quinta-feira, 10 de julho de 2014

A necessária superação do vexame: O Globo - Editorial

• A derrota trágica no Mineirão precisa ser o marco zero de uma reforma profunda, como fez a Alemanha, passando pela revitalização dos clubes, com o seu enquadramento num modelo profissional de administração

O período de 64 anos, de 1950 a 2014, é delimitado por duas tragédias na história do futebol brasileiro. Numa ponta, a perda do que poderia ter sido o primeiro título mundial, no Maracanã, para o Uruguai, e, na outra, a vexaminosa derrota por humilhantes 7 a 1 diante da Alemanha, terça-feira, no Mineirão. Era o penúltimo passo antes de se voltar seis décadas depois ao Maracanã para, enfim, vingar 50.

Ora, o país lutou para sediar a Copa de 2014 com dois objetivos principais: exorcizar aquele fantasma e ser hexacampeão. Não será, e ainda permitiu nova mancha nos 100 anos de seleção brasileira: a mais acachapante derrota nestas dez décadas.

Será infindável a pendenga sobre se o Maracanazo foi ou não maior que o Mineirazo. Mas trata-se de uma discussão tão longa quanto inútil. Os argumentos de lado a lado são vários. Perder um jogo (2 a 1) de decisão de Copa em casa, contra o Uruguai, no qual abriu-se o placar e precisava-se apenas do empate, é difícil esquecer. De outro lado, o vexame do 7 a 1, no Mineirão — sendo que tudo foi resolvido no espaço de apenas seis minutos do primeiro tempo, quando três gols, com diferença média de dois minutos entre eles, liquidaram a partida —, também é um pesadelo para sempre.

A vantagem, hoje, é já se ter passado por tragédia do mesmo tamanho, e ressurgido dos escombros. Não importa se a derrota é igual, menor ou maior que a de 50. Está nas crônicas da época o registro do profundo silêncio de catedral que tomou conta do ainda inacabado Maracanã, enquanto Obdulio Varela e Ghigia comemoravam o bi uruguaio no gramado. De anteontem, nestes tempos de comunicação instantânea e planetária, das transmissões ao vivo por incontáveis ângulos, restaram registrados nos arquivos digitais o choro de crianças no Mineirão e a tristeza nas ruas, antes desertas, em todo o país, à espera da classificação para a concretização, enfim, da vingança de 50, no domingo, no mesmo Maracanã.

Consumada a tragédia de 50, em duas Copas o Brasil ganharia a sua primeira, em 58, seria bicampeão e chegaria a cinco títulos. E, seja qual for o campeão no domingo, a seleção continuará como a mais vitoriosa. Nada que não possa ser soterrado por uma sequência de derrotas nos próximos torneios, caso o futebol brasileiro aceite de forma passiva a visível tendência de decadência e desorganização em que entrou. Porém, depois de 50 ele soube reagir. E não foram poucos os reveses seguintes. Quando tinha times medíocres, e a derrota era esperada, e mesmo em surpresas também dolorosas como em 82, na Espanha, quando o Brasil reuniu uma das melhores seleções de todos os tempos, e perdeu. Ou na final de 98, em Paris, para a França, num apagão cuja centelha foi a mal explicada indisposição de Ronaldo.

É indiscutível que o 7 a 1 tem um peso específico não desprezível. Porém, de nada adiantará buscar culpados individuais, transformar o Fred num Barbosa, o goleiro de 50. Ou algo do tipo. Isso não significa deixar de reconhecer os erros, para não repeti-los. Mas é crucial chegar às raízes das falhas.

O comportamento do time na Copa e, em particular, na semifinal de terça, denuncia incontáveis problemas, derivados de mau planejamento e preparação deficiente, falta de treinamento, problemas táticos, de escalação, desequilíbrio emocional e qualidade discutível de jogador. O choro descontrolado do capitão Thiago Silva antes da disputa por pênaltis contra o Chile, a instabilidade da equipe no segundo tempo do jogo com a Colômbia e a própria incapacidade de reagir ao primeiro gol da Alemanha, marcado por um atacante, com o pé, livre, numa batida de escanteio, falha grave de qualquer defesa, são pontos que, ao serem unidos, compõem uma radiografia que precisa ser analisada, com cuidado, sem paixões.

É preciso aprender com a derrota. Ainda mais esta, trágica. Antes de tudo, entretanto, deve-se fazer a autocrítica de que bravatas, ufanismos, arrogância e autossuficiência sempre são a antessala de perdas sofridas, cedo ou tarde. Estes cacoetes foram observados na comissão técnica, em Felipão e Parreira, ao se declararem favoritos e se dizerem com “a mão na taça”, postura que pesou tanto sobre os jogadores que a psicóloga da delegação teve quase tanto trabalho quanto o médico e o massagista. Nos últimos dias, até a presidente Dilma ensaiou querer usar a Copa como arma político-eleitoral. Primeiro, devido ao êxito do evento em si. Depois, se viesse o hexa, o ataque aos “pessimistas” seria amplificado nos palanques.

O vexame de terça mostrou, também, que não há jeitinho e malandragem que consigam superar a organização e o trabalho duro, competente e de longo prazo. O Brasil tem o exemplo da própria Alemanha, capaz de somar a habilidade individual à disciplina. Para isso, fez profunda reformulação, a partir também de um fracasso: na Eurocopa de 2000, quando o time marcou apenas um gol e foi desclassificado na primeira fase. Como no Brasil, lá futebol também é questão de Estado. O governo fixou dez anos de prazo para a Alemanha voltar à elite mundial. A Federação Alemã construiu 360 centros de formação de jogadores, onde são atendidos 25 mil meninos e meninas, de 9 a 17 anos. Foi preciso, também, reformar a liga de futebol (Bundesliga) e o campeonato, com o enquadramento dos clubes em normas de administração austera, como deve ser. Clube endividado sai da liga e do campeonato.

Enquanto isso, os clubes brasileiros, quebrados, deixaram de formar jogadores. Os que surgem são logo vendidos ao exterior, e o Campeonato Brasileiro se esvai — 12.500 de média de público por jogo, contra 45 mil da Bundesliga, a mais elevada do mundo.

O Mineirazo precisa ser entendido como marco zero de uma reforma brasileira de igual dimensão, passando pela cúpula do esporte e pela recuperação dos clubes e seu enquadramento, enfim, num modelo profissional de administração. Deve-se, inclusive, aproveitar, com este objetivo, a tramitação no Congresso do projeto de renegociação de suas dívidas tributárias.

Ao mesmo tempo, deve-se sepultar a ilusão de que o Brasil tem o monopólio da habilidade e do brilhantismo no futebol. Mito. Nem Pelé deixou de treinar e trabalhar com afinco para desenvolver suas habilidades. Antes de tudo, é preciso reconhecer que fomos ultrapassados por outros países. Pois, sem admitir que existe o problema, ele nunca será resolvido.

Dilma e Aécio definem estratégia no Rio

Renata Batista – Valor Econômico

RIO - Os dois líderes das pesquisas na disputa para a Presidência da República terão campanhas independentes dos candidatos ao governo estadual no Rio de Janeiro. Enquanto a presidente Dilma Rousseff (PT) deve priorizar eventos fechados, Aécio Neves (PSDB) deverá buscar maior contato com os eleitores. É o que dizem o coordenador da campanha do PT no Estado, Adilson Pires, e o presidente do PMDB fluminense, Jorge Picciani, que lidera o movimento regional de apoio a Aécio.

Hoje, o tucano virá ao Rio para agenda no município de Queimados, na Baixada Fluminense. Deve caminhar pelo calçadão do centro comercial do município. Será acompanhado do prefeito, Max Lemos, do candidato da coligação ao Senado, Cesar Maia (DEM), e do senador Francisco Dornelles, que assumiu, no sábado, a vaga de vice na chapa do candidato do PMDB, o governador Luiz Fernando Pezão.

O governador - que declarou apoio à presidente Dilma - não participará do evento. Picciani, que pretende realizar de 10 a 15 ações como essa no Estado ao longo do primeiro turno, defende que essa seja a estratégia durante todo o período. "O Pezão vai tocando a vida dele. Nesse momento, a prioridade é duplicar as agendas", diz Picciani.

Na avaliação do presidente regional do PMDB, a divisão do palanque dos partidos da coligação em torno de Pezão, no Rio, não é ruim nem para Aécio nem para Pezão. Avalia que ambos têm objetivos semelhantes. "Eles têm o mesmo desafio: tornarem-se mais conhecidos. Quanto mais organizado for esse movimento, melhor para os dois", completa.

No PT, Adilson Pires participou na terça-feira, em Brasília, de reunião realizada com o presidente do partido, Ruy Falcão, e outros coordenadores estaduais. Pires defende que os esforços da presidente como candidata no Estado sejam concentrados em movimentos sociais organizados. Segundo ele, os candidatos ao governo estadual aliados poderão propor iniciativas conjuntas, mas dependerão da disponibilidade da presidente.

"Vamos levantar as datas disponíveis para o Rio, mas devemos apostar nas iniciativas como os movimentos da sociedade civil. As agendas com candidatos vão depender da capacidade de proposição deles", afirma.

