sexta-feira, 7 de julho de 2023

Claudia Safatle - Avanços na definição da meta de inflação

Valor Econômico

Tirou-se do horizonte a sofreguidão que ficava a cada mês de junho, quando, de forma casuística, o governo, mediante o CMN, decidia qual seria a meta de inflação a ser perseguida

A decisão, tal como ficou, não foi só que a meta para a inflação será contínua, aferida a cada mês com base na inflação acumulada nos 12 meses anteriores. Mais do que isso: a decisão foi de que a meta, agora, é permanente, de 3% com uma banda de variação de 1,5 ponto para cima ou para baixo. Tornou permanente uma meta que era decidida a cada ano. Isso sim foi um grande avanço, embora nada tenha a ver com prazos. Tirou-se do horizonte a sofreguidão que ficava a cada mês de junho, quando, de forma casuística, o governo, mediante o Conselho Monetário Nacional (CMN), decidia qual seria a meta de inflação a ser perseguida pelo Comitê de Política Monetária (Copom). E, como consequência, qual seria a taxa de juros necessária para levar a inflação para a meta.

O Copom já não trabalhava com ano calendário quando, por algum choque de preços, a inflação se descolava da meta.

Vamos aos prazos: 1) O prazo que o Banco Central terá para trazer a inflação, medida pelo IPCA, para a meta, deverá ser definido pelo próprio BC. Isso dependerá de um cardápio de circunstâncias, do tipo de choque que produziu o desvio, se ele é persistente ou não, da situação da economia no momento que o choque aconteceu.

Fernando Gabeira - Vamos falar de Venezuela?

O Estado de S. Paulo

Maduro, com medo de perder o poder, acabou confirmando para o mundo algo de que se dúvida apenas no Brasil: a Venezuela não é uma democracia

Ainda que por caminhos tortuosos, foi bom a Venezuela voltar a ser debatida no Brasil. Afinal, somos vizinhos, temos uma fronteira de 2.199 km, os yanomamis vivem nos dois países, compartilhamos o Monte Roraima, uma atração internacional, e 280 mil pessoas pedem refúgio no Brasil, a maioria delas venezuelana. Isso sem falar na dimensão econômica, a energia da Usina Hidrelétrica de Guri, que abasteceu Roraima até 2019, o comércio intenso entre os dois países, o contrabando de gasolina na fronteira.

No passado, quando visitei Caracas, até a água mineral nos restaurantes vinha do Brasil. Eram tempos melhores. Mais tarde, vi dezenas de caminhões em Pacaraima, na fronteira, parados porque os venezuelanos não estavam mais pagando suas compras. Há ainda em aberto uma dívida pública com o Brasil.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

PEC aprovada na Câmara é apenas o primeiro passo

O Globo

Nenhuma reforma é tão complexa, desafiadora e transformadora quanto a tributária. O trabalho mal começou

A aprovação da reforma tributária na Câmara dá um passo fundamental para a reformulação do caótico sistema de impostos brasileiro. É apenas o primeiro, porém. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 45 traça um plano de transição até 2033 para a nova estrutura de tributos. Ele terá de ser seguido à risca. Fora isso, ainda há imperfeições que devem ser corrigidas.

Uma vez que a PEC esteja aprovada no Senado, o primeiro desafio será técnico. Para os dois novos impostos criados — CBS e IBS —, será necessário desenvolver um mecanismo automático de créditos, por meio do qual as empresas possam descontar do que recolherem aquilo que outras já pagaram — só o consumidor final pagará a alíquota cheia. Tais compensações precisam ser implementadas num sistema eletrônico capaz de integrar instâncias fiscais de todo o país. Não será trivial.

Poesia | Carlos Drummond de Andrade - Sentimental

 

Música | Zeca Pagodinho - Sambas pras moças

 

quinta-feira, 6 de julho de 2023

Maria Hermínia Tavares* - Os fantasmas da ultradireita

Folha de S. Paulo

Cabe tentar desmontar os argumentos que sustentam a miragem do comunismo

Especular sobre o futuro político de Jair Bolsonaro é exercício fútil. Mais proveitoso é tratar de entender as variadas aspirações dos cerca de 30% dos brasileiros que, segundo o Datafolha, continuam a acreditar que o seu governo beneficiou o país. Eles seguirão por aqui seja qual for o destino de quem foi banido da vida política até 2030 e ainda poderá enfrentar outras penas.

Dessa população faz parte uma amiga que votou em Bolsonaro tanto em 2018 como no ano passado. Ela me abastece regularmente de material que circula em suas redes sociais, servindo-lhe uma dieta reforçada de antipetismo e teorias conspiratórias. Da última vez, enviou artigo recém-publicado na revista Oeste, de certo uma voz estridente da extrema direita na mídia nacional. O texto quer fazer crer nada menos que o Brasil está em vias de se transformar em um "país soviético".

