domingo, 29 de dezembro de 2024

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

O Globo

Produtividade é maior fraqueza da economia brasileira

Mercado de trabalho aquecido não deve trazer ilusão. Sem aumentar a eficiência, é inevitável o retrocesso

À primeira vista, o mercado de trabalho parece estar em situação próxima do ideal. O desemprego caiu a 6,1%, menor taxa da série histórica iniciada em 2012. O rendimento médio mensal cresceu na comparação com o ano passado, tendência idêntica à observada nos empregos com carteira assinada. A informalidade e a proporção dos que desistiram de procurar trabalho registram quedas. Na superfície, o quadro é positivo. Um olhar mais atento, porém, mostra que todos esses avanços correm o risco de retrocesso.

O problema é a baixa produtividade por hora trabalhada, que cresceu mero 0,1% no terceiro trimestre, na comparação com mesmo período de 2023, segundo dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli. Com o impulso da agropecuária, o ano passado registrara crescimento de 2,3%. Mas o setor perdeu força neste ano, e a produtividade passou a depender mais do setor de serviços, notório no Brasil pela baixa eficiência. “Observando o crescimento desde o último trimestre de 2019 até o terceiro trimestre deste ano, a produtividade está 2% acima do nível pré-pandemia. Mas o crescimento está perdendo vigor”, diz a economista Silvia Matos, do Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre). Sem aumentar a produtividade do trabalho, a economia como um todo não tem como recuperar eficiência. Isso pode pôr a perder todas as conquistas registradas nos últimos anos.

Vale a pena ver de novo? - Merval Pereira

O Globo

Se o Congresso pudesse ou quisesse explicar a questão das emendas - quem aprovou, para onde foi o dinheiro, etc - já teria feito, diante das exigências do STF

Quando todos, especialmente os parlamentares, esperavam que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flavio Dino iria acatar as respostas nada esclarecedoras da Câmara a respeito da liberação das emendas, eis que ele se manteve firme na exigência de informações precisas. Não havia por que a manobra do presidente da Câmara, Arthur Lira, e os líderes, depois da reunião com o presidente Lula no Palácio da Alvorada, pudesse obrigar o governo a pagar as emendas que foram suspensas pelo ministro Dino. A não ser que ele estivesse realmente de conluio com o presidente, como parecem acreditar os parlamentares.

O problema não é com o governo, que está disposto a pagar para não se atritar com o Congresso. Aliás, já fez mais do que deveria, isto é, afirmar, através da Advocacia Geral da União (AGU) que está tudo normal na tramitação, quando todos sabem que ela transgrediu as normas mais elementares de transparência e pessoalidade, como aliás frisou o ministro Dino na resposta. Os líderes que estavam na reunião são os que aprovaram a liberação das emendas, mudando grande parte do que havia sido decidido nas comissões, desviando dinheiro para seus apoiadores.

A revolta das emendas - Bernardo Mello Franco

O Globo

O ministro Flávio Dino operou seu primeiro milagre: fez a cúpula do Congresso aparecer em Brasília entre o Natal e o réveillon. Na última semana do ano, parlamentares tiraram os paletós do armário e correram para Brasília. Foram discutir formas de pressionar o Supremo a revogar o bloqueio das emendas.

Dino suspendeu pagamentos de R$ 4,2 bilhões, que escorreriam dos cofres públicos no apagar das luzes de 2024. Na decisão, citou um quadro de “degradação institucional” e “inconstitucionalidades em série”.

Irritado, o deputado Arthur Lira convocou os líderes para uma reunião de emergência. Do encontro, partiram recados de que haverá retaliação se o dinheiro não for liberado.

As ameaças se repetem desde novembro de 2021, quando a ministra Rosa Weber determinou o primeiro bloqueio do orçamento secreto. Ela foi substituída por Dino, que herdou o processo e a disposição de impor limites à farra das emendas.

Boas surpresas e crises de 2024 – Míriam Leitão

O Globo

Marcado por bons indicadores econômicos, 2024 termina com ar de crise. O ano foi de embates políticos e fortes recados do clima

No começo do ano, falando para um grupo de pessoas que tinha me pedido uma avaliação do que aconteceria em 2024, eu disse: preparem-se para as surpresas positivas na conjuntura econômica. Elas foram ainda mais positivas do que eu pensava. O país cresceu mais e de maneira menos concentrada do que no ano anterior, houve aumento do consumo, da renda, do emprego e do investimento. A agricultura, que havia puxado 2023, recuou, mas os serviços e a indústria subiram gerando o crescimento não esperado por ninguém e que chegou a 3,5%. O desemprego caiu para 6,1%, o menor da série histórica.

