*Antonio Gramsci (1891-1937). Cadernos do
Cárcere, v.3. p.36-8. Civilização Brasileira, 2007.
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
quinta-feira, 29 de junho de 2023
Opinião do dia – Antonio Gramsci* (Análise das situações: relações de força.)
Elimar Pinheiro do Nascimento* - Fios do Tempo. Alain Touraine e o protagonismo feminino: uma homenagem
A configuração da nova sociedade ainda é imprecisa, mas para Touraine as mulheres são as atrizes principais das mudanças
Alain Touraine é um dos mais renomados sociólogos do mundo. Nos inícios de sua vida acadêmica lecionou na USP e estudou a América Latina, sobre a qual publicou alguns livros, com destaque para Palavra e Sangue (1988/1989).[1] Esteve sobretudo no Brasil e no Chile. É um dos criadores da expressão sociedade pós-industrial, presente em seu livro Société Postindustrielle (1969/1969). Trabalhou inicialmente nos campos da sociologia do trabalho e dos movimentos sociais. Em 1989, na sequência de suas reflexões sobre a contemporaneidade, iniciou um ciclo de publicações sobre as transformações da sociedade moderna-contemporânea, por meio de vários livros, entre os quais O que é a democracia (1994/1996); Crítica da modernidade (1989/1997);
Poderemos viver juntos? Iguais e diferentes (1997/1999); Um novo paradigma. Para compreender o mundo de
hoje (2005/2011); O mundo das mulheres (2006/2008).
A tese central de Touraine sobre as transformações da sociedade moderna-contemporânea encontra-se no livro Um Novo Paradigma. Segundo essa tese, no meu ponto de vista uma hipótese, a sociedade moderna-contemporânea teria conhecido três tipos de sociedade, cujos princípios organizadores (ou lógicas) são distintos entre si.
J. B. Pontes* - A intentona golpista e os kids preto
Recentes reportagens investigativas
publicadas pela Revista Piauí, aliadas aos dados que estão vindo ao
conhecimento público pelos inquéritos que estão em curso na Polícia Federal,
escancaram a participação de uma enorme parcela de militares, especialmente do
Exército, na intentona golpista que culminou no fatídico 8 de janeiro. Sem
dúvida, esse lastimável “evento disparador”, tão almejado e incentivado, jamais
teria ocorrido sem a omissão, complacência e apoio dos militares. E todos
sabiam que o objetivo desses criminosos era causar uma comoção social e
pressionar as Forças Armadas a promover a intervenção militar, agindo contra a
ordem constitucional e a democracia.
A reportagem da Revista Piauí afirma que a análise dos vídeos dos atos golpistas de 8 de janeiro demonstra ações próprias de pessoas que tiveram treinamento militar. As imagens demonstram ações coordenadas, com emprego de tática militar, de planejamento e de artefatos bélicos de uso exclusivo das FFAA. Quando chegaram à Praça dos Três Poderes, por exemplo, os golpistas dividiram-se em três grupos: um deles dirigiu-se para o Congresso, outro ao STF e um terceiro para o Palácio do Planalto, o que evidencia planejamento, uma vez que a tendência natural de uma multidão é caminhar unida, numa única direção.
Merval Pereira - Palavras vãs
O Globo
Militares que aderiram à ideia de golpe
tentam apagar as digitais e desfazer a cena do crime
É impressionante a irresponsabilidade com
que militares da ativa, de alta patente, aderiram à ideia do golpe para impedir
o presidente eleito, Lula, de tomar posse. Mais impressionante ainda é a
tentativa de desfazer a cena do crime, ressignificando o sentido das próprias
palavras, escritas com todas as letras em mensagens de WhatsApp.
O ex-presidente Bolsonaro, aliás, é a fonte
dessa atitude cínica utilizada por seus seguidores, pois nega até mesmo vídeos,
como se tivessem sido produzidos pela tecnologia deep fake. Uma das mensagens
entre o coronel Jean Lawand Júnior, que trabalhava no setor de projetos
estratégicos do Estado-Maior do Exército, e o tenente-coronel Mauro Cid,
ajudante de ordens do então presidente Bolsonaro, revela o estado de espírito
deste em relação às Forças Armadas.
