sexta-feira, 11 de julho de 2014

Merval Pereira: Até o futebol?

- O Globo

O governo petista chegou à conclusão de que é preciso estatizar o futebol brasileiro para que ele volte a ser competitivo, uma ideia estapafúrdia que o coloca em pé de igualdade com o governo da Nigéria, onde o presidente John Goodluck demitiu todos os dirigentes da CBF de lá devido à eliminação da sua seleção nas oitavas de final do Mundial.

Em consequência, a Fifa suspendeu a Federação de Futebol da Nigéria de todas as suas atividades, proibindo-a de participar de competições internacionais e até mesmo de organizar campeonatos locais.

Mas, apesar de saber que a Fifa proíbe qualquer ingerência estatal no futebol, para mantê-lo como uma atividade privada, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, defendeu ontem “a volta da presença do Estado” brasileiro na organização do futebol, o que é expressamente proibido pela Lei Pelé.

Mas não foi só. Um site ligado à campanha da presidente, de nome “Muda Mais”, pediu uma completa reformulação na CBF — no que estamos de acordo —, e a própria presidente Dilma, em entrevista a Christiane Amanpour, da CNN, pronunciou-se sobre a necessidade de manter no Brasil os seus principais jogadores — no que tem razão —, mas atribuiu essa tarefa não ao mercado futebolístico, mas à ação do governo:

“O Brasil não pode mais ser apenas exportador de jogadores. Exportar jogadores significa que estamos abrindo mão de nossa principal atração, que pode ajudar a lotar os estádios. Até porque, qual é a maior atração que os estádios no Brasil podem oferecer? Deixar a torcida ver os craques. Há anos, muitos jogadores brasileiros têm ido jogar fora, então renovar o futebol no Brasil depende da iniciativa de um país que é tão apaixonado por futebol”.

As inúmeras denúncias de corrupção envolvendo a Fifa e a própria CBF, e o histórico das entidades de se envolverem em maracutaias diversas, não falam bem da atividade empresarial privada na gestão do futebol.

Mas o único caminho para restabelecer a capacidade brasileira de produzir bons times e jogadores é reduzir a interferência política na gestão dos clubes e da CBF, e seguir o caminho de federações vitoriosas como a Alemanha, a Espanha, a Itália, onde o futebol tornou-se um negócio altamente rentável e que produz grandes times e seleções.

Ficha suja
O caso do ex-governado José Roberto Arruda, de Brasília, que, mesmo condenado em segunda instância pelo TJ-DF, manteve sua candidatura ao governo, pode ser emblemático para o sucesso da Lei da Ficha Limpa.

A alegação da defesa é a de que o prazo para não aceitar a candidatura teria sido 5 de julho, dia em que se encerraram as inscrições dos candidatos. E a jurisprudência eleitoral diz que nenhum fato superveniente pode atingir uma candidatura.

Mas há questões que estão sendo discutidas. Esse caso será o primeiro para aplicação da Lei da Ficha Limpa em que questões de prazo serão discutidas, e há um entendimento do Supremo Tribunal Federal de que, para os casos da Lei da Ficha Limpa, condenações posteriores também valem.

Além disso, o caso de Arruda estava para ser julgado antes do dia 5 de julho, mas ele, numa manobra, conseguiu uma liminar suspendendo o julgamento.

Há outras interpretações mais favoráveis ainda à impugnação de sua candidatura. O juiz Marlon Reis, um dos artífices da Lei da Ficha Limpa, diz que o registro de uma candidatura não está concluído quando o candidato o pede ao Tribunal Regional Eleitoral, mas quando o Tribunal defere o pedido.

O pedido seria apenas o primeiro dos vários passos até que a candidatura se torne realidade. O segundo é a publicação do edital com a lista das candidaturas deferidas pela Justiça Eleitoral; em seguida, é aberto o prazo para pedidos de impugnação, há a produção de provas e, finalmente, o julgamento, cujo prazo se encerra em 5 de agosto.

Portanto, a candidatura de José Roberto Arruda ainda está em tempo de ser barrada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal. O caso deve parar no STF, que terá chances, então, de esclarecer a questão da Lei da Ficha Limpa.

Dora Kramer: Traço de união

- O Estado de S. Paulo

Diante da cena, o paralelo foi inevitável: Luiz Felipe Scolari e Carlos Alberto Parreira na entrevista do dia seguinte à débâcle da seleção atuavam à maneira de determinados políticos e governantes que brigam com os fatos como se a negação tivesse o poder de mudar a realidade.

Na ojeriza à autocrítica que nesse episódio ressaltou a proximidade entre os condutores de times e de partidos, estiveram presentes as incongruências, os malabarismos verbais, a socialização do prejuízo, a invocação ao imponderável e até o recurso à pieguice.

Tudo muito parecido. A começar pelo pano de fundo: a arrogância que no semblante e nas palavras teimava em desobedecer ao tom da fala mansa de estudada humildade.

Cheio de estatísticas, ao molde daqueles números que candidatos despejam para impressionar o eleitorado, o técnico mostrava papéis para provar que a prancheta indicava o caminho certo. Ao lado, seu auxiliar corroborava incisivo: "Foi perfeito. Faríamos tudo de novo". Pela versão dos dois, nada saiu errado. Ou seja, tirando a goleada de 7 a 1, foi tudo bem.

Sabe como é? Descontada a demonstração exaustiva do ocorrido e da condenação por maioria no Supremo Tribunal Federal, o julgamento de certa ação penal foi obra de perseguição insidiosa do ministro Joaquim Barbosa.

Nada como uma narrativa virtual para substituir os fatos reais. Estes, no entanto, costumam atropelar o narrador. Assim foi com Scolari. Momentos depois da exibição dos números probatórios do sucesso veio o ato falho: "Cometemos um erro fatal. Uma vergonha".

A falta de compromisso com a coerência é recorrente na política. Aquela coisa, uma hora a pessoa diz que foi traída por gente envolvida em escândalos a fim de marcar distância dos acusados, outra hora a mesma pessoa afirma que os aludidos traidores são vítimas e que vai se dedicar a provar a inocência dos companheiros. Não só não o faz como segue a vida repetindo "não sei de nada".

Luiz Felipe Scolari disse não saber o que aconteceu na terça-feira. Não precisa entender de futebol para saber: o Brasil jogou inacreditavelmente mal e não deve ter sido porque o time estava no "caminho certo".

Assim como os políticos gostam de atribuir os problemas ao "sistema" do qual seriam todos reféns - um exemplo é o uso do caixa dois no financiamento de campanhas -, o técnico da seleção recorreu à figura da "pane geral" para dar um nome de fantasia ao que teria uma denominação correta na forma de autocrítica.

Note-se que num primeiro momento ele chamou a responsabilidade a si, mas no dia seguinte falou nos "seis minutos" de abalo coletivo dando um sentido fantasmagórico ao desastre que, no dizer dos especialistas no tema, tem razões objetivas. Políticos quando em situações adversas também tergiversam.

E quando se esgotam todos os recursos, fazem como Carlos Alberto Parreira e apelam à "força do povo". Entre "centenas de e-mails" de apoio escolheu a mensagem endereçada a Scolari pela torcedora Lucia para ler ao final da entrevista.

"Desejo-lhe boa sorte nos próximos jogos. E tenho certeza de que o senhor os comandará com sua inquestionável competência." Inocente útil, dona Lucia não tem parte no efeito constrangedor do uso de sua singela manifestação.

Paradoxo. A população reclama da qualidade dos políticos. Repudia a corrupção. Entretanto, na hora de votar deixa para lá a oportunidade de fazer a sua parte.

José Roberto Arruda foi condenado em 2.ª instância por um colegiado. Poderia por isso ter ficado inelegível, mas como seu registro de candidatura foi pedido cinco dias antes da condenação, em princípio pode seguir candidato.

O Ministério Público vai recorrer, mas ele pode ganhar na Justiça e vencer. E por quê? Porque a despeito de ser reincidente está em primeiro lugar nas pesquisas.

Eliane Cantanhêde: Os campeões

- Folha de S. Paulo

Final de Copa do Mundo é como um segundo turno de eleições presidenciais. Quem já apoiava um dos dois finalistas costuma (não obrigatoriamente) seguir em frente. E quem torcia por um terceiro time, ou um terceiro candidato, fica observando, refletindo, até decidir se vai lavar as mãos e votar branco/nulo ou optar pelo "menos pior" do seu ponto de vista.

O que será menos pior no domingão do Maracanã para nós, torcedores brasileiros: uma vitória da Alemanha, que liquidou a seleção do Felipão e o hexa, ou da Argentina, nosso adversário direto e visceral?

Seria uma típica "escolha de Sofia" às avessas, não fosse um fato inquestionável: a Alemanha já é de fato, e tem tudo para ser também de direito, a grande campeã da Copa.

É doído ter de torcer pelo time que massacrou o Brasil a céu aberto, ao vivo e em cores para bilhões de pessoas mundo afora. Mas é uma questão de justiça. Campeões não são só os que fazem mais gols --e nós vimos como a Alemanha sabe fazer gols!--, mas também os que se comportam como ídolos: dão exemplo, trabalham duro, têm disciplina, cultivam o espírito de equipe e, de quebra, demonstram humildade e simpatia com o anfitrião. Esses são os alemães nesta Copa 2014 no Brasil.

