Folha de S. Paulo
Representantes do PIB já olham para 2030
Depois dos dois tarifaços de Trump contra o
Brasil, existe a percepção de que algo perigoso ronda a elite empresarial
A manchete da Folha foi cirúrgica:
"Flávio
Bolsonaro repete o pai e propaga dado falso sobre urnas em reunião com
embaixadores". O presidenciável do PL tentou amenizar a
fala, mas o estrago já está feito.
A repercussão nos meios político e econômico
foi péssima para ele, e será maior quando começar a campanha eleitoral após as
convenções partidárias.
Boa parte do PIB e do mercado financeiro, que nunca apoiou o presidente Lula e preferia o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, no Palácio do Planalto, parece ter fechado as portas para Flávio.
Nem as reuniões que Daniella
Marques, coordenadora do plano econômico da campanha e respeitada nas
principais casas do setor financeiro, teve com representantes da
Faria Lima ajudaram a reverter a situação.
Tudo leva a crer que esse PIB já olha para
2030 e "delegou" para Lula a tarefa de derrotar mais uma vez e
diminuir os Bolsonaros.
Esses empresários também não têm esperanças
de que Lula, se eleito, fará um bom mandato, com coragem para enfrentar os
problemas crônicos da economia.
Mas depois dos dois tarifaços do governo
Donald Trump para cima do Brasil, existe a percepção de que algo perigoso ronda
a elite empresarial.
Eles passaram a considerar o risco de os
Estados Unidos entrarem aqui para tomar conta dos negócios, como fizeram
abertamente na Venezuela. Quem vai querer esse nível de interferência
econômica?
Essa parcela do PIB, da qual faz parte o agro
exportador, queria um perfil moderado e técnico como o da senadora Tereza
Cristina, mas faltam garantias políticas e ela não iria contra Flávio. Nem
Tarcísio foi.
O green card
do irmão, Eduardo Bolsonaro, veio em péssima hora. Nas redes
sociais, estão citando a decisão de Trump como recompensa pela defesa do
tarifaço.
O presidente do PP, senador Ciro Nogueira,
andou elogiando Lula nos encontros com prefeitos e eleitores nas cidades do
Piauí. A reeleição é prioridade para o parlamentar.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa
Neto, constatou que Flávio não estava preparado para concorrer à Presidência.
Assim como na economia, a política também é
pragmática.

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