terça-feira, 17 de outubro de 2023

Merval Pereira - Forças Armadas podem atuar no Rio

O Globo

Forças Armadas não subirão morros. Ações combinam inteligência e operação, mas não podem abrir mão de ações sociais

O ministro da Justiça, Flávio Dino, revelou ontem, em debate com entidades de classe e representantes da sociedade civil na sede da Firjan, no Rio, que está em discussão dentro do governo o uso das Forças Armadas no combate ao crime organizado no estado. Ele e o ministro da Defesa, José Mucio, já discutem como operacionalizar a atuação, mas Dino deixou claro que não há ainda decisão, que deverá passar obrigatoriamente pelo presidente Lula. Advertiu que uma coisa é certa: as Forças Armadas não subirão morros.

O ministro Dino citou como exemplo de possível atuação das Forças Armadas a exitosa Operação Ágata, na Amazônia, em que elas atuam em cooperação com Polícia Federal, Ibama, Receita Federal e Abin para combater delitos transfronteiriços e ambientais na fronteira com a Colômbia.

Carlos Andreazza - O Lirão distribui os chocolates

O Globo

O Brasil está parado — não sem que os desafios encorpem — enquanto a República viaja. A República viaja em dólares e euros. Voltará com chocolates suíços. O feriadão se impõe; se impôs. Pediu Bis. Imposto à agenda brasileira, pelos senhores de Brasília, mais um recesso — nem sequer votada a Lei de Diretrizes Orçamentárias. (Longamente expostas à criatividade dos dispêndios ilimitados, as balizas para o Orçamento já decerto acomodaram — é impositivo — novas modalidades para o exercício do orçamento secreto.)

Quase todo mundo (poderoso) pelo mundo, enquanto — conflagrado o mundo — a situação econômica brasileira, sob incertezas, complica-se. Governo que não corta gastos — e cujas despesas aumentarão autorizadas pela regra fiscal — precisaria multiplicar as receitas. Depende do Parlamento, ao mesmo tempo mole e faminto. Ao mesmo tempo indolente (para votar) e apressado (para comerciar as votações). Sempre faminto. A conta não fecha.

Míriam Leitão - Inflação na meta após três anos

O Globo

No início deste ano, poucos acreditavam que a inflação poderia ficar na meta. Agora o mercado já vê isto como realidade

Poucos acreditavam até recentemente que a inflação terminaria o ano na meta, mas ontem a mediana do mercado apostou nisso pela primeira vez em três anos. O economista José Roberto Mendonça de Barros vinha dizendo que esse cenário era possível há algum tempo. Agora a previsão da sua consultoria é a de que o IPCA terminará o ano em 4,71%. Perto do teto, mas dentro do espaço de flutuação permitido pelo regime de metas. Esse resultado se deve em grande parte à queda da inflação de alimentos. Do fim do ano passado até o fim deste ano pode ocorrer uma inversão de 17 pontos na inflação da alimentação no domicílio.

— No ano passado, este item terminou com uma inflação de 13,2%. Nossa projeção agora, junto com a MB Agro, é que chegue a dezembro de 2023 com -3,3%, uma virada de 17pp. Isso aí equivale a um abono salarial para as classes C e D. E é justamente a inflação de alimentos no domicílio que é a mais importante —diz Mendonça de Barros.

Luiz Carlos Azedo - Quando os fatos mudam na atual desordem mundial

Correio Braziliense

"A ação de Israel na retaliação ao ataque terrorista do Hamas ao seu território tem muita semelhança com a bagunça criada pelos Estados Unidos no Oriente Médio após o 11 de setembro, principalmente depois da invasão do Iraque", avalia colunista

Argentina, Egito, Etiópia, Gana, Quênia, Paquistão, Sri Lanka, Tunísia, Ucrânia e Zâmbia estão à beira ou já entraram em inadimplência. Não podem contar com mais ajuda internacional, inclusive a Ucrânia, porque a economia global enfrenta grandes incertezas, em razão de dois fatores, principalmente: o primeiro, de natureza objetiva, as mudanças climáticas; o segundo, de características subjetivas, o fracasso da ideia de um mundo unipolar, sob hegemonia norte-americana, capaz de impor a paz mundial. A crise na Faixa de Gaza e a guerra da Ucrânia são sintomas mórbidos e patológicos desse cenário em mudança, que não se sabe ainda para onde. Com certeza, não é para onde estamos indo, apesar das nossas vãs expectativas de que a revolução tecnológica resolveria os principais problemas civilizatórios.

