segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Antonio Cláudio Mariz de Oliveira* - Direito à defesa sim, ao esquecimento não

O Estado de S. Paulo

Está criada para Jair Bolsonaro a obrigação de fornecer explicações amplas e cabais à Nação. Não há como esquecer os eventos que o envolvem direta ou indiretamente

O ex-presidente Jair Bolsonaro teria dito: “Me esqueçam, já tem outro governando o País”. Imitou o também ex-mandatário João Figueiredo, quando, 40 anos atrás, pediu que o esquecessem. Ambos apelaram para o esquecimento, não desejavam ser lembrados. Talvez soubessem que boas lembranças deles não se teria. Não importam as razões desse desejo. Elas são pessoais, absolutamente subjetivas.

No entanto, há uma diferença marcante entre os dois que nos impede de esquecer o último deles a deixar o comando do Brasil: ele tentou, segundo fortíssimos indícios, destruir a democracia. O outro passou para a História como responsável pela chamada abertura democrática. Ambos com a mesma origem, mas Figueiredo, talvez premido por circunstâncias impositivas, tomou o caminho da legalidade institucional.

Os fatos já em parte revelados exigem uma apuração meticulosa e abrangente para determinar as responsabilidades criminais dos envolvidos.

São eventos que não podem ser olvidados, assim como os seus protagonistas não podem ficar à margem da lei, esquecidos.

André Gustavo Stumpf - Brasilquistão

Correio Braziliense

Se o golpe tivesse dado certo, provavelmente, o primeiro ato seria derrubar Bolsonaro. Ele não retornaria dos Estados Unidos

A montanha de evidências e provas de que o ex-presidente Jair Bolsonaro estava tramando, junto com alguns militares de alta patente, um golpe de Estado, tornou-se absolutamente cristalino para quem acompanha a política brasileira. A reunião ministerial em que o chefe assume que vai perder a eleição, mas algo precisaria ser feito para evitar este desfecho, é autoexplicativa. Alguns dos ministros presentes, que nada tinham a ver com o assunto, comentaram a sua perplexidade diante do esquema preparado com antecedência para chegar àquele teatro que foi gravado por alguém que decidiu se prevenir.

O ex-presidente, segundo interlocutores que com ele estiveram em reuniões restritas, são unânimes em afirmar que o então chefe do governo não tinha capacidade para discutir qualquer assunto por mais de três minutos. Ele rapidamente mudava de assunto e começava a contar piadas de gosto duvidoso. Até um dirigente estrangeiro se mostrou surpreso porque na reunião com o brasileiro ouviu piadas de cunho sexista inapropriadas para aquele momento. A primeira conclusão é simples: Bolsonaro estava absolutamente despreparado para assumir o cargo de presidente da República.

Poesia | Lisboa Revisitada, de Fernando Pessoa

 

Música | Chico Buarque e Áurea Martins - Maninha

 

domingo, 18 de fevereiro de 2024

O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões

As armadilhas da nova política industrial

O Globo

Plano do governo foi apresentado de modo vago, custa caro e não evita os riscos apontados pelos economistas

O programa Nova Indústria Brasil, lançado pelo governo federal em janeiro, foi apresentado em termos vagos, mas com um dado concreto: investimentos de R$ 300 bilhões até 2026, a maior parte do BNDES, para promover o que seus defensores têm chamado de “neoindustrialização”. Tal montante, equivalente a algo como 1% do PIB brasileiro no período, exige pausa para reflexão. Vale a pena? Ou será apenas dinheiro desperdiçado em projetos fadados ao fracasso, como tantas vezes no passado? Ainda não dá para avaliar a destinação dos recursos, mas é possível desde já expor os principais riscos e as principais armadilhas.

É preciso reconhecer que políticas industriais têm reflorescido no mundo. Nos Estados Unidos, o governo Joe Biden destinou US$ 465 bilhões a fábricas de semicondutores e à transição energética. A China é conhecida pelo dirigismo em setores considerados “estratégicos”. Depois do choque da pandemia nas cadeias globais de suprimento, países europeus e asiáticos têm adotado medidas para favorecer a produção local de medicamentos, chips ou outros produtos. O plano brasileiro foi apresentado como mais um no contexto global e segue uma década de reavaliação das políticas industriais no meio acadêmico, com visão mais favorável que no passado. “O novo não está tanto nos argumentos em prol da política industrial, mas sim na melhor mensuração desse tipo de política pública”, escreveu o economista Luiz Guilherme Schymura, diretor do Ibre/FGV, numa síntese da discussão que o instituto realizou sobre o tema.

