domingo, 17 de março de 2024

O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões

Queda no IDH reflete o descaso da classe política

O Globo

Congresso tem sido incapaz de adotar programa consistente nas áreas críticas para o desenvolvimento humano

Inspirado nas ideias do Prêmio Nobel de Economia Amartya Sen, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) foi criado para ampliar o entendimento sobre bem-estar. Em vez de atrelar a avaliação de um país apenas à dimensão econômica, com ênfase no PIB per capita, o conceito incorpora estatísticas sobre educação e saúde. O objetivo é ambicioso: medir as condições de os cidadãos conquistarem a capacidade e a oportunidade para ser o que quiserem ser. Os dados sobre o IDH, divulgados anualmente pelas Nações Unidas, fornecem uma oportunidade para políticos no Executivo e no Legislativo refletirem sobre o passado e as prioridades para o futuro.

Os resultados de 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro, deveriam motivar um pacto para elevar de forma significativa o desenvolvimento humano no Brasil. A meta deveria ser, no mínimo, atingir o patamar de desenvolvimento classificado como “muito alto”, já alcançado por países como Argentina, Chile e Uruguai. O Brasil, 89º colocado no ranking do IDH, está 20 posições abaixo do necessário para integrar esse grupo. Na América do Sul, ainda continua atrás de Equador e Peru e, pior, perdeu duas posições em relação ao ano anterior.

Paulo Fábio Dantas Neto* - O golpismo em ato de Bolsonaro e a narrativa eleitoral de Lula

Deveremos saber, dentro em pouco, se o presidente Lula estava certo quando disse, em entrevista recente ao SBT News, que o Brasil está polarizado entre duas pessoas (no caso, ele próprio e o ex-presidente Jair Bolsonaro) e não entre dois partidos. A confirmação, ou não, dessa arriscada afirmação poderá vir de consequências da quebra do sigilo, pelo ministro Alexandre Morais, de 27 depoimentos tidos como cruciais dentro do processo relativo à tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023.

Se a divulgação de tais documentos tiver efeito legitimador - perante a sociedade civil e cidadãos nela organizados ou referenciados - de uma decisão judicial rigorosa que impeça o ex-presidente de voltar a ser elegível, não apenas em 2026, mas nos termos de uma proscrição perene, esse efeito mais do que esperado não bastará para testar a pertinência do diagnóstico de Lula. Novidade zero, não haverá razão para se soltar muitos foguetes. Mais adequado seria só dar suspiros de alívio. O juízo da sociedade civil sobre Bolsonaro implicou em majoritária e implacável condenação política já durante seu governo, ainda que no âmbito daquela se conte parte das igrejas evangélicas e das organizações empresariais. Esse juízo teve tradução eleitoral em 2022, como amplo consenso, não como polarização. Bolsonaro uniu contra si (mais do que Lula reuniu a seu favor) amplíssima e incontrastável maioria da sociedade civil, a qual engajou-se na busca de votos dos cidadãos-eleitores que o seu raio de influência alcança.

Merval Pereira - O autogolpe

O Globo

Tudo indica que teremos prisões de alto coturno, que servirão de exemplo para futuras aventuras golpistas

Diz a lenda que o presidente deposto João Goulart deu uma gargalhada quando soube que o Marechal Castelo Branco o substituiria na presidência da República depois do golpe militar de 1964. Castelo Branco teria garantido apoio a Goulart dias antes. Estará o ex-presidente Bolsonaro rindo hoje, ou chorando de raiva, ao tomar conhecimento dos depoimentos à Polícia Federal dos militares quatro estrelas sobre a tentativa de golpe?

De minha parte, fiquei contente de saber que pelo menos os comandantes do Exército e da Aeronáutica reagiram às propostas de golpe ameaçando prender Bolsonaro, no caso do General Freire Gomes, ou classificaram a ideia de ilegal, no caso do Brigadeiro Baptista Junior, que deixou atônito o General Augusto Heleno ao afirmar que não concordaria com um golpe de Estado.

Míriam Leitão - As cenas de um ato ilegal

O Globo

Ex-comandantes do Exército e da Aeronáutica descortinam a construção de uma tentativa de golpe de Estado liderado pelo ex-presidente Bolsonaro

As cenas são cinematográficas, mas descritas naquele mar de “que” do texto do inquérito policial. O brigadeiro Batista Jr. pilotava o avião voltando a Brasília em 16 de dezembro de 2022. Ao lado dele, o general Heleno, que deixara a festa da formatura do neto no Instituto Tecnológico da Aeronáutica para ir a uma convocação urgente de Bolsonaro. Ali Heleno ficara “atônito”. Numa conversa na sala reservada do ITA, o brigadeiro, o piloto daquele voo, dissera que a FAB não apoiaria o golpe. No dia 14 de dezembro de manhã, o ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira convocou os comandantes ao seu gabinete para analisar uma das versões da minuta do golpe. O brigadeiro Batista Jr. perguntou: “Esse documento prevê a não assunção do cargo pelo novo presidente da República?”. O ministro ficou em silêncio. Ele saiu da sala. A minuta ficou sobre a mesa do general. Numa das reuniões convocadas por Jair Bolsonaro para convencer os comandantes militares a apoiá-lo, o general Freire Gomes, do Exército, teria dito ao então presidente que se ele insistisse em atentar contra o regime democrático teria que prendê-lo. Freire Gomes em seu depoimento amenizou. Falou em “responsabilidade penal”.

