segunda-feira, 6 de maio de 2013

Presidenciáveis com o pé na estrada

Apesar de negarem intenção de antecipar o debate de 2014, o senador Aécio Neves (PSDB), o governador Eduardo Campos (PSB) e a presidente Dilma intensificaram agendas Brasil afora

Karla Correia e Paulo de Tarso Lyra

BRASÍLIA – A despeito da postura evasiva sobre as possíveis candidaturas ao Palácio do Planalto em 2014, os mais prováveis adversários na corrida presidencial têm ampliado seus deslocamentos pelo país. A presidente Dilma Rousseff (PT), o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), se empenham em desenhar roteiros típicos de presidenciáveis em suas andanças, ao mesmo tempo em que evitam se posicionar como candidatos e trocam acusações sobre quem seria o responsável pela antecipação da disputa pelo Palácio do Planalto.

A presidente Dilma procura manter o capital político que tem na Região Nordeste e que deu a ela 12 milhões de votos de vantagem em relação ao adversário José Serra (PSDB) em 2010. A região, onde o governo tem seus melhores índices de aprovação, se transformou no foco das atenções da presidente. Dos 22,8 mil quilômetros percorridos por Dilma no país só neste ano, 79% foram no Nordeste. Mais da metade das cidades brasileiras visitadas pela presidente desde o início do ano até a semana passada são nordestinas.

A presença da presidente na região tem o objetivo também de não deixar espaço ao governador pernambucano e tem sua tensão aumentada pela seca que atinge o Nordeste – a pior dos últimos 50 anos. O pacote de R$ 9 bilhões destinado pelo governo federal ao socorro à região foi criticado por Eduardo Campos já na saída do evento que marcou o anúncio do programa, em Fortaleza, no início de abril. "As propostas continuam as mesmas, o que avançou mesmo foi a seca", sentenciou ele.

Convenção. Aécio Neves é, até o momento, o candidato em potencial que menos acumulou "milhagem". Foram apenas três viagens para compromissos políticos fora do eixo Minas-Distrito Federal, onde cumpre sua agenda de parlamentar. Não se manterá assim por muito tempo, diz o deputado federal Rodrigo de Castro (PSDB-MG). A ideia é que o senador intensifique suas viagens a partir da convenção nacional do partido, marcada para o fim deste mês, que deve elegê-lo presidente da legenda. "Até agora, ele tem se dedicado mais a costurar a união interna do PSDB", diz Castro.

Já cortejada por Dilma, a Região Nordeste deve ser uma das prioridades do senador mineiro, afirma o deputado, que ajuda a construir o roteiro de viagens de Aécio para o segundo semestre. Mas o ponto de partida deve ser o interior de São Paulo, onde o PSDB é forte, e também onde se concentra boa parte da influência de José Serra, candidato derrotado à Prefeitura de São Paulo em 2012.

De acordo com um tucano próximo a Aécio, Serra é hoje o único obstáculo no caminho do senador mineiro para a presidência do partido e para sua candidatura ao Planalto em 2014. Por conta disso, Aécio tem concentrado suas atenções no estado e buscado recompor o diálogo com Serra. "Eles têm conversado por telefone. O clima entre eles hoje está muito melhor do que estava no ano passado, por exemplo. Há chances de se construir uma unidade no partido", avalia o aliado de Aécio.

O périplo pelo interior de São Paulo terá a função de demonstrar essa coesão, afirma Castro. "Além disso, vamos buscar regiões que têm sido castigadas por problemas que o governo não resolve. O Centro-Oeste não consegue escoar sua produção agrícola? Vamos para lá, mostrar nossas propostas. O Nordeste está penando com a seca? Estaremos lá também. Seremos o contraponto do governo Dilma", afirma o deputado.

Visibilidade. Em busca de maior exposição além das divisas da Região Nordeste, Eduardo Campos é o candidato em potencial que apresentou maior mudança no traçado de suas viagens. Nos quatro primeiros meses do ano pré-eleitoral, o governador já se deslocou 13 vezes para fora do estado, de acordo com sua agenda oficial divulgada no site do governo pernambucano. Em cada excursão, Campos enfrenta uma nova maratona de visibilidade. Em fevereiro, fez uma aparição na feira de tecnologia Campus Party, em São Paulo. Repetiu à exaustão o slogan "o Brasil precisa fazer mais", em palestra durante o Congresso Paulista dos Municípios, que aconteceu em Santos (SP), em abril. Em Porto Alegre, também no mês passado, defendeu "mais avanços" na política social. Os ataques pontuais ao governo federal, sobretudo quanto à condução da política econômica, são frequentes nos compromissos do governador pernambucano em outros estados.

"Trata-se de um debate que o governo não quer fazer e se esforça para jogar para debaixo do tapete", diz o líder do PSB na Câmara, Beto Albuquerque (RS), um dos principais defensores da candidatura própria da legenda em 2014. "O Eduardo é um dos grandes articuladores do país e defende ideias muitas vezes divergentes do caminho adotado pelo governo. Ele é convidado para expor essas ideias e isso é sinal de que ele é uma personalidade que está sendo reconhecida fora do Nordeste, não que está em busca desse reconhecimento", defende. Para efeito de comparação, em 2012, foram apenas três as viagens de Campos para fora de Pernambuco, no mesmo período.

A guerra do marketing na TV

A guerra do marketing já está no ar e vai crescer até o início do horário eleitoral gratuito, em agosto do ano que vem. O PSDB trouxe do Rio de Janeiro Renato Pereira, parceiro de uma empresa americana que trabalhou na campanha de Barack Obama. E o PT vai manter a parceria vitoriosa com João Santana, responsável pela campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010. O PSB ainda contará, quando a campanha presidencial deslanchar de fato, com os serviços do publicitário baiano Duda Mendonça.

O estrategista Renato Pereira, contratado para elaborar as propagandas eleitorais do PSDB e do encontro nacional que elegerá o senador Aécio Neves (MG) presidente do partido em maio, tem contrato firmado com os tucanos até junho. "Nós estamos conhecendo o trabalho e ele está conhecendo o nosso partido. Se der certo, é claro que a parceria será mantida", explicou o presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE).

Aécio gostou do material produzido por Renato para as campanhas do PMDB fluminense, fundamentais nas eleições de Sérgio Cabral para o governo e de Eduardo Paes para a prefeitura da capital. "Ele tem uma linguagem mais ágil, moderna, jovem. Em nossa avaliação, precisamos dar uma virada na propaganda política, uma etapa posterior à geração de Duda Mendonça e de João Santana", explicou ele. Sobre a parceria de Pereira com a americana AKPD Global, divisão internacional da AKPD Message & Media, empresa de David Axelrod, o marqueteiro de Barack Obama, o senador sugere: "Isso é fruto da amizade do Fernando Henrique com o Bill Clinton".

O PT mantém a parceria estabelecida com João Santana. O jornalista e publicitário baiano era sócio de Duda Mendonça. Ganhou prestígio junto ao PT com a reeleição de Lula em plena crise política do mensalão e com a vitória de Dilma Rousseff quatro anos depois.

10 anos O secretário de organização do PT, Paulo Frateschi, afirmou que, além das propagandas políticas do partido, que serão veiculadas em maio, Santana elaborou a marca dos seminários petistas com o balanço de 10 anos no poder, embalado pelo slogan "do povo, pelo povo, para o povo". Palpita até nos pronunciamentos oficiais de rádio e televisão feitos pela presidente Dilma. "A parceria de Santana com o PT tem rendido bons frutos", admitiu Frateschi.

Já o PSB divide os trabalhos em duas etapas. Neste primeiro momento, a dupla responsável pelos trabalhos é Edson Barbosa e o argentino Diego Brandy, considerado o mago das pesquisas em terras pernambucanas. Um interlocutor próximo a Eduardo afirmou que a dupla continuará trabalhando para o partido, mas que Duda Mendonça e Antonio Lavareda atuarão com mais intensidade a partir do final do ano. "Eles vão entrar na fase do mata-mata", brincou um aliado de Eduardo, em uma referência à fase eliminatória de competições de futebol.

Fonte: Estado de Minas

Entrevista - Miro Teixeira confirma que quer concorrer ao Governo do Rio

Mauricio Athayde

As discussões que vêm sendo travadas pelos pré-candidatos nas mídias estão dando o tom da próxima eleição. No entanto, o clima político que começa a tomar conta do país parece não levar em conta o prazo para a próxima campanha eleitoral, que só começará dentro de um ano e dois meses.

Embora haja tempo de sobra para os eleitores conhecerem seus candidatos, o debate em torno de propostas sempre será salutar, seja em que tempo for. Atento a toda essa movimentação, o Jornal do Brasil decidiu abrir espaço para os pré-candidatos ao Governo do Rio de Janeiro para que possam expor seus planos para uma possível administração do Estado. A primeira entrevista será com o mais recente a lançar seu nome ao cargo: o deputado federal Miro Teixeira (PDT).

Miro reafirma sua intenção de ser candidato, colocando seu nome à disposição do PDT. Mas ressalta que vai aguardar uma decisão do partido sobre uma candidatura própria. Surpreendendo o meio político do Rio, Miro se lançou ao Governo do Estado após mais de 30 anos de sua primeira e única vez em que disputou o cargo, sendo derrotado por Leonel Brizola, em 1982. Cauteloso, evitou fazer críticas aos possíveis adversários e destacou que defende a maior liberdade possível para qualquer candidato a qualquer cargo. 

