domingo, 13 de setembro de 2026

O triste fim de um ‘xerife’, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Se a cabeleireira pegou 14 anos por pintar uma estátua, qual a pena para quem enlameia a Justiça?

A decisão que o Supremo Tribunal Federal está prestes a tomar, na próxima terça-feira, é doída, sim, mas de uma simplicidade desconcertante: se, em tese, qualquer cidadão pode ser investigado por suspeita de ter cometido desvios, por que não Sua Excelência Alexandre de Moraes? Se julgado culpado, que seja condenado. Se não, inocentado. Pelo menos, deve, ou deveria, ser assim...

O que, definitivamente, os ministros da Corte não podem fazer é ignorar os 134 milhões de motivos para uma investigação. Para tentar salvar Moraes, um caso perdido, ao custo de esgarçar sem conserto a credibilidade do Supremo, desmoralizar as instituições e, tudo junto e combinado, impactar a eleição presidencial sem retorno?

Se for nessa direção, o plenário vai concluir o desmoronamento do Supremo sem conseguir salvar a pele, a reputação e o destino de Alexandre de Moraes. Em vez de desmoronar um, desmontaria a Corte com todos dentro. Moraes insiste em fazer pronunciamento na terça-feira, mas tem o que dizer? Não tem como explicar o valor do contrato com o escritório da família, negar as 51 mensagens de Daniel Vorcaro e que usou “visualização única” nas suas respostas para não deixar rastros. Sabia o que estava fazendo e quais as consequências.

A única saída para Alexandre de Moraes é renunciar à toga, antes que seja obrigado a despi-la. Com esse ato, estaria dando uma trégua à divisão – ou polarização? – no STF e livrando seus pares, sobretudo os paus para toda obra, do profundo incômodo de ter de defendê-lo sem argumentos.

O mais provável, porém, é que ele saia com quatro pedras e mais um rascunho da PF para tentar puxar André Mendonça para o seu próprio buraco. Só vai piorar as coisas para ele, para o Supremo e para a eleição.

O ministro Edson Fachin demorou a engrenar, até o empurrão de ex-presidentes do STF, empresários, entidades e líderes, mas começa a ser saudado por fazer a coisa certa, como desconsiderar o mau conselho de juntar o caso de Moraes e as críticas processuais contra Mendonça no mesmo saco e na mesma sessão.

Ok, Mendonça deve explicações, inclusive sobre a demora em investigar o escândalo Dark Horse, que envolve Flávio Bolsonaro e valores iguais aos do contrato do Barci Advogados. Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

O problema de Moraes é muito mais grave, desvia o foco da eleição para o Supremo e pode deixar cicatrizes indeléveis. Aliás, que mal lhes pergunte: se a cabeleireira Débora pegou 14 anos de prisão por pintar a estátua da Justiça com batom, qual a pena para quem joga lama na Justiça?

 

12 comentários:

Anônimo disse...

Muito bem Eliane, como sempre, igual a dona, uma graça de comentário. Só faltou falar que o brasileiro não é bobo como esses honoráveis “Quem indica” ( não concursados) pensam.

Anônimo disse...

Pensam que são raposas mas não passam de bestas.

Anônimo disse...

Esse Moraes é pior do que o Bucéfalo.

Anônimo disse...

Só da mancada, O Toffoli “plagiou” tese de Doutorado sozinho ? Ou terá sido ajudado por essa “mula falante”?

Anônimo disse...

É cada incompetente nessa Corte que da vontade de chorar.

Anônimo disse...

Caras de pau, ignoram que todo brasileiro sabem que são ministros , não por merecimento e valor, mas por indicação.

Anônimo disse...

Desceriam sentir vergonha de ser indicado , jacque não correspondem aos requisitos exigidas para o cargo

Anônimo disse...

Usurpadores

Anônimo disse...

Honra em primeiro lugar. Vergonha em segundo , competência etc… etc… etc…

Anônimo disse...

Brasileiro sabe

Anônimo disse...

Bucéfalo o cavalo do Alexandre (cifrado), espero que entenda o que eu estou querendo dizer

Anônimo disse...

Quero dizer Alexandre é o próprio Bucéfalo.