quinta-feira, 10 de maio de 2012

A hora de cassar estrelas da República:: Cristian Klein

Toda Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) tem como missão, além de investigar um "fato determinado", deixar lições para que os erros não se repitam e se criem condições para aperfeiçoar as instituições políticas ou administrativas.

Como quase toda CPI, a que mobiliza atualmente o Congresso esbarra na velha questão sobre as relações promíscuas entre a ordem pública, da política, e o mundo privado, das empresas fornecedoras de serviços às diversas esferas de governo.

A enorme rede de influência do empresário/bicheiro Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, e da construtora Delta teria se espraiado pelo país, com destaque para a intimidade mantida com os governadores do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT) - ou seja, caciques das três maiores siglas -, além de contar com o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), praticamente um sócio do empreendimento.

Contratos da Delta cresceram na medida das doações

A CPI do Cachoeira não surpreende pela forma nem pelo conteúdo. Mas a quantidade de gravações que vão sendo divulgadas só encontram paralelo em outros dois escândalos recentes: o mensalão do DEM - que produziu uma videoteca de cenas explícitas do suposto esquema de corrupção que derrubou o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda - e a reportagem do "Fantástico" (TV Globo) que mostrou didaticamente, em março, uma espécie de "A corrupção como ela é" rodrigueana no hospital da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A diferença é que, neste último caso, para o refestelo da classe política, a armação não envolvia detentores de cargo eletivo. Todos os protagonistas eram operadores de quatro empresas que ofereciam propina para garantir a venda de seus produtos ao hospital universitário. É uma prova de que o submundo da corrupção independe do mundo da representação. O empresário com ambições de maximizar seus lucros a despeito da ética é tão vilão quanto o político desonesto.

Mas, geralmente, episódios assim são pontos fora da curva. Sem políticos como protagonistas, as histórias ficam sem graça. Represar Cachoeiras não é tão díficil e fascinante quanto cassar estrelas da República como deputados, senadores, governadores e pô-los atrás das grades.

Políticos devem seus mandatos ao voto dos eleitores e ao dinheiro de seus financiadores. Não há eleição grátis. Na última década, a escalada de contratos conquistados pela Delta com o setor público cresceu à proporção de seu investimento em campanhas políticas Brasil afora. As doações, que eram pouco mais de R$ 60 mil, em 2002, passaram a R$ 2,3 milhões, em 2010.

É fácil prever que entre as lições que serão tiradas da CPI estará a condenação do modelo atual e a sugestão do financiamento público de campanha. É a proposta defendida há anos pelo PT, sob o argumento de que o sistema em vigor favorece quem tem acesso privilegiado a grandes doadores e porque cria uma relação de dependência dos candidatos individuais em relação aos financiadores.

Tudo isso faz sentido. Mas nada garante que grandes esquemas de corrupção sejam barrados pela interrupção de apenas um entre tantos canais possíveis de negociações escusas. O lobby de Carlinhos Cachoeira e da Delta para aprovar contratos e projetos - como a liberação dos bingos - ocorreria de um jeito ou de outro. Há inúmeras maneiras de se fazer os chamados "pagamentos laterais". O registro das doações, ao menos, permite identificar relações possivelmente suspeitas.

O financiamento exclusivamente público está associado à mudança para a lista fechada, modelo pelo qual os cidadãos votam apenas em partidos. É o sistema no qual o PT acredita que levaria maior vantagem, por liderar, de longe, a preferência do eleitorado em relação às demais legendas. Na lista fechada, porém, os políticos têm o mais baixo incentivo de cultivar laços com os eleitores.

O mais provável é que imagens de homens públicos estreitando laços com grandes empreiteiros em festas de gosto duvidoso pela Europa se tornassem ainda mais comuns. Os interesses das construtoras sempre existirão - enquanto o poder do eleitor de interferir e punir candidatos seria podado.

A crítica à lista fechada, por outro lado, não significa que o problema do financiamento privado esteja solucionado. Em entrevista ao Valor por ocasião da aprovação do Código Florestal, o ex-secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, apresentou um bom ponto ao ser questionado se a força dos ruralistas no Congresso significaria que eles são mais bem organizados politicamente do que os ambientalistas. Ele reconheceu.

"Eu diria que o modelo eleitoral brasileiro leva a isso. As campanhas são cada vez mais caras. O modelo viabiliza aquele que é capaz de mobilizar mais recursos. E essa capacidade tem a ver com o setor privado e, portanto, há um círculo vicioso. Aquele que defende o interesse privado tem mais chance efetivamente de obter recursos para a sua campanha e, logo, muito mais chance de estar representado", respondeu Capobianco.

O argumento é interessante e pode ser resumido pela seguinte lógica: o financiamento privado leva à primazia dos interesses privados - em detrimento dos interesses públicos.

Inúmeros filósofos e cientistas políticos já se dedicaram ao tema, cujo dilema maior deságua na questão crucial: existe um interesse público - ou uma "vontade geral", a la Rousseau - ou a sociedade é feita de uma pluralidade de interesses que precisam se contrapor e competir (Robert Dahl)?

É provável que a melhor saída esteja entre um e outro extremo. A própria bandeira verde não está imune à manipulação de setores privados.

Quanto à CPI, a única lição, que já deveria ter sido aprendida, depois de tantas passadas, é como punir, de fato, os culpados.

FONTE: VALOR ECONÔMICO

Os Roosevelts e as cotas :: Marcello Cerqueira

Pensava que após o voto do ministro Lewandowski, relator da tentativa de impugnação das cotas, o assunto estaria esgotado. Mas subestimei a sabedoria do Coletivo. A ministra Cármen Lúcia contribuiu para o rito de passagem da lei: "As ações afirmativas não são a melhor opção, mas são uma etapa." E, na sequência, o ministro Gilmar Mendes apoiou com a ressalva de que defendia "a adoção de um critério objetivo de índole socioeconômica". Coube ao ministro Cezar Peluso o descortino de ligar a aprovação das cotas ao futuro: "A meu ver, a política pública afirmativa volta-se para o futuro, independe de intuitos compensatórios, reparatórios, de cunho indenizatório, simplesmente pela impossibilidade, não apenas jurídica, de responsabilizar os atuais por atos dos antepassados." (grifei.) Será esse voto que ligará este artigo aos Roosevelts.

Com efeito, o precedente que se tem é absolutamente revelador de que a universalização do ensino pode trazer benefícios para toda a coletividade e não apenas para os eventuais e diretamente beneficiados.

A experiência - e o exemplo - nos vem dos Estados Unidos da América, naturalmente após o término da Segunda Guerra Mundial e por inspiração da notável Eleanor Roosevelt durante o governo de seu marido, o presidente Franklin Roosevelt.

Preocupava-se o progressista governo Roosevelt em oferecer compensações aos heróis de guerra (não se chamou de política afirmativa). O Congresso americano aprovou unanimemente a lei, que ficou conhecida como a Lei dos Direitos dos Pracinhas. Empréstimos subsidiados para a compra da casa própria, seguro-desemprego para os necessitados e bolsa para ingresso nas universidades e escolas preparatórias, além de mensal ajuda de custo para os estudantes. Não havia vestibular ou qualquer outra forma de aferir prévio conhecimento: bastava ser veterano e ter completado os preparatórios para o curso que pretendia. A Lei dos Pracinhas não se preocupou com a "ideologia do mérito", ou o que isso queira dizer. O fato é que a lei levou dois milhões de pracinhas para as universidades e escolas de graduação.

No final dos anos 40, os veteranos de guerra constituíam quase 50% do total de estudantes do sexo masculino em todas as instituições de ensino superior. O desempenho dos pracinhas foi marcante, superando as melhores expectativas e promovendo o funeral do excludente argumento prévio do mérito.

Pesquisas de 1949 identificaram os veteranos como os melhores estudantes: os mais maduros, os melhores, os mais responsáveis e o mais disciplinado grupo de estudantes universitários da história americana, independentemente de raça, classe social ou recursos, e a quem se deveu, então, o extraordinário avanço do ensino naquele país. É o que nos relata Doris Kearns Goodwin, em seu instigante "Tempos muito estranhos" (Nova Fronteira, 2001), uma biografia do casal famoso e do seu tempo.

Marcello Cerqueira é advogado

FONTE: O GLOBO

Zona do euro, hora da inteligência :: José Serra

A eleição de François Hollande, na França, trouxe à luz a fragilidade da chamada zona do euro e, em larga medida, o erro histórico que significou a moeda única europeia. Ora, ou se tem uma "união", de fato, com instrumentos de política pública que permitam a efetiva intervenção do "governo europeu", ou se tem o que hoje se vê: as regras que, em tese, servem a todos, mas só impedem a aplicação dessas políticas. Vale dizer: a zona do euro existe para dizer "não", jamais para dizer "sim". Em período de prosperidade, tudo bem. Na crise, o desastre!

Ao contrário do que se difunde, ela não resultou de gastanças governamentais desenfreadas nem decorreu, por outro lado, da até há pouco celebrada globalização financeira. A frouxidão fiscal ocorreu, sim, mas em países menores, como a Grécia, com menos de 3% do PIB europeu. Só para lembrar, a Espanha e a Itália tinham, respectivamente, uma relação dívida/PIB baixa e um déficit fiscal moderado. A liberalização financeira foi, e tem sido, é claro, uma condição para a crise, mas só fez acusar o caldo de cultura criado pela lógica da moeda única europeia, cuja implantação, há dez anos, representou um equívoco de porte wagneriano.