O que, por si só, é demonstração de que em nenhum momento o Alto-Comando aderiu ao golpe que era tramado. O coronel Lawand apela por uma decisão de Bolsonaro por um golpe, e Cid afirma que o presidente não dará a ordem “porque não confia no Alto-Comando do Exército”. Ao que o coronel Lawand responde:
Míriam Leitão - Haddad entre o mercado e a política
O Globo
Ministro completa seis meses no cargo com
vitórias no Congresso, mais confiança da Faria Lima e muitos desafios pela
frente
O ministro Fernando Haddad disse que não anteciparia seu voto na reunião de hoje do Conselho Monetário Nacional. Mas deu indicações. Avisou que considera decidida a meta da inflação do ano que vem. Ela está em 3%. Criticou, como desatualizada, a forma de cálculo de hoje sobre o tempo do cumprimento da meta ao final de cada ano: “Quase a totalidade dos países saiu do ano calendário”. A alternativa é a meta contínua. Em longa entrevista que me concedeu ontem na GloboNews, Haddad criticou indiretamente o mercado, que “fetichiza” um determinado indicador, disse que o arcabouço deve ser aprovado e garantiu que a reforma tributária não vai aumentar os impostos para o setor de serviços e profissionais liberais. E explicou a boa relação com o Congresso.
William Waack - O esforço que falta para a direita
O Estado de S. Paulo
Falta de nomes não é o maior problema da direita pós-Bolsonaro
Inelegibilidade é só o começo das
atribulações de Jair Bolsonaro. Com ou sem um “mastermind” (que Jair supõe ser
o ministro Alexandre de Moraes), o Judiciário se move para destruí-lo como
pessoa física também – o “CNPJ” de pessoa política está sendo cancelado.
Não há sucessor designado e não há estrutura partidária ramificada do “bolsonarismo”, o que significa dizer que existem milhões ainda seduzidos pelo nome, mas não um movimento de massas que siga a direção apontada pelo “mito”. O que deve complicar a capacidade dele de “dirigir” correntes políticas sentado do lado de fora das linhas das disputas eleitorais.
Maria Hermínia Tavares* - As urgências do mundo
Folha de S. Paulo
Diplomacia presidencial parece começar a
dar rumo ao protagonismo além-fronteiras
Em Paris, na semana passada, o presidente
Lula discursou duas vezes. Para a multidão que participava do festival Power
Our Planet, ao ar livre, no Champ de Mars, escalou nos decibéis ao cobrar dos
países ricos uma paga pela devastação
ambiental que promoveram para se tornar o que são.
À parte um momento de miopia autoprovocada —faz tempo, afinal, que também as nações menos desenvolvidas ajudam a fomentar o desastre planetário—, não disse coisa nova: ecoou o princípio das "responsabilidades comuns, porém diferenciadas", consagrado já em 1992 na Unfcc (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima) e desde então integrado à diplomacia brasileira. O texto obriga os países membros da convenção a defender o clima "com base na equidade e em conformidade com suas respectivas capacidades".
Luiz Carlos Azedo - Por que será que nossos jovens não querem ter tantos filhos?
Correio Braziliense
Os indicadores sociais
precisam ser confrontados com os resultados do Censo 2022, principalmente na
educação, na saúde, na habitação, nos transportes e na segurança pública
No Natal de 1989, a criminalidade nos
Estados Unidos atingiu um de seus índices mais elevados. Nos 15 anos
anteriores, havia aumentado 80%. A partir dos anos 1990, começou a cair
repentinamente, até atingir patamares equivalentes ao imediato pós-Segunda
Guerra Mundial. As explicações eram as mais diversas: estratégias inovadoras da
polícia, prisões mais seguras, mudanças no mercado de drogas, controle de
armas, mais polícia nas ruas e outras medidas associadas à segurança pública,
além do envelhecimento da população.
O economista Steven D. Levitt, da Universidade de Chicago, e o jornalista novaiorquino Stephen J Dubner analisaram todas essas hipóteses, inclusive aquela que atribui a queda da criminalidade ao envelhecimento da população, no livro Freakonomics, o lado oculto e inesperado que nos afeta (Editora Campus), para concluir que nada disso foi o fator determinante da queda da criminalidade. Embora os velhinhos fossem menos violentos que os norte-americanos mais jovens, chegaram à conclusão de que o fator determinante da redução da criminalidade fora a legalização do aborto, porque reduziu drasticamente a população de jovens em situação de risco.
Vinicius Torres Freire - O Censo e um país sem esperança
Folha de S. Paulo
IBGE mostra ritmo pequeno de aumento da
população; Brasil vai precisar de mais imigrantes
O Brasil passa por um período de
crescimento chinês. Quer dizer, o ritmo de aumento da população dos dois países
foi parecido na última dúzia de anos, na casa dos 6%. A China, como se
sabe, teve uma política muito dura de controle dos nascimentos. A população
brasileira estaria crescendo pouco? Pouco por qual critério?
Antes de prosseguir, relembre-se que a taxa
de crescimento calculada pelo Censo de 2022 causou
surpresa. A
população recenseada é de cerca de 203 milhões, 11 milhões menor do que aquela
de projeções ou estimativas da Pnad, do IBGE. Por essas contas a população
vinha crescendo a um ritmo anual na casa de 0,8% ao ano; pelo Censo, a pouco
mais de 0,5%.
