quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Sem novo ensino médio, avanço do Enem seguirá fraco

O Globo

Governadores devem acompanhar implementação das mudanças para que tenham chance maior de sucesso

É boa notícia o aumento de 3 pontos na média do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024 em relação ao ano anterior. Melhor ainda é a constatação de que as notas em todas as áreas foram superiores às registradas em 2019, antes da pandemia do novo coronavírus. Outro ponto positivo foi o aumento no número de participantes. No ano passado, mais de 4,3 milhões se inscreveram para fazer o Enem, e a presença foi de 73,5%. Em 2023, foram 3,99 milhões de inscritos, com presença de 71,9%. “É ótimo que a nota do Enem tenha aumentado mesmo com a ampliação do número de estudantes”, diz a presidente executiva da ONG Todos Pela Educação, Priscila Cruz. “Muitos são jovens que não tinham no horizonte fazer o Enem ou entrar para uma universidade. Isso só reforça a importância do aumento da nota”.

A comunicação enquanto política - Vera Magalhães

O Globo

Governo precisa é de uma mudança mais ampla, que aumente sua base social para além dos convertidos 

De que forma o anúncio da guinada de política de moderação de conteúdo feita por um gigante como a Meta e a troca da guarda no comando da comunicação do governo Lula se conectam neste tenso início de ano, e o que a prevalência desses assuntos demonstra?

A resposta parece ser que, de qualquer ângulo que se olhe, as mudanças vertiginosas na comunicação e seu impacto imediato na vida de pessoas, sociedades e países são a grande moeda política e econômica dos tempos que vivemos.

A mudança feita por Lula na Secom parece até pueril diante do potencial de estrago causado pela demonstração, a partir do anúncio feito por Mark Zuckerberg, de que agora vale tudo para que as chamadas big techs se alinhem ao Zeitgeist da volta de Donald Trump ao poder, apesar de tudo o que perpetrou em seu primeiro mandato e depois que foi derrotado.

O verdadeiro desafio de Trump – Elio Gaspari

O Globo

Na segunda-feira Donald Trump assumirá pela segunda vez a Presidência dos Estados Unidos, na crista de uma espetacular vitória eleitoral. Desde novembro, no seu estilo teatral, ameaçou anexar o Canadá, ocupar a Groenlândia e retomar o Canal do Panamá. Tudo fumaça. Trump tem uma queda por fantasias. Ora assusta os americanos dizendo que os imigrantes comerão seus cachorrinhos, ora tenta assustar o mundo, insinuando que usará a força militar para respaldar seus delírios expansionistas.

Faz tempo, aconselhando Bill Clinton, o marqueteiro James Carville fulminou:

— É a economia, estúpido.

Trump assumirá uma semana depois de a China ter revelado que fechou 2024 com um superávit comercial de US$ 990 bilhões. Esse resultado surpreendeu o mundo.

As indústrias chinesas conseguiram uma coisa parecida com o desempenho dos Estados Unidos nos anos seguintes à Segunda Guerra, quando a Europa estava arruinada. Panamá? Groenlândia? Canadá? Imigrantes? Nada disso, é a China, bobão.

A ameaça de Trump à democracia dos EUA - Martin Wolf

Valor Econômico

Devemos esperar que o povo americano não abandone levianamente as tradições iluministas de seu país

A democracia dos Estados Unidos sobreviverá à segunda presidência de Donald Trump? Esta não é uma questão teórica. É evidente que Trump está seguindo um roteiro conhecido para transformar uma democracia liberal em uma não liberal. Este último, é um eufemismo para uma ditadura - um regime em que as decisões se baseiam na vontade de uma pessoa, amplamente livre de prestação de contas a qualquer outra.

Em “The Spirit of Democracy”, Larry Diamond, da Universidade Stanford, afirma que uma democracia liberal consiste em eleições livres e justas, proteção dos direitos civis e humanos de todos os cidadãos igualmente, e um Estado de Direito que une todos os cidadãos igualmente. Essas, então, são as “regras do jogo”. Mas a eficácia dessas regras depende de restrições sobre aqueles que controlam temporariamente o Estado. As restrições mais importantes são o Judiciário, os partidos políticos, as burocracias e a imprensa. A questão é se elas se manterão, primeiro enquanto Trump for presidente e depois no longo prazo.

Êxito – Roberto DaMatta

O Globo

Em ‘Ainda estou aqui’, agentes da ditadura absurdamente promovem insegurança e desarmonia um lar

Numa aldeia, todo mundo é famoso

(Erving Goffman)

É um desfecho venturoso de um ato ou obra. O êxito assegura a existência da felicidade e produz momento de gratidão pela existência.

— A vida presta — ponderou sabiamente uma exitosa Fernanda Torres.