No Rio, a presidente Dilma conta com quatro candidatos aliados. Dois partidos oferecem palanques exclusivos - o PR, de Anthony Garotinho, e o PRB, de Marcelo Crivella. No PMDB, existe o movimento de apoio a Aécio, o já batizado de Aezão (Aécio + Pezão). Já o PT, cujo candidato é o senador Lindbergh Farias, firmou coligação com o PSB, de Eduardo Campos, que terá como candidato a senador o deputado federal e ex-jogador de futebol Romário. Nesse cenário, Pires diz que não defenderá uma agenda forte de rua para a candidata-presidente. "Não vou propor aperto de mão. Teremos as mídias sociais, a TV e uma agenda forte com os movimentos sociais", diz.

Já na TV, ele acredita que Dilma deverá aparecer mais na propaganda do próprio partido, ao lado de Lindbergh. "Ter quatro palanques é um ativo. Nenhum outro Estado oferece isso. Não pode virar um problema", frisa.

No Rio, Aécio começa campanha pela Baixada Fluminense

• Tucano inicia campanha no Estado em região na qual sigla obteve desempenho fraco na última eleição

Luciana Nunes Leal - Agência Estado

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, começa nesta quinta-feira, 10, a campanha no Rio de Janeiro pela Baixada Fluminense, região que concentra 22% do eleitorado do Estado e ponto franco do PSDB em eleições anteriores. Aécio fará uma caminhada no município de Queimados, sem a presença de seu candidato ao Palácio Guanabara, Luiz Fernando Pezão (PMDB), que promete apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Estarão ao lado de Aécio o candidato a vice-governador, Francisco Dornelles (PP), e o candidato ao Senado, ex-prefeito Cesar Maia (DEM). Pezão tem três candidatos a presidente em seu palanque - além de Aécio e Dilma, o Pastor Everaldo, do PSC.

No primeiro turno da eleição presidencial de 2010, o tucano José Serra teve em Queimados, proporcionalmente, o segundo pior desempenho entre os municípios do Rio, com apenas 12,3% dos votos. Serra foi mal também em outras cidades da região. No extremo oposto, a Baixada deu as maiores votações para a então candidata Dilma. Em Belford Roxo, a petista chegou a 57% no primeiro turno e Serra teve apenas 12%, o pior resultado do tucano no Estado. Em Queimados, Dilma conquistou a 55,5% dos votos.

Os cicerones de Aécio em Queimados serão o presidente do PMDB-RJ, Jorge Picciani, líder do movimento "Aezão", que prega o voto conjunto em Pezão e Aécio, e o prefeito Max Lemos (PMDB). Em 2010, os dois estavam com Dilma.

Aécio reúne-se com FHC e fecha apoios para 2º turno

Luciana Nunes Leal - Agência Estado

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, reuniu-se nesta quarta-feira, 9,com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, um dos principais conselheiros do ex-governador mineiro na campanha, que será intensificada depois da Copa. Aécio recebeu também os integrantes da coligação PSDB-PP-PSB nas eleições de Santa Catarina. O senador tucano Paulo Bauer, candidato ao governo, e o deputado estadual Joares Ponticelli (PP), vice, farão campanha para Aécio. O deputado Paulo Bornhausen (PSB), que disputa o Senado, pedirá votos para o presidenciável socialista, Eduardo Campos.

"Cada um trabalhará para seu candidato no primeiro turno e temos um compromisso de apoio recíproco no segundo turno. Temos coerência na defesa da saída da presidente Dilma Rousseff", afirmou Bornhausen, filho do ex-senador e ex-governador Paulo Bornhausen, que fez carreira política no antigo PFL e no DEM.

O deputado disse que os candidatos também farão uma visita a Campos. Aécio posou para fotos e gravou depoimento para a campanha catarinense. "Temos uma coligação autoexplicativa, com 12 partidos, todos de oposição à presidente", afirmou Bauer.

Campos diz que não pretende explorar goleada na campanha

João Domingos - Agência Estado

O candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, deixou claro nesta quarta-feira, 9, que não pretende explorar na campanha a goleada por 7 a 1 que o Brasil sofreu para a Alemanha, na terça-feira, 8, na semifinal da Copa da Fifa 2014. "Nossa proposta foi, é e sempre será trabalhar a favor do Brasil. Queremos sempre que as coisas no Brasil deem certo. Essa tem sido nossa atitude e continuará sendo", disse.

Campos diz entender que o vexame vivido pelo Brasil no Mineirão nesta terça deve ser tratado como um tabu, porque nada rende em termos de votos. Pelo contrário, insistir nele pode é aumentar a irritação do eleitor. Por causa da derrota sofrida pelo Brasil, o ex-governador cancelou a visita que faria a Fortaleza hoje, para dar prosseguimento à campanha. Ele avaliou que o eleitor não entenderia direito a atitude de um candidato pedindo votos no dia seguinte à comoção nacional causada pela derrota.

Antes da goleada, a campanha de Eduardo Campos já havia traçado algumas estratégias para o caso de a presidente Dilma Rousseff: tentar ganhar o eleitor com a boa receptividade do torneio pelo público, conforme apontam as pesquisas. A estratégia está mantida, mas só virá à tona se o tema Copa for colocado em pauta. Nesse sentido, a ideia é dizer que as denúncias de corrupção envolvendo a construção dos estádios não deveria ser esquecida, apesar do sucesso da Copa da Fifa. Os bilionários empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a construção dos estádios deverão ser lembrados na campanha, mas sempre em relação à suspeita de irregularidades e sobre os limites entre o público e privado. Nunca haverá uma condenação aos estádios, que servirão à prática do futebol nos campeonatos do País daqui para a frente.

Campos vai reeditar projeto ‘As Casas de Marina’, de 2010

• Segundo o modelo da ex-senadora, residências poderão funcionar como comitês

O Globo

SÃO PAULO — A campanha de Eduardo Campos, candidato do PSB à Presidência da República, vai reeditar uma estratégia usada em 2010 pela ex-senadora Marina Silva, então do PV. Para economizar, serão reativadas as chamadas Casas de Marina, que agora receberão o nome de Casas de Eduardo e Marina 40.

O modelo permite que qualquer residência seja transformada em comitê de campanha para distribuição de material e espaço para encontro com eleitores e candidatos.

O secretário nacional do PSB, Carlos Siqueira, afirma que a medida foi adotada para popularizar a campanha.

— Uma campanha que não tem grandes estruturas precisa de criatividade e envolver mais o eleitor. Essa é uma forma de popularizar os comitês de campanha, de ter mais comitês pelo país, e também de economizar — explicou Siqueira.

Campos declarou previsão de gastos de R$ 150 milhões e afirmou que pretende gastar menos e “fazer a campanha mais barata” de todos os candidatos

O desafio dos presidenciáveis de conter a inflação brasileira

• Campos e Dilma tratam o tema de forma vaga; Aécio quer o índice no centro da meta

Martha Beck – O Globo

BRASÍLIA — Os programas de governo de dois dos três principais candidatos à Presidência abordam de forma vaga os temas mais espinhosos da economia: a inflação elevada, a deterioração da política fiscal e o baixo crescimento. Enquanto o plano da presidente Dilma Rousseff se limita a dizer que ela será “intransigente no combate à inflação”, o de Eduardo Campos (PSB) sequer toca no assunto. Já o do tucano Aécio Neves (PSDB) é um pouco mais detalhado e propõe uma redução tanto do centro da meta de inflação, hoje fixada em 4,5%, quanto da margem de tolerância, que é de dois pontos percentuais para baixo ou para cima.

Gastos públicos em xeque
Também na área fiscal, o programa de Aécio é o único que fala na realização de superávits primários (economia feita pelo governo para o pagamento de juros da dívida pública) e no controle dos gastos públicos. Já Dilma, cuja equipe econômica é acusada de realizar uma política fiscal expansionista que aumentou excessivamente os gastos públicos e ainda prejudicou o combate à inflação, não falou de que maneira vai reverter o quadro atual. Em maio, por exemplo, o setor público registrou um déficit primário de R$ 11 bilhões, o pior desde 2001.

A professora de Economia da UFRJ Margarida Gutierrez ressalta que as propostas dos candidatos na área fiscal tendem a ser mais rígidas durante a campanha do que acaba ocorrendo na prática:
— É muito difícil conter os gastos públicos. Se o futuro presidente conseguir ao menos fazer com que as despesas do governo cresçam abaixo da taxa de crescimento da economia, já será um grande avanço.

O programa da presidente se limita a dizer que o novo ciclo de crescimento proposto pelo PT tem como alicerce “o fortalecimento de uma política macroeconômica sólida” e o “rigor fiscal”. O texto ressalta que os governos petistas adotaram uma estratégia que permitiu a queda da dívida líquida do setor, que teve uma redução de 60,2% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país) em 2002 para 34,6% em 2014.

“Sob qualquer ótica, os indicadores macroeconômicos mudaram de patamar”, afirma o programa de Dilma. No entanto, o texto não menciona o fato de a dívida bruta — um dos principais parâmetros observados pelo mercado na hora de avaliar a situação das contas públicas de um país — estar subindo e preocupando o mercado. No ranking do Fundo Monetário Internacional (FMI), por exemplo, o Brasil é uma das economias emergentes em pior situação. Os dados apontam que, no Brasil, a dívida bruta fechou 2013 em 66,3% do PIB e terminará 2014 em 66,7% do PIB. Já a China deve terminar este ano em 20,2% do PIB; a Índia, em 65,3%; e a Rússia, em 13% do PIB.

