sexta-feira, 18 de setembro de 2026

A materialização do absurdo, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Enrolado no caso Master, Flávio Bolsonaro se beneficia do escândalo no Supremo

Governo Lula apela a populismo com reajuste no Bolsa Família, o que prejudica o próprio governo

O surrealismo às vezes se impõe, mas o Brasil faturará o troféu André Breton de Materialização do Absurdo se se confirmar um cenário em que a crise no STF leve à eleição de Flávio Bolsonaro.

Ora, a causa principal do esfacelamento reputacional da corte constitucional é o envolvimento de vários ministros com o ex-banqueiro fraudador Daniel Vorcaro. Dos dois principais candidatos à Presidência da República, há apenas um comprovada, direta e profundamente enrolado nas tramas do Banco Master. Seu nome é Flávio Bolsonaro. Ofende a lógica que ele seja eleitoralmente beneficiado pelo escândalo no qual está metido. Mas um dos problemas da democracia é que ela não necessariamente se curva à lógica.

Supremo erode a própria moral de julgador, Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Ao STF hoje não importa o mérito das questões; interessa as conveniências dos magistrados em litígio

Corte deixa de ser porto seguro na resolução de conflitos para se transformar em fonte geradora de atritos

Tenha a eleição o resultado que tiver, seja eleito quem for, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem um encontro marcado com a legitimidade para discernir entre culpas e inocências.

A sessão de terça-feira (15) pôs a nu o que já se sabia, mas o arraigado sentimento de respeito à Justiça resistia em admitir: ao STF hoje não importa o mérito das questões; interessa, antes, o quanto os argumentos atendem às conveniências dos magistrados em litígio.

Eu e o comunismo, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Se uma tartaruga morder o dedão do pé de Bolsonaro é porque deve ser comunista

Como posso ser comunista se sou fã de John Wayne, do Popeye e da Doris Day?

Meus leitores bolsonaristas –a quem agradeço pela fidelidade com que não perdem o que escrevo neste espaço-- costumam me honrar com a pecha de comunista. Não que me envaideça dessa classificação, porque, para eles, se uma tartaruga morder o dedão do pé de Jair Bolsonaro no quintal de sua luxuosa prisão domiciliar, será uma tartaruga comunista. Como deve haver tartarugas de todas as cores políticas, não posso falar por ela, mas, no meu caso, lamento decepcioná-los. Não sou nem nunca fui comunista. Sou Flamengo, o que me satisfaz com sobras em matéria de fé ideológica, partidária e religiosa.

Datafolha: Lula tem 46% e Flávio, 44% no segundo turno, por Joelmir Tavares e Lilian Venturini,

Valor Econômico

Cenário é de estabilidade e candidatos seguem em situação de empate técnico

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 46% das intenções de voto e o senador Flávio Bolsonaro (PL) registra 44% em eventual segundo turno entre os dois, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (17). O cenário de empate técnico repete os percentuais alcançados por ambos nos dois levantamentos anteriores do instituto.

A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. No primeiro turno, o quadro também é de empate técnico: Lula marca 39%, enquanto Flávio aparece com 36%. Na rodada da semana passada, o candidato do PT atingia os mesmos 39%, enquanto o do PL tinha 35%. A oscilação do senador ocorreu dentro da margem.

A pesquisa ouviu 2.002 eleitores entre terça (15) e esta quinta-feira. Na terça, o Supremo Tribunal Federal (STF) teve uma conturbada sessão para discutir se o ministro Alexandre de Moraes deve ser investigado. O levantamento também é o primeiro feito pelo Datafolha após a revelação de que Flávio é alvo de uma investigação no caso do financiamento do filme "Dark Horse" pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master.

Datafolha: Lula e Flávio Bolsonaro empatam em 1º e 2º turnos, por Igor Gielow

Folha de S. Paulo

Na primeira rodada, sob efeito da crise no STF, petista teria 39% e senador, 36%

Já no tira-teima da disputa testado pelo instituto, Lula tem 46% e Flávio, 44%

O novo levantamento do Datafolha sobre a corrida presidencial, feito em meio à turbulência institucional da crise no STF (Supremo Tribunal Federal), traz Lula (PT) com 39% das intenções de voto em primeiro turno, ante 36% de seu principal rival, o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Há uma semana, o presidente marcava 39% e o filho do seu antecessor Jair Bolsonaro, 35%.

Na simulação de segundo turno agora, Lula segue com 46% e Flávio, com 44%, empate técnico na margem de erro de dois pontos para mais ou menos.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Reajustar Bolsa Família não passa de ardil eleitoreiro

Por O Globo

Em 2024, STF decidiu que o aumento do Auxílio Brasil durante a campanha à reeleição de Jair Bolsonaro foi ilegal

Há um paradoxo incontornável na última “bondade” eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o reajuste no valor do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691, para pagamento já entre o primeiro e o segundo turno. O próprio Lula, quando candidato à Presidência, criticou o uso da máquina pública na campanha à reeleição de Jair Bolsonaro, destacando a faceta eleitoreira do aumento de R$ 200 no então Auxílio Brasil. Quatro anos depois, preocupado com as pesquisas eleitorais, adota a mesma estratégia para tentar a vitória nas urnas.

Poesia | Antonio Machado, "El crimen fue en Granada" a Federico García Lorca

 

Música | Luiz Melodia e Gal Costa - Presente cotidiano