tese. Superada a pior fase da crise de 2008-2009, diminuiu a cooperação entre os membros do G-20, como assinalou já em 2010 Dominique Strauss-Kahn, então diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI). Nestes dois anos, a ação do grupo tem sido pouco relevante.

Além do mais, o Fundo, o Banco Mundial, o Banco de Compensações Internacionais (BIS) e o Conselho de Estabilidade Financeira sempre se anteciparam ao G-20 na identificação de problemas estruturais e na formulação de estudos e de propostas, até porque dispõem de equipes técnicas permanentes e de acesso regular às fontes de informação.

A crise não acabou, novos desafios surgiram e o efetivo ganho de relevância foi para as instituições multilaterais. O disco petista continua girando, no entanto, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, prossegue em sua cruzada ruidosa para levar os emergentes e pobres ao poder no FMI e no Banco Mundial. As reformas no sistema de cotas e na gestão do Fundo prosseguem, como prosseguiriam sem esse barulho. Outros grandes emergentes fazem seu jogo com menos ruído e mais atenção aos interesses próprios. A parceria entre China e Banco Mundial, às vésperas de mudança no governo, é um exemplo de pragmatismo, um fator de fortalecimento da instituição e um aval político à estratégia chinesa.

Por uma notável coincidência, o economista-chefe e vice-presidente sênior do Banco, Justin Yifu Lin, é um ex-membro do Congresso do Povo da China e ex-integrante de vários comitês governamentais chineses. Nomeado em 2008, Justin Lin é o primeiro economista-chefe do Banco Mundial originário de um país emergente.

Também chinês é desde julho de 2011 um dos vice-diretores-gerentes do FMI, Min Zhu, ex-governador adjunto do Banco do Povo da China, o banco central. Como Justin Lin, ele também se formou em seu país, fez cursos de pós-graduação no exterior e é há vários anos uma figura respeitada e conhecida em fóruns internacionais, pouco frequentados por figuras brasileiras. Eles estão no Banco e no Fundo como funcionários selecionados profissionalmente e não como representantes de seu país, mas sua origem está longe de ser irrelevante. Um brasileiro, Murilo Portugal, já ocupou posição semelhante à de Min Zhu na cúpula do FMI, mas autoridades brasileiras parecem pensar em algo diferente, e mais ideológico, quando defendem a atribuição de mais postos, no Fundo e no Banco, a pessoas originárias do mundo em desenvolvimento. O governo chinês é mais discreto, pragmático e eficiente em relação a essas questões. Dragões podem ser mineiramente recatados.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Em três anos, o BNDES já liberou R$ 230 bi para incentivar a economia

Desse total, 65% foram repassados para financiar projetos de grandes empresas com taxas similares às cobradas das pequenas

Alexandre Rodrigues

RIO - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já repassou mais de R$ 230 bilhões dos empréstimos que obteve do Tesouro Nacional nos últimos três anos para incentivar investimentos na economia. De acordo com o mais recente relatório gerencial sobre a aplicação desses recursos, a maior parte do dinheiro serviu para financiar projetos de grandes empresas. Elas ficaram com quase 65% do total, com taxas similares às cobradas das pequenas.

Nos cálculos do BNDES, o volume desembolsado com base nesses recursos até agora viabilizaram investimentos da ordem de R$ 317 bilhões no País e a geração ou manutenção de mais de 7 milhões de empregos. O relatório trimestral elaborado em janeiro é uma prestação de contas do banco em contrapartida às leis aprovadas no Congresso entre junho de 2009 e março de 2011, que já autorizaram o empréstimo de R$ 265 bilhões do Tesouro Nacional para o BNDES.

Do último crédito, de R$ 55 bilhões, o BNDES pegou R$ 45 bilhões, deixando o restante para complementar as operações este ano, já que pisou no freio em 2011 reduzindo em 17% o volume de desembolsos em relação a 2010. O levantamento mostra que os créditos aprovados pelo BNDES despejaram na economia R$ 230,25 bilhões do Tesouro no apoio a 620,9 mil projetos.

Embora as micro, pequenas e médias empresas respondam por quase 86% do volume de operações, as grandes corporações ficaram com R$ 149,5 bilhões, 64,9% do total. Segundo o relatório do BNDES, isso se deve à predominância de grandes grupos nos setores de infraestrutura, insumos básicos e bens de capital sob encomenda.

Além disso, o BNDES aplicou R$ 24,7 bilhões dos recursos que recebeu do Tesouro na capitalização da Petrobrás, em 2010. Desconsiderando essa operação, a concentração entre as companhias consideradas grandes por terem faturamento superior a R$ 300 milhões, cairia pouco, para 60%. Além da Petrobrás, foram financiadas pelo BNDES com recursos do Tesouro empresas como Vale, Oi, Cosan, Fibria, Weg, Renault, Vivo e Ambev.

Entre os empreendimentos apoiados estão as Hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, e a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, mas 45,2% dos recursos foram emprestados para empresas no Sudeste, onde está 55% do Produto Interno Bruto (PIB).

Menor porte. Os projetos das pequenas empresas naturalmente são de menor porte, mas a alta participação delas no total de operações se deveu, principalmente, às taxas subsidiadas do Programa de Sustentação do Investimento (PSI). As linhas do programa repassaram R$ 129,5 bilhões dos recursos do Tesouro entre 2009 e 2011, com R$ 153,5 bilhões contratados. Mais de 80% foram para operações de baixo valor para aquisição de máquinas, equipamentos, ônibus e caminhões. Outros 18% financiaram exportação e 1% foi para projetos de inovação.

Prorrogado até o fim de 2012, o programa tem subsídio do Tesouro para cobrir a diferença das taxas praticadas abaixo da TJLP (6% ao ano), referência dos empréstimos do BNDES. Além de reajustar as taxas, o banco criou condições diferentes por porte de empresa para reduzir o custo fiscal do programa. Mesmo assim, a média do custo pago foi parecida. O das grandes foi de 7,7%, enquanto os das médias, micro e pequenas foi de, respectivamente, 7,79%, 7,14% e 7,74%.

Anteontem, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse que ainda é cedo para dizer se o banco precisará de novo reforço de caixa este ano, já que o governo ainda alinhava sua estratégia de incentivos ao setor produtivo em meio ao novo abalo global. Instrumento da política anticíclica do governo após a crise de 2008, o BNDES estabilizou seu desembolso anual no atual patamar de R$ 140 bilhões.

Para o economista Márcio Garcia, professor do Departamento de Economia da PUC-RJ, o BNDES não tem tanta influência sobre a taxa de investimento e deveria ter papel complementar no financiamento das empresas, que deveriam buscar outras fontes. "O combate à crise não passou de uma desculpa para o BNDES assumir um outro papel, que é perigoso porque faz as empresas dependentes do banco e cria distorções no mercado. A questão não é a concentração de grandes empresas, mas se é razoável o Estado financiá-las."

