Folha de S. Paulo
Ministros dizem que existe 'PF paralela' e se
acusam de crimes graves ao vivo
Há cada vez mais excelências suspeitas e não
se decide método para investigá-las
A guerra no STF vai
continuar. A demolição institucional e moral do sistema de Justiça também. A
campanha a favor de impeachment das excelências supremas vai ganhar força,
assim como as candidaturas ao Senado que querem cortar cabeças no Supremo.
Há indícios, mais ou menos escandalosos, de
que quatro ministros estariam envolvidos com Daniel
Vorcaro: Alexandre
de Moraes, Dias Toffoli, Kassio
Nunes Marques e André
Mendonça. Luiz Fux está
sob risco.
Dado que os supremos não conseguem ou querem decidir como devem investigar a si mesmos, o que vai acontecer com esses ministros em estado de suspeição ou putrefação política? Não vai haver consequência? O que vai fazer a Procuradoria-Geral? A Polícia Federal terá de ficar inerte?
Mais grave, como se fosse possível, Fux e
Mendonça disseram existir uma "PF paralela". Como a "Abin
paralela" de Jair Bolsonaro? Eles têm indícios de que existe grupo
clandestino na PF? Isso é subversão, no mínimo.
Gilmar Mendes e Flávio Dino disseram
que Edson
Fachin estava à beira de "restabelecer" um monstrengo, o
poder do STF de chamar para si caso de qualquer instância, criado em 1969 e
maquiado em 1977, quando Ernesto Geisel tentava prolongar a ditadura.
Esse monstro, a tal "avocatória",
além de autoritário, abriria "uma avenida de corrupção no
Judiciário", que está corrompido como nunca se viu, afirmou Dino, de
resto. Até o voto de Mendonça, às 17h15, ninguém havia defendido Fachin,
isolado e perdido.
Nunes Marques disse que era
"isento", mas daria o fora de uma votação que teria implicação
político-eleitoral: tinha de manter sua isenção no TSE. Mas Kassio votou com
Mendonça para decapitar a direção da PF e disse na terça coisas que podem ser
usadas por advogados para libertar Vorcaro.
Gilmar Mendes disse que Mendonça estava
"a serviço de um grupo político que quis dar um golpe neste país" (o
bolsonarismo) e de manipular a PF, secundado por Moraes.
Quanto à eleição, neste momento os riscos de
danos continuam maiores para Luiz Inácio Lula da Silva, a depender do tamanho
da sujeira que possa ser descoberta sobre outros ministros do STF.
A comoção contra o "sistema"
favorece Flávio Bolsonaro. A maioria larga dos revoltados antissistêmicos já
vota no candidato das direitas e da extrema direita. No entanto, o resultado da
batalha desta terça vai passar a impressão ou certeza de chicana, oportunismo,
diversionismo e cinismo no STF, em especial por causa de Moraes.
Os nem-nem, que em 2022 estiveram com Lula
contra Bolsonaro, podem debandar. A tendência já está evidente entre pessoas
mais públicas do minúsculo centro. Pode ser o caminho desse grupo inteiro.
"Pode". A luta mortal vai
continuar. Desde a manhã, ao longo desta terça, vazavam indícios que associam
Mendonça e Nunes
Marques a Vorcaro. Além de mais vazamentos, pode haver batidas policiais,
determinadas pelos próprios ministros.
A depender de qual lixo vai ser revirado, e
como, o "outro lado" (qualquer lado) pode ser ainda mais coberto de
imundície, com ou sem razão, o que pode mudar votos.
As excelências se insultaram, como é de praxe
desde 2009. Injúria, calúnia e difamação no STF estão perto da maioridade
legal. Os ministros se acusaram de crimes, de criar "ambiente de
máfia", de "máfia sem ética", de mentir, de manipular processo,
de "falta de noção" em liminar, de "indecência", de "desfaçatez",
de "covardia".
É. Fim.
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