segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Despolarização eleitoral - José Roberto de Toledo

Despolarizar é perder os polos, mas é também perder o rumo. O termo se aplica ao cenário eleitoral brasileiro de hoje. Nem uma, nem duas, mas uma série de pesquisas evidencia que a polarização PT-PSDB está moribunda. Não é pouca coisa matar uma tradição que domina as eleições presidenciais desde 1994.

A disputa tucanopetista marcou cinco das seis corridas ao Planalto na redemocratização. Políticos e marqueteiros ficarão saudosos do velho duelo. Não parece ser o caso dos eleitores.

Na pesquisa Datafolha deste final de semana, a soma das intenções de voto da candidata do PT, Dilma Rousseff, com as do PSDB, Aécio Neves, não chega a 60% dos votos válidos. Nos pleitos anteriores, petistas e tucanos, juntos, ficaram com pelo menos 80% dos votos, às vezes com 95% no primeiro turno.

Dilma e, principalmente, Lula reconquistaram parte do eleitorado petista. O problema está no outro polo. O candidato do PSDB não decola. Aécio Neves perdeu terreno e está mais perto do quarto colocado, Eduardo Campos (PSB), do que da segunda posição de Marina Silva (sem partido), segundo o Datafolha. Pior, os tucanos seguem divididos. Emissários de José Serra fizeram gestões junto aos institutos de pesquisa para incluir o nome do ex-governador nas sondagens de intenção de voto, apesar de o PSDB já ter, teoricamente, escolhido Aécio como candidato.

Quando as gestões foram feitas ainda não havia estourado o escândalo da formação de cartel e pagamento de propina envolvendo metrô e trens urbanos paulistas. Resultado da pesquisa: o lançamento simultâneo de Aécio e Serra (caso este saia do PSDB para disputar a Presidência por outra sigla) seria um abraço de afogados. Um tiraria votos do outro, submergindo as chances dos dois de chegar ao segundo turno.

A perda de protagonismo eleitoral não é de agora. O PSDB encolheu nas eleições municipais de 2012. Elegeu menos prefeitos do que tinha. As prefeituras são importantes bases de apoio para deputados, governadores e presidenciáveis. E não fica nisso.

Os tucanos, pelo que mostra o Datafolha, também pagaram pedágio às manifestações contra o status quo da política. As suspeitas de superfaturamento das obras sobre trilhos construídas durante os governos do partido descarrilaram sua imagem. Como um tuiteiro escreveu: "O que aconteceu com o PSDB? Virou PT?"

Não adianta os caciques tucanos dizerem que os partidos vêm de sacos diferentes. A opinião pública vê uma farinha só. Quando as duas siglas se igualam negativamente no imaginário do eleitor, o PSDB perde mais porque seu eleitorado cativo é menor. Tanto é assim que os petistas mostraram resiliência no Datafolha.

A despolarização ajuda Marina Silva. Ela provou novamente que é a maior beneficiária dos protestos de rua. Seu discurso de "horizontalidade", de defesa de um novo jeito de fazer política, é o mesmo de boa parte dos manifestantes. Como consequência, ela é a única que cresce sem parar depois que as ruas efervesceram.

O que lhe sobra de popularidade, falta de consistência à candidatura. Não tem nem partido ainda. A Rede de Marina está enroscada junto aos cartórios eleitorais, que tardam em reconhecer as assinaturas necessárias à fundação da legenda. Mesmo que consiga, lhe faltará base parlamentar de apoio.

Presidentes eleitos por siglas nanicas no Brasil não costumam durar. Veem-se logo dependentes de um grande partido para sobreviver no Congresso. Foi assim com Jânio Quadros e a UDN, com Fernando Collor e o PFL. Uma hora o presidente se rebela, perde sustentação e dá no que deu.

O cenário despolarizado é um sonho para o PMDB. Se Dilma ganhar, o partido está na chapa. Se der Marina, a nova presidente cairia por gravidade no seu colo. A política brasileira pode perder os polos, mas o centro continua onde sempre esteve.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Fogo de palha - Valdo Cruz

Na hora certa para o Palácio do Planalto. Cedo demais para a base governista no Congresso. Diria que assim foi recebida a pesquisa Datafolha, que mostra a recuperação de Dilma Rousseff.

Entre os aliados de Dilma no Legislativo, o receio manifesto em conversas reservadas é que a melhora na popularidade presidencial venha a afetar a súbita disposição da petista em abrir as portas do Palácio do Planalto ao diálogo.

Os governistas estavam adorando o tombo dilmista nas pesquisas. Obrigou-a a vestir figurino mais humilde no trato com os aliados diante do risco de derrotas no Congresso.

Antes da recuperação da popularidade da petista, por sinal, governistas falavam em dar um voto de confiança de um mês à presidente para ela mostrar que sua mudança não era simples fogo de palha.

Agora, o relógio corre contra os aliados. Se a melhora dilmista nas pesquisas for crescente, ela ganha força e tira poder de sua base aliada no Congresso. Talvez o tempo da desforra dos apoiadores de Dilma esteja se encurtando cedo demais.

Por outro lado, a recuperação presidencial ainda é lenta e recomenda à dona do Planalto manter seu estilo mais afável. Ninguém sabe o dia de amanhã. Cada vez mais incerto, apesar da crença oficial de que está tudo dominado.

Não está. A inflação deu refresco, mas o ritmo do crescimento ainda é fraco. E a retomada da economia americana, que pode ser mais forte em 2014, vai pressionar ainda mais o dólar no ano da eleição, jogando mais lenha na fogueira da inflação.

Enfim, a vida ficou um pouco melhor para a petista, mas o cenário pela frente contém desafios. Um deles em seu quintal. Qualquer vacilo e o coro do "volta, Lula" ganha força.

Afinal, o Datafolha mostrou que ele ganharia a eleição presidencial no primeiro turno. Ela, não. Coincidência ou não, Lula teve o aval de sua equipe médica neste sábado para enfrentar qualquer batalha.

Fonte: Folha de S. Paulo

Os senadores prometerão ser éticos? - Renato Janine Ribeiro

Causou choque a recusa do senador Lobão Filho, relator do regimento do Senado, a incluir a palavra "ética" no compromisso que os membros da Casa prestam ao tomar posse. O assunto ressoou até no jornal espanhol "El País". Disse o parlamentar que ética é questão subjetiva, com significados diferentes conforme a pessoa. Ele está errado e direi por quê. Mas também erram alguns críticos seus - os que não têm dúvidas sobre o que é certo ou errado, postura que só vale numa visão bem simplista da ética.

Como professor de ética, sempre insisto que ela não consiste numa lista pronta, que nos limitaríamos a obedecer. Tal lista existe e se chama lei. Leis são votadas pelo poder competente, sendo sua violação punida pela Justiça. O que importa é cumprir a lei, pouco importando por quê.

Mas a ética é diferente. Exige muito mais. A lei pede apenas a obediência nos atos; na ética, também está em pauta a intenção. Para o sistema legal, é suficiente que eu pague os impostos, não mate, agrida ou furte ninguém; mas essa obediência externa, se faz de mim um não criminoso, não me torna uma pessoa ética. Porque, se acatei as leis só por medo do castigo, não foi por amor a elas, nem por respeito aos outros, meus próximos.

Várias mudanças nestas épocas foram éticas

Por ser exigente, a ética incomoda. Ética é antes de mais nada isso: uma enorme perturbação. Interpela os indivíduos, para que eles se tornem pessoas. Eu me explico. Cada um de nós é, em seu corpo, um ser único, indivisível. Isso é o indivíduo. Mas, dizendo isso, só descrevo um fato. Já a palavra "pessoa" é mais que isso. Designa um titular de direitos e obrigações. Saio da descrição e entro na prescrição. Um indivíduo nunca chegará a pessoa, se não assumir seus deveres e direitos. O que a ética cobra de cada um de nós é esta responsabilidade pelos atos.

Não basta, pois, cumprir ordens. Há pessoas, sobretudo as de religiosidade superficial, para quem tudo o que deve ser feito está nos mandamentos divinos. Elas os cumprem à risca. Mas, quando se limitam a obedecer o que está escrito, sem pôr nada em questão, não chegam ao nível ético. Uma coisa é tratar os Dez Mandamentos como lei - outra, como preceitos morais ou éticos. Porque, quando você os considera pela ética, tem de aprofundar. Por exemplo, o que quer dizer "não matarás"? É apenas "não tire a vida de outro ser humano" - ou deve incluir "socorra quem estiver ameaçado de morte"? É consenso que não devo matar ninguém, salvo legítima defesa; mas, se deixo matarem alguém, não estarei sendo cúmplice de assassinato? Essa conclusão me parece lógica, mas não é trivial ou óbvia. E mais ainda: e se "matar" também for "deixar uma pessoa morrer, quando tenho condições de ajudá-la", por exemplo, saciando sua fome? Neste caso, se não contribuo para minorar a fome mesmo de quem eu não conheço, estou matando. Ou ainda: se voto num candidato ou partido indiferente à fome, também estaria matando. Pode haver divergências nestas conclusões, mas vale o princípio de que "matar" não é apenas o que é óbvio (você usar a faca ou o revólver para tirar uma vida), porém pode significar várias outras coisas.