Ruy Castro - Quase Trump, quase Bolsonaro

Folha de S. Paulo

Robert Kennedy Jr. é um democrata de extrema direita que quer ser presidente dos EUA

Ele é um pregador antivacina, adepto de teorias da conspiração e militante do ódio. Quer ver todo mundo armado e sua especialidade são mentiras, documentos falsos e acusações sem prova. Bolsonaro? Quase. É também hidrofobamente contra remédios e receitas médicas. Se eleito para a Casa Branca em 2024, ameaça fechar de vez a fronteira com o México. E promete salvar os americanos da "desesperança em que vivem hoje". Donald Trump? Também não. É Robert Kennedy Jr., 69 anos, pré-candidato à Presidência dos EUA —pelo Partido Democrata, pode crer.

William Waack - Falando grosso, mas sem um plano

O Estado de S. Paulo

O ativismo internacional do presidente carece de planos de ação

Lula decidiu sair ao mundo esbravejando. Não se sabe se ele está satisfeito com a própria performance, mas até aqui a tática aguarda melhores resultados.

O presidente brasileiro esbravejou contra potências ocidentais que estariam mais interessadas em prolongar do que terminar a guerra da Ucrânia. Colheu como resposta uma sucessão de refutações em público por parte de dirigentes dessa aliança (e de variadas correntes políticas) – e severas críticas de relevantes órgãos de imprensa nos dois lados do Atlântico.

Esbravejou contra a “inoperância” da ONU e a composição do seu Conselho de Segurança, pleiteando uma “governança global” que nunca existiu, além de um lugar nesse mesmo conselho do qual o Brasil continua distante como sempre.

Míriam Leitão - A hora da reforma sempre adiada

O Globo

Relator promete alterações no texto nesta quinta: estão previstos um fundo de bioeconomia para a Zona Franca e uma nova forma de tomada de decisão no Conselho Federativo

Os dias de intensa negociação sobre a reforma tributária criaram um ambiente de cooperação federativa depois de anos de muita polarização e conflito. Além disso, está sendo demonstrado que a reforma considerada impossível nunca esteve tão próxima. O ambiente está “cooperativo” como dizem os que estão à frente da negociação, e os bloqueios estão sendo removidos. O dia ontem passou por um encontro entre o ministro Fernando Haddad e o governador Tarcísio de Freitas. Teve negociação sobre como resolver o problema da Zona Franca de Manaus. E terminou com a leitura do texto no plenário. Hoje promete ser mais um dia de grande negociação.

O governador Renato Casagrande, do Espírito Santo, me disse logo cedo, antes das sete da manhã, que havia “ambiente político para votar a reforma” nesta quinta. O deputado Reginaldo Lopes naquele momento contou que era apenas uma questão de ajustes. O presidente da Câmara, Arthur Lira, se permitiu, ao longo da tarde, uma pequena comemoração prévia. “É uma felicidade estar presidindo a Câmara nesse momento”, disse. Mas ainda é preciso votar. As negociações continuaram pelo dia todo.

Merval Pereira - Diálogo maduro

O Globo

Postura do governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas, na negociação da reforma tributária é exemplar

A postura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, na negociação da reforma tributária é exemplar de como separar as posições ideológicas das institucionais, valorizando a relação democrática de diálogo que visa ao projeto de desenvolvimento econômico do país a longo prazo.

Sair do que já nos acostumamos a chamar de “manicômio tributário” para um sistema mais simplificado e, por isso, mais eficiente é um passo fundamental para alcançarmos uma estabilidade econômica que favorece a todos, governistas e oposicionistas. As empresas brasileiras são conhecidas como as que precisam gastar muito dinheiro numa estrutura tributária que aumenta o custo dos produtos.

Bruno Boghossian - A paternidade da reforma

Folha de S. Paulo

Proposta tem discrição de Lula, ação de Haddad, domínio de Lira e sinais de instabilidade na oposição

Lula falou pouco da reforma tributária desde que voltou ao Palácio do Planalto. Em discursos e entrevistas, o presidente se referiu à proposta em termos genéricos e comentou a importância do projeto sem discutir detalhes. Celebrou as perspectivas de aprovação do texto, mas evitou tomar a bandeira em suas mãos.

Não é que o governo não tenha interesse no tema. Lula queria uma reforma com impacto redistributivo, mas a simplificação debatida no Congresso já foi considerada um passo largo. A Fazenda criou uma secretaria especial para cuidar do assunto, e Fernando Haddad se envolveu diretamente na negociação.

O avanço da proposta resume um processo de adaptação do governo e de outros atores aos arranjos políticos que marcam os seis meses iniciais de Lula. O presidente examinou os limites de sua atuação, o centrão trabalhou para maximizar seus ganhos, e a oposição exibiu sinais de uma fase de instabilidade.