O plano de Campos na área fiscal diz apenas que “a condução da política econômica requer planejamento de médio e longo prazos” e ressalta a importância de implantar no Brasil um projeto de crescimento com sustentabilidade, uma plataforma de sua vice Marina Silva. Um dos coordenadores do plano de governo do presidenciável do PSB, o ex-deputado Maurício Rands, explicou que o programa será detalhado futuramente.

O programa de Aécio também defende a autonomia operacional do Banco Central para fixar a política de juros no país. Já Dilma e Campos não tocam no assunto. Em comum, os três programas de governo têm o discurso em favor do aumento dos investimentos em infraestrutura, com simplificação tributária e redução de burocracia.

Abreu e Lima: Auditorias apontam favorecimento a empreiteiras na obra da refinaria

• Relatório elaborado pela Petrobras aponta lucro indevido do Consórcio Alusa-CBM

Eduardo Bresciani e Vinicius Sassine – O Globo

BRASÍLIA — Auditorias internas da Petrobras revelam que a construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, contou com projeções de lucro acima do mercado por fornecedores, favorecimento em licitações, contratações sem concorrência e sem disputa e pagamentos a mais a empreiteiras. Os relatórios inéditos, obtidos pelo GLOBO, foram elaborados entre 2011 e 2014 e detalham supostas irregularidades num empreendimento cujo orçamento saltou de US$ 2,3 bilhões para mais de US$ 20 bilhões, valor do gasto total estimado até novembro deste ano, data prevista para o início do funcionamento da refinaria. O superfaturamento em Abreu e Lima, segundo as estimativas mais recentes do Tribunal de Contas da União (TCU), ultrapassa R$ 1,1 bilhão.

Um relatório de sete páginas, elaborado por três auditores da Petrobras, apontou um lucro indevido projetado pelo Consórcio Alusa-CBM, responsável por um contrato de R$ 651,7 milhões. Para implantar a unidade da carteira de enxofre da refinaria, o consórcio estimou um lucro de 12%, inclusive para a elaboração do projeto, delegada a outra empresa. Os auditores compararam, então, esses ganhos com o “ranking” das 14 maiores construtoras, cuja margem média de lucro era de 7%, “sendo que 60% dessas empresas apresentaram percentuais inferiores ou iguais a 6%”.

A unidade responsável justificou que as propostas se referem a contratos por preço global e não poderiam ser analisadas pontualmente. Os auditores discordaram: “O fato de o contrato ser por preço global não impede a análise da composição de seu valor, ainda na licitação, visando à negociação de condições mais vantajosas para a Petrobras, inclusive com possível enquadramento de suas parcelas ao praticado no mercado”. Não há informação se os lucros exacerbados foram pagos.

Outra equipe de três auditores lançou suspeita sobre um segundo contrato com a Alusa. A empresa foi contratada por R$ 921 milhões para realizar do projeto executivo à implementação da casa de força da refinaria. A Alusa, porém, não atendia aos requisitos expressos no edital de licitação. Na ocasião, em 2008, foram encaminhados convites a 12 empresas. A empreiteira só conseguiu participar após enviar e-mail a um gerente da área de engenharia demonstrando interesse em disputar.

A Petrobras justificou a inclusão como uma forma de aumentar a concorrência: “Apesar de a Alusa não atender integralmente aos critérios estabelecidos inicialmente para o convite, ela possuía capacitação, porte adequado e experiência na prestação de serviços semelhantes na Petrobras. Considerou-se, ainda, que a inclusão dela no processo poderia aumentar a competitividade no certame".

Os auditores não se deram por satisfeitos. O relatório destacou que 12 concorrentes já participavam e que a flexibilização dos critérios deveria ter sido estendida a outras empresas. “Uma vez aberta a excepcionalidade para essa empresa, outras que estavam nas mesmas condições deveriam ter sido convidadas não só para conferir isonomia ao processo, como, também, para aumentar a competitividade e evitar questionamentos”, argumentaram.

Questionamentos ao processo licitatório foram feitos também em um certame vencido pela Jaraguá Empreendimentos, citada na Operação Lava-Jato da Polícia Federal (PF) como uma das que repassaram recursos para uma empresa de fachada do doleiro Alberto Youssef. Os dois auditores que assinam este relatório observaram que a empresa venceu uma concorrência de R$ 13,3 milhões para o fornecimentos de equipamentos de energia na qual nenhum concorrente participou. A Petrobras convidou 16 empresas, mas só a Jaraguá apresentou proposta. A equipe observou que o TCU já determinou à Petrobras que devem existir pelo menos três propostas válidas para um processo licitatório ter continuidade.

Um contrato de R$ 2,7 bilhões com o Consórcio Ipojuca, formado pela Construtora Queiroz Galvão e pela Iesa Óleo e Gás, teve reajustes de preços antes do previsto na parceria com a Petrobras. As empreiteiras são responsáveis pela implantação de tubovias de interligação. Os auditores apontaram um “desembolso indevido” de R$ 6 milhões, e pediram a devolução do dinheiro.

Outra iniciativa criticada foi o aumento de itens e a manutenção do preço unitário, o que levou a um “acréscimo de R$ 245 milhões". “Considerando que os itens destacados representam os maiores volumes das medições, essa situação pode induzir à percepção de antecipação de recursos com vantagem financeira para a contratada”, citou o relatório. O consórcio deveria instalar um sistema de tratamento de efluentes, o que não foi feito e implicou custo adicional de R$ 15 milhões.

Relatórios apontaram ainda repasses de recursos a fornecedores contratados antes da prestação de serviços e sem atualização dos valores nos pagamentos, além de reajustes inadequados, que levaram a pagamentos a mais. Estes recursos só foram ressarcidos à Petrobras após o trabalho da fiscalização. A auditoria questionou o fato de a Petrobras ter deixado de cobrar multas previstas em contrato, de até 10% do valor total, por atrasos na obra e desmobilização de mão de obra. Isso ocorreu em dois contratos que ultrapassavam R$ 1,3 bilhão, mas a Petrobras preferiu apenas repactuar os prazos com os fornecedores.

A reportagem do GLOBO procurou a Petrobras na tarde de ontem, mas não houve retorno até o fechamento desta edição. O Consórcio Ipojuca também não respondeu aos questionamentos enviados. O jornal tentou contato com Alusa e Jaraguá, mas, devido ao feriado em São Paulo, não conseguiu contato com os respetivos escritórios.

Justiça manda Petrobrás entregar todos os contratos de Abreu e Lima

• Medida atende pedido da defesa de doleiro e de ex-diretor da estatal, investigados por suspeita de corrupção na refinaria.

Fausto Macedo – O Estado de S. Paulo

A Justiça Federal mandou intimar a Petrobrás para que apresente em 30 dias uma extensa relação de informações e documentos sobre a construção da refinaria Abreu e Lima, empreendimento que a Operação Lava Jato investiga por suposto superfaturamento e desvio de recursos públicos envolvendo o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da estatal petrolífera, Paulo Roberto Costa.

A Petrobrás terá de apresentar os dados, “preferivelmente em forma digital em CD ou DVD”, inclusive cópia de todos os contratos e aditivos existentes. As informações foram requeridas pelos defensores de Paulo Roberto Costa e Youssef. Ambos negam corrupção no âmbito da refinaria.

A Justiça também decidiu requisitar do Tribunal de Contas da União (TCU) cópia integral de todos os procedimentos de auditoria e fiscalização realizadas sobre as obras da Abreu e Lima.

Especificamente, o TCU terá de informar se o critério adotado com relação às obras de terraplanagem da refinaria Abreu e Lima foi o mesmo adotado em obras de pavimentação de rodovias realizadas pelo DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).

A suspeita sobre a Abreu e Lima é um capítulo emblemático da Lava Jato, investigação da Polícia Federal sobre lavagem de R$ 10 bilhões. O Ministério Público Federal apontou lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa e denunciou 10 investigados, entre eles Youssef e Paulo Roberto Costa.

A denúncia indica “desvios de numerário público” ocorridos na construção da Refinaria Abreu e Lima, no município de Ipojuca (PE), o que teria ocorrido através do pagamento de contratos superfaturados a empresas que prestaram serviços direta ou indiretamente à Petrobrás, no período de 2009 a 2014.

A obra, orçada inicialmente em R$ 2,5 bilhões, teria alcançado atualmente o valor global superior a R$ 20 bilhões.

A Procuradoria da República sustenta que Paulo Roberto Costa aparece nas duas pontas do esquema criminal, em uma como responsável pela construção da refinaria, tanto na condição de diretor de Abastecimento da Petrobrás como membro do Conselho de Administração da Abreu e Lima, e, na outra, como beneficiário de parcelas das ‘comissões’ ou ‘repasses’.
Paulo Roberto Costa, como diretor de Abastecimento da Petrobrás durante 2004 a 2012 e como conselheiro de administração da Abreu e Lima desde 2008, era responsável pelos projetos técnicos para construção de refinarias da estatal e pela fiscalização da execução dos aspectos técnicos.