Bernardo Mello Franco - Golpe à moda antiga

O Globo

Os ex-comandantes deram informações úteis, mas é ingenuidade tratá-los como heróis da pátria

O avanço das investigações da Polícia Federal mostra que Jair Bolsonaro planejou um golpe à moda antiga. Queria usar tanques, caças e fragatas para se manter no poder pela força.

O capitão conspirou com ex-colegas de farda para invalidar o resultado da eleição e impedir a posse de Lula. No caminho, fecharia o TSE, prenderia a cúpula do Judiciário e suspenderia as liberdades civis.

A natureza do golpe era militar. Seu estado-maior reunia três generais da reserva: Braga Netto, vice na chapa derrotada; Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional; e Paulo Sérgio Nogueira, ministro da Defesa.

A trinca dava ordens a outros generais e coronéis. No front civil, o ministro Anderson Torres e o assessor Filipe Martins preparavam minutas de decreto para dar verniz de legalidade à quartelada.

Luiz Carlos Azedo - A história como farsa na tentativa de golpe de Bolsonaro

Correio Braziliense

Bolsonaro foi aconselhado a recuar para não ser preso. Esses conselhos também vieram de ministros do Supremo, de generais legalistas e do governo dos Estados Unidos

Alguém já disse que a história se repete como farsa ou como tragédia. No caso da tentativa de destituição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 8 de janeiro de 2023, uma semana após a posse, poderia ter sido uma tragédia, com a implantação de uma ditadura militar que enfrentaria grande resistência e, para se impor, teria que fazer como os militares argentinos, em 1976, quando o general Jorge Rafael Videla, o almirante Emílio Eduardo Massera e o brigadeiro Orlando Ramón Agosti tomaram o poder e dissolveram o Congresso. Bolsonaro teria que promover uma repressão ainda mais brutal e intensa do que a que ocorreu no Estado Novo e durante o regime militar implantado após o golpe de 1964, que completará 60 anos no próximo dia 31.

Ainda bem, o golpe de 8 de janeiro está mais para uma farsa, um Plano Cohen frustrado. Segundo os depoimentos dos comandantes das Forças Armadas à Polícia Federal — cujo teor integral foi liberado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes —, após as eleições de 2022, Bolsonaro chamou a cúpula militar para reuniões que articulariam um golpe de Estado. O ex-comandante do Exército Freire Gomes disse que o próprio ex-presidente apresentou uma minuta golpista e discutiu seu teor em duas reuniões. O da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Júnior, confirmou. Ambos não embarcaram na aventura. O ex-comandante da Marinha Almir Garnier, que ficou calado em seu depoimento, assim como o ex-presidente Jair Bolsonaro, supostamente, só não moveu suas tropas porque seu comandante supremo não deu a ordem.

Dorrit Harazim – Distâncias

O Globo

Quem deve decidir quanto a liderança de Netanyahu é problemática são os próprios israelenses, por óbvio

Na semana passada houve júbilo no grupo de terráqueos que há 47 anos acompanha a odisseia das naves gêmeas Voyager 1 e 2. Consideradas tesouro nacional pelos americanos, elas são as duas “criaturas” mais paparicadas e estimadas da agência espacial dos Estados Unidos (Nasa). Só que, desde novembro último, criador e criatura deixaram de falar a mesma língua. Em vez de transmitir dados por meio da linguagem binária com que fora programada, a Voyager 1 passou a emitir apenas um ruído contínuo, indecifrável, semelhante ao sinal de ocupado de um telefone comum.

O enguiço durou quatro longos meses e parecia prenunciar um tristonho réquiem. Na tarde de quarta-feira, porém, sem avisar, a nave se fez viva, pareceu querer restabelecer o diálogo com os humanos. A partir de alguma localização interestelar, emitiu um sinal que percorreu 22 horas e meia até chegar aos computadores da Nasa, e esse fragmento de linguagem conseguiu ser parcialmente decodificado. Para uma das veteranas do projeto, que acabara de se formar em 1977 quando a primeira sonda foi lançada, o sinal recebido na semana passada lhe deu alegria só comparável ao restabelecimento de um batimento cardíaco.

Elio Gaspari - Lembrai-vos de Pasadena

O Globo

Encrencas têm prazo de maturação e duram anos. Hoje a Petrobras tem na mesa a encrenca da empresa de fertilizantes Unigel. Em 2019, durante o governo Bolsonaro, ela arrendou duas fábricas da Petrobras. Compraria gás e venderia fertilizantes. O mercado virou, a Unigel passou a operar no vermelho e fechou as fábricas. Voltou a operar com um novo contrato que, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), poderá custar à Petrobras R$ 487 milhões.