Mais ou menos como aconteceu com a Liga das Nações, entre a Primeira e a Segunda Grandes Guerras, a decadência dos atuais mecanismos de governança global pode se tornar irreversível. A Organização das Nações Unidas, desde quando os Estados Unidos decidiram assumir o papel de xerife do mundo, passou a ter um papel de segundo plano nos conflitos regionais. Seu Conselho de Segurança se tornou o palco da "nova guerra fria" entre o Ocidente e o Oriente, polarizados pelos Estados Unidos e a União Europeia, de um lado, a China e a Rússia de outro. Conflitos que poderiam ser resolvidos num ambiente de cooperação entre essas potências estão sendo acirrados e saem de controle, como aconteceu na Ucrânia e, agora, se repete na Faixa de Gaza.

Andrea Jubé - Itamaraty fez história com repatriações

Valor Econômico

Desde a Segunda Guerra Mundial, não havia registros de um conflito armado que tenha afetado tantos civis brasileiros

O Ministério das Relações Exteriores havia trazido de volta ao Brasil, até essa segunda-feira, 916 brasileiros e seus familiares que pediram ajuda às autoridades diplomáticas para fugir da guerra no Oriente Médio entre Israel e o Hamas, grupo terrorista que controla a Faixa de Gaza.

Com um quinto voo da Força Aérea Brasileira (FAB) que partirá de Tel Aviv nesta quarta-feira, deverão ser mais de mais de 1,1 mil brasileiros repatriados. Se houver vagas, o Itamaraty poderá trazer, também, cidadãos de nossos vizinhos na América do Sul, como Paraguai e Bolívia, que pediram ajuda ao Brasil.

Em paralelo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanha, pessoalmente, as tratativas para viabilizar a retirada dos cerca de 30 brasileiros, inclusive crianças, da Faixa de Gaza pela fronteira com o Egito. Ocupando a presidência “pro tempore” do Conselho de Segurança das Nações Unidas até o fim do mês, Lula também articula com outras autoridades a criação de um corredor humanitário para a entrada de remédios e alimentos em Gaza, soma de esforços para a libertação dos reféns com o Hamas, e o fortalecimento da Autoridade Palestina. Ele pediu ao presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, que essas posições sejam reafirmadas nesta terça-feira na reunião extraordinária do Conselho Europeu, em Bruxelas.

Gideon Rachman - Apoiar Israel e proteger os palestinos não são políticas contraditórias

Financial Times / Valor Econômico

Compaixão pelas pessoas inocentes que sofrem em todos os lados desse conflito não é apenas a posição moral, é também o único caminho prático a seguir

De que lado você está – dos israelenses ou dos palestinos? Você acha que a política do Ocidente deveria ser apoiar Israel, após o maior massacre de civis israelenses desde a fundação do Estado em 1948? Ou você acha que o governo de Benjamin Netanyahu está cometendo atrocidades em massa em Gaza e que a política do Ocidente deveria exercer a pressão máxima para Israel parar?

Estes são os termos binários em que grande parte da discussão sobre o conflito israel-palestino está sendo conduzida. Mas, ao conversar com autoridades em Washington, Bruxelas e outras capitais europeias, surpreendeu-me o fato de essa não ser a abordagem da maioria dos líderes ocidentais que se envolveram com Israel na última semana. Eles afirmam que a melhor alternativa para evitar uma catástrofe humanitária em Gaza é apoiar Israel.

Isso soa paradoxal – e até mesmo hipócrita. Mas, pensando melhor, entendo a lógica. Muitos civis já morreram em Gaza e há muito mais tragédias por vir. A Organização das Nações Unidas (ONU) está alertando para um desastre iminente.

Mas a melhor chance de amenizar o sofrimento dos civis palestinos é partir da compreensão de que Israel acaba de sofrer uma tragédia sem precedentes e tem o direito e a obrigação de garantir sua própria segurança. Esta é uma política que uma autoridade de alto escalão dos EUA chama de “abraçar com força”. Ele descreve Israel como “traumatizado e assustado”. “Precisamos apresentar isso como uma situação que estamos enfrentando juntos e na qual podemos trabalhar juntos”, diz essa autoridade.

Eliane Cantanhêde - Nem vitória nem derrota

O Estado de S. Paulo

Ao presidir o Conselho de Segurança da ONU, o Brasil é só coordenador, quem manda são as potências

O governo Lula armou uma armadilha para si próprio: colocar-se como o grande articulador de uma solução ao menos humanitária, emergencial, para a guerra em Israel. Se sair uma resolução consensual no Conselho de Segurança da ONU, será um sucesso estrondoso. E se não sair? A oposição está pronta para espalhar aos quatro ventos – e ao mundo – que foi o oposto: um estrondoso fracasso.

A presidência rotativa do Conselho de Segurança, por um único mês, não transforma o Brasil em grande negociador, em “resolvedor-geral” dos problemas mundiais. Sua função é meramente de coordenador. Importante? Sim, mas quem continua mandando, tomando decisões e delimitando os termos das resoluções são as potências. As mesmas de sempre.