Mais um ponto. A maior parte dos dez mandamentos começa pelo "não": isso sugere que, para ser ético, seria suficiente nada fazer de mau. Mas vamos expandir. Num regime ditatorial, não colaborar com a repressão é digno; mas basta? Não fará parte da ética lutar contra a ditadura? Num país assolado pela miséria e marcado pela corrupção, é ético o indiferente? Ou, para ser ético, tenho que combater esses dois flagelos?

A corrupção, como insistimos alguns há muitos anos, mata. Corruptos podem ser pessoalmente adoráveis, porque não enfiam a faca ou atiram em ninguém. Mas matam. Igualmente a miséria. Pode haver diferenças políticas no modo como enfrentamos miséria e corrupção, mas enfrentá-las é um imperativo ético.

Por isso, quando discutimos a ética, ela não é nada óbvia. Daí, a inanidade de expressões como "ética vem do berço", como se as pessoas nascessem já decentes ou não (se assim fosse, não teríamos por que condenar quem é antiético, porque a pessoa teria nascido desse jeito - e nada poderia mudar...). Ou mesmo o absurdo de supor que a ética vem só da família - o que dispensaria quem cresceu sem família, ou com má formação familiar, da responsabilidade de ser ético. De modo geral, quem tem muita certeza sobre a ética é porque obedece ao que lhe foi ensinado como se lei fosse. Ou seja, não percebe o que a ética é, nem que ela é mais exigente do que qualquer lei.

Mas este campo de incerteza que há na ética, quando saímos da superfície e do óbvio, não justifica o senador. Ele deveria saber que é bem essa imprecisão do ético, essa sua capacidade de expansão, esse progresso para cobrir sempre novos significados, que lhe confere valor. Nestas décadas, muitos avanços nossos, como o desprezo que passamos a ter pelo assédio sexual ou moral, pelo preconceito racial ou de gênero, decorreram de questionamentos éticos. Nossa sociedade foi cedendo no moralismo, na moral das aparências, para se tornar mais exigente na ética dura. É um "work in progress", um trabalho em andamento, e é um dos grandes motores do desenvolvimento social. Já se tornou obsceno tolerar a miséria. A carteirada perdeu a graça. A corrupção se tornou feia. A exigência ética em relação a políticos obviamente introduz um elemento de insegurança jurídica, mas isso é essencial na ética, não é secundário nela. Faz parte da ética nos interpelar, nos tirar da zona de conforto, nos questionar. Por isso mesmo, ela precisa estar presente no compromisso dos senadores.

Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo.

Fonte: Valor Econômico

Painel - Vera Magalhães

E agora, José?
Aliados de José Serra dizem que o ex-governador esperava as primeiras pesquisas com seu nome entre os presidenciáveis para decidir se sairá ou não do PSDB para concorrer em 2014. A pesquisa Datafolha ofereceu mais dúvidas que respostas. Na sondagem, dois fatores nos quais Serra apostava não se verificaram: o recall por ter disputado duas eleições presidenciais e uma vantagem sobre Aécio Neves que lhe desse algum discurso para disputar internamente a candidatura.

É a economia Outro fator importante que incentiva Serra a disputar a terceira candidatura presidencial é ser visto como alternativa a Dilma Rousseff na gestão econômica. Mas isso também não se confirmou no Datafolha. Só 11% dos entrevistados apontam o tucano nesse quesito. Dilma tem 12%.

Otimismo Pesquisas internas que o marqueteiro João Santana mostrou a Dilma já indicavam uma recuperação de 8 pontos na aprovação ao governo (foram 6 no Datafolha), que teria subido ao patamar de 30%. A equipe próxima à presidente comemorou os resultados.

Megadesgaste A pesquisa de intenções de voto confirmou dado que já aparecera na de avaliação de Dilma: persiste seu desgaste nas metrópoles com mais de 500 mil eleitores. Nessas cidades, que concentraram os protestos de junho, Marina Silva lidera ou empata com Dilma, a depender do cenário.

De mal Outro dado que chamou a atenção de petistas foi a baixa adesão a Dilma na pesquisa espontânea. Ela manteve os 16% de intenção de voto quando o eleitor é questionado sem ter uma lista prévia. A presidente chegou a pontuar 35% na espontânea, no auge de sua popularidade, em março.

Frente... Fernando Haddad (PT) apresentará na quinta o pacote de reforma do sistema municipal de educação. O plano prevê R$ 1,2 bilhão para a ampliação da rede de creches e CEUs de São Paulo.

...pela educação Professores, pais e alunos participarão de uma consulta pública, que ficará aberta por um mês para receber sugestões de alterações à proposta do prefeito em temas que vão até o currículo de ensino.

Saideira 1 Roberto Gurgel enviou ao Supremo Tribunal Federal petição para que seja arquivada denúncia contra Roberto Requião, ex-governador do Paraná. Supostamente, Requião teria concedido benefícios de ICMS de forma irregular a contribuintes como Sercomtel, Hexal do Brasil, Companhia Brasileira de Bebidas e Elevadores Atlas Schindler.

Saideira 2 Segundo o procurador-geral da República, ainda que existissem indícios da prática dos delitos de peculato ou corrupção ativa, eles já prescreveram.

Saideira 3 A investigação das supostas irregularidades ocorreu em março de 2004 e a prescrição ocorreu em março deste ano, devido à idade do ex-governador. Como Requião tem 72 anos, a lei determina que o prazo máximo de prescrição desse tipo de crime (16 anos) seja reduzido à metade (8 anos).

Luz... Diante da escuridão em que ficou a plateia do encontro do PT em Bauru que lançou o ministro Alexandre Padilha candidato a governador de São Paulo, petistas brincaram que a luz baixa era porque o candidato ainda estava fechado no armário.

... para todos Até o ex-presidente Lula fez piada com a penumbra do evento. Disse a Padilha e também ao ministro Gilberto Carvalho que era necessário pedir a Dilma Rousseff que liberasse recursos do PAC para iluminar os encontros do PT.

Tiroteio
"Antes, diziam que eu estava por trás da CPI da Petrobras. Agora, que sou ligado a João Henriques. O PMDB quer e eu assinarei a CPI"
DO DEPUTADO EDUARDO CUNHA (PMDB-RJ), rebatendo acusações de que seria ligado a ex-funcionário da estatal que denunciou esquema de corrupção

Contraponto
Beijo, não me liga

Na última sessão da Câmara antes do recesso de julho, o líder do PSDB na Casa, Carlos Sampaio (SP), reuniu a bancada e deu um aviso:

--Farei uma viagem com a minha mulher para comemorarmos vinte anos de casamento. Mas estarei com o celular ligado. Quem precisar, pode telefonar.

Os deputados elogiavam a disposição do líder, quando Sampaio arrematou:

--Mas que fique claro que será contrariado e insatisfeito que atenderei a cada telefonema.

Todos gargalharam e prometeram não incomodá-los.

Com Andréia Sadi e Bruno Boghossian

Fonte: Folha de S. Paulo

Kirchnerismo é derrotado em primárias legislativas

Candidatos da presidente não conseguem 1º lugar em nenhuma das províncias mais importantes

Janaína Figueiredo

BUeNOS AIRES - As Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias (PASO) realizadas ontem na Argentina, passo prévio às eleições legislativas do próximo dia 27 de outubro, deixaram claro que depois de mais de dez anos de governo o kirchnerismo está desgastado. Se em outubro de 2011 a presidente Cristina Kirchner foi reeleita com 54% dos votos, e a Frente para a Vitória (sublegenda do peronismo fundada pelo ex-presidente Néstor Kirchner) era o partido mais forte do país, nos últimos dois anos a oposição, mesmo fragmentada, conseguiu fortalecer-se - e ontem, segundo informações divulgadas pelos principais meios de comunicação do país, obteve o primeiro lugar nos principais distritos eleitorais da Argentina: capital, província de Buenos Aires (onde vivem 38% dos 28,6 milhões de eleitores argentinos), Santa Fé, Mendoza, Córdoba e até mesmo Santa Cruz, terra natal de Kirchner.

No momento de votar, em Santa Cruz, a chefe de Estado minimizou a sucessão de denúncias de corrupção contra seu governo, apesar da onda de protestos que vem enfrentando desde 2012.

- Denúncias venho escutando há décadas, sempre acontecem em épocas eleitorais e é a parte mais feia da política - disse Cristina.

Reforma constitucional ameaçada

A próxima eleição legislativa é importantíssima para a presidente e seus aliados, muitos dos quais ainda sonham com uma "Cristina eterna". Se o governo perder espaço no Congresso, será definitivamente enterrado o projeto de reforma constitucional que permitiria uma terceira candidatura consecutiva da chefe de Estado. Em outubro, serão renovadas 127 cadeiras na Câmara (a metade da casa), das quais 49 são hoje da FPV e 78 de partidos da oposição. Já no Senado, estarão em jogo 16 vagas do partido governista e 8 da oposição, o que representa um terço do total. O cenário traçado pelas primárias, que serviram para definir as listas de candidatos que concorrerão nas legislativas, mostra que o governo poderia manter-se como maior partido na Câmara, mas a grande incógnita é saber como ficará a divisão de forças no Senado, chave para uma eventual reforma da Constituição.