A união da Europa foi o sonho de sempre, na esperança de que traria a paz à humanidade. O primeiro passo da integração foi induzido pelo Plano Marshall, feito pelos EUA para ajudar a reconstruir o continente devastado pela 2.ª Guerra e, naturalmente, conter o avanço soviético, na segunda metade dos anos 1940. O efeito foi fulgurante, propiciando "milagres" econômicos precisamente nos países que perderam a guerra: Alemanha e Itália. A Alemanha, em vez de sofrer a pastoralização planejada por vencedores (volta a uma economia rural), reergueu sua indústria e passou a liderar a economia da região.

Numa primeira fase, o euro trouxe bonança. Afinal, permitiu juros menores para a maioria dos países da União Europeia (UE), crédito mais abundante. Beneficiou a todos e, principalmente, à Alemanha, que expandiu aceleradamente suas exportações para a região, em face da sua capacidade de oferta e de conter custos. Mas a crise que veio dos EUA em 2008 - subprime e Lehman Brothers - testou a solidez do modelo, que se saiu mal. Os diferentes países foram afetados e não tiveram instrumentos de política econômica diversificados e fortes para lidar com a situação. Mãos amarradas pela moeda única.

Para arremate, veio a tragédia da pequena economia grega, cujo tamanho deveria limitar o estrago. Engano. Esse gatilho disparou uma crise de confiança, traduzida no aumento alucinante dos prêmios de risco em países economicamente nobres da zona do euro. Em miúdos: encurtamento de prazos e aumento dos juros para refinanciar as dívidas governamentais, além da absorção de dívidas do sistema financeiro público e mesmo privado. Isso tudo ampliou a desconfiança.

De fato, a moeda única chocou-se com a razão econômica e as possibilidades institucionais. Ela exige união fiscal, plena mobilidade de força de trabalho e de capitais, sistema de seguridade unificado. Numa federação de verdade, os Estados desenvolvem-se de maneira desigual, mas isso não afeta o equilíbrio do sistema porque o poder central faz políticas compensatórias. Não há barreiras invisíveis às migrações, por exemplo. O Banco Central funciona, goste-se ou não, como instituição garantidora e os detentores de papéis públicos sabem que, mesmo com um pouco a mais de inflação, terão seus pagamentos honrados, o que lhes diminui a ansiedade e a desconfiança.

Pouco ou nada disso existia e existe na Europa do euro, ampliando notavelmente sua vulnerabilidade a choques adversos. Na UE não há Banco Central emprestador de última instância, não há taxa de câmbio para mexer, não existe poder fiscal compensatório. O orçamento é de 1% do PIB regional. No Brasil ou nos EUA, a União maneja pelo menos 20% do PIB.

Assim, a exclusiva terapia para o enfrentamento da crise nos países mais afetados é a da suposta recuperação da confiança dos investidores mediante o corte de gastos públicos, aumento de impostos e deflação de salários. Crescem, assim, a instabilidade social e política, cresce a desconfiança econômica, pois o crescimento para baixo compromete a capacidade prevista de os governos honrarem seus compromissos.

O Goldman Sachs fez uma simulação do custo do ajuste na Espanha, por exemplo: para zerar seu déficit em conta corrente, hoje de 3,7% do PIB, a desvalorização real teria de atingir 20%, o que demoraria uns dez anos. Nesse período o PIB deveria cair a 0,2% ao ano e o nível de emprego, já baixíssimo, declinar mais de 0,5%/ano. Em troca a Alemanha e outros países superavitários da UE deveriam promover a apreciação real correspondente, com mais demanda e mais inflação dentro de suas economias...

Com variações, esse é o fantasma que agora assombra a Europa. A quebra de uma das pernas da dupla Merkozy, com a eleição de François Hollande na França, mostra a falta de sustentação da estratégia em curso. É simplista a ideia de que o novo presidente francês, depois das eleições parlamentares de junho, vai compor, com outro nome - Merkande? Merkholan? -, uma dupla parecida. O mais provável é que a terapia corrente se desestabilize ainda mais.

A esperança é que as recentes eleições reacendam a vida europeia inteligente, capaz de ganhar o tempo necessário para o aprofundamento da federação. Isso exige puxar duas pontas de barbante: primeiro, o Banco Central Europeu concentrar-se mais na aquisição direta de títulos de dívida, visando a conter e reverter a espiral deflacionista dos ativos; segundo, a da expansão a curto prazo, com mais folga fiscal, sim, dos países superavitários, Alemanha à frente, o que ampliaria o fôlego dos deficitários, por meio das exportações.

Vai acontecer? Vamos ver! A esperança está numa revisão de conceitos do que hoje se consideram fundamentos do núcleo que comanda a UE. Às vezes, é mais difícil mudar uma convicção do que mover uma montanha.

Ex-governador, ex-prefeito de São Paulo

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

O vento mudou, mas para o quê?:: Clóvis Rossi

Crescimento agora é parte da agenda europeia, mas ainda falta acordo sobre como atingir esse objetivo

PARIS - A Europa tenta começar a sair de seu doloroso labirinto em três movimentos nos próximos 40 dias: a reunião entre o presidente francês, François Hollande, e a chanceler alemã, Angela Merkel, no dia 16; uma cúpula informal dos líderes europeus no dia 23; e, já em junho, a cúpula semestral.

Todos os movimentos girarão em torno do crescimento e, por extensão, do emprego, além da austeridade, cravada na cúpula de março. Que os ventos mudaram na direção do crescimento dá prova contundente o porta-voz da grande banca internacional, Charles Dallara, que, em entrevista à TV Bloomberg, sugeriu relaxar o ritmo dos cortes orçamentários na Grécia.

"Eles contraíram seu Orçamento em 10% nos últimos dois anos, e no ambiente atual pode-se construir um forte argumento em favor da moderação do ajuste fiscal", diz.

Por "ambiente atual", entenda-se a eleição de domingo em que 66% dos votos foram para partidos anti-ajuste.

Dallara é um tremendo falcão, capaz de me dizer, há três anos em Davos, que o presidente Barack Obama era "um moleque" por ter afirmado que, se a banca queria guerra, teria guerra.

Se Dallara agora não quer guerra, trata-se de uma rendição aos fatos, assim expostos na coluna de ontem para o "Financial Times" de Martin Wolf, que não é exatamente populista: "O aperto fiscal não melhora o desempenho de economias que encolhem. (...)De acordo com o Fundo Monetário Internacional, a relação dívida pública bruta/PIB subirá, não cairá, ano após ano, de 2008 a 2013, na Irlanda, na Itália, na Espanha e em Portugal. Cairá brevemente na Grécia, mas só por causa da reestruturação da dívida".

Se a dívida sobe, em vez de cair, e se não há crescimento, aumenta a chance de calote, como percebem os mercados.

Escreve, por exemplo, Dominique Seux, de "Les Echos", o "Financial Times" francês, sobre a pregação de Hollande pelo crescimento: "O novo presidente teve uma boa intuição: o ambiente é favorável a um discurso sobre o crescimento, pois os mercados, tendo votado pela austeridade, mudam de opinião por causa da Espanha".

A Espanha, mesmo sendo fundamentalista no ajuste, virou bola da vez no mercado da dívida ao resvalar de novo para a recessão.

O problema, portanto, é menos convencer os mercados e mais a Alemanha. O governo alemão até topa incluir crescimento no jogo europeu, desde que não seja à custa de mais dívida e mais deficit para financiar pacotes de estímulo.

Merkel prefere as chamadas reformas estruturais, codinome para reduzir a proteção aos trabalhadores, na pressuposição de que, em sendo mais barato demitir e em sendo os salários mais contidos, as empresas contratarão mais. "Nonsense", fulmina o liberal Martin Wolf: "No médio prazo, [reformas estruturais] aumentarão o desemprego, acelerarão a deflação e aumentarão o peso real da dívida".

É escandalosamente óbvio que a Europa não pode esperar o longo prazo. Mas é também óbvio que os novos ventos, pró-crescimento, ainda não encontraram um barco de ideias sólidas sobre o qual soprar.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Sair ou não sair do euro:: Celso Ming

Nesta quarta-feira, o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, se encarregou de passar o recado para a Grécia.

Disse ele que, se os gregos quiserem sair do euro, não haverá quem irá impedi-los. Disse ainda que, caso queiram permanecer no bloco, a melhor maneira para isso será observar o que foi definido nos contratos.

Dia após dia, vai sendo mostrado que os países centrais da área do euro têm se conformado com ter de enfrentar as consequências de eventual saída da Grécia. A situação é parecida com a existente às vésperas da quebra do Lehman Brothers, em 2008. Deixar quebrar seria uma calamidade; mas, se não deixar, como sabê-lo? Ou seja, com a possível saída da Grécia e com tudo o que viria junto ficaria mais fácil convencer os demais a não tratar com leviandade essa hipótese.

Nada menos que 77% dos gregos querem permanecer na zona do euro – apontam as pesquisas. Mas desejam do jeito deles, com sombra e água fresca proporcionadas pela vizinhança.