Paul Krugman* - O estranho declínio da pax americana

The New York Times / Folha de S. Paulo

Problema não é a falta de firmeza no topo, mas sim o inimigo interno

Quando o Hamas atacou Israel, os republicanos sabiam a quem culpar —o presidente Joe BidenDonald Trump afirmou que o ataque não teria acontecido se ele ainda estivesse na Casa Branca; Mike Pence, enquanto condenava Trump por elogiar o Hezbollah e o Hamas, afirmou que Biden estava de alguma forma colocando em perigo os interesses dos Estados Unidos ao "projetar fraqueza".

Como grande parte do que a direita americana diz nos dias de hoje, essas difamações foram tanto vis quanto infantis. Não, o presidente dos EUA não é como o Lanterna Verde, capaz de moldar os eventos mundiais apenas pela força de vontade. E Biden, de fato, adotou posições surpreendentemente duras em assuntos internacionais, muito mais do que seu antecessor.

De forma mais geral, é impressionante como tanto a extrema esquerda, que não tem influência significativa no Partido Democrata, quanto a extrema direita, que em grande parte comanda o Partido Republicano, são solipsistas americanos. Eles culpam os líderes dos EUA por tudo de ruim que acontece no mundo, negando aos estrangeiros qualquer agência.

Alvaro Costa e Silva - Guerra lá, guerra aqui

Folha de S. Paulo

O horror no Oriente Médio magnetiza atenções, enquanto o nosso não para

A partir da década de 1970 o Rio cresceu em direção à Barra da Tijuca, bairro mais ou menos planejado que oferecia, além da beleza natural de praias e lagoas, o conceito publicitário da segurança em condomínios fechados e shoppings. Uma espécie de paraíso para a classe média alta. Hoje o perigo mora ao lado.

Na semana passada, a Polícia Federal apreendeu 47 fuzis e centenas de munições calibre 556 escondidos numa mansão de um condomínio de luxo, na Barra. O arsenal veio de Belo Horizonte para abastecer traficantes de drogas, milicianos e bicheiros que estão em guerra na região. O que seria uma ilha de tranquilidade se transformou em palco de assassinatos brutais –como os que vitimaram por engano três médicos num quiosque.

Joel Pinheiro Fonseca - Entre Israel e Palestina, quem está certo?

Folha de S. Paulo

Há uma linha mínima de humanidade que, se violada, acaba com qualquer pretensão de justiça

Bilhões de pessoas depositam em Israel as esperanças e medos apocalípticos de suas tradições religiosas. No centro dela está Jerusalém, onde um dia já funcionou o Templo de Salomão, até ser destruído pelo Império Romano. Nessa mesma cidade Jesus pregou, morreu e —acreditam os cristãos— ressuscitou. É ela também um lugar sagrado para muçulmanos, lembrando que Maomé honrava os profetas judeus e cristãos e inicialmente rezava com seus seguidores não voltado a Meca, e sim a Jerusalém.

É por essa razão que ela sempre ocupou o centro das atenções de reinos e impérios muçulmanos e cristãos (dos cruzados medievais ao Império Britânico e EUA) e da diáspora judaica.

Trazendo para o plano secular, a criação de Israel em 1947 respondeu a uma demanda histórica de judeus, que sofriam perseguição onde quer que morassem, até culminar no crime monstruoso do Holocausto. Não havia um país árabe no território, que fora parte do Império Turco-Otomano e, depois da Primeira Guerra, mandato imperial britânico. Mas havia povo. E centenas de milhares de árabes foram desalojados e expulsos para que a nova nação se consolidasse.

Hélio Schwartsman - Realpolitik e moral

Folha de S. Paulo

Ditames da civilização exigem que israelenses e palestinos refreiem instintos mais primitivos

O sangrento ataque do Hamas é fruto de décadas de abusiva ocupação israelense sobre os territórios palestinos. Essa é uma observação sociologicamente irretorquível. Mas precisamos tomar cuidado para não confundir juízos sociológicos, isto é, a realpolitik, com justificativas morais. Eu não me surpreenderia se alguém demonstrasse empiricamente que mulheres que usam minissaia correm maior risco de ser estupradas. É óbvio, porém, que tal constatação jamais poderia servir de justificativa para os estupradores, por mais sociologicamente precisa que fosse.

Uma outra lição da realpolitik do Oriente Médio ensina que, se você ataca seu inimigo, ele fará o que puder para revidar com força redobrada. Na lógica local, deixar de vingar-se é mostrar-se fraco, o que é um convite a novos ataques. O Hamas sabia que suas ações de 7 de outubro provocariam uma resposta duríssima de Israel e que a vítima seria a população de Gaza.

Quem aceita a realpolitik para justificar as ações do Hamas deveria, para ser coerente, aplicar esse mesmo raciocínio em relação ao revide israelense.