A diferença causa um certo furdunço, ainda pouco informado, pois faltam detalhes do Censo para se pensar o que houve. Pode bem ser que a calibragem das pesquisas do IBGE estivesse meio torta por falta de uma contagem de população de meio de década, para o que não houve dinheiro.
Bruno Boghossian - Lula, Arthur e Elmar
Folha de S. Paulo
Sinal precoce de apoio a candidato do
presidente da Câmara pode criar problema para 2025
Lula decidiu
pular no barco de Arthur Lira três
meses antes da eleição para a presidência da Câmara. O petista fez as contas e
percebeu que estava longe do apoio necessário para emplacar um candidato
alinhado ao governo. Para evitar um choque prematuro com o centrão, fechou
apoio à reeleição do líder do grupo.
A mais de um ano e meio de uma nova eleição para o comando da Casa, o governo piscou mais uma vez. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, mandou para Lira o sinal de um acordo para apoiar o nome escolhido pelo presidente da Câmara para sucedê-lo em 2025. O favorito é Elmar Nascimento, líder da União Brasil.
Maria Cristina Fernandes - Seis meses depois, uma fórmula de governo
Valor Econômico
Cerco sobre Lira devolve a Lula a iniciativa
legislativa
Levou seis meses, mas o governo Luiz Inácio
Lula da Silva parece ter encontrado uma fórmula. Não é definitiva nem resolve
tudo, mas encara o enrosco legislativo, o maior que encontrou e sem o qual não
consegue destravar a economia.
O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-PL)
angariou plenos poderes à medida que sua gaveta se encheu de pedidos de
impeachment contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Tomou conta do Palácio e
passou a agir para consolidar, sob quaisquer governos, os poderes de seu grupo
político. Agora prova do próprio veneno.
A retomada legislativa do Executivo dá-se
pelos mesmos meios. O cerco da operação Hefesto sobre “Arthur” tem permitido a
Lula construir pontes com o Legislativo. O grande teste para a eficácia desta
fórmula será a aprovação do arcabouço fiscal mantendo de fora do teto de gastos
o Fundeb.
O orçamento permitirá que se respire acima
da linha d’água e que se pense em algo parecido com uma base na Câmara. E os
méritos nem podem ser atribuídos ao governo. São todos de Lira. Vazamentos?
Sempre haverá. Tanto de um lado quanto do outro. Além da Polícia Federal e do
Ministério Público, havia 14 advogados com acesso ao inquérito. O problema foi
outro.
Lira continuou a agir, ante um presidente que desafiou, como se estivesse perante aquele que era seu aliado/refém. Só isso pode explicar a existência, numa toca de gatunagens, de livros-caixa dos gastos mais comezinhos de “Arthur” datados de abril deste ano. Quatro meses depois da posse, “Arthur” continuava a entrar sem bater e deitar no sofá com os pés sujos sem se dar conta que o contrato de aluguel da casa passara para outro inquilino.
Assis Moreira - O século dos asiáticos?
Valor Econômico
Estados Unidos, com 4% da população
mundial, geram 25% da produção global, posição mantida desde 1980, observa “The
Economist”
Acompanhei recentemente a Beyond Expo
2023, uma das maiores exposições asiáticas de tecnologias de consumo, saúde e
sustentabilidade, na região administrativa especial de Macau, China. Durante o
evento, alguns membros da elite intelectual da Ásia manifestaram uma análise
comum sobre rumos que o mundo pode tomar.
Kishore Mahbubani, ex-diplomata de
Cingapura que foi presidente do Conselho de Segurança das Nações Unidas
(janeiro 2001-maio 2002) e é membro do Asia Research Institute, deu o tom, não
hesitando em listar “quatro certezas” futuras, em meio às turbulências atuais.
Para ele, a primeira certeza é que o século XXI será o século asiático, assim como o século XIX foi o século europeu, e o século XX foi o século americano. O século asiático será “um retorno à norma”, porque na maior parte do tempo as duas maiores economias do mundo sempre foram as da China e da Índia. “Os 200 anos de domínio ocidental na história mundial foram anormais”, insistiu.
Malu Gaspar - Lisboa é uma festa
O Globo
O último domingo marcou o aniversário do
presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL),
mas o dia não lhe trouxe boas notícias. A revista piauí e a Folha de S.Paulo
publicaram que a Polícia
Federal havia encontrado no carro do motorista de seu ex-assessor
Luciano Cavalcante anotações de pagamentos de quase R$ 500 mil para um certo
“Arthur”.
Cavalcante é um dos alvos do inquérito que
apura o desvio de R$ 8 milhões na compra de kits de robótica para escolas
de Alagoas com
dinheiro do orçamento secreto.