Mesmo assim, o ano termina com o travo amargo da inflação fora da meta, um ambiente de crise no mercado financeiro, estresse político, o câmbio disparado, o Banco Central fazendo a maior operação de venda de dólares da história. As boas notícias se confirmaram e foram até melhores do que o previsto, mas inflação de 4,7% pelo IPCA-15, estourando o teto da meta, é um problema que ficou para ser resolvido em 2025.

No espaço – Dorrit Harazim

O Globo

Astronautas talvez nunca tenham pensado na condição humana como hoje, por estarem encalhados numa estação orbital

Em “Orbital”, obra que deu à escritora inglesa Samantha Harvey o prestigioso Booker Prize em 2024, seis astronautas ancorados na Estação Espacial Internacional orbitam a Terra e contemplam a vida cá embaixo. A missão do grupo (quatro mulheres e dois homens) é essencialmente científica — testar os limites do corpo humano, coletar dados meteorológicos, realizar experimentos. Contudo, durante esse orbitar que lhes permite observar, no espaço de um único dia, a dança dos continentes, o ciclo das quatro estações, a potência das geleiras, desertos, montanhas e oceanos, também a vida terrena os alcança, com suas pequenas grandes tragédias. Recebem a notícia da morte da mãe de um deles, acompanham a formação de um tufão que vai devastar uma ilha e pessoas queridas, sentem a concretude da fragilidade humana.

Coragem é dizer ‘não’ - Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

O ‘todo mundo faz’ corrompe Congresso, polícias, Judiciário, Forças Armadas e até igrejas

A cultura do “todo mundo faz” na vida cotidiana, na corporativa, na institucional, é um dos maiores males nacionais. Se todo mundo ao meu redor faz errado, por que só eu tenho de fazer direito, cumprir as regras, seguir à risca a lei, não tirar vantagens indevidas, não fraudar um benefício daqui, outro dali? Enfim, não usar o ambiente para se autoconceder um salvoconduto para “se dar bem”, com o velho “jeitinho carioca”, naturalizado e nacionalizado.

A missão da polícia, por exemplo, é nobre e fundamental, mas, se um superior segue a linha do “bandido bom é bandido morto”, ele contamina a tropa e o, ou a, policial que veste a farda para combater a violência vira agente dela. Daí a pancadaria e tiros letais em pessoas desarmadas e rendidas, cidadãos jogados de pontes ou mortos com gás em porta-malas. O, ou a, jovem policial segue o exemplo de cima e vai servir de exemplo para quem vem depois.

Um 2024 aos tropeços... - Celso Ming

O Estado de S. Paulo

“Al volver la vista atrás/ se vela senda que nunca/ se ha de volvera pisar ”, cantava o poeta Antonio Machado.

Voltar avista atrás para a economia de 2024 deixa um sentimento ambíguo. Que molha apenas para os resultados imediatos, tem um balanço positivo. Mas quem repara nos rastros deixados pelas pisadas nota certo desarranjo.

É a atividade econômica crescendo a ritmo invejável, de 3,5%; éo desemprego de 6,1%, menor nível da história; a inflação que não deverá passar dos 5,0%; e as contas externas – pesadelo dos anos 70 e 80 – continuam exuberantes.

O que houve de pior aqui no Brasil foram as enchentes nunca vistas no Rio Grande do Sul, que produziram prejuízos que o Banco Interamericano de Desenvolvimento avaliou em R$ 88 bilhões. Mas o desastre expôs um lado positivo: a enorme resiliência e a capacidade de recuperação do povo gaúcho, graças, em boa parte, às transferências de recursos de outros brasileiros e do governo federal.

Por um pacto nacional pelo equilíbrio fiscal - Ricardo Alban *

Correio Braziliense

O crescimento econômico de 2025 já ficou comprometido com a política monetária contracionista e o movimento exagerado do câmbio. Ainda assim, podemos ter um certo crescimento da indústria e do agronegócio

Até meados de 2024, a economia superou as expectativas, com forte crescimento do PIB, apesar da contração do agro. Havia motivos para comemorar: inflação sob controle; a nova política industrial dando resultados e a indústria puxando o crescimento e a criação de empregos; aumento da arrecadação; anúncios de investimentos; aprovação da reforma tributária.

Em agosto, uma chave virou e o Brasil caminha para o fim do ano com um cenário preocupante de incerteza econômica em 2025. Preocupam o setor produtivo, o caminho rumo à racionalidade dos gastos públicos, a trajetória de alta da taxa de juros e a escalada do dólar. São gatilhos para agravar o desequilíbrio fiscal e comprometer o desempenho dos setores que mais contribuem para o crescimento. As consequências serão sentidas pela parcela da sociedade que mais precisa de desenvolvimento social.