Dora Kramer - A cara do Brasil

Folha de S. Paulo

Repatriação de Israel mostra a melhor face de um país que pode muito quando aciona seus reais ativos

Se nos falta cacife geopolítico para mediar conflitos mundo afora, sobra-nos capital em áreas em que o Brasil está, ou poderia e deveria estar, entre as nações influentes no mundo. Na cultura, no regramento ambiental, no acolhimento a imigrantes, na imagem de amabilidade projetada por nosso povo.

Por isso não se justifica a pretensão do caminhar a passos maiores que as pernas, um jeito gerador de frustração e descrédito, quando podemos fazer uso de nossos reais ativos para realmente nos destacar e, mais importante, ajudar na proporção de nossas capacidades.

Vivemos agora um exemplo eloquente na operação de repatriação dos brasileiros de Israel e nas negociações para a retirada de Gaza de cidadãos nacionais. O presidente Luiz Inácio da Silva foi célere na ordem, e o Ministério da Defesa, as Forças Armadas e o Itamaraty foram de notável eficiência nas ações compartilhadas.

O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões

Estados obtêm compensação dupla por perda de ICMS

O Globo

Mesmo já beneficiados com R$ 27 bilhões, governos elevam alíquotas, de olho na reforma tributária

Está em curso uma manobra de governos estaduais para inflar receitas com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e se beneficiar na reforma tributária que tramita no Congresso. Executivo e Legislativo precisam estar atentos para impedir a perpetuação dessas distorções na arrecadação estadual e municipal em detrimento do contribuinte.

A operação, revelada em reportagem do GLOBO, é simples. De acordo com dados do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e Distrito Federal (Comsefaz), 16 estados (Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Ceará, Bahia, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Roraima, Rondônia, Sergipe e Tocantins) e o Distrito Federal já elevaram, no ano passado ou neste ano, suas alíquotas de ICMS entre 1 e 3,5 pontos percentuais. O pretexto alegado é recompor receitas perdidas quando o então presidente Jair Bolsonaro, em campanha à reeleição, cortou o ICMS sobre combustíveis, serviços de telecomunicações e eletricidade, importantes fontes de receitas tributárias dos governadores.

Poesia | Fernando Pessoa - Estou Tonto

 

Música | Dulcis Orchestra - (José Pablo Moncayo )-

 

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Opinião do dia – Friedrich Hegel*

“Na história política, o indivíduo, na singularidade da sua índole, do seu gênio, das suas paixões, da energia ou da fraqueza de caráter, em suma, em tudo o que caracteriza a sua individualidade, é o sujeito das ações e dos acontecimentos. Na história da filosofia, estas ações e acontecimentos, ao que parece, não têm o cunho da personalidade nem do caráter individual; deste modo, as obras são tanto mais insignes quanto menos a responsabilidade e o mérito recaem no indivíduo singular, quanto mais este pensamento liberto de peculiaridade individual é, ele próprio, o sujeito criador. Primeiramente, estes atos do pensamento, enquanto pertencentes à história, surgem como fatos do passado e para além da nossa existência real. Na realidade, porém, tudo o que somos, somo-lo por obra da história; ou, para falar com maior exatidão, do mesmo modo que na história do pensamento o passado é apenas uma parte, assim no presente, o que possuímos de modo permanente está inseparavelmente ligado com o fato da nossa existência histórica. O patrimônio da razão autoconsciente que nos pertence não surgiu sem preparação, nem cresceu só do solo atual, mas é característica de tal patrimônio o ser herança e, mais propriamente, resultado do trabalho de todas as gerações precedentes do gênero humano.

*Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831). “Introdução à História da Filosofia” (28.10.1816), p.321. Os Pensadores (Hegel). Editora Abril Cultural, 1985.

Entrevista | Francesca Albanese: Resposta global à guerra Israel-Hamas é repugnante, diz relatora da ONU

Mayara Paixão / Folha de S. Paulo

Francesca Albanese afirma que facção terrorista cometeu crimes injustificáveis, mas critica resposta de Tel Aviv

Francesca Albanese, 46, enfrenta o período mais crítico de seu trabalho desde que, há um ano e meio, assumiu a liderança da relatoria especial da ONU para os territórios palestinos ocupados, cargo criado em 1993 pelo Comitê de Direitos Humanos da organização.

Desde que eclodiu a guerra entre Israel e Hamas, em 7 de outubro, a italiana condena de maneira enfática o que chama de crimes de guerra cometidos pela facção terrorista, ao mesmo tempo em que critica as ações de Israel e defende os direitos de civis palestinos.

Albanese tem clamado por um cessar-fogo imediato e afirma, nesta entrevista, que a comunidade internacional, cujas ações descreve em termos como "repugnantes" e "cínicas", tem falhado.