Lira não se abalou. Naquela noite, ele e a namorada celebraram com amigos no Praia no Parque, um bar de Lisboa sediado no elegante Parque Eduardo VII. À mesa, além do vice-presidente da Câmara, Marcos Pereira (Republicanos-SP), e do vice-presidente do União Brasil, Antônio Rueda, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes era paparicado pelos comensais.
Adriana Fernandes - Qual é o peso de SP na reforma?
O Estado de S. Paulo
Posição de enfrentamento do governador Tarcísio impacta o cenário das negociações
Uma leitura rápida pelo histórico de
tentativas frustradas da reforma tributária em 35 anos é suficiente para
identificar o peso do governo de São Paulo para barrar seu avanço no Congresso.
O próprio vice-presidente Geraldo Alckmin,
hoje um ferrenho defensor da reforma tributária, já foi um entrave quando
governador do Estado.
O que sempre se disse ao longo desses anos
é que São Paulo, sozinho, representa “meia reforma”, pelo tamanho que o Estado
representa na arrecadação.
A posição de enfrentamento do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a pontos basilares do modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) da reforma apadrinhada pelo governo Lula impacta o cenário das negociações.
Eugênio Bucci* - Inteligência artificial: isso deve nos assustar?
O Estado de S. Paulo
Sim, o incômodo com a técnica é antigo, bem antigo, mas a escala do que ela vem aprontando é absolutamente inédita
É razoável e sensato temer a inteligência
artificial? Em seus arranjos mais complexos, que conjugam centenas de bilhões
de parâmetros em frações de segundos, ela ameaça o lugar dos seres humanos em
governos, empresas, na ciência e na guerra?
Ou esse tipo de preocupação não passa de
paranoia infantil? Pensemos um pouco. Será que as máquinas ditas inteligentes
são apenas ferramentas anódinas, mais ou menos como as pontes sobre os rios, as
brocas de dentista, as colheres de pau, os gravadores de voz ou os estetoscópios?
Os computadores que falam sozinhos, escrevem, leem e até conversam com os
mortais em qualquer idioma não oferecem nenhum perigo? São inofensivos?
Até aqui, há opiniões para todo gosto. Uns são “apocalípticos”, para usar o adjetivo popularizado por Umberto Eco. Outros, mais do que “integrados”, desfilam esfuziantes e deslumbradérrimos com seus óculos de realidade ampliada. Estamos no meio de um imenso tecnoflaflu. A questão, no entanto, é mais séria que um embate entre torcidas.
O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões
Censo impõe desafio urgente ao Brasil
O Globo
Esgotamento do bônus demográfico não dá
alternativa além de investir em produtividade e eficiência
A divulgação pelo IBGE dos
primeiros resultados do Censo 2022,
depois de sucessivos atrasos, confirmou a expectativa de desaceleração no
crescimento populacional e surpreendeu pelo ímpeto da queda. Os dados revelam
uma população de 203.062.512, inferior aos 207.750.291 estimados numa prévia já
com os dados do Censo em dezembro. Nunca, desde que a pesquisa começou a ser
feita, em 1872, a população brasileira cresceu tão pouco — apenas 0,52% ao ano
nos últimos 12 anos.
O baixo crescimento populacional impõe vários desafios. O maior decorre do fim da imagem de um país essencialmente jovem, substituída pela de um país envelhecido, sem que o Brasil tenha aproveitado os benefícios do contingente mais jovem na força de trabalho, conhecido como “bônus demográfico”. Dados recentes a ser confirmados pelo Censo mostram que o envelhecimento dos brasileiros segue em ritmo acelerado. Em 2012, metade dos brasileiros (49,9% ) tinha menos de 30 anos. No ano passado, 43,3%. A fatia correspondente aos idosos (60 anos ou mais) foi de 11,3% a 15,1%.
quarta-feira, 28 de junho de 2023
Vera Magalhães – Revés de Bolsonaro é chance para Lula
O Globo
Iminente inelegibilidade do antecessor dá
ao presidente também a chance de se aproximar de evangélicos
O inferno astral que se inicia para Jair
Bolsonaro, com a iminente inelegibilidade graças a uma de dezenas de vezes em
que ele usou o cargo para investir contra o sistema eleitoral brasileiro, dá a
Lula a chance de recuperar terreno perdido para os setores mais fidelizados
pelo bolsonarismo no processo de rápida radicalização da sociedade iniciado em
2013.
