General afirma a revista ter ido a ato contra o governo 'disfarçado' e confirma pretensão de ir para reserva
- O Globo
RIO - O ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, afirmou ser "ultrajante e ofensivo" dizer que as Forças Armadas vão dar um golpe militar no país, mas ressaltou que o "outro lado" não pode "esticar a corda". Ele afirmou ainda não haver motivos para se cogitar um processo de impeachment no Congress ou afastamento do presidente Jair Bolsonaro pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ramos, que é general da ativa, afirmou em entrevista à "Veja" publicada nesta sexta-feira que esteve "disfarçado" na manifestação contra o racismo e o governo, em Brasília, no último domingo, e confirmou que depois de ter sido criticado por outros militares de alta patente por sua participação em um ato ao lado de Bolsonaro no mês passado, vai pedir a aposentadoria das Forças Armadas.
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"É ultrajante e ofensivo dizer que as Forças Armadas, em particular o Exército, vão dar golpe, que as Forças Armadas vão quebrar o regime democrático. O próprio presidente nunca pregou o golpe. Agora o outro lado tem de entender também o seguinte: não estica a corda", disse. O ministro se mostrou assustado com as faixas de protesto na manifestação com acusações de fascismo ao governo Bolsonaro.
Confira outros trechos da entrevista:
Sobre impugnação da chapa Bolsonaro-Mourão
"Acho que não vai acontecer, porque não é pertinente para o momento que estamos vivendo. O Rodrigo Maia (presidente da Câmara) já disse que não tem nenhuma ideia de pôr para votar os pedidos de impeachment contra Bolsonaro. Se o Congresso não cogita essa possibilidade, o TSE que vai julgar a chapa irregular? Não é uma hipótese plausível".
Atos contra o governo
"Só há uma coisa que me incomoda e me desperta atenção. Um movimento democrático usando roupa preta. Isso me lembra muito autoritarismo e black blocs. Quando falo em democracia, a primeira coisa que me vem à mente é usar as cores da minha bandeira, verde e amarelo. No domingo, fiquei disfarçado no gramado em frente ao Congresso observando o pessoal. Eles não usavam vermelho para não pegar mal. Mas me pareceu que eram petistas".
Participação em ato pró-governo e reserva
"Fui muito criticado no dia seguinte pelos meus companheiros de farda. Não me sinto bem. Não tenho direito de estar aqui como ministro e haver qualquer leitura equivocada de que estou aqui como Exército ou como general. Por isso, já conversei com o ministro da Defesa e com o comandante do Exército. Devo pedir para ir para a reserva".