O contrato, assinado em dezembro de 2023, tem pescoço comprido, corpo malhado e cabeça pequena. Parece uma girafa. A estatal defende a virtude no negócio, mesmo sabendo-se de divergências internas e conhecendo-se a fabricação de uma ameaça de greve na Petrobras para forçar a aprovação do negócio.

Eliane Cantanhêde - Propriedades da melancia

O Estado de S. Paulo

Está confirmado: melancia é indigesta para golpistas e faz bem à democracia

Além de deliciosa, suculenta e refrescante, a ciência política acaba de descobrir outras propriedades da melancia: é indigesta para candidatos a ditador, impede golpes de Estado e faz bem à democracia. Acusados de “melancias” pelos golpistas, oficiais de alta patente não cederam às “ordens”, pressões e constrangimentos do então comandante em chefe das Forças Armadas e, assim, frustraram a decretação de estado de defesa e anulação da posse do presidente legitimamente eleito.

Se a melancia é verde por fora e vermelha por dentro, nenhum dos oficiais legalistas, como o atual comandante do Exército, general Tomás Paiva, é ou seria “vermelho” ou comunista. É ridículo, mais uma farsa, uma fake news grosseira para manipular mentes e corações vazios e suscetíveis a mitos, Messias, salvadores da Pátria. Aqueles oficiais foram apenas o que 100% de militares deveriam ser: legalistas, batendo continência à Constituição e aos poderes constituídos.

Celso Lafer* - FHC e o Real, 30 anos

O Estado de S. Paulo

É justo dizer que, graças à sua atuação, Fernando Henrique Cardoso ampliou até os dias de hoje o controle da sociedade brasileira sobre o seu destino

Há 30 anos teve início o Real, que debelou anos de alta e crônica inflação, com efeito corrosivo no dia a dia da vida das pessoas. Teve um impacto perdurável. Transformou a sociedade brasileira, propiciando a previsibilidade econômica e social das expectativas.

A moeda não serve apenas para comprar e vender. É, como a língua e a bandeira, um símbolo nacional, na observação antropológica de Darcy Ribeiro. Tem, com sua dimensão de credibilidade, uma função aglutinadora fundamental. Foi o que observou FHC em A Arte da Política, livro de reflexão sobre a sua experiência, em que dá relevante destaque ao que foi a tarefa política da implantação do Real, um dos seus duradouros legados para o País.

Vinicius Torres Freire - Inicio de ano melhorzinho

Folha de S. Paulo

Comércio, serviços, emprego, mercado de capitais e receita do governo vão melhor do que o previsto

O jorro de provas de que Jair Bolsonaro tramava o golpe ofuscou notícias de surpresas positivas na economia. Parece mais provável que se chegue neste 2024 pelo menos a um crescimento melhorzinho do que o previsto no final do ano passado: 2% em vez de 1,5%.

São dados apenas de janeiro, sim. Também não podemos nos acostumar a tão pouco —mais sobre isso mais adiante.

O crescimento de 2% parece bom porque somos um paciente que apenas tenta se levantar da cama, muito doente faz dez anos, alguns deles em coma, ainda cheio de males que precisam de tratamento profundo. Mas vamos falar das notícias de que podemos dar mais uns passinhos claudicantes neste ano.

As vendas do comércio e o faturamento do setor de serviços em janeiro cresceram mais do que a previsão mais otimista.

Foi assim também com a criação de empregos formais, pelos registros do Ministério do Trabalho. Os dados do IBGE, sobre o total de empregos e salários, haviam saído faz duas semanas, bons também. A nota negativa ficou com a queda da produção industrial, no entanto nem tão ruim quanto a prevista.

A arrecadação do governo deve ter aumentado de novo, segundo estimativa do Ipea, o instituto federal de pesquisa econômica. Em fevereiro, a receita líquida do governo teria crescido mais de 20% em relação a fevereiro do ano passado, em termos reais (acima da inflação).

Ranier Bragon - Conluio golpista de Bolsonaro teve exemplos e gestos públicos

Folha de S. Paulo

Ameaças de ruptura e questionamentos sem lastro às instituições se acumularam em sua gestão

Assim como em praticamente toda a sua carreira iniciada na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, no final dos anos 80, Jair Bolsonaro (PL) acumulou em seus quatro anos na Presidência da República uma série de atos e manifestações públicas que colocaram no horizonte a possibilidade ou o desejo de uma ruptura institucional.

Descortina-se agora com a delação premiada de seu ajudante de ordens, Mauro Cid, e com os depoimentos de dois de seus comandantes militares, Marco Antônio Freire Gomes (Exército) e Carlos Baptista Júnior (Aeronáutica), a possível tentativa de um golpe de Estado no final de 2022 que lhe permitisse ficar no poder e impedir a posse de Lula (PT).