Ao analisar os argumentos dos defensores do doleiro e do ex-diretor da Petrobrás, que estão presos, a Justiça Federal rechaçou tese de “inépcia da denúncia”. Segundo a Justiça, “em síntese, recursos públicos da Petrobrás teriam sido desviados na construção da Refinaria Abreu e Lima e lavados pelos acusados em fluxo de recursos que passa da Petrobrás para o Consórcio Nacional Camargo Correa (CNCC), controlado pela empresa Construções Camargo e Correa S/A, desta para as empresas Sanko Sider Ltda. e a Sanko Serviços de Pesquisa e Mapeamento, e destas para a MO Consultoria e Laudos Estatísticos”.

A MO Consultoria e Laudos Estatísticos, destaca a Justiça, embora em nome de Waldomiro Oliveira, é controlada por Alberto Youssef. “Posteriormente, os valores teriam sido transferidas a outras contas de empresas controladas por Youssef, como Labogen Química, Indústria Labogen, Piroquímica, RCI Softaware e Empreiteira Rigidez, e parte ainda remetida ao exterior mediante contratos de câmbio fraudulentos para pagamento de importações fictícias”.

A Justiça acolheu pedido dos defensores de Youssef e de Paulo Roberto Costa para que a Petrobrás repasses informações sobre a refinaria. A estatal terá de informar se a Abreu e Lima seria destinada ao refino de petróleo produzido no Brasil e na Venezuela e, em caso positivo, “se estes petróleos poderiam ser refinados em conjunto”.

A Justiça elencou 19 itens para os quais a Petrobrás terá de prestar informações, como, por exemplo, esclarecer, de modo detalhado, qual era o setor responsável e como era o processo de aprovação dos contratos e aditivos da obra de construção da Abreu e Lima; informar como se processavam os pedidos de reajustes dos contratos envolvendo a refinaria, isto é, quem tomava a iniciativa e quem deliberava sobre sua aprovação; e qual Diretoria era responsável por esclarecer ao Tribunal de Contas da União questionamentos relativos aos contratos e aditivos.

A Petrobrás deverá informar se o pagamento dos equipamentos utilizados nas obras da refinaria é quitado de acordo com a utilização ou se essa obrigação existe mesmo na hipótese de eles se encontrem inoperantes. Vai esclarecer se os contratos e aditivos celebrados eram submetidos a alguma espécie de auditoria interna – em caso positivo, terá que remeter à Justiça Federal cópia dos pareceres e conclusões das auditagens efetuadas.

Também vai informar, “de modo detalhado”, as etapas para a construção da refinaria, a data em que foi divulgado o orçamento inicial do empreendimento e esclarecer se, neste momento, já dispunha de um projeto aprovado – em caso negativo, vai informar qual foi o parâmetro utilizado para a estimativa inicial de custo.

A estatal tem que informar se o cronograma de obras da refinaria foi cumprido ou se sofreu atrasos – nesta hipótese, explicar quais os motivos que os determinaram.

A Justiça Federal também quer saber quais os critérios que levaram a Petrobrás a firmar pareceria com a PDVSA (Petróleos de Venezuela S/A) para construção da Abreu e Lima – e esclarecer os motivos pelos quais a parceria com a estatal venezuelana na construção da refinaria não se concretizou.

Outros dados para os quais a Justiça Federal quer explicações da Petrobrás.
1) Informar se houve necessidade de construção de infraestrutura no entorno da Refinaria Abreu e Lima. Em caso positivo, esclarecer se o custo de tais obras estava incluído no orçamento inicialmente divulgado pela Petrobrás.

2) Informar o setor responsável pela estimativa e divulgação do custo inicial da construção da refinaria.

3) Informar se o diretor da Área de Abastecimento da Petrobrás tem autonomia para aprovar contratos e aditivos de obras da refinaria Abreu e Lima, individualmente.

4) Informar se o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa autorizou, individualmente, realização de contratos e aditivos da refinaria Abreu e Lima.

5) O nome e o cargo dos integrantes do Conselho de Administração da Refinaria Abreu e Lima durante o período em que Paulo Roberto Costa exerceu o cargo de diretor de Abastecimento da Petrobrás;

6) Esclarecer qual a área responsável pelo projeto inicial da refinaria.

7) Entregar cópia da licitação ou das principais peças da licitação vencida pela CNCC referente à construção da obra de Abreu e Lima.

A Petrobrás informa que tem colaborado com as investigações.

Sobre a Refinaria Abreu e Lima, a Camargo Correa esclarece que é parte de um consórcio (CNCC), responsável por apenas 2 das 12 principais obras do empreendimento.

Segundo a Camargo Correa, o contrato firmado com o CNCC foi objeto de licitação pública (número 0629131.09-8, de 19 de março de 2009) pelo menor preço, processo coordenado e decidido por comissão de licitação da Petrobrás. O valor desse contrato (R$ 3,4 bilhões) representa aproximadamente 13% do valor total contratado pela Petrobrás para o conjunto dos contratos decorrentes das licitações realizadas ao longo de 2009.

Merval Pereira: Fichas-sujas

- O Globo

A judicialização da política trouxe nos últimos dias notícias nada alvissareiras, com a Justiça sendo usada de variadas maneiras para manter na vida pública políticos que a desonraram. Num dos casos, o do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, há filmes comprovando o recebimento de propinas.

Ele foi condenado em segunda instância por improbidade administrativa pelo Tribunal de Justiça do DF, juntamente com a candidata a deputada Jaqueline Roriz, mas ambos podem escapar da Lei da Ficha Limpa, que proíbe a candidatura de políticos condenados por órgãos colegiados.

A interpretação da Justiça tem sido de que os políticos somente são impedidos de disputar uma eleição se a condenação ocorrer antes do registro da candidatura, cujo prazo final foi 5 de julho.

Outro caso também tem a ver com registro de candidaturas: o Tribunal de Justiça de São Paulo concedeu liminar anulando a convenção estadual do PT paulista, porque o partido recusou a candidatura do deputado estadual Luiz Moura, acusado de ligação com facções criminosas em São Paulo.

Ele participou de uma reunião com membros do PCC no sindicato dos rodoviários, e não conseguiu explicar o que fazia lá. O passado de Luiz Moura o condena: preso por assalto à mão armada, fugiu da prisão e ficou foragido por 10 anos.

No retorno, conseguiu uma anistia dos crimes e entrou para a política. Hoje, possui postos de gasolina e participação em empresas de ônibus.

O efeito colateral da medida por si só demonstra sua total falta de realidade: a anulação invalida todas as candidaturas do PT no estado de São Paulo, não apenas dos deputados estaduais e federais, mas, sobretudo, a de governador, do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha.

Poderia ser uma solução para o PT, que já começa a “cristianizar” seu candidato antes mesmo de a campanha começar, mas privaria o estado economicamente mais forte do país e seu maior colégio eleitoral de ter uma representação do PT no Congresso, o que é inaceitável por uma decisão fora das urnas.

No caso de Brasília, a situação é mais surreal do que parece. Embora condenado, ele teve o voto do desembargador Mário-Zam Belmiro Rosa que entendeu que as provas não eram suficientes para ligar Arruda ao esquema, mesmo com o depoimento do delator e com os filmes comprobatórios, inclusive um mostrando o próprio ex-governador com maços de dinheiro, e outro a deputada Jaqueline Roriz recebendo a suposta propina.

Além do mais, o julgamento só ocorreu porque o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa determinou que a Justiça do DF julgasse o processo, derrubando uma liminar no STJ (Superior Tribunal de Justiça) que o suspendera.

O Ministério Público vai tentar derrotar a jurisprudência que permite a candidatos fichas-sujas disputarem uma eleição, destruindo completamente o espírito da legislação moralizante. Além do mais, ainda está vigendo o prazo para os registros de candidaturas serem impugnados, o que reforça a tese do Ministério Público.

A Copa das Copas
Há uma conspiração dos astros contra a presidente Dilma. Na análise de seus conselheiros, o melhor resultado para sua candidatura, depois da tragédia do Mineirazo, seria a derrota ontem da seleção da Argentina e uma vitória da seleção brasileira contra os “hermanos” no sábado, na disputa pelo terceiro lugar.

Pois os argentinos venceram a Holanda e disputarão a final contra a Alemanha. Corre o risco de a presidente Dilma ter que entregar a Copa das Copas a Messi, o capitão da seleção argentina.

Pior desfecho não poderia haver. Só falta alguém sugerir à presidente Dilma que ela deve ir sábado ao estádio em Brasília para dar uma força à seleção brasileira. É o que dá misturar futebol e política.

João Bosco Rabello: A vida real de volta mais cedo

- O Estado de S. Paulo

Se a tragédia futebolística afetará as eleições, ainda é uma incógnita, mas desde já abrevia a trégua que a Copa representou para o governo e acelera a retorno à realidade da população, que voltará ao cotidiano de dificuldades após a final do próximo domingo.

Com a seleção fora da Copa, de forma humilhante, a semana que antecede a final serve para que a ficha caia aos poucos, antes que transportes, segurança, saúde e inflação voltem ao dia a dia na mesma proporção em que os turistas e atletas retornem aos seus países.

Foi bom enquanto durou, o congraçamento dos povos e a esperança de um resultado melhor para a seleção. Mas a festa acabou e vale lembrar que o mau humor do contribuinte antecede o evento esportivo em, pelo menos, um ano, quando houve a primeira manifestação nas ruas pelo chamado padrão Fifa.