As lágrimas do êxito vão para o céu e são o avesso dos pranto amargo das injustiças e dos infortúnios que obrigam a engoli-las.

Uma explosão de êxito foi o que vi no agradecimento de Fernanda Torres ao receber o Globo de Ouro de melhor atriz no filme “Ainda estou aqui” — um drama revelador de eventos morais e políticos marcados pela coragem e determinação de Eunice Paiva, uma mulher que teve a vida contada num livro comovente do filho, Marcelo Rubens Paiva, cujo talento como autor eu admiro.

A explosão exprime uma vitória patente e — como diria Nélson Rodrigues — insofismável da cinematografia do Brasil como uma arte fundamental de universalização de fábulas e estórias que constituem o coração e a alma da cultura do país. São essas articulações — com início, meio e fim — da ficção que traduzem para o outro, e para cada um de nós, a sociedade com seus dilemas e singularidades.

Começou a campanha para o Lula 4 - Nilson Teixeira

Valor Econômico

Ambiente exigirá a construção pelo governo de uma agenda com apelo não apenas para os eleitores de esquerda, mas também para aqueles que se associam ao centro e, no limite, à centro-direita

Políticos dificilmente se satisfazem com um único mandato, buscando quase sempre ampliar sua influência e alcançar cargos mais altos. Mesmo quando eleitos com o discurso de busca de apenas um exercício, a maioria dos ocupantes de cargos eletivos muda de ideia e termina por pleitear a reeleição. As justificativas são variadas, sendo a mais frequente o desejo de completar o trabalho ainda não concluído. O presidente Lula é um exemplo. A menos que haja contratempos de saúde, Lula buscará a reeleição, mesmo tendo sugerido que o seu terceiro mandato poderia ser o último.

Uma das razões da vitória de Lula sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro na eleição de 2022 foi a crença de que sua escolha afastaria o risco de instalação de um regime autoritário de direita. Apesar de possivelmente fazer parte da campanha de 2026, essa plataforma não parece capaz de ser o fio condutor da reeleição, mesmo com a alegação de que alguns membros do governo passado agiram de forma incompatível com o regime democrático.

O benefício para Lula de ser o candidato incumbente não parece mais tão determinante, dada a marcante divisão da sociedade entre esquerda, centro e direita a partir da eleição de Bolsonaro em 2018. O ex-presidente foi capaz de agregar politicamente a pauta conservadora, já disseminada com a proliferação de igrejas evangélicas. A campanha eleitoral no município de São Paulo em 2024 também comprovou que um candidato com perfil mais à direita tem um percentual elevado de eleitores, o que dificulta o sucesso de um postulante de esquerda, mesmo com Lula sendo o incumbente.

Entre ruídos, os sinais da equipe econômica - Fernando Exman

Valor Econômico

Equipe econômica quer deixar claro que cumprimento do arcabouço fiscal está sendo trabalhado

Têm sido frequentes, como de costume, os contatos de integrantes da equipe econômica e da cúpula do PT com agentes do mercado neste início de janeiro. Parte considerável do esforço deles nessas conversas é assegurar que decantem algumas mensagens sobre os rumos da política fiscal, em meio a um volume relevante de questionamentos sobre a solidez das contas públicas.

Nas entrelinhas, capta-se a preocupação de interlocutores do mercado com um eventual arroubo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em outras palavras, que ele possa adotar medidas populistas para acelerar a atividade de uma economia já considerada sobreaquecida, se estiver insatisfeito com sua taxa de popularidade. O ano de 2025 é estratégico para a permanência do partido na Presidência.

Maduro expõe fissuras na esquerda - Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Lula percebeu o quanto sua defesa de ditadores esquerdistas favorecia os seus adversários

Em algum momento do semestre passado, Lula percebeu o quanto sua constante defesa de ditadores de esquerda, seu negacionismo diante do desmonte acelerado de instituições democráticas liderado por aliados de esquerda e sua complacência com violações de direitos humanos em países "resistentes ao imperialismo" favoreciam seus adversários.

Adotou, então, uma postura mais cautelosa: distanciou-se de Daniel Ortega, evitou ungir Nicolás Maduro em sua autoproclamada vitória e até endossou a pressão internacional para que fossem apresentadas as atas eleitorais venezuelanas. Pelo que se conhece de Lula, esse esforço de autocontenção não deve ter sido fácil.

Importa se Lula é sincero sobre à Venezuela? - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Mesmo que distanciamento tenha motivação populista, nova posição é melhor que a anterior

Minha coluna desta segunda-feira (13), sobre o afastamento de Lula em relação a ditaduras de esquerda, dividiu os leitores. Parte deles acha que o presidente, movido pelo populismo, apenas finge distanciar-se de Maduro. Em seu íntimo, ele continuaria tão bolivariano quanto antes.