A relatora diz que a guerra trouxe à tona o antissemitismo e a islamofobia. E diz que a ocupação dos territórios palestinos, que chama de um movimento colonizador feito por Israel, agride os dois povos. "A colonização de povoamento aprisiona tanto os palestinos quanto os israelenses. Claro, com responsabilidades diferentes."

A italiana considera os ataques do Hamas, "crimes hediondos", injustificáveis. Mas dia que a resposta de Tel Aviv "vai muito além do que é razoável". A maneira como Israel age, diz, tende a fortalecer o Hamas —que, afirma, não representa todos os palestinos de Gaza.

Em quais termos descreve os ataques do Hamas em 7 de outubro?

Fernando Gabeira - Desumano, demasiadamente desumano

O Globo

É possível demonstrar empatia pelo sofrimento do povo palestino e condenar com firmeza ataques terroristas

Quando acontecem as tragédias, policiais, ecológicas ou políticas, os jornalistas reportam, fotografam e comentam. Aparentemente, voltam para casa e se preparam para novos acontecimentos. Mas não é isso que experimentamos na vida real. As tragédias impactam nosso cotidiano, nosso inconsciente, nosso lazer e o próprio sono.

Foi assim que aconteceu comigo depois de entrar no Carandiru, após o massacre, depois de fotografar os mortos de Vigário Geral, acompanhados de uma vela solitária. Foi assim também depois de cobrir os desastres em Mariana e Brumadinho.

O ataque terrorista do sábado, 7 de outubro, em Israel, apesar da distância, amargou minhas férias anuais, que começariam na segunda-feira. Muita tristeza e desolação. Dizem que ficamos mais sentimentais com a idade. Mas o massacre de famílias israelenses e jovens que dançavam numa rave, além de tudo, acentuou meu sentimento de frustração e impotência diante de um conflito que parece não ter fim.

A resposta para isso é o bombardeio de Gaza, invasão armada e morte de civis. São acontecimentos que abalam a crença no ser humano. Em 50 anos de vida política, acompanho o que se passa no Oriente Médio com uma esperança de que a solução de dois Estados, Israel e Palestina, acabe triunfando e estabeleça a paz e a cooperação entre os dois vizinhos.

Demétrio Magnoli - Israel, depois de Netanyahu

O Globo

Não há saída fora da política

Num só dia, o dia do terror, desmanchou-se no ar o conceito estratégico que norteou os governos israelenses de Netanyahu desde 2009. A ilusão da segurança sem paz foi destroçada pela maior carnificina da história do Estado judeu. Agora, Israel definiu o objetivo de desmantelar militarmente o Hamas. É outra ilusão: não há saída fora da política.

A segurança sem paz apoiou-se sobre três pilares. O primeiro, militar, materializado no rígido controle das fronteiras da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, esfarelou-se em poucas horas. O segundo, político, baseado no estímulo à divisão dos palestinos em governos rivais, destinava-se a enfraquecer a Autoridade Palestina e a justificar a sabotagem permanente de negociações de paz. No fim, acabou nutrindo o terrorismo do Hamas.

O terceiro pilar, diplomático, representado pelos Acordos de Abraão, de reconhecimento mútuo entre Israel e os países árabes, seria coroado pelo acordo com a Arábia Saudita. A finalidade era congelar, para sempre, a questão dos direitos nacionais palestinos. A guerra em curso desenrola-se entre as ruínas do edifício estratégico erguido por Netanyahu — e sobre os escombros políticos do governo de Netanyahu.

Ligia Bahia* - Vias tortas do debate sobre plasma

O Globo

Venda de sangue foi polêmica. Houve gente que enriqueceu e quem tenha se dedicado a teorizar sobre sua natureza mercantil

Manter um suprimento adequado de sangue e plasma para pacientes que necessitam de transfusão ou hemoderivados — garantindo o uso adequado e a segurança dos produtos, bem como a prevenção da transmissão de doenças infecciosas — está entre as principais preocupações das autoridades nacionais de saúde e instituições internacionais.

Todo ano, milhões de pacientes recebem transfusões de sangue, componentes sanguíneos ou derivados do plasma para melhorar sua qualidade de vida e sobrevivência. O Brasil tem uma legislação adequada e conta com hemocentros responsáveis pela doação de sangue e medula óssea.

Valores solidários e o modelo de organização do sistema de sangue nacional são compatíveis com países desenvolvidos e recomendações da OMS. Decisões de superar um passado quando se comercializava sangue foram tomadas devido à contaminação de milhares de pessoas e acúmulo de evidências sobre a correlação entre venda, pobreza e infecções que poderiam ser evitadas. O pagamento da doação conforma um ciclo que desestimula atos voluntários e solidários, essenciais para assegurar estoques, inclusive de tipos sanguíneos mais raros.