A saída da Grécia do bloco do euro seria um desastre, embora localizado. Além disso, a simples adoção de nova dracma, fortemente desvalorizada em relação ao euro, mais o calote geral inevitável não resolveriam problemas de fundo. O rombo orçamentário, de 7% do PIB em 2011, ficaria alguma coisa menor, porque o calote diminuiria certas despesas financeiras. No entanto, não seria o suficiente para que a Grécia pudesse dispensar os financiamentos, que ficariam inviáveis em decorrência do calote. O novo banco central da Grécia seria chamado a emitir moeda para pagar contas internas e a inflação iria para onde tivesse de ir. Mas seria incapaz de fornecer moeda forte para pagar importações.

A reinstituição da moeda nacional provocaria perdas inexoráveis de patrimônio da população. Aplicações financeiras nos bancos não poderiam mais ser recuperadas em euros; teriam de ser convertidas em dracmas. Assim como dívidas e compromissos internos, hoje em euros. Nessa paisagem, ficaria difícil evitar a recessão e a perda de salários em proporções até maiores do que as atuais, que o povo grego se recusa a suportar.

Comparações com a Argentina, que saiu do sistema de conversibilidade com o dólar (currency board) em 2002, valem pouco. A Argentina é um país com enorme capacidade de gerar receitas em moeda forte, graças a seu importante setor exportador.

É claro, o risco de contágio para o resto do bloco aumentaria exponencialmente com eventual quebra da Grécia. Mas, realisticamente falando, mesmo saindo caro, seria mais barato blindar o resto da economia europeia mais os bancos europeus do impacto provocado pela quebra da Grécia (2,2% do PIB do euro) do que se a economia em questão fosse a Espanha ou a Itália.

Por isso mesmo, um desastre que se restringisse à Grécia poderia cumprir a função de mostrar aos eurocéticos e a tantos que vêm apostando contra o euro a tragédia que seria para o país que decidisse desistir do bloco.

Por falta de opção, a saída da Grécia da zona do euro parece ter ficado inevitável. O ministro Schäuble pode estar apenas tentando preparar os espíritos.

CONFIRA

O gráfico mostra a evolução do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 12 meses, a inflação que define a política de juros.

Serviços ainda caros. A inflação no mês de abril, de 0,64%, veio no teto das expectativas. Foi bem mais alta do que a de março (0,21%). É cedo para concluir que a alta do dólar está puxando os preços. Se, de um lado, os importados estão mais caros, de outro, a cotação das commodities está em relativa queda. Continua preocupante a alta dos serviços, que foi de 0,76% em abril, acumula 3,71% no primeiro quadrimestre do ano e atingiu 9,10% em 12 meses.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

O trator pega a estrada:: Vinicius Torres Freire

Mudanças improvisadas, como a dos juros, podem ter efeitos "estruturais", mas não bastam

O ambiente está tenso aqui no Brasil. Entre elites, claro: governo, banqueiros, mídia, políticos e outros do gênero. O governo federal não deixa passar um "ai" que venha de bancos, de seus representantes ou de críticos da campanha dilmiana contra os juros altos.

O ambiente está tenso porque Dilma Rousseff teria descoberto ou escolhido um caminho para encontrar o seu Graal político, sua medalha de ouro, a marca com a qual quer sair da vida política para entrar na história: baixar os juros. Mais modestamente, seria esse o "Plano Real" da presidente. Leva chumbo quem atravessar o caminho luminoso do programa presidencial.

Tucanos de corpo ou de alma e críticos em geral do programa dilmiano desdenham a comparação, dizendo que o Plano Real teve "impactos estruturais e duradouros" no país. "Baixar os juros na marra" não teria o mesmo efeito.

Bem, o Plano Real, em si mesmo, foi um improviso e um artifício brilhante para conter a inércia hiperinflacionária. Não teria ido longe sem medidas complementares (hipervalorização cambial, abertura do comércio, privatização, controle da dívida dos Estados, saneamento bancário).

Não foi pouca coisa, mas muita coisa deixou de ser feita e continuou meio improvisada, no mau sentido. Mas o fim da hiperinflação por si só mudou muito o país, mesmo que ainda faltassem muitas medidas "estruturais" de estabilização.

O programa dilmiano é muito mais improvisado e talvez politizado demais (no sentido de depender mais de força do que de jeito e mudanças institucionais). Mesmo que aos trancos e barrancos, no entanto, vai provocar mudanças em outras áreas se for capaz de manter os juros baixos por algum tempo.

Algumas mudancinhas já são visíveis: investidores procuram alternativas para aplicar seu dinheiro, que talvez agora procure financiar empresas. Talvez Dilma prove a tese de que os juros no Brasil são altos em parte porque são altos faz muito tempo. Mas tratar apenas de juros e câmbio é pouco.

Dilma disse que vai tratar também de reduzir impostos, a carga tributária. Pode ser. Para tanto, talvez tenha de se reeleger.

Mas seus ministros econômicos têm dito que as contas do governo estariam equilibradas ou quase isso em 2014. Sem deficit, com arrecadação crescendo um pouquinho além do PIB, dá para cortar impostos.

Para vir o equilíbrio fiscal, o governo precisa ter alguma sorte (que a crise mundial não fique ainda pior), que o Brasil cresça pelo menos 3,5% ao ano e evitar, daqui até 2014, o aumento de gasto com benefícios sociais e com funcionários (como proporção do PIB). E manter o investimento público nesse nível miudinho, a não ser que reduza o tamanho do Estado em outras áreas.

Convenhamos que equilíbrio nas contas públicas seria um feito. Não seria lá um feito muito duradouro, pois muito dependente do ciclo econômico (anos bons de crescimento do PIB e da receita de impostos). No programa dilmiano faltam alguma visão de médio prazo e mudanças institucionais.

Sim, a gente faz a história do jeito que dá, com os instrumentos à mão. Não há perfeição na política. Mas apenas vontade pura, ou voluntarismo, também não dá certo.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Nas asas oficiais:: Míriam Leitão

O JBS vai fazer agora um grande favor ao governo e um grande negócio, ao mesmo tempo. Até então, o grupo tinha feito grandes negócios com favores do governo. Sua holding J&F vai assumir a Delta, a empreiteira que vive uma cachoeira de acusações e que é a maior nas obras do PAC. Se ela quebrasse, seria um desastre para o governo. Nos últimos anos, o grupo JBS recebeu um suporte financeiro do BNDES de cerca de R$ 13,3 bilhões.

Todas as grandes compras da família Batista nos últimos tempos tiveram ajuda do BNDES e BNDESPar. De vários tipos: financiamento para compra de outras empresas, empréstimos, aquisição de debêntures que depois viram capital no grupo.

Foi assim que o BNDES virou sócio do frigorífico. Tanto emprestou através de compra de debêntures conversíveis que acabou ficando assim a divisão de capital do JBS: FB (de Família Batista) 44,6%; BNDES, 31,4%. O resto, ações em mercado.

A empresa teve crescimento exponencial nos últimos anos, entrou em várias áreas, está se diversificando de forma espantosa, e tem como companheiro inseparável nos seus voos econômicos o banco estatal de investimento.

São várias operações. Em 2007, o BNDESPar subscreveu R$ 1,1 bilhão em ações da empresa para a compra da Swift & Co, nos Estados Unidos. Em 2008, nova subscrição de R$ 1 bilhão em ações para apoiar a compra da National Beef Packing e Smithfield Beef Group, também nos Estados Unidos. Em 2008, subscreveu R$ 2,5 bi em ações da Bertin para, segundo o BNDES, "suportar o plano de negócios da empresa". Parece que o plano não suportou a realidade. Logo depois, o JBS ficou com a parte de frigoríficos da Bertin, levando a empresa já engordada com o dinheiro do banco.

Em 2009 e 2010, o JBS emitiu debêntures em R$ 3,5 bilhões e o banco comprou 99,9%. O "resto" ficou com a família Batista. Foi o dinheiro que o grupo usou para comprar a Pilgrim"s nos Estados Unidos. O banco depois transformou todas as debêntures em ações do grupo.

Além disso, os frigoríficos do grupo receberam mais R$ 2,5 bilhões em empréstimos diretos do BNDES, entre 2005 e 2012. A última grande operação entre JBS e BNDES foi um novo financiamento, desta vez de R$ 2,7 bilhões, em junho de 2011, para o investimento na construção da Eldorado Celulose e Papel, em Minas Gerais. O dinheiro está sendo desembolsado. Outros sócios da Eldorado são os fundos de pensão de estatais Petros e Funcef. Segundo o grupo JBS, a Eldorado, a ser inaugurada este ano, será uma das maiores empresas de celulose de eucalipto no mundo. Em produção de proteína animal, o JBS já é o maior do mundo.

Hoje, o grupo está na produção, processamento e comercialização de carnes bovina e de aves, compra e engorda de bois, agricultura, celulose e eucalipto, cosméticos e limpeza, lácteos e na área bancária. O Banco JBS engordou ao comprar o Matone com dinheiro do Fundo Garantidor de Crédito. Agora entra no rentável negócio de empreitadas para o governo.