Padrão que acaba também junto com o torneio. A segurança exaltada pelos estrangeiros que vieram ao país para a Copa é tão atípica quanto a goleada alemã. Sem Copa, o exército deixa as ruas, um jogo do campeonato brasileiro não mobilizará dois mil policiais, nem haverá feriados que perenizem o bom desenvolvimento do trânsito.

Certamente oposição e governo não acreditam na influência do futebol nas eleições, mas é certo que o êxito do evento representou para o governo um ganho por ter sido precedido de legítima expectativa em sentido contrário.

Serviu para interromper o clima de insatisfação, com o país em festa. Da mesma forma, a goleada alemã foi um anticlímax, menos pela derrota e mais pelo diagnóstico que o placar significa para o futebol brasileiro, cuja gestão recebeu seu atestado de óbito.

Para a presidente Dilma, foi-se a oportunidade de prolongar os efeitos da má avaliação da gestão de seu governo, que chegou a experimentar uma tolerância maior, registrada na pesquisa mais recente, que a mostrou com mais três pontos.

De qualquer forma, dificilmente mesmo um resultado positivo da seleção revogaria o quadro de dificuldades que cerca o projeto de reeleição do PT. Além da percepção aguda dos problemas econômicos pela população, há um cenário de alianças desfavoráveis à presidente em estados estratégicos.

O desfecho dramático no plano do futebol, porém, ajuda a repor as coisas no lugar. O governo vinha manipulando o êxito da festa com críticas aos que cobravam padrão Fifa para os serviços públicos aos que afirmaram que não haveria a Copa e aos que tentaram boicotá-la, atribuindo essas manifestações à oposição e à imprensa.

Nem uma, nem outra, no entanto, está entre esses “pessimistas impatrióticos”, como os classifica o governo. O padrão Fifa era nada mais que o desejo de que o que funcionou na Copa funcione todo dia – e esse sentimento perdura. Aqui o governo corre o risco de ampliar seu desgaste, pois não tem como sustentar o padrão que funcionou na Copa após seu término.

O movimento que ameaçava boicotar a Copa jamais correu o risco de dar certo, pois dependia da violência de militantes que expulsaram das ruas os manifestantes ordeiros, mas que não se dispuseram a enfrentar o policiamento especial montado para o evento.

Desde o primeiro momento, os governos jogaram duro com manifestantes para arrefecer o ânimo de ações durante a Copa. O governo de São Paulo chega ao final do evento com legislação aprovada proibindo máscaras em manifestações, avançando o passo que o governo federal ensaiou e refugou.

O país retoma mais cedo sua rotina com os velhos problemas de volta à pauta. O governo segue desgastado pela economia, inflação fora da meta, corrupção em evidência e estagnação nas pesquisas.
O futebol, se influir, será no contexto de uma percepção geral de que nem na última trincheira da autoestima nacional o país se viu blindado dos problemas de gestão que não poupam nem mais o futebol dentro de campo.

Eliane Cantanhêde: "Padrão Felipão"

- Folha de S. Paulo

Da presidente e candidata Dilma Rousseff, tentando cutucar a Fifa depois dos 3 a 0 do Brasil sobre a Espanha e a vitória na Copa das Confederações: "Meu governo é padrão Felipão".

E agora, depois dos 7 e o fim do sonho do hexa em pleno solo brasileiro? Dilma continua dando entrevistas sobre a Copa e, se já não comparava o padrão do seu governo à malfalada Fifa, não pode mais compará-lo ao do Felipão. Mas não vai faltar quem faça a comparação...

Política é curiosa, vai e vem, vem e vai, sempre sujeita aos humores da grande e difusa massa de eleitores. Dilma ganhou quatro pontos com a Copa, mas tende a estacionar agora.

O que ocorreria com a candidata Dilma se o Brasil fosse campeão e a presidente Dilma entregasse a taça para o capitão Thiago Silva? Imagem fortíssima, de imensa simbologia.

Mas o que ocorrerá com a candidata Dilma se a Argentina for campeã e a presidente Dilma for obrigada a entregar a taça para o capitão Messi em pleno Maracanã? Imagem igualmente fortíssima, de imensa simbologia, mas em sentido oposto.

Já que foi a própria Dilma quem fez o casamento entre o seu governo e o "padrão Felipão", estão unidos na alegria e na tristeza. Já que ela certamente tiraria louros político-eleitorais se a taça fosse nossa, a premissa contrária é igualmente verdadeira: tem agora de dividir os prejuízos da derrota vexaminosa.

Com crescimento medíocre e indicadores destrambelhados, é óbvio que a oposição, em algum momento, mais ou menos subliminarmente, vai colar a tática, a estratégia e a preparação do governo ao "padrão Felipão". Sobretudo na economia.

Eleição, porém, não é campeonato de futebol entre PT e PSDB. Se FHC dizia que a vitória do Brasil não impediria derrota de Dilma, a premissa contrária vale igualmente para ele: a derrota do Brasil também não impedirá a vitória da petista.

A Copa acabou para o Brasil, mas a eleição está apenas começando.

Dora Kramer: Apropriação indébita

- O Estado de S. Paulo

O melhor que os políticos teriam a fazer de agora em diante seria deixar de lado o assunto Copa do Mundo. Pelo menos no que diz respeito ao futebol.

Isso na teoria, com base na premissa de que a oposição não deve sair comemorando a derrota horripilante e a situação não tem como captar dividendos nem pode ser responsabilizada pela surpresa que a "caixinha" desta vez nos reservou.

Aliás, não deixa de ser uma cruel ironia que a lavada da Alemanha sobre o Brasil tenha contribuído significativamente para aumentar o saldo de gols dessa Copa tão festejada também pela quantidade de bolas no fundo das redes.

A desconexão entre esporte e política é uma tese confirmada em eleições anteriores. Agora, porém, tornou-se uma hipótese a ser submetida a teste. Por diversos fatores, sendo o principal deles a nítida tentativa do governo de se apropriar do sucesso caso a seleção tivesse conseguido ir até o fim e conquistado o hexa.

A outra razão é a enrustida torcida da oposição para que algo desse errado. Se antes tudo parecia conspirar contra, quando o campeonato começou os ares ficaram favoráveis e os políticos seguiram o rumo dos ventos. Sempre, claro, dizendo que estavam todos unidos em um só coração.

Ninguém poderia, contudo, prever uma surra daquela proporção. Uma coisa horrorosa que pode levar as pessoas a reavaliarem a posição predominantemente favorável à realização da Copa no Brasil enquanto tudo era festa, e voltarem a querer discutir a oportunidade, a necessidade, os gastos, os atrasos, as promessas não cumpridas e os falsos legados do Mundial.

Considerando que os problemas, assim como os aeroportos, não serão levados de volta nas malas dos turistas - para usar uma imagem da presidente Dilma - já seria de esperar o retorno do azedume. Agora, no entanto, acentuado por um fato inimaginável e altamente negativo.

A oposição naturalmente não vai se recusar a esse tipo de debate. E é neste aspecto que agora possa haver, sim, uma conexão entre o futebol e as eleições. Não uma ligação direta entre a derrota em campo e a vitória nas urnas ou vice-versa. Há muitos fatores envolvidos, todos eles devidamente expostos naquele clima de exasperação que há um ano se instalou no País.

Junte-se a Copa realizada no Brasil com eleição disputada e os ânimos profundamente alterados, tudo fica superlativo. Não foi apenas a seleção que se perdeu em campo diante do profissionalismo dos alemães.

O departamento de propaganda do governo também dá sinais de atabalhoamento, pois age no improviso, a cada momento reagindo de uma forma diferente. Antes, quando temia que se concretizassem as previsões de falhas graves de organização e infraestrutura, procurou distanciar-se do campeonato em si para se concentrar no "legado".

Depois, à medida que ia saindo tudo melhor que a encomenda, a equipe do marketing houve por bem aconselhar a presidente a pegar uma carona na amabilidade do brasileiro - contrariando a personalidade irascível de Dilma, a inflexível - a fim de construir às pressas uma identificação.

A presidente foi às redes sociais falar contra o "uso indevido do pessimismo", imitar gestos de Neymar, atacar os "urubus" e misturar condenações à política econômica com críticas à organização da Copa ou mesmo à atuação do time de Luiz Felipe Scolari.

Tal salada governista revelou-se precipitada no uso indevido do otimismo. A suposição era a de que, tendo chegado até as semifinais, o Brasil poderia conseguir o título, ou pelo menos uma colocação razoável. Farejou aí a possibilidade de dividir as honras e apressou-se em abraçar a Taça.

Uma vez consumada a tragédia no campo, o Planalto volta a dizer que a Copa é uma coisa e a política é outra coisa. Mas foi o governo, na palavra da presidente, quem insinuou que era a mesma coisa.

Luiz Carlos Azedo: O colapso da Seleção

- Correio Braziliense

Ninguém imaginava o que aconteceu no Mineirão, nem há explicação satisfatória para o vexame da Seleção Brasileira na semifinal contra a Alemanha. A derrota deprimente por 7 x 1 será estudada nos mínimos detalhes por técnicos de futebol pelos próximos 50 anos, pelo menos aqui no Brasil, como já aconteceu com a derrota na Copa de 1950, para o Uruguai. A diferença é que não dependeu de uma jogada fortuita, como a de Ghiggia no Maracanazo, que virou o placar para 2 x 1 contra nós. Foi uma goleada definida em seis minutos mágicos de futebol, nos quais foram marcados quatro dos cinco gols alemães do primeiro tempo. O de honra do Brasil só saiu nos minutos finais, quando o placar já estava praticamente definido por mais dois gols alemães, num lampejo individual e isolado de Oscar.