Entrevista | Cristovam Buarque: "Temo um pós-Lula com a direita reciclada"

Por Carlos Alexandre de Souza, Denise Rothenburg e Vinicius Doria / Correio Braziliense

O ex-reitor da UnB, ex-governador e ex-ministro da Educação chega aos 80 anos com a inquietude de sempre. Ao Correio, o professor faz um balanço crítico de sua trajetória, aponta erros do MEC e avalia o atual governo, a polarização política e a sucessão de Ibaneis no DF

A dois dias de completar 80 anos de idade, o professor, ex-reitor da Universidade de Brasília, ex-governador do Distrito Federal e ex-ministro da Educação Cristovam Buarque faz uma reflexão. “Ainda não me dei conta de que fiquei velho, mas sei que tenho pouco tempo daqui para a frente.” Ele sabe, porém, o que fazer com esse tempo. “Não quero gastar indo atrás de eleitor, quero gastar indo atrás de leitor.”

Escritor compulsivo e pensador inquieto, Cristovam perdeu a conta de quantos livros publicou ao longo da vida, mais de 100. Nesta entrevista ao Correio, o professor revela que vêm mais dois títulos por aí. Aos jornalistas Denise Rothenburg, Carlos Alexandre de Souza e Vinicius Doria, o ex-governador do DF faz um balanço — com muitas autocríticas — de sua trajetória pública e avalia o momento atual da política brasileira.

Lula 3, polarização, emergência climática e transição energética, sucessão do governador do DF, tudo passa pelo olhar crítico do acadêmico, que não pensa mais em voltar para a política. “Quero ficar no banco dos filósofos”, diz ele. Entre cenários otimistas — “Lula vai acertar na economia” — e pessimistas — “Não vamos dar o salto na educação” —, Cristovam não crê em terceira via, defende a união das esquerdas e alerta para a possibilidade de o pós-Lula ser representado pelo que chama de “direita reciclada”.

Luiz Carlos Azedo - Muitos militares não assimilaram a nova doutrina de defesa

Correio Braziliense

A velha doutrina de segurança nacional se encaixava como uma luva na trajetória histórica de combate aos “inimigos internos”, mas entrou em colapso quando os EUA apoiaram o Reino Unido contra a Argentina

Está disponível no site do governo federal (www.gov.br) o Livro Branco de Defesa Nacional (LBDN) encaminhado ao Congresso em 20 de julho de 2020, ou seja, há quase quatro anos. Como diz a sua apresentação, “é o mais completo e acabado documento acerca das atividades de defesa do Brasil”. Apresentado em meados do governo de Jair Bolsonaro, o texto original fora concluído em 2012. Os ex-ministros da Defesa Nelson Jobim e Raul Jungmann estão entre os que mais se empenharam para que fosse consolidado.

O documento dorme nas gavetas do Congresso, nem os políticos nem os militares quiseram discutir esse assunto: “vocês não mexem conosco que também não mexemos com vocês”. Errado. Enquanto o Congresso se omitia, o ex-presidente Jair Bolsonaro trabalhava dia e noite para desmoralizar o processo eleitoral brasileiro, de onde vem o “governo do povo, pelo povo e para o povo”, com o propósito de implantar um regime “iliberal” e se manter no poder, com apoio das Forças Armadas. Para isso, cevou o Congresso com verbas e tentou subjugar o Supremo Tribunal Federal (STF).

Merval Pereira - A linha tênue

O Globo

Muitas vezes os ataques pessoais a ministros, especialmente os mais visados como Alexandre de Moraes ou Gilmar Mendes, transformam decisões que deveriam ser técnicas em emocionais, como foi o caso da agressão sofrida pela família do ministro Moraes no aeroporto em Roma

A centralidade do Supremo Tribunal Federal (STF) na política brasileira vem aumentando muito nos últimos anos, e o Tribunal passou a ser um participante fundamental no jogo político, inclusive porque assumiu este papel em muitas ocasiões. Não só pelas decisões tomadas, monocráticas principalmente, mas também por entrevistas, depoimentos de ministros fora dos autos.

Mas também foi levado, por circunstâncias além de sua vontade, a participar de decisões que deveriam ter sido tomadas por outros poderes, especialmente o Legislativo. O Supremo, como última instância, passou a ser usado politicamente por grupos que têm agenda, sobretudo na questão de valores, como casamento gay, aborto, censura, assuntos delicados que o Legislativo não se dispõe a enfrentar, por receio de tomar posição, ou inação estrutural.

Outros assuntos, em que o Executivo não pretendia se envolver para não se desgastar, como consumo de droga ou, mais amplamente, a liberação de drogas como a maconha, também foram jogados para decisão do Supremo. O Supremo, pois, foi ocupando espaços, muitas vezes por gosto do poder crescente, e se transformou em parte da política, não em uma instância suprema para dar luz à sociedade. Hoje é procurado pelo Executivo, e o presidente Lula tenta uma aproximação para contrabalançar a pressão do Congresso.