O agronegócio é um deles. O presidente está
certo quando se espanta com a aversão demonstrada pelos grandes empresários
rurais a ele e ao PT. Afinal, em seus dois primeiros governos a exportação de
produtos agrícolas cresceu mais, em média, que no mandato de Bolsonaro. A
produção de grãos aumentou de forma equivalente. O que desequilibra a
estatística a favor do ex-presidente é o crescimento do PIB do agro, bem
superior nos últimos quatro anos.
Ainda assim, isso não justificaria a verdadeira ojeriza manifestada por expoentes do agro à volta de Lula ao poder. Trata-se de um coquetel que mistura o discurso anticorrupção encorpado na Lava-Jato e apropriado por Bolsonaro, a investida do ex-presidente para armar o campo e seu discurso de depreciação das pautas ambiental e indígena e da reforma agrária.
Bernardo Mello Franco - O Coronel e o capitão
O Globo
Covardia de Jean Lawand Junior combina com
novo tom de Bolsonaro diante da Justiça
O coronel Jean Lawand Junior é um
bolsonarista típico. Fala grosso na internet, mas afina na hora de assumir seus
atos. Depois da derrota do capitão, o oficial se esgoelou no WhatsApp em defesa
do golpe. Ontem ele tentou se fazer de inocente na CPI.
O militar passou ao menos um mês
incentivando uma quartelada. Em mensagens enviadas ao tenente-coronel Mauro
Cid, pregou uma ação militar para subverter o resultado das urnas. Queria que
Jair Bolsonaro desse “a ordem” para botar os tanques na rua.
“Ele tem que dar a ordem, irmão. Não tem como não ser cumprida”, suplicou. Em outro diálogo, o coronel disse que o presidente precisava escolher entre a ruptura institucional e a cadeia. “Ele não pode recuar agora. Ele não tem nada a perder. Ele vai ser preso”, insistiu.
Elio Gaspari - As mentiras que circulam nas redes
O Globo
Patranhas na política são uma coisa, na
saúde, outra
É possível que nos próximos meses o Supremo
Tribunal Federal e o Congresso retomem a questão do lixo eletrônico que circula
na internet por meio das grandes empresas de tecnologia. Quando esse assunto
estava na Câmara, as plataformas defenderam-se alegando que o projeto abria uma
porta para a censura de ideias. Não abria, mas a cautela adiou uma decisão.
Enquanto a discussão girou em torno da censura de ideias, ela tinha algo de abstrato. Agora vê-se que o lixo vai além, enganando consumidores e prejudicando empresas. Uma única operadora de planos de saúde, a Amil, listou 231 casos de anúncios irregulares na rede em apenas seis meses. Num aspecto, prometem reembolsos impossíveis. Noutros, e são milhares, oferecem curas milagrosas e juventude eterna.
As big techs defendem-se dizendo que
procuram filtrar o que levam à rede e que cumprem as decisões da Justiça quando
ela determina a retirada dos materiais. É pouco.
O que sempre esteve em questão foi a cooperação das big techs para limpar a parte da rede que está sob seu domínio. Há anos elas oscilam entre a arrogância e o descaso. Quando a Justiça manda, elas cumprem. Só faltava que não cumprissem. Os danos empresariais provocados pelas mentiras sugerem que o Supremo possa tratar desse lixo de maneira diferente. Se é difícil quantificar o dano derivado de uma mentira política, isso é fácil no caso das patranhas empresariais.
Luiz Carlos Azedo - O ex-presidente Bolsonaro em seu labirinto
Correio Braziliense
As investigações sobre o 8 de janeiro estão
complicando a situação do ex-presidente. Mesmo que novas provas não sejam
incorporadas ao processo pelo TSE, sua inelegibilidade é dada como certa
Com perdão para a memória de Simón Bolívar,
o Libertador, e parafraseando Gabriel García Márquez, a história do
ex-presidente Jair Bolsonaro começará a ser contada a partir de seu julgamento
pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que deve condená-lo à inelegibilidade
até 2030. O ex-capitão, como o general de romance histórico da literatura
latino-americana, construiu um labirinto do qual não consegue sair. Como o
personagem fictício, cuja trajetória é fiel aos fatos históricos, Bolsonaro
ingressa agora numa fase na qual toda glória se foi. Precisará de muita
resiliência para enfrentar mais de uma dúzia de processos, sem a prostração e a
angústia do mitológico caudilho de Gabo no final de sua vida.
Spoiler desse clássico da literatura
universal: García Márquez, vencedor do prêmio Nobel de Literatura, ao contar a
história de Simón José Antonio de la Santísima Trinidad Bolívar y Palacios
Ponte-Andrade y Blanco, O Libertador, fala dos percalços da vida, do sofrimento
e de sua sina cruel, que a realidade traz à tona sempre que pode, ao final da
vida do caudilho.
