segunda-feira, 14 de setembro de 2026

A posição diagonal: em busca de freios e rumo ao descer ladeira*, por Paulo Fábio Dantas Neto**

Começo pela franqueza necessária para dizer que não encontro nada não redundante a dizer sobre o tema especifico da campanha eleitoral, muito menos sobre prognósticos a respeito dos seus resultados possíveis ou do que podem ser seus desdobramentos políticos. Tudo o que meu discernimento alcança como diagnóstico já vem sendo dito. Isso vale para o que chamamos análise, sejam elas platitudes que lemos e ouvimos por aí, sejam opiniões qualificadas e equilibradas. E quanto a prognósticos, confesso que os que poderia fazer estariam irremediavelmente contaminados por desejos e/ou pelo efeito de sua quase certa frustração. Evito-os, na medida do possível. Logo, tento, mas não os evito totalmente.

Estou consciente dos efeitos embaraçosos que o atual processo eleitoral tem provocado em mentes como a minha, treinadas para através do pensamento procurarem soluções políticas, por mais opaco que o cenário possa parecer ao escrutínio de suas nuances. Suponho, contudo, que essa reação mental encapsulada não é algo meu ou de mentes afins. Reflete até sentimentos públicos compartilhados por um número de pessoas que não sei mensurar, incluindo outros profissionais da ciência política.

Em busca de uma diagonal

Lembro passagem de Hannah Arendt no seu “Entre o passado e o futuro”, em que ela comenta uma parábola de Kafka cujo sugestivo título é “Ele”. Noutros tempos seria possível ler e entender como “lá ele”, mas no atual tempo de mutação da política, creio que não apenas eu, mas muitos de nós sentimo-nos identificados com a mente e a pele dessa terceira pessoa. Explicando melhor, Arendt refere-se à parábola de Kafka que aqui reproduzo, como traduzida por Enio Silveira:

Ele tem dois antagonistas: o primeiro empurra-o por detrás, desde o seu nascimento; o segundo bloqueia o caminho diante dele. Ele luta com ambos. A bem da verdade, no entanto, o primeiro o apoia em sua luta com o segundo, pois quer empurrá-lo para a frente. Da mesma maneira, o segundo o apoia em sua luta com o primeiro pois, obviamente, quer forçá-lo para trás. Tudo isso, porém, só é verdadeiro em teoria, pois não são apenas esses dois os protagonistas que ali se encontram, mas ele também, e quem saberá realmente de suas intenções? Seja como for, ele sonha que algum dia, num momento de descuido - que requererá uma noite mais escura do que qualquer outra tenha sido - possa escapar da linha de combate e, pela sua experiência nessa luta, ser promovido a juiz da contenda entre os dois antagonistas (KAFKA,1993: 89-90).

O comentário de Arendt sobre essa parábola é coerente com sua visão do passado e do futuro como agentes de dupla pressão balizadora e potencialmente inibidora da criatividade humana. O efeito sincrônico das forças do passado e do futuro anula o papel do indivíduo se este não se puser em perspectiva diagonal, de intervenção verdadeiramente política. Segundo a interpretação da autora, as três lutas aludidas na parábola - a que se trava entre o passado e o futuro e as que Ele trava contra cada um dos dois antagonistas - só existem pela presença do homem, sem a qual - suspeita-se - as forças do passado e do futuro ter-se-iam de há muito neutralizado ou destruído mutuamente. Segue-se que o fluxo entre passado, presente e futuro só é partido em razão da inserção do homem no tempo. Os homens criam, mentalmente, a situação do presente ao se postarem na lacuna entre passado e futuro e tornam-se conscientes de um intervalo de tempo totalmente determinado por coisas que não são mais e por coisas que não são ainda. Esses intervalos mais de uma vez mostraram poder conter o momento da verdade.

Para ser veraz, a verdade que posso lhes dizer sobre o que penso essas eleições é que os quarenta dias até sua conclusão anunciam-se como quaresma incompleta, após a qual, aconteça o que acontecer, ficarão a cruz e os pregos, mas não haverá Aleluia, nem Páscoa. Se queremos alegria e/ou ressureição, pensemos em como buscá-las, pois não se pode esperar que venham das penas ou da graça da paixão.

Rememorando 2022

No dia 20 de agosto de 2022 publiquei, nesta coluna, um artigo intitulado Virtude e risco da ambiguidade em política. Texto e áudio podem ser visitados através do mesmo link que dá acesso ao presente artigo. Mesmo assim peço licença para seguir na autorreferência, o que não é muto simpático.