Não vai aí, porém, nenhuma patriotada ridícula, uma pinimba rasteira contra nossos "hermanos", que têm o papa Francisco, o Maradona e o Messi, mas, coitados, afundam junto com a inacreditável Cristina Kirchner. Quantos de nós amamos Buenos Aires? Quantos de nós temos bons amigos argentinos? E, afinal, quantos de nós adoraríamos trazer a taça para a América do Sul?

Trata-se, pois, de uma torcida desapaixonada e diferente do cálculo político dos comitês dos candidatos. Dilma entra na onda de empurrar a tragédia para o colo da CBF, tendo pesadelos com vaias e acendendo velas para a vitória da Alemanha. Logo, Aécio e Campos devem estar torcendo pela Argentina...

Fernando Filgueiras: Eleição em estado de latência

• Pesquisa mostra pouco interesse na corrida eleitoral

- Valor Econômico

A corrida eleitoral começou no contexto de uma vexatória derrota da seleção brasileira na Copa. No governo ou na oposição a expectativa é de uma grande politização do evento, na tentativa de atribuir a este ou aquele a responsabilidade pela maior goleada sofrida pela seleção em plena semifinal, em um campeonato organizado no Brasil. Natural esta politização da Copa, visto que os protestos de junho passado já apontavam nessa direção. Alhures, o problema não foi o desempenho no futebol, mas o conjunto dos acontecimentos ao longo da preparação do evento.

Difícil dizer se esta derrota impactará as escolhas eleitorais. Aos mais insatisfeitos com o governo da presidente Dilma, certamente essa derrota impulsionará a insatisfação. Ou seja, para aqueles que já estavam insatisfeitos com o governo, esta derrota aumentará ainda mais a insatisfação, sendo o governo o culpado natural pela goleada imposta à seleção brasileira. Nesse sentido, a inferência de que o resultado do futebol afeta a eleição para presidente é falsa, porque apenas impulsiona uma insatisfação que já existia em um estrato da população. Futebol à parte, a corrida eleitoral começa com um dado bastante interessante, na última pesquisa Ibope.

Conforme os dados da pesquisa, apenas 16% dos entrevistados apresentam muito interesse na próxima eleição. Na amostra da mesma pesquisa, 55% revelam pouco ou nenhum interesse na próxima eleição. Este interesse pela próxima eleição diminui entre os estratos de menor renda e escolaridade. Este dado, por si, não revela um desinteresse do cidadão pela política. Revela mais um contexto da conjuntura política em que a eleição, por si mesma, não ressalta diferenças significativas entre candidatos ou partidos. Por efeito de governos sucessivos que conseguiram implantar uma agenda de desenvolvimento, seja com o controle da inflação, no governo de Fernando Henrique Cardoso, seja com as políticas sociais, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil parece ter entrado no rumo. As desigualdades diminuíram, ampliou-se o bem-estar e os fundamentos econômicos funcionam razoavelmente bem. Contudo, isso não diminui os desafios impostos aos próximos governos.

Engana-se quem pensar que esse dado revela indiferença dos eleitores com a política. Revela mais um estado de espírito, em que candidatos já escalados pelos partidos e o próprio debate público não conseguem especificar uma clara agenda para os próximos anos, a qual sinalize para os eleitores quais os rumos e as estratégias que serão adotados pelos governos. Num contexto de relativa prosperidade, o interesse pela política diminui uma vez que as necessidades batem menos à porta. Aumenta, contudo, a atenção para a qualidade dos governos. Desde as manifestações de junho de 2013 este problema está posto. Como melhorar a qualidade do serviço público prestado por governos aos cidadãos por meio de políticas públicas mais eficientes e eficazes para enfrentar os problemas sociais?

Nesse contexto, as dificuldades dos partidos e dos candidatos para convencer os eleitores são maiores. Exige deles clareza nos objetivos e nas estratégias, visando a manter em movimento a rota de mudanças sociais. Ou seja, a pergunta fundamental que circundará a próxima eleição é: como manter o desenvolvimento sinalizando mudanças de rumo e enfrentar os problemas da qualidade do governo? Responder a esta pergunta de forma clara ao eleitor será a chave para alavancar a sucessão. Esta conjuntura de pouco interesse pela próxima eleição aponta mais um estado de latência do que indiferença do eleitor. E será esse estado de latência o determinante da corrida eleitoral. Não bastarão afirmações abstratas para repensar o Brasil sem esclarecer a direção, ou soluções mágicas tiradas da cartola de marqueteiros. A conjuntura revela que esse estado de latência precisa ser considerado por partidos e candidatos no processo de sucessão presidencial.

Sendo assim, a conjuntura imporá aos candidatos a manutenção do movimento inaugurado no processo de democratização com mudanças de rumo na direção. Ou seja, há claramente a necessidade de uma nova agenda política que indique a continuidade do movimento com maior prumo do governo para vencer questões estratégicas. Dentre estas questões estratégicas, algumas se impõem de modo contundente. Em primeiro lugar, como conter e vencer o rentismo do setor financeiro, fazendo ampliar o crédito e o investimento do setor produtivo? Em segundo lugar, como assegurar que os ganhos de bem-estar resultem em redução das desigualdades econômicas e sociais mais efetivas, assegurando ampliação da justiça social? Em terceiro lugar, como assegurar novos patamares de investimento em educação que resultem em avanços significativos em tecnologia e serviços? Em quarto lugar, como reformular o serviço público de forma a apresentar ganhos de eficiência sem prejuízo dos investimentos sociais realizados?

Manter o movimento com mudanças claras na direção. Eis a questão. A realidade é bem mais dura e complexa do que uma derrota sofrida por sete gols. Do contrário, a latência poderá dar lugar à inércia, criando a sensação de que tudo está indo muito bem. O problema será se o movimento começar a ir para trás.

Fernando Filgueiras é professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais, coordenador e pesquisador do Centro de Referência do Interesse Público (Crip)

* Washington Novaes: A lógica eleitoral em cada lugar

- O Estado de S. Paulo

Há mais de uma década, quando preparava um documentário para a televisão, o autor destas linhas foi à cidade de Guelph, no Canadá, então com pouco mais de 100 mil habitantes. E pôde ver ali como a cidade legislara e aplicava leis para impedir um crescimento vertical e horizontal que não desejava: nenhuma construção poderia ser mais alta que o campanário da singela Igreja de Nossa Senhora Imaculada; e nada poderia ser feito - sem autorização específica local - para expandir horizontalmente a cidade e criar problemas de infraestruturas, de recursos públicos e outros. Assim continua.

Neste momento em que se inicia a campanha eleitoral no País, embora a votação seja para cargos federais e estaduais, o episódio é mencionado para ressaltar que existem soluções para nossos dramas. Mas que não bastam enunciados e promessas vagas, que em nada de concreto se traduzirão. Os eleitores precisam exigir caminhos e projetos viáveis, com recursos específicos disponíveis, que saiam do papel. Como, por exemplo, em Portland, nos Estados Unidos, onde a legislação impede a expansão horizontal e exige que cada empreendedor demonstre onde ficarão seus empregados na zona urbana, sem criar novas necessidades. Ou como em Oslo, na Suécia, onde os moradores têm de separar o lixo sólido do orgânico e levá-lo para contêineres nas ruas, de onde são trasladados para usinas, que compostam todos os resíduos orgânicos e dão a destinação adequada aos demais (reaproveitamento, reciclagem, produção de biogás).

Aqui, quanto maior a cidade, maior a dificuldade. Pode-se começar pelo exemplo de São Paulo - chamada pelo colunista Luís Francisco Carvalho Filho (Folha de S.Paulo, 5/7) de cidade de "aparência horrorosa" -, onde está em discussão o novo Plano Diretor. Ele tenta disciplinar o crescimento urbano, contendo-o ao longo dos eixos de transporte e restringindo a "verticalização dispersa", numa região metropolitana que já se aproxima de 20 milhões de pessoas.

Em seguida, saber o que se fará, em todas as cidades do País, com a "mobilidade urbana". Porque, ao mesmo tempo que o ex-governador do Paraná Jaime Lerner chama o automóvel de "cigarro do futuro" e articulistas já o mencionam como protagonista de "uma paixão que declina" (Folha de S.Paulo, 29/6), a começar pelos Estados Unidos, nestas bandas os governos continuam a estimular mais produção de veículos, com mais isenção de impostos. Por isso mesmo já temos 83 milhões deles (Plurale, fevereiro de 2014). Rodízios ampliados, como se propõe para São Paulo, resolverão? Ou tudo se ampliará ainda mais com a recente exigência de que mais motoqueiros passem a ganhar 30% mais - eles que, na maioria, não respeitam leis de trânsito e são os mais envolvidos em acidentes? Por que não nos lembramos de que Estados Unidos, Itália e outros países já ampliam o uso de ônibus elétricos e híbridos, em lugar de automóveis? Quem admitirá que não se pode seguir insensatamente impermeabilizando todo o solo urbano com pistas de rolamento e construções - e que isso tem alto preço em dramas com as inundações, o aumento da temperatura urbana?

Que proporão os candidatos em matéria de saneamento básico, seja para os 40% da população nacional que ainda não têm suas casas ligadas a redes de coleta, seja para os que já têm a ligação, mas veem seus resíduos ser despejados in natura em rios e no mar e se transformar na maior causa de poluição da água no País? E que se vai exigir dos candidatos em matéria de água em geral, se ainda temos quase 10% da população sem a receber em suas casas?

Que se pensa em matéria de futuro com a atual crise de abastecimento de água em parte do Sudeste, principalmente na capital paulista e adjacências? E se não chover o necessário nos próximos meses?