O general em seu labirinto (Record), de 1989, começa de trás pra frente, nos últimos dias do caudilho venezuelano, durante sua derradeira viagem através do Rio Magdalena, quando rememora paixões, batalhas, derrotas e vitórias. Tecido pelas dores do declínio, seu labirinto é uma mente ambiciosa, muito inteligente e sagaz, que sonhou fazê-lo o chefe político e militar perpétuo de uma única grande nação, do México à Terra do Fogo, depois de conquistar a Venezuela, a Colômbia, o Equador e a Bolívia. O seu ocaso, porém, é cruel.
Hélio Schwartsman - Cabo eleitoral
Folha de S. Paulo
Dificilmente ex-presidente será um 'king
maker' em 2024
Jair Bolsonaro será um bom cabo eleitoral?
O PL pensa que sim. O partido já faz contas e espera que o ex-presidente
prestes a tornar-se inelegível o ajude a
eleger 1,5 mil prefeitos em 2024, quintuplicando o número de alcaides
da legenda. Mas será que esse cálculo tem base ou é só um desejo meio
delirante?
Quando o futuro é opaco, consultar o passado é um bom ponto de partida para as estimativas. E, a julgar pelo passado, Bolsonaro foi uma figura decisiva nas eleições de 2022 —ele conseguiu transformar um poste pessoal no governador de São Paulo—, mas teve um desempenho pífio como cabo eleitoral no pleito municipal de 2020. Na ocasião, o então presidente emprestou seu apoio a 13 candidatos a prefeito e a 45 a vereador. Desses todos, apenas 13 se elegeram, sendo só dois prefeitos, os de Parnaíba (PI) e Ipatinga (MG), que não são exatamente megalópoles.
Bruno Boghossian - O 'dedazo' de Bolsonaro
Folha de S. Paulo
Ex-presidente expõe aflição com sucessão e
inventa 'bala de prata' para manter controle na direita
O governador Tarcísio
de Freitas "é um excelente gestor" e poderia até concorrer
ao Planalto em 2026, mas Jair
Bolsonaro "teria de conversar com ele" antes de bater o
martelo. A ex-primeira-dama Michelle "pode
sair candidata", mas não tem experiência para ser presidente e funcionaria
melhor como cabo eleitoral.
À beira de uma condenação que pode tirá-lo da próxima corrida presidencial, Jair Bolsonaro faz zigue-zague para não ser atropelado na própria sucessão. Em entrevista a Mônica Bergamo, o ex-presidente se recusou a apontar um substituto na direita e mostrou que fará de tudo para adiar a definição desse nome.
Mariliz Pereira Jorge - Bala de prata chamada Michelle
Folha de S. Paulo
O imbrochável parece que vai ter de engolir
a fraquejada; espero estar errada
Jair Bolsonaro continua o mesmo. A entrevista
concedida à jornalista Mônica Bergamo mostra que está mais em forma do
que nunca. Raso, vitimista, desclassificado, fala com naturalidade sobre a
hipótese de virar garoto-propaganda de imóveis nos Estados Unidos, avalia sua
popularidade pelo fato de que encheu uma hamburgueria e comeu de graça:
"Enchi a pança". Que pesadelo.
Como esse sujeito foi presidente do Brasil e quase se reelegeu para um segundo mandato? Não é uma pergunta retórica. A reportagem me rendeu um "meudeusdocéu" atrás do outro. Eu me pergunto como não perdemos a capacidade de nos chocar com tanta barbaridade, com tanta distopia. Talvez porque ele sempre conseguiu nos surpreender. Negativamente, claro.
Vera Rosa - Sem Bolsonaro, desafio de Lula é Arthur
O Estado de S. Paulo
Presidente da Câmara desconfia de investigações da PF e Centrão quer derrubar Padilha
Diante do julgamento do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) que pode tornar Jair Bolsonaro inelegível por oito anos, a
avaliação do núcleo duro do governo é a de que o problema do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, agora, tem outro nome. Em busca de votos da direita após
a cassação dos direitos políticos do ex-presidente, dada como certa, a
articulação política do Palácio do Planalto será posta à prova. E o desafio de
Lula, nesse cenário, se chama Arthur Lira (PP-AL).
Líder do Centrão, o presidente da Câmara
anda contrariado por não ter mais o controle da distribuição de emendas
parlamentares. No diagnóstico do grupo de Lira, o ministro das Relações
Institucionais, Alexandre Padilha, é o responsável por travar a liberação de R$
9,9 bilhões que, com o fim do orçamento secreto, foram herdados por
ministérios.
O Centrão passou a trabalhar para derrubar Padilha e se aproximou do chefe da Casa Civil, Rui Costa. Nesse serpentário, nada poderia ser mais simbólico do que a foto postada ontem nas redes sociais, mostrando Padilha, Costa e o líder do governo na Câmara, José Guimarães, sorridentes e com mãos entrelaçadas.