Haddad e a esquerda louca e ignara - Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Ministro fica amarrado entre a direita que não quer imposto e a esquerda que quer gasto

"Eu sei que esse discurso desagrada à esquerda e à direita... porque um lado não quer contenção de gastos e outro não quer pagar imposto. Aí, fica difícil, né. A direita não quer pagar os impostos que deve. A esquerda não quer conter gastos. Como é que fecha as contas?".

Com aspecto de exausto e em tom desconsolado, foi o que disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na entrevista coletiva que concedeu no dia 20 de dezembro.

O que o comando do PT e esquerda em geral pensam dessas frases de Haddad? O ministro teria sido abduzido pela direita, pela "Faria Lima"? Foi convertido à adoração do "deus mercado" (como escreve nas redes tanta gente de poucas letras e números)? Teria passado por lavagem cerebral em reuniões com donos do dinheiro grosso?

Livros de política de destaque em 2024 - Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

'Extremos' é a obra do ano, ao conciliar tema urgente com estratégia expositiva genial

Foi mais um ano forte em obras sobre autoritarismos, democracia e desigualdades.

Duas reedições merecem menção: em "Lélia Gonzalez: Um Retrato", Sueli Carneiro apresenta ao grande público uma introdução à trajetória de uma grande intelectual e ativista brasileira. Por sua vez, o historiador português Rui Tavares procurou, em "Esquerda e Direita: Um Guia Histórico para o Século 21", reconstruir os pontos cardeais do debate público com notável sensibilidade histórica.

Entre os lançamentos, "Cachorros", de Marcelo Godoy, se destaca por narrar com riqueza de detalhes a operação de assassinato da direção do Partido Comunista Brasileiro pela ditadura militar brasileira. A matança foi possível graças a uma infiltração nos mais altos níveis do partido, aqui revelada pela primeira vez. O PCB não aderiu à luta armada.

Idade também faz parte dos cálculos de Lula – Bruno Boghossian

Folha de S. Paulo

Desde que voltou ao poder, petista deu poucas demonstrações de que tema seria tabu

Nas primeiras semanas de governo, Lula confidenciou a um amigo que teria que passar por uma cirurgia no quadril. O presidente sentia as dores de uma artrose desde a campanha eleitoral e vinha passando por sessões de infiltração às escondidas. Decidira, no entanto, adiar a operação e o processo de recuperação por uma questão de imagem.

Aos 77 anos, Lula confessou naquela conversa que não gostaria de deflagrar questionamentos sobre sua idade. Ele reconheceu aquelas razões oito meses depois, quando resolveu fazer a cirurgia. "Eu queria operar logo depois das eleições, mas eu falei: ‘Bom, se operar agora, vão dizer que o Lula está velho, ganhou as eleições e já está internado’."

Sobre a depressão dos brucutus - Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

Por que então estariam sorrindo os sírios que se querem filhos de um Deus menos surtado?

Aplicada à vida política, a cosmética mental permite esdrúxulas aproximações entre realidades tão diferentes como a síria e a brasileira. É que as aparências, a terapia de águas mornas tem efeitos de pensar feridas e molificar tensões. Mesmo ante o risco de cair a maquiagem de moderação da liderança jihadista, os sírios acorrem às ruas de Damasco para festejar o fim da ditadura de 54 anos da família de Bashar al-Assad um país destruído por 13 anos de guerra civil. Estranho que pareça, a alegria se sobrepõe à incerteza quanto ao cenário futuro.

Cointeligência - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Livro sobre IA diz que devemos tratá-la como a um humano, o que significa sempre considerar a possibilidade de que esteja mentindo

"Co-Intelligence", de Ethan Mollick, não é um livro pretensioso. Ele se propõe a fazer uma apresentação de nível bem introdutório da inteligência artificial (IA) e a dar dicas práticas de como utilizar ferramentas como o ChatGPT e seus concorrentes.

Devo confessar que minha reação inicial à leitura não foi das mais favoráveis. O pouco espaço dedicado a questões teóricas me incomodou. O nome de Claude Shannon é mencionado uma única vez e bem "en passant". Idem para Von Neumann.

Rola a bola - Luiz Gonzaga Belluzzo

CartaCapital

Na toada da globalização, o futebol tornou-se mercadoria cobiçada

Albert Camus, autor do clássico A Peste, tomava sua refeição em um restaurante do Quartier Latin, quando foi informado de sua escolha para o Prêmio Nobel de Literatura de 1957.  M.M. Owen conta que uma semana mais tarde, Camus foi entrevistado pela televisão francesa. O escritor e seu entrevistador, contudo, não estavam sentados em um estúdio confortável. Estavam no estádio Parc des Princes, em meio a uma multidão de 35 mil torcedores, assistindo a uma partida entre o Racing Club de Paris e o ­Mônaco. As imagens, preservadas no YouTube, mostram o goleiro do Racing reagindo muito lentamente a um chute cruzado desviado, deixando a bola entrar no gol rente à trave mais próxima. A câmera corta para a arquibancada, onde Camus é questionado sobre o erro do goleiro. Ele pede leniência para o jogador.

Leniência não é um benefício que os torcedores do Jogo Bonito concedem habitualmente aos atletas. Escritor uruguaio que cuidou das Veias Abertas da América Latina, Eduardo Galeano era um apaixonado pela bola correndo nos gramados.

Em seu livro O Futebol Entre o Sol e a Sombra, Galeano narra o crepúsculo dos deuses dos estádios.  “A bola o procura, o reconhece, precisa dele. No peito de seu pé, ela descansa e se embala. Ele lhe dá brilho e a faz falar, e, nesse diálogo entre os dois, milhões de mudos conversam. Os zés-ninguém, os condenados a ser para sempre ninguém, podem sentir-se alguém por um momento, por obra e graça desses passes devolvidos num toque, essas fintas que desenham zês na grama, esses golaços de calcanhar ou de bicicleta: quando ele joga, o time tem doze jogadores.

Poesia | Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto

 

Música | Alceu Valença, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo - Sabiá

 

sábado, 28 de dezembro de 2024

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Novo retrocesso agrava desmonte da reforma trabalhista

O Globo

Processos na Justiça já cresceram após decisão do STF — e crescerão ainda mais com nova regra do TST

Os efeitos positivos da reforma trabalhista do governo Michel Temer são inequívocos, mas nos últimos dois anos houve retrocesso numa das maiores conquistas: o recuo na judicialização das relações entre empregador e empregado. Depois de caírem desde 2017, as ações trabalhistas deram um salto de 9,3% em 2022, para 3,16 milhões. Em 2023, cresceram 11,3%, para 3,52 milhões. De janeiro a outubro deste ano, chegaram à Justiça do Trabalho 3,45 milhões de processos, 15% acima do verificado no mesmo período de 2023.

O principal motivo para o salto foi uma decisão de 2021 do Supremo Tribunal Federal (STF). O Supremo derrubou o dispositivo da reforma que atribuía à parte perdedora o pagamento dos custos de processos trabalhistas, ainda que tivesse baixa renda. Determinou que os beneficiários de Justiça gratuita — pelo critério da reforma, quem tem renda inferior a 40% do teto da remuneração paga pela Previdência — não precisariam mais pagar honorários. Com isso, criou um incentivo para a volta das disputas aos tribunais, já que, mesmo derrotados por terem feito demandas descabidas, funcionários não precisam mais pagar aos advogados da parte vencedora.

A escalada da desconfiança e do dólar - Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

Mercado e analistas não contavam com o tamanho do desarranjo das contas públicas e com o forte crescimento da dívida

Como estaria terminando este ano se estivessem corretas as projeções registradas há 12 meses? Elas estão no Boletim Focus publicado pelo Banco Central em 8 de janeiro, resumindo a opinião do mercado financeiro e de analistas. Ali se vê que o pessoal esperava um crescimento modesto do PIB, de 1,6%. Errado. A economia brasileira chega ao final de 2024 com forte expansão, de 3,5%, com desemprego em recorde de baixa e renda maior.

O presidente Lula, quando quer criticar o mercado, ataca por aí: o país está crescendo o dobro do esperado pelos “caras”. Mas o Focus não projeta apenas o PIB. Ali se encontram expectativas para inflação, dólar e taxa de juros. Também não se realizaram essas projeções, mas em sentido invertido: o crescimento efetivo é bem melhor que o esperado; o ambiente macro é muito pior que o projetado.

Inflação, por exemplo. Em janeiro, mercado e analistas acreditavam que o IPCA deste ano terminaria em 3,90%, em queda. Na real, termina em alta, na redondeza dos 5% —acima do teto da meta de inflação, de 4,5%. Com perspectiva de um IPCA alto por muitos meses.

Desemprego é o menor em 12 anos, e ocupação, recorde

Carolina Nalin e Henrique Barbi / O Globo

Desemprego cai para 6,1%, menor patamar da história, e reforça pressão sobre inflação e juros

O desemprego nunca esteve tão baixo no país, apontam novos dados do IBGE divulgados nesta sexta-feira. O percentual de desocupados renovou a mínima histórica e chegou a 6,1% no trimestre encerrado em novembro, em linha com o esperado pelos agentes econômicos. É o menor patamar já registrado pela pesquisa do instituto, iniciada em 2012.

A ocupação também registrou novo recorde e chegou a 103,9 milhões de trabalhadores, com o nível da ocupação no ponto mais alto da série: 58,8%. Há 39,1 milhões de pessoas trabalhando com carteira assinada no país, também o maior patamar registrado pela pesquisa.