Bruno Carazza* - Sobre baleias e tubarões, super-ricos pobres

Valor Econômico

Livro sobre desigualdade expõe desafio da tributação dos mais ricos no Brasil

Mineiro como sou, nunca tive a sorte de ver uma baleia de verdade na minha frente. Por isso não consigo imaginar um animal que pode atingir os 30 metros de comprimento, mais de 17 vezes a altura de uma pessoa comum.

A discrepância entre as dimensões de uma baleia-azul e um ser humano é uma alegoria utilizada pelo sociólogo Marcelo Medeiros para ilustrar a diferença entre um brasileiro mediano e aqueles que ocupam o topo da cadeia alimentar da distribuição de renda em nosso país.

No recém-lançado “Os Ricos e os Pobres: o Brasil e a desigualdade”, o pesquisador do Ipea e atual professor na Columbia University recorre a diversas imagens para ilustrar aquilo que, para mim, os números já demonstram com eloquência acachapante.

Sergio Lamucci - A importância de focar o ajuste fiscal pelo lado do gasto

Valor Econômico

Um ajuste só pelo lado da receita não será bem-sucedido, e já há sinais importantes de que essa opção é inviável

A meta do governo federal de zerar o déficit primário da União em 2024 é vista como uma possibilidade remota, dependendo da obtenção de um volume de receitas adicionais de R$ 168,5 bilhões, muito difíceis de serem alcançadas. Para que o alvo seja cumprido, ou pelo menos não fique tão distante, o governo terá de mirar também no gasto, a principal fonte de problemas das contas públicas do país. As despesas são muito elevadas e excessivamente rígidas, marcadas por gastos de baixa eficiência, que pouco ou nada contribuem para aumentar a capacidade de crescimento do país a taxas mais altas.

Para tentar cumprir a meta de déficit zero, é provável que o governo anuncie um bloqueio de gastos no começo de 2024, recorrendo ao chamado contingenciamento de despesas. Mais do que usar esse expediente, porém, é importante que o Executivo trace uma estratégia para combater estruturalmente a expansão dos gastos obrigatórios e reduzir subsídios.

José-Francisco L. Gonçalves* - Oferta e demanda

Valor Econômico

Se vai dar Biden, Trump ou coisa pior, a fragilidade da política americana para lidar com a situação é evidente

O nível atingido pelos rendimentos dos Treasuries de prazos mais longos nos meses recentes, assim como a velocidade em que isso se deu, tem assustado os analistas, participantes do mercado e bancos centrais.

Com razão.

Com mais razão ainda os governos, pois a alta do custo da dívida pública adiciona pressão sobre a política fiscal. Aqui a primeira observação.

As frustrações com a administração Biden, em que pese a natureza progressista e criativa de suas medidas “anti-inflação”, os desdobramentos da pandemia sobre o mercado de trabalho ainda afligem a população com impactos políticos relevantes. Como era esperado, não há como promover uma transição na economia sem que se saiba bem onde se pretende chegar.

Ngaire Woods* - Cooperação ou crise

Valor Econômico

Estamos novamente numa era de incerteza e debate sobre a estrutura da economia política global

Lideranças mundiais que participaram das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial em Marrakech na semana passada tinham decisões difíceis a tomar.

Para começar, várias economias em desenvolvimento - entre elas Egito, Etiópia, Gana, Quênia, Paquistão, Sri Lanka, Tunísia, Ucrânia e Zâmbia - estão à beira da inadimplência ou já entraram em inadimplência. Enquanto isso, o relatório climático recente de “balanço global” das Nações Unidas mostra que estamos longe de atingir a meta de 1,5º Celsius para o aquecimento global.

Embora o crescimento econômico robusto possa fornecer os recursos necessários para enfrentar esses desafios, o FMI prevê lentidão global e uma luta prolongada contra a inflação. Sem cooperação internacional, os países podem ficar enredados num esforço lento, confuso e caro para gerenciar suas dívidas, combater as mudanças climáticas e estimular o crescimento.

Não é a primeira vez que o mundo enfrenta tal crise. Como o historiador econômico Martin Daunton(1) observa em seu próximo livro, “The Economic Government of the World 1933-2023”, formuladores de políticas de 66 países se reuniram na Conferência Econômica de Londres de 1933 para enfrentar desafios assustadoramente parecidos com os que encaramos hoje: dívida, protecionismo, instabilidade financeira e polarização. Com a economia mundial em queda livre e os preços das commodities caindo, a demanda por bens industriais evaporou. À medida que o desemprego crescia, aumentavam também as tensões entre as agendas políticas domésticas e as preocupações econômicas internacionais.

Moisés Naím - Um mundo sem precedentes

O Estado de S. Paulo

Previsões são feitas em geral com base no que já aconteceu. Elas falham quando há tanta coisa inédita

Neste mundo sem precedentes, mais de tudo está acontecendo, e mais rápido, e a geopolítica fragmentada e um ecossistema global abalado representam riscos existenciais à humanidade

Isso é algo novo. Nada parecido com isso jamais aconteceu. Depois do choque, da tristeza e da indignação, essa foi a reação instintiva – e correta – que muitos de nós tivemos diante da barbaridade exibida pelo Hamas.

Apesar das inúmeras tragédias que Israel sofreu em seus 75 anos de história de ataques surpresa e ataques terroristas, o país nunca sofreu um ataque de estilo militar contra sua população civil nessa escala.

As cenas que mostram terroristas assassinos andando calmamente pelas ruas e assassinando ou sequestrando indiscriminadamente suas vítimas são cruéis e sem precedentes. Nunca antes o terrorismo atingiu tão ferozmente o coração da sociedade israelense.

Carlos Pereira - Somos muitos, mas coesos no Legislativo

O Estado de S. Paulo

Na eleição, o ‘craque’ faz a diferença; mas ‘time’ que não joga coeso perde no Legislativo

A coesão partidária no Brasil tem sido muito alta. O índice de coesão (que varia de zero, quanto o partido racha ao meio, a 1, quando todos os legisladores votam da mesma forma) médio dos partidos é igual a 0,89 nesses últimos 20 anos.

O que explicaria uma coesão partidária tão alta? A princípio, partidos coesos em ambiente altamente fragmentado não faria o mínimo sentido. Afinal, a conexão eleitoral não obedece a uma lógica partidária, mas é fundamentalmente baseada nos vínculos individuais do parlamentar com o eleitor.

Identifico pelo menos três determinantes que podem explicar esse paradoxo.

Marcus André Melo - Risco de malogro da estratégia global do governo

Folha de S. Paulo

Sob Lula 3 as arenas externas e internas mudaram; o personagem principal permanece o mesmo

A escolha estratégica de Lula para o seu terceiro mandato foi delegar poderes no plano da política doméstica e focar a política externa onde estariam "as frutas fáceis de colher". Como afirmei aqui. Como evoluiu esta estratégia ao longo de quase um ano? Há dois aspectos a considerar. O primeiro é que o ambiente internacional sofreu um duplo choque —a Guerra da Ucrânia e agora o ataque terrorista do Hamas. O segundo estava escrito na pedra: a montagem da coalizão legislativa pelo Executivo hiperminoritário foi marcada por vicissitudes, produzindo uma maioria congressual frouxamente articulada.

A prioridade estratégica de Lula é entrar para a história como estadista de primeira linha, recuperando sua conspurcada reputação. Mas os benefícios potenciais que resultam do papel da Amazônia na agenda ambiental global —os frutos fáceis de colher— não compensaram os custos reputacionais causados pelas declarações de Lula em relação à Guerra da Ucrânia, e que acabaram levando o governo a voltar atrás na postura que vinha adotando. O que foi reforçado pela posição de lideranças regionais, à frente Boric, ameaçando a liderança ideológica no campo da esquerda. A resposta inicial ao ataque do Hamas foi mais cautelosa, mas o risco é ainda maior. Quem não lembra o episódio do "anão diplomático"?

Camila Rocha - Guerra nas redes sociais não é a mesma, e influenciadores podem ter papel decisivo

Folha de S. Paulo

Desprovida de maior substância, política se reduz a um mero teatro para atacar oponentes

A guerra vista pelas redes sociais não é a mesma guerra narrada pela mídia tradicional. Como aponta Jason Farago, a enxurrada de imagens fragmentadas que inundam as redes muitas vezes ignora qualquer cronologia dos acontecimentos e pode ser utilizada para as mais diversas finalidades políticas.

Em meio a tal emaranhado de "conteúdos", o papel de influenciadores pode ser decisivo. De acordo com um estudo realizado pelos pesquisadores Darian Harff e Desirée Schmuck em 2023, influenciadores podem transmitir notícias de forma mais rápida, didática e compreensível em comparação com o que é veiculado na mídia tradicional. Isso pode afetar positivamente pessoas mais jovens, por exemplo. Afinal, a percepção de possuir maior competência para compreender assuntos distantes e complexos, como uma guerra em um país distante, pode desencadear maior interesse por temas políticos, sobretudo quando há um vínculo mais forte com o influenciador em questão.

Ana Cristina Rosa - O simbolismo da mira na cabeça

Folha de S. Paulo

Há algo metafórico em destruir o crânio de uma pessoa

Desde o assassinato de Mãe Bernadete Pacífico –coordenadora nacional da articulação de quilombos (Conaq) executada na Bahia há dois meses, no dia 17 de agosto, com mais de uma dezena de tiros na face– volta e meia me pego a pensar no simbolismo embutido em mirar na cabeça.

Em 2017, a ialorixá teve um filho executado com a mesma tática por defender direitos de regularização fundiária das terras tradicionalmente ocupadas por 350 famílias descendentes de escravizados que constituem o Quilombo Pitanga dos Palmares, área que entrou na mira da especulação imobiliária.