É decerto possível analisar motivações. Mas, neste caso, como veremos mais adiante, não penso que faça tanta diferença. Comecemos, porém, pelo começo. Um pensador que dava grande ênfase a motivações era Kant.

O Congresso e os R$ 80 milhões por dia - Ranier Bragon

Folha de S. Paulo

Congresso troca o comando no dia 1º, mas sem sinal de rever a fantástica fábrica de imprimir dinheiro

Em 1º de fevereiro o comando do Congresso será trocado e muito provavelmente Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) vão assumir as cadeiras de presidente da Câmara e do Senado, respectivamente.

Toda renovação pressupõe alguma esperança de mudança, mas sempre há exceções.

Motta deve ser o mais jovem presidente da Câmara da história —ele tem 35 anos—, mas já está em seu quarto mandato na Câmara e chega ao cargo pelas mãos de Arthur Lira (PP-AL), o atual ocupante do posto. Alcolumbre volta ao cargo que ocupou de 2019 a 2021 e após emplacar em seu lugar o hoje presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Há 40 anos Tancredo Neves vencia o regime de exceção - Aécio Neves

Folha de S. Paulo

Hoje, com o ódio e a violência dominando a política, é impossível não pensar em passagem da vida do estadista que se confundem com a história do país

Em um 15 de janeiro como este, há exatos 40 anos, encerrava-se o ciclo de 21 anos de ditadura militar com a eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral.

Ao lado de outros companheiros e de milhões de brasileiros, Tancredo venceu o regime de exceção usando as armas da democracia, cerzindo com sabedoria e paciência as oportunidades de avanço pelas frestas da ditadura imposta ao país.

"Acabou o ciclo autoritário; Tancredo é o 1º presidente civil e de oposição desde 64", foi a manchete da Folha no dia seguinte.

Nas ruas, a emoção explodia de todas as formas. O Brasil parecia acordar de um longo pesadelo e se reconciliava consigo mesmo. Trago ainda viva na minha memória a imagem de Cazuza no primeiro Rock in Rio cantando "Pro dia nascer feliz" com a bandeira do Brasil nas costas.

Missão de Sidônio é alavancar a liderança moral – Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Essa foi a primeira troca da reforma ministerial que está sendo maturada no Palácio do Planalto. Lula depende de uma imagem positiva para não se tornar refém do Congresso

O publicitário Sidônio Palmeira, marqueiro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assumiu a Secretaria de Comunicação Social do Palácio do Planalto com a tarefa não apenas de gerenciar a imagem presidencial sem intermediários, mas, também, de alavancar a popularidade governo. Não será fácil. Mas, agora, o desafio está nas mãos de um profissional bem-sucedido do marketing político e não de um político profissional, o ex-ministro Paulo Pimenta, que volta à Câmara para exercer seu mandato de deputado federal.

Publicitário, Sidônio tomou posse, nesta terça-feira, em solenidade das mais concorridas do Palácio do Planalto, porém sem a presença expressiva da bancada do PT na Câmara, que perdeu uma posição importante no governo. A fala de despedida de Pimenta contrastou com o discurso de posse de Sidônio. Enquanto o ex-ministro fez um longo discurso falando de sua trajetória de "petista raiz" e aliado incondicional de Lula, Sidônio — como é chamado no meio publicitário — deixou claro que não tem filiação partidária e que vai cuidar de todo o governo, cujo "bom trabalho" não estaria sendo devidamente percebido pela população.

Eles continuam aqui - Cristovam Buarque*

Correio Braziliense

Militares ainda têm sintonia com aqueles que sequestraram Rubens Paiva. Mais ameaçador que isso, a maioria dos parlamentares não parece ter sintonia com os líderes que lutaram contra a ditadura

No evento para lembrar o 8 de janeiro, o presidente Lula disse "nós, democratas, ainda estamos aqui", mas depois de 40 anos de democracia, eles, os golpistas, também estão aqui: tanto militares que ameaçam de fora, quanto civis que enfraquecem a democracia por dentro. Apesar de nada ter a ver com os crimes do passado, a atual geração de militares ainda tem sintonia com aqueles que sequestraram Rubens Paiva. Mais ameaçador que isso, a maioria dos parlamentares não parece ter sintonia com os líderes que lutaram contra a ditadura desejando construir um futuro democrático para o país, os parlamentares de hoje apodrecem a democracia.

40 anos de redemocratização: A vida numa conversa - André Gustavo Stumpf

Correio Braziliense

Tancredo Neves, depois de eleito, deu uma volta ao mundo para se mostrar como o novo presidente do Brasil. Parou em Washington. Conversei com ele longamente na Embaixada do Brasil

Quarenta anos passaram muito rapidamente e, neste período, o país mudou bastante. Na época, não havia internet nem telefone celular. Os jornalistas eram obrigados a conversar pessoalmente com suas fontes, frequentar almoços, jantares e, não raro, café da manhã para saber das novidades, que ocorriam com velocidade alucinante. O regime militar estava desmoronando, com inflação elevadíssima, o presidente João Figueiredo fora de combate, depois que operou o coração, e o poder estava nas mãos do chefe da Casa Civil, Leitão de Abreu. O equilíbrio político era muito precário.

A política estava nas ruas desde 1984, quando a campanha em favor das eleições Diretas Já incendiou o país. A emenda do deputado Dante de Oliveira pretendia que as eleições para presidente da República fossem realizadas, de maneira direta, naquele ano. O Congresso não aprovou a medida. Mas a mobilização continuou em todo o país. A resposta do governo foi convocar o Colégio Eleitoral, que era constituído por membros do Congresso Nacional mais representantes dos estados. Foi a maneira imaginada para controlar a eleição. Não deu certo.

Poesia | Testamento do homem sensato, de Carlos Pena Filho

 

Música | Marisa Monte - Segue o seco

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Democracia exige vigília permanente

Correio Braziliense

Não se pode esmorecer na defesa da democracia. E mais: o combate efetivo ao autoritarismo passa obrigatoriamente pelos campos digitais

Considerada um dos marcos da redemocratização do Brasil, a eleição indireta de Tancredo Neves para a Presidência da República completa 40 anos em um momento em que o apelo feito por ele pela manutenção da vigilância democrática faz todo o sentido. "Não vamos nos dispersar. Continuemos reunidos, como nas praças públicas, com a mesma emoção, a mesma dignidade e a mesma decisão", convocou o político mineiro, em 15 de janeiro de 1985, após receber 480 votos do Colégio Eleitoral, contra os 180 concedidos a Paulo Maluf. 

Nada tão atual. A revelação, por parte da Polícia Federal (PF), de uma meticulosa trama golpista costurada durante o governo Jair Bolsonaro para mantê-lo no poder é a prova de que não se pode esmorecer na defesa da democracia. E mais: o combate efetivo ao autoritarismo passa obrigatoriamente pelos campos digitais.

A investigação da PF mostra que, desde o primeiro ano do governo, existia um núcleo dedicado a produzir, divulgar e amplificar notícias que construíssem um ambiente que favorecesse a ruptura democrática. E as redes sociais foram o principal canal de escoamento dessa estratégia. 

Guerra à vista - Merval Pereira

O Globo

A partir do momento em que o Brasil tiver uma regulamentação, como a União Europeia já tem, a Meta terá de lhe obedecer

A discussão do artigo 19 do Marco Civil da Internet no Supremo Tribunal Federal (STF) aborda a responsabilidade das redes sociais sobre as notícias que divulgam e, entre os especialistas, a conhecida como “notice and take down” parece ser a melhor forma de lidar com a questão. Nela, a rede passa a ser responsável perante a Justiça no momento em que recebe uma notificação sobre um post e decide se o tira do ar ou se o mantém por considerar que a notificação não se justifica. Isso nada tem de censura, e sim de responsabilização.

Qualquer empresa tem de obedecer à legislação existente no país onde opera. Como o Brasil tem uma legislação superada com a evolução das plataformas digitais, o Supremo Tribunal Federal (STF) acaba definindo as ações nesse sentido. O ideal seria que o Congresso legislasse sobre isso, mas, como a maioria lá é contra a regulamentação, acha que é preciso uma liberdade total, quem vai ter de decidir é o STF. A partir do momento em que o Brasil tiver uma regulamentação, como a União Europeia já tem, a Meta terá de lhe obedecer; e se a nossa lei obrigar uma moderação, a Meta terá de fazê-la, e essa discussão acaba.

Quatro livros de economia que ainda ditam o curso da humanidade - Pedro Cafardo

Valor Econômico

Reflexão sobre esses livros, feita por britânico Seymour-Smith no fim do século passado, parece atual por causa de sua capacidade de influenciar a economia e proporcionar bem-estar às pessoas

Quais livros de economia mais influenciaram a humanidade? Se a pergunta for feita a economistas, certamente teremos uma extensa lista, com obras à esquerda ou à direita, ortodoxas ou heterodoxas, marxistas ou capitalistas, conservadoras ou progressistas.

Martin Seymour-Smith, intelectual britânico que morreu em 1998, aos 70 anos, deixou um livro audacioso em que, indiretamente, responde a essa pergunta.

A obra de Seymour-Smith - “Os 100 Livros que mais Influenciaram a Humanidade”, publicada originalmente em 1998 e no Brasil em 2002 - é reconhecida pela coragem intelectual do autor para escolher e analisar os livros que mais alteraram o curso da civilização. Com rara habilidade e vasto conhecimento, Seymour-Smith discorre sobre cada um dos cem que considera mais importantes, desde a Bíblia, o Corão, A Ilíada e a Odisseia, a Teoria da Relatividade, “O Príncipe” etc.