Vai-se buscar - e em quanto tempo - mais água na região litorânea? A que custos? Com que conflitos pelo uso, com os habitantes dali e de outras regiões? Não se vai dar prioridade à recuperação das redes urbanas de distribuição (57 mil quilômetros de extensão em São Paulo), quando a perda média no País (por causa de furos e vazamentos) é de 40% do que sai das estações de tratamento? Na cidade de São Paulo essa perda já caiu 9,8% e chegou a 31,2% (20,3% em residências, 10,9% em indústrias).
O que se ganhou equivale ao consumo em Curitiba, com seus 2 milhões de habitantes (Sabesp, 1.º/6).

E por enquanto o abastecimento em São Paulo ainda depende de 12 mil poços subterrâneos, 60% dos quais não licenciados. Mas contrariar a lógica atual exige contrariar também as grandes empreiteiras, às quais só interessam - e deixam sair do papel - obras de grande porte, não remendos aqui e ali.

Chega-se ao drama nacional do lixo, com o despejo de resíduos em lixões continuando em metade dos municípios, o País gerando mais de 1 kg de resíduos por dia por pessoa (fora resíduos de construção e industriais), a reciclagem não chegando nem a 2%. Que candidatos vão ter coragem de contrariar a maior parte do eleitorado, que não aceita que cada pessoa tenha de contribuir financeiramente para a solução com uma taxa proporcional ao lixo que cada uma gera - como se faz em tantos países, na Suécia, por exemplo, como já foi mostrado neste espaço? Até por aqui começamos a ter bons exemplos, como o de Minas Gerais, onde foi vetada por lei a incineração de resíduos para gerar energia, que leva ao desperdício de materiais e a altíssimos custos para evitar a emissão de poluentes cancerígenos. Mas são casos raros, exceções à regra.

Também é indispensável que nas discussões eleitorais não se elidam problemas. É preciso que tudo esteja claro em todos os lugares. E as discussões não podem ser genéricas, têm de ser específicas em cada lugar - tal como as propostas de soluções.

Se não for assim, nada mudará. E o País continuará mergulhado em conflitos e dramas.

*Jornalista

Eduardo Giannetti: Dilma x Dilma

- Folha de S. Paulo

O passado não pode ser mudado --é lenha calcinada. O futuro será o que fizermos dele --é promessa de combustão. Daí que todas as nossas escolhas na vida prática, como ensina George Shackle, "se dão sempre entre pensamentos, pois será sempre tarde demais para escolher sobre os fatos".

O início formal da campanha convida a refletir sobre o caminho trilhado e as opções em jogo. Ao término do mandato, há duas formas básicas de se avaliar um governo.

A primeira é interna: o governo realizou o que se propôs a fazer? Trata-se de medir a gestão por sua própria régua: o hiato entre propósitos declarados e resultados obtidos. Já a avaliação externa questiona o teor da visão estratégica --ou a falta dela-- que norteou a ação do governo. O exame recai sobre o projeto perseguido: a pertinência dos valores e prioridades revelados pelas políticas implementadas.

Como o espaço é exíguo, atenho-me neste artigo a uma avaliação interna do governo Dilma na área de atuação em que o hiato entre o almejado e o obtido foi mais gritante --a economia.

Três grandes paradoxos marcam a atual gestão.

Dilma elegeu-se e governou sob o signo da aceleração do crescimento. Ultrapassado o impacto da crise global, a intenção era dar sequência à vigorosa recuperação de 2010 e superar os 4% de média anual dos governos Lula. Apesar de todo o empenho sincero --e em boa parte por causa dele, na medida em que a adoção de uma pletora de medidas "ad hoc" gerou grave incerteza sobre as regras da economia-- o resultado foi justamente o contrário do pretendido.

O governo Dilma encerra o mandato com a menor taxa de crescimento de toda a era republicana, excetuados os governos Floriano Peixoto e Collor. No acumulado de 2011 a 2014, nosso crescimento deverá ficar em 61% do verificado na América Latina.

O segundo paradoxo decorre do voluntarismo na política monetária. Movido pela intenção louvável de reduzir o custo dos investimentos, o governo Dilma fez da queda da taxa Selic sua grande bandeira. Só que em vez de criar condições reais para isso, forçou uma redução prematura e viu a inflação extrapolar o teto da meta.

Deu no que deu: o Brasil volta a ostentar a maior taxa de juros real planetária e a Selic deverá terminar o atual mandato acima do patamar inicial --fato inédito desde a adoção do regime de metas em 1999.

E, por fim, a joia da coroa. Um governo de claro perfil estatizante mas que, graças a barbeiragens e gambiarras em série, logrou a proeza de prejudicar seriamente nossas duas maiores estatais, Petrobras e Eletrobras, deprimindo seu valor patrimonial e tolhendo sua capacidade de investimento. Os resultados, outra vez, tripudiam das intenções. Obra de rara alquimia.

Nelson Motta: Fechando a tampa

• A escolha do técnico da seleção brasileira deveria ser feita em eleições diretas por todos os brasileiros maiores de 14 anos

- O Globo

Para qualquer brasileiro louco por futebol, era como estar em Nova York no 11 de Setembro, com o espetáculo de horror e grandiosidade da História diante dos nossos olhos, em tempo real. Apesar de tudo, foi um privilégio testemunhar o melhor do pior, sem mortos nem feridos: só humilhados.

Em qualquer clube-empresa, uma derrota dessas derrubaria toda a diretoria e até a presidência, por pressão dos acionistas. Mas os que escolheram a comissão técnica, os arquitetos do fracasso, como o presidente da CBF, José Maria Marin, dizem que o nosso futebol precisa de grandes mudanças, fingindo que não sabem que são eles a raiz dos problemas que nos levaram a essa humilhação histórica. Só falta culparem a imprensa golpista… rsrs.

Se essa sucessão de arrogâncias, negociatas, cinismos e incompetências que resultaram nessa épica derrota do futebol brasileiro — não de um time, mas como um todo — não for motivo para uma CPI suprapartidária, o que seria? Se 70% dos brasileiros exigem mudanças na política e na economia, imaginem no futebol. Mas com a “bancada da bola” investigando, em vez de ser investigada, nem esse, que seria o maior legado da Copa, teremos.

Se, como filosofava Neném Prancha, “pênalti é tão importante que deveria ser batido pelo presidente do clube”, a escolha do técnico da seleção brasileira deveria ser feita em eleições diretas por todos os brasileiros maiores de 14 anos. E não por um cartola eleito por outros cartolas que dominam federações estaduais como políticos dominam currais e que vivem de vampirizar a paixão popular. Agora o sangue ferveu.

Mas Deus teve compaixão por Neymar e Thiago Silva, poupando-os de sofrer o vexame de corpo presente. E também por Lula, que não foi ao estádio para não ser vaiado e escapou do pior: ser acusado de pé-frio. E por nós, que escapamos de levar uma “zapatada” da Argentina na final no Maracanã. Deus é mesmo brasileiro.

Como sabem os grandes artistas, políticos, empresários e atletas vitoriosos, o sucesso não ensina nada, só infla o ego e subestima os limites, é nos fracassos que se aprendem as lições que levam a conquistas maiores.

Brasília-DF - Denise Rothenburg

- Correio Braziliense

Campanha judicial
Foram-se os tempos em que a figura mais importante de uma campanha política era o marqueteiro. Agora, a vez é dos advogados. Desde a Lei da Ficha Limpa e adjacências, o que bomba nas campanhas são as áreas jurídicas, capazes de travar as disputas nos tribunais e garantir a posse daqueles que, condenados, insistem em mandatos eletivos.

No momento, o caso que atrai os holofotes nessa área é o do registro da candidatura do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda e a tentativa de um único deputado estadual em São Paulo de anular a convenção do PT paulista, deixando o candidato a governador, Alexandre Padilha, pendurado em ações judiciais. Há outros e mais virão.

Na Paraíba...
Lá a largada da eleição já está "judicializada" — para usar a expressão que os candidatos paraibanos repetem a todo instante. Há ações contra o tucano Cássio Cunha Lima, que manterá a campanha com parte da energia voltada aos tribunais. O mesmo vale para os petistas que brigam contra a direção nacional do partido na Justiça para seguir ao lado do governador-candidato, Ricardo Coutinho, do PSB. Por essas e outras é que tem muita gente achando que a Justiça Eleitoral é quem vai ditar as emoções na campanha pós-Copa.

Atenção, internautas!
Em tempo de eleição, o cidadão tem que redobrar a atenção com certas atitudes, uma vez que não é apenas o papel, mas a tela de um computador também aceita tudo. O ministro Henrique Neves, do TSE, deixa um alerta a quem costuma simplesmente compartilhar ou repassar ofensas graves que circulam na rede: "Responde por crime contra honra também quem reproduz algo ofensivo", diz ele.

Hora de apertar os laços
Quem observou a agenda do senador Aécio Neves nos últimos dias percebeu que a ordem foi sacramentar acordos que poderiam balançar ao longo da campanha. No Rio de Janeiro, ele não esperou nem o fim da Copa do Mundo para encontrar com os mentores do Aezão (Aécio-Pezão). O mesmo valeu ontem para o Espírito Santo, onde reforçou os laços com Paulo Hartung, candidato a governador do estado. A hora é de segurar o PMDB, um partido que invariavelmente dança conforme a música.