Leia abaixo a entrevista.

Jornal do Brasil – O lançamento de sua candidatura altera completamente a disputa que vem se desenhando no Estado, inclusive com grandes possibilidades de tirar votos de outros candidatos, principalmente do PMDB, que está no governo e que seu partido integra. Na sua opinião, quais as chances da sua candidatura enfrentar outros candidatos que aparecem muito bem nas pesquisas?

Miro Teixeira – A questão a ser encarada diz respeito primeiro ao PMDB, que está no poder e, é claro, que tem uma candidatura muito forte e o PDT participa do Governo. Essa é uma questão que precisará ser discutida no PDT. A minha proposta é exatamente essa. Penso que nosso partido precisa ter candidato próprio, que desde 1998 não temos. O Luppi foi empurrado a assumir uma candidatura, empurrado inclusive por mim, para que o partido tivesse seu candidato. Mas ele não teve nem chance de fazer campanha porque era véspera da convenção. Quanto ao enfrentamento eleitoral, isso faz parte da disputa política que será tratado com a maior serenidade da minha parte, e penso que o debate será muito útil, principalmente para o Rio de Janeiro, pela qualidade dos concorrentes.

JB – O partido, optando pela candidatura própria, terá que entregar os cargos ao Governo. Em que momento o senhor acha que essa discussão deve ser feita pelo PDT?

Miro – Será uma deliberação do partido. Hoje, por exemplo, temos a nível nacional o PSB participando do Governo Dilma e o Eduardo Campos se colocando como candidato à Presidência da República. Os partidos participam de governos que não são chefiados pela sua legenda, mas não entregam a personalidade.

JB – Mas no caso do Eduardo Campos, está havendo um grande mal-estar entre ele e a presidente Dilma. Por conta dessa possível candidatura, as relações estão bastante estremecidas. O senhor não acha que isso pode ocorrer também entre o PDT e o PMDB aqui no Rio?

Miro – Eu não acredito que esteja havendo estremecimento nas relações entre Eduardo Campos e a Dilma porque seria desconsiderar a visão democrática de nossa presidente. Ela é uma pessoa que se formou politicamente lutando contra a ditadura e certamente não proporia a restrição da vida própria dos partidos. Então, eu não vejo esse estresse entre a Dilma e o Eduardo Campos por conta da candidatura dele. O PSB tem dado os votos ao Governo em matérias relevantes. Tem participado intensamente dos debates políticos, sempre do lado da Dilma. Eu não vejo no Parlamento nenhuma alteração do convívio entre o Governo e o PSB por conta da candidatura dele. No nosso caso, chegará um momento que os nossos secretários terão que deixar mesmo os cargos para se desincompatibilizar.

JB – Sua candidatura vem agora, mais de 30 anos depois da primeira e única vez que se candidatou ao Governo do Rio. Como está sendo visto pelo PDT essa sua disposição em ser candidato e como o senhor mesmo está conduzindo a colocação do seu nome como pré-candidato para o partido?

Miro - Acho tão relevante termos uma candidatura própria que a minha proposta foi de uma prévia. Eu não sou candidato de mim mesmo. Não me apresento dessa forma ao partido. Coloco a tese de que o PDT precisa ter um candidato. Disse isso recentemente, num pequeno comício na Cinelândia, em louvor à memória de Leonel Brizola, e quando desci do palanque um pequeno grupo me abordou e afirmou: “Você fala mas não topa ser o candidato”. E eu disse: “Topo. Claro que topo”. Após esse diálogo foi que surgiu minha candidatura. Defendo ainda que nós precisamos ter candidatura própria não só aqui no Rio de Janeiro, mas em todos os estados. Pedi ao partido uma prévia, com os militantes votando. E o militantes também podem decidir ter ou não candidato e até apoiar um candidato de outro partido. Com essa manifestação ampla de nossos quadros, ficarei absolutamente tranquilo. Não fico tranquilo com a deliberação de algum pequeno grupo que diga que nós não vamos ter candidato.

JB – Que grupo seria esse?

Miro – Qualquer grupo, não sei. De qualquer grupo. Se for uma deliberação do conjunto do partido, do coletivo, eu no dia seguinte estarei engajado na decisão que o partido tomar. Só não entendo por que um partido não queira ter candidatura própria. Pode até ter outro candidato, mas tem que fazer a prévia e na prévia eu me inscrevo.

JB – Sua possível candidatura também altera o palanque à disputa presidencial. Como o PDT não tem até agora nenhum candidato à Presidência da República, o lançamento de seu nome poderia ser mais um palanque para a presidente Dilma, o terceiro levando-se em conta a atual base de sustenção. Como seria esse apoio?

Miro – Não percebo que essa deliberação possa ser tomada por mim. Essa deliberação é do partido e no caso seria uma decisão em âmbito nacional, porque o apoio a algum candidato ou lançamento de candidatura própria decorre de uma deliberação da Convenção Nacional. Mas ainda temos muito tempo. Houve o vazamento da minha conversa com a direção do partido aqui no Rio para fazermos a prévia e houve também esse episódio da Cinelândia. Portanto, tudo vai depender da Convenção Nacional do partido. Hoje, considero um luxo o cenário de candidatos que temos à Presidência da República. A começar pela presidente Dilma, Marina Silva, Eduardo Campos, Aécio Neves e, não se sabe mais quem virá. Há quem fale até do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, embora ele não tenha se manifestado em nenhum momento. É um plantel de candidatos de orgulhar qualquer país. O que não podemos ter são barreiras às candidaturas. Os conchavos para segurar a competição acabam ofendendo a democracia.

JB – O senhor está se referindo ao projeto sobre a criação de novos partidos que agora tramita no Senado?

Miro – Não. Estou falando em relação ao que é útil para a evolução democrática do Brasil. Em relação a esse projeto, eu votei contra. Primeiro votei contra sua urgência e depois votei contra o projeto. Não se pode tolher a possibilidade de organização partidária em condições de competição. Nós estaríamos no pior dos mundos se tivéssemos um arranjo legal que impedisse o surgimento de candidatos. Sou inclusive favorável a ter no Brasil a figura da candidatura independente, como há nos Estados Unidos. Devemos pensar em ter essa possibilidade, não para essa eleição, é claro. Acho que faria um grande bem à democracia e ao país essa candidatura independente. Acho que é bastante razoável um cidadão sem filiação partidária, que possa arregimentar um determinado número de assinaturas em pelo menos um terço aos estados brasileiros, e submeter seu nome à apreciação nacional. Por que não? Hoje a legislação não permite isso. Acho que um dia teremos essa figura em nosso meio político, assim como também acho que um dia o voto não será obrigatório, aliás como é hoje. Não há voto obrigatório no Brasil. O que é obrigatório é a presença do eleitor que pode votar ou não; anular o voto, votar em branco. Enfim, o que temos é a obrigação da presença do eleitor.

JB – Caso o senhor venha realmente a ser o candidato do PDT ao governo do Rio, sua campanha poderia ter como um dos principais focos a educação, tema que era bastante caro para o ex-governador Leonel Brizola?

Miro – Educação é um ponto de convergência de todos os candidatos e todos os políticos. É uma marca nossa, assim como a escola de turno integral, que também é uma marca nossa e que deve ser vista não apenas como um direito que as crianças têm, mas um dever do Estado. Com a escola em tempo integral a criança estará melhor habilitada a organizar sua própria vida, a ganhar sua própria vida, a progredir, avançar e não apenas sobreviver com uma bolsa do Estado. Como dizia o Betinho, irmão do Henfil, “quem tem fome quer um prato de comida”. Isso não pode ser ignorado e nem desconsiderado. Uma discussão de programa de governo deve ser travada ao longo de uma campanha. No Rio de Janeiro muitas áreas são prioritárias, como saúde e educação, e eu destacaria o transporte. A mobilidade é extremamente importante no Estado. É preciso inovar na solução de certas regiões do Estado e que só se resolve com o entrosamento da administração estadual e dos municípios. A educação é prioritária, mas não é a única.

JB – Como o senhor avalia hoje a política que vem sendo adotada para essas áreas: educação, mobilidade, saúde, entre outros? Qual a sua opinião?

Miro – Não há essa linha divisória do tempo. Penso que tudo evolui. Por exemplo, o Brasil teve uma inflação enorme e veio o controle monetário que, inclusive, foi reconhecido internacionalmente. Depois disso veio o Lula, que criou uma série de programas a partir desse equilíbrio. Depois veio a Dilma e foi mais adiante. Então, não é por ser um candidato ao Governo do Estado que eu vou desqualificar administrações recentes. Não. Há aspectos positivos como há também aspectos negativos, assim como haverá nas próximas administrações. Na questão da saúde, percebemos muitas mobilizações da área médica em favor da melhoria dos serviços nos hospitais. É muito interessante e avançado nesses movimentos classistas que não reivindicam exclusivamente salário, o que poderia ser também. Mas estamos vendo a luta para se voltar a fazer transplantes em alguns hospitais, para se ter melhores equipamentos e melhoria do atendimento à população. Na área de educação há uma questão delicada. É preciso entender que as escolas são prédios, são paredes. A escola na verdade é o professor. Um professor é capaz de salvar a vida de um aluno, o seu futuro. A escola, portanto, é o professor. É preciso que tenhamos essa cultura e a partir daí, se buscar a melhoria das condições de trabalho dos professores. Hoje há uma clara recuperação do ensino público. Estamos vendo uma razoável quantidade de alunos que saem das escolas públicas e vão para as universidades mostrando um bom desempenho. Esses resultado vêm de uma base que foi construída ao longo do tempo e que não foi graças a grandes programas estaduais, nem aqui no Rio e nem em outros estados. Essa base foi construída porque existe uma coisa chamada “vocação do magistério”. É isso que permite se obter esses resultados. Acho que criar novas condições de aperfeiçoamento do magistério vai acrescentar ao que já existe. Acho ainda que esse aperfeiçoamento deve ser aplicado não apenas ao magistério mas ao serviço público de uma forma geral, com a profissionalização dos serviços, acabando com essa farra de indicações políticas. É preciso que o servidor público tenha acesso aos cargos que permita uma remuneração maior pelo seu próprio mérito. Mas a meritocracia que acabo de defender é uma expressão que está sendo aplicada de maneira equivocada em alguns lugares.