Elio Gaspari - Bolsonaro e sua direita negativa

O Globo

Jair Bolsonaro assumiu a Presidência em janeiro de 2019. Dois meses depois, atacou a neutralidade das urnas eletrônicas. Em maio, compartilhou uma mensagem que dizia:

“A hipótese nuclear é uma ruptura institucional irreversível, com desfecho imprevisível.”

Essa ruptura não podia vir do nada. Ao fim do ano, diante das manifestações ocorridas no Chile, Bolsonaro sacou o que viria a ser seu bordão: “A gente se prepara para usar o artigo 142 da Constituição federal, que é pela manutenção da lei e da ordem, caso eles (integrantes das Forças Armadas) venham a ser convocados por um dos três Poderes.”

Bolsonaro operava uma manobra de pinça. Numa ponta, brandia o apocalipse. Noutra, investia contra o Supremo Tribunal Federal e o Congresso. No dia 8 de janeiro a pinça fechou-se. Felizmente, estava torta.

Fora do poder e declarado inelegível, Bolsonaro convocou uma manifestação para o próximo domingo em São Paulo. Desde sua saída do Planalto, o Brasil continua com seus problemas, mas livrou-se de um presidente apocalíptico. Como cidadão, ele deve avaliar o comportamento de seus aliados. Mensagens coletadas pelo repórter Levy Teles mostram que os maus espíritos do 8 de janeiro continuam lá. O Laboratório de Humanidades Digitais (LAB-HD) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) captou alguns exemplos:

“O presidente Bolsonaro está dando um recado: estamos a dias do maior evento de democracia e resgate aos movimentos patrióticos como os 70 dias nos quartéis. Eu estava lá e vocês?”

Míriam Leitão - O risco do golpe para os militares

O Globo

Não haverá garantia de estabilidade democrática se as Forças Armadas não fizerem a depuração correta, separando o joio do trigo

A ordem do general Braga Netto para atacar os colegas confirma o quanto a politização das Forças Armadas é danosa para os próprios militares. Como coordenador de milicianos digitais, o ex-ministro da Defesa dispara ordens: “viraliza”, “senta o pau no Batista Júnior”, “elogia o Garnier”. E critica o “gosto discutível de VB”, como é chamado o general Villas Boas, por “Fernando e Tomás”. Falava de Fernando Azevedo, antigo ministro da Defesa, e do atual comandante do Exército, Tomás Paiva. Azevedo foi barreira nos primeiros movimentos do projeto golpista, Tomás se interpôs na reta final. A cena completa revelada na Operação Tempus Veritatis é de que o país esteve muito perto de uma nova ditadura, mas também de que a conspiração fraturava as próprias Forças Armadas e subvertia as bases da disciplina e hierarquia pelas quais tanto zelam os militares.

Bernardo Mello Franco - O papel dos empresários

O Globo

Áudio de Mauro Cid revelou participação de donos de marcas conhecidas em conspiração contra a democracia

Em gravação encontrada pela Polícia Federal, o tenente-coronel Mauro Cid afirma que empresários encorajaram Jair Bolsonaro a “virar o jogo” depois da derrota nas urnas.

A mensagem trata de uma reunião em novembro de 2022, quando Lula já havia vencido a eleição presidencial. Bolsonaro seguia encastelado no Alvorada, conspirando para dar um golpe e continuar no poder.

Cid cita os donos de três marcas famosas: Luciano Hang, da Havan; Meyer Nigri, da Tecnisa; e Afrânio Barreira, do Coco Bambu. O militar também menciona “aquele cara da Centauro” — para a PF, uma provável referência a Sebastião Bomfim.

Em notas à imprensa, os quatro contestaram o relato e negaram ter participado da trama golpista. Agora a polícia terá que descobrir quem está mentindo.

Dorrit Harazim - Duas raças

O Globo

‘Ele tinha o braço e a perna direita arrancados por uma bomba. A fralda estava ensanguentada’

Acrônimos são aquelas sopas de letras maiúsculas que costumam designar entidades de nomes compridos como IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) ou Unesco (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization). Não existem para provocar emoção ou sentimento — em si, são neutros, indolores, inodoros. Exceto pelas cinco letras de WCNSF. Essas ferem, fazem chorar, causam horror e dor. Significam Wounded Child, no Surviving Family, ou Criança Ferida sem Familiares Vivos. A sigla nem existia antes do ataque terrorista do Hamas de 7 de outubro e da consequente terraplenagem da Faixa de Gaza desencadeada por Israel. Nunca fizera falta, pois em nenhuma guerra anterior a orfandade infantil fora tão maciça.