Recentemente, informou-se que a empresa está comprando os negócios do Independência. E nisso aí é outro favor que faz ao BNDES. O projeto do banco de criar campeões nacionais na área de carne, induzindo uns a comprarem outros, teve alguns fracassos. Bertin, por exemplo, um dos escolhidos, teve que ser vendido logo depois que o BNDES entrou de sociedade na empresa. Aliás, foi para o setor elétrico com a ajuda do governo e também não teve bom desempenho. Mas no complexo carne o maior desastre foi o Independência.

O BNDES entrou de sócio pagando R$ 250 milhões ao Independência e logo depois o frigorífico quebrou. Atualmente, um processo corre sob segredo de Justiça na Câmara de Arbitragem da Bolsa de Valores de São Paulo, no qual o banco tenta reaver o dinheiro que usou com imperícia ao comprar ações de um frigorífico quebrado. O JBS agora vai comprar o que resta da empresa e assim o caso tem uma chance de final feliz.

A mesma oportunidade de limpeza pode-se vislumbrar agora. Se o J&F, onde o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles é presidente do conselho, assumir a Delta, as obras do PAC, da Copa e das Olimpíadas não sofrerão atrasos, interrupções ou suspensões.

O governo dirá que não é o BNDES que vira sócio da Delta, porque o banco é sócio do JBS. Só que ele é o começo do grupo e seu principal ativo. Portanto, sim, o banco é sócio de uma empresa controlada por uma holding que vai assumir a Delta.

JBS são as iniciais de José Batista Sobrinho, empresa fundada por um mineiro que foi para Goiás e que até a construção de Brasília era apenas um pequeno estabelecimento. Com as obras, o patriarca foi para as imediações da capital e passou a fornecer carne para os que chegavam de todas as partes do país. Assim deu os primeiros passos para virar empresa. Era um caso de moderado sucesso mas deu saltos ornamentais nos últimos anos com empréstimos e venda de ações para o BNDES.

A filosofia do grupo é comprar uma empresa em dificuldades ou quebrada, mudar a gestão, e assim ganhar com isso. Dentro desse aspecto, a Delta seria apenas mais uma. Deveria ter encantado o mercado, já que está crescendo. Mas as ações do grupo têm sofrido muito há muito tempo: sobe um pouco e cai, sobe um pouco e cai. Teve forte queda de 5,7% nos últimos dois dias - mais que o Ibovespa - quando começou a ventilar o rumor de que, além de todas as outras áreas, viraria também uma empreiteira.

FONTE: O GLOBO

CPI desnorteada:: Janio de Freitas

A restrição imposta contraria a liberdade dos congressistas da comissão, postos sob censura e suspeição

A CPI começou mal e conseguiu piorar já no segundo passo.

As providências extremadas de seu presidente, Vital do Rego, pretensamente protetoras do sigilo das sessões, foram desmoralizadas logo no depoimento de estreia da atividade inquisidora.

A CPI está reduzida a um conjunto desnorteado de congressistas. Seja quanto às limitações para sua atividade, quanto às suas tumultuadas instruções políticas e quanto à real dimensão da tarefa em que estão cercados de tantos indícios e, ainda mais, boatos sobre figurões em ilegalidades.

Nas condições a que foi submetida, a CPI não pode funcionar. Ou a sua direção reconsidera, com urgência e totalmente, as regras que definiu para os trabalhos e para a conduta dos congressistas, ou, por certo, recursos ao Supremo Tribunal Federal vão se suceder, em busca das condições negadas.

O acréscimo de uns poucos computadores, aos três que pusera à disposição dos 30 integrantes da CPI para consulta à documentação, não soluciona a escassez e, muito menos, a essência do problema.

A determinação do número de computadores foi um ato arbitrário, sem amparo algum.

É tão impossível justificar sua escassez, como não permitir, desse modo, o acesso de toda a comissão ao conhecimento necessário de acusações e documentos do caso. E a consultas a qualquer altura e qualquer parte.

A restrição imposta contraria a liberdade dos congressistas da CPI. Ao proibir, àquele que alcance um dos computadores, o auxílio de técnicos e o porte até de celulares, as regras da comissão retiram recursos proporcionados pelo próprio Congresso para o desempenho de seus componentes.

Nisso, além da liberdade parlamentar que desapareceu, os membros da CPI são postos sob censura e suspeição. E, até onde se saiba, a censura é vedada pela Constituição e uma CPI não pode se compor de suspeitos, dados como tais por sua própria direção.

Esteja ou não sob ordem de sigilo, a matéria da CPI não tem como resistir aos hábitos parlamentares brasileiros.

Assim como previsto, inclusive aqui, o primeiro depoimento nem terminará e já eram passadas a repórteres, por exemplo, as acusações do primeiro depoente ao procurador-geral da República.

O mais significativo do depoimento estava em jornais ontem pela manhã. Com foto.

A CPI precisa de alguma ordem, sem dúvida. Mas realista -conhecidas as limitações a toda intenção de ordem no Brasil- e sobretudo sem arbitrariedades que agridam direitos.

Se não houve mesmo o propósito, com as regras autoritárias, de reduzir o conhecimento da documentação reunida pela Polícia Federal, ainda assim as restrições ganharam um sentido político.

A dificuldade de acesso impede o conhecimento de conclusões policiais e documentação presumivelmente exploráveis, e talvez desastrosas mesmo, contra partes do PT, do PMDB, do PSDB, dos ruralistas, de governos e instâncias do Judiciário. Ao que consta da muito farta e inconfiável circulação de possíveis indícios e óbvios boatos.

Mais um motivo para a reconsideração das regras que facilitam esse aspecto político da difícil CPI.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Inflação dá salto e BC pode frear juro baixo

A inflação da meta, o IPCA, triplicou em abril, passando a 0,64%. Com isso, os analistas já temem que o Banco Central não tenha condições de continuar baixando os juros como o governo pretende. O BC enfrenta ainda o desafio de divulgar ou não o voto de seus diretores.

No caminho dos juros, a inflação

IPCA triplica para 0,64%, levantando dúvidas sobre continuidade de cortes na Selic

Fabiana Ribeiro

O DILEMA DOS JUROS

A inflação brasileira triplicou em abril. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) saiu de 0,21% em março para 0,64% - a maior taxa em um ano. Apenas três itens (cigarro, empregado doméstico e remédios) concentraram quase 40% da taxa de abril. Mas os preços maiores, frisam analistas, aparecem disseminados na economia. Assim, o índice acumula variação de 1,87% no ano e 5,10% nos últimos 12 meses. Números que já levantam dúvidas no mercado: uma inflação mais salgada pode dar um basta aos cortes dos juros? A princípio, não. Mas a resposta, para especialistas, depende do nível da atividade da economia e dos desdobramentos da crise internacional - indicadores que mexem com câmbio, demanda e, naturalmente, com a inflação. Na semana passada, o governo mexeu no rendimento da caderneta de poupança, com a intenção de permitir um corte maior dos juros.

- O IPCA de março triplicou, com uma alta abrupta. Apesar de três itens concentrarem 38% da alta, há aumentos generalizados - disse Eulina Nunes, gerente do IBGE, em referência a aumentos dos preços de cigarros e remédios e nos salários de empregados domésticos, de 15,04%, 1,58% e 1,86%, respectivamente.

Os gastos nos supermercados subiram no mês passado. Só o grupo de Alimentos e Bebidas saiu de 0,25% para 0,51% em abril. O feijão carioca - o mais consumido no país - enfrentou problemas com a seca no Nordeste, e o consumidor pagou 12,66% a mais pelo alimento. Também encareceram itens como o feijão mulatinho (13,09%), a farinha de mandioca (6,58%) e o alho (6,33%). Além disso, o efeito da alta do dólar começa a aparecer na conta do supermercado. Segundo Eulina, os artigos de limpeza, com alta de 1,38%, ficaram mais caros por causa, em parte, do dólar mais valorizado. Insumos dessa indústria são importados.

- E há indícios de que o óleo de soja tenha sofrido influência do câmbio: o dólar mais alto estimulou a exportação do produto, reduzindo a oferta interna - explicou Eulina.

Contrato futuro sobe com a inflação

A inflação veio acima das projeções de 0,58%, segundo o último boletim Focus. Para maio, a expectativa de um IPCA mais suave, em 0,47%.

- O que se viu em abril não é uma tendência: é um comportamento pontual. Essa alta não deve alterar os planos do Banco Central (BC), que na próxima reunião deve reduzir 0,50 ponto percentual a taxa básica de juros, a Selic. Os cortes devem continuar até uma Selic de 8%, quando o governo vai parar e olhar a atividade - disse Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do BC.

Freitas explica que é possível fazer mais cortes na Selic porque o nível de atividade ainda está fraco, com perspectivas de crescimento abaixo dos 3% em 2012. Além disso, a crise empurrou a demanda mundial para baixo, levando o Brasil a importar deflação do mundo. Uma opinião compartilhada com Eduardo Velho, economista da Prosper Corretora, que espera uma inflação de 0,42% em maio.

- Acredito em mais dois cortes nos juros, de 0,50 ponto percentual. A Selic pode até entrar 2013 em 7,5%. A inflação de agora não se trata de uma ameaça: esse problema o governo empurrou para 2013, quando a economia pode estar mais aquecida.