Fernando Exman - O que esperar do Ministério do Turismo
Valor Econômico
Celso Sabino tem se mantido discreto para
não melindrar a atual titular da pasta
Mais uma leva de dados sobre o desempenho
do setor de turismo era divulgada no Rio de Janeiro pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatísticas no último dia 15 de junho, quando começou a
circular na capital federal, a quilômetros de distância, a informação de que o
deputado Celso Sabino integraria a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva ao Pará, seu Estado natal. Não era uma viagem a passeio.
Decidido a aumentar sua base de apoio no Congresso, Lula colocava em prática os princípios da boa hospitalidade e oferecia ao União Brasil da Câmara o Ministério do Turismo. Sabino acabara de ganhar uma passagem, com escala, para a Esplanada dos Ministérios: teria apenas que fazer uma conexão de alguns dias, para que a exoneração da ministra Daniela Carneiro ocorresse sem turbulência.
Martin Wolf* - A reconstrução do mundo americano
Valor Econômico
A raiva e a decepção dos americanos da
“classe média” são uma realidade perigosa
Quando os Estados Unidos falam, o mundo
escuta. Afinal, trata-se da potência mais influente do mundo. Isso não se deve
apenas ao seu tamanho e riqueza, mas também à força de suas alianças e ao seu
papel central na criação das instituições e princípios da ordem econômica
atual. O país teve um papel decisivo na criação das instituições de Bretton
Woods, o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio e a Organização Mundial do
Comércio (OMC). Também promoveu oito rodadas sucessivas de negociações
comerciais multilaterais. Ganhou a guerra fria contra a União Soviética. E
desde o início dos anos 1980, pressionou por uma abertura ampla e profunda da
economia mundial, recebendo a China na OMC em 2001. Gostemos ou não, todos
vivemos no mundo que os EUA construíram.
Agora, sofrendo de arrependimento de comprador, decidiram reconstruí-lo. A secretária do Tesouro americano, Janet Yellen, delineou os aspectos econômicos da nova visão dos EUA em um discurso proferido em 20 de abril. Sete dias depois, Jake Sullivan, o conselheiro de segurança nacional do presidente Joe Biden, fez um discurso ainda mais abrangente, embora complementar, sobre “renovar a liderança econômica americana”. Ele representou um repúdio à política passada. Isso poderia ser visto apenas como uma volta ao intervencionismo de Alexander Hamilton. Contudo, desta vez a agenda não é destinada a um país recém-formado, mas à potência dominante do mundo.
Vinicius Torres Freire - Juros, déficit e nova direção do BC
Folha de S. Paulo
Receita do governo e nomeações de Lula vão
influenciar inflação, Selic e taxas de mercado
A grande querela nacional sobre a queda de
mísero 0,25 ponto percentual na Selic deve esfriar depois dessa ata
da reunião da diretoria do Banco Central, divulgada nesta terça-feira. Deve
haver um chorinho de corte da Selic, de 13,75% para 13,50%, em agosto.
O problema maior, como se tem escrito nestas colunas,
é quão rápido a Selic vai
cair e até que nível. Quanto a isso, nem a ata do BC nem as notícias da
inflação por ora permitem estimar que a redução de juros seja rápida e grande.
Além do mais, daqui até o final do ano, dois motivos vão mudar a música da inflação e dos juros no mercado: o tamanho do déficit nas contas do governo e as novas indicações de Luiz Inácio Lula da Silva para a direção do BC.
Zeina Latif - Acertar o passo para o futuro
O Globo
Pesa o fato de os impostos sobre o consumo
terem grande importância arrecadatória em um país com Estado grande
Há uma combinação de dois fatores no
horizonte que aumentam a urgência de reduzir o custo da folha nas empresas: a
reforma tributária de criação do imposto sobre o valor adicionado (IVA) — passo
fundamental para destravar o crescimento sustentado — e o inevitável avanço no
uso de tecnologias modernas.
As novas tecnologias tendem a reduzir a oferta de vagas em atividades operacionais e repetitivas, que são mais facilmente substituídas por máquinas. A automação e a robotização, há décadas, já vinham reduzindo o trabalho de “chão de fábrica”, enquanto as tecnologias digitais passaram a afetar bastante o setor de serviços. O uso de inteligência artificial é mais um passo nessa direção.
Lu Aiko Otta - Juro alto ofusca semestre positivo
Valor Econômico
Ata da mais recente reunião do Copom foi
classificada nos bastidores do governo como “deselegante” e “inapropriada”
A ata da mais recente reunião do Comitê de
Política Monetária (Copom) acendeu sinais de alerta no governo. Um diz respeito
à perspectiva para a atividade econômica daqui por diante. Outro foi uma
inédita crítica à política fiscal, classificada nos bastidores de “deselegante”
e “inapropriada”.
