O Estado de S. Paulo
“Que loucura, bem na semana que estou resolvendo tudo. Aquele mesmo juiz Ricardo? E o Galipolo tá sabendo? Conseguimos fazer algo? Acha que segunda já tenho que estar fora?”
Isso é Vorcaro, em 15 de novembro de 2025, a
dois dias de ser preso, reagindo à mensagem de Alexandre de Moraes, o ministro
do STF que, ante a impossibilidade de defender o “conseguimos fazer algo?”,
chamou Xandão para contra-atacar.
Difundindo falsas equivalências, quer que os pares decidam – não sobre se as suas relações vorcáricas devem ser investigadas – entre ele e André Mendonça. Um terá de morrer. Quer que os pares escolham, enquanto lhes mostra que tem o inquérito das fake news à mão, ferramenta que pode tanto lhes servir, vide Dino, quanto monitorá-los.
Terá Moraes mandado investigar Mendonça?
(Cadê Gonet?) Quem encomendou à PF os relatórios – apócrifos, sem data,
desprovidos de prova – em que se baseiam? Quando foram produzidos?
Matar Mendonça é o meio necessário para que
mortas sejam as investigações sobre o caso Master (e sobre o roubo aos
aposentados). O objetivo final é que as nulidades se imponham.
A tese xandônica remetida a Fachin tem por
fundamento que Mendonça usurpou prerrogativas da PF – corrompida assim a
segurança das provas. É a tese da defesa de Vorcaro. O clube do uísque
vorcárico – com Paulo Gonet e Andrei Rodrigues – reencontra-se. (Na véspera do
contra-ataque, Moraes reuniu-se com Alcolumbre.)
“Que loucura, bem na semana que estou
resolvendo tudo. Aquele mesmo juiz Ricardo? E o Galipolo tá sabendo?
Conseguimos fazer algo? Acha que segunda já tenho que estar fora?”
“Que loucura (...).” Vorcaro reagia a algo
que Moraes lhe dissera. Tratariam – a dois dias da prisão do banqueiro – de
ordem judicial sigilosa? Teria o ministro encaminhado a um investigado notícia
sobre mandado contra si? “Aquele mesmo juiz Ricardo?” Esse é o primeiro nome do
magistrado – da 10.ª Vara Federal do DF – que o prenderia. “Conseguimos fazer
algo?” Perguntou o investigado a um ministro do STF que tratava como assessor.
(“O careca não pode atrasar” – reclamara a
Vorcaro, em março de 2024, o ex-deputado Fábio Faria; sobre o atraso no
pagamento do contrato de serviços prestados pelo escritório Barci de Moraes. “O
careca não pode atrasar” – remunerada, afinal, a banca de que o ministro não
era, nem poderia ser, sócio. Né?)
“Acha que segunda já tenho que estar fora?”,
perguntou o investigado – talvez ante a informação de que a ordem de prisão lhe
vinha – a um juiz do Supremo. Perguntou-lhe sobre se deveria fugir do País – e
não foi preso pelo ministro. Foi preso dois dias depois, tentando fugir.
Obstrução de Justiça, advocacia
administrativa, talvez corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Xandão quer que
o Supremo decida – não sobre se Moraes deve ser investigado – entre o gestor do
AI-X e Mendonça.

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