Apesar da crença dos analistas, o IPCA de 0,64% influenciou o mercado de juros futuros. A taxa do contrato com vencimento em janeiro de 2013 passou de 7,97% para 8,03%, num movimento de alta verificado na maioria dos contratos. O IPCA de ontem foi o segundo indicador seguido a apontar aceleração da inflação - na terça-feira, foi a vez do IGP-DI.

As taxas dos contratos futuros de juros vinha em movimento contínuo de queda. Na semana passada, o movimento acelerou-se, com a decisão do governo de mudar a regra da poupança.

- O mercado parecia estar acreditando muito que, sem a restrição da poupança, a Selic poderia ir abaixo de 8%, mas começou a reavaliar os preços, incluindo outras variáveis, como a inflação - explica Rogério Freitas, sócio da Teórica Investimentos.

André Perfeito, economista da Gradual Investimentos, não está tão certo de que o BC siga cortando a Selic. Para ele, o BC deve cortar 0,50 ponto percentual em fins de maio, mas deve indicar na ata que o período de afrouxamento monetário chega ao fim por causa de incentivos já dados à economia.

Colaboraram Marcio Beck e Vinicius Neder

FONTE: O GLOBO

No meio do caminho:: Carlos Drummond de Andrade

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Carlos Drummond de Andrade
In Alguma Poesia
Ed. Pindorama, 1930
© Graña Drummond

quarta-feira, 9 de maio de 2012

OPINIÃO DO DIA – Fernando Henrique Cardoso: valores e economia.

É preciso contrapor os temas morais ao predomínio do econômico. Há uma demanda crescente de respeito por parte dos cidadãos. Estes aderem a valores não como decorrência automática de serem patrões, empregados, ricos, pobres, pertencerem a esta ou àquela organização, mas por motivos morais e culturais. Com essa perspectiva, Touraine responde categoricamente que não é com os partidos que a política ganhará outra vez legitimidade. As instituições estão petrificadas. Só os movimentos sociais e de opinião, movidos por um novo humanismo expresso por lideranças respeitadas, pode despertar a confiança perdida. Só assim haverá força capaz de se opor aos interesses institucionais do capitalismo financeiro-especulador, que transformou o lucro em motor do cotidiano. Daí a importância de novos atores, de novos "sujeitos sociais", portadores de uma visão de futuro que rejeite o status quo.

CARDOSO, Fernando Henrique, sociólogo, foi presidente da República, em Política e moral. O Globo, 6/05/2012.

Manchetes de alguns dos principais jornais do Brasil

O GLOBO
Grécia à deriva força Europa a apostar no crescimento já
Brasil vai desistir de novas usinas nucleares
A Copa suíça e a Copa carioca
Meirelles, ex-BC, assumirá cargo na ‘nova Delta’
Bancos se retratam após ação de Dilma
‘Linhão’ de Belo Monte abastecerá Rio e Minas

FOLHA DE S. PAULO
Processo que pode cassar Demóstenes é aberto por 16x0
Gasto com diárias no exterior triplica na gestão de Cabral no Rio
Governo quer facilitar troca de dívida para outro banco
Crise política na Grécia derruba Bolsas no mundo

O ESTADO DE S. PAULO
Bancos vão baixar juros e indicam apoio a Dilma
Governo intervém e assume Copa
PF: Cachoeira operou na CGU
FAB vai destruir pistas ilegais em áreas indígenas

VALOR ECONÔMICO
Congresso pode abrir terras indígenas para a mineração
Senado apressa outro Código Florestal
Investidores migram para títulos privados
Nova safra de IPOs pode alcançar R$ 6 bi

CORREIO BRAZILIENSE
TJ bloqueia fortuna de ex-senador do DF
Desvios: Izalci na mira do MP
Trabalho escravo: Grito Contra a exploração
Delegado lança suspeita sobre a PGR
Processo para cassar senador começa a andar

ESTADO DE MINAS
Esquentou
Caso Cachoeira: Aberta ação para cassar Demóstenes

ZERO HORA (RS)
Empresa de Cachoeira cobra R$ 22,8 milhões do Estado por Lotergs
Sindical: Negociação direta volta ao debate em Brasília

JORNAL DO COMMERCIO (PE)
Copa das Confederações em Pernambuco, diz CBF
Delta é vendida e presidente será Meirelles
Térmicas serão ligadas e deixarão a luz mais cara

O que pensa a mídia - editoriais dos principais jornais do Brasil

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Bancos vão baixar juros e indicam apoio a Dilma

Os dois maiores bancos privados do País, Itaú e Bradesco, preparam novas reduções de juros cobrados de empresas e pessoas físicas. A medida é uma forma de demonstrar convergência com a agenda da presidente Dilma Rousseff, um dia depois de mais uma polêmica entre o governo e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Um documento assinado pelo economista-chefe da entidade, Rubens Sardenberg, colocou em dúvida se a queda de juros resultaria em ampliação de crédito."Você pode levar um cavalo até a beira do rio, mas não conseguirá obrigá-lo a beber água", escreveu. A nota causou estranheza no governo, e ontem banqueiros se esforçaram para desfazer o mal-estar - a Febraban disse que a opinião de Sardenberg não era oficial

Bradesco e Itaú vão cortar taxas de juros

No Itaú, devem ser contemplados o crédito pessoal e o financiamento de automóveis

Leandro Modé

Os dois maiores bancos privados brasileiros, Itaú e Bradesco, preparam novas reduções das taxas de juros cobradas de empresas e pessoas físicas. No dia seguinte à eclosão de nova polêmica entre o governo e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), ambos procuraram demonstrar convergência com a agenda da presidente Dilma Rousseff para baixar o custo do dinheiro no País. "Revisamos nossas taxas de juros de empréstimos, fizemos ajustes e somos competitivos. Continuaremos ajustando à medida que a Selic (taxa básica de juros) caia", afirmou ao Estado o presidente do Itaú, Roberto Setubal. O banco prepara uma nova rodada de queda de taxas de juros. As duas próximas áreas que devem ser contempladas são financiamento de automóveis e crédito pessoal. "Nós compartilhamos as preocupações da presidente Dilma com a estrutura de juros do País. Às vezes existem cobranças, que absorvemos com naturalidade. Estamos trabalhando, analisando as opções e caminhos", disse ao Estado o presidente do Bra-desco, Luiz Carlos Trabuco Cappi. "Nosso esforço está endereçado na meta de reduzir o peso da estrutura do custo de capital para consumo e investimentos."

Há exatamente três semanas, os dois bancos anunciaram, no mesmo dia, cortes de taxas de juros em algumas modalidades de financiamento. O processo foi detonado no início de abril pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal. Aos poucos, os bancos privados aderiram ao movimento. Mas, até agora, o BB e a Caixa já
implementaram três reduções, enquanto os privados fizeram apenas um comunicado. Alguns analistas observaram também que os bancos privados foram menos agressivos que os públicos em seus cortes. O tom de Setubal, ontem, foi mais suave do que o adotado na sequência do primeiro corte do banco. "Estamos procurando expandir a oferta de crédito para acelerar e fortalecer a recuperação da economia. A inadimplência vai se reduzir com a queda dos juros e a recuperação da economia." Há três semanas, ele afirmara que o Itaú Unibanco "gostaria de poder reduzir mais as taxas". "Mas, neste momento, identificamos um cenário de inadimplência mais elevado que o normal. É desejável diminuí-la para que tenhamos juros mais baixos."

Poupança. O Itaú prepara uma campanha publicitária para ir ao ar a partir do próximo fim de semana sobre a caderneta. A ideia é dizer que a tradicional aplicação financeira continua sendo uma ótima opção de investimento. "A solução que o governo deu para o rendimento da poupança foi tecnicamente adequada e bem recebida pelos poupadores. Vamos fazer campanhas para ajudar a população entender as novas regras." Trabuco também elogiou as mudanças adotadas pelo governo. "As novas regras na poupança são corajosas e coerentes com esse cenário de união e esforço pela redução dos juros e ampliação do crédito", afirmou. "O melhor é que a poupança mantém-se como investimento s eguro, rentável e com liquidez."

Trabuco foi um dos banqueiros que ligaram ontem para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para desfazer o mal-entendido criado após um relatório do economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg. Em um texto em que analisava o potencial efeito dos juros mais baixos sobre a oferta de crédito, Sarden-berg escreveu que "você pode levar um cavalo até a beira do rio, mas não conseguirá obrigá-lo a beber água". A frase foi recebida com estranheza no governo e os bancos correram para explicar que não era uma provocação, mas apenas uma análise técnica que não expressava a opinião do setor sobre a agenda de Dilma.