JB – E quanto à segurança que vem sendo vista pela população do Estado como algo já consolidado. Esse, com certeza, será um dos pontos de maior importância da pauta política para o eleitorado. Como o senhor vê essa questão?

Miro – Acho positivo o conjunto de iniciativas do secretário Beltrame. Mas, usando as palavras dele mesmo, é preciso investimento em outras áreas para essas comunidades pacificadas. É preciso colocar escola, é preciso dar saúde, hopitais. É preciso levar os equipamentos sociais a essas comunidades. Se colocar só polícia, o que não é pouco, em algum momento vai dar errado. Esse é um programa que precisa se sofisticar, tem que ser ampliado, indo além do estágio atual. Alcançar o estágio atual foi um grande avanço, mas não pode parar nele.

JB – Como o senhor vê a composição com outros partidos diante da possibilidade de receber apoio no segundo turno e, por outro lado, como seria seu apoio a um candidato, caso o senhor não vá para o segundo turno?

Miro – Essa discussão só será travada por mim, embora publicamente, dento do partido. Se eu não colocar toda a minha confiança numa possibilidade do partido avaliar o que é melhor, eu estarei sendo arrogante, que é algo distante da minha pessoa. Não cogito ter fórmulas acabadas para o que vai se passar. Como dizia um velho filósofo, a realidade é superior ao conhecimento.

Fonte: Jornal do Brasil

A classe operária vai à CLT - Ricardo Antunes*

"Flexibilizar" é a forma branda de dizer que é preciso desconstruir os direitos do trabalhador

Em nosso curioso país, muitas conquistas acabam tendo vida efêmera, enquanto muita construção estranha acaba longeva. E assim o país caminha, quase prussianamente, em seus avanços e atropelos. O que explica, então, a longa duração de nossa CLT, criada em 1943?

Sabemos que a Consolidação das Leis do Trabalho se originou em uma conjuntura especial, intimamente vinculada à chamada Revolução de 1930, que foi mais do que um golpe e menos do que uma revolução. Rearranjo necessário entre nossas classes dominantes - cuja fração cafeeira começava a perder seu acentuado espaço no poder -, o movimento político-militar que levou Vargas à Presidência da República recompôs o equilíbrio entre as distintas frações da oligarquia, cujo resultado mais expressivo, entretanto, foi o desenvolvimento de um projeto industrializante, nacionalista e com forte presença estatal. E Vargas sabia que a montagem desse novo projeto não poderia se efetivar sem o envolvimento da classe trabalhadora, que não encontrava espaço no liberalismo excludente da chamada República do Café.

O enigma da incorporação da classe trabalhadora por Vargas pode ser desvendado pelos múltiplos significados presentes quando da decretação da CLT. Desde logo ela consolidava a totalidade da legislação social (e sindical) do trabalho iniciada em 1930. Mas é imperioso enfatizar que houve um movimento dúplice nessa história: o operariado brasileiro lutava, desde meados do século 19, por direitos básicos do trabalho, por meio da realização de greves. E esse movimento se expandiu ao longo das primeiras décadas do século 20 - de que foi exemplo, entre tantas, a grande greve geral de 1917 - quando os trabalhadores reivindicavam, entre outras bandeiras, melhores condições de salário e de trabalho, a regulamentação da jornada, o direito de férias e do descanso semanal, etc.

Aqui o mito encontrou sua origem e densidade: Vargas "converteu" autênticas reivindicações operárias em doações do Estado, realizadas quase sempre em atos de 1º de Maio oficialistas, em que se assumia como responsável pelo Estado benefactor, para recordar Werneck Vianna. Aquilo que a classe operária reivindicava em suas lutas concretas - na primeira metade dos anos 1930 houve a eclosão de inúmeras greves no Brasil - Vargas assumia como sua criação. E foi assim, oscilando entre luta e outorga, que chegamos à decretação da CLT em 1943 e à criação do mito do Pai dos Pobres.

Do lado varguista, construía-se a clara percepção de que o projeto industrial carecia de uma necessária regulamentação e controle do trabalho. Do lado dos assalariados, um exame das pautas das greves permitia constatar que os direitos do trabalho estavam entre suas principais reivindicações. A título de exemplo: se para a classe trabalhadora a criação do salário-mínimo nacional era imprescindível para garantir sua reprodução e sobrevivência, para o projeto industrializante de Vargas era imperioso regulamentar a mercadoria força de trabalho e desse modo consolidar o mercado interno pela instituição de um salário mínimo basal.

Mas a CLT foi também uma espécie de faca de dois legumes, para lembrar o célebre Vicente Matheus. Isso porque, no que diz respeito à estrutura sindical, ela teve em sua origem um predominante sentido controlador, coibidor e cupulista que cultuava um fetichismo de Estado que não foi plenamente eliminado nem mesmo pela Constituição de 1988. Bastaria lembrar que o imposto e a unicidade sindical estabelecidos por lei, dois pilares do sindicalismo atrelado, não foram eliminados pela nova Constituição.

Certamente, não são por esses motivos sindicais que o empresariado quer hoje desmantelar a CLT. O eufemismo "flexibilizar" é a forma branda encontrada por essas forças para dizer que é preciso desconstruir os direitos do trabalho, arduamente conquistados, em tantas décadas de embates e batalhas. Basta olhar o que se passa hoje com a Europa e constatar lá também o receituário é flexibilizar, acentuando ainda mais o desmonte dos direitos dos trabalhado.

Foi exatamente por consolidar um código efetivamente protetor do trabalho que a CLT tornou-se duradoura e logrou ganhar sólido apoio popular ao longo de suas décadas de vigência. As flexibilizações, terceirizações, o aumento da informalidade e a ampliação do desemprego serão consequências imediatas se a CLT for desfigurada.

Mas não será fácil essa nova empreitada de demolição pretendida pelo empresariado, pelo simples fato de que a CLT é considerada como uma verdadeira Constituição pela classe trabalhadora, ao consagrar conquistas que ela sabe que se perder, não haverá no horizonte próximo nenhuma possibilidade de recuperar. Ainda mais numa conjuntura de destruição intensa e em escala global dos direitos do trabalho.

* Ricardo Antunes é professor titular de Sociologia do Trabalho na Unicamp. Seu novo livro Riqueza e miséria do trabalho no Brasil, vol. II (Boitempo) estará nas livrarias ainda neste mês. Seu livro Os sentidos do trabalho acaba de ser publicado na Inglaterra e Portugal

Fonte: Aliás / O Estado de S. Paulo

Direitos de todos os humanos - José de Souza Martins*

Aqui, a tendência é ver o criminoso como vítima, resquício de um imaginário criado durante a ditadura. Falta estender essa abordagem a toda a sociedade

A manifestação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em entrevista ao Estado, contrária à redução da maioridade penal, apenas indica que o governo brasileiro não tem resposta para a crescente e disseminada violência que aterroriza o País. É compreensível, na retórica jurídica do professor de direito de uma universidade católica, a afirmação de valores da civilização contra o clamor repressivo dos que têm medo. Mas a entrevista não o é quando indica que a política do governo, de que ele é membro, se limita a resistir à alteração penal que muitos pretendem. O ministro teme que reduzir a maioridade penal e ampliar o tempo de permanência na cadeia de jovens assassinos os torne criminosos porque a cadeia é uma escola de crime. Mas, eles já são criminosos de crimes violentos! O que mais podem aprender os autores de crimes recentes que se situam no âmbito da pura barbárie? O que não quer dizer que a extensão da pena para os criminosos violentos que sejam menores de idade vá resolver o problema grave das causas da criminalidade juvenil.

Vários dos autores de crimes hediondos, do noticiário recente e remoto, são indivíduos, menores aí incluídos, que não frequentaram a escola de crimes que a cadeia seria. Os crimes foram aprendidos e maquinados fora da prisão, em casa, na vizinhança, nas ruas. Os que querem a redução da maioridade penal querem mais tempo de cadeia para autores de crimes medonhos, crimes inexplicáveis, como o assassinato da dentista de São Bernardo do Campo, queimada viva. Ou, nos mesmos dias, a pouco noticiada violência sofrida por uma idosa e sua filha, na roça no interior da Bahia, com estupro e assassinato de uma delas, com um tiro, depois de lhe terem enfiado uma escopeta na vagina. Ou o caso do assassinato dos jovens Liana Friedenbach e Felipe Caffé, torturados (ela estuprada) e assassinados bárbara e cruelmente na zona rural de Embu Guaçu, há dez anos, por um grupo de que fazia parte um menor de idade.

A retórica jurídica pode convencer na sala de aula, mas não convence nem tranquiliza quem vive cotidianamente situações de risco na rua e até em casa. Ao c0ntrário, só aumenta a certeza de que o Estado brasileiro não sabe o que fazer. Nosso liberalismo livresco não gerou convicções nem se enraizou na cultura popular. Liberdade, aqui, acaba sendo entendida como permissividade na concepção de que tudo é lícito desde que se escape. Aqui, a liberdade não é propriamente um direito dos cidadãos, mas um álibi dos espertos. A liberdade ingenuamente concebida apenas cria inimigos da liberdade, na disseminação da convicção de que o direito é um instrumento do crime. O mesmo vale para os chamados direitos humanos, justos, porém mal justificados e pior compreendidos. A liberdade é, sem dúvida, um direito e um bem, que, no entanto, se nutre e justifica pelo recíproco reconhecimento da liberdade e da vida alheias como um direito e um bem do outro. É um bem social e não apenas individual. A liberdade e os direitos humanos são aquisições cotidianas, pelas quais se paga reconhecendo os direitos humanos do outro. Os inadimplentes ficam em débito com a sociedade, cabendo à Justiça cobrar a dívida em nome do credor, que é a sociedade desarmada.

O sistema judicial liberalizante e benevolente, na cultura do medo, em vez de assegurar justiça estimula a iniquidade do justiçamento popular. A sociedade retoma pela violência o direito originário a justiça quando as instituições falham no desempenho do que é mera representação e condicional delegação de responsabilidades. O Brasil está entre os países que mais lincham no mundo. Temos de quatro a cinco linchamentos e tentativas de linchamento por semana, nas várias regiões do País. Linchamento é também barbárie e, no fundo, expressão da mesma cultura dos crimes que os linchadores querem vingar. Pesquiso essa modalidade de violência coletiva há anos. Ela é sempre manifestação de descrença na Justiça. Reveste-se, na maioria dos casos, da mesma crueldade que caracteriza os crimes que por meio dela a sociedade da rua pretende punir. Nos casos extremos, o linchamento, além da mutilação de sua vítima, culmina com sua queima ainda viva. A matriz da cultura do crime é a mesma da punição do crime. Ou seja, estamos em face de um problema estrutural da sociedade, um "defeito" de funcionamento, que sob diferentes formas de manifestação, se apresenta como expressão dos "maus" e também dos "bons".

Em outros países, tem cabido geralmente às universidades a realização de pesquisas sociológicas e antropológicas sobre fatores e causas superficiais e profundas da criminalidade e sobre os meios sociais a serem mobilizados para combatê-la. Aqui, a tendência é estudar o criminoso como vítima, como titular de direito, resquício de um imaginário criado durante a ditadura militar. Falta estudar mais amplamente a sociedade como vítima, titular de cidadania e também credora de direitos sociais e dos direitos humanos, sobretudo o direito à vida.

* José de Souza Martins é sociólogo, professor emérito da Faculdade de Filosofia da USP e autor, entre outros, de A sociedade vista do abismo (Vozes)

Fonte: Aliás / O Estado de S. Paulo

Radamés Gnattali - Alma Brasileira (Interpretação de Arthur Moreira Lima)

"Oropa, França e Bahia" - Ascenso Ferreira

(Romance)

Para os 3 Manuéis:
Manuel Bandeira
Manuel de Souza Barros
Manuel Gomes Maranhão

Num sobradão arruinado,
Tristonho, mal-assombrado,
Que dava fundos prá terra.
( "para ver marujos,
Ttituliluliu!
ao desembarcar").

...Morava Manuel Furtado,
português apatacado,
com Maria de Alencar!

Maria, era uma cafuza,
cheia de grandes feitiços.
Ah! os seus braços roliços!
Ah! os seus peitos maciços!
Faziam Manuel babar...

A vida de Manuel,
qque louco alguém o dizia,
era vigiar das janelas
toda noite e todo o dia,
as naus que ao longe passavam,
de "Oropa, França e Bahia"!

— Me dá uma nau daquelas,
lhe suplicava Maria.
— Estás idiota , Maria.
Essas naus foram vintena
Que eu herdei da minha tia!
Por todo o ouro do mundo
eu jamais a trocaria!

Dou-te tudo que quiseres:
Dou-te xale de Tonquim!
Dou-te uma saia bordada!
Dou-te leques de marfim!
Queijos da Serra Estrela,
perfumes de benjoim...

Nada.
A mulata só queria
que seu Manuel lhe desse
uma nauzinha daquelas,
inda a mais pichititinha,
prá ela ir ver essas terras
"De Oropa, França e Bahia"...

— Ó Maria, hoje nós temos
vinhos da quinta do Aguirre,
uma queijadas de Sintra,
só prá tu te distraire
desse pensamento ruim...
— Seu Manuel, isso é besteira!
Eu prefiro macaxeira
com galinha de oxinxim!

"Ó lua que alumias
esse mundo de meu Deus,
alumia a mim também
que ando fora dos meus..."
Cantava Seu Manuel
espantando os males seus.

"Eu sou mulata dengosa,
linda, faceira, mimosa,
qual outras brancas não são"...
Cantava forte Maria,
pisando fubá de milho,
lentamente no pilão...

Uma noite de luar,
que estava mesmo taful,
mais de 400 naus,
surgiram vindas do Sul...
— Ah! Seu Manuel, isso chega...
Danou-se de escada abaixo,
se atirou no mar azul.

— "Onde vais mulhé?"
— Vou me daná no carrosé!
— Tu não vais, mulhé,
— mulhé, você não vai lá..."

Maria atirou-se n´água,
Seu Manuel seguiu atrás...
— Quero a mais pichititinha!
— Raios te partam, Maria!
Essas naus são meus tesouros,
ganhou-as matando mouros
o marido da minha tia !
Vêm dos confins do mundo...
De "Oropa, França e Bahia"!

Nadavam de mar em fora...
(Manuel atrás de Maria!)
Passou-se uma hora, outra hora,
e as naus nenhum atingia...
Faz-se um silêncio nas águas,
cadê Manuel e Maria?!

De madrugada, na praia,
dois corpos o mar lambia...
Seu Manuel era um "Boi Morto",
Maria, uma "Cotovia"!

E as naus de Manuel Furtado,
herança de sua tia?

— continuam mar em fora,
navegando noite e dia...
Caminham para "Pasárgada",
para o reino da Poesia!
Herdou-as Manuel Bandeira,
que, ante a minha choradeira,
me deu a menor que havia!

— As eternas naus do Sonho,
de "Oropa, França e Bahia"...

domingo, 5 de maio de 2013

OPINIÃO DO DIA – Luiz Sérgio Henriques: um pecado do PT

Um dos pecados originais do PT, daqueles que marcam, que é difícil absolver e que ainda não podemos esquecer, se é que queremos compreender muitos problemas de agora, é que ele votou da tribuna contra o texto constitucional, na palavra do seu máximo dirigente, e não homologou a Constituição de 1998. E nenhum dos seus políticos ou dos seus intelectuais jamais veio a público explicar ou justificar essa decisão, como se devêssemos esquecê-la, como se fosse um gesto políticos trivial, como se tal atitude nunca pudesse ser cobrada. Ou, pior, como se intrincados jogos internos das correntes e do aparelho partidário fossem mais importantes, naquele momento decisivo, do que a afirmação e o consenso em torno do texto básico da cidadania.

Cf. Luiz Sérgio Henriques, Uma esquerda constitucional”, in O que é ser esquerda hoje?, org. Francisco Inácio Almeida, edits. Contraponto e Fundação A. Pereira, Rio de Janeiro-Brasília, 2013, p. 82

Manchetes de alguns dos principais jornais do País

O GLOBO
Bolsa Família faz 10 anos e já chega à 2ª geração
Para governo, ajuda não gera dependência
Exploração no mar

FOLHA DE S. PAULO
Triplica deficit do Brasil no turismo nos últimos 5 anos
TSE ignora o mensalão e aprova contas de 2003 do PT
Diminui diferença entre não cotistas e cotistas, diz MEC

O ESTADO DE S. PAULO
Prisões por crime contra gestão pública crescem 133%
Preço do imóvel novo cai 7,8%
Obama olha para Brasil e México

ESTADO DE MINAS
Mais trabalho em vez de descanso
Transparência vira balcão de negócios

O TEMPO (MG)
Revisão da história passa por ruas, praças e prédios públicos
`O país está à deriva´, diz Aécio
Dona de casa exige praticidade
Israel atacou carga de mísseis do regime sírio para o Líbano

CORREIO BRAZILIENSE
Bolsa Atleta estudantil vira um fiasco olímpico
Empresas já empregam mais que o setor público em Brasília

GAZETA DO POVO (PR)
Leito de morte
Dinheiro do pré-sal para a educação volta ao debate
Eles querem e trabalham por uma cidade melhor
Década de testes aprova integração
Médicos de planos de saúde cobram taxa extra para cesarianas
Soldado dos EUA no Vietnã tido como morto é localizado
Novos direitos dos empregados domésticos mudam a rotina e geram dúvidas

ZERO HORA (RS)
Como a CIA seguia os passos de Leonel Brizola no exílio
Os entraves do licenciamento ambiental

JORNAL DO COMMERCIO (PE)
Coronel revela plano para matar Jango
Escola para criança desafia município

O que pensa a mídia - editoriais de alguns dos principais jornais do País

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Presidente do PT, Falcão ataca STF e Gurgel

Presidente do PT diz que ministros, o procurador-geral e o TCU atuam como oposição, mas exclui Eduardo Campos da lista

Paulo de Tarso Lyra

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou ontem, durante seminário promovido pela tendência Movimento PT, em Brasília, que o governo sofre com uma oposição bem mais ampla do que aquela feita por PSDB, DEM e PPS. “Ela está presente também em altas fontes do Judiciário, como alguns ministros do Supremo Tribunal Federal, alguns ministros do Tribunal de Contas da União e setores do Ministério Público, concentrados na figura do procurador-geral da República (Roberto Gurgel), que não se conformam com o fim de privilégios”, enumerou o presidente do PT.

Diante da militância petista, Falcão condenou o discurso de que o governo está sendo leniente com a inflação. “Tentam criar um clima de pânico, como se fôssemos retomar os índices do governo Fernando Henrique. O acumulado inflacionário nos oito anos de governo FH foi de 100,06%. Nos oito anos de governo Lula, somados aos dois de governo Dilma, temos um acumulado de 74%. Este discurso é de quem é contra o Brasil”, acusou o dirigente petista.

Diferentemente de Valter Pomar, da tendência Articulação de Esquerda, que incluiu o PSB de Eduardo Campos como uma das vozes que tentam minar o governo nas eleições de 2014, Falcão preferiu poupar o governador pernambucano das críticas. “Eduardo e o PSB não estão na oposição, eles integram a nossa base de apoio”, declarou. Falcão esquivou-se da pressão feita por setores do PT para que o PSB perca os cargos que têm no governo federal. “Se Eduardo for candidato, é melhor que eles deixem o governo, mas eu ainda tenho esperanças de que ele esteja conosco no ano que vem”, completou.

Valter Pomar, que mais uma vez será candidato à presidência do partido contra o próprio Falcão, afirmou que 2014, quando analisado apenas superficialmente, promete uma trajetória tranquila, amparada pelos altos índices de popularidade tanto da presidente Dilma quanto do governo federal. Mas, segundo ele, quando analisado mais profundamente, o cenário é complexo. “Existe um movimento articulado da oposição, representada por Aécio Neves (PSDB-MG) e Marina Silva (Rede), que pretende se aliar a um integrante da base, Eduardo Campos (PSB), para levar a eleição ao segundo turno e tornar a situação muito difícil para nós”, destacou Pomar.

Mensalão

Pomar foi o único que citou o processo do mensalão, ao afirmar que, no momento mais difícil da história do PT, entre 2005 e 2007, foi “a militância petista que salvou o partido”. Ele também defendeu uma autonomia da sigla em relação a Lula e Dilma. “Foram velhos hábitos de falta de diálogo interno que levaram, no passado recente, algumas pessoas a acharem que podiam fazer tudo, prejudicando o partido”, reforçou.

Convidado pela tendência petista para falar em nome do governo, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, resolveu unificar lulistas e dilmistas ao afirmar que, no imaginário da população, refletido nas pesquisas de opinião pública, Lula e Dilma são uma coisa só. Ele ainda lembrou o esforço do governo para encaminhar ao Congresso um projeto de lei com urgência constitucional destinando 100% dos royalties para educação. O Correio não encontrou o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para comentar as declarações.

Fonte: Correio Braziliense

Acredite se quiser: Lula afirma que PT precisa recuperar os 'valores' perdidos

Entrevistado para livro sobre seu governo, petista cobra que legenda faça política livre de 'relações promíscuas'

Ex-presidente defende financiamento público de campanha: 'Às vezes tenho a impressão de que partido é negócio'

SÃO PAULO - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acha que o PT precisa recuperar "valores" que teriam sido "banalizados por conta da disputa eleitoral" e que precisa "provar que é possível fazer política com seriedade" no país.

As declarações foram feitas por Lula numa entrevista que deu em fevereiro ao sociólogo Emir Sader e a um pesquisador argentino, Pablo Gentili, para o livro "10 Anos de Governo Pós-Neoliberal no Brasil - Lula e Dilma", que será lançado no dia 13.

Trechos do livro foram antecipados ontem pela revista "IstoÉ" e pelos jornais "O Estado de S. Paulo" e "Globo".

"O PT precisa voltar a acreditar em valores que a gente acreditava e que foram banalizados por conta da disputa eleitoral", diz Lula na entrevista, ao refletir sobre as mudanças sofridas pelo partido depois de dez anos no poder.

Sem fazer menções explícitas ao escândalo do mensalão, que abalou seu primeiro mandato, Lula diz na entrevista que o PT aprendeu a fazer alianças para governar, mas cometeu "os mesmos desvios que criticava" antes.

"Você pode fazer o jogo político, aliança política, coalizão política, mas não precisa estabelecer uma relação promíscua para fazer política", afirma o ex-presidente. "O PT precisa voltar urgentemente a ter isso como tarefa dele."

Ecoando discurso adotado pelo PT para se contrapor ao resultado do julgamento do mensalão, Lula defende na entrevista reformas no sistema eleitoral e o financiamento público das campanhas.

"Às vezes tenho a impressão de que partido político é um negócio, quando, na verdade, deveria ser um item extremamente importante para a sociedade", conclui. Sem mudanças, diz, a política ficará "mais pervertida que em qualquer outro momento".

O Supremo Tribunal Federal concluiu que o mensalão foi um esquema de compra de apoio político que distribuiu milhões de reais a partidos que aderiram a Lula após sua chegada ao poder, mobilizando recursos públicos e empréstimos bancários.

Os petistas negam que tenha havido compra de votos no Congresso e alegam que o mensalão era apenas um esquema de caixa dois para financiar dívidas contraídas pelo PT e pelos partidos aliados nas eleições de 2002.

Lula faz na entrevista apenas uma breve menção ao mensalão, para criticar a mídia: "Se não tivéssemos cuidado, não iríamos discutir mais nada do futuro, só aquilo que a imprensa queria que a gente discutisse", diz ele.

Descrevendo-se como "um indesejado que chegou lá", Lula afirma que houve uma tentativa de acabar com seu governo e o PT após o mensalão, e ataca a oposição.

"Passaram-se seis anos e quem acabou foram eles. O DEM nem sei se existe mais. O PSDB está tentando ressuscitar o jovem Fernando Henrique Cardoso porque não criou lideranças", afirmou.

Sobre a presidente Dilma Rousseff, Lula disse ter enfrentado resistência até mesmo de amigos quando decidiu lançá-la como sua sucessão. Ele diz na entrevista que ouviu que ela não tinha experiência e não era "do ramo".

Sua resposta, segundo afirmou, foi de que era preciso surpreender o Brasil com a "novidade" de eleger uma mulher para a Presidência da República.

Fonte: Folha de S. Paulo

Tribunal ignora mensalão e aprova contabilidade do PT

Justiça Eleitoral descartou investigação sobre dinheiro repassado por Valério

TSE levou cinco anos para tomar decisão sobre contas do partido no ano em que esquema começou a funcionar

Rubens Valente, Andreza Matais

BRASÍLIA - O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) aprovou as contas de 2003 do diretório nacional do PT e analisa uma recomendação para aprovar as de 2004, desprezando irregularidades que o processo do mensalão apontou nas finanças do partido nos dois anos.

Para que isso ocorresse, o tribunal concentrou sua análise na contabilidade do partido e deixou de lado mais de R$ 58 milhões movimentados fora dos seus livros, cujo destino foi dissecado nas investigações que levaram à condenação de vários ex-dirigentes petistas no julgamento do mensalão, no ano passado.

Apesar da aprovação das contas, os processos seguem abertos porque o PT recorreu de multas aplicadas por causa de outras irregularidades.

A decisão que aprovou as contas de 2003 foi dada pela ministra Cármen Lúcia em junho de 2010, no início da campanha presidencial daquele ano. O despacho foi registrado semanas depois no Diário de Justiça eletrônico.

Ao contrário do que é costume no TSE, não houve nesse caso nenhuma divulgação da decisão para a imprensa.

A ministra impôs, porém, multa de R$ 180 mil ao PT, por falhas na aplicação de recursos do Fundo Partidário.

Os partidos têm que prestar contas ao TSE uma vez por ano, entregando documentos sobre sua contabilidade e comprovantes de seus gastos.

Em caso de rejeição das contas, o TSE pode suspender os repasses do Fundo Partidário, que é formado por dinheiro público e é hoje uma das maiores fontes de recursos dos partidos políticos brasileiros. O PT recebeu R$ 53 milhões do fundo em 2012.

O esquema do mensalão funcionou do início de 2003 a junho de 2005. No julgamento do ano passado, o Supremo Tribunal Federal concluiu que ele foi alimentado por empréstimos bancários fraudulentos e recursos desviados do Banco do Brasil e da Câmara dos Deputados.

Em 2003, o PT recebeu R$ 5,4 milhões dos bancos Rural e BMG. Em 2003 e 2004, agências de propaganda do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, o operador do esquema, receberam R$ 58,2 milhões em empréstimos, mais R$ 77,8 milhões que teriam sido desviados do Banco do Brasil e da Câmara.

O dinheiro foi distribuído por Valério a políticos indicados pelo tesoureiro do PT, Delúbio Soares, mas ao analisar as contas do partido o TSE só considerou as entradas e saídas da contabilidade do PT.

No processo de 2004, uma nota da área técnica do tribunal deixou isso explícito: "Não foram objeto de análise quaisquer movimentações de recursos não declarados, apesar de constar na denúncia irregularidades financeiras, importando inclusive em práticas de movimentações de recursos à margem da contabilidade e das contas bancárias oficiais do partido, [...] bem como do resultado da apuração da CPI dos Correios [que investigou o mensalão]".

A área técnica pediu a aprovação com ressalvas, após rever um parecer que havia recomendado a rejeição das contas. O então ministro Hamilton Carvalhido estabeleceu multa de R$ 424 mil por mau uso do Fundo Partidário. O PT recorreu da multa.

No processo de 2003, os técnicos também mudaram de opinião. Por três vezes, pediram a rejeição das contas, mas depois aceitaram as explicações do partido para algumas falhas e aprovaram as contas do PT com ressalvas.

O resultado dos processos de 2003 e 2004 contrasta com o das contas de 2005. Neste caso, os técnicos encarregados se valeram de investigações da Receita Federal e da CPI dos Correios para propor a rejeição das contas do PT.

O parecer foi aprovado pelo TSE no ano passado. A decisão, que levou à suspensão dos repasses do Fundo Partidário para o PT por um mês, foi divulgada pelo tribunal.

O PP, um dos partidos que recebeu recursos do mensalão, também teve suas contas de 2003 aprovadas. As contas do antigo PL, hoje PR, foram rejeitadas pelo tribunal.

Fonte: Folha de S. Paulo

`O país está à deriva´, diz Aécio

Em entrevista, presidenciável tucano ataca o PT e afirma estar `preparado para iniciar um novo Brasil´

Dilma recruta o secretário do Tesouro Nacional para sua equipe estratégica

SÃO PAULO - Com o claro tom de candidato à Presidência da República em 2014, o senador mineiro Aécio Neves (PSDB) afirmou, em entrevista publicada pela "IstoÉ" desta semana que o país está "à deriva em busca de um gestor" e que ele é o nome "preparado para iniciar um tempo novo no Brasil".

Capa da publicação, o tucano subiu o tom das críticas ao PT e à presidente Dilma Rousseff, possível adversária na eleição do ano que vem. "Meu esforço é demonstrar que o novo é o PSDB e o velho é o PT", declarou.

Para o ex-governador, um dos maiores desafios do PSDB, de hoje até a eleição, será mostrar que as tão faladas conquistas do PT nos últimos dez anos "são produto de um processo" e que "o país não foi descoberto em 2003", com a eleição do ex-presidente Lula.

"Quando assumir a presidência do PSDB, meu papel será o de discutir uma agenda para os próximos 20 anos. E de mostrar que os modernos, os eficientes, os que prezam a democracia somos nós. O atraso, a ineficiência e o viés autoritário são a marca de nossos adversários", argumentou.

Repetindo críticas que tem feito ao PT, o senador disse que a presidente Dilma tem se guiado pela lógica eleitoral. "O governo Dilma não tem marca. É sintomático que a presidente se apresse para comemorar os dez anos de governo do PT. É uma forma de esconder os dois anos do governo Dilma", disse. "O que caracteriza o governo é a insegurança jurídica que afugenta empresários", alfinetou o presidenciável, que citou ainda o "empreguismo e aparelhamento da máquina" como deficiências.

Mantendo o foco nas questões econômicas, o tucano voltou a alertar sobre o risco de crescimento da inflação. "Infelizmente, a agenda das eleições está levando a presidenta a buscar permanentemente medidas populistas, elevando o risco de entrarmos no ciclo vicioso da inflação". "Há uma bomba-relógio para explodi".

Reforço. Com foco na área econômica, a presidente Dilma Rousseff incluiu nas articulações para sua reeleição o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin. Ele vai integrar a futura coordenação da campanha petista.

Augustin já participou de pelo menos uma reunião de mapeamento político para fazer uma radiografia de alianças nos Estados. Por enquanto, conforme relatos de interlocutores, ele tem ajudado nas projeções sobre futuras composições partidárias.

Ainda não se sabe qual função que ele assumirá na coordenação do comitê. O gestor poderá, inclusive, atuar como coordenador informal se a situação da economia exigir sua presença no governo durante a disputa.

Fontes próximas ao Palácio do Planalto afirmam que uma das principais funções de Augustin será construir uma plataforma econômica para um eventual segundo mandato de Dilma.

Fonte: O Tempo (MG)

Entrevista – Aécio Neves: "Temos um país à deriva em busca de um gestor"

Aécio Neves eleva o tom das críticas ao governo e diz que Dilma e o PT se perderam num projeto autoritário de poder e empreguismo

Mário Simas Filho e Delmo Moreira

Um céu alvoroçado e cheio de cores envolve o prédio do Congresso Nacional na tela do pintor mineiro Carlos Bracher que está na parede atrás da mesa de Aécio Neves. Em seu gabinete no Anexo l do prédio do Senado Federal, Aécio encontra tempo para apreciar a pintura e relembrar encontros alegres com Bracher em Ouro Preto. Esses momentos amenos, contudo, podem se tornar cada mais raros, levando-se em conta a agenda do senador. Aécio Neves vai assumir a presidência do PSDB e começa a botar na rua o bloco da campanha para 2014. Ele não se declara candidato enquanto não receber a indicação oficial do partido, o que só deve acontecer na virada do ano. Mas na entrevista que concedeu à ISTOÉ, durante pouco mais de duas horas, o senador traçou o perfil do novo PSDB que pretende construir e discutiu as ideias com as quais espera conquistar o eleitor brasileiro.

ISTOÉ – O que o sr. vai mudar no PSDB?

Aécio Neves – O PSDB deve renovar seu discurso e apresentar propostas novas para o País. Precisamos assumir o papel de principal alternativa ao que está aí, com uma proposta clara que nos diferencie do PT. O Brasil terá uma grande oportunidade de comparar propostas diferentes. Quando assumir a presidência do PSDB, meu papel será o de discutir uma agenda para os próximos 20 anos. E de mostrar que os modernos, os eficientes, os que prezam a democracia somos nós. O atraso, a ineficiência e o viés autoritário são a marca de nossos adversários.

ISTOÉ – Como isso vai ser feito?

Aécio – Como presidente do PSDB, quero correr o Brasil para, até o final do ano, ter essa proposta nova muito bem clara. Que ela mostre que apostamos na gestão eficiente e não no gigantismo da máquina pública. Que nós apostamos em uma política externa pragmática em favor dos interesses do Brasil e não no alinhamento ideológico atrasado que tanto prejuízo traz ao País. Que apostamos na refundação da Federação, com distribuição mais justa de recursos entre os Municípios e os Estados.

ISTOÉ – Essa será a base de seu programa como candidato à Presidência da República?
Aécio – Se o partido definir que serei o candidato, posso dizer que estou preparado para iniciar um tempo novo no Brasil. Vamos primeiro construir no PSDB o arcabouço para o candidato trabalhar. Vamos mostrar que podemos fazer muito melhor para o Brasil.

ISTOÉ – A presidenta Dilma Rousseff tem alto índice de aprovação. Isso não mostra que o País está satisfeito com o governo?

Aécio – Ainda vivemos uma sensação de bem-estar. Temos um nível de desemprego baixo, empregabilidade alta. Mas há uma bomba-relógio para explodir a qualquer momento. E o nosso papel é mostrar isso.

ISTOÉ – O que está errado?

Aécio – Acho que houve uma visão equivocada. O governo desenhou o crescimento da economia pela demanda, através do crédito, mas isso já está no limite. O calcanhar de aquiles estava na oferta. Temos uma péssima infraestrutura para escoar a produção, o custo Brasil é crescente e a produtividade, baixíssima. Tudo isso está levando a um quadro de incertezas, num momento em que precisaria haver o investimento privado para compensar a diminuição do consumo.

ISTOÉ – Esses temas terão repercussão eleitoral?

Aécio – O resultado eleitoral a população é que irá determinar. Ao contrário da presidenta, não me movo pela lógica eleitoral.

ISTOÉ – A presidenta provavelmente diz o mesmo...

Aécio – Infelizmente, a agenda das eleições está levando a presidenta a buscar permanentemente medidas populistas, elevando o risco de entrarmos no ciclo vicioso da inflação e do crescimento econômico comprometido.

"Quem administra o Brasil não é mais a presidenta Dilma, é a lógica da reeleição"

ISTOÉ – O sr. também não está pensando em eleição o tempo todo?

Aécio – Com muita responsabilidade. Não podemos deixar que a propaganda ufanista continue a contagiar as pessoas. O avanço do Brasil é uma construção tijolo a tijolo, feita por algumas gerações de homens públicos. Desde a estabilidade da moeda, com Itamar Franco, a implantação e consolidação do real, com Fernando Henrique e Lula. Mas agora não há uma agenda nova.

ISTOÉ – O sr. vê diferenças entre os governos Lula e Dilma?

Aécio – Há um sentimento crescente de cansaço com esse modelo que está no poder. Isso é perceptível em todo o País. Acho que o PT perdeu a capacidade de apresentar um projeto de governo e se contentou em ter um projeto de poder. O que move o governo Dilma é exclusivamente a agenda do poder. Quem administra o Brasil não é mais a presidenta Dilma, é a lógica da reeleição. O PT trocou a agenda das reformas para as quais foi eleito.

ISTOÉ – Qual é a nova agenda?

Aécio – A agenda do autoritarismo. É claro o viés autoritário nas inúmeras medidas patrocinadas pelo PT. Uma cerceia o poder de investigação do Ministério Público, outra cria uma instância revisora das decisões do STF. E tudo isso casado ainda com uma ação truculenta e casuística que inibe a criação de outras forças partidárias de oposição. Essas ações mostram o governo com enorme receio do enfrentamento político. Há também uma concentração excessiva de receitas nas mãos da União, fragilizando Estados e Municípios. Isso leva à ineficiência e a desvios permanentes.

ISTOÉ – O sr. diz que as reformas não andaram, mas isso é só culpa do governo?
Aécio – Não se fala mais em reforma política, que era o carro-chefe do segundo mandato do presidente Lula e da campanha da presidenta Dilma. O tema é escanteado sempre que a presidenta começa a enfrentar contenciosos entre os grupos aliados. Com a reforma tributária é a mesma coisa. Poderíamos ter uma política de desoneração horizontal ampla, para todos os setores da economia, e não essa de hoje só para os escolhidos.

"Meu esforço é demonstrar que o novo é o PSDB e o velho é o PT, pelos acordos que vem fazendo com os setores mais atrasados da vida nacional"

ISTOÉ – Esses não são os problemas de sempre na relação com as bases aliadas?

Aécio – A presidenta vive uma armadilha que ela própria montou: um governo que é de cooptação, não de coalizão. O governo se pauta permanentemente pela busca de novos aliados, o que o leva à paralisia. As grandes questões que interessam ao País não andam no Congresso porque não há unidade na base. Existe apenas disputa por espaço no governo.

ISTOÉ – Não é normal que se façam alianças para governar?

Aécio – As alianças deste governo levaram à eleição do Marco Feliciano na Comissão de Direitos Humanos, colocaram Renan Calheiros na presidência do Senado e Henrique Alves na presidência da Câmara. Cada vez mais, o PT cria cargos públicos para atender a sua turma. O que ocorre agora é assustador. Quando Fernando Henrique deixou o governo havia 1.200 cargos em comissão no âmbito da Presidência da República. Hoje são quatro mil. Essa é a lógica do PT: o empreguismo, o aparelhamento da máquina. A lógica da democracia é ter os partidos políticos a serviço do Estado. O PT inverteu isso. Colocou o Estado a serviço de um partido político. Em todos os níveis, a ocupação do governo pelos partidos aliados é assombrosa.

ISTOÉ – Quando o PSDB estava no poder não ocorria o mesmo?

Aécio – É muito diferente. Não estou dizendo que não tivemos problemas lá atrás. Esse compartilhamento sempre houve, mas nunca nos níveis de hoje. Criou-se a imagem de que a presidenta Dilma fazia uma grande faxina sem levar em conta que foi ela própria quem colocou aquelas pessoas no cargo para atender às imposições dos partidos de seu entorno. Temos um país à deriva em busca de um gestor ou de uma gestora eficiente.

ISTOÉ – Mas a presidenta ganhou a eleição com apelo de gestora competente.

Aécio – As principais obras de infraestrutura no País estão paralisadas. O Tribunal de Contas mostra que 48% das obras do PAC têm algum tipo de desvio ou de superfaturamento. A transposição do rio São Francisco está com apenas 40% das obras prontas e o orçamento, que era de R$ 4,5 bilhões, chega a mais de R$ 8 bilhões. A Transnordestina tinha orçamento de R$ 4 bilhões, já está em R$ 7 bilhões e nunca passou um trem por ela. Na Norte-Sul, além de superfaturamento, estamos descobrindo agora que o material utilizado era impróprio. A refinaria Abreu Lima, em Pernambuco, foi orçada em R$ 4 bilhões e vai ser um campeão nacional: será a refinaria mais cara do mundo. Não há planejamento, as obras estão paradas e a economia está parada.

ISTOÉ – A oposição não está superdimensionando a volta da inflação?

Aécio – A inflação de alimentos já está em 14% nos últimos 12 meses. E quem ganha até 2,5 salários mínimos – 90% dos empregos gerados na era petista são nessa faixa – gasta em média 30% da renda com alimentação. Isso é muito grave.

ISTOÉ – O sr. não acredita que o Banco Central manterá a meta inflacionária?

Aécio – A meta já é virtual, não existe mais. Não a atingimos nos dois primeiros anos do governo Dilma e não vamos atingi-la novamente. Parece que eles focam o teto da meta como se fosse o centro. Isso gera uma enorme insegurança no mercado e dúvidas sobre o real compromisso deste governo com o controle da inflação.

ISTOÉ – Qual é a marca do governo Dilma, em sua opinião?

Aécio – O governo Dilma não tem marca. É sintomático que a presidenta se apresse para comemorar os dez anos de governo do PT. É uma forma de esconder os dois anos do governo Dilma: ela acopla os dois anos dela aos oito de Lula, quando realmente vivemos um período de maior expansão dos programas sociais. Pegar uma carona com o presidente Lula é mais uma demonstração de fragilidade. O que caracteriza o governo Dilma é a insegurança jurídica que afugenta empresários. O mundo está se recuperando, mas o Brasil está ficando de fora. Onde o investidor vai colocar seus recursos? No Brasil da insegurança, das intervenções, do viés autoritário latente? O PT não convive bem com a democracia.

ISTOÉ – Onde o sr. identifica esses focos de insegurança?

Aécio – A realidade é que o sentimento lá fora é de muita cautela em relação ao Brasil. As agências reguladoras são um exemplo. Elas foram aparelhadas por gente sem a menor identificação com a área. Agora vemos a permissividade das pessoas dessas agências montando negócios com a bênção dos poderosos. Para o Brasil será bom o PT tirar férias e para o PT será bom ir para a oposição. Assim, quem sabe eles se reencontrem com os valores que levaram à sua criação e ao seu crescimento. O PT hoje é um partido que só pensa na manutenção do poder, mesmo que para isso coloque em risco a democracia e a liberdade. A agenda do PT não faz bem nem ao Brasil nem à democracia.

ISTOÉ – As questões éticas voltarão ao centro da disputa presidencial?

Aécio – É um ponto que estará na campanha. O ministro Ayres Britto me dizia outro dia que a questão da sustentabilidade precisa ir além do tema ambiental. Precisamos de sustentabilidade moral. Acho que a decisão do STF permitiu ao Brasil ter pela primeira vez um sentimento de que a impunidade não é um valor absoluto. Isso não podemos deixar que se perca. Uma nação, para ser desenvolvida, tem de se render aos valores éticos. E esse será um papel importante do PSDB nessa campanha. Vamos mostrar que a democracia não pode ser ameaçada com a concentração de poderes.

ISTOÉ – O sr. não teme que esse discurso possa parecer eleitoreiro, já que há poucos anos o sr. brigava no partido em busca de entendimentos com o PT?

Aécio – Confesso que busquei isso e, em determinado momento, enxerguei a possibilidade de uma ação conjunta para avançarmos em termos sociais. Cheguei a construir em Belo Horizonte uma aliança com o atual ministro Fernando Pimentel. Mas a oposição no PT foi raivosa, inclusive punindo o próprio Pimentel. O PT preferiu outros aliados e cada vez mais as nossas diferenças se acentuaram.

ISTOÉ – Nas últimas eleições, o PSDB levou para a campanha temas como o aborto e o casamento de pessoas do mesmo sexo. Esses assuntos estarão presentes de novo em 2014?
Aécio – Espero que não. Essas não são questões de responsabilidade de um presidente da República.

ISTOÉ – Mas, pessoalmente, o sr. é a favor ou contra essas questões?

Aécio – Sou favorável ao casamento de pessoas do mesmo sexo. Isso já está incorporado ao mundo moderno. Com relação ao aborto, defendo a legislação atual. Mas o meu esforço é demonstrar que o novo é o PSDB e o velho é o PT, pelos acordos que vem fazendo com os setores mais atrasados da vida nacional.

ISTOÉ – O sr. não acha que o País melhorou?

Aécio – Reconheço que o Brasil de hoje é melhor do que era há 20 anos. Até melhor do que dez anos atrás. Mas isso é um processo. Ao contrário do PT, que gosta de fazer parecer que o Brasil foi descoberto em 2003, temos clareza de que isso é produto de um processo. O maior programa de distribuição de renda que houve no País foi o Plano Real, que deixou de punir os brasileiros com o imposto inflacionário e os trouxe para o consumo. De lá para cá, avanços ocorreram, não podemos negar.

ISTOÉ – Que avanços?

Aécio – O PT fez duas coisas muito importantes. A primeira foi esquecer o seu discurso e manter por algum tempo – hoje não mais mantém – os pilares macroeconômicos herdados do governo Fernando Henrique: meta de inflação, câmbio flutuante e superávit nas contas. Esses pilares foram fundamentais para que o Brasil tivesse algum sucesso no campo econômico. Além disso, o presidente Lula teve a virtude de unificar e amplificar os programas de transferência de renda. Isso foi importante, mas é insuficiente. Hoje o PT só tem a agenda do poder.

ISTOÉ – Como caminham essas conversas entre a oposição?

Aécio – No quadro político brasileiro, é muito bom ter uma candidatura como a da Marina. Vai trazer temas importantes para o debate. A candidatura do Eduardo Campos, que espero que se confirme, também vai trazer uma discussão mais profunda. Vamos falar de desenvolvimento regional, de agenda da gestão pública, da federação. O governo é que parece atemorizado, querendo ganhar por WO.

Fonte: Revista IstoÉ

Para Marina, PT tem medo da própria sombra

Ex-senadora volta a criticar a legenda petista e o governo, que estariam articulando para evitar a criação da Rede Sustenbilidntaade

A ex-senadora Marina Silva, idealizadora do partido Rede Sustentabilidade, afirmou ontem, em Curitiba, que o PT tem “medo da própria sombra”, referindo-se a ela, como uma ex-militante da legenda que agora trilha caminhos próprios. Segundo Marina, as lideranças petistas e o governo da presidente Dilma Rousseff manobraram no Congresso Nacional para dificultar a criação de novos partidos por meio de projeto de lei 4470/12. E a ex-senadora é categórica: o PL é uma “lei de encomenda”.

“Tem de olhar para o contexto. Foi criado recentemente um partido, o PSD, com o apoio e incentivo do próprio governo e do PT. Para esse partido, não foi criado nenhum impedimento. Mas numa mesma sessão, aprovaram a mordaça para a Rede Sustentabilidade e a criação de 32 novos cargos para lideranças para o partido do Kassab (o PSD)”, afirmou Marina.

Para a ex-senadora, o governo de Dilma Rousseff é bem avaliado e não deveria temer o confronto. “É uma situação esdrúxula. Quando a Rede começou a se movimentar, apareceu esse projeto apoiado pela base do governo”, disse Marina. Ela lembrou ainda que o PT usa dos mesmos expedientes utilizados contra o partido à época de sua criação. “Nunca imaginei que iam utilizar contra mim os casuísmos utilizados contra o PT.”

Na semana passada, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, determinou a suspensão da tramitação no Congresso do PL que dificulta a criação de novos partidos. A proposta, de autoria do deputado Edinho Araújo (PMDB-SP), impede que parlamentares que mudem de legenda no meio do mandato transfiram para a nova agremiação parte do fundo partidário e do tempo no rádio e na tevê da sigla de origem. Pelas regras atuais, a maior parte do fundo e da propaganda eleitoral é distribuída de forma proporcional ao tamanho das bancadas.

A ex-senadora disse que trata a candidatura à Presidência no ano que vem como uma “possibilidade”. “O mais importante no momento, no entanto, é discutir a crise de valores éticos, econômicos, ambientais e culturais que vivemos.”

A ex-senadora concedeu entrevista no salão nobre do prédio histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), ao lado de militantes. Na sequência, fez uma caminhada pela Rua XV de Novembro para atrair simpatizantes para a formação da nova legenda.

Fonte: Gazeta do Povo (PR)

Artistas na Rede de Marina

Partido que está sendo criado pela ex-senadora Marina Silva, a Rede pode até estar enfrentando dificuldades para coletar as 500 mil assinaturas necessárias para registrar a sigla, mas tem recebido inúmeros apoios de artistas desde que foi lançada, em fevereiro.

Nas últimas semanas, Marina divulgou fotos ao lado de Gilberto Gile Caetano Veloso. Os dois foram clicados assinando a ficha de apoio.

Em março, o ator Marcos Palmeira organizou um jantar em sua casa, no Rio, para apresentar a Rede a cerca de 50 convidados da classe artística. Dias depois, a ex-senadora desembarcou em São Paulo para ver o desfile de outro apoiador, o estilista Ronaldo Fraga, na São Paulo Fashion Week. No mês passado, a sigla lançou um vídeo que foi produzido com a ajuda do cineasta Fernando Meirelles. A locução foi feita por Marcos Palmeira. Também aparecem na gravação o ator Wagner Moura e os músicos Lenine, Adriana Calcanhotto e Arnaldo Antunes..

Na sexta-feira, a Rede divulgou que já havia recolhido mais de 263 mil assinaturas. A meta é conseguir 300 mil até o final de abril e terminar todo o processo até 15 de junho.

Fonte: O Estado de S. Paulo

O mapa político de Eduardo

Governador-presidenciável trabalha na formação de palanques nos Estados para dar sustentação ao seu projeto nacional

Bruna Serra

Se até o final do primeiro mandato, o mapa de Pernambuco decorava seu gabinete no Palácio do Campo das Princesas, o governador Eduardo Campos (PSB) começa, em silêncio, a se debruçar cuidadosamente sobre o mapa do Brasil. O presidenciável, por enquanto, não quer holofotes. O objetivo é manter em sigilo os palanques estaduais que pretende arregimentar nos próximos meses.

O trabalho das lideranças do PSB está se desenvolvendo por regiões, sempre em busca de representações políticas que cumpram dois requisitos considerados fundamentais pelo estafe socialista: baixa vulnerabilidade ao assédio dos petistas e capacidade de suportar retaliações de aliados do Planalto. Eduardo Campos tem dito nos bastidores que não é o momento de fechar questão. Apenas de iniciar um estudo e mapear potenciais aliados.

A prioridade é costurar os apoios ao seu palanque. A pesquisa Datafolha divulgada em março deste ano apontou como resultado interno mais relevante o fato de o governador ser desconhecido por 55% do eleitorado nacional. O foco, então, voltou-se para a articulação de alianças que garantam ao menos cinco minutos durante a propaganda partidária na televisão. O tempo dos sonhos do socialista seria de seis a oito minutos, por isso tal afinco nas movimentações da chapa presidencial.

Algumas alianças estaduais, apesar de já estarem um curso, não devem ser fechadas com açodamento para evitar choques com a ambição maior, a nacional. Todas as possibilidades serão utilizadas de maneira a atrair mais aliados para a chapa majoritária.

No Centro-Oeste, por exemplo, Eduardo tem avançado muito. Mato Grosso e Goiás são os mais promissores. Isso porque a região, reduto do agronegócio, sofre pouca influência do principal adversário: o PT. Isso está possibilitando negociações mais céleres.

A Região Sul também tem recebido atenção especial do socialista. O ex-presidente Lula foi derrotado nos três Estados da região em 2002 e 2006. No Paraná e em Santa Catarina, dois importantes cenários podem ser fechados. O PSB se fia nisso para reforçar sua inserção junto ao eleitorado sulista. No Rio Grande do Sul, o líder do PSB na Câmara Federal, Beto Albuquerque, tem a missão de montar um palanque competitivo.

Os Estados do Sudeste estão sendo tratados como prioritários devido à concentração de mais de 50 milhões de eleitores espalhados principalmente por São Paulo, Rio e Minas Gerais. É certo que Eduardo terá palanques nos três. São articulações cuidadosas porque nenhum presidenciável pode se dar ao luxo de perder a eleição em qualquer um desses três Estados.

Os prefeitos do interior de São Paulo, região economicamente expressiva, serão os próximos a receber a visita do governador. Uma agenda política está sendo preparada para que Campos esteja com os gestores do interior paulista ainda no mês de maio. É onde o PSB encontrará como principal adversário o PSDB, que é o partido da maioria deles.

No Norte, os palanques já alinhavados estão no Acre, Amazonas e em Roraima. No Nordeste, devido ao grande número de prefeitos e governadores filiados ao partido, as articulações não são prioridade. A compreensão é que o governador é conhecido entre os nordestinos e que a inserção do partido na área já está consolidada, exigindo por hora, menos intensidade.

Os articuladores da candidatura Eduardo

De olho na postulação do pernambucano à Presidência, socialistas desempenham funções específicas para pavimentar o caminho do líder do PSB ao Palácio do Planalto
As primeiras conversas políticas com potenciais aliados começam sempre despretensiosas. Aproveitando a curiosidade que políticos e empresários têm na figura do presidenciável Eduardo Campos, sua equipe trabalha de forma discreta. Um almoço, um café, um convite para palestra ou reunião. Quatro homens estão atualmente na linha de frente das articulações políticas com vistas à formação de palanques nos Estados.

Milton Coelho, secretário de Governo e amigo de Campos, é um dos principais interlocutores. Ele recebe os contatos de prefeitos e governadores que querem conhecer um pouco mais de perto o governador. Agenda encontros, oferece uma visita ao Estado para apresentar o modelo de gestão e, claro, explica como Eduardo está se inserindo na corrida sucessória de 2014.

Primeiro secretário do PSB, Carlos Siqueira também é um mensageiro do chefe. Ele fica a maior parte do tempo em Brasília e atua institucionalmente. Conversa com dirigentes de partidos como o PSD e o Mobilização Democrática, para repassar informações que possam resultar na chegada de novos "curiosos". A ordem é não apressar as articulações, não precipitar fatos concretos. Apenas alimentar e estimular um flerte.

"Eduardo Campos é como o sangue AB+. Receptor universal. O trabalho é para chegar ao segundo turno porque depois ele recebe votos do PSB, do partido de Marina (Silva). Estamos focados em prospectar alianças e não em fechar", explicou uma fonte ligada ao comandante nacional do partido.

O senador Rodrigo Rollemberg (DF) também tem sido um importante na fase de pré-campanha para o PSB. Ele tem estimulado reuniões do governador com entidades de classe e com a bancada independente no Senado. Também tem mantido o controle da bancada da Casa Alta que constantemente está se posicionando em oposição aos interesses do governo federal.

Líder do PSB na Câmara, quem completa o quarteto é o deputado federal Beto Albuquerque (RS). Foi ele quem organizou um encontro de Campos em Porto Alegre com 4 mil empresários. Também tem se colocado na linha de frente para rebater o PT e fazer a defesa da postulação do PSB. Conversa constantemente com deputados que se sentem atraídos pela maior aposta do partido, neste momento, para conquistar aliados: a expectativa de poder.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)