Tais depoimentos e colaborações, porém, apenas cristalizam algo que ao menos desde 2020 vinha sendo manifestado às claras.

É verdade que desde a campanha de 2018 Bolsonaro já dava declarações de teor antidemocrático, como o questionamento das urnas eletrônicas sem nenhum lastro de suspeita.

O fato, porém, é que a área em frente ao QG (Quartel General do Exército) em Brasília abrigou uma das primeiras manifestações explícitas do ex-presidente, no poder, no sentido de uma ameaça de ruptura.

Muniz Sodré* - Borracha no futuro

Folha de S. Paulo

As massas acordaram para a experiência política, mas sob formas perversas, captadas pela extrema direita

Um estudo revela que 13 milhões de brasileiros deixaram de passar fome em 2023, o custo alto dos alimentos desacelerou, a economia obtém ganhos, a vida democrática supera os sobressaltos, mas decresce a avaliação positiva de Lula (PT). Algo semelhante ocorre nos EUA, onde esses fatores estão normalizados, porém, cresce nas preferências eleitorais a figura de Trump, um delinquente polimorfo. Na Argentina, 60% da população esfomeia, mas é elevado o índice de aprovação de Milei. Na alucinação, osso é filé.

São anomalias. Começa a ficar claro que elas reabrem de algum modo a noção de política. Por menos práticos que sejam pronunciamentos políticos de filósofos, vale evocar as posições públicas de Jurgen Habermas nos anos 1980 contra o neoconservadorismo irracionalista na Alemanha, assim como a sua especulação de que "se tivesse de apostar qual o próximo país que se tornaria fascista, minha aposta poderia ser: os EUA". Sem bola de cristal, anteviu Trump.

Celso Rocha de Barros - Bolsonaro vai preso. E depois?

Folha de S. Paulo

Todo político bolsonarista agora precisa ser confrontado com os depoimentos de Freire Gomes (Exército) e Baptista Jr. (Aeronáutica)

Com a divulgação dos depoimentos da operação Tempus Veritatis, já está claro que Jair Bolsonaro vai ser preso.

Os ex-comandantes do Exército e da Aeronáutica, general Freire Gomes e brigadeiro Baptista Jr., contaram à Polícia Federal que Bolsonaro passou o período entre a derrota para Lula e a fuga para a Disney lhes propondo golpe de Estado.

Em duas reuniões, uma em 7 de dezembro, presidida pelo próprio Jair, e outra em 14 de dezembro, presidida pelo ministro da defesa de Bolsonaro, general Paulo Sérgio, minutas da declaração de golpe (com as limitações correspondentes de liberdade) foram apresentadas aos comandantes das Forças. O da Marinha, Almirante Garnier, teria aceitado, segundo depoimento de seus dois colegas.

Esses testemunhos batem perfeitamente com outras provas de que a polícia já dispõe, como as trocas de mensagens de Mauro Cid e Braga Netto.

Rudolfo Lago - Apesar da crise, União Brasil lidera maior número de capitais

Correio da Manhã

Internamente, a disputa pelo comando do União Brasil literalmente pega fogo. Recentemente, o vice-presidente do partido Antonio Rueda destituiu do comando o deputado federal Luciano Bivar. Em eleição interna, Rueda venceu Bivar por unanimidade, mostrando o isolamento do deputado. Inconformado com o resultado, Bivar o questiona. No meio da briga intensa, as casas de praia de Rueda e de sua irmã, Emília Rueda, foram incendiadas. Rueda acusa Bivar de ter sido o responsável pelo incêndio.

Mas, enquanto os comandantes da legenda se engalfinham, o União Brasil mostra fôlego nas eleições municipais. Avaliando as pesquisas mais recentes nas 26 capitais do país, o Correio da Manhã mostra que o União hoje lidera em seis das capitais: Salvador (BA), Fortaleza (CE), Teresina (PI), Porto Velho (RO), Cuiabá (MT) e Campo Grande (MS).

O PSD, partido liderado pelo secretário de Governo do estado de São Paulo, Gilberto Kassab, vem em segundo, com quatro capitais. Entre elas, o Rio de Janeiro, onde é muito forte a possibilidade de reeleição do prefeito Eduardo Paes. MDB, PL e Podemos lideram em três. Mas o MDB vê agora um empate na maior capital, São Paulo, com o crescimento do prefeito Ricardo Nunes, apontado pelo Datafolha.

O crescimento de Nunes ameaça a única possibilidade do Psol, com Guilherme Boulos, que ainda lidera agora por pequena margem em São Paulo.

E o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT, só aparece à frente em Goiânia (GO), com a deputada Adriana Accorsi. Mesmo assim, em situação de empate com o senador Vanderlan Cardoso (PSD) e o deputado Gustavo Gayer (PL).