Eliane Cantanhêde - Os 3 maiores desafios de Lula

O Estado de S. Paulo

Mais do que executores, o Brasil exige um líder na linha de frente contra violência, dengue e covid

Jair Bolsonaro não foi culpado pelo início da pandemia de covid, mas sim pela forma criminosa como atuou a favor do vírus e contra vidas. Luiz Inácio Lula da Silva não é culpado pelas duas primeiras fugas de uma penitenciária de segurança máxima, nem pela disparada da dengue, nem pela volta preocupante da covid, mas ele tem de liderar a reação do governo a tudo isso, para proteger a população e também para não ser acusado de descaso e fortalecer o discurso da oposição bolsonarista.

As fugas de dois criminosos de altíssima periculosidade são um tanto absurdas, inacreditáveis, sem nenhum resquício hollywoodiano, como já aconteceu e como paira sobre o imaginário popular. “Uma série de coincidências negativas”, definiu Ricardo Lewandowski na sua primeira entrevista como ministro da Justiça. Mas alicate? Furar teto? Alambrado? E holofotes não funcionavam, as câmeras estavam desligadas? Que segurança máxima é essa?

Jorge Caldeira* - Liberal ambientalista? Socialista pró-mercado?

O Estado de S. Paulo

Em tempos de mudança produtiva e sociológica, nem sempre as grandes ideologias de ontem guiam as melhores políticas para o amanhã

Uma empresa apareceu em Caçapava. Promete construir uma grande termoelétrica a gás, gerar empregos, trazer progresso. Ambientalistas reagiram. Organizaram protestos, com os argumentos usuais: poluição e riscos ambientais. Fosse há dez anos, o conjunto encetaria julgamentos conhecidos: uma luta contra a economia da Nação. Ocorre que os tempos são de mudanças rápidas e profundas nas estruturas do mercado e da produção econômica. Levam para interpretações além daquelas baseadas nos enquadramentos ideológicos tradicionais, como o julgamento apresentado acima. Com isso, cai o chão lógico e nascem paradoxos, como aqueles do título.

Celso Lafer* - Antissionismo como antissemitismo

O Estado de S. Paulo

A seletividade da denegação da existência de Israel estimula o discurso de ódio e a hostilidade em relação aos judeus

As críticas às políticas de Estados Unidos, Venezuela, Rússia, Irã e Síria frequentam a agenda da opinião pública. Não passam, no entanto, pela denegação de suas existências como Estados. Hoje muitas críticas à atuação de Israel em Gaza vão além do aceso das polêmicas sobre a aplicação das normas do direito humanitário ou da gravíssima situação humanitária em Gaza. Resvalam pela denegação de sua existência. Neste contexto, cabe a pergunta: de que maneira um antissionismo bastante presente na crítica a Israel é uma modalidade contemporânea de antissemitismo?

Celso Ming - Os solavancos globais e o Brasil

O Estado de S. Paulo

O volume cada vez mais imenso de moeda que circula pelo mundo provoca convulsões como a matéria escura no universo: invade tudo e repuxa tudo – a qualquer tossida da economia dos Estados Unidos.

São movimentos aparentemente sutis da inflação em dólares que, no entanto, têm forte impacto sobre os mercados e embaralham as previsões dos analistas e dos administradores de patrimônio.

Na terça-feira, foi a surpresa negativa da evolução do custo de vida (CPI, na sigla em inglês) de janeiro nos Estados Unidos, que veio acima da esperada e mostrou avanço dos chamados núcleos de inflação. Foi o suficiente para acender as luzes amarelas do Fed (o banco central dos Estados Unidos), indicando que terá de adiar pelo menos até junho o início do ciclo de baixa dos juros básicos, hoje entre 5,0% e 5,5% ao ano.

Celso Rocha de Barros - Coleira de Tarcísio

Folha de S. Paulo

Governador empresta prestígio de SP para ajudar ex-presidente a fugir da cana dura

O governador de São PauloTarcísio de Freitas, pretende ser o rosto de uma nova direita brasileira, moderna e moderada. Sua capacidade de desempenhar esse papel sempre dependeu do comprimento da coleira pela qual Jair Bolsonaro o leva. Na semana passada, descobrimos que ela é mais curta do que a do Carluxo.

Na última segunda-feira, dia 12, Bolsonaro convocou uma manifestação para que o resto da direita brasileira lhe dê parabéns por ter tentado um golpe de Estado e fugido pra Disney. Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado e Ricardo Nunes já confirmaram presença.

Com a manifestação, Jair quer provar que é um político normal como Tarcísio, Caiado ou Nunes. Na verdade, provará que Tarcísio, Caiado e Nunes são tão aberrantes quanto Jair Bolsonaro, um marginal prestes a ser preso por tentar destruir a democracia brasileira.

Quem comparecer à reunião na avenida Paulista terá confessado sua participação na ofensiva golpista de 2022, bem como sua disposição para aderir a atentados semelhantes no futuro.

Bruno Boghossian - Desprivatizar a caserna

Folha de S. Paulo

Golpismo e busca por anistia refletem uma caserna que é feudo de corporativismo, ambições políticas e interesses privados

Assim que Jair Bolsonaro deixou o poder, militares envolvidos na armação de um golpe já sonhavam com uma anistia. Era 2 de janeiro de 2023 quando o tenente-coronel Mauro Cid escreveu que temia ser preso. O general Estevam Theophilo respondeu que o colega deveria ficar tranquilo: "Vou conversar com o Arruda hoje. Nada lhe acontecerá".

Não havia soldado raso na história. Mesmo após a mudança de governo, Cid continuava na fila para assumir um batalhão de Operações Especiais. Theophilo, que semanas antes havia declarado apoio aos planos golpistas, integrava o Alto Comando. O general Júlio Cesar de Arruda era o comandante do Exército —seria demitido por Lula semanas depois.

Muniz Sodré* - Uma atração fatal

Folha de S. Paulo

Dada a oportunidade, pode-se viver a atração por monstro como licença para assassinar

Entra para a história universal do grotesco a autodúvida escatológica do ex-presidente na reunião de 5/7/22: "Como é que eu ganho uma eleição, um fodido como eu? Deputado do baixo clero, escrotizado dentro da Câmara, sacaneado, gozado, uma porra de um deputado". De fato, um atordoante engano, que começa a desvelar-se pela notícia de que mais de mil pessoas com mandados de prisão pelo 8/1 fizeram doações por Pix à anomalia. Segundo a pesquisa Quaest, 43% das pessoas não veem dedo dele na invasão. Ele já convoca para manifestação em fevereiro.

Hélio Schwartsman - O elogio do fracasso

Folha de S. Paulo

Livro faz cartografia dos erros e mostra que alguns são necessários para que saber avance

Ninguém gosta de fracassar, e isso é um problema. Nossa estrutura psíquica evoluiu para nos afastar de erros. Mas, se varrer falhas para baixo do tapete fazia sentido no Pleistoceno, o mesmo raciocínio não se aplica na modernidade e suas instituições. A ciência, por exemplo, é um sistema no qual resultados negativos e hipóteses frustradas são parte indissociável do ecossistema. O saber não avança sem isso. Não obstante, mesmo sabendo disso, cientistas ficam desapontados quando suas previsões iniciais fracassam. Por vezes, até tentam esconder seus erros —o que pode ser desastroso para o sistema.

Poesia | O Andaime, de Fernando Pessoa

 

Música | Teresa Cristina - Poesia

 

sábado, 17 de fevereiro de 2024

Cristovam Buarque - A mutilação do progresso

Revista Veja

As greves na educação provocam mais danos que as da indústria

Há anos, as redes públicas de ensino têm sido abaladas por greves, com reivindicação de mais recursos para as escolas ou por motivação política de sindicatos. Independentemente da justificativa, cada paralisação de aula mutila o progresso nacional. Na indústria, a força da greve está no imediato desabastecimento do mercado, por isso tende a ser rápida, e a fábrica retoma a produção sem prejuízo na quantidade ou na qualidade do produto. No caso da educação, os sacrifícios imediatos recaem sobre alunos e famílias; as greves se alongam e provocam prejuízos irreversíveis ao país. Diferentemente da linha de produção, a linha de formação não recupera plenamente o conhecimento que não foi criado na hora certa. Perdem alunos e professores. A greve na escola provoca evasão na quantidade e erosão na qualidade.

Marcus Pestana - Liberdade abre as asas sobre nós

Dizem que o ano, no Brasil, só começa após o Carnaval. Fora o exagero da caricatura, há uma verdade sobre uma certa trégua no debate público. Mas, neste período, as instituições não descansaram e desenvolveram diversas ações para elucidar os fatos relacionados ao triste 8 de janeiro de 2023. 

Tudo indica que importantes setores políticos, sociais, militares e empresariais se envolveram numa trama para interromper o processo democrático brasileiro e revogar nossa Constituição. Toda esta investigação tem que ser conduzida com rigor, serenidade e equilíbrio, assegurando a todos a presunção da inocência e o amplo direito de defesa.

Luiz Gonzaga Belluzzo - Tropelias do bolsonarismo

CartaCapital

Golpistas visam fazer do Estado um ingrediente da culinária de rachadinhas

As investigações da Polícia Federal denunciaram o golpismo bolsonarista e receberam increpações de “perseguição” desferidas pelos acólitos do ex-presidente. Seria deplorável se as instituições do Estado estivessem mobilizadas para perseguir cidadãos, sejam eles ex-presidentes ou deserdados da vida, condenados a morar nas ruas.