Bate-rebate
Em seus primeiros movimentos de campanha, o candidato a presidente pelo PSB, Eduardo Campos, tem feito tudo o que pode para chamar a cúpula nacional do PT ao debate. O partido, entretanto, escalou a presidente do PT pernambucano,
Tereza Leitão, para responder a Eduardo. É a forma de tentar manter o ex-governador restrito ao plano estadual.

Mão Santa, o pobre
Quem tiver a curiosidade de ver os bens do ex-senador Mão Santa, que é médico, ficará impressionado. Seu patrimônio declarado à Justiça Eleitoral é de R$ 19.755,40. O mais valioso é uma casa de R$ 19.317,63, além de R$ 360 em quotas da Rádio Igaraçu.

Oferta imperdível / Se o senador Delcídio Amaral (foto) resolver vender seu Mini Cooper 2011/2012 pelos R$ 27.212,50 que declarou à Justiça Eleitoral, certamente terá fila na porta. Ontem, na internet, os modelos 2011 variavam de R$ 79,9 mil a R$ 115 mil. Os 2012 aparecem todos acima de R$ 90 mil.

Do campo para a campanha / A expressão de Neymar "derrota praticamente histórica", ao se referir aos 7 x 1 da última terça-feira, vai passar para os anais da política. Ontem, no fim do dia, candidatos esperavam uma campanha "praticamente" limpa, uma nação "praticamente" sem problemas. É, pois é.

E por falar em Neymar... / A aposta ontem era a de que seria bem capaz que a turma da CBF ainda tentasse colocar o jogador em campo amanhã, ainda que esteja em fase inicial de recuperação. Quanta irresponsabilidade, Batman!

Plataforma pronta / Ao falar da falência do futebol brasileiro em sua página, contando sua guerra contra
a CBF e a "bancada da bola" ou "bancada da CBF", o deputado Romário (PSB-RJ) não para de receber elogios. Há quem diga que poderá fazer sua campanha ao Senado praticamente sem sair de casa.

Painel - Bernardo Mello Franco (interino)

- Folha de S. Paulo

Leite derramado
Depois do vexame da seleção, o Planalto agora promete usar sua força política no Congresso para aprovar medidas de "modernização" do futebol. A ideia é aceitar um novo parcelamento das dívidas de clubes e federações, reivindicação da bancada da bola. Em troca, exigir a criação de mecanismos para punir dirigentes e clubes que se endividarem ou não pagarem os jogadores em dia. Apesar das promessas, o governo não apoiará a instalação de uma CPI para investigar a CBF.

Escalado Dilma Rousseff pedirá ao ministro Aldo Rebelo (Esporte) que se reúna com cartolas e representantes de atletas para negociar um pacote de consenso. Ontem ela sinalizou que voltará a receber o grupo Bom Senso FC.

Entalado Além da derrota para a Alemanha, a presidente ainda não engoliu dois gols contra: a vaia no Itaquerão, na abertura da Copa, e as declarações do ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) de que não foi "só a elite" quem a hostilizou.

Camarote Em entrevista à jornalista Renata Lo Prete, que vai ao ar hoje na Globo News, ela disse que "o ministro Gilberto Carvalho tem a opinião dele", mas que bastava olhar o estádio para ver que os torcedores eram gente de maior poder aquisitivo.

Nações Unidas Os encontros bilaterais de Dilma com chefes de Estado dos Brics começam segunda-feira, quando ela recebe Vladimir Putin (Rússia). Na quinta, será a vez de Narendra Modi (Índia) e Xi Jinping (China).

Agora pode A presidente marcou reunião com sindicalistas no início de agosto. Dirigentes de centrais reclamam que ela evitava recebê-los antes do período eleitoral.

Virando a esquina Três dias depois de receber o tucano Aécio Neves, o presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus, pastor José Wellington, viajou ontem com Pastor Everaldo, do PSC. Os dois reuniram cerca de 5.000 fiéis em Cacoal (RO).

Irmãos de fé Everaldo ainda se reuniu ontem com o pastor Silas Malafaia, que bateu duro em Dilma em 2010, e com o senador Magno Malta (PR-ES), que também queria concorrer ao Planalto. Garante que os dois vão apoiá-lo.

O dobro ou nada Aliados de Aécio estimam que sua estrutura de campanha será até duas vezes maior que a de José Serra em 2010.

Abre o cofre Os planos se baseiam na esperança de que o empresariado estará mais disposto a ajudar o mineiro do que o paulista. Por isso, o teto de despesas declarado pelo PSDB à Justiça Eleitoral decolou, alcançando os R$ 290 milhões.

Pororoca A Polícia Federal abriu 46 inquéritos para apurar as relações do doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato. Parte das investigações foca empreiteiras, agentes públicos e superfaturamento de obras.

Haja colchão O deputado Chiquinho Escórcio (PMDB-MA), que já foi "faz-tudo" da família Sarney, declarou à Justiça Eleitoral ter R$ 1 milhão em dinheiro vivo. Em 2010, ele declarou guardar R$ 270 mil em espécie.

Velho Oeste A declaração de bens do senador Roberto Requião, que disputa o governo do Paraná pelo PMDB, inclui uma "coleção de armas". Seu valor foi estimado em R$ 10.000.

Visitas à Folha O deputado Alfredo Sirkis (PSB-RJ) visitou ontem a Folha.
Julio Semeghini, secretário de Planejamento do Estado de São Paulo, visitou ontem aFolha. Estava com Marcos Michelini e Flávia Goiriz, assessores de imprensa.

TIROTEIO
"Parece que o exercício do poder presidencial abafou aquele Lula de grande sensibilidade humana que conhecemos, em priscas eras."
DO DEPUTADO CHICO ALENCAR (PSOL-RJ), sobre a ausência do ex-presidente Lula no velório de Plínio de Arruda Sampaio, que dedicou quase 25 anos ao PT.

Contraponto
Leitura comentada

Em junho de 2010, auxiliares de Carlos Ayres Britto discutiam com o então presidente do Tribunal Superior Eleitoral o impasse sobre a implantação do voto impresso nas urnas eletrônicas. Bolavam estratégia para barrar a proposta, mas o ministro só olhava o laptop.

--Presidente, os líderes dos partidos no Congresso não estão convencidos... --comentou um auxiliar.

O ministro assentia com a cabeça, disperso, e continuava digitando. Finalmente, ergueu a cabeça:

--Pronto, consegui! Estava há horas terminando um artigo sobre o aniversário da morte do Michael Jackson...

Diário do Poder – Cláudio Humberto

- Jornal do Commercio (PE)

• PT acha que vaias no domingo favorecerão Dilma
Após a derrota vergonhosa do Brasil contra Alemanha pela semifinal da Copa, a cúpula do PT já “absorveu” a sonora vaia que se espera contra a presidenta Dilma no Maracanã, na entrega da taça à seleção campeã, domingo. Dirigentes acham mesmo que irá ao estádio a “elite branca”, e a hostilidade a Dilma dará força o discurso da “luta classes”, pobres vs. ricos, que o PT pretende estimular na campanha eleitoral.

• Vitimização
Os xingamentos à Dilma na abertura da Copa levam o PT a tentar fazer do limão uma limonada, tentando caracterizá-los como “coisa de rico”.

• Mau exemplo
A estratégia de estimular a luta de “pobres contra ricos” foi usada pelo semi-ditador Hugo Chávez. Não deu certo: quebrou a Venezuela.

• Seguindo a trilha
Aécio Neves (PSDB) realizou o primeiro ato de campanha em Vitória (ES), ontem, onde o avô Tancredo lançou a Nova República em 1984.

• Match é Fifa
A Match usou sua influência na Fifa para bloquear 60% dos hotéis para hospedar convidados que levou a Brasília para ver Brasil x Camarões.

• Pastor Everaldo tem apoio de figurões evangélicos
Aspirante à Presidência, Pastor Everaldo Pereira (PSC) se reuniu a portas fechadas no Rio, ontem, com Silas Malafaia e o senador Magno Malta (PR-ES), além de outras lideranças evangélicas, de quem obteve garantia de apoio a sua candidatura à sucessão de Dilma. O grupo tentará abocanhar parte dos votos destinados à candidatura de Marina Silva, em 2010, e alcançar a meta de 10% dos votos em outubro.

• Transferência
O PSC ficou animado com o apoio de Magno Malta, que apareceu com 2% das intenções de votos em pesquisa Datafolha, em junho.

• Projeção
Conhecido por suas criticas ao lobby gay na mídia, Silas Malafaia é vice-presidente do Cimeb, conselho que congrega oito mil pastores.

• Borocoxô
O PMDB percebeu desânimo de Gilberto Kassab (PSD) na disputa de vaga ao Senado após o padrinho José Serra (PSDB) decidir concorrer.

• Nem vem
Arlindo Chinaglia (PT-SP) reagiu à provocação do visitante Alexander Zhukok, vice-presidente do parlamento russo, sobre a Seleção: “A Rússia só pode sacanear Brasil quando também for pentacampeã”.

• Dia de cão
O tradicional Banco Espírito Santo, de Portugal, viveu dia de Seleção Brasileira, ontem. Suas ações desabaram mais de 15%, levando a bolsa de Lisboa a suspender o pregão. Quase tão ruim quanto os 7×1.

• Impugnação de Arruda
Ação do PSOL na Justiça Eleitoral pretende retirar José Roberto Arruda (PR) da disputa pelo governo do DF, mas a jurisprudência o protege porque sua candidatura foi registrada. O Ministério Público, no entanto, poderá impugnar o mandato que eventualmente obtenha nas urnas.