Desde o início do processo, os bancos têm sido cautelosos nas declarações públicas sobre as demandas do governo. O único que destoou no processo foi o presidente da Febraban, Murilo Portugal, que, após uma reunião com autoridades em Brasília, disse que a bola estava com o governo. Ele se referia às propostas apresentadas pela entidade para permitir uma queda sustentada dos juros bancários no País.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Meirelles, ex-BC, assumirá cargo na ‘nova Delta’

A J&F Holding, do frigorífico JBS, assumirá o controle da Delta Construções, investigada na CPI do Cachoeira. Henrique Meirelles, da J&F Holding, ex-presidente do BC, deve presidir o Conselho de Administração da Delta. O Conselho de Ética do Senado abriu processo contra Demóstenes Torres

Holding assume controle da Delta; Meirelles, ex-BC, integrará Conselho

CGU já identificou indícios de corrupção em outros contratos da empreiteira

Gustavo Uribe, Roberto Maltchik

Tentáculos da contravenção

SÃO PAULO e BRASÍLIA. A J&F Holding, grupo que controla o frigorífico JBS, irá assumir o controle da Delta Construções, empresa alvo de investigação na CPI do Carlinhos Cachoeira. A informação é de agentes envolvidos na negociação, segundo os quais um comunicado sobre a operação deve ser divulgado hoje. Em um primeiro momento, antes da aquisição completa da empreiteira, a J&F Holding irá administrar o fundo que controla a Delta Construções, para avaliar a situação financeira da empresa. A expectativa é de que um novo presidente assuma a construtora, atualmente a sexta maior empreiteira nacional.

As negociações para a venda da Delta se estendem desde a semana retrasada e foram conduzidas, segundo pessoas que participaram da negociação, por Joesley Batista e Henrique Meirelles, da J&F Holding, e por Fernando Cavendish, presidente licenciado da Delta. O ex-presidente do Banco Central deve, inclusive, assumir a presidência do conselho de administração.

O mercado já vinha apostando em um acordo para esta semana entre a construtora e a holding, com a divulgação de fato relevante aos investidores. Em abril, o colunista do GLOBO Ancelmo Gois antecipou que a empreiteira estava à venda, após passar por problemas de caixa em virtude da divulgação de irregularidades em contratos com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

A aquisição da empreiteira pela holding representa a expansão dos negócios da J&F para o ramo da construção civil. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) possui cerca de 30% do capital do grupo JBS. Na semana retrasada, a construtora deixou o consórcio responsável pelo projeto da Transcarioca, após ter se retirado das obras de reforma do estádio do Maracanã.

O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, já afirmou que o Ministério do Planejamento estava se preparando para uma eventual saída da Delta das principais obras do governo federal, em especial as do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Um diretor de uma das cinco maiores empreiteiras do País, ouvido pelo GLOBO, avaliou que a venda tem caráter mais político que econômico, uma vez que, por meio dos atuais contratos firmados, a empresa não quebraria a curto prazo. O executivo ponderou, contudo, que há risco de o patrimônio da empreiteira "derreter" com o passar do tempo, sobretudo com o aprofundamento das investigações no âmbito da CPI do Cachoeira.

CGU pode declarar construtora inidônea

A Delta é alvo de investigações também na Controladoria Geral da União (CGU), que identificou indícios de possível tráfico de influência e corrupção de servidores públicos em contratos firmados entre o governo federal e a empresa em diferentes estados, nos quais já foram detectadas irregularidades como superfaturamento e pagamentos por serviços não executados.

A relação de indícios, ainda em apuração, está no processo sigiloso aberto para determinar se a empresa será ou não declarada inidônea. A CGU ainda deverá instaurar novo processo contra a Delta, após receber do Supremo Tribunal Federal (STF) o conteúdo da Operação Monte Carlo. Os documentos já foram solicitados em ofício remetido ao STF.

Por ora, o processo de declaração de inidoneidade está fundamentado na Operação Mão Dupla, da Polícia Federal, que, em 2010, desbaratou um esquema de corrupção em obras tocadas pela Delta no Ceará, com o apoio de servidores do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

De acordo com as conclusões da operação, esses funcionários, incluindo o superintendente do Dnit no Ceará, teriam recebido propina e outras vantagens da construtora. Porém, a Corregedoria elencou indícios de práticas similares em outros estados.

Os indícios de práticas similares às encontradas no Ceará têm como origem extenso levantamento que apontou irregularidades em 60 contratos firmados entre o Dnit e a Delta em 19 estados.

Como os processos administrativos disciplinares e de inidoneidade são sigilosos, a CGU não comenta o assunto.

A Delta já foi notificada sobre o processo de inidoneidade, que deve ser concluído até o final de junho. A empresa está em fase de elaboração da defesa, que será remetida ao governo federal. A empresa informou que se manifestará no curso do processo e que "reafirma a lisura e correção em todos os processos".

Fonte: O Globo

Gasto com diárias no exterior triplica na gestão de Cabral no Rio

Gasto com diárias no exterior triplica no governo do Rio

Despesas atingiram recorde no ano passado e somam R$ 20 milhões desde a posse de Sérgio Cabral em 2007

Assessoria afirma que aumento de gasto se deu para atração de "negócios e eventos", como a Olimpíada

Ítalo Nogueira 

RIO - Sob administração do governador Sérgio Cabral, o governo do Rio gastou desde 2007 mais de R$ 20 milhões em diárias no exterior, segundo dados da Secretaria Estadual de Fazenda.

O gasto vem crescendo ano a ano, batendo o recorde em 2011, quando R$ 5,6 milhões foram usados para custear viagens oficiais internacionais de funcionários do governo.

Entre as viagens com diárias custeadas pelo Estado está a missão a Paris em setembro de 2009, na qual secretários e Cabral foram fotografados confraternizando com empresários que têm contratos com o Estado, como Fernando Cavendish, dono da Delta.

O governador afirma que a festa na qual as imagens foram feitas foi paga pelo barão francês Gerard de Waldner.

Os números mostram que o governo Cabral quase triplicou os gastos com viagens ao exterior, em comparação com os de sua antecessora, Rosinha Garotinho (2003-2006).

Enquanto a administração anterior gastou R$ 4,9 milhões nos quatro anos, a gestão do peemedebista consumiu, de 2007 a 2010 (seu primeiro mandato), R$ 13 milhões com diárias no exterior, em valores atualizados.

O governo disse, por meio da assessoria de imprensa, que as missões oficiais servem para "atração de negócios, eventos e turismo" e citou como exemplos a Rio +20 e a Olimpíada.

Cabral recebeu diretamente do governo R$ 148 mil em diárias desde 2007, quando assumiu o governo. Esse valor foi usado nos 127 dias em que, segundo sua assessoria, ele esteve em missões internacionais. O gasto médio diário é de R$ 1.116.

Para sua assessoria, é "compatível com despesas de uma viagem internacional".

As diárias podem ser usadas para gastos com alimentação, estadia e locomoção urbana.

A assessoria do governo afirma ainda que os funcionários recebem o valor antes da viagem, com base em estimativa de gasto. Não há prestação de contas posterior.

Constam ainda da lista de beneficiários de diárias do Estado secretários presentes na festa com empresários.

Régis Fichtner (Casa Civil) recebeu R$ 72 mil desde o início do governo. Já Sérgio Cortês (Saúde) e Julio Lopes (Transportes) ganharam, respectivamente, R$ 41 mil e R$ 65 mil. Wilson Carlos (Governo) obteve apenas R$ 3 mil, segundo a Fazenda.

No ano passado, o governo do Rio criou um cartão corporativo, semelhante ao usado no governo federal. Segundo a assessoria, o objetivo foi dar "agilidade e facilidade na prestação de contas de despesas". Até o momento, apenas a Secretaria da Casa Civil tem o cartão.

Fonte: Folha de S. Paulo

Não há motivo para Cabral ser convocado, diz Temer

Para vice-presidente, jantar de governador com empreiteiro não é "ilegal"
Oposição quer que peemedebista explique proximidade com dono da Delta, associada ao esquema de Cachoeira

Fernando Rodrigues
BRASÍLIA - O vice-presidente Michel Temer, principal líder do PMDB, disse ontem não ver motivos para que o governador do Rio, o peemedebista Sérgio Cabral, seja convocado pela CPI do Cachoeira.

Para ele, as viagens e o jantar do colega de partido com o empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta, não configuram crime.
Embora Temer tenha tido o cuidado de ressaltar que não deseja influir na investigação do Congresso, trata-se de uma declaração de peso. O vice é presidente nacional licenciado do PMDB.

Temer falou em entrevista à Folha e ao UOL. Seu recado sobre Cabral reforça a estratégia do governo de proteger os governadores de partidos aliados. Outro citado nas investigações é o governador do DF, Agnelo Queiroz (PT).

Deputados e senadores pró-governo querem impedir a convocação de Cabral e de Agnelo. Ao mesmo tempo, tentarão forçar um depoimento do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).

Cabral aparece em viagem ao exterior confraternizando com Cavendish em imagens divulgadas pelo deputado Anthony Garotinho (PR-RJ). Para Temer, esse fato "pode ser apurado".

Indagado se o governador deveria se explicar melhor sobre seu relacionamento com Cavendish, Temer disse que ele poderá fazer isso "não necessariamente na CPI".

"Me me parece que chamar o Sérgio Cabral porque ele jantou com um empreiteiro, ou jantou com secretários ou o que seja... Só se a ilegalidade for jantar com um empreiteiro. Se isto for ilegal, muito bem. Não me parece."
Ele frisou, porém, que a convocação de governadores "é uma decisão da CPI".
Câmara

Na entrevista, o vice-presidente negou que a relação pouco amistosa da presidente Dilma Rousseff com o líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN), seja um óbice para o peemedebista presidir a Casa a partir de 2013.
"A proximidade com a presidente não é o fator determinante para a decisão", disse.