Veja abaixo como está o quadro atualizado das eleições nas capitais:

Poemas e frases; Citações e Pensamentos,.. de Bertolt Brecht

 

Música | Mariene de Castro, Brasil Jazz Sinfônica - Canto das Três Raças

 

sábado, 16 de março de 2024

O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões

O triunfo da democracia

Correio Braziliense

As investigações sobre o 8 de janeiro mostram que as ideias derrotadas por Tancredo ainda encontram adeptos

Tancredo de Almeida Neves (PMDB-MG) foi escolhido presidente da República pelo Colégio Eleitoral, em 15 de janeiro de 1985, em eleição indireta na qual derrotou o candidato do PDS, o deputado Paulo Maluf (SP). Porém, na véspera de tomar posse, em 14 de março daquele ano, foi internado em estado grave, no Hospital de Base de Brasília, e faleceu sem tomar posse na Presidência.

O vice José Sarney assumiu o cargo e comandou um longo processo de transição do regime militar à democracia, concluído com promulgação da Constituição de 1988 e a realização de eleições diretas para a Presidência em 1988, quando foi eleito Collor de Mello. Luiz Inácio Lula da Silva, que hoje exerce seu terceiro mandato à frente do Executivo, fora o candidato derrotado no segundo turno.

A agonia de Tancredo Neves naqueles dias provocou uma comoção nacional: foram sete cirurgias, duas em Brasília e cinco em São Paulo, até o dia 21 de abril daquele ano, quando faleceu. Seu legado como presidente da República eleito foi essencialmente político: derrotou o projeto de institucionalização de um regime autoritário, de características "iliberais", que manteria a tutela militar sobre a República, por meio de artifícios institucionais que a legitimassem.

Cristovam Buarque* - Êxito pessoal, fracasso nacional

Revista Veja

O descaso com a educação faz o país avançar muito pouco

Nos esportes, só comemoramos o vencedor — o segundo colocado não recebe festa. Na educação, porém, consideramos vitória um avanço pessoal, ainda que seja prova de fracasso nacional. A televisão tem mostrado a fala de um jovem brasileiro celebrando ser o primeiro de sua família a ingressar em curso superior. Não há dúvida do sucesso do menino ao ser uma exceção em sua família. Mas seu sucesso pessoal e a publicidade como êxito social são provas do descaso nacional com a educação. Na terceira década do século XXI, duzentos anos depois da independência, quase um século e meio de república, quarenta anos depois da redemocratização, quinze anos de governos de esquerda, o atual ocupante do Planalto comemora o primeiro membro de uma família a ingressar no ensino superior.

Aldo Fornazieri* - A questão evangélica

CartaCapital

Parece que as esquerdas perderam a noção do que significa disputar a hegemonia política e ideológica no País

A recente rodada de pesquisas – Quaest, Ipec e Atlas – mostrou significativa queda na avaliação positiva do governo e de Lula, além de um avanço na rejeição. As declarações do presidente sobre Israel, a inflação de alimentos, percepção de que a economia não vai bem, o incômodo com a insegurança, a corrupção e a pobreza foram os principais temas indicados pelos institutos como causas do crescimento da desaprovação.

Segundo o Ipec, Lula e o governo perderam pontos em seu próprio eleitorado: os nordestinos, as mulheres, as pessoas negras e de baixa renda. O aumento mais expressivo da desaprovação deu-se entre os evangélicos. Desde dezembro, revela a Quaest, ela subiu 6 pontos, passando de 56% para 62%. A aprovação também caiu 6 pontos, passando de 41% para 35%.

Analistas sugerem que esse aumento da reprovação entre evangélicos pode ter se originado nas condenações que Lula fez aos massacres de crianças e mulheres que Israel perpetra em Gaza. De fato, os evangélicos radicais, principalmente nos EUA e no Brasil, têm fortes relações com a extrema-direita israelense, ligada a grupos de judeus ortodoxos e sionistas.

João Gabriel de Lima* - O check-up das democracias

O Globo

A má notícia do relatório do V-Dem é que a maior parte da população do mundo ainda vive sob regimes autoritários

A medicina preventiva recomenda que se faça um check-up anual para aferir indicadores básicos de saúde, como colesterol, glicemia e funções cardíacas. Os institutos que medem a qualidade da democracia divulgam seus relatórios também com periodicidade anual. A metodologia é análoga, baseada numa série de indicadores. Pode-se dizer que é um check-up dos regimes de liberdade.

Entre os relatórios, o mais acurado e mais citado em teses acadêmicas é do instituto sueco V-Dem, divulgado no início do mês. Democracias, em sua definição mais concisa, são regimes em que prevalece a vontade da maioria, por meio de eleições, ao mesmo tempo que protegem os direitos de todos os cidadãos, incluídas as minorias. Estes são, respectivamente, os aspectos “democrático” e “liberal” das democracias. Aos dois vetores básicos o V-Dem acrescenta cerca de 500 indicadores — que incluem participação popular e capacidade de resolver os problemas concretos dos cidadãos — e faz sua classificação.