Na questão fiscal, vale o que está escrito – Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Lula não precisou adotar uma dura política recessiva no primeiro ano de governo, porém se comprometeu com limites de gastos, arrecadação e endividamento do arcabouço fiscal

No mundo dos negócios, como nas relações pessoais, credibilidade é fundamental. Esse é o xis da questão quando se compara os indicadores positivos da economia, como o crescimento do PIB, a queda do desemprego, os aumentos da renda média e do salário real, com o ambiente de incerteza que tomou conta do mercado. O governo está diante de uma sinuca de bico: cortar os gastos públicos ou ver a inflação comer a renda de milhões de brasileiros, principalmente dos assalariados que saíram da faixa de pobreza e correm o risco de voltar.

Lula foi eleito com uma narrativa de campanha contra o teto de gastos, que foi substituído por novas regras e diretrizes para as finanças públicas. De comum acordo com o Congresso, deu o pulo do gato e evitou um colapso fiscal no final do mandato de Bolsonaro. Com isso, não precisou adotar uma dura política recessiva no primeiro ano de governo. Entretanto, se comprometeu com os limites e as prioridades de gastos, arrecadação e endividamento nos anos subsequentes do arcabouço.

O que deseja Zuck – Pedro Doria

O Globo

Ele está oferecendo a Trump suas plataformas para distrair o público americano

Faz uma semana que o principal acionista da MetaMark Zuckerberg, anunciou ao mundo um cavalo de pau na direção da companhia. Cai o uso de empresas de checagem de fatos, entra um sistema em que a comunidade avalia o que é confiável ou não. A moderação diminuirá, e o espaço para debates sobre política aumentará. Nesse barata-voa geral, quem leu a cobertura da imprensa brasileira possivelmente não compreendeu alguns pontos essenciais. O primeiro, e mais importante, é que estas mudanças valem em sua maioria para os Estados Unidos. Os contratos de checagem, aqui no Brasil, na América Latina, na Europa e no além-mar geral seguem de pé. Este não é um detalhe. Na verdade, para entender o que se passa na cabeça de Zuckerberg, essa é uma das peças essenciais.

Tremenda falta de opções - Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Nomes não faltam para a eleição presidencial de 2026, mas candidato para valer não tem

Os dois nomes mais naturais para uma eventual disputa presidencial sem Lula e Bolsonaro chegaram a 2025 devagar, quase parando. Fernando Haddad não sai do Planalto, de reunião em reunião para enfrentar desconfiança, crise fiscal, inflação, juros, dólar. Tarcísio de Freitas é atingido no peito todo dia pelo choro de mães e pais e pelos estilhaços de tiros mortais da ex-polícia mais eficiente do País.

Com dúvidas sobre a candidatura Lula, Bolsonaro inelegível, Haddad mais ocupado com o presente do que preocupado com o futuro e Tarcísio alvo das balas perdidas em São Paulo, 2026 se torna totalmente imprevisível, oscilando entre o ridículo e o aterrorizante.

Pela Paraná Pesquisa, quem lidera as pesquisas hoje é Ciro Gomes, atualmente no PDT, depois de uma fila de partidos, disputar três eleições presidenciais e brigar com todos e qualquer um que tenha passado pela sua frente, da esquerda à direita, até a família e o irmão Cid, seu parceiro político de vida toda. Só isso escancara a tremenda falta de opções.

Vamos discutir o Brasil - Rubens Barbosa

O Estado de S. Paulo

É quase inexistente hoje o pensamento sobre o Brasil como país, e não como palco de disputas ideológicas e partidárias

“Tinha razão aquele velho brasileiro que, escandalizado com a futilidade dos nossos debates políticos, lembrava a conveniência de, ao lado do Congresso Nacional, organizar-se uma comissão permanente de brasileiros de boa vontade, sem outra preocupação que a prosperidade e a grandeza da Pátria, para o fim de estudar e resolver os grandes problemas políticos de nossa terra. O Congresso ficaria para as parolagens inúteis, para os bate-bocas apaixonados, para as exibições teatrais (...).” Nada mais atual do que o comentário publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 23 de novembro de 1935.

Nos dias que correm, a divisão e a polarização da sociedade brasileira dificultam e influenciam a discussão e o debate sobre os múltiplos aspectos das questões nacionais. O foco de debate reproduzido pela mídia tradicional e pela mídia social reflete aspectos importantes da economia, da política, das questões sociais, das questões identitárias, as reformas estruturais, a relação entre Executivo, Legislativo e Judiciário, as questões ambientais e de mudança de clima, a violência e a corrupção. São raramente analisados os impactos relacionados com o cenário global (guerras, nacionalismo, protecionismo, geoeconomia e uso da força, inovação, inteligência artificial, entre outras) sobre a economia e a política nacionais.