PT e PMDB têm acordo para que haja um rodízio entre as siglas no cargo de presidente da Casa.

Segundo Temer, Dilma pode se aproximar do PMDB na discussão sobre a reforma do Código Florestal. Se ela vetar texto na íntegra e baixar uma medida provisória no lugar, o partido poderia trocar de posição e ajudá-la.
"Na opinião dele, "se houver uma nova formulação legislativa, ainda que por medida provisória, não é improvável acordo dessa natureza. E o PMDB vai colaborar".
Fonte: Folha de S. Paulo

PF: Cachoeira operou na CGU

Inquérito da Polícia Federal sugere que o contraventor Carlinhos Cachoeira operou na Controladoria-Geral da União para prejudicar um concorrente da empreiteira Delta, pivô do escândalo. A CGU deve instaurar sindicância. Ontem, o conselho de ética do Senado abriu processo contra Demóstenes Torres por sua relação com Cachoeira

Esquema de Cachoeira tinha "infiltrado" na CGU

Corrupção e CPI. Araponga Dadá, ligado ao contraventor, foi flagrado pela Polícia Federal em diálogos com ex-diretor da Delta Construções referindo-se a um "amigo da CGU" que poderia defender interesses do grupo; órgão de controle interno abrirá sindicância

Alfredo Junqueira

BRASÍLIA - A organização criminosa liderada pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, operou dentro da Controladoria-Geral da União (CGU) para prejudicar um concorrente da Delta Construções. Investigações da Polícia Federal mostram que a empreiteira quis usar um funcionário ligado ao araponga Idalberto Matias Araújo, o Dadá, para atingir a Warre Engenharia e Saneamento – empresa envolvida em irregularidades em obras em Goiânia. A CGU já requisitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) cópia do inquérito da Operação Monte Carlo e deve instaurar sindicância interna.

Chamado pelo araponga de "amigo lá da CGU" e "companheiro da CGU", o suposto servidor do órgão de controle interno do governo federal teria atuado para incluir a Warre em auditoria realizada no ano passado para apurar desvios cometidos em convênios firmados pelo Ministério do Turismo com ONGs. As fraudes já haviam sido alvo de outra investigação da PF, batizada de Operação Voucher, realizada no dia 9 de agosto do ano passado, mas que não colocou a empreiteira no radar da PF.

Em conversa telefônica gravada horas depois da ação dos agentes federais no Ministério do Turismo, Abreu pediu que Dadá plantasse informações que ligassem a construtora concorrente, sediada em Goiânia, com as irregularidades identificadas na pasta. Entre as 36 pessoas presas na Operação Voucher estava o então secretário executivo do ministério, Frederico Silva da Costa. Segundo Abreu, "o ex-número dois" era ligado à Warre. "O pessoal da Warre Engenharia é aqui da cidade. O dono dela é o Paulo Daher e o filho dele, o Ricardo Daher. (...) Eles são amigos de infância. E esse cara que foi preso aí (Frederico) arrumou dinheiro pra eles e direcionou as obras", explicou Abreu a Dadá. "Então, dá pra plantar isso aí? Os caras fazerem a ligação com eles?", questiona o empreiteiro. O araponga, então, responde: "Dá. Se não der, a gente coloca na mídia, né? Que aí os caras se interessam. Vou falar com aquele amigo lá da CGU", diz Dadá.

Auditoria. O impacto das revelações da Operação Voucher levou a presidente Dilma Rousseff a instaurar uma auditoria em todos os convênios do Ministério do Turismo. Dois dias após a ação da PF, o ministro-chefe da CGU, Jorge Hage, editou a portaria n.º 1.596. O objetivo era designar equipe específica para verifi-car a execução de convênios celebrados pelo ministério.

No fim de semana seguinte, revista semanal de grande circulação publicou reportagem mostrando a ligação entre o ex-número dois da pasta e os sócios da Warre, com destaque para irregularidades em obra de revitalização do Parque Mutirama, em Goiânia. Orçada em R$ 80 milhões, era financiada por convênio com o ministério e executada pela empresa da família Daher. Em dezembro, a CGU apresentou a s conclu-sões da auditoria. Além das fraudes em convênios com 22 ONGs já identificadas pela Operação Voucher, o documento incluiu um anexo exclusivo sobre as irregularidades cometidas pela Warre no Parque Mutirama.

Blindagem. A citação das obras do Parque Mutirama em reportagens e a investigação da CGU acabaram preocupando Cachoeira. No dia 15 de agosto do ano passado, o contraventor procurou Dadá para tentar blindar a Warre. Em conversa gravada pela PF, o bicheiro revelou ao araponga que era "sócio" do empreendimento no parque goiano e que receberia 30% dos R$ 80 milhões investidos. "Eu tenho 30% e eles têm 70%. Então, eu quero blindar eles, senão pinga em mim", diz Cachoeira ao auxiliar. Mas a operação de "desgaste" já tinha sido desencadeada. A Warre informou que não tem relações com Cachoeira nem com a Delta. Apesar de ser citada 15 vezes no relatório de dezembro da CGU, a empresa nega ter sido alvo de qualquer procedimento do órgão de controle. A Delta disse desconhecer o assunto.

Ligações

9/8/2011
6h. PF desencadeia a Operação Voucher. Objetivo é acabar com esquema de desvio de recursos públicos do Ministério do Turismo, a partir de convênios com ONGs. Foram presas 36 pessoas em Brasília, São Paulo, Macapá e Curitiba, entre elas o secretário executivo da pasta, Frederico Silva da Costa

22h11. Dadá e Cláudio Abreu (Delta) falam sobre a operação. Abreu pede que Dadá faça com que a empresa Warre Engenharia e Saneamento, que teria conexões com Silva da Costa, passe a ser investigada:

Cláudio: O cara que tinha a força e esse número dois que foi preso disse que não ia liberar a grana enquanto os amigos deles não terminassem o lote deles, a obra deles. Aí ele acaba daqui três ou quatro anos ou quando esse bosta caísse. Então, dá pra plantar isso aí? Os caras fazerem a ligação com eles?

Dadá: Dá. Se não der, a gente coloca na mídia, né? Que aí os caras se interessam. Vou falar com aquele amigo lá da CGU, né? Cláudio: Pois é, é o pessoal da Warre Engenharia, é aqui da cidade, Warre Engenharia, o dono dela é o Paulo Daher e o filho dele, o Ricardo Daher. (...) Eles são amigos de infância. E esse cara que foi preso aí arrumou dinheiro pra eles pra c... e direcionou as obras pra eles, entendeu? (...)

Cláudio: Os caras são muito escrotos. Só querem o negócio na boa lá e não são de confiança. Não cumprem porra nenhuma, não faz nada. Só querem o "venha a nós". O "nosso reino", foda-se. Dadá: Não, pode deixar que eu vou falar com o companheiro lá da CGU e um colega de lá do órgão também que ele vai se interessar por isso aqui.

11/8/2011
Ministro-chefe da CGU, Jorge Hage, edita a portaria que desig-na equipe específica para verifi-car a execução de convênios celebrados pelo Turismo

13/8/2011
Revista semanal revela irregula-ridade na obra do Parque Mutira-ma, em Goiânia, realizada pela Warre Engenharia, e as ligações da empresa com o ex-número dois do Ministério do Turismo

15/8/2011
Cachoeira pede a Dadá que blinde a Warre, pois é sócio oculto –tem 30% – da empresa na obra do Parque Mutirama

Dezembro de 2011
CGU apresenta relatório de audi-toria no Turismo. A investigação apura desvios cometidos por 22 ONGs e inclui um capítulo exclu-sivo sobre as irregularidades cometidas pela Warre Engenha-ria no Parque Mutirama

10/2/2012
Apesar da tentativa de Cachoei-ra de blindar a Warre Engenha-ria no Parque Mutirama, a PF realiza nova operação e prende seis pessoas

Fonte: O Estado de S. Paulo

Oposição tenta evitar nomeação de Collor

BRASÍLIA - Os integrantes da CPI do Cachoeira avançam nas negociações para a definição de quem será o vice-presidente da comissão. A base aliada quer manter sob seu controle o cargo, cujo ocupante será responsável pela condução das sessões na ausência do presidente do colegiado, Vital do Rego (PMDB-PB). Integrantes da oposição já dão como certo que o vice-presidente será governista, mas começam a se articular para tentar evitar que seja nomeado o senador Fernando Collor (PTB-AL).

Collor, que já foi alvo de uma CPI e sofreu um impeachment quando foi presidente da República, tem atuado de acordo com os interesses do PT na CPI do Cachoeira: ataca alas da imprensa e a Procuradoria-Geral da República. A CPI foi criada para investigar o suposto esquema ilegal de jogos de azar chefiado pelo empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e suas conexões com agentes públicos e privados.

O discurso de parlamentares petistas e de que a definição do vice-presidente deve ser uma escolha pessoal de Vital do Rego e, por isso, o partido apoiara qualquer que seja a sua opção. Outro nome cotado é o do senador Vicentinho Alves (PR-TO). Por enquanto, contudo, o senador tem dito que não pretende assumir tal responsabilidade. Ele justifica que está envolvido com outras atribuições no Senado, como a presidência da subcomissão que discute um novo marco regulatório para a aviação civil.