As primárias também confirmaram o surgimento de novas lideranças opositoras. Na província de Buenos Aires, a mais importante do país, Sergio Massa, ex-chefe de Gabinete de Cristina e aposta crucial do peronismo dissidente na eleição de outubro, foi o candidato mais votado. O ex-chefe de Gabinete rompeu com o kirchnerismo este ano e tornou-se sua maior dor de cabeça. O líder do movimento Frente Renovador é considerado por analistas um dos políticos com mais chances de desafiar o poder de Cristina (que sem reforma deverá escolher um sucessor) nas próximas eleições presidenciais.

Na visão da analista política Graciela Romer, "os eleitores de Massa são críticos do kirchnerismo, mas não são ultraopositores".

- São eleitores que demandam outro estilo de gestão, menos confronto e mais diálogo - explicou Romer.

Os candidatos da FPV também foram superados pela oposição em províncias como Mendoza, onde o ex-vice presidente de Cristina, o radical Julio Cobos, ficou em primeiro lugar. Em Córdoba, outra das províncias com mais peso eleitoral, o peronismo liderado por José Manuel de la Sota, um dos governadores que atreveu-se a criticar o governo Kirchner nos últimos tempos, foi o grande vencedor. Em Santa Fé, o socialismo comandado por Hermes Binner, que nas presidenciais de 2011 ficou em segundo lugar, com uma diferença de mais de 30 pontos percentuais em relação à Cristina, consolidou-se como favorito. A FPV também perdeu em Santa Cruz, província que Kirchner governou durante mais de 11 anos. Na capital, os candidatos mais votados foram os do PRO, do chefe de governo opositor Mauricio Macri. O kirchnerismo, único grupo presente nas 24 províncias, esperava compensar a derrota nos grandes colégios eleitorais com vitórias no resto do país.

Fonte: O Globo

Em dados preliminares, Cristina Kirchner sofre a pior derrota política na Argentina

Em discurso à meia-noite a presidente, visivelmente abalada pelo resultado, falou brevemente, convocando a militância a fazer "maior esforço"; ela obteve 25% dos votos

Os dados preliminares destas eleições que definem os candidatos que participarão das parlamentares de outubro sustentavam que o kirchnerismo teria obtido 25% dos votos em todo o país

A contagem parcial das urnas das eleições primárias argentinas indicava neste domingo (11), à noite, que o governo da presidente Cristina Kirchner sofreu a pior derrota política do kirchnerismo em uma década.

Os dados preliminares destas eleições que definem os candidatos que participarão das parlamentares de outubro sustentavam que o kirchnerismo teria obtido 25% dos votos em todo o país. Desta forma, a oposição, embora fragmentada, reuniria 75% dos votos.

Em discurso à meia-noite a presidente Cristina, visivelmente abalada pelo resultado, falou brevemente, convocando a militância a fazer "maior esforço". A presidente não reconheceu a derrota.

Na província de Buenos Aires, tradicional feudo político do kirchnerismo, de acordo com 45% das urnas apuradas, o candidato kirchnerista que lidera a lista de deputados para as eleições parlamentares de outubro, Martín Insaurralde, prefeito da cidade de Lomas de Zamora, teve somente 28% dos votos.

Seu rival, Sergio Massa, ex-chefe do gabinete de ministros de Cristina, que passou há poucos meses para o peronismo dissidente da oposição, era vitorioso com 34% dos votos.

A província de Buenos Aires é considerada o principal campo de batalha eleitoral, já que concentra 37,3% dos eleitores argentinos. Massa é considerado um potencial presidenciável que poderia reunir o peronismo dissidente e setores do kirchnerismo insatisfeitos com a presidente Cristina.

Na cidade de Buenos Aires, que concentra 8,8% dos eleitores do país, o candidato do governo, o ex-ministro Daniel Filmus, teria reunido 20% dos votos, tornando-se a terceira força em território portenho.

Os candidatos da coalizão UNEN, de centro-esquerda, reuniram 35% dos votos, enquanto que os representantes do partido de centro-direita Proposta Republicana (PRO), do prefeito Maurício Macri, conseguiram 30%.

Fonte: O Tempo (MG)

O que pensa a mídia - editoriais de alguns dos principais jornais

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Banda Ouro Negro (O show)

Aurora, com movimento – Vinicius de Moraes

(Posto 3)

A linha móvel do horizonte
Atira para cima o sol em diabolô
Os ventos de longe
Agitam docemente os cabelos da rocha
Passam em fachos o primeiro automóvel, a última estrela
A mulher que avança
Parece criar esferas exaltadas pelo espaço
Os pescadores puxando o arrastão parecem mover o mundo
O cardume de botos na distância parece mover o mar.

domingo, 11 de agosto de 2013

OPINIÃO DO DIA – Dilma Rousseff: ET

Queria dizer que tenho muito respeito pelo ET de Varginha. E eu sei que, aqui, quem não viu conhece alguém na família que viu, mas de qualquer jeito eu começo dizendo que esse respeito pelo ET de Varginha está garantido.

Dilma Rousseff, presidente da República, O Globo, 11/8/2013

Contra-ataque às críticas de Dilma

Tucanos rebatem a presidente, que comparou o seu governo com o de FHC. Segundo eles, a administração petista vai de mal a pior

Isabella Souto

As críticas feitas pela presidente Dilma Rousseff (PT) à gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995 a 2002) foram rebatidas ontem por tucanos. Na sexta-feira, durante viagem a Porto Alegre, a petista disse que nos seis primeiros meses deste ano foram criados 826.200 empregos com carteira assinada – número semelhante ao que teria sido criado durante os quatro primeiros anos de mandato de FHC no Palácio do Planalto.

Para o deputado federal Rodrigo de Castro, que integra a Executiva Nacional do PSDB, a petista deve estar no "mundo do ET de Varginha" – referindo-se à viagem que a presidente fez à cidade mineira na quarta-feira, quando inaugurou câmpus da Universidade Federal de Alfenas (Unifal). Na ocasião, em entrevista a rádios locais, ela fez a mesma comparação em relação ao número de empregos na gestão tucana e petista.

"Ela (Dilma) entrega o país com uma infraestrutura em frangalhos, inflação em alta, na sombra de seu antecessor (ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva), fraca, desamparada e despeitada", reclamou. Para o presidente estadual do PSDB, Marcus Pestana, a presidente Dilma está com uma visão "tacanha e medíocre" da história ao não reconhecer os avanços da gestão FHC. "As circunstâncias históricas, os parâmetros populacionais são muito diferentes. Ela usufrui das bases que o Fernando Henrique deixou", disse.

O senador Aécio Neves (PSDB), que é pré-candidato de seu partido na sucessão de Dilma Rousseff nas eleições do ano que vem, disse durante a semana que é "curiosa a obsessão" da presidente com FHC. "Por que o ex-presidente incomoda tanto a presidente?", reclamou.

O senador classificou ainda como um "desrespeito à inteligência da população" a comparação entre as gestões do PT e PSDB, pois se trata de conjunturas diferentes, que foram por ela tratadas como iguais. Na sexta-feira, a presidente rebateu esse discurso: "Aí você vai me dizer: mas era outra situação macroeconômica. Mas esse é o ponto. É outra situação econômica porque fomos capazes de criar, em seis meses, 826 mil empregos", disse.

A declaração de Dilma deu mais munição para o ataque tucano. O senador Aécio Neves argumentou que nos dois anos do governo Dilma o Brasil cresceu um terço da média dos outros países da América do Sul. Além disso, segundo ele, no governo FHC foram recorrentes crises econômicas no mundo, mas ainda assim o país cresceu quase o dobro da média do subcontinente: o índice chegou a 2,3%, enquanto os demais países tiveram uma taxa de 1,3%.

Fonte: Estado de Minas

'Época': esquema de propina na Petrobras favoreceu o PMDB

Ex-funcionário da estatal relata negociatas com verba pública; empresa não comenta

Em entrevista à revista "Época" desta semana, o engenheiro João Augusto Rezende Henriques, ex-funcionário da Petrobras, denunciou um esquema de corrupção na Diretoria Internacional da estatal que favoreceu o PMDB. Segundo ele, todos os empresários com contratos na área internacional a partir de 2008 tinham de pagar um pedágio que era repassado ao PMDB, sobretudo à bancada mineira do partido na Câmara, responsável pela indicação do ex-diretor internacional da Petrobras Jorge Zelada, que deixou o cargo em julho do ano passado.

Segundo Henriques, de 60% a 70% do dinheiro arrecadado dos empresários eram repassados ao PMDB. O dinheiro servia para pagar campanhas políticas ou para encher os bolsos dos deputados. A maior parte da verba do pedágio seguia para os dez deputados do partido em Minas, entre eles o atual ministro da Agricultura, Antonio Andrade, e o presidente da Comissão de Finanças da Câmara, João Magalhães.