Bia Braune - Ao explorar os mundos invisíveis de Italo Calvino, todo leitor é Marco Polo

Folha de S. Paulo

Até hoje, me lembro do nosso encontro: uma capa discreta indagando 'Se um Viajante numa Noite de Inverno'

De onde me encontro, consigo contemplar todo o meu império. São reinos, países, aldeias e povoados. Milhares de quilômetros contidos numa prateleira que vai de fora a fora, atravessando cidades invisíveis e dicionários de italiano.

À moda do imperador Kublai Kahn, meu trono é a poltrona mais confortável da casa. Daqui sou capaz de explorar, tal como o enviado especial Marco Polo, todos os rincões do meu escritor favorito. Basta procurar os diminutos rabiscos que fiz em suas páginas. Cada "x" indicando um tesouro.

Neste centenário de Italo Calvino, busco também a mim mesma do passado que sinalizou, a lápis, o que precisaria ser relido sempre ("às vezes a gente se imagina incompleto e é apenas jovem"). Ou revistado, feito parentes.

Gente fantástica, como o barão que subiu às árvores para jamais descer; o cavaleiro que não existe, mas filosofa dentro da armadura vazia; o visconde partido ao meio, mas que colado de novo não fica nem bom nem mau.

Sem esquecer meu agregado pré-Big Bang: o cosmicômico Qfwfq, que mantém com outras partículas do universo o vício em apostas. "No dia 8 de fevereiro de 1926, na Rua Garibaldi, nº 18, a senhorita Giuseppina Pensotti, de 22 anos, sai de casa às 5h45 da tarde e segue para a esquerda ou para a direita?"

O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões

Erradicar analfabetismo é prioridade

O Globo

É vergonhoso que mais da metade dos alunos até o 2º ano da rede pública não saiba ler nem escrever

O Brasil tem fracassado no desafio educacional mais simples e relevante: ensinar as crianças a ler e a escrever. Entre 2019 e 2021, a parcela alfabetizada dos alunos da rede pública diminuiu a ponto de os não alfabetizados se tornarem maioria entre os alunos matriculados no 2º ano do ensino fundamental — etapa em que todas as crianças deveriam estar alfabetizadas.

Em 2019, 60,3% dos estudantes pesquisados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) sabiam ler e escrever o básico. A proporção retrocedeu em 2021 para 43,6%, uma queda vertiginosa de 16,7 pontos percentuais. Levantamento conjunto feito por Itaú Social, Fundação Lemann e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) constatou que 40% dos alunos tinham dificuldades de aprendizado e que 11% enfrentavam dificuldades em leitura e escrita incompatíveis com a série em que estavam matriculados.

Poesia | Graziela Melo – Bruxas e cinderelas

Tristes

sonhos

me fustigam

por longas

noites

a fio...

lembranças

de desditas

já passadas,

temores

de

horizonte

mais sombrio!!!

Música | Grupo O Choro é Livre - Se acaso você chegasse (Lupicinio Rodrigues)

 

domingo, 15 de outubro de 2023

Dorrit Harazim - O ardil

O Globo

O terror não precisa sequer vencer o inimigo, basta humilhá-lo por meio do horror, impotência e desespero

Em tempos de precipício, alguma clareza ajuda: não pode haver espaço para relativizar a barbárie do terrorismo islâmico. Ela é absoluta e implacável. Nosso compasso humano não precisa saber se os bebês judeus foram degolados, carbonizados ou fuzilados pelos atacantes para nos situar como humanos.

De início, a matança espetaculosa desencadeada pelo Hamas contra Israel na manhã do último dia 7 não conseguiu desencadear uma guerra com mais atores. Foi, essencialmente, um atentado terrorista de crueldade máxima contra o maior número possível de judeus. Planejado e executado com ferocidade calculada pelo Hamas (acrônimo, em árabe, de Movimento de Resistência Islâmica, a entidade controladora dos 2,3 milhões de palestinos de Gaza), o ataque conseguiu o que pretendia: aterrorizar os civis, humilhar os militares e atrair as Forças Armadas do governo de Benjamin Netanyahu para o ardil de uma invasão ao enclave palestino.

Os 36 artigos da fundação do Hamas, criado em 1987, a que foram acrescidos outros 42 elaborados em 2017, deixam tudo às claras, por escrito — a necessidade de obliteração total de Israel, o estabelecimento de um Estado palestino teocrático do Mar Mediterrâneo até o Rio Jordão, a proibição de qualquer negociação, iniciativa internacional ou proposta de acordo, a purificação de crianças pela sharia, a conformidade obrigatória à lei islâmica da idealizada nação. O futuro e solução para o povo palestino seria um só, a qualquer preço: a jihad, guerra santa.