Pablo Ortellado - Um outro Rafael Braga

O Globo

Muitos talvez não lembrem mais, mas, há dez anos, o Brasil se mobilizou pela soltura de Rafael Braga, único condenado pela participação nos protestos de junho de 2013. Ele era um morador de rua que foi preso no dia 20, em meio a manifestações pela redução das tarifas de transporte na região central do Rio de Janeiro. Foi detido próximo à Central da Brasil com uma garrafa de Pinho Sol e outra de água sanitária e injustamente acusado de portar “coquetéis molotov” para atacar a polícia.

O caso escandalizou o país. Rafael era um morador de rua que vivia na região central e não participava do protesto. As garrafas de plástico com desinfetante e água sanitária que portava obviamente não podiam ser empregadas como coquetéis molotov. Apesar da acusação ridícula, a polícia sustentou seu entendimento, e o Ministério Público encampou a tese, mostrando como os abusos da polícia se entrelaçam com o descuido e os vieses do Judiciário, especialmente se o acusado é pobre, preto e tem condenação anterior. Em dezembro de 2013, Rafael foi condenado a cinco anos de prisão por porte ilegal de artefato incendiário.

Eduardo Affonso - A História e as estórias

O Globo

A ordem é entrar em modo amnésia coletiva. Não provocar debates sobre prisões arbitrárias, luta armada...

José Murilo de Carvalho escreveu que “são os historiadores, no presente, que constroem o passado”. Em outras palavras — e parafraseando Cecília Meireles —, o passado só é possível reinventado. É, por isso, uma obra aberta: cada época dispõe de informações adicionais, mais ferramentas teóricas e — para o bem e para o mal — novas ideologias. Sai a história dos vencedores, entra a dos vencidos — a mesma cena, com enquadramento diferente, um recorte que privilegia um personagem em detrimento de outro. Figurantes assumem protagonismo — o que não quer dizer que, sob mirada futura, não possam voltar a ser nota de rodapé.

Talvez por isso o tempo que passou seja tão imprevisível quanto o que ainda está por vir.

Nossa geração viu Jesus deixar de ser judeu (e loiro, de olhos azuis...) para se tornar um moreno revolucionário palestino e marxista avant la lettre. Viu o Descobrimento do Brasil virar invasão imperialista. O bandeirante herói da nossa infância — que se embrenhava, intrépido, mata adentro e fez o país dobrar de tamanho — se transformar em vilão escravagista. A celebrada conquista da Amazônia (“inferno verde” onde árvore boa era árvore derrubada) se revelar um desastre ambiental.

Carlos Alberto Sardenberg - Por que o povo não aplaude?

O Globo

Lula e seu pessoal mais próximo acreditam que as velhas agendas ainda deveriam trazer a satisfação do público

Lula causou muitos problemas para seu próprio governo nas últimas semanas. As intervenções desastradas na Petrobras e na Vale não apenas destruíram valor dessas duas companhias, em que a União tem dinheiro aplicado, como prejudicaram o ambiente de negócios. Justamente quando o governo precisa da adesão de investidores privados para tocar ao menos alguma coisa de seus planos grandiosos.

Nenhum governo conseguiria construir refinarias, navios e plataformas de petróleo e, ao mesmo tempo, tocar pesados investimentos em transição energética. Além de gerar dúvidas sobre a viabilidade, traz uma incerteza programática: qual o foco, o óleo ou o verde? Ali no núcleo do Planalto, responderão: os dois alvos. Mas, de novo, não há dinheiro para tudo nem, ao que parece, capacidade de organizar e implementar políticas que tragam capital privado.

Demétrio Magnoli - As utilidades de Trump

Folha de S. Paulo

Nos EUA, Lula e Bolsonaro têm o mesmo candidato, mas só o segundo pode pronunciar seu nome

Viktor Orbán, Putin e Lula não votam nas eleições americanas, mas proclamaram suas preferências. O primeiro-ministro húngaro declarou-se por Trump, uma manifestação sincera e interessada. Putin e Lula declararam-se por Biden, em gestos de ilusionismo político movidos por razões distintas.

Orbán visitou os EUA sem se reunir com Biden: foi direto a Trump, rompendo o mais básico protocolo diplomático. Líder da direita nacionalista europeia, ele professa as mesmas ideias que o virtual candidato republicano.

No plano internacional, mantém uma pouco discreta parceria com a Rússia e critica o apoio da União Europeia à Ucrânia. No plano ideológico, compartilha com Putin o conceito da "nação de sangue" apoiada nos pilares da família tradicional e da religião cristã. O triunfo de Trump asseguraria a seu projeto autoritário e à direita conservadora do Velho Mundo um aliado poderoso, capaz de contrabalançar as pressões das democracias europeias.

Alvaro Costa e Silva - Remédio contra a censura

Folha de S. Paulo

Como nos EUA, editoras brasileiras começam a entrar na Justiça para impedir abusos de autoridade

A Companhia das Letras, que publica "O Avesso da Pele", entrou na Justiça para barrar o recolhimento de exemplares do livro em bibliotecas de escolas do Paraná. Grandes grupos editoriais nos EUA, diante da onda de censura a obras literárias que também se alastra por lá, já adotam instrumentos jurídicos para frear o abuso de autoridade. Se copiamos a ideia de jerico, por que não a contraofensiva cultural?

Jeferson Tenório e seu romance —que incomoda por denunciar o racismo, não por trechos "inadequados"— estão em boa companhia. Já enfrentaram desavenças nos tribunais Flaubert, autor de "Madame Bovary"; Baudelaire, de "As Flores do Mal"; Joyce, de "Ulisses"; D. H. Lawrence, de "O Amante de Lady Chatterley"; Henry Miller, de "Trópico de Câncer"; Nabokov, de "Lolita". Todos conseguiram a liberação de suas obras para o público.

Dora Kramer - Autocrítica, excelência

Folha de S. Paulo

Uma boa dose de exame de consciência ajudaria Lula a inverter o cenário adverso

É sempre bom que governos se preocupem com os preços dos alimentos. Ainda que essa preocupação seja despertada pela queda nos índices de popularidade do presidente da República nas pesquisas, como agora quando Luiz Inácio da Silva corre atrás de conter a carestia geral para reduzir o dano pessoal.

Baixou uma ordem para que se preparem medidas simpáticas ao bolso da população. Isso a fim de tentar inverter o cenário de queda na avaliação positiva do governo registrado por quatro consultas de opinião na semana passada.

Hélio Schwartsman – Lulopedia

Folha de S. Paulo

O presidente e o PT são capazes de aprender com seus erros?

Dizia-se dos Bourbons que eles nada esqueciam e nada aprendiam. Tenta-se agora imputar algo semelhante a Lula e ao PT. Declarações do presidente sobre a governança da Petrobras e da Vale e ingerências nessas empresas seriam a antessala do intervencionismo estatista que produziu a crise de 2014-15. Lula e o PT são incapazes de aprender com erros do passado?

A questão é complexa. Há vários tipos de aprendizado. Alguns deles vêm inscritos em nosso DNA. Um bom número de urbanitas que nunca viram uma cobra ao vivo morre de medo desses animais, expressando, ainda que exageradamente, uma experiência que foi útil à nossa espécie.

Cláudio Carraly* - Revolução longa e próspera

“Espaço a fronteira final. Estas são as viagens da nave estelar Enterprise, em sua missão de cinco anos para explorar novos mundos, novas civilizações, audaciosamente, indo onde nenhum homem jamais esteve.” Assim, iniciavam todos os capítulos da série original Star Trek ou como chamávamos por aqui Jornada nas Estrelas, que estreou na televisão no ano de 1966 e durou quatro temporadas, levando milhares de novas mentes a crer em uma humanidade igualitária, inclusiva e justa, despertando mundo afora, interesse e busca por conhecimento científico.

Gene Roddenberry foi um roteirista, produtor e criador de televisão americano conhecido principalmente por ser o criador da famosa franquia Star Trek, que oferecia uma visão futurista da humanidade em um conjunto de mundos utópicos conhecidos como a Federação Unida dos Planetas. Nesse cenário, a humanidade atingiu um nível de desenvolvimento tecnológico e social que superou as limitações do capitalismo e das lutas de classes. 

Marcus Pestana* - Transformação social e a ação das prefeituras

Tenho aqui insistido na importância central de elegermos bons prefeitos e vereadores em outubro próximo, dados os impactos estratégicos das políticas públicas municipais e a proximidade estreita entre poder local e o cotidiano da população. Já realçamos aqui os dois campos principais da atuação das prefeituras: educação e saúde.

Mas existem outros segmentos muito importantes para a melhoria da qualidade de vida da população. É evidente que os desafios são diferentes para as cidades pequenas, médias e grandes. Algumas têm que lutar contra seu esvaziamento, outras contra os efeitos perversos do crescimento desordenado. Também o grau de autonomia financeira é heterogêneo. Há cidades que possuem royalties de energia elétrica ou mineração, ou ICMS alto, por seu grau de industrialização. Outras não. Há cidades médias e grandes com renda razoavelmente alta e setor terciário desenvolvido que têm bom potencial de arrecadação de IPTU e ISS. Outras não. Portanto, senhores candidatos, adequem seus programas de governo e propostas à realidade fiscal de cada município.

Poesia | O escrivinhador de peças, de Bertolt Brecht

 

Música | Mariene de Castro, Zeca Pagodinho - Coisa da antiga

 

sexta-feira, 15 de março de 2024

O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões

PEC das Drogas traz retrocesso para segurança

O Globo

Texto do Senado incentiva o encarceramento, que fornece mão de obra para facções nos presídios

Prepara-se no Congresso um enorme retrocesso para enfrentar um problema que merece ser tratado com maturidade, não com preconceito e demagogia. A Proposta de Emenda à Constituição conhecida como PEC das Drogas, aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, é um equívoco. Para a saúde e para a segurança pública. Primeiro, porque vai contra todo o conhecimento acumulado sobre como tratar dependentes. Segundo, porque é um incentivo ao encarceramento em massa, problema que a Lei Antidrogas de 2006 tentou resolver, embora tenha ficado no meio do caminho.

A PEC piora uma legislação já ruim e pretende gravar o erro no artigo 5º da Constituição. A proposta considera crime a posse e o porte de qualquer quantidade de droga, “observada a distinção entre o traficante e o usuário pelas circunstâncias fáticas do caso concreto”. Ora, a legislação atual também foi aprovada com o objetivo de não prender usuários, mas fracassou ao não estabelecer critérios para isso, gerando um vácuo jurídico hoje em debate no Supremo Tribunal Federal (STF).

Sem parâmetros objetivos, as “circunstâncias fáticas” sempre dependerão da interpretação de cada policial ou juiz. Pelo que a realidade mostra, jovens, negros e pobres costumam ser tratados como traficantes e presos, mesmo que flagrados com pequenas quantidades — ao contrário daqueles noutra condição socioeconômica.

O resultado são as cadeias abarrotadas com gente que não deveria estar lá. Dos 650 mil presos no Brasil, 28% foram encarcerados com base na Lei Antidrogas, a maior parte portando pequenas quantidades. Uma pesquisa do Ipea mostrou que, se houvesse limite de 25 gramas para consumo pessoal, 27% dos condenados por porte de maconha poderiam sair da cadeia. Se o limite fosse de 150 gramas, seriam 59%.

Fernando Gabeira - O enigma das pesquisas

O Estado de S. Paulo

Impressão do governo será dominantemente construída nas redes, e, como há supremacia de oposição, transformar o quadro depende muito também da luta no mundo virtual

As recentes pesquisas que indicam uma queda de prestígio do governo são de difícil interpretação. Evidentemente, cada um tem uma série de motivos para indicar como suspeitos. Mas não há nada em que se possa apoiar de forma conclusiva.

Os indicadores da economia são considerados positivos. Pessoalmente, suspeito de que o preço dos alimentos tenha um pequeno papel, sobretudo na população de baixa renda. Há alguns meses que chamo a atenção para o enlace de dois fenômenos: o El Niño e o aquecimento global. Eles devem ter sido responsáveis pelo aumento do preço de hortigranjeiros e de frutas. Posso constatar isso na feira semanal: a compra que me custava R$ 90 no ano passado custa, agora, R$ 140. Ouço muitas vezes reclamações sobre os preços, sobretudo o da banana.

Apesar dessa constatação empírica, os números não autorizam supervalorizar o aumento do preço dos alimentos. Com tudo o que aconteceu este ano, a inflação de fevereiro, de 0,83%, é praticamente igual à de fevereiro do ano passado (0,84%).

Vera Magalhães - Faltam novas marcas ao governo Lula 3

O Globo

PAC, Minha Casa, Minha Vida, Prouni e Mais Médicos soam como sânscrito para boa parte do eleitorado

Um dos pontos cruciais para a DR — sigla para a “discussão da relação” comum ao léxico dos casais em crise — em que forçosamente se transformará a reunião ministerial da próxima segunda-feira deverá ser a completa ausência de marcas fortes do governo Lula 3. Não é por falta de temas que possam se transformar nessas pautas, mas pela desconexão entre as maiores preocupações do presidente e de boa parte do primeiro escalão e essas possíveis bandeiras.

A mais evidente é a economia verde, com todo o seu enorme potencial de gerar investimentos bilionários e a visibilidade global que parece ser tão almejada por Lula. Passou da hora de o governo eleito com a promessa de mudar o desmonte e a destruição promovidos e defendidos por Jair Bolsonaro na área ambiental apresentar um projeto grande, ambicioso e transversal para as diversas áreas abrangidas pela agenda da sustentabilidade, a começar das muitas oportunidades de geração de recursos de fato volumosos na área de energia.

César Felício - Economia não garante Lula nas pesquisas

Valor Econômico

Cenário internacional sugere que há muito vento soprando as brasas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é o principal culpado da evidente queda de popularidade sua e do governo, atestada por todas as pesquisas de opinião realizadas nas últimas três semanas. Esta conta não é dele, o que agrava a sua situação, porque talvez não esteja em suas mãos mudar o curso dos acontecimentos.

As pesquisas Genial/Quaest, Ipec e Datafolha foram realizadas depois de 25 de fevereiro, data da manifestação que teve o ex-presidente Jair Bolsonaro no palanque da avenida Paulista. O bolsonarismo mostrou-se eficiente em reengajar a sua base, em especial e acima de tudo entre os evangélicos. Frases infelizes de Lula contribuíram com o resultado, mas que não se tire o mérito da oposição em produzi-lo.