Mas o dinheiro, segundo Henriques contou ao repórter Diego Escosteguy, da revista "Época", não ficava apenas com os políticos do PMDB. O secretário das Finanças do PT, João Vaccari, recebeu o equivalente a US$ 8 milhões durante a campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010. Henriques disse que organizou, com Vaccari, o repasse para a campanha de Dilma. O dinheiro, segundo ele, foi pago pela construtora Norberto Odebrecht, em razão de um contrato bilionário fechado na área internacional da Petrobras, que dependia de aprovação do então presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, do PT.

Para "Época", o coordenador financeiro da campanha de Dilma Rousseff, José de Filippi Júnior, afirmou que não conhece Henriques:

- Posso garantir que ele não participou da arrecadação de recursos para a campanha da presidenta Dilma Rousseff, que toda arrecadação foi feita por meio de Transferência Eletrônica Bancária, e que as contas da campanha da presidenta foram aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral - disse Filippi.

À Justiça Eleitoral, a campanha de Dilma declarou ter recebido R$ 2,4 milhões da Odebrecht. Vaccari diz que não era responsável pela tesouraria da campanha de Dilma. Afirma ainda que "todas as doações ao PT são feitas dentro do que determina a legislação em vigor e de uma política de transparência do PT". Gabrielli disse, por meio de nota, não ter conversado sobre o contrato da Odebrecht com Vaccari.

Zelada afirmou desconhecer a atuação de Henriques na intermediação de contratos na Petrobras e negou ter sido indicado pelo PMDB. A Petrobras informou em nota que não comentaria o assunto.

Um dos negócios citados por Henriques à revista envolve a contratação de um navio-sonda da empresa Vantage, por US$ 1,6 bilhão, numa operação que, segundo ele, rendeu um pedágio de US$ 14,5 milhões, dos quais US$ 10 milhões foram repassados ao PMDB.

Outro negócio citado por ele foi a venda da refinaria de San Lorenzo, na Argentina, ao empresário Cristóbal Lopez, conhecido como o czar do jogo na Argentina e amigo da presidente Cristina Kirchner. Segundo contratos obtidos por "Época", a propina cobrada por intermediários do negócio foi disfarçada como "taxa de sucesso". A refinaria estava avaliada em US$ 110 milhões e, pelo negócio, os lobistas receberam US$ 10 milhões, dos quais US$ 5 milhões foram parar com os políticos do PMDB.

Fonte: O Globo

Oposição quer investigação de desvios na Petrobras para PMDB

Raupp nega participação do partido em esquema denunciado por engenheiro

Convocação. Álvaro Dias (PSDB-PR) quer ouvir engenheiro

Defesa. Valdir Raupp (PMDB-RO) rejeitou acusação em nota

BRASÍLIA - O presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), divulgou nota ontem negando que o partido tenha participado de um esquema de desvio de verbas de contratos da Petrobras para beneficiar políticos do PMDB e destinado US$ 8 milhões para a campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010. A denúncia foi feita por João Augusto Rezende Henriques, ex-funcionário da estatal, em reportagem da revista "Época" deste fim de semana. A revelação do esquema tende a inflamar ainda mais a troca de acusações entre PT e PSDB.

Nas últimas semanas, aproveitando as denúncias sobre o cartel montado por grandes empresas no metrô de São Paulo durante três governos do PSDB, os petistas saíram das cordas em que haviam sido colocados pelo julgamento do mensalão e passaram ao ataque. A denúncia da revista envolvendo caixa dois na campanha da presidente Dilma, somada ao início do julgamento dos últimos recursos dos mensaleiros, na quarta-feira, dará agora munição à oposição.

Ontem, parlamentares do PSDB e do PPS passaram a atirar. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) afirmou que pretende convocar João Augusto, e o presidente do PPS, Roberto Freire, pediu uma investigação imediata por parte do Ministério Público Federal.

Em nota, o presidente do PMDB afirmou que o partido "jamais recebeu os recursos mencionados" e seria "inverídica e fantasiosa afirmação em contrário". Segundo Raupp, "João Augusto Rezende Henriques não tinha autorização ou delegação para falar ou atuar em nome do PMDB nem para buscar recursos para a campanha". Ao GLOBO, a Petrobras informou que não comentaria a reportagem, e o Palácio do Planalto disse que as informações sobre arrecadação de campanha cabiam ao PT.

Líder da minoria na Câmara, o deputado Nilson Leitão (PSDB-MT) chegou a afirmar que, caso comprovada, a denúncia poderia ensejar até um pedido de impeachment da presidente.

- Não tenho dúvida de que a relação do PT com essas empreiteiras é de benefício partidário. Isso já passou de todos os limites. A presidente Dilma já passou de todos os limites, todos os ministros caíram por relação com fornecedores. Eles combinam com as empresas, e elas comandam todo o processo licitatório do governo federal - afirmou o tucano.

Vice-presidente da Câmara, o deputado André Vargas (PT-PR) afirmou que "toda denúncia tem que ser investigada", mas ressaltou que a denúncia contra os tucanos de São Paulo é mais grave.

- Do mesmo jeito que o "trensalão tucano" tem que ser investigado, esta (denúncia) aí tem que ser. Agora, uma (caso Siemens) trata de uma empresa dizendo que pagou e, nessa aí (Petrobras) é uma pessoa dizendo. Os que fogem da CPI da Alstom têm que ter mais coerência - disse Vargas.

O líder do PMDB na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ), afirmou que a legenda não teme qualquer investigação sobre o benefício de peemedebistas que tinham influência na Petrobras:

- O deputado Leonardo Quintão (PMDB) é da bancada de Minas e autor do pedido de CPI da Petrobras que trata de todos os contratos internacionais. Se fosse verdadeira essa história, eles não iam assinar uma CPI. O PMDB apoia qualquer tipo de investigação, não estou preocupado com nada.

Em entrevista à "Época", o engenheiro João Augusto denunciou um esquema de corrupção na diretoria internacional da empresa. Todos os empresários com contratos na área internacional a partir de 2008 teriam de pagar um "pedágio" à bancada mineira do PMDB, apontada como responsável pela indicação do então diretor internacional da empresa, Jorge Zelada, que deixou o cargo em julho do ano passado. Entre os beneficiários estariam o atual ministro da Agricultura, Antonio Andrade, e o presidente da Comissão de Finanças da Câmara, João Magalhães. Os dois não retornaram ontem telefonemas do GLOBO.

Segundo a revista, João Augusto ainda admitiu ter organizado com o secretário das Finanças do PT, João Vaccari, um repasse de US$ 8 milhões para a campanha presidencial de Dilma, em 2010. A verba teria sido paga pela construtora Odebrecht, como retribuição por um contrato bilionário fechado na área internacional da Petrobras, que dependia de aprovação do então presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, do PT. Convertido pela cotação do período, o valor seria cerca de seis vezes maior que os R$ 2,4 milhões que a campanha de Dilma declarou ter recebido da Odebrecht.

Fonte: O Globo

Pesquisa aponta segundo turno

Daniela Garcia

BRASÍLIA – Passado o mês intenso de manifestações, a presidente Dilma Rousseff recuperou parte de sua popularidade e das intenções de voto em 2014, segundo pesquisa Datafolha divulgada ontem. Embora tenha recuperado terreno, ela não venceria, em primeiro turno, a próxima disputa presidencial. Entre os outros pré-candidatos testados, a ex-senadora Marina Silva (sem partido) é a única que conquistou um avanço gradual nos números. Até outubro do ano que vem, no entanto, o quadro ainda deve sofrer significativas mudanças, segundo avaliação de especialistas, de governistas e da oposição.

Das sete simulações testadas pelo Datafolha, a primeira contaria com Dilma, Marina, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). No cenário, a petista tem 35%, cinco pontos a mais do que o registrado na pesquisa anterior, do final de junho. Marina subiu de 23% para 26%; Aécio caiu de 17% para 13%, mas continua na frente de Campos, que oscilou de 7% para 8%. No total, brancos, nulos, nenhum ou indecisos somam 18%. Nesse cenário, Dilma enfrentaria Marina Silva no segundo turno.

Mesmo que Dilma não vença no primeiro turno, o cientista político Rudá Ricci, do Instituto Cultiva, disse que, hoje, os eleitores insatisfeitos com a petista reforçaram o voto em branco ou nulo, em vez de impulsionarem candidatos da oposição. "Apesar do desgaste sofrido pelas manifestações, não houve nenhum movimento expressivo de votos do governo para a oposição. É bem provável que esses eleitores descontentes descarreguem seus votos em nulo ou branco, por toda uma descrença atual no sistema político-partidário", aposta.

O líder do PSDB no Senado, o senador Alvaro Dias, afirmou que o resultado da pesquisa significa "um desastre para ela (Dilma)". O instituto também divulgou, na sexta-feira, que a aprovação do governo de Dilma cresceu de 30% para 36%. Segundo Dias, "a flutuação é natural e não significa uma recuperação". Ele disse considerar a pesquisa "prematura". "O quadro para as eleições de 2014 está totalmente aberto", avalia.

Membro da Executiva nacional do PSDB, o deputado federal Rodrigo de Castro (MG) disse que, embora tenha havido um crescimento na popularidade da presidente Dilma, os números demonstram que a população conhece as falhas da administração petista. Para ele, está clara a vontade do eleitor de votar em um projeto da oposição. "Cabe a nós mostrar o nosso candidato e conscientizar os eleitores que temos o melhor nome, que é o Aécio Neves", afirmou o parlamentar.