Iniciei aquele artigo lembrando que a força de ambiguidades políticas várias na nossa história política fizeram Werneck Vianna dizer que o Brasil “é o lugar, por excelência, da revolução passiva”. Dentre as ambiguidades, a que envolve e tensiona populismo e democracia. Inaugurada no final da Era Vargas e difundida durante a democracia de 46 a 64, ela encontrava reedição dramática naquelas eleições de 2022, não mais como atitude política de um dos polos - como no segundo turno de 2018 - mas como um padrão de conduta que se tornava premissa de competitividade para qualquer deles. Era ainda relativamente fácil à oposição apontar na campanha de Jair Bolsonaro uma contradição em termos entre populismo e democracia, pois o primeiro negava enfaticamente a segunda, como nos tempos do milagre brasileiro do gal. Médici. Já a de Lula, aludia a Carta de 88 como algo bem mais que meras “quatro linhas” constrangedoras da política. Era ferramenta republicana e política. Porém, uma tensão entre democracia e populismo era ali também visível, não como negação, mas ambiguidade.

A tentação de entrar no túnel do tempo para uma revisita ao populismo incomodava, mas diante do perigo do regresso autocrático, esse anacronismo era mal menor, ou mesmo benigno. Reconhecia-se que a ambiguidade não deixava de ter o lado virtuoso de reabrir uma chance de continuidade da vida em comum, então em perigo. Na boa tradição da revolução passiva, de preferir analgesia, fitoterapia e fisioterapia às consequências de uma cirurgia invasiva, a conciliação liberal-democrática com a atitude populista limitava horizontes, mas, ao menos, detinha dores da tempestade destrutiva. Em agosto de 22, Lula aparecia como um sereno tio da pátria, em alguns vídeos feitos para desarmar e prometer.

Para ser promissor sem ambiguidades seria preciso mais do que isso. O líder e candidato teria que fazer do perdão o ponto de partida para a confiabilidade da promessa. Mas se a alma de quem propunha conciliar o país admitia relevar agravos que sofrera em passado recente e recusar a trilha da vingança, esse aceno aparecia como concessão, intenção de bondade, não gesto de perdão político, a si e aos demais, por agravos recíprocos. Privado desse ato inaugural, o unguento conciliador atuou, mas com fraco poder de promissão. Ouvia-se Lula ambiguamente, como consolo, com alívio, mas sem a esperança sugerida. O nascimento, condição que compõe, no pensamento de H. Arendt, a dignidade da política, depende de se cumprir todo o circuito iniciado pelo perdão. Esse bem público não estava disponível no momento. Convinha não desdenhar a ambiguidade. Ficamos com ela. Nós e a maioria eleitoral.

Ao mesmo tempo em que me somava aos que se dispunham a aceitar o que se tinha ali para o desjejum, o almoço e o jantar, também aludia, com as cerimônias necessárias, mas com clareza, a riscos nada pequenos de aceitação acrítica e cultivo imoderado daquela ambiguidade virtualmente benigna. Reescrever agora o texto de agosto de 2022 teria mais sentido de resumo do que de revisão. Tratava-se, já naquele momento, de desatenção da oposição principal para a necessidade de garantir, ao campo plural dos defensores da democracia, o comando moral do processo eleitoral. Sem esse delicado zelo, virtudes políticas práticas da ambiguidade dissipam-se e viríamos, como vimos, a um pântano.

Em 11.08.22, fora lida, sob as arcadas do Largo de São Francisco, uma Carta às Brasileiras e aos Brasileiros, já ostentando, no momento da publicação da coluna, pouco mais de um milhão de assinaturas. O ato as potencializou sem dar motivo lógico para que a coleta se encerrasse ali. A recepção mostrava que parte da sociedade civil achara o eixo em torno do qual a unidade democrática se forjaria. Com isso não se resolvia o embate eleitoral, mas dava-se cobertura em sentido político a esse embate.

Se não fosse o lapso de tempo de uma semana entre o ato e o artigo, a imaginação do articulista viajaria alto na maionese da popularização da carta. O saldo seria um documento político servir de liame entre a sociedade civil e o cidadão comum. O delírio ficou na intenção porque o colunista foi trazido ao chão pelo silêncio obsequioso que logo se instalou em torno daquele processo promissor de mobilização cívica. Foi tratado como mero evento. O choque abrupto de silêncio começou com a iniciativa dos próprios organizadores de paralisarem o mecanismo eletrônico da coleta com a justificativa de que a campanha eleitoral oficial começara. A coluna, já transitando da imaginação ao repto, perguntava: e daí? Um equívoco essa autocontenção de atores da sociedade civil, assim como a distância que o conjunto das forças políticas tomou de possíveis desdobramentos daquele ato. Incluindo partidos e candidaturas que haviam feito pregação contínua sobre a necessidade de busca de convergências ao centro.

Duplamente desconcertante, foi algo insólito (no sentido de surpreender) e desmobilizador do que deu trabalho para juntar. A neutralização desse eixo agregador deu asas à ambiguidade na campanha mais relevante e no seu entorno. O tio da pátria permaneceu em cena, mas o pluralismo da Carta de 88 e do ato das arcadas passou a ser gradativamente tratado em chave populista, insinuando-se a pecha de elitista. Coisa boa, mas do passado. Agora o que mais contava era a voz direta do povo. No calor do bom combate democrático daquela hora, onde só os contrastes brilham, passava quase despercebida a similitude (certamente parcial, mas não nula) dessa percepção com o modo bolsonarista de ver as coisas. Ainda em plena campanha, a ambiguidade populista expandia seu espaço em direções discutíveis, o que no governo viraria hábito. Dei exemplos no texto. Reitero-os, seguindo no resumo.

Na semana seguinte à Carta às brasileiras e aos brasileiros (iniciativa nascida no próprio meio universitário), a esquerda universitária produziu uma “Carta de Ex-Reitores e Ex-Reitoras de Universidades Federais pela Democracia e em Apoio à eleição do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva”. Um movimento que estreitava o original: ex-dirigentes de instituições que precisam ser guardiãs do pluralismo diziam que ir ao centro não significava abrir mão de uma hegemonia. Desde já estava demarcado o campo ideológico que, por suposto, representa o espaço universitário. Neste os liberais (os da casa e os dos partidos) são, no máximo, visitas recebidas com devida distância. Para evitar a ambiguidade eleitoral, incidia-se em perigosa ambiguidade quanto à república e à unidade democrática.

No mesmo contexto, Lula, em campanha, foi à USP, instituição líder do antes citado movimento civil. Ladeado por Fernando Haddad e figuras tradicionais do lulopetismo acadêmico, adotou sua noção de debate eleitoral: não havia tempo a perder com concorrentes inexpressivos, seja em debates pela TV ou no ambiente universitário. Seu alvo era o rival que ameaça a democracia. Daí, em tom de blague, desafia-o a debater téte a téte na USP. Bem poderia receber de volta, como virtual resposta do capitão, que poderia ficar com “sua” USP, que ele ficaria no seu cercado, com o Exército que achava ser seu.

Sob a mesma chave populista, também circulou no nosso meio um texto cujo título (“Carta do povo”) era em si um contraponto à “Carta às brasileiras e aos brasileiros”. Nesta o povo - conjunto de cidadãos e cidadãs não previamente organizados - é destinatário, ainda que nada impeça parte desses milhões de indivíduos tornar-se signatária. No título do texto alternativo - que se difundiu em nichos da frente de esquerda e em redes mais amplas, em aliança com o ativismo digital de André Janones, sintoma do tipo de ambiguidade de que falo -, o povo é um coletivo magicamente convertido em remetente pelas artes da retórica populista. Dos dezoito curtos parágrafos, escritos com técnica comunicacional de quem trafega tanto em redes contemporâneas quanto na tradição de panfletos, só um se referia, genericamente, a instituições políticas capazes de distinguir democracia de ditadura. Cumprido esse protocolo, os demais parágrafos pormenorizavam a “substância social”, sem a qual a política seria, na visão dos escribas, um nada.

A “Carta às Brasileiras e aos Brasileiros” dizia que nossa democracia cresceu e amadureceu, mas muito ainda há de ser feito. Vivemos em país de profundas desigualdades sociais (...) Pleitos por maior respeito e igualdade de condições em matéria de raça, gênero e orientação sexual ainda estão longe de ser atendidos com a devida plenitude. Era um comprometimento com a dimensão social da democracia num grau que o senso comum poderia entender. Mas não bastava aos apóstolos da “substância”. Mais que a fala, valia o lugar de fala que supunham ocupar para explicar ao povo uma teoria simplista sobre a sua opressão. Esquerdismo e populismo aproximam-se em coalizão tácita para limitar os cidadãos à condição de massa, ou de clientes. Termina dando espaço, para que a campanha eleitoral prometa pão a partir de um circo. Essa ambiguidade oferecia ao país um script de Benjamin Button, regressão temerária pois, no itinerário desse regresso, outro páthos iliberal saía à luz, pela direita, tentando dar ao passado autoritário vestes milicianas e isso poderia vir a ser parada obrigatória nesse descaminho. Não foi, mas o que se soube depois sobre bastidores do poder em 2022 deu razão àquela conjectura. Batera na trave.

O andamento do Lula 3 confirmou o presságio. O populismo em vez de ceder quando o palanque eleitoral saiu do calendário, foi se tornando, gradativamente, um substitutivo retórico do discurso da frente ampla. Se havia dúvida no articulista de 2022 sobre a atitude ético-política da principal candidatura do campo democrático, elas se dissiparam com o que se passou a fazer após a posse e especialmente após o 8 de janeiro de 2023. O comando da política escorreu pelos dedos de atores voltados ao centro e comprometidos com o estado democrático de direito ao seguir a trilha ambígua do populismo do bem. Com isso, a liderança moral do embate com a oposição passou a ser exercida pela gramática do adversário derrotado em 22. Uma cilada cuja descrição cabal é a presente cena eleitoral.

A ambiguidade é método político virtuoso, saber prático para refratar, com prudência e habilidade, riscos do voluntarismo e da doutrina. Mas torna-se o próprio perigo se for um disfarce que consagra e congela particularismos. Espalha perversidade e autoengano, alimentando a tese de que é possível vencer o adversário antidemocrático adotando suas premissas. Não é. O que se logra, no máximo, é trocar de posição com ele em incessante batalha frontal. Entendimentos consistentes entre democratas precisavam ter ocorrido no tempo da política real, que não é o tempo largo de especulações metafisicas nem o tempo sumário dos arrastões. Quem não tem tempo para pensar e realizar isso, antecipadamente está derrotado. Uma pergunta de 2026 é saber se em 2022, além de Lula, a democracia também venceu.

E agora?

A quem ainda não percebeu, digo que não se trata de arrependimento. A crônica do que aconteceu no subsolo da política até dezembro de 2022 é eloquente sobre o perigo que o país corria com Bolsonaro e sua turma e do que ele escapou naquelas eleições. Exatamente por causa daquele desfecho, a facção da elite política que saiu vencedora não poderia descuidar da sua conexão com o corpo social real que lhe deu um mandato, mas não licença para agir como seu guia. Eleições legislativas conexas não deixaram dúvidas sobre o que nove entre dez estudos sérios de ciência política e de comunicação política

apontam: na frase de Jairo Nicolau, o Brasil dobrou a direita, ou melhor, já dobrara antes e confirmava essa direção. Uma direção provisória, como tudo numa democracia, mas insofismável e não passível de negação pela elite política de uma poliarquia. O prosseguimento do discurso polarizador pela esquerda oficial e, de modo particular, o uso e abuso da ambiguidade nesse terreno pelo presidente não sairão grátis, seja qual for o resultado da eleição. Precisamos estar prontos para mais alguns anos no pântano.

Com isso não quero dizer que considero idênticas, a situação de hoje e a de 2022. Os riscos são de outra ordem e o mal estar também. A guerra retornou, agora com menos consenso público sobre quem está do lado da democracia ou contra ela. Todo mundo a defende e ao mesmo tempo a interpreta de modo cada vez mais narcísico. A disputa é sobre quem é o dono da verdade. O messianismo que antes era traço de uma turma virou padrão mais generalizado. Assim, chances de episódios de intolerância aumentam. As instituições não estão tão ameaçadas como em 2022, mas a conduta democrática sim. Há campo livre para lógicas de faxina. Quem ganhar a eleição não terá direito ao benefício da dúvida.

Se essa avaliação do quadro faz algum sentido, segue sendo importante conversarmos sobre qual tipo de voto cada um e cada uma de nós pretende dar nas diversas eleições para Executivo e Legislativo. Porém, penso ser igualmente importante (talvez mais) entender por que o cardápio na presidencial emagreceu em vez de se tornar mais farto do que há 4 anos? por que nesta eleição a chamada sociedade civil fala menos do que falou na eleição passada? por que, aos poucos, o medo do que poderia vir deste ou daquele governo eleito vai sendo substituído por a) indiferença comparativamente maior quanto ao resultado eleitoral e b) uma urgência e impaciência cada vez maiores por soluções de problemas sociais que se agravam? Se somarmos A e B, aonde isso dará? É nosso papel e interesse não pagar para ver.

Os vencedores dessa eleição (no Executivo e no Legislativo) receberão uma batata quente como merecido desafio. A atores democráticos da sociedade civil cabe constante vigilância e para dialogar com eles forças políticas precisarão se colocar, ativamente, em posição diagonal à polarização extrema. Passou o tempo em que o STF podia ser visto como arrimo, uma quase guardiania. Ele passou da quase à hiper guardiania, pela mesma via ambiguamente destrutiva que desertificou a política. Também ele precisará ser reformado, ressignificado e vigiado por um arco político-social fincado na grande política.

*Este texto é adaptação de uma exposição feita em 26.08.2026, em mesa promovida pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD), na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA), organizada por uma esquipe daquele instituto, coordenada pelo professor Samuel Barros. O debate sobre o tema “Eleições 2026: Bahia e Brasil em perspectiva” foi mediado pelo jornalista Victor Pinto e teve como expositores este colunista e o professor Wilson Gomes, da FACOM/UFBA, coordenador do INCT.DD

**Cientista político e professor da UFBa.

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