Nas repúblicas modernas figuram entre as cláusulas pétreas aquelas relativas à representação legitimada pelo voto, à impessoalidade na administração pública, à constituição de um sistema de poderes e garantias fundados na lei. São essas as regras que comandam as investigações da Polícia Federal sob controle da Procuradoria-Geral da República e do Supremo Tribunal Federal

Pablo Ortellado - Diferenças superestimadas

O Globo

Temos mais evidências de que as meninas têm se tornado mais de esquerda em alguns lugares

Três semanas atrás, comentei aqui no GLOBO um levantamento feito pelo jornal britânico Financial Times mostrando a crescente disparidade política entre homens e mulheres jovens. A tese do artigo era que a diferença entre eles e elas se tornou mais acentuada, com os meninos mais conservadores e as meninas mais progressistas. O fenômeno era global, aparecendo em países tão diferentes como Estados UnidosReino UnidoChina e Coreia do Sul.

O artigo do Financial Times gerou enorme repercussão na imprensa em todo o mundo. Parecia mostrar, por um lado, o avanço do feminismo nas novas gerações e, por outro, uma espécie de reação machista nos mais jovens, cuja expressão mais extrema seriam os incels (“celibatários involuntários”, jovens misóginos que culpam o feminismo por não conseguirem ter relações sexuais).

Eduardo Affonso -Veados e caranguejos

O Globo

O Brasil é uma grande Andrelândia, aprisionado em modelo binário (e eventualmente paradoxal)

Andrelândia é uma cidadezinha do Sul de Minas, daquelas que poderiam perfeitamente ser o cenário de uma bucólica novela das 7 (no tempo em que novelas das 7 eram bucólicas). O casario colonial se espalha, como as contas de um rosário, em torno da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Porto da Eterna Salvação (é assim que o hino municipal descreve a enorme praça ovalada, mais parecendo uma nau) no centro histórico daquela que um dia foi a Vila Bela do Turvo.

A meio caminho entre Ibitipoca e São Thomé das Letras, Andrelândia não ostenta a natureza intocada de uma nem os toques sobrenaturais da outra. Mas tem algo que a faz única: um bipartidarismo próprio, que — para o bem e, principalmente, para o mal — sobreviveu aos mais de 150 partidos políticos da nossa História.

Carlos Alberto Sardenberg - Vender comida, petróleo e minério

O Globo

Os setores produtores têm obtido fortes e constantes ganhos de produtividade, especialmente a agropecuária

O ano passado não foi propriamente amistoso para a exportação brasileira. Os preços dos produtos agropecuários sofreram queda de 10% nos mercados mundiais, em comparação com 2022. Na indústria extrativa, a queda foi maior, 12%, na mesma base de comparação. Entretanto as exportações brasileiras bateram um recorde histórico, alcançando a expressiva marca de US$ 344 bilhões. Qual o segredo? Ganhos de produtividade, permitindo maior quantidade embarcada.

Na soja, principal exportação nacional, o volume enviado ao exterior subiu quase 30%. No petróleo, alta de 18,5%, tudo compensando a queda de preços. Para este ano, as condições são parecidas: redução de preços, mais acentuada na agropecuária que no petróleo. Espera-se novo ganho de produtividade na agropecuária e maior volume na produção de óleo. Tudo somado e subtraído, a exportação de soja deverá render US$ 45 bilhões (ante US$ 53 bi no ano passado). A venda de petróleo poderá alcançar US$ 48 bi (mais que os US$ 44 bi obtidos em 2022). O terceiro maior item na pauta de exportação é o minério de ferro, que deverá trazer US$ 31 bilhões, quase o mesmo resultado de 2023.

E como vão esses setores por aqui?

Alvaro Gribel - Banco Central cauteloso e conservador

O Globo

Se por um lado o risco fiscal permanece no radar dos economistas, por outro, a política monetária sugere estabilidade e previsibilidade na transição que se aproxima

'A autoridade monetária tem que atuar com cautela e conservadorismo'. A frase, que bem poderia ter sido proferida pelo atual presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, foi dita, na verdade, pelo diretor de Política Monetária, Gabriel Galípolo, indicado ao posto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Galípolo, que deu entrevista ao economista-chefe do banco Bradesco ontem, é o principal cotado para substituir Campos Neto, ao término do seu mandato no final do ano. Ele indicou que o ritmo de cortes de meio ponto deve ser mantido nas próximas reuniões, o que já vem sendo decidido de forma unânime por todos os diretores do Copom. Se por um lado o risco fiscal permanece no radar dos economistas, por outro, a política monetária sugere estabilidade e previsibilidade na transição que se aproxima.

João Pereira Coutinho* - A democracia só sobrevive num país de democratas

Folha de S. Paulo

Debate sobre a defesa do sistema pondera quais os mecanismos de defesa de que dispomos para evitar o pior

É uma velha e difícil questão: como é que uma democracia se defende de partidos ou candidatos antidemocráticos? Permitindo que eles existam e possam vociferar as suas mensagens?