Cotado para coordenar a campanha do senador mineiro no estado, o ministro das Comunicações durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) Pimenta da Veiga vê os números apresentados no levantamento como "provisórios". "A pesquisa mostra um quadro animador para a nossa candidatura, e temos muito tempo para trabalhar para que possamos reverter os números", aposta.

O líder do governo na Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirmou que já era esperada a melhora na popularidade de Dilma. "Acho que ela faz um bom governo e as pessoas estão prestando atenção nisso." Mesmo com a queda anterior da presidente na pesquisa, de 30 pontos percentuais, o parlamentar aposta que os índices "podem e vão melhorar" até o próximo ano.

Fonte: Estado de Minas

Dilma se reabilita, mas só Lula venceria no 1º turno

Novo Datafolha mostra que Marina segue em ascensão na corrida presidencial

Aécio, Joaquim Barbosa e Campos estacionam; testado, Serra tem desempenho similar ao de rival tucano

Fernando Rodrigues

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff (PT) recuperou parte da intenção de voto perdida por causa das manifestações de rua em junho. Ainda assim, continuaria sem vencer no primeiro turno se a disputa fosse hoje, segundo pesquisa Datafolha realizada nos dias 7 a 9 deste mês, em todo o país, com 2.615 entrevistas.

Entre os candidatos de oposição, o destaque continua sendo Marina Silva, que tenta montar seu novo partido, a Rede Sustentabilidade. A ex-senadora aparece novamente em segundo lugar, repetindo o movimento de avanço gradual em sua intenção de voto.

Marina é a única candidata que manteve sua trajetória ascendente, mesmo durante os protestos de junho.

Outros dois candidatos de oposição, o senador mineiro Aécio Neves (PSDB) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), ficaram estacionados ou registraram variações dentro da margem de erro, que é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, que não tem partido e declara não ter intenção de se candidatar, também tem oscilação negativa.

Em sua primeira aparição nas pesquisas para 2014, ex-governador paulista José Serra, do PSDB, saiu-se melhor que seu companheiro de partido, Aécio Neves. Serra tem 14% das intenções de voto,contra 10% de Aécio, no cenário em que disputam com Dilma, Marina e Campos.

Sem espaço no PSDB, Serra estuda a possibilidade de sair para se candidatar a presidente por outro partido.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o nome testado pelo Datafolha com melhor desempenho entre todos. Ele ganharia, com folga, a eleição no primeiro turno se a disputa fosse hoje.

Dos sete cenários testados pelo Datafolha, o que é considerado hoje o mais provável inclui Dilma, Marina, Aécio e Campos. Nessa simulação, a petista tem 35% contra 30% no levantamento do final de junho.

Marina oscilou de 23% para 26%. Aécio deslizou de 17% para 13%. Campos variou de 7% para 8%. Brancos, nulos, nenhum ou indecisos somam 18%. Nesse cenário, Dilma enfrentaria Marina Silva no segundo turno.

A recuperação de Dilma foi especialmente robusta entre eleitores do Sudeste, onde ela saiu de 22% para 29% das intenções de voto. E no Sul, pulando de 27% para 33%. No Nordeste ela manteve a marca de 45%.

Se o candidato tucano é Serra e não Aécio, a presidente Dilma registra 32%.

Mas nesse cenário testado pelo Datafolha está incluído também Joaquim Barbosa, cujo percentual é de 11%. Marina marca 21%. Eduardo Campos, 5%. O melhor cenário para o PT é com Lula como candidato e pontuando 51%. Os adversários, somados, ficam com apenas 36%: Marina (20%), Aécio (11%) e Campos (5%).

Na pesquisa espontânea, quando os entrevistados respondem em quem pretendem votar sem ver uma lista de nomes, apenas Lula registra uma melhora. Ele tinha 6% em junho e agora foi a 11%. Dilma ficou com os mesmos 16%. Aécio oscilou de 4% para 3%. Marina foi de 2% para 3%.

Se no levantamento de intenção de voto o desempenho de Serra é semelhante ao de Aécio Neves, a rejeição ao paulista é bem maior que a do mineiro.

Para 36% dos entrevistados pelo Datafolha, Serra é um nome no qual eles não votariam de jeito nenhum. Aécio é rejeitado por 23%. Dilma, por 27%.

Fonte: Folha de S. Paulo

Para oposição, presidente não recupera auge da popularidade

Recuperação é gradual e segura, dizem petistas

BRASÍLIA - Enquanto petistas disseram que a pesquisa Datafolha mostrou uma tendência de recuperação na aprovação do governo Dilma Rousseff, integrantes da oposição avaliam que até o final de seu mandato haverá oscilações sem que os antigos patamares de popularidade da presidente sejam alcançados.

Índices revelados ontem pelo Datafolha mostram que o percentual de quem considera o governo ótimo ou bom subiu de 30% no final de junho, no auge dos protestos, para 36%.

O ápice da aprovação de Dilma ocorreu em março, quando 65% consideravam a sua gestão ótima ou boa.

De acordo com o presidente do PT, Rui Falcão, a pesquisa mostra uma "tendência de recuperação real, que se materializa". O líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE), seguiu a linha de Falcão e disse que Dilma deve "seguir na toada democrática", o que lhe dará uma recuperação "gradual e segura".

Para parlamentares da oposição, Dilma não voltará aos antigos patamares. De acordo com o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), "a sociedade experimentou o governo e não está disposta a dar mais quatro anos a ele".

O presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP), disse que "não fez barulho" quando Dilma caiu, por isso não iria comentar a subida. Ele disse, porém, que o país precisa de mudanças, pois vive um momento de degradação de valores e instituições.

Fonte: Folha de S. Paulo

Debandada anunciada no PSD mineiro

Partido criado há dois anos, que conseguiu atrair para seus quadros 14 deputados, deve perder de uma só vez oito desses parlamentares, descontentes com a proximidade com o PT

Isabella Souto

O PSD mineiro está prestes a sofrer uma baixa: nos próximos dias deve perder oito dos atuais 14 parlamentares que tem na Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados. Esse foi o tom da conversa entre o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e o presidente da legenda em Belo Horizonte e secretário estadual de Gestão Metropolitana, Alexandre Silveira, durante encontro na terça-feira. Aliados do senador Aécio Neves (PSDB) e integrantes da base do governador Antonio Augusto Anastasia (PSDB), os pessedistas não aceitam a relação cada vez mais próxima entre a direção nacional da legenda e a presidente Dilma Rousseff (PT).

No encontro no início da semana, Kassab teria dado a garantia de que a legenda não cobrará dos parlamentares as vagas na Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) de que o mandato pertence ao partido, e não ao candidato. "Ele tem sido cordial e leal em demonstrar as posições dele e tem se esforçado pela nossa permanência, mas, entre o partido e o projeto de Minas, fico com a segunda opção. Se a nossa saída se confirmar, será de forma amigável", afirmou ontem o secretário Alexandre da Silveira, que na semana que vem tem um último encontro com Kassab.

A princípio, pelo menos parte dos parlamentares estaria tentando viabilizar a filiação conjunta em outro partido, mas não está descartada a hipótese de cada um seguir um caminho. Segundo Alexandre da Silveira – que ajudou a fundar o PSD no estado –, pesa ainda contra a permanência na legenda uma divisão interna. A direção estadual do partido defende o apoio ao PT, e inclusive esteve ao lado do candidato a prefeito de Belo Horizonte Patrus Ananias (PT) nas eleições do ano passado, enquanto a bancada estadual fez campanha para Marcio Lacerda (PSB), que tinha o PSDB ao seu lado.

Precipitação Mas mesmo entre aqueles que são contrários à postura da direção nacional há visões diferentes sobre o assunto. O deputado estadual Gustavo Valadares, por exemplo, acha que não resta alternativa ao grupo senão trocar mais uma vez de partido – antes do PSD, ele integrava o DEM. Já o deputado federal Marcos Montes acha que qualquer atitude agora é precipitada. "Não devemos entregar o partido assim tão facilmente", avalia o parlamentar. Ele nega com veemência a possibilidade de se desfiliar.

Os planos de Marcos Montes são continuar na legenda e apoiar a candidatura do senador Aécio Neves a presidente da República, mesmo que na condição de dissidente. Em relação ao governo de Minas Gerais, o deputado evitou opinar, pois segundo ele ainda não está definido quem serão os candidatos. "Não sabemos quem serão os candidatos. Nem o PSDB sabe. Como vamos tomar uma decisão sem saber quais são as pedras do jogo?", argumentou.

Embora defenda a aliança com o PT na eleição presidencial, o presidente estadual do PSD, Paulo Simão, tem opinião semelhante no que diz respeito à disputa pelo governo mineiro. E defende "cautela" nas próximas semanas, quando termina o prazo para as filiações partidárias de quem for concorrer nas eleições do ano que vem. "Estamos estudando inclusive a possibilidade de sair com candidato próprio. Uma decisão sobre Minas Gerais não será tomada este ano", disse ele, que na quinta-feira teve um encontro com Alexandre da Silveira em uma tentativa de garantir a permanência do seu grupo no partido.

Fonte: Estado de Minas

'Pros' deve ser opção para infieis

Sigla prestes a ser oficializada tem como slogan "Como mudar de partido sem perder o mandato"

Enquanto o mundo político acompanhava a tentativa frustrada de fusão entre PPS e PMN, movimento que abriria uma janela de infidelidade partidária e permitiria que parlamenta; res insatisfeitos com Dilma . Rousseff migrassem para a oposição sem perder o mandato, um outro partido era gestado em silêncio.

O Partido Republicano da Ordem Social (Pros) pode ser o caminho para os infiéis. Em janeiro, a legenda ficou conhecida ao tentar atrair deputados em Brasília oferecendo facilidades. Nas próximas semanas de agosto, o Pros, que já cumpriu todas as etapas legais, deve ser oficializado como a 31ª agremiação partidária brasileira. Estará criado, assim, um "partido-ônibus" para 2014.

A sigla ainda não decidiu se e de esquerda, direita ou centro e só deve fazer isso em 2014, dependendo do cenário. Mas o importante para seus novos filiados é garantir espaço e cacife político nas disputas regionais do ano que vem. Presidente do Pros em São Paulo, o pastor João Araújo garante que 20 deputados federais estão de malas prontas. Eles receberam a promessa de passe livre para negociar palanques em seus Estados ou tentar voos mais altos.

Segundo o Departamento Interersindical de Assessoria Parlamentar, se esse número se concretizar, o partido terá 2 minutos de tempo de TV e será a 10ª maior bancada da Câmara. Deixaria para trás PTB (18), PCdoB (13), PV (10), PPS (xo) e PRB (10). O dirigente diz que a lista só será revelada quando o partido for formalizado, A reportagem apurou o nome de pelo menos três deputados "fundadores": Henrique Oliveira (PR-AM), Rosinha da Adefal (PTdoB-AL) e Fábio Rodrigues de Oliveira, o Major Fábio (DEM-PB).

"Ainda não anunciei minha ida ao Pros, mas esperamos atrair pelo menos 20 deputados federais" diz Major Fábio. Ele afirma que tomou a decisão de deixar o DEM porque não tinha espaço para disputar o executivo paraibano. "Minha pretensão é ser candidato a governador da Paraíba e o DEM é coligado ao governador Ricardo Coutinho (PSB)

O senador José Agripino, presidente nacional do DEM, ficou surpreso ao saber que perderia um parlamentar, "Nunca ouvi falar desse partido. Acho que estão blefando." Questionado se tentaria impedir a mudança na Justiça, ele reconheceu que não há amparo legal para isso. Foi a criação do PSD de Gilberto Kassab que abriu esse precedente.

Pragmatismo. A página inicial do site da sigla deixa claro que o foco é o pragmatismo: "Como mudar de partido sem perder o mandato". Segundo especialistas em direito eleitoral, quem for para o Pros na condição de fundador poderá até mesmo migrar para outra sigla sem perder o mandato.

"Se alguém usar o Pros como ponte para um terceiro partido, como eles pediriam o mandato de volta se a sigla não tem suplente e não disputou a eleição de 2010?", diz o advogado Alberto Rollo.

Quem optar por esse caminho, porém,não poderá disputar nenhum cargo eletivo em ou em ftinção dos prazos estipulados legais. O Tribunal Superior Eleitoral exige que os candidatos estejam filiados a seus partidos pelo menos um ano antes da eleição.

Após reunir as 490 mil assinaturas exigidas pelo TSE, o Pros espera um visto da ministra Laurita Vaz para existir oficialmente. Quando isso ocorrer, será aberta uma janela de 30 dias para a dança das cadeiras. Segundo o TSE, quem aderir à legenda dentro desse período será considerado fundador e não poderá perder o mandato parlamentar.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Aécio constrói rede de aliados paulistas

O PSDB está no poder em São Paulo há 18 anos, mas isso não significa muita coisa para o projeto presidencial do senador mineiro Àecio Neves. No maior colégio eleitoral do País, os dois principais quadros do partido, o governador Geraldo Alckmin e o -ex-governador José Serra, são seus adversários históricos do mineiro na luta interna. Essa relação, que nunca foi boa, deteriorou-se ainda mais depois que o caso Siemens veio à tona. Os paulistas se ressentem pelo fato de Aécio não ter usado o cargo de presidente do PSDB para engajar o partido na defesa de suas gestões, que são acusadas de conivência com um esquema de cartel em licitações do Metrô paulista,

Para superar essa resistência, Aécio "invadiu" o Estado, aproximou-se de dirigentes locais e construiu uma estrutura paralela à máquina partidária para viabilizar sua campanha em 2014,

A fim de costurar uma rede de aliados que inclui até os mais leais amigos de Alckmin e Serra, o senador usou sua influência para abrir espaços no Congresso e na direção da legenda. Amigo íntimo de Serra e um dos principais expoentes de seu grupo político, o senador Aloysio Nunes Ferreira ficou surpreso ao receber de Aécio, em j aneiro, um convite para ser o líder do PSDB no Senado. "Precisa falar com o Cássio (Cunha Lima, senador da Paraíba)", disse ele.

O colega já tinha feito isso. Antes dessa articulação, o senador nordestino era o nome de consenso da bancada. Pela tradição de rodízio regional e por motivos estratégicos, a saída de Álvaro Dias, do Paraná, fazia a fila andar para a vez do Nordeste, região considerada reduto petista. Aécio tratou de convencer Cássio e os tucanos nordestinos de que era preciso fazer um gesto concreto de aproximação aos paulistas da ala "serrista".

Depois de assumir a presidência do PSDB em maio, o ex-governador mineiro fez outro gesto de aproximação ao ventilar a tese de que Aloysio era o nome mais cotado para ocupar o posto de vice em sua chapa presidencial. O paulista negou que tivesse essa ambição, mas ficou lisonjeado com a iniciativa.

"Formamos uma boa dobradinhano Senado", diz Aécio. A dupla se fala longamente todas às segundas-feiras para afinar a agenda da semana no Congresso e discutir conjuntura. Quando Serra começou a se movimentar politicamente depois : das manifestações de junho e a insinuar que poderia disputar à presidência fora do PSDB, Aloysio deixou claro que não cogitava embarcar no projeto.

Redutos. Com o deputado federal Carlos Sampaio, líder do PSDB na Câmara, o processo foi parecido. Depois do paulista Duarte Nogueira, chegara a vez de um mineiro assumir o co: mando da bancada. Novamente Aécio interveio. "Não tenho dúvida de que a bancada paulista do PSDB apoia Aécio (para a Presidência), Ele tem carisma e muita capacidade de agregar", elogia Sampaio, Principal líder tucano na região de Campinas, o deputado passou a construir pontes com prefeitos paulistas e a organizar eventos com Aécio. "Nos falamos duas ou três vezes por semana", relata Sampaio, que já ajudou o senador a ser aceito em redutos antes impenetráveis.

"Independentemente da máquina estatal, o Aécio tem hoje ampla rede de apoios entre prefeitos e vereadores em cidades menores", diz o aliado paulista, Foi o líder do PSDB na Câmara quem aproximou o senador de um importante aliado: o prefeito de Botucatu, João Ciiry. No "front" aecista de São Paulo, ele assumiu a missão de coordenar a ação nas pequenas cidades. Recentemente e organizou um encontro entre Aécio e 20 prefeitos.

Membro do "núcleo duro" de Alckmin, o presidente do PSDB paulista, Duarte Nogueira, também se converteu ao "aecismo". Ele conta que chegou a ser convidado pelo senador para assumir a Secretaria-Geral do partido, mas não o fez porque foi eleito presidente estadual, "Meu papel é ser o interlocutor do Aécio com. os tucanos paulistas", diz Nogueira, Ele também tornou-se o intermediário entre Serra e o comando nacional da sigla. Um tucano de peso, com trânsito entre em a senis-tas" e "alckmistas" reconhece: "Duarte assumiu o papel de conciliador entre as diferentes aspirações do partido".

Aproximação* O processo de aproximação de Aécio com os paulistas começou em 2010. Poucos dias depois da derrota de Serra para Dil.rna Rousseff, Aécio foi convidado para um jantar na casa de FHG. Na ocasião, o ex-presidente defendeu que ele assumisse o comando do partido já no ano seguinte para ter visibilidade e rodar o País sem ser questionado. Aécio ponderou que era cedo. Em 2011, FHC assumiu o papel de articulador, para pavimentar o caminho de Aécio, Gs dois passaram a se encontrar frequentemente, Nessa nova fase, FHC viu seu legado voltar ao centro do discurso tucano. Não por acaso, foi em seu apartamento em Higienópolis que foi selada em dezembro a candidatura de Aécio, em jantar do qual participaram Alckmin, Sérgio Guerra e Tasso Jereissati

Fonte: O Estado de S. Paulo

Serra defendeu interesses do Estado em licitação de trens em SP, diz Aécio

Para presidente do PSDB, regras de concorrência foram respeitadas

Natuza Nery

BRASÍLIA - Ao comentar ontem investigações sobre suspeitas de formação de cartel e fraude a licitações de trens em São Paulo, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves, afirmou que a conduta do ex-governador José Serra (PSDB) em licitação Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), em 2008, garantiu respeito às regras da concorrência e ao menor preço.

"O que ele fez foi defender os interesses do Estado, garantindo respeito à licitação, ao menor preço e, assim, economizando R$ 200 milhões aos cofres paulistas", disse.

Reportagem da Folha revelou e-mails em que um executivo da Siemens diz que o ex-governador teria sugerido à multinacional alemã, que participava da concorrência, um acordo para evitar o questionamento da licitação na Justiça. Serra nega o acordo.

Ontem, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) reafirmou que, se for constatado cartel, o governo vai mover ação contra as empresas envolvidas.

Colaborou Lucas Sampaio, enviado especial a Cordeirópolis (SP)

Fonte: Folha de S. Paulo

Propina na Petrobras: Se MP não agir de imediato, PPS vai acionar a PGR

Por: Assessoria do PPS

O presidente nacional do PPS, deputado federal Roberto Freire (PPS), defendeu nesta sábado (10) que o Ministério Público Federal (MPF) abra imediatamente investigação para apurar a denúncia de um esquema der propina montado dentro da Petrobras para beneficiar parlamentares do PMDB e também abastecer o caixa de campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010. Freire adiantou que o partido acionará a Procuradoria Geral da República caso a abertura de apuração não ocorra.

“Se o Ministério Público não o fizer de ofício, o PPS vai ingressar com uma representação na Procuradoria Geral da República pedindo a abertura de inquérito. Esse episódio repete a cantilena dos tempos de Lula: irresponsabilidade, desordem e corrupção. São tempos sombrios”, afirmou.

PPS também defende CPI

Para o presidente do partido, no caso da Petrobras fica evidente o interesse particular e partidário em contratos da estatal. Ele defende a abertura de uma CPI para investigar os contratos e a gestão da estatal. “Não é apenas esse caso. Temos também o negócio escandaloso da compra da refinaria Pasadena, no Texas. A oposição vem tentando abrir essa CPI, sabemos que é difícil conseguir as assinaturas, mas ela é necessária”, disse Freire.

A denúncia

Em entrevista à revista "Época" desta semana, o engenheiro João Augusto Rezende Henriques, que trabalhou na estatal, revelou um esquema milionário de corrupção na Diretoria Internacional da Petrobras. Segundo ele, todos os empresários com contratos na área internacional a partir de 2008 tinham de pagar um pedágio que era repassado ao PMDB, partido que indicou o ex-diretor internacional da Petrobras Jorge Zelada, que deixou o cargo em julho do ano passado.

Henriques revelou ainda que de 60% a 70% do dinheiro arrecadado dos empresários eram repassados ao PMDB. O dinheiro servia para pagar campanhas políticas ou para encher os bolsos dos deputados. A maior parte da verba do pedágio seguia, segundo o denunciante, para os dez deputados do partido em Minas, entre eles o atual ministro da Agricultura, Antonio Andrade, e o presidente da Comissão de Finanças da Câmara, João Magalhães.

O engenheiro também denuncia que o secretário das Finanças do PT, João Vaccari, recebeu o equivalente a US$ 8 milhões durante a campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010. O dinheiro teria sido pago pela construtora Norberto Odebrecht, em razão de um contrato bilionário fechado na área internacional da Petrobras.

Pior para os atores, melhor para a plateia - Gaudêncio Torquatto

A indagação é oportuna: quais perspectivas se apresentam ao País no curto e médio prazos, tendo como pano de fundo as renitentes mobilizações populares? Perguntinha complexa, à qual Luís Pereira, fosse vivo, poderia responder. Pintor de paredes, 200 votos, assumiu o lugar de Francisco Julião, líder das Ligas Camponesas em Pernambuco, cassado pela ditadura. De roupa nova, vibrando de emoção, como conta Sebastião Nery, tomou um susto com a pergunta feita por Murilo Melo Filho no desembarque em Brasília: "Excelência, como vai a situação?". Sem saber o que dizer, olhou para um lado, para o outro, para o alto, fixou os olhos no jornalista e tascou; "As perspectivas são piores que as características".

Pois é, as características do ciclo que se abre no País sinalizam perspectivas nada animadoras para os atores individuais, eis que enfrentarão um eleitor mais crítico e, nesse caso, a resposta do pintor de paredes até esbarra na lógica para prever os horizontes dos próximos tempos, mesmo que fique patente o uso dos termos como tinta para colorir a mais embrulhada abstração. Quem sabe, a fonética das duas palavras não soaria ao interlocutor como algo elevado?

Já na esfera dos costumes e das práticas políticas, as perspectivas contrariam o pessimismo do nosso personagem. São promissoras. Estacas morais foram e continuam sendo cravadas no solo esburacado da política pelos braços dos movimentos que tomam as ruas das cidades em todos os quadrantes nacionais.

A nova ordem que se esboça passa a abrigar um alentado acervo de princípios e valores que, mais ou cedo ou mais tarde, balizarão as imprescindíveis reformas no edifício político, a começar pelo alargamento dos tijolos da racionalidade. Como é sabido, a maioria do eleitorado habitou por décadas as bases da pirâmide social, constituindo, em razão de precárias condições de vida, massa de manobra dos quadros políticos. Seu processo decisório se ancora na emoção, que transparece em votos de agradecimento por benesses e bolsas recebidas, no adjutório esporádico que os políticos pulverizam a torto e a direito, usando migalhas do poder como forma de cooptação. Essa obsoleta modelagem está com os dias contados. O meio da pirâmide já soma 53%, cerca de 104 milhões de pessoas, quando há dez anos somente 38% habitavam esse espaço. É evidente que a absorção de valores não se dá de maneira abrupta, mas é fato que critérios racionais começam a substituir os emotivos no processo de escolha de representantes e monitoramento de governantes.

A crítica social, que atinge 0 mais alto grau da contemporaneidade, é fruto da consciência crescente sobre o papel do Estado, a missão dos homens públicos e os direitos da cidadania. Hoje nada parece escapar aos olhos de grupos e multidões, que não faz muito tempo agiam como massas amorfas, sem capacidade de reagir e interagir com os atores do palco institucional. Nesse sentido, faz-se aqui distinção da clássica estrutura da massa, descrita de forma densa por Elias Canetti em seu famoso Massa e Poder. Para ele, a massa quer sempre crescer; em seu interior reina a igualdade.

Hoje as ruas são ocupadas por grupos e categorias profissionais, contidas em seus limites, defendendo interesses corporativos, diferenciando-se pela especialização. Bem diferentes das massas abertas do passado. A racionalidade, por sua vez, implica compromisso com a verdade, descortinando uma geração de perfis políticos desprovidos de lantejoulas e brilhos. A autoglorificação, que fundamenta o marketing das performances pessoais e ocupa praticamente todos os espaços das mídias eleitorais, deverá ser doravante recebida com apupos por ouvintes de todas as classes. Em contraponto, ganharão destaque debates no campo das ideias, proporcionando condições de enxergar as diferenças de estilo entre atuais representantes e futuros competidores.

O plano da semântica suplantará o terreno da estética, no fluxo das correntes de opinião que despejam torrentes de informação pela gigantesca rede social. Aduz-se ainda, na onda da efervescência social, o adensamento de uma locução com origem nos mais diferentes estratos, a atestar a multiplicação de novos polos de poder e irradiação de influência. Sendo assim, os Poderes da República - Executivo, Legislativo e Judiciário - terão de conviver com as forças centrípetas, sendo razoável imaginar que 0 movimento das margens em direção ao centro acabará reforçando o instrumental a serviço da democracia direta: consulta popular, plebiscito e referendo. Sob essa perspectiva, também é razoável prever mais agilidade nos processos de adesão a projetos de iniciativa popular, tendo como correia de transmissão a bateria de meios da internet.

Dito isto, cabe perguntar: como reagirão governantes e representantes a esse ordenamento? Primeiro, com precaução. O conglomerado público está pasmo. Os atores contemplam a platéia sem saber se receberão aplausos ou vaias ao fim da peça. Treinam atitudes recatadas, temem enfrentar auditórios lotados, eliminam desfiles exuberantes. Os governantes, a começar da presidente da República, tentam voltar aos braços do povo. E produzir uma agenda positiva, recheada de ações capazes de reconquistar contingentes indignados. A foto do governador do Ceará, Cid Gomes, sentado no meio-fio, alta noite, com um megafone falando para um grupo acampado numa rua retrata a estética do novo cenário.
Nem sempre, porém, reconhecer erros ou adotar atitude humilde dá resultado. É o caso do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que continua ouvindo o eco das ruas.

O fato é que o dique de contenção das pressões sociais foi rompido. Que os habitantes das Casas dos Poderes possam divisar perspectivas mais animadoras que as enxergadas pelo pintor Luís Pereira. Sob pena de caírem nas linhas do canto de Manuel Bandeira: "Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte? O que eu vejo é o beco".

*Jornalista, professor titular da USP

Fonte: O Estado de S. Paulo

O futuro da 'nova era' - Pedro S. Malan

O Brasil não tem problema, apenas soluções adiadas." O chiste de Luís da Câmara Cascudo pode ser lido - embora não deva - como expressando uma aconchegante e ilusória confiança no poder regenerador da passagem do tempo. Do tipo: a cada dia basta a sua pena. Ou como na enganosa esperança de que "no fim tudo acaba bem, se não está bem é porque não acabou ainda". O que sempre depende de como se define (e redefine) o que é o fim - e o significado de acabar.

Bem-humoradas afirmações dessa natureza podem justificar tendências à procrastinação e à aceitação um tanto passiva de todo tipo de atrasos - e dos custos econômicos e sociais neles envolvidos por várias razões. Quero mencionar duas que considero relevantes para os decisivos meses à frente.

A primeira pode estar ligada à nossa obsessão pelo futuro: nossa fé no que virá como que nos exime daquilo que, de Sérgio Buarque de Holanda a Roberto DaMatta, é tido como nossa relativa aversão aos miúdos labores do cotidiano. Gostamos de pensar grande: discussões específicas ou técnicas sobre como melhor gerir, na prática, a coisa pública em áreas definidas têm, entre nós, muito menos apelo do que retóricas conclamações por novos modelos de desenvolvimento, novos projetos nacionais, novas políticas industriais ou "novas matrizes macroeconômicas".

A segunda razão tem que ver com a forma como uma sociedade e seus governos identificam os principais problemas a enfrentar. As manifestações recentes indicam o que vem por aí em termos de novas demandas (inclusive da base aliada) e de novas tentativas de respostas de um governo totalmente focado em ganhar as eleições de 2014 (uma definição do "fim" e do "acabar bem").

Alguém dirá, e com razão: ora, os principais candidatos de oposição também estão com os olhos fixos no período até outubro de 2014 e adiante. É verdade, mas o que estará em foco nos próximos 15 meses são as respostas do "Poder Incumbente", ao qual cabe o dever de bem governar o País e responder a seus problemas, incluídos os identificados nos movimentos de rua, dos quais o lulopetismo acreditava, até junho, deter o monopólio.

A propósito, vale lembrar uma observação de Jared Diamond (em seu livro Collapsè). "Mesmo quando uma sociedade foi capaz de antecipar, perceber e tentar resolver um problema, ela pode ainda fracassar em fazê-lo, por óbvias razões possíveis: o problema pode estar além das suas capacidades; a solução pode existir, mas ser proibitivamente custosa: os esforços podem ser do tipo muito pouco e muito tarde, e algumas soluções tentadas podem agravar o problema."

Como sabemos, um país pode não fracassar, mas desperdiçar muitas oportunidades. E isso pode ter efeitos consideráveis sobre seu futuro, levando a um relativo atraso econômico e social em relação a países que foram capazes de adotar medidas de políticas públicas nas áreas macro, micro, institucional, regulatória e de reformas, favoráveis ao crescimento com competitividade internacional.

O problema, talvez mais fundamental, é que em muitos países do mundo de hoje, desenvolvidos ou não, o Estado não pode mais (ou pode cada vez menos) além de investir em infraestrutura, sustentar o custo de seu endividamento e corresponder aos desejos por maiores gastos públicos para assegurar direitos existentes e expectativas de novos direitos por alcançar.

Educação, saúde, transporte, segurança e muitos outros serviços públicos que as pessoas (no mundo desenvolvido em particular) por mais de meio século se acostumaram a ter providos por seus governos estão ficando agora claramente fora do "espaço" de orçamentos públicos razoavelmente controlados ou, pelo menos, fora daquilo que as pessoas estariam propensas a aceitar como a tributação requerida para pagar portais serviços.

Essa discussão é particularmente relevante no Brasil de hoje. As razões principais vão-se tomando cada vez mais conhecidas entre nós. Para resumir ao extremo, no Brasil, tanto no que diz respeito ao gasto público quanto à tributação, temos três problemas: o nível de ambos é excessivo, a composição de ambos é distorcida e a eficiência de ambos é precária, como mostram de forma contundente analistas, pesquisas e manifestações. E a combinação desses três problemas é altamente deletéria para os investimentos e o crescimento sustentado que , todos almejamos.

Governos que se acostumaram a culpar governos passados e - quando conveniente - o resto do mundo por seus problemas ficam desorientados quando são alcançados pelas conseqüências de suas próprias ações e omissões ao longo de mais de dez anos. Na verdade, do ponto de vista da economia, desde a "inflexão desenvolvimentista" de 2006, quando uma nova equipe econômica entrou em campo, com a convicção de que a demanda sempre cria sua própria oferta, assegurando o crescimento da produção doméstica.

Talvez tenham descoberto, após sete anos, que nem sempre é assim, que a expansão sustentada da oferta depende não só do gasto público e dos financiamentos concedidos por bancos oficiais, mas do grau de confiança de investidores privados no ambiente geral de negócios, na qualidade do contexto regulatório, na estabilidade das regras do jogo e no compromisso do governo com a responsabilidade fiscal e o controle de inflação.
E que, por vezes, excessos na política de estímulo à demanda (na suposição de que a oferta sempre responde) podem levar ao aumento de pressões inflacionárias e ao aumento das importações e dos déficits do balanço de pagamentos, devidos à nossa baixa taxa de poupança privada e à nossa poupança pública negativa. Tentar desarmar o que André Lara Resende chamou de "a armadilha brasileira" será tarefa da próxima administração - qualquer que seja o resultado das umas.

*Economista, foi ministro da fazenda no governo Fernando Henrique Cardoso

Fonte: O Estado de S. Paulo

Mais igualdade e dignidade - Merval Pereira

O cientista político Joseph S. Nye Jr, professor de Harvard que trabalhou nos governos Carter e Clinton, nas secretarias de Estado e de Defesa, abordou pela primeira vez o conceito de "soft power" para falar sobre o novo papel dos Estados Unidos com o fim da Guerra Fria e a mudança que já detectava no mundo, onde o poder, além de econômico e militar, teria uma terceira dimensão, a habilidade de conseguir o que se quer através da atração em vez da coerção.

Esse "poder suave", cultivado nas relações com aliados, na assistência econômica e em intercâmbios culturais, resultaria em uma opinião pública mais favorável e maior credibilidade externa dos Estados Unidos. Há um consenso de que o poder dos Estados Unidos hoje depende muito mais de seu "soft power" do que de seu poderio militar, que causa estragos à imagem do país.

Trazendo o conceito de "soft power" para o plano nacional, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso analisou em palestra na Academia Brasileira de Letras a importância dos valores culturais e sociais na definição de nosso futuro nacional.

Fernando Henrique vê como as áreas mais definidoras do futuro a inovação tecnológica, a educação e a cultura, mas, sobretudo, a reconstrução da nossa sociedade na direção de uma convivência mais harmoniosa, que tem a ver com valores como a dignidade da pessoa humana e a equidade.

"Quando se pensa em valorizar os aspectos culturais é preciso reconhecer que nesse mundo que está em ebulição há valores que precisam ser reforçados", e para o ex-presidente "a questão fundamental tem a ver com a Justiça, mais do que simplesmente o desenvolvimento da economia".

Fernando Henrique criticou a visão estritamente econômica que prevalece entre nós, "uma ótica do passado", que ainda se norteia pelo crescimento do PIB, quando há outros fatores importantes para crescermos como sociedade: "Temos conseguido crescer socialmente sem ter tido um crescimento do PIB espetacular. Não vemos que o Brasil cresceu em outra medida, em outros aspectos que são muito importantes, inclusive do "soft power". Crescemos como democracia, como liberdade".

Apesar desses avanços, em outros aspectos não crescemos o necessário para que façamos parte do chamado Primeiro Mundo, ponderou Fernando Henrique: "Não crescemos naquilo que é básico, a noção de igualdade, pelo menos perante a lei, igualdade formal ainda que seja. Falta muito no sentido da equidade".

Para ele, "talvez o que motive mais as pessoas venha a ser o sentimento da decência e da dignidade", o que na sua opinião levou às manifestações de junho: "O que aconteceu nas ruas ultimamente é o exemplo de que o país está integrado ao mundo, que as pessoas têm acesso aos novos meios de comunicação e que aqui também está nascendo um sentimento novo que é o de que eu sou uma pessoa que está conectada e quero opinar".

Não se viu ainda avanço suficiente nas formas de organização de poder para viabilizar as novas demandas, a capacidade de as pessoas se conectarem e se fazerem ouvir, ressaltou.

"Mas seguramente esse novo mundo, no qual considero que o Brasil tem um futuro, vai depender da criatividade nossa e de outros para abrir as instituições de modo tal que o processo deliberativo seja mais amplo e o processo decisório passe por um crivo mais amplo. Temos uma distância enorme entre as aspirações que estão postas e as respostas institucionais".

Segundo Fernando Henrique, se quisermos ter um futuro nacional, "vamos ter que caminhar muito mais na direção do social, na direção do cultural, do conhecimento e do respeito ao outro. Não podemos ter medo de nos expor ao mundo, não imaginar que podemos nos desenvolver fechando-nos, mas imaginar que para que possamos fazer isso com força de afirmação, temos que sentir dentro de nós a vontade de mudar essas coisas que são as que mais doem".

Fonte: O Globo