Para Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas Domiciliares do IBGE, o bom desempenho do mercado de trabalho é explicado por um somatório. Entre os fatores está o crescimento da economia, impulsionado pela expansão das atividades econômicas e pelo aumento da renda das famílias.

Ela explica que esse cenário estimula o consumo, que, por sua vez, reforça o crescimento do emprego e o ganho de renda em diferentes setores, seja em postos mais básicos ou em serviços mais qualificados. Por outro lado, será preciso avaliar a sustentabilidade dessa conjuntura ao longo de 2025:

Eles ainda estão lá - Eduardo Affonso

O Globo

Militância revolucionária recreativa vê a arte como instrumento de propaganda e acha feio o que não é umbigo

A moça do avião acaba de perder o posto de pessoa mais zen de 2024. O troféu vai para o escritor Marcelo Rubens Paiva. Durante entrevista ao Roda Viva em 23/12, ele se recusou a ceder a janelinha aos adultos mimados que se achavam — por um misto de egolatria e falta de noção — no direito de ocupá-la.

Não, nem o livro de Marcelo (“Ainda estou aqui”) nem o filme homônimo de Walter Salles são sobre a luta de proletários periféricos afrodescendentes contra a tirania. Não tratam de categorias sociais, luta de classes, opressores e oprimidos, mas da história de uma mulher específica: Eunice Paiva. E é por falarem dessa pessoa — mais particularmente, dessa mãe — que ambos, livro e filme, falam de todos nós.

Trump insinua expansão territorial – Pablo Ortellando

O Globo

Se as ameaças se concretizarem, um próximo alvo pode ser nossa vizinha Venezuela

Uma série de declarações recentes de Donald Trump sugere que, na nova administração, os Estados Unidos podem se engajar em preocupante expansão territorial. O movimento deve preocupar o Brasil porque, se as ameaças efetivamente se concretizarem, um próximo alvo pode ser nossa vizinha Venezuela.

Em novembro, após vencer as eleições, Trump afirmou em postagem nas mídias sociais que imporia aumento de 25% nas tarifas de importação de produtos de Canadá e México, caso esses países não controlassem melhor suas fronteiras com os Estados Unidos. Segundo especialistas, a medida é arbitrária e contrária ao Direito Internacional. Dificilmente uma tarifa discriminatória desse tipo seria reconhecida pela Organização Mundial do Comércio, e ela certamente violaria os termos do acordo de livre-comércio Estados Unidos-México-Canadá, que substituiu o Nafta. Trump, porém, não parece intimidado.

Nós, os ‘Sapiens’, e a inteligência artificial - Marco Aurélio Nogueira


O Estado de S. Paulo

Estamos numa batalha que continuará a ser travada no tempo que se abre à nossa frente. A IA não será a única a responder pela construção do futuro

Nunca falamos tanto em inteligência artificial (IA). Ela avançou extraordinariamente. Ocupa espaços cada vez maiores em todas as áreas da vida, da economia ao entretenimento, da educação à saúde, da medicina à climatologia e à cultura. Impulsiona e dá nova qualidade aos processos de automação, à robotização e à internet das coisas.

Em sentido amplo, a IA é um sistema computacional dotado de máquinas capacitadas para executar múltiplas tarefas. Algoritmos e modelos de machine learning possibilitam que as máquinas processem grandes volumes de dados, aprendam com eles e tomem decisões a partir dessa aprendizagem.

O que esperar dos mercados em 2025 - Fabio Gallo

O Estado de S. Paulo

Inflação, políticas monetárias e tensões geopolíticas são riscos que podem influenciar projeções

Todo final fazemos um balanço do ano que se vai e ficamos na esperança de que o novo traga novos ventos com coisas muito boas e que muitas de nossas mazelas sejam resolvidas. Faz parte dessas expectativas o comportamento da economia. Para nós, brasileiros, que nunca tivemos uma vida econômica tranquila, o ano termina com grandes incertezas, e olhando para o exterior não vemos um céu de brigadeiro.

O ambiente internacional também apresenta incertezas trazidas pela nova gestão Trump. Aparentemente, há consenso de que os economistas erraram ao prever que o mercado internacional estaria a caminho da recessão, a economia continuou crescendo; e a inflação, caindo. Tanto que. na semana passada. o Fed reduziu os juros dos EUA em 0,25 ponto porcentual, para a faixa de 4,25% a 4,50% ao ano, a terceira queda seguida.

Um problema de comunicação? - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Dados econômicos favoráveis obtidos por Lula não se transformam em popularidade; Biden viveu o mesmo drama

Pelo que leio nos jornais, o presidente Lula fará uma reforma ministerial. O objetivo principal seria melhorar a comunicação do governo.

É um clássico. Dirigentes sempre acham que estão fazendo um ótimo trabalho e, se a população não vê isso, só pode ser porque está mal-informada. Mas raramente o problema está na comunicação.

As pessoas não formam seus juízos sobre governantes a partir de dados sobre o que a administração fez ou deixou de fazer, mas a partir de percepções subjetivas moldadas pelas circunstâncias. A economia costuma ter bastante peso aí, mas outros elementos, inclusive os espantalhos produzidos pela polarização e pelas guerras culturais, também influem.

A faca e o queijo nas mãos – Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Mesmo com Congresso sob nova direção, governo não terá a parceria esperada

Salvo um acontecimento de proporções oceânicas que mude o andar da carruagem, Hugo Motta (Republicanos) será eleito presidente da Câmara dos Deputados por aclamação no dia 3 de fevereiro de 2025 com mandato até 2027.

Período peculiar, pois no meio haverá o ano eleitoral de 2026. O deputado ungido por obra das astutas articulações do atual ocupante do posto terá mais poder que os antecessores levados ao cargo também com fartura de adesões.

Congresso teme investigação acionada por Dino - Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Na farra com dinheiro público, 'reis do lixo' se confundem com 'reis das emendas'

No país do golpe e do dolo, o fluxo de cenários e subcelebridades é vertiginoso. Com a Operação Overclean, da Polícia Federal, que apura desvios de emendas, o grande público conheceu o município de Campo Formoso, no norte da Bahia, reduto de Elmar Nascimento. O deputado levou uma rasteira de Arthur Lira em suas pretensões de ser presidente da Câmara —"Perdi meu melhor amigo", choramingou—, mas não deve reclamar dos presentes que ganhou do chefe.

O orçamento secreto destinou R$ 63 milhões para obras de pavimentação em Campo Formoso. O asfalto está grudento, derretido e desmancha na mão. A empreiteira contratada é suspeita de pagar propina e desviar recursos para empresas fantasmas, mas um busto do Dr. Chiquinho, tio de Elmar, foi inaugurado com pompa e circunstância. A cidade ainda recebeu R$ 9,5 milhões para construir um espaço turístico chamado Shopping do Garimpeiro.

As perspectivas para 2025 - Marcus Pestana

A vida precedeu em muito o calendário gregoriano. No entanto, há tradições culturais que se impõem à qualquer outra lógica racional. O desenrolar dos fatos se comporta como moto-contínuo. Ainda assim insistimos em quebrar o tempo e enquadra-lo em dias, semanas, meses, anos e séculos. E é como se, na madrugada que separa o 31 de dezembro do primeiro dia de janeiro, mágicas e feitiços determinassem uma verdadeira mudança no curso da História. É uma peculiar forma de sacudir a poeira do pessimismo e renovar a esperança num futuro diferente. Como cantou Belchior “Tenho sangrado demais. Tenho chorado pra cachorro. Ano passado eu morri. Mas esse ano eu não morro”. No ano novo, tudo é possível.

Longe dos arroubos místicos ou da fé nas causas impossíveis, do jogo de búzios e das bolas de cristais, o que é possível visualizar em relação ao cenário mais provável para 2025 no Brasil?

Los demonios de la segunda mitad del gobierno Lula - Fernando de la Cuadra

El próximo 1 de enero, el Presidente Lula da Silva inicia la segunda mitad de su mandato de cuatro años, en un escenario marcado por fantasmas y adversidades que se instalan sobre el gobierno. En el plano interno, el Ejecutivo va a tener que enfrentar un Congreso hostil y resentido, especialmente ahora que el Ministro del Supremo Tribunal Federal (STF), Flavio Dino, ha sancionado el bloqueo de 4 mil doscientos millones de reales (US$ 660 millones) de las enmiendas parlamentarias de comisiones y la investigación por parte de la Policía Federal sobre el posible uso fraudulento de esos recursos.

La cuestión problemática de estas enmiendas es que el 40 por ciento de ellas pasarían a beneficiar al Estado de Alagoas, tierra natal y reducto electoral del actual presidente de la Cámara de Diputados, Arthur Lira. Como hemos señalado en artículos anteriores, Lira se desempeña como un ilustre capo mafioso desde su cargo, distribuyendo recursos e influencias dentro del Congreso y chantajeando al gobierno con el poder que detenta sobre la mayoría de los diputados del llamado Centrão.

O convívio pessoal ensina - Ivan Alves Filho

Passei quase dez anos de minha vida fora do Brasil. Estou preparando um livro novo, intitulado provisoriamente ‘Em busca de um país’, sobre a minha formação e experiência como historiador e cidadão. Trata-se de um prolongamento, se posso dizer assim, ao livro ‘O historiador e o tapeceiro’, que lancei em 2015, pela Fundação Astrojildo Pereira.

As notas que se seguem são relativas ao meu encontro com pessoas no exterior.

No plano internacional, conheci figuras que muito me impressionaram também e poderia citar o antropólogo Claude Lévi-Strauss, o fotógrafo Henri Cartier-Bresson, o psiquiatra Tony Lainé, o estadista Nelson Mandela e o operário comunista Jacques Duclos, este último o líder da Resistência francesa à ocupação nazista de seu país. Nas eleições presidenciais de 1969, Duclos obteve quase 22% dos sufrágios. Respeitadíssimo na França, Jacques Duclos compôs, juntamente com Benoît Frachon e Charles Tillon, a direção clandestina do Partido Comunista Francês sob a ocupação hitlerista. Viveu quatro anos nos esgotos de Paris, sem praticamente ver a luz do dia. Frachon era o secretário-geral da CGT (Confederação geral do Trabalho) e Tillon o responsável pela guerrilha, o chefe dos partisans. Da Resistência ao ocupante nazista da França, conheci ainda Jean Favre, nascido no Vietnã e um dos três redatores do Programa Comum que levaria os comunistas, os socialistas e os radicais de esquerda (um partido de centro, apesar do nome) ao Governo. Além dele, possa citar o diretor do jornal do Partido Comunista Francês, L´Humanité, René Andrieu, um dos líderes dessa luta antifascista tão gloriosa, assim como o operário metalúrgico Roger Lainé, figura admirável. Certa vez eu perguntei ao René Andrieu para que me explicasse o fenômeno De Gaulle na França. Apesar de reconhecer seu importante papel na Resistência, Andrieu examinava o posicionamento do General De Gaulle sob a ótica, correta pelo que entendi, da política de classe da burguesia, que nunca colocava todos os ovos em um cesto só. A burguesia apoiou o Marechal Pétain, o colaboracionista de Hitler, mas mantinha um setor seu dialogando com De Gaulle, em Londres.

Poesia | Uma faca só lâmina, de João Cabral de Melo Neto

 

Música | Coral Edgard Moraes e Getúlio Cavalcanti - Risos de Mandarim

 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

O Globo

Regras para abordagem policial são bem-vindas

Decreto do governo faz bem ao impor treinamento e normas sensatas, mas não pode imobilizar ação da polícia

Abordagens policiais precisam seguir regras sensatas. Nas últimas semanas, o país tem assistido a episódios que expuseram abusos, excessos, imperícia ou, no mínimo, despreparo dos agentes da lei diante da missão de proteger cidadãos inocentes e desarmados. No caso mais recente, uma jovem de 26 anos foi baleada na cabeça durante abordagem de policiais rodoviários quando ia com a família para a ceia de Natal.

No mesmo dia, o Ministério da Justiça e Segurança Pública publicara decreto estabelecendo regras para abordagens policiais. Entre as principais diretrizes, ele determina que os agentes só poderão recorrer à força “quando outros recursos de menor intensidade não forem suficientes”. A arma de fogo deverá ser o “último recurso” e não poderá ser usada contra quem estiver desarmado, mesmo que em fuga, ou contra veículos que desrespeitem bloqueios. O decreto estipula ainda que o nível da força deve ser compatível com a ameaça. Está previsto que o governo oferecerá capacitação a profissionais de segurança. Todos deverão participar de treinamento obrigatório. O Ministério da Justiça criará um Comitê Nacional de Monitoramento do Uso da Força, responsável por acompanhar os indicadores em ações policiais.

Maquiavel, ainda está aqui - Pablo Spinelli *

Dedico à memória de Luiz Werneck Vianna, analista de conjuntura ímpar.

O ano de 2025 começará com um legado pesado do ano anterior. Enquanto no Brasil há uma queda dentre aqueles que acreditam na democracia como melhor regime político**, como também há um clima de morosidade e inação por parte do governo que demorou e resiste a uma reforma ministerial que dê conta das forças políticas que foram vitoriosas nas últimas eleições municipais***, e tal pasmaceira se estendeu a um Natal menos comemorativo do que dantes. No cenário externo, a administração Biden nada resolveu sobre o tema que “pariu o rato”, como diria Karl Marx em O 18 Brumário de Luís Bonaparte: a guerra. Há um cenário catastrófico no leste europeu e no Oriente Médio que não só ajudou a eleger Donald Trump como pode dar-lhe, se houver a intervenção que propôs na campanha, uma candidatura ao Nobel da Paz, prêmio que Henry Kissinger recebeu na década de 1970.