Causou preocupação a elevação da taxa de
juros neutra da economia de 4% para 4,5%. Indica que é preciso uma taxa um pouco
mais elevada para se chegar a um ponto em que não haja estímulo inflacionário
nem deflacionário.
Para um integrante do governo, quer dizer
que os modelos utilizados pelo Banco Central estabelecem uma taxa de equilíbrio
para o desemprego na casa dos 8,5%. E que não há espaço para a economia rodar
num ritmo superior ao que se encontra, algo como 2% a 3%.
Pelo contrário, seria preciso desacelerar a atividade para fazer a inflação convergir mais rápido para a meta (3,25%, com 1,5 ponto percentual de margem de tolerância).
Nilson Teixeira - Difícil tarefa do economista de mercado
Valor Econômico
Incontáveis fatores imprevisíveis
influenciam os fundamentos e fogem do alcance dos modelos
Os economistas de mercado que trabalham com
análise de conjuntura têm sido acusados de má-fé com o governo de esquerda por
terem previsto no fim de 2022 uma inflação mais alta e um crescimento mais
baixo para este ano. De fato, a maioria dos analistas julgava que a eventual
vitória do atual presidente seria acompanhada de medidas que contribuiriam para
maior inflação e desaceleração mais expressiva da atividade. Apesar de
reconhecer claro viés político por parte de alguns analistas, prefiro crer que
a maioria errou suas projeções devido à leitura equivocada sobre a dinâmica da
economia.
A capacidade preditiva dos economistas sobre diversas variáveis econômicas é baixa, mesmo quando o time é competente, bem formado e utiliza modelos e instrumentos sofisticados. A subjetividade - apelidada de arte por muitos - é determinante em muitas ocasiões, pois incontáveis fatores imprevisíveis influenciam os fundamentos e fogem do alcance dos modelos.
O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões
Copom cogitou anunciar queda de juros em agosto
Valor Econômico
Contribuiu para moderar a mensagem do Copom
a expectativa sobre as decisões da reunião de amanhã do Conselho Monetário
Nacional
A ata da reunião do Comitê de Política
Monetária tornou explícito o que já estava implícito no comunicado emitido logo
após o encontro: os juros começarão a cair. A novidade do documento foi a
“avaliação predominante” de que isso poderia ocorrer já em agosto, o que não
foi mencionado no comunicado que, no entanto, dava sinais na mesma direção.
Houve “divergência” no Copom em relação à comunicação dos próximos passos da política monetária. Na visão da maioria, “a continuação do processo desinflacionário em curso, com consequente impacto sobre as expectativas, pode permitir acumular a confiança necessária para iniciar um processo parcimonioso de inflexão na próxima reunião”. Houve acordo, porém, com os que acreditam que é melhor esperar “maior reancoragem das expectativas longas e acumular mais evidências de desinflação nos componentes mais sensíveis ao ciclo”.
terça-feira, 27 de junho de 2023
Merval Pereira - Punição necessária
O Globo
Desacreditar o processo eleitoral é um
claro passo na direção do golpe pretendido, que mais adiante ficou explícito,
tanto nas minutas golpistas quanto nas ações de 8 de janeiro
É possível discutir se o fato de o Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) ter aceitado incluir no processo contra Bolsonaro a
minuta do golpe encontrada na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres
significa uma mudança de jurisprudência para prejudicar o ex-presidente. As
mudanças constantes no pensamento do Supremo, variando de acordo com as
circunstâncias de momento, são prejudiciais ao papel que a mais alta Corte do
país tem exercido, de fato, na defesa da democracia.
É o caso específico de Bolsonaro, que, como
vimos em diversas evidências, seria uma ameaça à democracia se reeleito. O
indiscutível, no entanto, é que, mesmo sem o acréscimo, a situação de Bolsonaro
não se sustenta diante da realidade de ter reunido o corpo diplomático para
falar mal das urnas eletrônicas.
Bolsonaro há algum tempo trocou os ataques frontais aos tribunais superiores pela lamentação retórica de que é perseguido. Em sua defesa, seu advogado argumenta que merecia no máximo uma multa, já admitindo que houve infração naquele encontro. Se a discussão parte do princípio de que o então presidente cometeu um erro ao chamar ao Palácio da Alvorada embaixadores para relatar críticas às urnas eletrônicas, passa a ser uma questão subjetiva o tamanho da punição.



.jpg)
.jpg)


.jpg)
.jpg)
.jpg)







.jpg)

.jpg)
.jpg)
.jpg)


.jpg)

.jpg)




.jpg)