Luiz Carlos Azedo - Com R$ 2,1 bi em emendas, governo destrava reforma

Correio Braziliense

Houve mudança no posicionamento das bancadas do Centrão, principalmente as do PP e do União Brasil, em favor do texto que vem sendo negociado para ser votado hoje à noite

Depois de muitas negociações, que demandam ainda um ajuste final no relatório do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), o governo conseguiu destravar a votação da reforma tributária, que deve começar hoje. Foram liberados R$ 2,1 bilhões do Orçamento da União para a execução de emendas de bancadas, a maior parte no Ministério da Saúde, a pasta que era cobiçada pelo Centrão nas negociações com o Palácio do Planalto. Ao mesmo tempo em que mandou liberar os recursos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu em defesa da ministra Nísia Trindade, que permanecerá à frente da pasta, apesar das especulações de que sua cabeça seria uma moeda de troca na aprovação da reforma.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), se empenhou pessoalmente nas articulações para demover resistências. Esteve em São Paulo e no Rio de Janeiro para conversar com os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Cláudio Castro (PL), que haviam engrossado a resistência à reforma, liderada pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil). O resultado dessa movimentação foi o encontro do ministro Fernando Haddad com o governador paulista, no Ministério da Fazenda. Ambos posaram para foto depois da conversa, o que sinalizou para o mercado que a reforma desceria do telhado.

Maria Cristina Fernandes - Por que a reforma tributária agora vai

Valor Econômico

Se as resistências baixaram é porque se chegou a conclusão de que afundarão todos sem a reforma

Foi preciso que São Paulo passasse a ser governado por um carioca para baixar a guarda na reforma tributária. A origem de Tarcísio de Freitas, porém, é que menos conta na história. A chave, para ficar no trocadilho da reforma em curso, é o destino.

É verdade, como tem dito o próprio governador, que todos os seus antecessores fizeram oposição às sucessivas tentativas de reforma tributária ao longo das últimas três décadas. E é fato também que nenhum deles foi bem-sucedido em suas pretensões presidenciais.

E não se trata apenas de enfrentar a imagem de um Estado de costas para o Brasil que tanto tem prejudicado candidatos paulistas à Presidência. Mas de ir contra empresários, investidores e formadores de opinião da economia nacional que, de maneira inaudita, se manifestaram pela reforma.

Vinicius Torres Freire - Petistas ausentes na tributária

Folha de S. Paulo

Governo não faz campanha nacional e política para aprovar mudança e causa ira no Congresso

O governo tem liberado ou prometido mais dinheiros a parlamentares desde o final do mês passado. Não se trata aqui de corrupção, mas de emendas ou de crédito rural, por exemplo. Vai enfim entregar as chaves do ministério do Turismo ao União Brasil. A demora ameaçava quebrar uns dedos do governo em votações do Congresso.

É esforço pela reforma tributária? Não. O Planalto e a Fazenda estão empenhados em aprovar a mudança no Carf, o tribunal administrativo dos litígios entre contribuintes e Receita, de modo que o governo volte a ter voto de desempate.

Fazenda ainda se bate pela reforma tributária. Mas ministros e assessores do Planalto e, em particular, Luiz Inácio Lula da Silva largaram a negociação da tributária na mão do Congresso e de representantes da Fazenda. No fim da quarta-feira, Alexandre Padilha, ministro de Relações Institucionais, chegou para aliviar o clima, que era de palavras impublicáveis sobre a "ala política do governo".

Felipe Salto* - Não à PEC 45!

O Estado de S. Paulo

O que se vê sobre a Mesa da Câmara é um conjunto de aberrações técnicas, econômicas e políticas reunidas num texto inconstitucional. Monstrengo precisa ser fulminado

Sou favorável aos princípios do destino, da não cumulatividade e da simplificação. Defendo-os há bastante tempo. Quando fui secretário da Fazenda e Planejamento de São Paulo, apresentei proposta de reforma tributária que começava pelo ICMS. Já o que se vê sobre a Mesa da Câmara é um conjunto de aberrações técnicas, econômicas e políticas reunidas num texto inconstitucional. O monstrengo, como tenho chamado, precisa ser fulminado enquanto há tempo.

Estão brincando com a sociedade, colocada à margem do debate pelos bastiões da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 45. Negam-se a divulgar números e detalhes básicos. É como se dissessem àqueles que ousam discutir: “parem de falar, pois estão atrapalhando; temos pressa!” Só aceitam manifestação do tipo vestir a camisa do time, soltar rojão e jogar confete e serpentina sobre a proposta. Sempre fugi do adesismo tosco, sobretudo depois de 16 anos estudando e trabalhando com contas públicas.