Ou banindo esses dois espécimes para que o sistema não seja alvo dos seus ataques —e, no limite, destruído por dentro?

cientista político Jan-Werner Mueller, em artigo para a Project Syndicate, regressa a essa questão. Com Donald Trump nos Estados Unidos e a Alternativa para a Alemanha (AfD) na Alemanha, as democracias questionam quais os mecanismos de defesa de que dispõem para evitar o pior.

Para Mueller, a solução não está em banir os partidos em questão —nos Estados Unidos, por exemplo, isso significaria banir o Partido Republicano, que é hoje o partido de Trump. Um ato suicidário do próprio sistema democrático, que passaria a ser um sistema de partido único.

Adriana Fernandes - Disputa em torno das emendas ameaça pauta econômica

Folha de S. Paulo

Risco é de que mais pautas-bomba ameacem as finanças públicas, embora lideranças neguem que o farão

volta dos trabalhos do Congresso após o Carnaval começa com a pressão dos deputados para que o presidente do SenadoRodrigo Pacheco (PSD-MG), coloque logo em votação o veto do presidente Lula (PT) ao artigo da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) que estabelecia um cronograma para o empenho das emendas.

Pacheco já sinalizou que pode deixar a votação para o fim de março, o que torna praticamente inócuo o efeito do cronograma, mesmo que o veto seja derrubado mais tarde, o que é esperado.

O calendário é uma peça importante no jogo político das eleições municipais deste ano, quando os governistas querem mostrar força aumentando a base de prefeitos e vereadores, plataforma indispensável para a campanha presidencial de 2026. As emendas são o principal mecanismo pelo qual os parlamentares destinam recursos para os seus redutos eleitorais.

Entrevista | Clara Mattei*: "As decisões econômicas são em grande parte decisões políticas, diz italiana que pesquisa austeridade

Uirá Machado / Folha de S. Paulo

Clara Mattei afirma que políticas de redução do Estado são espinha dorsal das economias modernas contra trabalhadores

SÃO PAULO - Celebrado por figurões como Thomas Piketty e Martin Wolf, o livro "A Ordem do Capital" propõe uma nova maneira de enxergar as políticas de austeridade adotadas por diferentes países.

Não como uma exceção impopular e dolorosa usada só para reduzir o déficit orçamentário em momentos de maior desequilíbrio nas contas públicas, mas como "o sustentáculo do capitalismo moderno", segundo a italiana Clara Mattei.

No livro, a pesquisadora volta à década de 1920 para mostrar como a austeridade surgiu depois da Primeira Guerra Mundial em países como Inglaterra e Itália, quando trabalhadores organizados cobravam mais direitos sociais.

Para Mattei, a austeridade foi naquela época —e continua sendo hoje— "uma reação antidemocrática às ameaças de mudança social vindas de baixo para cima". Daí o subtítulo da obra: "Como economistas inventaram a austeridade e abriram caminho para o fascismo".

Em entrevista à Folha, ela diz que "as decisões econômicas são em grande parte decisões políticas", mas que o "capitalismo é incompatível com a democracia no sentido de participação das pessoas nas decisões econômicas".

Maria Cristina Fernandes - Lula traça a risca de giz no PT

Valor Econômico

Discurso do presidente dá início à disputa de rumos no partido que quer ver presidido por Edinho Silva para preparar a reeleição e o pós-Lula com Fernando Haddad

“Estava numa reunião com Gleisi e outros dirigentes do PT. Eram 10h da noite e avisei que ia dizer isso pela última vez. ‘O PT faça o que quiser, mas eu vou falar. Falo isso e me calo.’ Se a gente quiser ganhar tem que trazer a Marta de volta pra ser vice de Boulos.” O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tinha chegado nem à metade de um discurso de 38 minutos e já se mostrava irrefreável.

Estava na Casa de Portugal, centro de São Paulo, no dia 2 de fevereiro, onde o partido se reunia para refiliar a ex-prefeita da capital Marta Suplicy e torná-la vice na chapa do deputado federal Guilherme Boulos (Psol-SP).

Naquela noite, fez questão de falar que Marta foi a prefeita que mais fez pelos pobres de São Paulo na frente do ministro da Fazenda e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, um dos quatro titulares da Esplanada presentes ao evento, e continuou a desfiar o rosário de queixas sobre o PT.

Listou todas as prefeituras na Grande São Paulo já governadas pelo partido, chegou à conta de 22 milhões de paulistas que chegaram a ficar sob o comando petista, e se disse inconformado que hoje a mancha vermelha no entorno da capital esteja reduzida a Mauá e Diadema. “Por que perdemos?”, perguntou, para responder em seguida: “O partido não é massa de manobra de candidato. Tem que ver quem tem condições de ganhar. E tem que fazer aliança com gente que não gosta de mim. Alguma coisa está muito errada se um partido que tem 20% de preferência consegue apenas 5% dos votos para vereadores em São Paulo”.