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Trabalhadores das obras do Porto do Açu fazem nova greve

Funcionários alegam falta de segurança e não cumprimento de acordo em projeto do bilionário Eike Batista

Glauber Gonçalves

RIO - Cerca de 1.400 funcionários que trabalham na construção do Porto do Açu, empreendimento do bilionário Eike Batista em São João da Barra (RJ), entraram em greve na segunda-feira.

Os trabalhadores reclamam da falta de segurança no local e exigem o pagamento das horas referentes ao deslocamento de casa para o trabalho, além da equiparação com os salários pagos aos operários da obra do Porto Sudeste, projeto de Eike no Grande Rio.

"Há falta de segurança. Continuam morrendo funcionários, o número de acidentes é elevado e a alimentação é péssima. Além disso, os salários não foram equiparados aos do Porto Sudeste, conforme prometido, e as horas "in itinere" (gastas durante o transporte) não são pagas corretamente", disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil do Norte Fluminense, José Carlos Eulálio.

Segundo ele, a empreiteira não teria cumprido acordo firmado com os trabalhadores no ano passado. Em 2011, os operários já haviam parado para exigir melhores condições de trabalho.

Na época, o Estado esteve em São João da Barra e ouviu relatos de funcionários que disseram ter sido intimidados por superiores da empreiteira por participarem do movimento grevista. Procurada, a empresa não se manifestou até o fechamento desta edição.

Representantes dos trabalhadores e da empresa participaram ontem de encontro mediado pelo Ministério do Trabalho. De acordo com Eulálio, as partes não chegaram a um acordo, e a greve deve continuar por prazo indeterminado. Ele não descartou a possibilidade de uma paralisação total. "A empresa não garantiu que cumpriria as reivindicações. Com essa situação, os trabalhadores resolveram continuar em greve."

Determinações. Uma reunião entre o sindicato dos trabalhadores e o Sindicato Nacional da Indústria de Construção Pesada (Sinicom), que representa a empresa, está marcada para segunda-feira, informou Eulálio.

Ambas controladas por Eike, a LLX, proprietária do Porto do Açu, e a OSX, que tem projetos no local, acompanham as negociações entre os trabalhadores e o consórcio ARG Civil Port, contratado para tocar as obras.

Em nota, as empresas confirmaram que um grupo de trabalhadores faz manifestação na estrada de acesso ao Porto do Açu desde a manhã de segunda-feira. As companhias do grupo EBX, de Eike, dizem ainda que cumprem todas as normas e determinações da legislação brasileira e exigem, em contrato, o mesmo padrão de seus parceiros.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

O que está em jogo não é pouco:: Paula Cesarino Costa

RIO DE JANEIRO - Se o tom da campanha eleitoral no Rio for dado pelos pais da candidatura Maia-Garotinho, prepare-se para golpes abaixo da linha da cintura.

Ao oficializar anteontem, sob vaias, a união em torno da candidatura dos filhos Rodrigo e Clarissa, o ex-prefeito Cesar Maia (DEM) e o ex-governador Anthony Garotinho (PR) passaram por cima de ataques e divergências do passado.

"Poderia comparar Cabral só àquela Teresa Cristina da novela. Passa o dia inteiro pensando em maldade. E o Paes é sem personalidade. Tudo o que o Cabral manda, ele faz. Parece a dupla Teresa Cristina e o Crô", disse Garotinho, em referência à madame e ao mordomo gay da novela das 21h da TV Globo.

O prefeito Eduardo Paes (PMDB) tem o favoritismo, mas guarda na memória a eleição quase perdida para Fernando Gabeira (PV), em 2008. Foram só 55.225 votos a mais, apesar do apoio das máquinas públicas.

A campanha pela reeleição começou quase com o mandato, em 2009, após a escolha do Rio como cidade-sede da Olimpíada de 2016.

De lá para cá, de braços dados com o governador Sérgio Cabral (PMDB) e com a simpatia da mídia local, Paes criou marcas como o "choque de ordem". Apesar de transportes ineficientes e saúde e educação inaceitáveis, surfou na crista de verbas federais e tornou a cidade um canteiro de obras -promessas de futuro melhor.

Do outro lado da oposição, o deputado Marcelo Freixo (PSOL), com pouco tempo na TV, confia no poder das redes sociais. E ainda disputam a vereadora verde Aspásia Camargo e o deputado tucano Otávio Leite.

Em tempos em que o Rio virou moda mundial, a oposição procura um discurso e aposta em levar a eleição para o segundo turno e zerar o jogo.

Quem vencer terá o prazer (e o poder) de abrir os Jogos Olímpicos de 2016 para uma plateia de 1 bilhão de espectadores em todo o mundo.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Chalita vai fortalecer discurso, avalia Aécio

Raquel Ulhôa

BRASÍLIA - Com o apoio do prefeito Gilberto Kassab (PSD) à pré-candidatura de José Serra à Prefeitura de São Paulo, após recuo da aproximação com o PT, o senador Aécio Neves (PSDB-SP) avalia que o petista Fernando Haddad terá um "discurso constrangido" de oposição à gestão municipal (Serra/Kassab) e o candidato do PMDB, Gabriel Chalita, é que "estará mais livre para fazer uma oposição vigorosa".

Ao comentar o quadro pré-eleitoral de São Paulo, Aécio elogiou a entrada de Serra na disputa e negou que sua candidatura tenha relação direta com a eleição de 2014. Ou seja, não considera o paulista fora da disputa presidencial. "O homem público é refém das circunstâncias que o cercam", diz. Para ele, 2014 não está decidido.

O senador preferiu direcionar sua análise para o quadro atual. Disse que o PT deu "um tiro nos dois pés", com a tentativa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aceita pela cúpula partidária, de fazer aliança com Kassab. "Por um lado, fez ressurgir a candidatura mais vigorosa do Serra, que nós queríamos, mas estava adormecida. Por outro, desmoraliza o discurso que as bases e a militância do PT fazem de oposição à administração de Serra e Kassab nos últimos oito anos".

Aécio previu que a viabilidade eleitoral de Haddad poderá começar a ser questionada internamente no PT. Fez referência a mensagens postadas ontem pela senadora Marta Suplicy (PT-SP) no Twitter, na qual a petista diz que o PT errou no processo eleitoral em São Paulo (ver matéria nesta página).

Quase no mesmo tom de Marta, o senador tucano afirmou que, no "açodamento de fazer alianças a qualquer custo, o PT cometeu um equívoco e vai pagar um preço por esse equívoco".

Aécio afirmou que Serra "volta a ser ator relevante na política nacional". E terá protagonismo mais importante em 2014, sendo ou não candidato. Ele considerou a decisão do ex-governador um "gesto de grandeza", que vai na direção da expectativa do partido. E afirma que a candidatura de Serra ajuda a "reunificar as oposições" e terá reflexo nas eleições do resto do país, pela dimensão nacional da disputa em São Paulo.

Aécio já está engajado na campanha de Serra em busca de ampliar o leque de alianças. Ontem, reuniu-se com o presidente nacional do Democratas, senador José Agripino (RN), e com o líder do partido na Câmara, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA). Uma parte do partido, em São Paulo, queria ficar com Chalita.

Com relação à disputa de 2014, Aécio diz não ser possível, agora, antever o que vai acontecer, em relação à participação ou não de Serra. Para ele, não é hora de antecipar 2014. "Não temos que antecipar a agenda de 2014 em função disso. Não está resolvido 2014. Não deve estar e não tem por que antecipar. Não interessa à oposição definir algo tão fora do timing assim."

FONTE: VALOR ECONÔMICO

A quem vencer Serra na prévia, nem as batatas :: José Nêumanne

Apesar de ser o maior colégio eleitoral municipal do País, a capital paulista nunca protagonizou eleições para a Prefeitura que tivessem consequências nos pleitos imediatos para a Presidência da República nem para o governo do Estado. Este ano, contudo, o panorama parece ser bastante diferente: nos governos federal e de Estados importantes como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Pernambuco, a aliança governista, sob o comando do Partido dos Trabalhadores (PT), tem uma espinha entalada na garganta de seu projeto de conquista do poder pelo voto popular: apesar de terem vencido as três últimas eleições nacionais, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff foram derrotados tanto na capital como no Estado de São Paulo. E, tendo mudado de armas e bagagem para São Bernardo do Campo, onde elegeu para a prefeitura seu sucessor na presidência do Sindicato dos Metalúrgicos, Luiz Marinho, o ex-presidente resolveu usar seu capital de popularidade para começar o projeto de conquista do último bastião adversário, São Paulo de Piratininga, pela eleição de um correligionário de confiança, para, no passo seguinte, subir as colinas do Morumbi.

O projeto de Lula é audacioso e arriscado: depois de ter sido diagnosticado um câncer em sua laringe, local estratégico para o exercício de seu maior trunfo, o discurso, usou a desvantagem para retirar de cena a senadora e ex-prefeita Marta Suplicy e impor ao partido o noviço Fernando Haddad. Assumiu tarefa hercúlea num desafio à lógica e à sensatez. Seu ex-ministro da Educação, novo, bonito e sem rejeição que assuste, não é conhecido, mas tem um passado capaz de condená-lo: as lambanças cometidas pela burocracia que comandou na realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), prato cheio para adversários no horário gratuito dos partidos no rádio e na TV.

Afastados os pretendentes não ungidos pelo chefão popularíssimo, Fernando Haddad não conseguiu até agora tirar proveito das vantagens que seus adversários da oposição, os tucanos em particular, lhe têm oferecido de mão beijada. Único no palanque petista, ainda não se demonstrou capaz de ganhar terreno com o tempo perdido na escolha do candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) para domingo que vem, quando se realizará sua prévia.

Tudo mudaria para melhor se Gilberto Kassab, do Partido Social Democrata (PSD), tivesse, como chegou a anunciar, confirmado o apoio à chapa do PT. Mas foi o anúncio que fez os ventos favoráveis ao projeto de Lula, Dilma e Haddad mudarem de direção. Ao ensaiar seu surpreendente movimento para a esquerda, o prefeito paulistano sentiu-se forçado a deixar patente que apoiaria incondicionalmente o ex-governador José Serra. Desde que o processo sucessório foi deflagrado em São Paulo, o tucano nunca hesitou em se dizer fora da luta pela Prefeitura para manter acesa a chama de sua ambição de enfrentar Dilma Rousseff na eleição presidencial de 2014. Kassab acreditou nisso até o fim e, aí, deu o pretexto para o recuo inesperado, mas que se tornou inexorável, de Serra.

Num pleito difícil e disputado como será o deste ano no maior município do País, só um louco abriria mão do apoio do prefeito, que manda no PSD, ou seja, decidirá para que candidato irá o tempo disponível para seu partido no horário gratuito no rádio e na televisão (se o ganhar no Supremo) e trabalhará a máquina administrativa da Prefeitura. Essa obviedade vem recheada com uma revelação: na entrevista que deu na semana passada ao Valor Econômico, o secretário das Finanças que Kassab herdou de Serra, Mauro Ricardo Costa, anunciou que este ano os cofres paulistanos estão abarrotados para transformar a cidade num canteiro de obras, reluzente e sólido trunfo de qualquer candidato em cujo palanque o prefeito subir. Somente um político alienado deixaria de considerar os efeitos que poderão produzir os planos habitacionais, escolas e hospitais que forem construídos com as sobras de caixa da Prefeitura, que o secretário sovina que virou estroina calcula entre R$ 4,3 bilhões e R$ 6 bilhões.

Nem o governador paulista, Geraldo Alckmin, de posse dos cordéis que manipulam o teatro de marionetes da eleição municipal, se sentiria confortável em manter o pé atrás em relação à candidatura de seu ex-chefe e sempre rival. Ao anunciar que o único tucano que apoiará será Serra, Kassab escreveu o roteiro da retirada de seu companheiro de chapa em 2004 de sua posição, que ele imaginava irremovível, de se guardar para disputar com o senador e ex-governador mineiro Aécio Neves a legenda preferencial contra a presidente petista, daqui a três anos.

Dos quatro inscritos na prévia marcada para o dia 4, os secretários estaduais Andrea Matarazzo e Bruno Covas já apoiaram o ex-governador, empurrados pelo clamor do óbvio ululante. A importância do pleito não comporta movimentos de ambição ou vaidade. Até este texto ser escrito, contudo, outro subordinado de Alckmin, o secretário José Aníbal, e o deputado Ricardo Tripoli insistiam em enfrentar o ineludível. O pior que lhes pode acontecer se mantiverem a teimosia até o fim será um deles vencer Serra nas prévias. Pois, se isso ocorrer, fatalmente Kassab correrá para o regaço de Dilma, Lula e Haddad, que o esperam ansiosamente; Alckmin lavará as mãos da sorte de qualquer uma das candidaturas, de vez que terá cumprido o seu dever de pedir que os pretendentes renunciassem em nome não da disciplina nem dos interesses maiores do partido, mas do apreço aos fatos; e Serra terá atendido ao apelo dos companheiros e readquirirá autoridade moral para disputar o que sempre lhe interessou mais: a convenção contra Aécio e a eleição contra o PT

Se ocorrer a improvável vitória de um adversário de Serra nas prévias, seja Aníbal, seja Tripoli, o malogro eleitoral não premiará nenhum dos dois sequer com o saco de batatas que Machado de Assis dizia ser reservado aos vencedores nas guerras tribais.

*Jornalista e escritor, é editorialista do Jornal da Tarde

FONTE O ESTADO DE S. PAULO

Francisco Alves - Sabemos lutar (1942)

As sombras da noite:: Graziela Melo

Lentas,
silenciosas
as sombras
vão chegando!

São as sombras
da noite
que estou
vislumbrando

A escuridão
toma conta
do ambiente...

E a tristeza
do meu peito
da minha alma,
da minha mente!

Saudades
dos que
se foram...
saudades
dos que
não vêm...

Morreu
o sonho!

Restou
o olhar vazio
tristonho!!!

Partiu
o último trem!!!

Graziela Melo

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

OPINIÃO DO DIA – Bruno Covas: o bom combate

"A candidatura do Serra com o apoio do governador nos faz refletir. Ele estando ao lado do Serra, nós não podemos deixar de apoiá-lo nessa decisão.

Serra tem uma possibilidade de agregação de forças eleitorais dentro e fora do PSDB que a gente não pode negar. Não podemos tapar o sol com peneira.

José Serra representa uma possibilidade real de vitória do PSDB, para fazer frente a um projeto de poder que pretende dizimar as oposições, controlar a mídia e instaurar o chavismo no País. "

Bruno Covas, secretário de Meio Ambiente /SP, em O Estado de S. Paulo, 28/2/2012.

Manchetes de alguns dos principais jornais do Brasil

O GLOBO
Rio vai criar força-tarefa contra policiais do bicho
Dilma abre cofre para reconstruir estação
No twitter, Serra confirma candidatura

FOLHA DE S. PAULO
Depósito milionário para ex-vice do BB é investigado
Governo propõe indenizar família de oficiais mortos
Serra oficializa candidatura e leva PSDB a adiar prévias
Síria é acusada de matar grupo de civis em fuga

O ESTADO DE S. PAULO
Serra ainda pode disputar a Presidência, indica FHC
Planalto se mexe
Pane elétrica teria iniciado fogo em base na Antártida
Da prisão, Hildebrando faz ameaças a procuradora
Brasil critica pressão sobre Assad e ação fora da ONU
Uruguai pede que País abra arquivos

VALOR ECONÔMICO
Justiça processa cartéis mundiais de componentes
Cai venda de manufaturas para vizinhos
Brasil quer cota para carros do México
INSS sobre férias e licença pode cair
CUT pressiona por direito de greve em obras da Copa

CORREIO BRAZILIENSE
Recomeça a luta entre PT e Serra
Guerra pelo BB pode acabar nos tribunais
Militar alertou sobre falhas na Antártida
Meia-entrada para estudante na Copa

ESTADO DE MINAS
Tucanos veem trilha aberta para Aécio
CBF em xeque e seleção em campo
Terras de Reforma Agrária são vendidas no norte de MG

ZERO HORA (RS)
Estado faz mutirão para manter Copa na Capital
Tragédia na Antártica: Projeto de nova base provoca divergência

JORNAL DO COMMERCIO (PE)
Piso do professor sobe para R$ 1.451
Dilma chega e hoje inaugura conjuntos residenciais
Mortos na Antártida viram heróis

O que pensa a mídia - editoriais dos principais jornais do Brasil

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Serra ainda pode disputar a Presidência, indica FHC

A candidatura de José Serra à Prefeitura de São Paulo, confirmada ontem pelo ex-governador, permitirá a ele "voltar à cena política com força" e foi a mais adequada para o PSDB, disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em entrevista ao correspondente em Nova York, Gustavo Chacra. Para FHC, a decisão de disputar a eleição para prefeito não significa que Serra tenha abandonado o projeto de tentar a Presidência no futuro: "Política é uma coisa muito dinâmica. Tem sempre a cláusula de prudência". Serra anunciou o apoio às prévias para escolher o candidato do PSDB - líderes tucanos articulam para adiá-las e, assim, permitir que o ex-governador participe de debates

Para FHC, disputa em SP "revitaliza" Serra e não o tira do páreo presidencial

Ex-presidente acha correta decisão do tucano de candidatar-se à Prefeitura de São Paulo e afirma acreditar que opção "não significa que ele não possa ser outra coisa" no futuro

Gustavo Chacra

NOVA YORK - A candidatura de José Serra à Prefeitura de São Paulo permitirá a ele "voltar à cena política com força" e foi a decisão mais adequada para o ex-governador e para o PSDB, afirmou ontem o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em entrevista exclusiva ao Estado. "Dá a chance para o partido ganhar e dá a ele uma revitalização política", analisou o ex-presidente.

Segundo FHC, a eleição para prefeito não significa que o ex-governador abandona o projeto de disputar a Presidência no futuro. "Política é uma coisa muito dinâmica. Tem sempre a cláusula de prudência. Política não é uma coisa em que os horizontes se fecham", disse, ao comentar sobre a possibilidade de o tucano, mais uma vez, deixar um cargo para se candidatar a outro, como aconteceu quando era prefeito e governador de São Paulo.

O ex-presidente falou com o Estado em Nova York, onde lidera uma comitiva de 12 CEOs de empresas brasileiras ligadas à Comunitas, entidade criada por Ruth Cardoso para incentivar o investimento social corporativo.

O anúncio da candidatura de José Serra à Prefeitura não esvazia as prévias do PSDB?

Não estou no Brasil e não acompanhei de perto esta evolução. Quem está coordenando é o governador Geraldo Alckmin. Agora, o peso eleitoral do Serra é de tal magnitude que eu acho que o partido vai se ajustar à realidade política.

Mas não faltam caras novas no PSDB? Afinal, há anos Serra e o Alckmin se revezam em candidaturas em São Paulo. O PT tenta essa renovação agora com Fernando Haddad.

As prévias foram uma tentativa nesta direção. Mas quando você tem alguém com a densidade política do Serra, que se disponha a ser candidato a prefeito, do ponto de vista do PSDB há uma importância estratégica porque existe realmente viabilidade de ganhar São Paulo.

O sr. mencionou que o senador Aécio Neves (MG) é o candidato óbvio do PSDB para 2014.

Foi uma pergunta feita pela revista The Economist: quem é o candidato óbvio? Eu respondi que o Serra vai sair candidato, não vai desistir. E eles perguntaram quem seria o outro. É o Aécio. É uma coisa que todo o mundo sabe. São os dois que estão despontando com mais força.

Mas com o Serra se candidatando a prefeito...

Abre espaço para uma outra candidatura para presidente. Agora, sempre tem que colocar aquela cláusula de prudência. A política é muito dinâmica. O Serra pode ganhar ou pode perder. Nos dois casos, o fato de ele ser candidato agora reforça a presença dele como um líder. Todo líder político, enquanto quiser se manter ativo na política, tem de ter a expectativa de poder. Tem que ser candidato. Eu, por exemplo, quando deixei a Presidência, disse que não seria mais candidato a nada e não fui. Disse que estava saindo de cena. No começo, as pessoas não acreditaram. Como não sou ingênuo, ao tomar esta decisão, estava mesmo saindo de cena. Para quem não tomou esta decisão ainda, a melhor coisa a fazer é se candidatar. Você pode se candidatar em vários níveis. O Serra, ao tomar a decisão de se candidatar (para a Prefeitura), volta à cena política com força. Onde ele é necessitado neste momento? Onde o partido o vê com bons olhos neste momento? É aí (na Prefeitura). Isso significa que amanhã ele não pode ser outra coisa? Não.

Mas não pega mal para o Serra, que já foi prefeito uma vez e saiu para se candidatar (o tucano deixou a Prefeitura em 2006, para disputar a Presidência, e o governo do Estado, em 2010, para mais uma vez entrar na disputa presidencial)?

Ele vai tomar as precauções devidas porque ele tem de ganhar a eleição. Provavelmente ele vai reafirmar a disposição dele (de permanecer na Prefeitura). Mas não vi, não falei com ele. Política não é uma coisa em que o horizonte se fecha. De repente, o que estava fechado se abre. Acho que a decisão do Serra foi a mais adequada neste momento para ele e para o partido. Dá a chance para o partido ganhar e dá a ele uma revitalização política.

Mas para a Presidência, o Serra e o Aécio continuam sendo os dois nomes fortes do PSDB?

Eu acho que sim.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

PT e Serra 'nacionalizam' eleição em SP – Editorial: O Globo

O que parecia inevitável aconteceu: o tucano José Serra se curvou à pressão da cúpula do PSDB e resolveu disputar a prefeitura de São Paulo. Arquivou o projeto de tentar, pela terceira vez, ganhar uma eleição presidencial. Derrotado por Lula em 2002 e por Dilma em 2010, o ex-deputado, ex-ministro, ex-senador e ex-prefeito paulistano se mostrava irredutível na ideia de mais uma vez buscar incluir neste extenso currículo o mais alto cargo da União. A estratégia de Lula para a cidade de São Paulo o impediu de seguir em frente.

A partir do momento em que Lula, numa estratégia correta do ponto de vista petista, decidiu se envolver na disputa, para fragilizar os tucanos no seu quartel-general, a sucessão de Gilberto Kassab ganhou outra dimensão, maior que o próprio cargo de prefeito paulistano, já uma ampla vitrine na política nacional. Na empreitada, Lula repete o "dedazo", bem ao estilo caudilhesco do PRI mexicano, que deu certo no plano nacional: ungiu a neófita Dilma Rousseff e manteve o PT em Brasília; agora, quer fazer o mesmo com o ex-ministro Fernando Haddad, outro que jamais disputou um voto.

Se a eleição municipal paulistana não é uma eleição qualquer, com a entrada de Lula no jogo eleitoral, ao nomear o candidato petista e disputar pessoalmente o apoio de Kassab e do seu PSD - em cuja criação o prefeito demonstrou grande competência no jogo político -, o pleito ganhou importância ainda maior: vitorioso, o PT constrói base firme para, afinal, conquistar o Palácio dos Bandeirantes em 2014, sólida trincheira tucana há vários anos. E a vitória ficará menos distante com o apoio de Kassab. A tomada da prefeitura reforça a possibilidade de o PT estar no Planalto em 2015.

O PSDB teria, então, de brigar pela cidade de São Paulo com os melhores quadros. A opção Serra tornou-se, portanto, a única possível para o PSDB, mais ainda diante do fato de que Kassab, vice de Serra na prefeitura, disse abertamente que a única possibilidade de não fechar um acordo com o PT seria o relutante ex-prefeito lançar-se.

Até ontem, as prévias tucanas estavam mantidas. Os pré-candidatos Bruno Covas, neto de Mário Covas, um dos fundadores do PSDB, e Andrea Matarazzo retiraram os nomes e deram apoio a Serra, mas Ricardo Trípoli e José Aníbal mantiveram os seus. Sejam quais forem os desdobramentos, é improvável o cenário de Serra fora da disputa. O curioso é que o partido que se fez com o discurso da "democracia interna" é administrado como um regime teocrático, em que um aiatolá dita as regras, enquanto o PSDB paulista, em que uma aristocracia política sempre deu as ordens, decidiu partir para prévias, quando Serra rejeitou se lançar novamente à prefeitura. Ironias da política.

Era tamanha a resistência do tucano que sua candidatura foi confirmada sábado por Kassab. Ao dar a notícia, o prefeito acrescentou, de forma sugestiva: "...e seu (de Serra) projeto de vida e político passará a ser, pelos próximos cinco anos, a cidade de São Paulo." Como Serra já renunciou à prefeitura para disputar o Bandeirantes, em 2006, embora tivesse garantido que não abandonaria o cargo, haverá pesada campanha para convencer o eleitorado de que o tucano repetirá o gesto. E a única defesa eficiente que Serra pode acionar é apoiar publicamente Aécio Neves para ser o candidato tucano às eleições presidenciais de 2014.

Planalto se mexe

Após a entrada de José Serra (PSDB) na disputa pela Prefeitura de São Paulo, a presidente Dilma Rousseff sinaliza que fortalecerá o PR nos Transportes, para facilitar a aliança em torno de Fernando Haddad (PT) e ganhar tempo de TV. Parte do governo avalia ainda que a manutenção da candidatura de Grabriel Chalita (PMDB) pode ajudar Haddad

Planalto monta operação para unir PR a Haddad

Dilma avalia nomes do ex-senador Cesar Borges e do vereador Antonio Carlos Rodrigues para vaga de Paulo Passos no Ministério dos Transportes

Vera Rosa

BRASÍLIA - Preocupada com a entrada do ex-governador José Serra (PSDB) na disputa pela Prefeitura de São Paulo, a presidente Dilma Rousseff dá sinais de que fortalecerá o PR no Ministério dos Transportes, com o objetivo de abrir caminho para a aliança em torno do petista Fernando Haddad. Sem o PSD do prefeito Gilberto Kassab, que apoia Serra, Haddad corre para obter o aval do PR e engordar o tempo de sua exposição na propaganda política.

O Palácio do Planalto avalia agora os nomes do vereador Antonio Carlos Rodrigues, presidente do PR paulistano, e do ex-senador César Borges para a cadeira hoje ocupada por Paulo Sérgio Passos nos Transportes. A ideia é contemplar o PR na pasta e levar o partido a compor a chapa como vice de Haddad.

Rodrigues é suplente da senadora Marta Suplicy (PT-SP), conta com a simpatia do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e de fatia expressiva do PT, que quer emplacá-lo de qualquer jeito no governo.

Embora petistas como o deputado Jilmar Tatto (SP), líder da bancada na Câmara, digam que o partido deve procurar o PMDB, uma parte do governo avalia que a manutenção da candidatura de Gabriel Chalita (PMDB) pode ser positiva para Haddad. O argumento para essa análise é o de que o eleitor de Chalita também vota em Serra, como indicam pesquisas de intenção de voto. Por esse raciocínio, sua permanência na disputa pode impedir o voto útil no PSDB.

Dilma foi orientada a não falar sobre a candidatura Serra, o apoio de Kassab a ele e também a desconversar sobre o desfecho da reforma ministerial. Na tarde de ontem, questionada sobre a entrada de Serra na corrida paulistana, a presidente adotou a estratégia acertada com seus assessores. "O governo é federal", respondeu Dilma, em Fortaleza, onde esteve para visitar obras. Um pouco antes, quando repórteres quiseram saber sobre a divisão da base aliada nas principais capitais, ela também usou a tática do despiste.

Trocas. O PR cobra a substituição do atual ministro dos Transportes para apoiar a candidatura de Haddad. Técnico, Passos assumiu a pasta em julho, quando Alfredo Nascimento, hoje senador, foi defenestrado da Esplanada no rastro de denúncias de corrupção. Embora filiado ao PR, ele não conta com o aval da sigla.

Apesar da pressão do PT para que Dilma também resolva logo o impasse com o PDT, que está com um interino no Ministério do Trabalho, o governo não vai agir antes do resultado da votação do Fundo de Previdência Complementar dos Servidores Públicos Federais (Funpresp), marcada para hoje. Motivo: o PDT ameaça votar contra a proposta ou se abster no plenário.

O relacionamento do Planalto com o PDT tem enfrentando problemas desde a queda do ministro Carlos Lupi, também acusado de desvio de recursos. Agora, o PDT apresentou como pré-candidato à Prefeitura o deputado Paulinho da Força, mas os petistas desconfiam que o partido está negociando com Serra.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Lula e Eduardo Campos definirão aliança em SP, diz presidente do PT

Rui Falcão afirma que o governador, presidente do PSB, tratará a capital como um "compromisso pessoal" com o petista

Fernando Gallo

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou ontem que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, acertaram tratar pessoalmente de uma aliança entre PT e PSB na eleição municipal de São Paulo. Falcão disse "constar" que Campos tenha manifestado a Lula sua preferência pela candidatura de Fernando Haddad.

"O governador Eduardo Campos já se comprometeu a tratar São Paulo fora de qualquer outro tipo de tratativa, quase como um compromisso pessoal dele com o presidente Lula", sustentou. "Consta que ele teria dito que é importante eleger o Haddad e que, portanto, era importante que, aqui em São Paulo, (o PSB) estivesse nessa candidatura."

Falcão afirmou não ver "hipótese de aliança do PSB com o (ex-governador José) Serra na capital", tese defendida, nos bastidores, pelo presidente do PSB paulista, Márcio França, que é secretário do governo Geraldo Alckmin. Disse ainda acreditar que PR e PSB, "pra não falar de outros partidos", estarão na chapa petista.

Lula e Campos almoçaram juntos em 23 de janeiro em São Paulo, quando trataram do tema. Uma semana antes, Lula recebeu o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, que, segundo interlocutores, avaliou que os socialistas deveriam caminhar junto com o PT em São Paulo.

O governador de Pernambuco tem priorizado alianças que contem com a participação do PSD, do prefeito Gilberto Kassab, com quem tem um projeto de alinhamento nacional. Kassab, como se sabe, apoiará Serra.

Críticas. Após o naufrágio das conversas do PT com Kassab, Rui Falcão criticou fortemente a administração municipal. Afirmou que a cidade está "devastada", que a Prefeitura leva a cabo "políticas higienistas", e afirmou ver uma "crise muito grande" na área da saúde.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Ex-governador é o único capaz de derrotar 'chavismo', diz Bruno Covas

Ao abandonar sua pré-candidatura ontem, o secretário do Meio Ambiente paulista, Bruno Covas, apontou que o PSDB deve encarar a disputa pela Prefeitura de São Paulo como um embate nacional contra o PT. Para o tucano, o ex-governador José Serra é o único nome capaz de derrotar os petistas e impedir a instauração do "chavismo" no Brasil.

"José Serra representa uma possibilidade real de vitória do PSDB, para fazer frente a um projeto de poder que pretende dizimar as oposições, controlar a mídia e instaurar o chavismo no País", afirmou Covas.

Serra esteve na casa de Covas no último sábado para manifestar sua intenção de se candidatar à Prefeitura. O secretário afirmou que abandonaria as prévias do partido e que pediria a seus militantes que apoiassem o ex-governador na disputa interna.

Covas negou que tenha sido pressionado pelo governador Geraldo Alckmin a desistir de participar das prévias.

"A candidatura do Serra com o apoio do governador nos faz refletir. Ele estando ao lado do Serra, nós não podemos deixar de apoiá-lo nessa decisão", disse.

O secretário acredita que a entrada de Serra na disputa deve facilitar a formação de alianças em torno da candidatura tucana.

"Serra tem uma possibilidade de agregação de forças eleitorais dentro e fora do PSDB que a gente não pode negar. Não podemos tapar o sol com peneira."

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Serra oficializa candidatura e leva PSDB a adiar prévias

O ex-governador José Serra anunciou no Twitter que disputará as prévias para escolha do candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo.

A cúpula do partido decidiu adiar a disputa interna marcada inicialmente para domingo, por uma semana. José Aníbal e Ricardo Trípoli, os pré-candidatos que ainda estão no páreo, são contra o adamento

Serra oficializa candidatura em SP, e PSDB decide adiar prévias

Cúpula da legenda quer ganhar tempo para construir a vitória na disputa interna

Aliados montarão, em parceria com o prefeito Kassab, força-tarefa para conversar com a militância tucana

Daniela Lima

SÃO PAULO - O ex-governador José Serra anunciou ontem em seu Twitter que disputará as prévias para escolha do candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo. Com a "oficialização" do desejo do tucano, a cúpula da sigla decidiu adiar a data da disputa interna.

