sábado, 12 de setembro de 2026

Para bolsonaristas, Mendonça vale mais que Trump, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Personagem das eleições, ministro do STF vive hoje seu momento BBB

De interferência na PF ele entende desde os tempos em que substituiu Moro na pasta da Justiça

A menos de um mês do comparecimento às urnas, quando o debate de propostas e programas deveria alcançar o ponto máximo nas ruas e redes, todas as atenções se voltam para a rinha de galos no STF. É mais uma falsificação que busca se intrometer e deturpar o processo eleitoral. De esporada em esporada, de golpinho em golpinho, morre a democracia.

Até o mais ingênuo lobo-guará de Brasília sabe que o ministro André Mendonça —indicado por Bolsonaro com credenciais de "terrivelmente evangélico"— age para favorecer uma certa candidatura. Louve-se a ausência de cinismo nas maquinações. É um jogo pesado, mas às claras.

A determinação de Mendonça, relator do caso Master, de afastar a cúpula da Polícia Federal —a mesma que revelou ao Brasil a roubalheira do banco e as relações íntimas do poder com o picareta Daniel Vorcaro— foi aceita sem vacilação por Luiz Fux e Nunes Marques. No dia seguinte, Flávio Dino a derrubou. Logo depois, Edson Fachin cancelou as decisões de Mendonça e Dino. E tome polca.

De interferência no trabalho da PF André Mendonça entende. Em 2020, atuando como advogado-geral da União no governo Bolsonaro, acompanhou de perto o pedido de demissão de Sergio Moro, que deixou o Ministério da Justiça criticando a insistência do ex-presidente em trocar o comando da PF e afastar as investigações sobre o filho Flávio.

Foi Mendonça quem substituiu Moro na pasta. Sua realização mais notável foi elaborar uma lista com 500 servidores, arrolados como "antifascistas", que deveriam ser monitorados pela PF. O dossiê acabou proibido pelo STF, mas sei de pelo menos uma pessoa que, tendo ficado fora da lista, nunca mais recuperou a autoestima.

Em sua diatribe contra a PF, Mendonça citou o livro "1984", de George Orwell. Faz sentido, pois ele vive hoje seu momento BBB: uma celebridade de toga considerada pelos bolsonaristas o maior cabo eleitoral do filho 01. No ato de 7 de Setembro na Paulista, seu pixuleco inflável foi muito mais aplaudido que o de Donald Trump.

 

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