Obstáculos estruturais à mobilidade social - Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

Além de proteger os vulneráveis, políticas públicas e empresariais devem voltar-se para a preparação adequada dos trabalhadores

Há um contraste entre os dados da evolução da economia e o sentimento de boa parte da população. Com vários recordes históricos, o mercado de trabalho teve desempenho particularmente positivo no ano passado. A economia deve ter crescido 3,5%, de acordo com a última projeção do Banco Central. Nesse cenário, um certo pessimismo da população aferido por algumas pesquisas parece inexplicável.

Para entender essa aparente contradição, é preciso observar outras faces da economia. A inflação estourou o limite das metas fixadas para o ano passado e preocupa as famílias. Incertezas em relação à taxa de câmbio, à política fiscal e à capacidade do governo de enfrentar um quadro internacional provavelmente mais conturbado geram desconfianças entre agentes econômicos.

Lula e PT divergem quanto a Maduro - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

É bom que o presidente esteja se afastando de ditadores de esquerda que antes apoiava

Até alguns mandatos atrás, presidentes brasileiros podiam fazer o que quisessem no campo das relações internacionais sem se preocupar com a repercussão doméstica de suas ações. O brasileiro médio não dava a mínima para a política internacional. O jogo mudou.

A polarização transformou as relações externas em mais um campo de batalha das guerras culturais. Hoje dá para inferir o posicionamento político de um cidadão –e até em quem ele vai votar na próxima eleição presidencial-- perguntando-lhe só o que ele acha da Venezuela e das guerras na Ucrânia e em Gaza.

Verdades inconvenientes ao PT – Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Revisão histórica na galeria dos presidentes contaria o que Lula não quer ouvir

Não vai acontecer. A história na galeria dos presidentes da República no Palácio do Planalto não será reescrita como propôs Lula no afã de se comunicar mais e sobre qualquer tema.

Seria a contratação de um caso complicado no âmbito das notícias falsas que o governo se dispõe a combater com vigor em decorrência da nova orientação da Meta sobre moderação de postagens em suas plataformas.

Isso o novo guardião da comunicação oficial, Sidônio Palmeira, não poderia permitir, sob pena de queimar na largada a eficácia de suas funções.

O receio do Pix e fake news? - Joel Pinheiro da Fonseca

Folha de S. Paulo

Quando o alvo é Lula, propor a supressão de parte do discurso da oposição é quase sinônimo de lutar pela democracia

Ainda é difícil quantificar o dano que a polêmica do Pix causará à popularidade do governo Lula. A repercussão negativa tomou o Brasil. Nas redes, nos táxis, nas Redações; onde você vai, encontra alguém preocupado com o Pix; muitos já preferem negociar em dinheiro.

Defensores do governo atribuem esse receio às fake news. Se ao menos as redes —e, imagino, o WhatsApp— fossem severamente regulamentados, a mentira de que o governo criou uma taxa do Pix teria morrido no berço. As plataformas seriam obrigadas a deletar os posts com erros sobre a instrução da Receita.

O apagamento da memória - Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Governador do Rio repete Milei como farsa ao desprezar arquivos da ditadura

pós-verdade está aí, quase palpável. Mas é bom dar uma força. Fechar institutos de memória, demitir pesquisadores, extraviar, deixar apodrecer e destruir documentos é método eficaz para engendrar uma nova versão dos fatos, mesmo que estes, em sua maioria, pareçam falsos e absurdos. No galpão das narrativas há sempre quem os compre e espalhe. Afinal, Hitler era comunista, garante Alice Weidel, líder do partido de extrema direita alemão apoiado por Elon Musk.

Poesia | Elegia 1938, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Paulinho da Viola - Foi um rio que passou em minha vida

 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Crime organizado na Amazônia impõe reação imediata

O Globo

Apreensões feitas pela Polícia Federal na região indicam atuação cada vez maior de quadrilhas

A conjugação de altos rendimentos com nenhum risco de maiores punições provoca uma corrida do crime organizado para a exploração de atividades ilegais na Amazônia, na exploração de ouro, madeira, caça e pesca. Além do evidente reforço na vigilância e repressão, com uma coordenação entre instituições locais e federais, é preciso urgência na aprovação pelo Congresso de um Projeto de Lei apresentado em outubro, com a assessoria da Polícia Federal (PF), para elevar as penas de crimes ambientais cometidos por quadrilhas.

O assassinato do jornalista inglês Dom Phillips e do indigenista e servidor licenciado da Funai Bruno Pereira, em 2022, no distante Vale do Javari, perto das perigosas fronteiras com Peru e Colômbia, chamou a atenção para a pesca ilegal no local. A atuação de grupos criminosos naquela região amazônica começou a ser retomada assim que o reforço policial foi sendo relaxado.

