sábado, 5 de setembro de 2026

Ato Institucional Xandônico, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

“Que loucura, bem na semana que estou resolvendo tudo. Aquele mesmo juiz Ricardo? E o Galipolo tá sabendo? Conseguimos fazer algo? Acha que segunda já tenho que estar fora?”

Isso é Vorcaro, em 15 de novembro de 2025, a dois dias de ser preso, reagindo à mensagem de Alexandre de Moraes, o ministro do STF que, ante a impossibilidade de defender o “conseguimos fazer algo?”, chamou Xandão para contra-atacar.

Difundindo falsas equivalências, quer que os pares decidam – não sobre se as suas relações vorcáricas devem ser investigadas – entre ele e André Mendonça. Um terá de morrer. Quer que os pares escolham, enquanto lhes mostra que tem o inquérito das fake news à mão, ferramenta que pode tanto lhes servir, vide Dino, quanto monitorá-los.

Terá Moraes mandado investigar Mendonça? (Cadê Gonet?) Quem encomendou à PF os relatórios – apócrifos, sem data, desprovidos de prova – em que se baseiam? Quando foram produzidos?

Matar Mendonça é o meio necessário para que mortas sejam as investigações sobre o caso Master (e sobre o roubo aos aposentados). O objetivo final é que as nulidades se imponham.

A tese xandônica remetida a Fachin tem por fundamento que Mendonça usurpou prerrogativas da PF – corrompida assim a segurança das provas. É a tese da defesa de Vorcaro. O clube do uísque vorcárico – com Paulo Gonet e Andrei Rodrigues – reencontra-se. (Na véspera do contra-ataque, Moraes reuniu-se com Alcolumbre.)

“Que loucura, bem na semana que estou resolvendo tudo. Aquele mesmo juiz Ricardo? E o Galipolo tá sabendo? Conseguimos fazer algo? Acha que segunda já tenho que estar fora?”

“Que loucura (...).” Vorcaro reagia a algo que Moraes lhe dissera. Tratariam – a dois dias da prisão do banqueiro – de ordem judicial sigilosa? Teria o ministro encaminhado a um investigado notícia sobre mandado contra si? “Aquele mesmo juiz Ricardo?” Esse é o primeiro nome do magistrado – da 10.ª Vara Federal do DF – que o prenderia. “Conseguimos fazer algo?” Perguntou o investigado a um ministro do STF que tratava como assessor.

(“O careca não pode atrasar” – reclamara a Vorcaro, em março de 2024, o ex-deputado Fábio Faria; sobre o atraso no pagamento do contrato de serviços prestados pelo escritório Barci de Moraes. “O careca não pode atrasar” – remunerada, afinal, a banca de que o ministro não era, nem poderia ser, sócio. Né?)

“Acha que segunda já tenho que estar fora?”, perguntou o investigado – talvez ante a informação de que a ordem de prisão lhe vinha – a um juiz do Supremo. Perguntou-lhe sobre se deveria fugir do País – e não foi preso pelo ministro. Foi preso dois dias depois, tentando fugir.

Obstrução de Justiça, advocacia administrativa, talvez corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Xandão quer que o Supremo decida – não sobre se Moraes deve ser investigado – entre o gestor do AI-X e Mendonça.

 

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