Roberto Macedo* - Brasil: pouca poupança e muita gastança com dívida

O Estado de S. Paulo

Em geral, países que poupam mais têm mais recursos para financiar investimentos que levam ao crescimento do PIB

De modo geral, pesquisas indicam que o brasileiro poupa muito pouco e que a poupança como porcentagem da renda aumenta com o valor desta e com o nível educacional das pessoas. Resumirei a seguir resultados de algumas pesquisas e tratarei também da gastança.

Levantamento do Banco Mundial realizado anualmente mostrou que a poupança como porcentagem do PIB em mais de cem países alcançou média de 27% em 2021, e a do Brasil ficou em 18%, caindo para 16% em 2022. Outra pesquisa, do Banco Central, em 2016, analisou não a poupança em si, mas a “capacidade financeira mensal das famílias brasileiras, isto é, se costumam ter sobra de dinheiro depois de pagar as contas e de comprar os itens básicos no mês”. A pesquisa é de 2016, mas trata-se de problema estrutural que não muda rapidamente. Ela concluiu que 45% das famílias não conseguiam gerar excedentes mensais, 37% tinham alguma sobra e apenas 18% costumavam receber mais do que gastavam regularmente, o que também é um mau resultado. E o que faziam com os excedentes, quando existiam? Reservas para imprevistos e emergências foi a razão mais citada, com 60% das respostas, enquanto 28% preferiam usar o excedente com compras supérfluas, o que demonstra a força das tentações do consumo.

Entrevista | Aloysio Nunes: ‘A democracia tem de ser um valor absoluto'

Por Vera Rosa / O Estado de S. Paulo

Ex-chanceler afirma que é preciso banir bolsonarismo do partido, critica Eduardo Leite e vê ‘grave erro político’ de Lula ao se referir à situação da Venezuela

BRASÍLIA – Primeiro tucano a defender o apoio a Luiz Inácio Lula da Silva na eleição, o ex-chanceler Aloysio Nunes Ferreira diz ver com tristeza a “agonia” do PSDB, que governou o País duas vezes, com Fernando Henrique Cardoso, e completou 35 anos no mês passado. “O PSDB, hoje, não é confiável nem para oposição. Não é nada”, afirma o ex-ministro das Relações Exteriores.

Na avaliação de Aloysio, a cúpula do PSDB faz a “leitura errada” do quadro político e não consegue nem mesmo discutir assuntos de interesse do País. “Para meu espanto, li a notícia de que o PSDB contratou uma influencer para definir o programa do partido. É um absurdo”, criticou ele.

Apesar de ter apoiado Lula, o ex-chanceler acha que o presidente cometeu “grave erro político” ao afagar o venezuelano Nicolás Maduro. “Na Venezuela, a imprensa não é livre, as eleições não são livres, a oposição é reprimida, o Judiciário é controlado. Se isso não é ditadura, o que é?”, questionou.

O PSDB acabou de completar 35 anos, mas agora em sua maior crise. Perdeu o governo de São Paulo, tem sua menor representação no Congresso e enfrenta debandada de prefeitos. Por que o PSDB faliu?

Essa crise não aconteceu de repente: foi preparada por quatro anos de ausência absoluta de oposição que um partido social democrata teria o dever de fazer a um governo que foi autoritário, reacionário e regressivo do ponto de vista social e ambiental. O PSDB não só não fez oposição como em muitos momentos apoiou algumas das medidas mais nefastas do governo Bolsonaro.

Como o sr. define o PSDB hoje: é um partido de centro ou de direita?

É um partido de direita. Está na mesma confusão entre vazio político, clientelismo e distanciamento da base social, assim como outros partidos que povoam esse campo da direita. Com um agravante: o que os líderes do PSDB falam não é ouvido. Se é que alguém fala alguma coisa.

IEPfD |Para que Serve a Política? Aula 2 – Cursos de Formação Política com Marco Aurélio Nogueira

 

IEPfD |Para que Serve a Política? Aula 3 – Cursos de Formação Política com Marco Aurélio Nogueira

 

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Ata do Fed justifica juros mais altos e não pausa

Valor Econômico

A pausa confusa do Fed não elimina o fato de que o ciclo de alta dos juros está perto do fim

A ata da reunião do Federal Reserve americano indicou que os juros continuarão subindo nos Estados Unidos e não esclarece a misteriosa decisão por uma pausa nas altas tomada em junho. A análise das condições econômicas pelo staff do Fed e pelos membros do comitê de mercado aberto, que decide o rumo dos juros, aponta sem deixar muita margem a dúvidas que a inflação continua resistente e bem mais alta que a meta de 2%, que o mercado de trabalho segue vigoroso e que a economia, ainda que em “passo moderado”, mantém um ritmo que não parece compatível com a diminuição do nível de preços.

A comparação fria do comportamento da inflação entre as duas atas mostra que não houve melhoria significativa. A da reunião de maio aponta que o índice de gastos pessoais do consumo (PCE) nos doze meses encerrados em março foi de 4,2% e o findo em abril, de 4,4%. O núcleo desse índice, a medida preferida pelo Fed, evoluiu de 4,6% antes para 4,7% agora. A rigor, esses índices estão na mesma posição que estavam em janeiro, apesar das variações mensais. Da mesma forma, a evolução do pagamento médio por hora trabalhada, um dos indicadores de pressão inflacionária e da situação do mercado de trabalho, subiu de 4,2% para 4,3% entre uma alta e outra. O desemprego aumentou um pouco, de 3,5% para 3,7%, mas praticamente não aliviou a escassez de mão de obra.

Poesia | Carlos Drummond de Andrade - Os ombros suportam o mundo

 

Música | Zeca Pagodinho - Caviar

 

quarta-feira, 5 de julho de 2023

Vera Magalhães -Governo e oposição medem forças

O Globo

Reforma vira jogo de tabuleiro em que Lula, Lira e bolsonaristas tentam prevalecer, e resultado pode ser nova estagnação

A discussão da reforma tributária chegou àquele ponto em que se assemelha a uma partida de duração avançada daqueles jogos de tabuleiro de guerra quando um jogador tem de destruir os exércitos dos outros. Depois de muitas rodadas, todo mundo já fortaleceu demais suas guarnições, e qualquer avanço se torna difícil de prever, por depender de um misto de sorte e estratégia.

Vencidos alguns oponentes mais fracos, restam na disputa Arthur Lira, com os tanques do Centrão, o governo, que tenta esconder o jogo, e a oposição, que nas rodadas mais recentes levou a melhor nos dados e avança pelo mapa depois de ser bastante desacreditada. Parecia que a batalha se resolveria logo, mas agora periga avançar indefinidamente.

A entrada de São Paulo no jogo foi um fator a mudar os prognósticos. Tarcísio de Freitas demorou a se posicionar em relação aos principais pontos, mas, quando se posicionou, conseguiu juntar os governadores do Sudeste e do Sul em algumas reivindicações e na resistência ao Conselho Federativo nos moldes em que tinha sido desenhado. De quebra, vem conseguindo transformar a discussão da reforma justamente naquilo que o Executivo tentou evitar: uma disputa entre governo e oposição.

Elio Gaspari - Lula vai se acertar com a Europa

O Globo

Isso acontecerá quando ele descer do palanque

Lula exagerou na dose quando chutou o balde ao atacar as restrições que a União Europeia quer impor a compras de produtos agropecuários da Amazônia e do Cerrado brasileiro. As restrições foram concebidas para um país que tinha uma diplomacia inerte. Países se relacionam com países, não com governos. Até as pedras sabiam que um boicote às exportações de grãos e carnes estava na esquina, e o governo de Pindorama prestigiava, por palavras e atos, a facção agrotroglodita de seu empresariado.

Desde agosto do ano passado sabia-se que os grãos e a carne brasileira poderiam vir a sofrer restrições para entrar na Europa. Tratava-se, entre outras coisas, de antecipar de 2030 para 2025 a meta de desmatamento zero no Cerrado, de onde sai o grosso das exportações de grãos. Saiu uma recomendação para que, a partir de 2024, não se comprem produtos colhidos em áreas desmatadas depois de 2020.

Se esse assunto for entregue a um terceiro-secretário recém-formado pelo Instituto Rio Branco, ele entregará em poucos dias uma planilha capaz de orientar uma negociação para desfazer o enrosco. Se o assunto ficar como está, na pura marquetagem, os interesses do outro lado, comovidos, agradecerão.

Luiz Carlos Azedo - Lula precisa moderar a retórica para não perder apoio do centro

Correio Braziliense

Ciscar pra dentro implica num discurso que tenha mais apoio político na sociedade e alargar o espectro de forças que compõem a base de sustentação do governo no Congresso

Quinta-coluna, a única peça teatral de Ernest Hemingway, autor de O velho e o mar, transporta o leitor aos horrores das batalhas da Guerra Civil espanhola, iniciada em junho de 1936, quando o general Francisco Franco, admirador de Adolf Hitler e Benito Mussolini, líderes do nazifascismo, rebelou suas tropas para derrubar o governo constitucional republicano. Como mostra a série Os pacientes do Dr. Garcia (Netflix), foi mais bem-sucedido do que os que tentaram um golpe e fracassaram na invasão dos palácios dos Três Poderes, em 8 de janeiro.

Publicado pela Bertrand Brasil, com tradução de Ênio Silveira e capa primorosa, na qual aparece uma víbora peçonhenta, a peça narra o cerco de Madri, que durou três anos, nos quais ocorreram intensos combates. Quatro colunas das forças franquistas avançaram sobre Madri e a mantiveram sob ataque. Entretanto, havia uma força agindo dentro da cidade, que indicava alvos para os bombardeios, realizava atos de sabotagem e assassinatos. Era a chamada quinta-coluna, termo que passou a designar grupos ou indivíduos que atuam sub-repticiamente, num país ou num partido, a serviço de seus inimigos.

Wilson Gomes* - O relativismo democrático

Folha de S. Paulo

Por que a democracia era essencial em janeiro, virou secundária para Lula?

Lula, sabidamente um democrata, vem arriscando de forma consistente a própria reputação, no limite da inconsequência, apenas para não abandonar velhos companheiros dos sonhos da esquerda latino-americana unida, mesmo os que se colocaram fora da órbita da democracia.

Ele o faz mesmo ao custo de ignorar circunstâncias, como a brasileira neste momento, em que flexibilizar a democracia não parece ser bom negócio.

Convenhamos que repartir o pão com ditador "bróder" e partidos que sustentam ditaduras, como no Foro de São Paulo, porque se considera que ser de esquerda é bem mais importante do que ser democrata, é um insulto desnecessário à parte ainda lúcida do país que saiu em socorro da democracia em 8 de janeiroOu que votou em Lula por saber que um segundo mandato de Bolsonaro e a democracia seriam incompatíveis.

É mais forte do que Lula, porém, e lá estava ele de novo na semana passada respondendo com destemor à candente questão sobre "ditaduras legais". "A Venezuela tem mais eleições do que o Brasil", dizia.

Roberto DaMatta - Mãe Terra ou desigualdade?

O Globo

Enxergar o planeta como sujeito, e não como um objeto passivo e passível de implacável exploração, é o primeiro passo

Um bolsonarizado Lula defende ditadores na Venezuela e uma absurda relativização da democracia, mas bota o dedo na ferida quando relaciona a “questão climática” à desigualdade.

A incompatibilidade entre um sistema motivado por um incremento ilimitado de produção e consumo e a destruição do planeta é certamente o maior conflito que devemos enfrentar. Enxergar o planeta como sujeito, e não como um objeto passivo e passível de implacável exploração, é o primeiro passo para equacionar esse conflito. O globo azul é a Mãe Terra que partejou todos os sistemas humanos e não humanos de vida conhecidos. Vale lembrar, ensina Thomas Mann, que não por acaso o homem se chama Homo humanus, como sinal de que vem do torrão materno, o húmus.

Bruno Boghossian - Como tratar o inelegível?

Folha de S. Paulo

Seria mais que saudável dedicar tolerância zero para comportamento reincidente de Bolsonaro

O julgamento no TSE nem tinha terminado, mas Jair Bolsonaro já era reincidente. Numa entrevista improvisada, o ex-presidente voltou a alimentar suspeitas falsas sobre as urnas e repetiu a enganação de que os ataques de 8 de janeiro foram "uma grande armação". Quando ele começou a fazer campanha contra vacinas, a CNN cortou a transmissão.

Horas depois, naquela mesma sexta-feira (30), Bolsonaro foi mais longe. Em outra entrevista, reciclou teorias da conspiração sobre as investigações da facada que sofreu e sobre as eleições de 2018. Para completar, insinuou que teve mais apoio do que Lula em 2022, mas "os números do TSE apontaram outra direção".

Vinicius Torres Freire - Inimigos da reforma dos impostos

Folha de S. Paulo

Prefeitos, alguns governadores e muitas empresas querem manter situação atual ou privilégios

A votação da reforma tributária encrencou nos últimos dias porque pelo menos dez governadores querem mudar a maneira pela qual será distribuída a receita do novo imposto estadual unificado sobre o consumo de quaisquer bens e serviços. Isto é, o IBS, Imposto sobre Bens e Serviços, que vai substituir ICMS e ISS.

Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) lideram a pressão. A dúvida é saber se o problema é mesmo esse, o método de repartição, ou se querem adiar ou derrubar a reforma. Caiado, aliás, não quer mudança estadual alguma.

Lobbies empresariais marcam parlamentares corpo a corpo e agradecem a oportunidade de ter mais tempo para cavar um favor ou até derrubar a reforma, como também o querem associações de prefeitos.

Nas audiências públicas sobre o assunto, no Congresso, montes de representantes empresariais disseram que eram "a favor da reforma", desde que o caso deles fosse tratado de modo especial. Parecia piada.

Zeina Latif - Reforma Tributária no divã

O Globo

Em que pesem as concessões e os ajustes, perder a janela de oportunidade para avançar nesse tema seria um equívoco

Apesar do anseio generalizado pela simplificação e eliminação da cumulatividade de impostos — exceto parcela dos profissionais que ganham com a confusão, nos setores privado e público —, o tema é mais desafiador que a Reforma da Previdência. Há um conjunto maior de players que se julgam prejudicados e têm capacidade de organização e pressão no Congresso, de governadores a segmentos do setor produtivo.

São muitas décadas de convivência com um sistema que produziu desigualdades incompreensíveis entre bens e serviços consumidos, mas que moldou decisões de investimento das empresas. Agora muitos temem as mudanças. A grande desconfiança na ação estatal — um mal frequente em nações menos avançadas — está no cerne dos temores.

Tiago Cavalcanti* - Heterogeneidade dos juros bancários

Valor Econômico

Indivíduos com menor renda pagam taxas de juros mais elevadas, independentemente da classificação de risco do cliente

No artigo publicado no mês anterior neste Valor Econômico, abordei a temática da expansão e simplificação da portabilidade dos serviços bancários como um meio de estimular a competição entre instituições financeiras e, consequentemente, de contribuir para a redução dos altos custos de crédito no país. Neste novo artigo, exploro com mais detalhe o mercado de crédito pessoal no Brasil.

Realizei o estudo “Consumer Loans, Heterogeneous Interest Rates, and Inequality”, em colaboração com Marco Bonomo (Insper), Fernando Chertman (Banco Central), Amanda Fantinatti (FGV-SP), Andrew Hannon (Universidade de Cambridge) e Cézar Santos (IDB). Foi utilizada uma amostra representativa de 1,36 milhão de pessoas no Brasil, que contrataram diversos tipos de empréstimos bancários no período entre 2013 e 2019. Os dados para nossa análise foram obtidos do excelente Sistema de Informações de Crédito (SCR) do Banco Central do Brasil.

Martin Wolf* - A volta da inflação muda o mundo

Valor Econômico

Uma combinação de pressão inflacionária com fragilidade financeira não existia na década de 1970

Nos países de alta renda a inflação dos preços ao consumidor alcança taxas não observadas nas últimas quatro décadas. Pelo fato de a inflação ter deixado de seguir baixos patamares, o mesmo ocorreu com as taxas de juros. A era dos juros “baixos por muito tempo” acabou, pelo menos por enquanto. Por que isso ocorreu? Será uma mudança duradoura? Qual deveria ser a reação da política pública?

Nas últimas duas décadas, o Banco de Compensações Internacionais (BIS) ofereceu um ponto de vista diferente do da maioria das organizações internacionais e bancos centrais de peso. Enfatizou os perigos de uma política monetária ultraexpansiva, do endividamento elevado e da fragilidade financeira. Sempre valeu a pena considerar sua posição, caracterizada por certo catastrofismo.

O relatório resume a recente experiência como de “inflação alta, resiliência surpreendente da atividade econômica e os primeiros sinais de estresse grave no sistema financeiro”. Destaca a opinião defendida em amplos círculos de que a inflação vai diminuir e desaparecer. Em contraposição, observa que a porcentagem de itens da cesta de consumo com altas anuais dos preços de mais de 5% alcançou mais de 60% nos países de alta renda. Enfatiza também que os salários reais caíram significativamente neste episódio de inflação. “Seria pouco razoável prever que os assalariados não tentarão recuperar o poder de compra perdido, até porque os mercados de trabalho permanecem muito apertados”, afirma. Os trabalhadores poderiam reaver parte dessas perdas, sem manter a inflação em níveis elevados, desde que os lucros fossem comprimidos. Nas economias resilientes de hoje, no entanto, uma disputa distributiva parece muito mais provável.

Paul Krugman* - Biden pode mudar a narrativa econômica?

Folha de S. Paulo

Os números melhoraram muito. Os eleitores vão dar crédito a ele?

Na década de 1970, Arthur Okun, um economista que havia sido consultor de políticas do presidente Lyndon Johnson, sugeriu uma maneira rápida e suja de avaliar a situação econômica do país: o "índice de miséria", a soma da inflação com o desemprego. Foi e é uma medida grosseira, facilmente criticada.

O dano econômico mensurável do desemprego, por exemplo, é muito maior que o da inflação. Esse índice, no entanto, fez historicamente um bom serviço para se prever o sentimento econômico geral.

Vale a pena notar que o índice de miséria –que disparou junto com a inflação durante 2021 e no primeiro semestre de 2022– caiu no ano passado. Agora está de volta ao nível de quando o presidente Joe Biden tomou posse.

Carlos Pereira - Seria mais apropriado que o eleitor fosse o ‘juiz’ do ex-presidente?

O Estado de S. Paulo

Após a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro pelo crime eleitoral de “prática ilegal de abuso de poder político” e torná-lo inelegível por oito anos, levantaram-se dúvidas sobre quem de fato deveria tomar essa decisão. Foi alegado que, em vez do TSE, seria mais apropriado que o eleitor fosse o “juiz” do ex-presidente. Afinal de contas, em uma democracia o “verdadeiro soberano” é o eleitor e não o Judiciário.

O próprio presidente Lula, quando estava sendo julgado pelos crimes de “corrupção passiva e lavagem de dinheiro” na Operação Lava Jato pelo ex-juiz e agora senador Sérgio Moro, disse: “Eu não quero ser apenas julgado pela Justiça. Quero antes ser julgado pelo povo brasileiro”. O eleitor, entretanto, não é juiz criminal nem tampouco de ilícitos eleitorais. Assim como a reeleição de um governante supostamente criminoso não pode ser interpretada como uma absolvição dos seus crimes, sua eventual derrota eleitoral também não pode ser interpretada como uma condenação. Concretamente, assim como a eleição de Lula em 2022 não foi uma absolvição do eleitor pelos seus crimes pregressos, a derrota de Bolsonaro não foi uma condenação pelos seus crimes de ameaças às instituições democráticas.

Marcelo Godoy - TSE cassa o HC de Lula

O Estado de S. Paulo

Presidente não tem mais o conforto de ver Bolsonaro no seu retrovisor e será julgado pelo que faz

O cientista político Francisco Weffort dizia que a democracia era o seu sonho, a sua ilusão, mas que ela tinha algo de realidade. “Não é pura loucura da minha parte.” O Brasil vivia os anos de Jair Bolsonaro na Presidência. Weffort, que ajudara a fundar o PT e depois se distanciara do partido, via na democracia uma espécie de destino. Mas sabia que ela era frágil. “Moralistas políticos têm tratado disso. O problema não é quem faz o mal, mas a preguiça de quem faz o bem e não se mexe.”

Luiz Inácio Lula da Silva devia ler a obra do ex-companheiro. E prestar atenção no espírito do tempo. Ele muda. E, às vezes, na velocidade com que um expresidente é condenado por uma Corte de Justiça. Na semana passada, foi a vez de Bolsonaro, o homem que acusavam de conspirar contra a democracia. O político que ia dar um jeito no STF, que tinha muita saliva – mas se revelou sem pólvora – tornou-se inelegível. E, assim, o fantasma que rondava o Planalto já não assusta mais.

Nicolau da Rocha Cavalcanti* - A opinião

O Estado de S. Paulo

Quantas gerações de leitores não tiveram sua preocupação com a coisa pública despertada pela leitura diária dos editoriais?

Recentemente, Wilson Gomes, professor titular de Teoria da Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA), questionou a publicação dos editoriais nos dias de hoje. “Considerando como os novos leitores julgam a cobertura pelos editoriais, que não têm valor factual, não seria mais vantajoso para o jornalismo acabar com o editorial?”

Jornalismo não é um fato da natureza. É construção humana, fenômeno histórico, com muitas possibilidades de configuração. A pergunta é, portanto, válida. Faz sentido que um jornal continue publicando, hoje em dia, sua opinião?

Certamente, se os editoriais fossem uma opinião arbitrária, similar ao polegar do imperador nas arenas romanas, eles não teriam muita utilidade. Mas os editoriais dos grandes jornais nunca quiseram ser isso. Nunca pretenderam ser apenas voto opinativo, sem fundamentação.

IEPfD |Para que Serve a Política? Introdução Cursos de Formação Política com Marco Aurélio Nogueira

 

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Venezuela e China provocam divisão na Cúpula do Mercosul

Valor Econômico

Se o Brasil pretende unir o Mercosul e não aprofundar desavenças, o melhor é arranjar a entrada em vigor do acordo com a União Europeia

A volta do Brasil à Presidência rotativa do Mercosul marca também um retorno ao passado, com a tentativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de incorporar novamente a Venezuela ao bloco. Não são apenas velhas questões que desafiam os quatro países. O Uruguai parece ter entrado na fase de ultimato para que se faça um acordo conjunto com a China, cuja negativa levará o país a negociá-lo separadamente, segundo declarou claramente o presidente uruguaio, Lacalle Pou.

“Quando vemos que não avançamos juntos, entendemos a visão de cada um de vocês. A nossa é que façamos juntos. Se não podemos fazer assim, vamos fazer bilateralmente”, disse Pou ontem, no último dia da 62ª Cúpula do Mercosul, em Puerto Iguazú (Argentina). O presidente do Uruguai, pela quarta vez, deixou de assinar o documento conjunto da reunião, defendeu mais uma vez a flexibilização das regras do Mercosul e criticou o “isolamento” do bloco, com a falta de acordos comerciais relevantes - uma constatação irretorquível.

Poesia | Ascenso Ferreira - Misticismo

 

Música | Adoniran Barbosa - Viaduto Sta. Efigênia