Quente, o ano começa quente – Fernando Gabeira -

O Globo

Trump quer anexar o Canadá, tomar o Canal do Panamá. Certamente, estará muito ocupado nos primeiros momentos

Maduro no dia 10; Trump, no dia 20. São datas diferentes de posse e eles estão longe um do outro. No entanto é possível esperar dias tensos no Sul.

Trump quer anexar o Canadá, tomar o Canal do Panamá e comprar a Groenlândia. Certamente, estará muito ocupado nos primeiros momentos. Nos discursos de campanha, ele mencionou algumas vezes a Venezuela:

— Estão nos mandando presidiários e delinquentes.

Ao que tudo indica, isentou os venezuelanos da prática de matar e comer gatos e cachorros em Springfield. Essa acusação acabou pesando contra os haitianos.

Literatura engajada brasileira – Miguel de Almeida

O Globo

Ali pelo final da ditadura militar, as bancas com livros nos corredores das universidades vinham povoadas de Trótski, Lênin e até Rosa Luxemburgo. Ou Karl Liebknecht. Como refresco, havia a redescoberta (para a minha geração) de Oswald de Andrade e a leitura silenciosa de “Poema sujo” de Ferreira Gullar. Apesar da bela sedição de ambos os poetas, havia um ar restrito e nada múltiplo para o pensamento. Mas estávamos numa guerra, e excessos podiam ser tolerados. O compromisso: abater o governo autoritário.

Nos 40 anos da redemocratização, a mais longa convivência do brasileiro com a democracia no período republicano, apesar do fétido 8 de Janeiro, no lugar de Trótski e Lênin, entrou em cena a literatura racial e de gênero de cepa nacional numa imitação calamitosa da esquerda de Nova York.

E preguiçosa: James Baldwin ou Amiri Baraka (nascido LeRoi Jones), dois autores negros de primeira linha, ícones nos inquietos 1960, não produziam títulos de espírito óbvio ou ativista. Por aqui não encontraram eco, onde a geografia ideológica se viu aparentada de algo vizinho ao grupo Panteras Negras.

Haddad se alinha com a estratégia do Banco Central - Alex Ribeiro

Valor Econômico

Na área fiscal, o ministro fez em alguns momentos mais do que se esperava, mas a percepção segue de que ele tem um mandato apenas parcial de Lula para ajustar a economia

Passou quase despercebido, mas o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reconheceu na semana passada que a economia brasileira está sobreaquecida e que será preciso desacelerar a atividade para baixar a inflação e garantir um maior equilíbrio para as contas externas do país.

A mensagem foi transmitida numa entrevista à “GloboNews” e procura responder a uma das principais inquietações dos participantes do mercado, no que diz respeito à política monetária: o receio de que, agora que o Banco Central colocou em movimento um choque na taxa básica de juros, o governo possa reagir com mais estímulos fiscais ou parafiscais assim que a economia perder fôlego.

A crise nasceu na Política e a solução deve vir da Política - Bruno Carazza

Valor Econômico

Governo Lula armou armadilha econômica que pode comprometer seus planos de reeleição

O ano começa com uma crise cuja origem é sobretudo psicológica. Afinal, é preciso reconhecer os acertos da equipe econômica, a despeito do balanço negativo que fizemos aqui nas últimas colunas de 2024. Os ministros Fernando Haddad e Simone Tebet têm consciência da gravidade da situação fiscal e buscam soluções para equacioná-la.

Correções tributárias foram implementadas e, mesmo quando perderam os embates no Congresso, conseguiram conter a sangria de recurso, como nos casos dos limites à desoneração da folha e do Perse.

Mas se a dívida pública saltou de 71,4% para 77,8% do PIB desde o início do mandato, claramente o arcabouço fiscal tem sido insuficiente. E quando o anúncio do tão aguardado “ajuste pelo lado da despesa” veio não apenas com propostas aquém do necessário, mas ainda acompanhado de sinais dúbios de compromisso da cúpula do governo com essa agenda - e, pior, do respaldo político dos ministros da Fazenda e do Planejamento - disparou-se o gatilho da desconfiança dos agentes do mercado.

Entrevista | Carlos Siqueira: Esquerda precisa de renovação, e Lula tem que acertar mais

Por Bianca Gomes / O Estado de S. Paulo

Carlos Siqueira defende Alckmin como vice em 2026 e afirma que campo progressista precisa mudar para se conectar com eleitorado evangélico

Há 10 anos na presidência do PSB e a poucos meses de passar o bastão para um sucessor — que, ao que tudo indica, será o prefeito do Recife, João Campos —, Carlos Siqueira defende a manutenção da dobradinha Lula-Alckmin em 2026. Para ele, trocar o vice não seria uma atitude de “bom senso” por parte do petista. “Nenhum presidente poderia desejar um vice melhor do que ele”, afirmou Siqueira em entrevista ao Estadão.