• Gesto
Logo após o evento com Paulo Hartung (PMDB) em Vitória, ontem, o presidenciável Aécio Neves fez uma visita pessoal ao casal Gerson e Rita Camata, que perdeu a mãe há duas semanas.

• Tô fora
Um poço de mágoas com Paulo Hartung, de quem esperava apoio para disputar contra Renato Casagrande (PSB), o senador Ricardo Ferraço (PMDB) não colocou os pés no ato do correligionário com Aécio Neves.

• Proibido para menores
Boa praça, grande contador de causos e figura querida, Mário Affonso de Mello lançará seu livro “Sexo após os 80”, relato aliciante e divertido sobre suas próprias experiências. Será dia 19 na Academia Alagoana de Letras, em Maceió. Na capa, o aviso: “Impróprio para menores”.

• Suspeita no serpentário
O serpentário do Itamaraty chama de “pé frio” o chanceler Luiz Alberto Figueiredo, que estava no Mineirão no vexame brasileiro. Torcedor relutante, ele não exibiu a camisa amarelinha que vestia sob o paletó.

• Outros quinhentos
Para o deputado Osmar Terra (PMDB-RS), a derrota do Brasil contra Alemanha aumentará comparações entre Dilma e a chanceler alemã Angela Merkel: “O Brasil joga muito com a sorte, e planejamento zero”.

• Súbita rebeldia
Contra a vontade de Dilma, o presidente da Câmara, Henrique Alves, decidiu pôr em votação segunda (14) matéria anti-conselhos populares.

Panorama político – Ilimar Franco

- O Globo

Mantega, o zagueirão
O ministro Guido Mantega (Fazenda) está segurando a votação na Câmara de projeto que cria a Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte. Ela parcela o pagamento de R$ 3,3 bilhões de dívidas dos clubes, com IR, INSS, FGTS e BC. Desde maio, Mantega resiste em fazer um Refis para o futebol. O presidente da Câmara, Henrique Alves, pressiona pela votação, mas, ainda assim, espera o sinal verde da Fazenda.

Um Brasileirão sem caloteiros
O governo tem receio de chancelar a LRF do Esporte porque não quer sair desmoralizado. Explica que o Timemania foi criado para que os clubes pagassem suas dívidas, mas que só alguns usaram a sua parcela para isso. Relatam que Mantega e o ministro Ricardo Berzoini já fizeram várias reuniões com os clubes e parlamentares. “O Mantega não é contra, ele quer garantias contra um novo calote”, explica um assessor da presidente Dilma. O relator do projeto, deputado Otavio Leite (PSDB), diz que essa garantia existe. “Não é anistia, o parcelamento será corrigido pela TJLP, e os clubes terão que manter os pagamentos em dia para disputar campeonatos”, esclarece.
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“O campeão da Copa de 2014 será a Alemanha. Ela é muito superior à Argentina. Os argentinos não vão resistir”
Jérôme Valcke
Secretário-executivo da Fifa, anteontem em São Paulo, após a partida semifinal entre Argentina e Holanda, quando deixava a ala VIP do estádio Itaquerão
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O contra-ataque
A proposta para salvar os clubes da falência cria regra que impede a antecipação de receitas além do mandato de uma diretoria. O futuro dos clubes é comprometido mediante o adiantamento das receitas com a transmissão dos jogos pela TV.

Fala o dono da bola
Relator da proposta para sanear as finanças dos clubes, o tucano Otavio Leite faz questão de ressaltar que ele só ocupou essa posição devido a articulação do ministro Aldo Rebelo (Esportes). “Vários queriam, inclusive do PT, mas o Aldo queria que se desse um tratamento suprapartidário para atenuar o ambiente governo x oposição”, conta.

Jogando no ataque
Passado o vexame do Brasil, o Bom Senso Futebol Clube foi recebido ontem pela assessoria da Casa Civil. Os diretores Enrico Ambrogini e Ricardo Martins pediram apoio para democratizar a CBF e aprovar a Lei de Responsabilidade no Esporte.

Determinismo, Copa e eleição
Pode ser que o resultado da Copa influa nas eleições. Mas a história do país não sugere essa vinculação. O Brasil ganhou em 1994 e o governo elegeu FH. O Brasil perdeu em 1998 e FH se reelegeu. Em 2002, o Brasil foi campeão e FH não elegeu Serra. O Brasil perdeu em 2006 e Lula foi reeleito. O Brasil voltou a perder em 2010 e Lula elegeu a sua sucessora: Dilma.

Fazendo figuração
Sobre a presença de ministros no comando da candidatura da presidente Dilma, um ministro do Planalto contou: “Para entrar na campanha tem que sair do governo. Não dá tempo para exercer a gestão e assumir a operação eleitoral”.

Com dinheiro público
Uma secretária de Gim Argello (PTB-DF) está ligando, do telefone do Senado, informando o número de candidato. O senador nega e diz que sua funcionária só fez isso para uma pessoa que ligou para saber se ele concorreria à reeleição.
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AVALIAÇÃO DO GOVERNO: se o Congresso votar as medidas provisórias é bom, mas, se não votar mais nada até as eleições, não é o fim do mundo.

Com que roupa? / Vestido de Bolero - Roberta Sá e Diogo Nogueira

Graziela Melo: Tristes estrelas

Tristes
estrelas
que vejo

esvoaçando
no ar,

furtivas,
nas nuvens
se escondem,

de onde
contemplam
o mar!!!

Na madrugada
se apagam,
fugindo
do assédio
do sol,

reaparecem
na terra
em forma
de girassol!!!

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Opinião do dia; Luiz Werneck Vianna

O sentimento de mudança agora em relação à seleção vai se espalhar para outras dimensões e poderá ser um impulso novo para aquele desejo de mudança na população, que apareceu forte nas últimas pesquisas.

Luiz Werneck Vianna, sociólogo, professor-pesquisador da PUC-Rio. Especialistas veem pouco impacto nas eleições, O Globo, 9 de julho de 2014.

Dilma tenta se descolar do fracasso da seleção brasileira na Copa

• Planalto procura estratégia para separar organização da Copa do fiasco em campo

• Após se associar à seleção brasileira com ação em rede social e foto imitando Neymar um dia antes da fragorosa derrota no Mundial, Dilma tenta agora emplacar clima de ‘volta por cima’

Vera Rosa e Tânia Monteiro - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Um dia após a humilhante derrota do Brasil para a Alemanha, a presidente Dilma Rousseff ajustou o discurso para neutralizar o “efeito Copa” sobre a campanha da reeleição. Com medo de que o mau humor com a seleção respingue na campanha, a presidente e sua equipe tentam separar o “joio do trigo”, concentrando as energias na defesa da “administração” do Mundial.

A ordem no Palácio do Planalto é “virar a página” do que Dilma definiu como “pesadelo” e baixar o tom do mote “Copa das Copas”, com o qual o governo pretendia bater o bumbo na campanha. No lugar do ufanismo, entra agora a retórica da “volta por cima” e da capacidade de superação do brasileiro nas adversidades, além da organização “impecável” do evento.

A equipe da reeleição dá como certo que Dilma será hostilizada na final da Copa, no domingo, quando a presidente entregará a taça ao campeão, no Maracanã. Ministros e coordenadores da campanha petista acreditam que o “efeito Copa” não dure até a eleição, em outubro. O temor, agora, é que o fim antecipado da catarse coletiva alimente novos protestos, que podem ser disseminados e atingir “tudo o que está aí”, mirando em Dilma e na alta dos preços - e consequentemente dos índices de inflação - por causa da Copa.

“Quem tentar transferir para o campo da política eleitoral uma derrota no futebol dará um tiro no pé”, disse o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que assistiu à derrota do Brasil em Belo Horizonte. “A politização é simplesmente ridícula”. Para Cardozo, a derrota do Brasil “não muda em nada” o caráter da Copa, nem da segurança e da organização do evento, “que estão sendo aplaudidos pelo mundo inteiro”.

O chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, que na terça-feira admitiu a preocupação do governo com a possibilidade de volta das ações violentas dos black blocs, ontem disse que “o desastre com a seleção brasileira não é o desastre com a Copa”. “Precisamos cuidar para que tudo continue dando certo.”

Na rede. A coordenação da campanha de Dilma identificou nas redes sociais “perfis falsos” de apoiadores dos candidatos Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) associando a presidente ao vexame do Brasil diante da Alemanha, para desconstruir a imagem de “gerente” que a petista tenta apresentar. Vinte e quatro horas antes do fracasso da seleção, Dilma deu estocadas nos adversários e disse, em conversa com internautas, que a Copa era uma “belezura”, para “azar dos urubus”.

“Do ponto de vista de organização, a Copa é um sucesso e isso é inegável”, afirmou o ministro de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini. “O Brasil sofreu uma derrota absolutamente inesperada, que entristeceu todos nós, e quem quiser fazer proselitismo político com isso terá de enfrentar o julgamento do eleitor.”

Berzoini se reuniu nesta quarta com o presidente do PT, Rui Falcão, coordenador da campanha de Dilma. Mais tarde, Falcão conversou com o jornalista Franklin Martins, responsável pelo monitoramento das redes sociais. O governo e o comitê da reeleição estão atônitos com o fiasco da seleção e avaliam qual a melhor estratégia a seguir para blindar a presidente.

Uma das estratégias será apostar na agenda “positiva” dos próximos dias. Além de almoçar com chefes de Estado que estarão no Rio, no domingo, para a final da Copa, Dilma vai receber 21 presidentes na próxima semana. O comitê da reeleição quer aproveitar esses eventos para mostrar a presidente como “estadista”.

Palpite errado. Em conversa com o fundador da Amil Assistência Medica Internacional, Edson Bueno, ontem à tarde, Dilma não escondeu o abatimento com a derrota da seleção. “Mas ela foi para a guerra e é uma pessoa muito forte”, disse Bueno. “Ela falou para mim: ‘Temos de ir em frente, temos de motivar o País’.”

No encontro, Dilma achava que o Brasil poderia enfrentar a Argentina, na briga pelo terceiro lugar, o que não se concretizou - horas depois, a equipe de Messi se classificou para a final. “Nós discutimos o seguinte: se for contra a Argentina, o negócio é ganhar de uns 4 a 0, porque a gente pelo menos fica um pouco melhor”, afirmou Bueno.

Tucanos avaliam que derrota na Copa anula discurso de petista

• Comitê de Aécio acredita que Dilma não poderá mais explorar Mundial; ideia é que sucesso extracampo seja atribuído ao povo, não ao governo

Débora Bergamasco - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - A campanha do candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, avalia que a derrota acachapante do Brasil deve anular as tentativas do governo Dilma Rousseff de explorar politicamente a realização do evento em solo nacional. O comitê tucano vai apenas esperar o "luto" em razão do fiasco em campo passar para retomar as críticas à política econômica.

A ideia agora é que, ao falar do campeonato, Aécio credite o sucesso extracampo ao povo brasileiro, e não ao governo. O tucano deve insistir que o legado da Copa poderia ter sido muito melhor se o governo tivesse entregado as dezenas de obras previstas. Os estrategistas tucanos, porém, não acreditam que as discussões sobre o tema sobrevivam até outubro, mês das eleições.

Cuidado. Enquanto não passar a euforia, os agentes políticos do PSDB estarão pisando em ovos nos próximos dias para não deixar escapar frases infelizes que possam ferir o fragilizado torcedor e serem exploradas nos programas eleitorais de TV pela situação, que já acusa seus opositores de serem "pessimistas".

Segundo assessores, Aécio tem dito nas reuniões internas que o torcedor não pode sentir "cheiro de oportunismo político" ou o tiro sai pela culatra.

Aécio foi pelo menos duas vezes a estádios durante esta Copa. A primeira no Maracanã, no Rio de Janeiro, onde viu a Alemanha se classificar para a semifinal contra a França.

O candidato tucano à Presidência não divulgou a agenda à imprensa. Horas depois do jogo, publicou em uma rede social foto com a filha Gabriela, que o acompanhou ao lado do empresário Alexandre Accioly.

Na terça-feira, Aécio foi ao Mineirão, em Minas, sua terra natal. Também não divulgou a agenda. Alguns assessores chegaram até a negar que ele estivesse no estádio. No fim, confirmaram que o tucano esteve na arquibancada ao lado de outros políticos mineiros, até porque o filho de um aliado publicou foto com Aécio no Mineirão em uma rede social.

Críticas. O candidato a vice-presidente na chapa de Aécio, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), afirmou que Dilma "caiu no ridículo" ao tentar explorar o futebol desde o início dos jogos como se a gestão dela tivesse algo a ver com o que se passa no campo. Na véspera do fiasco do jogo contra a Alemanha, a presidente chegou a divulgar uma foto imitando gestos de Neymar. "A Dilma acabou caindo no ridículo fazendo aquele gesto do 'tóis' porque tentou explorar o sofrimento do Neymar (quando ele ficou de fora dos jogos ao quebrar uma vértebra) e também porque tentou pegar carona na esperança do povo brasileiro." Aloysio aposta que, diante da derrota da seleção anfitriã, "agora ela vai deixar morrer o assunto Copa, você vai ver", apostou. "Agora as pessoas vão voltar para suas vidas normalmente, para os seus problemas e voltaremos a discutir sobre inflação, obras inacabadas e novos projetos para o País."

Existe uma corrente dentro da equipe da campanha de Aécio defendendo deixar o assunto Copa morrer o mais rápido possível. Esse grupo diz que a agenda da Copa é de Dilma e só interessa a ela. Há outra corrente que defende uma posição mais agressiva de Aécio. Sem tratar do que aconteceu no gramado, pois isso todos concordam internamente que é um tema pertencente ao torcedor e não aos políticos, o candidato deveria aproveitar para criticar até o que deu certo na Copa. É preciso, segundo esse grupo, criticar a oportunidade perdida para que mais obras de infraestrutura fossem concretizadas no País. Nesse aspecto, dizem, não há sucesso na Copa, e sim fracasso. / Colaborou Pedro Venceslau

Dilma ensaia discurso para combater frustração na Copa

• 'Reagir à derrota é a marca de uma grande nação', diz presidente à rede CNN

• Para o governo, mau humor com a derrota da seleção será dividido com todos os políticos e não recairá só sobre ela

Tai Nalon, Valdo Cruz – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Um dia depois da derrota histórica da seleção brasileira para a alemã, a presidente Dilma Rousseff disse compartilhar da dor dos torcedores, mas tentou dissipar o pessimismo resultante da partida.

Em entrevista à rede norte-americana CNN no Palácio do Planalto, nesta quarta-feira (9), Dilma afirmou que "reagir à derrota é a marca de uma grande nação", numa linha traçada pelo governo para se contrapor ao clima negativo gerado pelo desempenho brasileiro.

A presidente disse que "nem em seu pior pesadelo" imaginava que veria uma derrota como a sofrida pelo Brasil na última terça-feira, mas ponderou: "Sei que somos um país que tem uma característica bastante peculiar: nós crescemos na adversidade".

A conversa faz parte de uma ofensiva traçada antes da derrota da seleção, que amargou um placar de 7 a 1 contra os alemães no Mineirão, em Belo Horizonte.

Depois de iniciada a Copa e do aumento da aprovação popular ao torneio, a presidente passou a falar mais sobre o evento e a criticar os que previam um fracasso. Agora, Dilma e os estrategistas de sua campanha tentam avaliar o impacto, na campanha eleitoral, do vexame em campo. E discutem como reagir a ele.

Parte da entrevista exclusiva, concedida à correspondente-chefe da CNN para assuntos internacionais, Christiane Amanpour, foi ao ar nesta quarta à tarde. A outra parte, dedicada a assuntos internacionais e políticos, será transmitida nesta quinta, às 15h, na CNN International.

"As pessoas devem entender que, apesar de todas as adversidades, o fato é que o Brasil organizou e sediou uma Copa considerada por mim uma das melhores Copas. E isso é, sobretudo, por conta da habilidade do povo brasileiro de ser hospitaleiro", disse Dilma.

O governo sabe que a derrota humilhante da seleção brasileira criará um mau humor no país, mas avalia que ele não recairá somente sobre a presidente, mas será dividido com todos os políticos.

Maracanã
Para minimizar esse efeito negativo, Dilma e seus auxiliares buscaram, logo depois da derrota, fazer manifestações de apoio à equipe brasileira. "Não podemos ficar crucificando nossos jogadores", diz um assessor presidencial.

Além disso, a estratégia palaciana será seguir mostrando que a Copa, na visão do governo, foi, sim, um sucesso. O fracasso aventado pela oposição na logística da Copa não aconteceu. O evento ganhou apoio da população e dos torcedores estrangeiros.

A presidente já vinha insistindo nessa linha ao longo das últimas semanas, quando afirmou que "os pessimistas perderam".

Na última segunda, amparada pelo seu crescimento no Datafolha (em junho, ela foi de 34% para 38% nas intenções de voto) e na reprovação de eleitores às vaias dirigidas a ela no Itaquerão durante a abertura da Copa, Dilma anunciou que irá à final, no Maracanã, entregar a taça.

O plano, segundo assessores, está mantido, apesar do clima de decepção que tomou conta do país com a derrota de terça-feira.

Impacto da derrota nas urnas deve ser nulo

César Felício e Renata Batista

BRASÍLIA e RIO - A população brasileira se envolveu menos do que seria de se esperar na realização de uma Copa no próprio país e este é um dos fatores que pode levar a desclassificação para a Alemanha a não ter efeito político e eleitoral, segundo publicitários e cientistas políticos envolvidos com a eleição. "Ninguém vai acender velas no Maracanã", comentou André Torreta, que trabalha em campanhas em Sergipe e no Rio Grande do Sul. É uma alusão às romarias que alguns torcedores fizeram ao palco da derrota brasileira na Copa de 1950, mesmo tempos depois da vitória da seleção uruguaia.

"Não houve uma catarse porque, ao contrário da realidade de 64 anos atrás, o Brasil já encontrou diversas maneiras de autoafirmar-se, inclusive no futebol. Nossa relação com o torneio se aproximou da existente em outros países que sediaram a Copa nos últimos anos, como Itália, Alemanha e França", disse o sócio do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra. Para Torreta, o clima de descrédito em relação às obras de infraestrutura para receber a Copa, crescente entre as manifestações de junho do ano passado e o primeiro semestre deste ano, contribuiu para frear o entusiasmo popular.

Para Alberto Carlos Almeida, do Instituto Análise, a goleada de 7 a 1 de anteontem tende a não ter consequências até mesmo dentro dos gramados. "Não existe divisor de águas. E nem aprendizado. Em termos históricos, considerando o retrospecto brasileiro, isso não é nada. Haverá muita discussão e a repetição dos mesmos erros", comentou o cientista político.

Segundo Almeida, a ausência de problemas de impacto na organização da competição impede que a oposição consiga algum dividendo. "Foi gerado um clima de que haveria discursos, houve uma torcida pelo fracasso. Como não houve problemas relevantes em relação à infraestrutura, a politização da Copa se deteve. O impacto na conjuntura eleitoral foi anulado", disse.

Tanto Almeida quanto Coimbra e Torreta afirmaram que a correlação entre o desempenho esportivo e o resultado eleitoral tende a ser nulo. "A emoção não sobrevive a uma distância de 90 dias do pleito. Outubro será um momento completamente diferente", disse Coimbra. "Hoje este é o assunto de todas as rodas, mas dizer que há um clima de luto é exagero. Como era exagero dizer que havia uma euforia, também é demasiado falar em comoção", comentou Torreta.

Segundo um publicitário próximo ao governo federal, a presidente Dilma Rousseff chegou a capitalizar a realização do torneio em função de um episódio inesperado: o insulto que recebeu de parte da plateia na abertura da Copa do Mundo, em São Paulo. De acordo com este especialista, Dilma foi bem sucedida em vitimizar-se ao ser alvo de palavrões. Mas a presidente teria se exposto de maneira excessiva nos últimos dias, ao demonstrar solidariedade com o atacante Neymar, que ficou fora do último jogo.

Com este movimento, a presidente teria demonstrado interesse em fazer uso político do evento, o que é rejeitado pela população, conforme teria ficado evidente em pesquisas qualitativas conduzidas pelo núcleo próximo ao Planalto. Com a derrota para a Alemanha, o efeito inicial benéfico provocado pela solidariedade à presidente na abertura do evento tende a se perder.

Na contramão da maioria de seus colegas, o sociólogo Fabio Gomes, da empresa de pesquisa Informa, do Rio de Janeiro, acredita que a presidente Dilma Rousseff poderá arcar com prejuízo eleitoral em função do impacto do placar de anteontem. Uma vitória brasileira na Copa do Mundo não teria o mesmo efeito. "O futebol é muito usado como mecanismo didático. A derrota pode trazer algumas reflexões sobre como as coisas no Brasil precisam de mudanças, tema salientado nas manifestações de junho de 2013", diz. Para Gomes, "o problema foi a dimensão que a partida ganhou com os sete gols", completa.

No Congresso Nacional, pouco frequentado na tarde de ontem, as avaliações foram divergentes: o líder do governista PDT na Câmara, Felix Mendonça Júnior (BA), disse que a goleada pode ter impacto negativo na candidatura da presidente Dilma Rousseff. "O humor das pessoas sempre afeta a política, e hoje todo mundo acordou de mau humor", disse. Já o líder do oposicionista PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), foi na direção oposta: "Não creio que o povo brasileiro misture as bolas. Futebol é futebol. A vida de todos nós tem outros componentes", afirmou. "O povo brasileiro sabe que, acabou a Copa, vai pisar o chão da realidade do país e ter que viver seus problemas". (Colaboraram Raphael di Cunto e Vandson Lima)

Para Alckmin, goleada não influencia disputa

André Guilherme Vieira

SÃO PAULO - O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou ontem que a derrota vexatória sofrida na terça-feira pela seleção brasileira, abatida por 7 a 1 pela Alemanha no Mineirão, em Belo Horizonte, não influenciará a disputa eleitoral: "Não tem nada a ver com a eleição, nada, nada, nada. Claro que está todo mundo triste, mas o povo separa muito as coisas", disse ao deixar o velório do ex-deputado federal Plínio de Arruda Sampaio, realizado durante a manhã na paróquia São Domingos, no bairro das Perdizes, em São Paulo.

Perguntado sobre a possibilidade de a goleada alemã resgatar o clima de animosidade e pessimismo manifestado antes da Copa do Mundo, Alckmin disse que não acha que isso vá acontecer: "Quando é que o Brasil ganhou a última Copa? Em 2002. E o presidente quem era? O Fernando Henrique. E perdeu a eleição. Então o Brasil ganhou a Copa e [o PSDB] perdeu a eleição", afirmou. "O povo separa muito bem a questão política, eleitoral, da questão futebolística. Claro que você tem um momento de ressaca, de tristeza. Mas isso passa. Eleição é daqui a três meses", avaliou o governador paulista.

Já o candidato do PSDB ao Senado por São Paulo, José Serra, afirmou que é preciso aguardar para saber se a humilhante goleada sofrida pelo Brasil contra a Alemanha terá desdobramentos no campo político: "Sem dúvida [há um clima de luto]. Agora, qual é a tradução política disso? Não sei. Vamos ver nos próximos dias e semanas. É difícil prever", disse. "Você pode fazer hipóteses. Mas eu não vou ficar aqui fazendo hipóteses, porque fatalmente serão confundidas com desejos, né?", justificou.

Questionado se caberia uma comparação entre o criticado meio de campo da seleção brasileira e a política econômica do governo Dilma Rousseff, Serra opinou que a analogia não pode ser feita: "Olha, não dá, porque nem tem meio campo. E eu não posso dizer que não tem uma política econômica. Nós jogamos um campeonato mundial de futebol sem ter meio de campo. Que é um fenômeno incrível", considerou. "Agora, a Alemanha está muito bem, né? Quando você perde uma luta não é só por suas falhas. Tem também de levar em conta o adversário. Mas a nossa fraqueza foi exagerada", opinou o candidato tucano ao Senado, logo após deixar o velório de Plínio.

Para Serra, que já criticou duramente Luiz Felipe Scolari quando este dirigia o Palmeiras, não se pode culpar Felipão pela maior goleada sofrida pela seleção brasileira nos 100 anos de sua história: "É uma coisa que não deu certo. Garanto que não é pelas falhas do Felipão que perdemos de 7 a 1", ponderou.

O vexame da seleção do Brasil na Copa afeta a eleição presidencial?

- O Estado de S. Paulo

Sim
Como sociólogo, sei que tudo está relacionado com tudo - tudo o que ocorre na vida social, mental, na paisagem simbólica, está interligado - e não aceito o dogma estabelecido por alguns marqueteiros e políticos segundo o qual essas coisas não se misturam. Um ganhou, outro perdeu, há sempre muitas combinações possíveis. E o que aconteceu ontem foi um suicídio do time brasileiro, que simplesmente não jogou, e o impacto disso existirá.

O que acho que vai ser discutido na sociedade é, em suma, tirar o futebol da ilha da fantasia. Esse processo começou antes da Copa: vai se gastar dinheiro em estádio ou em hospital? Faremos na educação, na segurança, o mesmo esforço que fazemos na seleção? Cobraremos esses 7 a 1 que nos impôs a Alemanha na vida política, cobraremos dos políticos com a mesma veemência? Parece-me inevitável que as perguntas serão mais incisivas - mas é claro que temos de colocar isso nas nossas pautas. Com a pior derrota da história, o futebol coloca em foco, novamente, os outros temas. O País tem tudo pra fazer esse deslizamento - das exigências do futebol para o jogo real. Isso é crucial pro Brasil poder crescer.

A copa verdadeira, no mundo, é a copa da democracia, a da igualdade, da eficiência dos serviços, que nós não temos. Então esses 7 a 1, nesse sentido, são superbenéficos. Claro que essas cobranças têm de ser feitas na direção certa, e há um grande peso, nessa missão, para a mídia.

Um exemplo é quando o David Luiz afirma, no final, que queria muito dar essa alegria aos brasileiros. Ora, eu não quero alegria nenhuma dada por ele! Não quero o populismo do David Luiz, quero a alegria que eu mesmo posso me dar! Que existe uma predisposição como nunca existiu antes, pra terminar esse ciclo de futebol que aliena, não tenha dúvida. O momento é esse.

Roberto DaMatta é especialista em antropologia social

Não
Acredito que haverá um impacto imediato e provavelmente as pesquisas voltarão ao status de junho - pois as que vieram depois mostravam Dilma Rousseff melhor. Como a população está hoje mais pessimista, negativista, talvez o mau resultado da terça-feira aponte uma piora agora. Mas a médio prazo, e às vésperas da eleição, isso estará totalmente superado.

Já faz alguns meses que a perspectiva dos brasileiros anda muito negativa - só que ela não se construiu agora, em decorrência dos dramas do futebol. Percebe-se, desde o ano passado, um desgaste muito grande porque o eleitor mudou. Está mais exigente, não é mais o cidadão despido de uma avaliação, seja de consumidor ou de contribuinte. Ele quer fazer valer a ideia de que paga impostos e que pode cobrar por isso.

Esse fenômeno não tem relação específica com resultados de futebol, vem de mais longe e quando o eleitor usa uma metáfora futebolística, o "Padrão Fifa", ele se refere a hospitais que funcionem, a serviços de qualidade. Esse mal-estar pode ter qualquer metáfora, mas tem a ver com prestação de serviço. O patamar de demanda de mudanças na sociedade já está dado.

E mesmo que a seleção estivesse bem, e ganhasse a Copa, isso não muda o fato de que a campanha eleitoral será complicada - mas, por razões de outra ordem. Nada a ver com anti-Dilma ou anti-Aécio, mas com a realidade que o brasileiro está vendo, e que mostra tendência a piorar.
No curto prazo, partidos de oposição vão, sim, tirar algumas casquinhas. Mas isso não é estratégico, é tático. Estratégias para valer terão de ser mais profundas. E o esforço que a oposição terá de fazer para articular o desejo de mudança é o mesmo que a situação terá de fazer para justificar a continuidade.

Fátima Pacheco Jordão é socióloga, especialista em opinião pública e diretora da Fato, pesquisa e jornalismo

Discurso para convencer 47 milhões de indecisos

• Governo e oposição vão usar a derrota do Brasil como argumento na corrida eleitoral. Os petistas ressaltarão que, apesar do fracasso em campo, não houve problemas durante a Copa. Já os rivais destacarão os exorbitantes gastos com o torneio

Paulo de Tarso Lyra, João Valadares e Grasielle Castro – Correio Braziliense

Ainda sob o efeito da derrota do Brasil no Mundial, governo e oposição buscam o discurso para atrair 47 milhões de eleitores — um terço do eleitorado, que ainda não vestiu a camisa de um lado ou do outro para as eleições de outubro. Os oposicionistas defendem que o vexame perante a Alemanha apenas coroou um torneio que teve obras superfaturadas, entregues com atraso e resolvida pelo jeitinho brasileiro de decretar feriados nos dias dos jogos para não travar a mobilidade. Para os governistas, a "Copa das copas" foi um sucesso, os aeroportos funcionaram, os pessimistas foram calados e não se pode culpar a presidente Dilma Rousseff (PT) porque não foi ela quem entrou em campo ou escolheu Luiz Felipe Scolari para ser treinador da Seleção Brasileira.

"A partir de agora, viveremos a Copa das culpas", disse Carlos Melo, cientista político e professor do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa. "Cada um dos lados vai tentar empurrar para o outro as razões desse fracasso. O eleitor indeciso será bombardeado por uma guerra infinita de versões", prosseguiu Melo. O especialista lembra que, nas redes sociais, a cada gol alemão, multiplicavam-se cobranças à presidente pela ausência de investimentos em saúde e em educação e a prioridade dada às obras para o Mundial. "Mas não podemos esquecer que São Paulo, governado pelo PSDB, lutou para sediar a abertura dos jogos", completou.

O cientista político da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Fábio Wanderley avalia que o povo brasileiro sabe separar bola e voto. "A verdade é que ainda vai correr muita água até as eleições", afirma. Ele acredita, no entanto, que a derrota pode servir como adubo para o recrudescimento das manifestações de rua que sacudiram o Brasil em junho do ano passado.

O Planalto e a campanha do PT pela reeleição de Dilma Rousseff asseguram que, até o momento, não há qualquer razão para mudanças de planos. A presidente segue disposta a ir ao Maracanã no domingo para entregar a taça ao vencedor do Mundial. Há alguns dias, a decisão causou estresse entre a Secretaria de Comunicação da Presidência e o Ministério do Esporte, pois Aldo Rebelo confirmou a presença de Dilma à Fifa antes de comunicá-la do convite.

Ontem, a presidente foi entrevistada pela CNN e não escondeu que estava abalada pelo resultado do jogo. "Meus pesadelos nunca foram tão ruins. Como torcedora, claro, estou profundamente sentida porque eu compartilho da mesma tristeza dos outros torcedores. Mas também sei que somos um país com uma característica muito particular. Nós crescemos no desafio da adversidade. Nós somos capazes de superar", disse a presidente. A entrevista vai ao ar hoje.

Dilma também reforçou o discurso feito por estrategistas de campanha de que "o Brasil organizou e sediou a que eu acredito ser uma das melhores Copas do Mundo. E muito disso se deve à habilidade dos brasileiros de oferecerem hospitalidade e de dar boas-vindas a torcedores de todas as partes do mundo", elogiou, mostrando que o discurso de que "a parte do governo foi feita" será usado como combustível eleitoral. Na segunda-feira, a presidente participou de um cara a cara com internautas e chegou a fazer o "tóis", formando uma letra T com os antebraços, gesto usado por Neymar nos jogos do Brasil.

Corrupção
No campo da oposição, Eduardo Campos (PSB) cancelou a agenda de candidato em Fortaleza por acreditar que os eleitores interpretariam mal alguém pedindo votos em um momento de comoção nacional. "Nossa proposta foi, é, e sempre será, trabalhar a favor do Brasil. Queremos sempre que as coisas deem certo." Aliados do socialista, no entanto, afirmam que, se o tema da Copa for abordado na campanha, virão à tona os escândalos de corrupção e de superfaturamento nas obras para o Mundial.

Já o candidato do PSDB, Aécio Neves, que esteve no Mineirão, permaneceu em reuniões internas ao longo da quarta-feira. Mas o Instituto Teotônio Vilela, vinculado ao partido, divulgou uma nota dura. "A vitória alemã representa o triunfo da técnica, da disciplina, do método e do rigor sobre o improviso e o descompromisso. Quantas vezes, ao longo de sete anos, não ouvimos autoridades federais dizendo que o "jeito brasileiro" de fazer as coisas seria um sucesso, como se organização, planejamento e método fossem atributos indesejáveis para uma nação tão criativa quanto a nossa?", disseram os tucanos.

Deixem o Brasil fora disso: O Estado de S. Paulo – Editorial

Sob o impacto da estonteante goleada de 7 a 1 que a seleção alemã infligiu ao time nacional, não faltou quem se pusesse a atribuir o vexame às mazelas brasileiras, de que o resultado seria espelho fiel. Associou-se a catástrofe no Mineirão, por exemplo, ao "atraso civilizatório" do País, numa referência implícita aos padrões superlativos da Alemanha em praticamente todos os campos.

Chegou-se a lembrar que, no cômputo de Prêmios Nobel conquistados, a grande nação europeia esmaga o Brasil por 103 a 0. A reação é compreensível, mas nem por isso menos equivocada.

É da condição humana, desde sempre, encontrar um sentido para fatos e situações que desafiam a lógica, o senso comum e as expectativas baseadas em experiências recorrentes. Daí, entre inumeráveis outras consequências, nascem as teorias conspiratórias, que imputam ações e acontecimentos adversos ou desconcertantes a planos urdidos nas sombras por quem quer que deles pretenda tirar proveito. A isso se chama em ciência "relação espúria". Nela, eventos tidos como causas e efeitos ou não se conectam de forma alguma ou, quando sim, só depois de passar por um sem-fim de elos, como os de uma quilométrica corrente.

Uma de suas manifestações mais comuns é a chamada "sociologia de botequim" - a confecção de teorias tão fáceis quanto mambembes sobre fenômenos sociais incomuns ou perturbadores. No caso do baque de Belo Horizonte, o mais certo, talvez, seja falar em sociologia de velório. Enlutados e inconformados com a perda repentina, absurda, do parente ou amigo próximo, alguns dos presentes tentam aquietar o seu pesar dando ao passamento razões que a medicina teria mais razões ainda para recusar. Tamanha a envergadura do colapso da seleção que muitos não conseguem explicá-la pelo que se passou, ou deixou de se passar, no gramado.

Para esses, o futebol - nisso incluído não só o jogo tal qual se desenrolou, mas ainda a qualidade dos times, o preparo de cada um, as táticas adotadas pelos respectivos treinadores, o seu grau de competência e tudo o mais que transcorre nos bastidores dessa multimilionária atividade - não dá conta do ocorrido. É preciso, afirmam, olhar em volta. Simples assim: sendo o Brasil um poço de problemas, nada mais natural que neles tenha se afogado o escrete ao enfrentar a representação de um país que teria resolvido todos os seus. O corolário consolador é que o naufrágio, quem sabe, sirva de choque de realidade para a superação das nossas piores carências.

Há, porém, um "pequeno detalhe": não foi o Brasil quem tomou uma sova histórica anteontem, mas os 11 jogadores escalados por um técnico que, assim como eles, trabalha sob contrato para uma entidade privada, a CBF, que, por sua vez, existe para dar lucro tanto quanto as suas congêneres do mundo inteiro, reunidas todas na famigerada federação da famiglia Blatter, a Fifa. Além disso - e à parte a manifesta superioridade tática do adversário - o desfecho foi literalmente excepcional. A sua causa evidente foi outra raridade, pelo menos em jogos entre seleções da primeira liga mundial: os 4 gols alemães em 6 minutos que entorpeceram o time de Luiz Felipe Scolari.

A chance de isso se repetir, joguem os selecionados dos dois países quantas vezes possam até o fim dos tempos, é ínfima. No acumulado desde 1963, os canarinhos colecionaram 12 vitórias em 22 embates, ante 5 dos rubro-negros e igual número de empates. Isso posto, o que diriam os que culpam os males do País pelos aberrantes 7 a 1 se a esquadra de Joachim Loew não tivesse ido além de uma vitória por 2 ou 3 gols de diferença? Uma coisa, portanto, é a ilógica que torna o futebol fascinante, como observa o técnico argentino Alejandro Sabella. Outra, o Brasil. De mais a mais, em matéria de más notícias, o governo já se incumbe de atingir os brasileiros com uma sequência interminável.

Para a vida real da população, a derrota diante dos alemães, conquanto "humilhante", como a imprensa do mundo inteiro se apressou a qualificá-la, é de uma irrelevância atroz perto de outro resultado dessa funesta terça-feira. A inflação em 12 meses, medida pelo IPCA, chegou a 6,52%, arrebentando o teto da média estipulada pelo governo. Goleada é isso.