Dora Kramer - Último refúgio

Folha de S. Paulo

Bolsonaro se escora num comício que não será capaz de atenuar seus embaraços legais

Maior ou menor, qualquer que seja o tamanho da adesão ao ato convocado para o próximo dia 25 por Jair Bolsonaro, a foto estará garantida. Basta que se reduza ou se amplie o foco da lente, lá será visto um amontoado de pessoas prestando apoio ao ex-presidente.

Perfeito para efeito de postagens e reportagens. Mas e daí? É a pergunta que se impõe. Isso partindo-se do pressuposto de que a manifestação será mantida, se daqui até lá os fatos e/ou as contas de chegar sobre custos e benefícios não aconselharem a um recuo.

Seria um alívio para políticos que já confirmaram presença apenas porque não poderiam recusar de pronto o convite sem sinalizar oneroso rompimento. Caso do governador de São PauloTarcísio de Freitas (Republicanos), quando lhe apresentaram a saia justa para vestir e de outros que ainda hesitam em aderir.

Hélio Schwartsman - Etarismo presidencial

Folha de S. Paulo

Percepção dos americanos é a de que Biden está velho demais para exercer um segundo mandato

A campanha deflagrada por Trump para pintar Biden como um velho decrépito, incapaz de exercer o cargo de presidente dos EUA, parece estar dando frutos. Uma pesquisa da rede ABC mostrou que 86% dos norte-americanos acham que Biden, 81, está velho demais para exercer um segundo mandato. As gafes que ele comete não o ajudam.

Trump, apenas três anos e meio mais moço do que Biden, é considerado velho demais por 62%. Minha impressão é que o ex-presidente é protegido por sua inconsequência. Ele sempre disse tantos disparates que é quase impossível distinguir entre um despropósito calculado e um que seja fruto de confusão mental. Já Biden tem cada uma de suas falas, interações e até sua marcha cuidadosamente escrutinadas por todos em busca de sinais de envelhecimento.

Demétrio Magnoli* - Israel na encruzilhada

Folha de S. Paulo

Netanyahu ameaça implodir plano de paz, provocando um prolongado ciclo de violência

A guerra em Gaza atingiu uma bifurcação. As negociações em curso, entre EUA, Israel, Egito e Qatar, para uma longa trégua com troca de reféns por prisioneiros sinalizam um caminho. O caminho oposto é indicado pelo plano militar de Netanyahu de avançar as forças israelenses rumo a Rafah. Mais que uma bifurcação conjuntural, Israel encontra-se diante de uma encruzilhada histórica.

A via da trégua negociada aponta, no fim de uma longa e incerta estrada, para a meta da paz regional. Seus três pilares seriam a marginalização do Hamas, a criação de um Estado palestino e a edificação de um sistema de segurança compartilhado entre Israel e os países árabes.

Cláudio Carraly* - Nova Rota da Seda - A China Como Centro do Mundo

A República Popular da China, um dos países mais influentes do mundo e que potencialmente poderá se tornar a maior economia do século XXI, experimentou um crescimento econômico notável nas últimas décadas, tornando-se a segunda maior economia mundial, e ao continuar crescendo a taxas significativas, poderá chegar à liderança ainda nessa década. Investimentos maciços em pesquisa e desenvolvimento têm impulsionado o país para a vanguarda da inovação e tecnologia, setores como inteligência artificial, tecnologia 5G e energias renováveis têm sido alvos estratégicos, posicionando o país como líder global em diversas áreas de inovação. Com uma população colossal, representa um mercado consumidor massivo, seu potencial econômico é impulsionado pela crescente classe média e pelo aumento do poder de compra da população, o que atrai investimentos e estabelece o país como um centro vital para negócios globais. 

O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões

Ocidente precisa estar mais unido contra a Rússia

O Globo

Morte de Navalny, opositor de Putin, deveria levar recalcitrantes a assumir postura mais firme contra o autocrata

A morte, anunciada pelas autoridades, do oposicionista russo Alexei Navalny, numa prisão a poucos quilômetros do Ártico, põe mais uma vez em evidência os métodos usados pelo regime de Vladimir Putin contra seus adversários. Navalny passa a integrar — ao lado de Boris Nemtsov, Anna Politkovskaya, Alexander Litvinenko, Evgeni Prigojin e tantos outros — a longa lista de opositores mortos desde que Putin chegou ao poder. Sobre todos esses casos, paira a indefectível sombra do Kremlin, cujos interesses costumam ser subitamente favorecidos pela extinção de rivais em circunstâncias suspeitas.

Poesia | Erro, de Machado de Assis

 

Música | NancyVieira - Sol DI Nha Vida