Por que as tartarugas ilustram a crise dos Poderes - Andrea Jubé

Valor Econômico

Em vídeo gravado no Torto, Lula falou em divisão de espaços, mas lembrou que a relação deve ser de respeito

Ao fim de um ano atribulado, marcado por crises com o Congresso, conflitos com o Banco Central e o mercado financeiro e pelas intercorrências de saúde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscou a leveza ao se refugiar na Granja do Torto para passar o Natal.

Na manhã do dia 25, ele publicou um vídeo bucólico nas redes sociais, onde apresentou o laguinho reformado, cheio de carpas, e alguns moradores mais antigos da residência de campo, que estavam cedidos ao zoo enquanto aguardavam as benfeitorias: um jabuti e uma tartaruga.

A colheita e as intempéries - Vera Magalhães

O Globo

Jogamos de lado, quando não recuamos, na agenda climática e ambiental, a despeito dos esforços hercúleos de Marina Silva

O presidente Lula manteve o tema do plantio e da colheita, que usou na mensagem de fim de ano em 2023, no vídeo natalino deste ano. Mas o otimismo e o balanço detalhado das conquistas do ano passado deram lugar a uma mensagem em tom genérico. A aposta em resultados ainda mais fulgurantes no ano seguinte deu lugar a um tom mais cauteloso e emotivo — nesse caso, claro reflexo da emergência de saúde pela qual ele passou na reta final de um 2024 em que houve mais intempéries que bonança.

O governo não teve descanso nem espinha dorsal narrativa para se regozijar das conquistas deste ano. Tudo começou aos solavancos, com o Congresso abespinhado pela Medida Provisória mandada na virada do relógio.

As exclamações do governador - Bernardo Mello Franco

O Globo

Cláudio Castro interrompeu o almoço de Natal para berrar nas redes sociais. Na tarde do dia 25, o governador esbravejou contra a criação de regras para o uso da força pelas polícias. “Sabem quem ganhou um presentão de Natal? A bandidagem, no país inteiro! Parabéns aos envolvidos!!!”, esgoelou-se.

O bolsonarista se esforçou para transmitir revolta. Em três tuítes, despejou nove pontos de exclamação. Além de maltratar o idioma, passou a ideia de que os agentes do Estado deveriam ter licença para matar.

Contra a barbárie – Flávia Oliveira

O Globo

Os casos de abordagem indevida, abuso de autoridade e violência cometidos por policiais multiplicam-se pelo país

É sobre civilização e barbárie, não sobre autonomia federativa, a queda de braço que, há um par de anos, o campo progressista trava com setores conservadores, algo reacionários, na agenda da segurança pública e dos direitos civis. Mês sim, mês também, o polo armamentista e propagador da força bruta reage a propostas que, a despeito do bom senso, manteriam o Brasil em linha com a legislação local e compromissos firmados com a comunidade internacional. No episódio mais recente, governadores reagem ao decreto presidencial que estabelece diretrizes à atuação policial.

Dominância política - Celso Ming

O Estado de S. Paulo

A deterioração das contas públicas e a esticada dos juros levou alguns comentaristas a denunciar o risco de dominância fiscal, situação em que o avanço do rombo fica tão inevitável que tira capacidade da política monetária (política de juros) exercida pelo Banco Central de combater a inflação.

É cedo para apostar nesse enrosco. O que se pode dizer é que a desarrumação da economia tende a produzir o que poderá ser chamado de dominância política – quando as opções eleitorais do governo e dos maiorais do Congresso acabam por prevalecer sobre as decisões de política econômica.

Neste 2025, não haverá eleições, mas o climão eleitoral, de olho na sucessão presidencial, na dos governadores e na de renovação do Senado, em 2026, acabará por permear toda a atividade política.

A impunidade de quem pune - Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Quem será o Xandão e o Dino contra abusos e desvios do Poder Judiciário?

O Judiciário enfrenta com firmeza a ameaça de golpe, mas quem vai enfrentar os desmandos e escândalos do próprio Judiciário? Não é minimamente admissível que uma desembargadora do TJ-MT receba R$ 130 mil por mês, três vezes mais que o teto salarial do funcionalismo, e ainda por cima autorize um “vale-peru” de R$ 10 mil de presente para ela e os colegas.

Ela não agiu sozinha, tanto que o tribunal descumpriu a ordem do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e liberou o mimo para ele próprio – ou seja, para os pobrezinhos dos desembargadores de Mato Grosso, que certamente precisavam muito dessa verba para ter uma ceia decente no Natal, num país onde milhões não têm o que comer nem no seu dia a dia.

É escandaloso, vergonhoso, e todo mundo finge que não vê, apesar das sucessivas reportagens do nosso Estadão. “Decisão judicial não se discute, cumpre-se”, mas quem toma as decisões judiciais não se sente obrigado a cumpri-las, como no caso do teto constitucional, e nem mesmo de acatar as ordens do CNJ, como a de suspender o “vale-peru”.