O dirigente partidário, que é contra antecipar as discussões eleitorais, avalia que 2025 será um ano em que o governo precisará “acertar mais do que tem acertado”. Siqueira também fez críticas à esquerda, afirmando que há insatisfação com os governos progressistas no Brasil e no mundo, o que, segundo ele, impõe a necessidade de uma autorrenovação. Para o presidente do PSB, o identitarismo com que a esquerda se apresenta precisa ser “repensado” para que o campo consiga se reconectar com o eleitorado evangélico.

Em 2026, Lula deve manter Alckmin como vice em uma eventual chapa à reeleição ou seria o momento de buscar uma renovação?

Se o presidente decidir concorrer à reeleição— e eu espero que seja o caso — não manter o Alckmin como vice não seria uma atitude de bom senso. E eu sempre considerei o presidente Lula alguém de bom senso e com a capacidade de reconhecer que um vice melhor do que o Alckmin ele não encontraria no Brasil. Alckmin é um homem que tem uma história bonita, longa, correta, além de ser um vice trabalhador e leal. O que mais se pode esperar de um vice?

O STF que o ‘Estadão’ não mostra - Luís Roberto Barroso*

O Estado de S. Paulo

É possível não gostar da Constituição e do papel que ela reservou para o Supremo. Mas criticar o tribunal por aplicar a Constituição é que não é justo

No último ano, o jornal O Estado de S. Paulo produziu mais de 40 editoriais tendo por objeto o Supremo Tribunal Federal (STF) ou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgãos que presido. Por um lado, tal fato revela a importância que o Judiciário tem na vida brasileira, seu papel na preservação da estabilidade institucional e nas conquistas da sociedade. O Brasil é o país que ostenta o maior grau de judicialização do mundo, o que revela a confiança que a população tem na Justiça. Do contrário, não recorreria a ela.

E, no entanto, praticamente todos os editoriais foram duramente críticos, com muitos adjetivos e tom raivoso. Ainda que não deliberadamente, contribuem para um ambiente de ódio institucional que se sabe bem de onde veio e onde pretendia chegar. Ao longo do período, o jornal não vislumbrou qualquer coisa positiva na atuação do STF ou do CNJ. Faz parte da vida. Parafraseando Rosa Luxemburgo, liberdade de expressão é para quem pensa diferente. Mas o que existe está nos olhos de quem vê.

As manobras de Zuckerberg e o Brasil - Diogo Schelp

O Estado de S. Paulo

Aliança de Zuckerberg com trumpismo e similares começou antes no Brasil

A eleição de Donald Trump juntou a fome coma vontade de comer de Mark Zuckerberg, CE Oda Meta. A mesma vontade, aliás, de outras big techs que resis tem às pressões para conter a disseminação dedes informação e às tentativas de regulação que enfrentam mundo afora. Leis comoa de Serviços Digitais, da União Europeia, em vigor desde fevereiro do ano passado, que buscam promover maior transparência, responsabilidade e segurança online, acabam por impor custos às plataformas e limitam sua capacidade de rentabilizar com conteúdos danosos. Desinformação e discurso de ódio rendem engajamento, ou seja, dinheiro. Por isso, os programas de moderação de conteúdo, como os que Zuckerberg decidiu abolir para Facebook e Instagram, equivalem a tapar o sol com uma peneira. Há muito mais em jogo.

O mundo está entrando em condição de guerra - Denis Lerrer

O Estado de S. Paulo

Já ingressamos em uma era em que o Ocidente deverá recorrer ao uso da força na defesa de seus valores de liberdade e igualdade

Se os filósofos sempre prezaram a racionalidade, chegando a formulara ideia de que o homem, por definição, seria um animal racional, a história da humanidade, porém, fez um contraponto: o da irracionalidade, se não o da maldade, da relação entre os homens e, mais especificamente, entre Estados. Intenções malignas, voltadas única e exclusivamente para destruição do outro, são apenas uma amostra disso. A violência, perseguida como um fim em si mesma, e não como um meio, continua povoando a História, apesar de tentativas de estabelecera concórdia e odiá logo como vetores das relações intraestatais.

A cena histórica é frequentemente irracional. A relação entre Estados, enquanto unidades políticas, é regida por aquilo que filósofos como Thomas Hobbes, Jean-Jacques Rousseau e Friedrich Hegel consideravam como estado de natureza. Ou seja, ela seria regida por desejos de dominação e subjugação do outro. Os motivos podem ser variados, como prestígio, glória, ganhos econômicos e apropriação de territórios. Por sua vez, as relações internas aos Estados, individualmente considerados, nas experiências democráticas e constitucionais, vieram a se definir pelo império da lei, pelo livre jogo das instituições, pelas liberdades e pela economia de mercado.