O jogo ainda não havia terminado, porém, já circulava na internet uma piada infame: um gaiato dizia que nem na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) um povo sofrera tanto como os brasileiros, o que é uma rematada tolice, diante do morticínio que houve. Basta lembrar apenas os 6 milhões de judeus mortos no Holocausto, 10% do total. Mas essa comparação sem sentido vem a calhar porque o esquema tático armado pelo técnico Luiz Felipe Scolari — para substituir Neymar e Thiago Silva — parecia uma espécie de Linha Maginot, o sistema de fortificações construído pelos franceses para barrar a invasão alemã.

André Maginot, um ex-combatente da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), era o ministro da Guerra em 1927 e tinha certeza de que a Alemanha e a Itália, por causa do Tratado de Versalhes, entrariam em confronto com a França. Ele morreu de uma overdose de ostras estragadas, em 1932, sem ver seu plano executado. Ao preço de 5 bilhões de francos, porém, foi construída uma espécie de muralha da China subterrânea, entre 1930 e 1936, com 100km de extensão, paralela à fronteira franco-germânica. Com suprimentos próprios de energia, munição e alimentos, tinha 108 edificações principais (fortes), a 15km de distância umas das outras, mais construções menores e casamatas interligadas por ferrovia.

Virou um case militar de erro de conceito: os franceses se prepararam para uma "guerra de posições", nas quais a infantaria e a artilharia combateriam entrincheiradas, como na Primeira Guerra Mundial. Mas a invasão alemã, em 1940, apesar de previsível, surpreendeu o Exército francês porque as divisões blindadas contornaram as fortificações pela extremidade oeste, na fronteira com a Bélgica, que declarara neutralidade, e na região de Sedan, próxima a Luxemburgo, onde as fortificações não foram concluídas por falta de recursos. O Exército francês foi cortado ao meio e se rendeu. O mundo assistiu com espanto à queda de Paris e à dramática retirada de ingleses, belgas e franceses encurralados nas praias de Dunquerque.

Ataques-relâmpago
A comparação com o que aconteceu no Mineirão, porém, faz mais sentido por causa dos mortíferos ataques alemães no primeiro tempo, uma blitzkrieg na grande área brasileira, executada aos 10, aos 22, aos 23, aos 24 e aos 29 minutos de jogo. No conceito de "guerra de movimento", a palavra alemã significa guerra relâmpago, para evitar que as forças inimigas tenham tempo de organizar a defesa. Os elementos essenciais são o efeito surpresa, a rapidez das manobras e a brutalidade do ataque, com objetivo de desmoralizar o inimigo e desorganizar suas forças, paralisando os centros de controle. O criador dessa tática militar foi o marechal alemão Eric von Manstein, que foi condenado em Nuremberg por crimes de guerra, mas teve a pena reduzida durante a Guerra Fria e ajudou a Alemanha Ocidental a reorganizar o seu Exército.

Parece que Luiz Felipe Scolari adotou a tática da "guerra de posições", como os franceses. Escalou o time e disse onde cada jogador deveria jogar contra a seleção alemã, como se fosse possível, num jogo de Copa do Mundo, decidir na prancheta como impor o medíocre padrão de jogo da nossa Seleção. Faltou combinar com Müller, Klose (2), Kroos, Khedira e Schürrle (2), como diria Mané Garrincha. Felipão ficou perplexo diante da ofensiva alemã, sem entender o que estava acontecendo. A defesa brasileira, desorientada, perdeu qualquer capacidade de reação. Era o ponto forte do Brasil até a saída de Thiago Silva. O ataque brasileiro, que já era fraco, simplesmente havia deixado de existir, antes mesmo do jogo começar, com a saída de Neymar.

Ao explicar o que aconteceu, Luiz Felipe Scolari preferiu dar destaque ao fato de a Seleção ter chegado a uma semifinal de Mundial pela primeira vez desde 2002. Em 2006 e em 2010, fomos eliminados pela França e, depois, para a Holanda, respectivamente, nas quartas de final. Minimizou a derrota: "O normal era vitória nossa ou deles. São duas grandes equipes. Pelo resultado ser por esse número de gols, ficará para a história", disse. "Tivemos seis minutos em que deu pane geral. Isso não é o que imaginávamos. Vamos trabalhar para montar o time do jogo de sábado, que passa a ser importante e um outro sonho." Que venha a seleção da Holanda!

Cristian Klein: Presidencialismo, vexame e voto

• Marqueteiros terão que lidar com ambiguidade da Copa

- Valor Econômico

Os efeitos políticos do vexame histórico da derrota da seleção brasileira para a Alemanha serão desvendados em poucos dias, quando sair nova pesquisa eleitoral. O índice de intenção de votos da presidente Dilma Rousseff poderá cair, a preferência pela oposição subir, a taxa de em branco e nulos crescer, ou mesmo nada disso acontecer.

O mais provável - como demonstra a falta de correlação entre os resultados das últimas eleições presidenciais e o desempenho da seleção nas Copas - é que o impacto seja, no máximo, marginal. Mas levar uma goleada de 7 a 1, numa semifinal em casa, também não estava dentro de qualquer curva normal de probabilidade.

A humilhação mundial de quem se sente o país do futebol bateu fundo no orgulho dos brasileiros, que em três meses irão às urnas. Ontem, no "day after" do pesadelo, o estado de perplexidade deu lugar à busca de explicações e culpados. O humor não está nada bom. Mas é difícil imaginar que o cidadão comum, acostumado a outros reveses em Copas, seja levado a confundir as bolas. A política se mistura - ou se misturou - com o futebol quando o Brasil aceitou ser o anfitrião do Mundial. A política, neste caso, afeta e é afetada pelo que diz respeito à organização do evento.

Toda a energia das críticas em relação a esse aspecto parece ter se concentrado nos movimentos pré-Copa. Junho de 2013 foi a catarse de um país insatisfeito com os gastos excessivos, com a corrupção, com as intervenções urbanas autoritárias, em contraste com a qualidade ruim ou péssima de uma série de serviços públicos: do transporte de massa à educação, saúde e segurança.

Tudo seria ainda pior - e motivo para uma volta às ruas - se a organização da Copa do Mundo fosse um fracasso, o que não ocorreu. Pelo contrário. Aeroportos funcionaram a contento e o acesso aos estádios transcorreu sem problemas - ainda que tenha havido problemas pontuais, como roubos de ingressos e preços abusivos cobrados por setores do comércio. A euforia tomava conta do brasileiro e de artigos em publicações estrangeiras que justificavam o slogan dos marqueteiros de Dilma, pelo qual o país realizaria "a Copa das Copas".

Julho de 2014 tem outro significado. É uma nova catarse coletiva, de conversação social intensa, um enorme debate para desvendar porque o maior fiasco da seleção brasileira em cem anos se deu justa e novamente numa Copa organizada em casa. Isso, basicamente, tem a ver com o mundo do futebol, com sua própria lógica, líderes e instituições - e, vá lá, Freud.

Em primeiro lugar, o cidadão médio brasileiro conhece bastante o futebol para saber que a responsabilização por uma derrota da Seleção deve ser dirigida a boleiros. O vilão agora se chama Luiz Felipe Scolari, com culpas extensivas à comissão técnica e à CBF. A escolha dos jogadores, a falta de planejamento, de treinos, há inúmeras razões para se explicar o fracasso. Felipão hoje é o que foram Felipe Melo e Júlio César, em 2010; Roberto Carlos, em 2006; Alemão, Dunga e Lazaroni, em 1990; Zico, Sócrates e Júlio César, em 1986; Cerezo, em 1982; para não falar de Barbosa, cuja alma finalmente descansa em paz, com a substituição de um trauma por outro, maior.

Os 2 a 1 do "Maracanazo" de 1950 foram pouco perto do "Mineiratzen" de terça-feira. Vergonha supera tristeza. E isso leva à segunda reação à derrota.

No divã em que se transformaram as conversas pelo país, há espaço até para se questionar o papel que o futebol tem na formação da identidade nacional. Trata-se apenas de um jogo - argumentam os mais conformados na tentativa de minimizar a sensação de humilhação - mas a derrota de 7 a 1 pode ter implicações para além do futebol - ou da política. Põe em questão o jeito do brasileiro de encarar situações-limite, de estar preparado para momentos de decisão. Competições esportivas são fartas de exemplos. Menos lembrados, os fracassos de brasileiros em Olimpíadas guardam semelhança ao apagão - mais psicológico do que técnico ou tático - que levou a Seleção a tomar cinco gols em menos de meia hora (aos 11, 23, 24, 26 e 29 minutos). Favorito no hipismo nos Jogos de Sidney, em 2000, Rodrigo Pessoa viu seu cavalo Baloubet du Rouet refugar, num fiasco surpreendente. Quatro anos depois, Daiane dos Santos, à época melhor ginasta do mundo no solo, errou tanto em Atenas que também ficou fora do pódio.