Marcadas para domingo, as prévias deverão ser retardadas em pelo menos sete dias. Nesse tempo, os grupos políticos do governador Geraldo Alckmin, dos ex-pré-candidatos Andrea Matarazzo e Bruno Covas, e do próprio Serra farão uma força-tarefa para tentar construir a vitória dele nas prévias.

O grupo político do prefeito Gilberto Kassab reforçará o apoio a Serra. Vereadores que deixaram o PSDB no ano passado, quando Kassab criou seu partido, o PSD, vão acionar antigos contatos na militância tucana para pedir votos para o ex-governador.

A operação conta com o aval de Alckmin, que ontem, a aliados, defendeu a mudança da data.

O adiamento será aprovado hoje, em votação na Executiva Municipal. Aliados de Serra trabalham com dia 11 ou dia 25 de março.

Os dois pré-candidatos que ainda estão na disputa contra o ex-governador -o secretário estadual José Aníbal (Energia) e o deputado Ricardo Trípoli- são contra a mudança. "Serra é muito conhecido e sua candidatura foi amplamente divulgada. O adiamento será um golpe na militância", diz Aníbal.

Ontem, ele foi procurado pelo presidente do partido, Julio Semeghini, e pelo secretário Edson Aparecido (Desenvolvimento Metropolitano), um dos principais articuladores de Alckmin. Ouviu de ambos um apelo de adiamento das prévias. O argumento foi que Serra precisa de tempo para se apresentar como pré-candidato.

Diante da recusa de Aníbal -Trípoli foi consultado e também disse não- a Executiva Municipal vai arbitrar a decisão, e a derrota dos dois é dada como certa.

Antes da reunião que selará o adiamento das prévias, Serra entregará carta oficializando sua pré-candidatura.

Agora imerso da disputa municipal, o ex-governador já começou a conduzir a costura de alianças. Ontem, por exemplo, esteve com dirigentes do DEM em seu escritório político. Tucanos dão como certo o apoio da sigla a Serra.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Novo fôlego:: Merval Pereira

A confirmação da candidatura do ex-governador José Serra à Prefeitura de São Paulo refaz a disputa paulistana, dando ao PSDB uma perspectiva de vitória que antes não tinha. O apoio do PSD à candidatura de Fernando Haddad poderia levar à vitória do candidato petista no primeiro turno.

O governo federal trabalhando politicamente junto com a prefeitura seria um apoio muito forte, ainda mais que o PSDB não tinha um candidato viável politicamente.

Os quatro pré-candidatos têm uma repercussão muito limitada regionalmente e não têm peso nacional para se contrapor ao trabalho da presidente Dilma e de Lula.

Serra, ao contrário, mesmo tendo sido derrotado em 2010 por Dilma para a Presidência, ganhou dela no estado e na cidade de São Paulo.

Revertida essa jogada política de Lula, agora a candidatura tucana tem a possibilidade de montar um grande arco de alianças que lhe dará tempo de televisão suficiente durante a campanha eleitoral para que Serra tente reduzir seu nível de rejeição - que se deve muito ao temor de que use a prefeitura mais uma vez como trampolim para cargos mais altos, como presidente da República em 2014.

Por isso, todos os seus correligionários, a começar pelo prefeito Gilberto Kassab, estão anunciando que ele desistiu de seus planos de concorrer pela terceira vez à Presidência.

Abrindo caminho para a candidatura de Aécio Neves pelo PSDB, Serra dará garantias ao eleitorado paulistano de que continuará até o fim de seu mandato se for eleito prefeito.

E continuará podendo sonhar com a Presidência da República em 2018, quando não haverá nem Dilma nem Lula para representar o PT, caso Aécio não seja vitorioso em 2014.

Não há muitas dúvidas sobre a vitória de Serra nas prévias do próximo domingo, mas ela terá que ser uma vitória maiúscula para dar uma partida forte na candidatura, e tudo indica que será.

O adiamento por uma semana, que está sendo tentado pelo governador Geraldo Alckmin, tem o objetivo de dar mais tempo para as costuras políticas necessárias a essa vitória.
Não há qualquer outro pré-candidato que restou na disputa que tenha a capacidade de unir o partido com a expectativa de vitória que Serra traz com sua presença na disputa.

O fato de o ex-governador aparecer nas pesquisas de opinião em primeiro lugar, embora com alto índice de rejeição, dá um novo ânimo ao PSDB paulista e, ao contrário, já coloca dúvidas nas hostes petistas.

O líder regional do PT Jilmar Tatto, do grupo da senadora Marta Suplicy, já aventou a possibilidade de trocar de candidato diante da realidade política que mudou.

Fernando Haddad tem pouca visibilidade para o eleitor e aparece com cerca de 4% de preferência nas primeiras pesquisas.

Isso é sinal de que pode crescer muito, mas também de que terá de se esforçar muito mais do que, por exemplo, a ex-prefeita Marta Suplicy, que pretendia se candidatar e tem um recall também alto para iniciar a disputa.

A presença de Serra, além de instalar novamente a dúvida no front adversário, mobiliza os partidos para a formação de um amplo leque de alianças partidárias, tão heterogêneo quanto qualquer aliança que se forme no país atualmente: PSD, DEM, PTB, PPS, PDT e até mesmo o PSB são partidos que podem compor essa aliança eleitoral, dando tempo de televisão suficiente para que a candidatura de Serra tenha uma boa base inicial.

Uma coisa é certa: a partir do momento em que Serra anunciar sua candidatura à Prefeitura de São Paulo, o candidato natural do PSDB a presidente da República em 2014 passa a ser o senador Aécio Neves.

A disputa mais provável em 2014 será entre a reeleição de Dilma e o candidato do PSDB, pois tudo indica que Lula não terá ânimo pessoal para enfrentar uma nova campanha depois do tratamento a que está sendo submetido para curar o câncer na laringe.

Ele será o grande eleitor, o grande apoio do PT, mas dificilmente será o candidato, ainda mais que a presidente Dilma está se revelando uma candidata bastante viável até o momento.

É provável que essa popularidade que ela ganhou no primeiro ano de governo, apesar de todos os pesares, seja reduzida com o decorrer do mandato, pois o desgaste é inerente à função, e a perspectiva da situação econômica do país não parece ser das melhores, sobretudo devido à crise internacional.

As previsões são de um crescimento médio nos próximos anos em torno de 3%, o que não é o suficiente para manter esse sentimento de bem-estar que o crescimento de 2010 provocou.

Ao anunciar a candidatura, Serra deve anunciar também que não disputará a indicação para candidato do PSDB à Presidência em 2014.

Pode até não declarar explicitamente seu apoio ao senador Aécio Neves, como muitos tucanos gostariam que fizesse, mas terá que deixar claro que se dedicará à Prefeitura de São Paulo nos quatro anos de um eventual mandato.

A derrota quase certa que se avizinhava para os tucanos seria um golpe de mestre do ex-presidente Lula, que montaria assim um esquema político na capital que pudesse alavancar uma candidatura petista forte contra a reeleição do governador tucano Geraldo Alckmin em 2014 - o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, está sendo preparado para tal missão -, retirando dos tucanos a base política mais importante.

A entrada de Serra na disputa traz para o PSDB a perspectiva de vitória e, mais que isso, a possibilidade de vir a ter em 2014 uma candidatura à Presidência que conte efetivamente com o apoio dos dois maiores colégios eleitorais do país, São Paulo e Minas, coisa que até hoje não aconteceu de fato.

FONTE: O GLOBO

Agora é que são elas:: Dora Kramer

A jornada foi dura e exitosa: quase três anos desde a apresentação da proposta de iniciativa popular ao Congresso, em 2009, até a confirmação da constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa pelo Supremo Tribunal Federal há poucos dias.

Noves fora as exceções - tanto as bem intencionadas que enxergam riscos ao Estado de direito e perigo de surgir um novo balcão de negócios no Judiciário e nos tribunais de contas, quanto as más que não ousam dizer seus nomes - o clima geral é de celebração.

Governos, prefeituras e assembleias legislativas se propõem a estender o pré-requisito País afora e surgiu até um projeto de lei federal sugerindo a exigência de ficha limpa para diretores de ONGs postulantes ao uso de verbas federais.

Isso tudo como se já não houvesse na Constituição (artigo 37) a exigência do cumprimento dos preceitos de moralidade, legalidade, impessoalidade e publicidade para a administração pública direta, indireta e fundações nos âmbitos federal, estadual e municipal.

O Brasil parece entoar em coro um animado "agora vai". Mais realista, porém, seria ponderar um agora é que são elas.

Sim, resta o mais difícil. O teste da realidade, fonte de dúvidas pertinentes.

Como vão se comportar os partidos? Terão de fato, conforme preveem os otimistas, mais cuidado no exame da vida pregressa de alguém antes de ceder-lhe a legenda para candidatura?

A Justiça Eleitoral terá estrutura, independência disposição e agilidade para decidir sobre a concessão ou eventualmente cassação de registros ou será lenta e leniente?

O Ministério Público atuará em nome da sociedade em defesa do cumprimento da nova legislação ou permanecerá impassível como aconteceu em outras ocasiões?

Para não ir longe, lembremos a desenvoltura com que o então presidente Lula cometeu abusos durante a campanha de 2010 sem ser importunado, a não ser com a aplicação de multas sem maiores consequências.

E o eleitor, o que fará com a posse da nova ferramenta, praticará o voto limpo? Analisará com acuidade condutas e biografias ou vai escolher ao léu só para cumprir a tabela exigia pela obrigatoriedade do voto?

Ainda há outro problema: no caso de eleições proporcionais (em 2012, para vereador) o cuidado não garante nada, pois a regra em vigor não cria relação direta entre o eleitor e seu candidato. Vota-se em alguém e, de repente, se elege outro, de partido diferente e a respeito de quem não se sabe coisa alguma.

A ideia aqui não é desdenhar da importância da Lei da Ficha Limpa. Qualquer passo dado na direção de alguma mudança na maneira como a política está funcionando é muito útil. No caso específico o exemplo melhor foi o de que, com pressão, as ações acabam se impondo.

A questão é que existem muitos outros quinhentos a serem resolvidos e que não podem ser perdidos de vista, sob pena de o esforço virar pó.

Um aspecto ainda não discutido, por exemplo, guarda relação com o "dia seguinte". Vamos que todos os candidatos às eleições dos próximos anos tenham fichas devidamente abonadas pelo novo critério.

Ótimo, assumem seus mandatos e cargos de contas zeradas com a Justiça. A providência, contudo, terá sido vã se no exercício das respectivas funções não se mantiverem "limpos" e devidamente esquadrinhados por todos os instrumentos disponíveis nos três Poderes e na opinião pública.

Disso nos deram notícia as demissões em série de ministros de ficha e conduta nebulosas no ano passado.

E a respeito disso também poderá nos dar notícias boas ou más o Supremo Tribunal Federal quando do julgamento dos 38 processados sob acusação de terem montando uma quadrilha para financiar a formação de uma base político-partidária com vista à sustentação de um projeto de poder.

De cocheira. Difícil distinguir se é torcida ou fruto de informação, mas no Palácio do Planalto trabalha-se com a hipótese de o processo do mensalão entrar na pauta do Supremo só mesmo em 2013.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Fim de uma era::Eliane Cantanhêde:

A promessa das Farc de acabar com sequestro de civis é um reconhecimento de exaustão, a vitória do antigo e do atual governos da Colômbia e um alívio para toda a América do Sul, onde os principais problemas diplomáticos giram em torno da guerrilha colombiana.

Acaloradas votações na OEA, Colômbia versus Venezuela, Colômbia versus Equador, troca de farpas entre Bogotá e Brasília, tudo isso é gerado pela existência e incrível resistência das Farc. Com o declínio do grupo -que, frise-se, ainda tem estimados 9.000 guerrilheiros- e com Chávez ocupado em salvar a própria vida, o ambiente tende a desanuviar.

Surgidas como guerrilha comunista, as Farc sobreviveram à perestroika, ao Muro de Berlim, ao êxtase capitalista da China e ao fim de praticamente todos os grupos armados na América Latina. Mas, se não morreu, transformou-se. Ou desfigurou-se.

Ao longo das décadas, as Farc se transformaram num "Frankenstein": a utopia comunista cedeu ao pragmatismo do narcotráfico, os inimigos deixaram de ser os imperialistas para ser qualquer um -inclusive meros civis. Em nome do povo, as Farc viraram o pavor do povo.

O Brasil atravessou todos esses momentos recusando-se a reconhecer as Farc como "grupo terrorista", como pedia Álvaro Uribe e seguiu pedindo seu sucessor Juan Manuel Santos. Vá-se entender por que...

O fato é que as Farc estão cercadas, grampeadas, sem comunicação, sem abastecimento e não têm mais para onde correr, literalmente, depois que a Colômbia assumiu todos os riscos e ônus internacionais e invadiu território equatoriano para liquidar o líder Raúl Reyes.

Na sequência, o ícone Manuel Marulanda foi morto e o troféu Ingrid Betancourt foi libertado numa ação espetacular de inteligência.

Estamos vendo o início do fim das Farc e, com ele, o fim de uma era e de uma geração que sonhou e acordou entre os Andes e a Patagônia.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO