O Estado de S. Paulo
Está criada para Jair Bolsonaro a obrigação de fornecer explicações amplas e cabais à Nação. Não há como esquecer os eventos que o envolvem direta ou indiretamente
O ex-presidente Jair Bolsonaro teria dito:
“Me esqueçam, já tem outro governando o País”. Imitou o também ex-mandatário
João Figueiredo, quando, 40 anos atrás, pediu que o esquecessem. Ambos apelaram
para o esquecimento, não desejavam ser lembrados. Talvez soubessem que boas
lembranças deles não se teria. Não importam as razões desse desejo. Elas são
pessoais, absolutamente subjetivas.
No entanto, há uma diferença marcante entre
os dois que nos impede de esquecer o último deles a deixar o comando do Brasil:
ele tentou, segundo fortíssimos indícios, destruir a democracia. O outro passou
para a História como responsável pela chamada abertura democrática. Ambos com a
mesma origem, mas Figueiredo, talvez premido por circunstâncias impositivas,
tomou o caminho da legalidade institucional.
Os fatos já em parte revelados exigem uma
apuração meticulosa e abrangente para determinar as responsabilidades criminais
dos envolvidos.
São eventos que não podem ser olvidados, assim como os seus protagonistas não podem ficar à margem da lei, esquecidos.





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