Casos como esses reforçam a tese de que o atleta brasileiro parece carregar a expectativa, o fardo de não apenas representar uma nação mas de ser o redentor das mazelas do país. A declaração do zagueiro David Luiz após a derrota contra a Alemanha reflete essa ligação simbólica entre o esporte e os problemas socioeconômicos. "Eu só queria poder dar uma alegria ao meu povo, minha gente que sofre tanto já com inúmeras coisas", lamentou, aos prantos.

O que importa na dura meritocracia do esporte de alto rendimento, no entanto, não é ser um campeão de sensibilidade social. O próprio Brasil é prova de que esse peso não atrapalha quando se atua num nível de excelência. O vôlei, sob o comando do técnico Bernardinho, conquistou uma hegemonia com a filosofia de que sua equipe deve treinar tão arduamente a ponto de a partida se tornar a parte fácil - ou menos difícil - do trabalho.

Nada tão distante do que foi o improviso da seleção de Scolari e o apelo motivacional exagerado.

Mas assim como a população não aderiu ao movimento #não vai ter Copa e torceu pela seleção - separando política e futebol - o mais provável é que não os misturem.

Candidatos à Presidência que porventura quiserem se aproveitar dos resultados da Copa - positivos ou negativos - podem ser vistos como manipuladores da opinião pública. Será um desafio para os marqueteiros de Dilma, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) tocarem no assunto, em seus programas eleitorais, sem enfrentar o legado ou a memória dupla e ambígua que o Mundial provocará nos eleitores. Por enquanto, a sensação de fracasso tende a dar armas à oposição. Mas responsabilizar Dilma pelo resultado do futebol pode abrir espaço ao contra-ataque governista e a possível injeção de ânimo para se recuperar a autoimagem do brasileiro.

Brasília-DF - Denise Rothenburg

- Correio Braziliense

As emendas na marcação
Os levantamentos do Planalto indicam que os parlamentares não têm muito do que reclamar em termos de liberação de emendas ao Orçamento deste ano. Até a data-limite, 30 de junho, foram empenhados 74% das emendas individuais de deputados e senadores à Lei Orçamentária. O que ficou de fora foram aqueles com problemas técnicos, falta de documentação das prefeituras. A maior dúvida, entretanto, é, se feitos os empenhos, ou seja, separado o dinheiro, o pagamento pode ser efetuado ao longo do período eleitoral. Pelo sim, pelo não, a área econômica deu uma segurada nesses pagamentos. E é aí que mora hoje a principal reclamação da base.

Divórcio da bola I
Desde o jogo Brasil x Chile, o governo tratava de separar a imagem da presidente (e do PAC da Copa) do sucesso ou do insucesso da Seleção dos gramados, conforme publicado nesta coluna no último sábado na nota "preparar para descolar". Agora, a entrega da taça ao capitão de outra seleção, seja Philipp Lahm, da Alemanha; ou Lionel Messi, da Argentina, será, na avaliação dos governistas, a consagração desse discurso de que tudo funcionou direitinho, exceto o futebol brasileiro.

Divórcio da bola II
Entre os principais aliados da presidente Dilma Rousseff, houve quem citasse as constantes desavenças entre ela e o número um da CBF, José Maria Marin. Eles fizeram as pazes no ano passado, quando começaram as inaugurações das arenas pelo Brasil afora.

Jogada perigosa
A avaliação da maioria dos políticos é a de que quem tentar tirar algum proveito político da derrota do Brasil corre risco de amargar a limonada do próprio copo. Da parte do PSB, a ordem ontem era "muita calma nessa hora". O PSDB, por exemplo, apesar da nota do Instituto Teotônio Vilela (ITV) vinculando o resultado à política, quer ver a discussão da eleição na plataforma econômica e em temas como o "apagão de gestão" do setor elétrico.

Ponteiros petistas
O ministro de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, se reuniu ontem com o presidente do PT, Rui Falcão. Tudo para pegar o mapa dos estados mais complicados e mirar onde o governo precisará tomar cuidado na hora de nomear relatores de projetos importantes.

Cozinhando o PR
No que se refere ao novo diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), a presidente Dilma Rousseff continua em suspense. Nada mudou. E o Partido da República, diante dos prazos, não teve saída. Registrou a ata da convenção como integrante da campanha de Dilma à reeleição e aguarda o Dnit. O general Jorge Fraxe, está fora, mas, por enquanto, é apenas licença-médica. E não vai ser agora, nesse estressante fim de Copa do Mundo, que a presidente mexerá no time.

Sessão fantasma/ O presidente da Comissão Mista de Orçamento, Devanir Ribeiro (foto), passou o início da tarde no telefone em busca dos integrantes do colegiado para tentar votar o parecer preliminar da LDO. Em meio à ressaca, os que boicotaram a sessão propositalmente terminaram misturados àqueles que preferiram as campanhas ou simplesmente ficaram enlutados. "Como você não vem?!!! Precisamos de quórum!!!", reclamava com um colega ao telefone.

Promessa de político/ Em sua meteórica passagem por Brasília, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), brincou com os parlamentares russos que foram visitar a Casa ontem: "irei à Copa da Rússia esperando um resultado melhor para nossas seleções", disse ele. Em tempo: Henrique dificilmente cumprirá essa promessa. Afinal, se for governador do Rio Grande do Norte (ele é candidato) ou mesmo parlamentar, vai ficar muito feio largar o serviço aqui para assistir à Copa do Mundo na Rússia.

Quarta de cinzas/ Diante do pior resultado da Seleção Brasileira na terça de lágrimas, até os candidatos evitaram "oba-oba" ontem. O senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), por exemplo, cancelou a agenda de rua e passou o dia no Congresso.

Enquanto isso, na casa da Coca-Cola.../ Antes da agenda da presidente Dilma, o turco Muhtar Kent, presidente mundial da Coca-Cola Company, aproveitou a estada em Brasília para degustar um menu inspirado num país que saiu bem cedo do Mundial, a Itália. Ravioli Sorrento, com queijo meia cura, ao molho de tomate e muçarela de búfala. Depois, um filé à Chateaubriand, pimenta verde e risoto de funghi porcini. Mas, para beber, nada de cola-cola. Diante das iguarias do chef napolitano Rosario, só mesmo legítimos vinhos da Toscana e do Piemonte.

Painel - Bernardo Mello Franco (interino)

- Folha de S. Paulo

Bola murcha
O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), negou pedido do deputado Romário (PSB-RJ) para afastar a chamada bancada da bola de votações que envolvem interesses da CBF. O ex-craque queria anular os votos de sete colegas que, em maio, livraram a entidade de ter que prestar contas de seus gastos e reservar 5% da receita para a formação de novos atletas. Alves arquivou o recurso do tetracampeão na segunda-feira, um dia antes de o Brasil ser eliminado da Copa.

A regra é clara O regimento interno da Câmara afirma que o deputado deve se declarar impedido de participar de qualquer votação "tratando-se de causa própria ou de assunto em que tenha interesse individual".

O apito do juiz Na resposta ao Baixinho, Alves disse que o congressista só pode ficar impedido por "decisão pessoal". Para ele, exigir afastamentos significaria "violação a uma das mais importantes prerrogativas do mandato, o voto parlamentar".

7 a 1 Romário batizou de "deputados alemães" os sete colegas que votaram a favor da CBF: Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), Guilherme Campos (PSD-SP), José Rocha (PR-BA), Jovair Arantes (PTB-GO), Rodrigo Maia (DEM -RJ), Valdivino de Oliveira (PSDB-GO) e Vicente Cândido (PT-SP).

Cartola FC Além de dirigentes de clubes, a lista inclui dois vice-presidentes regionais da Federação Paulista de Futebol: Campos e Cândido. Ambos são amigos do peito de Marco Polo Del Nero, presidente eleito da CBF.

Vai começar O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) iniciará a coleta de assinaturas para instalar uma CPI da Fifa e da CBF. O deputado Otavio Leite (PSDB-RJ) quer votar projeto que endurece regras para os clubes.

Apareceu Ricardo Teixeira, o ex-presidente da CBF, andava sumido da Copa. Não anda mais: seu nome ressurgiu nas páginas policiais, em reportagens sobre o desvio de ingressos para cambistas.

Sumiu O ex-presidente Lula, que não perde uma chance para falar de futebol, ainda não deu uma palavra sobre o fiasco do Brasil. Antes do jogo, divulgou foto segurando a camisa da seleção.

Ponha-se na rua Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) anunciará hoje que 35.653 pessoas foram removidas de suas casas nas 12 cidades-sede da Copa. Cerca de 70% das famílias teriam renda de até três salários mínimos.

Outro lado O governo diz que a maior parte dos atingidos já foi realocada ou recebeu indenização. ONGs que acompanharam as obras contestam os números e estimam em 250 mil o número de pessoas removidas.

Chá de cadeira Lula fez o aliado Eduardo Suplicy (PT-SP) esperar mais de um ano pela foto de segunda-feira. O senador pedia o encontro desde maio de 2013.

Sai pra lá Eduardo Campos (PSB) não gostou de ser listado como testemunha por Paulo Roberto Costa, preso pela PF: "Não recebi qualquer notificação oficial, mas acredito que quem está mais capacitado para falar da atuação dele na Petrobras são as pessoas que o nomearam e o mantiveram no cargo".

Veja bem A cúpula da Convenção Geral das Assembleias de Deus diz que Aécio Neves (PSDB) é bem-vindo em seus templos. "Conhecemos e aprovamos sua capacidade e seriedade. É um candidato visto com bons olhos pela igreja", afirma, em nota.

Bola pra frente E como escreveu o poeta Sérgio Vaz: o maior vexame da história do Brasil foi a escravidão.

Tiroteio
"A eliminação da Copa era uma tragédia anunciada. Não podemos mais deixar nosso futebol nas mãos de um zumbi da ditadura"
DO SENADOR RANDOLFE RODRIGUES (PSOL-AP), sobre o presidente da CBF, José Maria Marin, que governou São Paulo por dez meses no regime militar.

Contraponto

Clandestino e cabeludo

De volta ao Brasil na clandestinidade, quase um ano depois do golpe de 1964, o líder estudantil José Serra improvisou um disfarce para não ser reconhecido pela repressão. Cultivou um "vasto bigode" e armou um topete.

--Por mais que hoje pareça implausível, eu tinha cabelo. O conjunto me dava uma aparência um tanto estranha --conta, no novo livro "Cinquenta Anos Esta Noite".

A cara nova espantou um casal de amigos a quem ele fez uma visita surpresa. Serra se deu por vencido:

--Na mesma noite, desisti do disfarce. Raspei o bigode, penteei o cabelo para trás e voltei a ser eu mesmo.

Diário do Poder – Cláudio Humberto

- Jornal do Commercio (PE)

• Brics: Brasília terá megaesquema de segurança
O megaesquema de segurança da Copa do Mundo será mantido e até ampliado, em Brasília, para receber quarta-feira (16) o encerramento do encontro de chefes de Estado e de governo dos países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que começa na terça em Fortaleza. Na capital, estarão também os presidentes dos doze países da Unasul, a União de Nações Sul-Americanas. Participarão dessa reunião presidentes como o russo Vladmir Putin e o chinês Xi Jinping.

• Aparato à la EUA
Putin vai trazer ao Brasil uma comitiva de 170 integrantes, além de tudo o que vai usar, incluindo água, comida, carros e helicópteros.

• Aproveita
O russo Vladmir Putin e o chinês Xi Jinping chegam ao Brasil no dia 13, para assistir a partida final da Copa do Mundo, no Maracanã.

• Rússia 2018
Ao final do jogo e após a premiação, será realizada a solenidade de transmissão de sede da Copa para a Rússia, a anfitriã de 2018.

• Capital bilionário
Os Brics se reunirão no Brasil para assinar a criação de um banco de fomento das economias dos membros, com capital de US$ 50 bilhões.

• Cardozo trabalha para virar ministro do Supremo
Como sempre ocorre em indicações para ministro do Supremo Tribunal Federal, o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) terá o papel de conversar com os candidatos à vaga de Joaquim Barbosa, para depois aconselhar a presidenta Dilma na escolha. O problema é que Cardozo é um dos candidatos ao STF e tenta convencer Dilma a desistir de fazer a indicação até setembro, antes das eleições, como ela já decidiu.

• Ela tem pressa
Dilma sabe que, se não for reeleita, terá dificuldades de aprovar o indigitado no Congresso, por isso quer resolver o assunto logo.

• O ‘eleitorado’
O ministro da Justiça tem apoios importantes para o STF, como José Dirceu e Aloizio Mercadante (Casa Civil), mas ele é detestado por Lula.

• Rigor malvisto
Lula detesta Cardozo porque ele agiu com imparcialidade, na comissão que investigou corrupção do PT em prefeituras petistas, nos anos 1980.

• Amarelou
O candidato a presidente Eduardo Campos (PSB) cancelou a agenda de ontem para não enfrentar o mau humor do eleitorado nas ruas, após o vexame da Seleção. Bem diferente de Dilma, que vai encarar o Maracanã lotado, domingo, para entregar a taça aos campeões.

• Vitimização
O PSDB do presidenciável Aécio Neves (MG) orientou correligionários a não apoiar xingamentos à presidenta Dilma na entrega da taça, no Maracanã. Não por solidariedade a ela, mas para não vitimizá-la.

• Murro em ponta de faca
A estratégia do ex-governador José Roberto Arruda de processar juiz que o condena não parece ajudá-lo muito – como mostrou a decisão do Tribunal de Justiça do DF, ontem, confirmando sua condenação.

• Manobra
Convidado como testemunha ontem no Conselho de Ética, o chefe de gabinete de Luiz Argôlo, Vanilton Bezerra, alegou que está no interior da Bahia e só virá à Brasília a partir de 30 de julho, justo no recesso.

Contra a censura
Alexandre Jobim, Nascimento Silva e Ronaldo Lemos, do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional, recomendaram a rejeição de propostas que violentam a liberdade de expressão neste período, inclusive a proibição de divulgar pesquisas 15 dias antes da eleição.

• Prioridade
O PSDB e o DEM chegaram ao consenso de que o candidato Aécio Neves deve priorizar a campanha em Estados como São Paulo e Rio de Janeiro, em virtude da expressão do eleitorado.

• Sombra
Coordenador-geral da campanha de Aécio Neves (MG) à Presidência, o senador José Agripino (DEM-RN) acompanhará o tucano no Rio e no Espírito Santo, nesta quinta-feira, onde subirá em palanques do PMDB.

• Paz e amor
De olho em negociar apoio num segundo turno, o candidato pelo PMDB ao governo gaúcho, José Ivo Sartori, decidiu, por ora, evitar críticas ao governador petista Tarso Genro e à adversária Ana Amélia (PP).

• Pensando bem
…se arrependimento matasse, Dilma já estaria mortinha da Silva, por ter dito, dias atrás, que seu governo é “padrão Felipão”.

Panorama Político – Ilimar Franco

- O Globo

O Brasil e a Copa
O senador Álvaro Dias (PSDB) quer uma CPI sobre a Copa. O ministro Paulo Bernardo diz que foi uma vitória do Brasil, mesmo com a derrota da seleção. Explica que ela promoveu o Brasil como destino turístico e apresentou um país hospitaleiro, com segurança e organização. Para um socialista, política à parte, a Copa gerou uma mídia favorável no mundo que nenhum esforço de relações públicas ou de publicidade alcançaria.

E não houve nenhum desastre
A Secretaria de Aviação Civil apresenta balanço, amanhã, da movimentação dos aeroportos na Copa. Até terça-feira, 14,2 milhões de passageiros passaram pelos 21 aeroportos que servem as cidades-sede. Nas Fans Zones, áreas criadas para entreter os passageiros, transitaram 230 mil pessoas. O dia com maior movimentação de aeronaves foi anteontem, véspera da semifinal entre Argentina e Holanda, no aeroporto de Guarulhos. O número chegou a 821, o que dá uma média de um pouso ou decolagem a cada 1,7 minuto. A pontualidade dos voos passou no crivo. Na Copa, o índice de atrasos foi de 7,6%. Em 2013, na União Europeia, a taxa de atrasos foi de 8,4%.
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“Aquilo que o Brasil passou para o mundo foi maravilhoso”
Luiz Felipe Scolari
Técnico da seleção brasileira, ontem na entrevista coletiva sobre a eliminação do Brasil da Copa do Mundo, comentando os efeitos extracampo da realização no país da principal competição do futebol mundial
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Tiro ao alvo
Políticos de vários partidos foram céticos em relação à realização da Copa no Brasil temendo seus efeitos eleitorais. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, deve passar pela mesma experiência. Em 2016, tem Olimpíadas e sucessão municipal.

Polivalente?
Candidato ao Senado em aliança com o PSDB, o deputado estadual Paulo Bornhausen (PSB) esteve no lançamento da chapa Eduardo Campos-Marina Silva em abril, em Brasília. Ontem, no Rio, posou para fotos ao lado do tucano Aécio Neves e do ex-presidente Fernando Henrique, em reunião sobre a campanha do PSDB em Santa Catarina.

O drama dos refugiados
O Brasil tem dificuldades para lidar com os refugiados do Haiti, mesmo assim o chanceler do Líbano, Gebran Bassil, irá hoje ao vice Michel Temer. O libanês quer ajuda do Brasil sobre como lidar com os refugiados sírios naquele país.

E tem mais Copa
Integrante do Comitê Executivo da FIFA, Lydia Nsekera vai hoje de manhã ao Centro de Mídia do Maracanã. Ela terá a companhia da craque Marta e do ministro Aldo Rebelo (Esportes). E vai dar informações sobre a Copa do Mundo de futebol feminino. Ela será realizada no Canadá, de 5 a 24 de agosto do próximo ano.

Sentou na cadeira
O general Jorge Fraxe ainda comanda o Dnit, mas seu secretário-executivo, Tarcísio Gomes, indicado para substitui-lo, já está se comportando como se mandasse no órgão. Ele recebe deputados para tratar de obras nos estados.

Alinhamento
Sobre o palanque do PMDB em São Paulo, seu candidato ao governo, Paulo Skaf, diz que “tem as melhores relações de amizade e de lealdade com o vice Michel Temer” e que “ele estará no palanque da chapa presidencial Dilma-Temer”.
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OS CANDIDATOS DO PMDB que almejam presidir a Assembleia estão irritados com a candidatura a deputado do presidente do partido, Jorge Picciani.

Coisinha do Pai - Vou Festejar (Jorge Aragão & Beth Carvalho )

Carlos Drummond de Andrade: No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra.