Folha de S. Paulo
Durigan foi escalado para atuar como bombeiro
após conversas de bastidor de coordenador de programa de governo
Mas se quiser convencer, ministro da Fazenda
deveria dar pistas mais claras do que pode vir por aí
Substituto de Fernando
Haddad na Fazenda, Dario Durigan atuou
como bombeiro na campanha para a reeleição do presidente Lula,
na tentativa de apagar os ruídos provocados por conversas de bastidores de
representantes da Faria Lima com Sérgio
Gabrielli, coordenador do programa de governo.
O ministro buscou consertar o "efeito Gabrielli" ao afirmar que o governo não pretende adotar medidas de controle de capitais. Para completar, disse que vai "melhorar o fiscal, custe o que custar" ao defender medidas para conter as despesas obrigatórias.
Só a necessidade de dar explicações para
contrapor o que disse Gabrielli sobre questões tão básicas a fim de evitar que
o caldo entorne em 2027 mostra que a divisão no
governo sobre os rumos da política econômica segue presente.
Haddad encarou essa disputa.
É por isso que as palavras de Durigan soam
vazias para os analistas que buscam respostas sobre como será a economia
num eventual
quarto mandato de Lula. As declarações revelam o que há de
retrógrado no governo: a aposta em medidas que deram errado e que fecham as
portas para o novo.
Não há espaço nem para discutir inovações com
o objetivo de cortar despesas que são ineficientes. É desolador que a essa
altura achem que consertar as contas públicas não é prioridade, mas sim
submissão ao mercado, e que o problema seja a "centralidade da política de
juros", como sugeriu Gabrielli.
Faltando poucos meses para as eleições,
ninguém acha que Durigan vai dizer o que pretende fazer para corrigir os
problemas das contas públicas com medidas amargas.
Certamente o ministro não repetirá Paulo
Guedes, que nas eleições de 2022 enviou um projeto de Orçamento para o primeiro
ano do governo eleito sem recursos para programas importantes, como o Farmácia
Popular, e depois avisou que precisaria adotar medidas duras para refazer a
peça orçamentária.
Se quiser
convencer, Durigan deveria dar pistas claras do que pode vir por aí. Para
começar, precisa conter o pacote de bondades eleitorais, que não acaba. O
alargamento do socorro às empresas afetadas pelo tarifaço é a prova disso.

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