Para evitar que Collor assuma a vice-presidência da CPI, o PSOL sugerirá que a função seja assumida por um deputado, mesmo que do PMDB ou PT. (FE)

Fonte: Valor Econômico

Movimento suprapartidário pressiona para incluir a imprensa na apuração

Raquel Ulhôa

BRASÍLIA - Poucos admitem publicamente, mas existe entre integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Congresso que apura relações de Carlos Augusto Ramos com agentes públicos e privados um movimento suprapartidário a favor da investigação das relações do empresário de jogos de azar - conhecido como Carlinhos Cachoeira- com a imprensa, ou, mais precisamente, com a revista "Veja".

Em reação, um grupo de parlamentares se mobiliza para evitar a convocação de jornalistas. O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) aponta a existência de impedimento legal para o depoimento de jornalista. E também o risco de rompimento do princípio da "proteção constitucional da atividade jornalística, que inclui o sigilo da fonte, mas não só ele".

Além do senador Fernando Collor (PTB-AL), autor de requerimento convocando Policarpo Júnior, redator-chefe da revista da Editora Abril, para depor na CPI - "com o propósito de esclarecer eventuais ligações e troca de informações" com Cachoeira e seu grupo -, setores do PT e do PMDB também defendem que a investigação chegue à imprensa.

Para pessoas contrariadas com reportagens da "Veja", transformar a revista em alvo de investigação poderia servir como uma espécie de "acerto de contas". Escutas telefônicas realizadas pela Polícia Federal em operações de investigação de Cachoeira sinalizam que ele pode ter sido fonte de reportagens da revista.

"As gravações envolvendo Policarpo mostram não uma relação nos marcos legais entre um jornal e uma fonte. E sim um indicativo de atividade criminosa, de espionagem policial e espionagem empresarial", afirma o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP). Ele diz ser "defensor radical" da liberdade imprensa, mas, acha que a prática não pode ser confundida com crime. "Invasão de domicílio, espionagem e estar mancomunado com o crime organizado não é jornalismo."

O líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), avalia que, depois de analisados "os fatos e os dados", deve ser analisada a conveniência de convocar ou não o jornalista para depor na CPI. "Se chegarem à conclusão de que precisamos chamá-lo, não há porque ter medo. E, se houver elementos que caracterizem crime, a CPI pode remeter [o caso] para investigação de outra instância judicial", diz Pinheiro.

O deputado Sibá Machado (PT-AC) afirma que "pessoas da revista estão no centro do debate" da CPI e, portanto, devem ser convocadas. "O envolvimento com Cachoeira é forte e ele é responsável por gravações e vídeos [usados pela revista]. Há áudios deles com Cachoeira muito comprometedores." Para ele, se a CPI não convocar Policarpo, perde um pouco o sentido.

O impedimento legal, segundo Miro, é o artigo 207 do Código de Processo Penal, segundo o qual "são proibidas de depor as pessoas que, em razão de função, ministério, ofício ou profissão, devam guardar segredo, salvo se, desobrigadas pela parte interessada, quiserem dar o seu testemunho". Para o deputado, uma CPI pode até convocar jornalista, mas o profissional não pode depor. Miro não acredita que a CPI tomará esse caminho.

"Há votos de ministros do Supremo Tribunal Federal dizendo que jornalista tem que investigar. É o direito do povo à informação. O que é inerente à atividade é o dever de investigar. Então, por isso, o jornalista não pode nem chegar aqui e dizer que abre mão de falar. Isso aqui não está à disposição do jornalista."

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) acha que não há limitação formal jurídica para que um jornalista deponha, mas considera haver "impedimento político". O foco da CPI, segundo ele, é outro, ou seja, apurar as relações de Cachoeira com o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), com governadores e com a construtora Delta.

"Mesmo que tenha tido algum contato de jornalista com Cachoeira, isso é tangencial. Pode até ser função do jornalista. Ele está proibido de fazer uma ligação para Fernandinho Beira Mar, se quiser uma informação dele? O jornalista tem que estar perto [das fontes], inclusive de contraventores", diz Randolfe.

O diretor de redação da "Veja", Eurípedes Alcântara, afirmou ser uma "afronta à democracia" a convocação de um jornalista para depor em um tribunal político. "É assombroso que na semana seguinte às comemorações do Dia Mundial da Liberdade de imprensa, um senador peça a convocação de um jornalista para depor diante de um tribunal político e, com isso, envergonhe o Brasil, colocando-nos na má companhia de nações atrasadas e repudiadas pela comunidade internacional", disse.

Segundo ele, "a imprensa não está acima da lei, mas não pode ser colocada ao desamparo dela. Um jornalista acusado, como qualquer cidadão, tem o direito de saber o que pesa contra ele no âmbito da justiça. Colocá-lo diante de um tribunal político com o objetivo de "esclarecer eventuais ligações" com quem quer que seja é um despropósito e uma afronta à democracia".

Fonte: Valor Econômico

Imprensa no alvo da CPI

A parcela governista da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as relações de Carlinhos Cachoeira com o submundo da política elegeu seu primeiro e favorito alvo: a imprensa. A estratégia equivale a culpar o mensageiro pelo conteúdo indigesto da notícia. É a velha obsessão do PT por calar seus críticos.

No primeiro depoimento colhido pela CPI, o principal assunto, segundo mostram os jornais de hoje, não foram as ligações entre a contravenção e o desvio de recursos públicos, como seria de se esperar. A base governista no Congresso lançou-se mesmo foi na jugular dos meios de comunicação.

Quem comanda o ataque são a bancada do PT e o ex-presidente Fernando Collor, que 20 anos atrás sofreu processo de impeachment e foi afastado do cargo por suspeita de corrupção. A aliança entre aquela e este, que seria impensável no passado, hoje rola soltinha no Congresso, irmanada no espírito predador que ambos demonstram ter em comum.

Com a CPI fortemente blindada pelo governo, seu comando tem feito de tudo para torná-la o menos transparente possível. O acesso a documentos é cerceado, controlado e filmado, como se criminosa fosse a investigação e não os ilícitos que se investiga. Até mesmo os depoimentos - como o do delegado da PF Raul de Souza, ontem - são feitos a audiências restritas.

O PT, que no passado viveu, abjetamente, da violação alheia, hoje se apressa a erigir muros em torno das atividades de um criminoso preso por ter lesado o patrimônio público em milhões- quiçá bilhões - de reais. Mas o melhor desinfetante para lambanças desta natureza continua sendo a luz do sol, não as sombras.

A atitude firme da imprensa foi decisiva para revelar e bloquear assaltos ao interesse público nos últimos anos. Se o que ela desnudou mostrou-se até agora verdadeiro, por que colocá-la no banco de réus? Será porque os meios de comunicação atrapalham e incomodam um projeto de dominação política de longa duração?

Fato é que a investida liberticida dos petistas no Congresso não é ato isolado. Está articulada com um desejo mais amplo do partido de Dilma e José Dirceu de silenciar os opositores do regime. Em recentes e reiteradas declarações, Rui Falcão, presidente do PT, não tem dado margem a dúvidas: o objetivo é botar o cabresto nos meios de comunicação.

Na última sexta-feira, ele voltou à carga, num encontro com a militância petista na Grande São Paulo. "(A mídia) é um poder que contrasta com o nosso governo desde a subida do Lula. Esse poder nós temos de enfrentar", disseFalcão, logo após anunciar que, em breve, o governo Dilma pretende apresentar a proposta de um marco para regular os meios de comunicação.

A esta proposta, acalentada desde os primórdios do primeiro governo Lula, o PT dá o pomposo nome de "controle social da mídia". Trata-se, na realidade, de um eufemismo para o que não passa, simples e objetivamente, de censura. Como o governo controla os chamados "movimentos sociais", o círculo se fecha: o que se pretende é o controle dos meios de comunicação pelo governo.

Falcão, assim como boa parte da militância e dos líderes do PT, tem outra ideia fixa na cabeça: turvar a percepção da opinião pública sobre o mensalão, o maior escândalo de desvio de dinheiro público para compra de apoio parlamentar da história brasileira. O sonho dos petistas é transformar a CPI no instrumento desta vingança.

Boa parte do PT e de quem hoje está no governo federal comunga do apreço aos velhos regimes totalitários que, no século passado, trucidaram a liberdade em nome de uma ideologia de bem-estar comum que só serviu para privilegiar uns poucos. É este modelo que está na raiz da ojeriza do partido a instituições que vivem da transparência.

Não é só a imprensa que o PT detesta. Os partidários de Lula, Dilma e José Dirceu também têm horror a órgãos que têm obrigação constitucional de fiscalizar, controlar e zelar pelo patrimônio público. Quem não se lembra da ira do ex-presidente contra o Tribunal de Contas, que teimava em reprovar a reiterada malversação de recursos do contribuinte na gestão passada?

Seja na CPI, no julgamento do mensalão ou na investida contra a imprensa, o que está em jogo é o desejo hegemônico do PT. Mas esta farsa eles não vão conseguir perpetrar. À sociedade brasileira interessa mais, e não menos, liberdade: esta é a batalha que vale a pena ser travada, dia após dia.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela