terça-feira, 28 de julho de 2026

Aliado a Rubio, Milei e Netanyahu, Flávio dobra aposta na crise externa, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Senador aposta que o colapso da política externa poderá ser atribuído a Lula e convertido em votos para a oposição, ao provocar crise econômica

Flávio Bolsonaro transformou a convenção que oficializou sua candidatura à Presidência numa tribuna para líderes estrangeiros atacarem o governo brasileiro e o Supremo Tribunal Federal (STF). Dobrou uma aposta de alto risco na crise externa. O candidato do PL se apresenta como representante nacional de uma onda conservadora internacional, mas fomenta a deterioração das relações diplomáticas e comerciais do Brasil com Estados Unidos, Argentina e Israel.

A operação pode até mobilizar o eleitorado bolsonarista mais radical, porém ameaça interesses econômicos do país e expõe Flávio à acusação de colocar a estratégia eleitoral de sua família acima do interesse nacional. Convidado de honra da convenção do PL, em São Paulo, o presidente argentino Javier Milei chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “ladrão” e “presidiário” e dirigiu ao ministro Alexandre de Moraes uma ofensa incompatível com o cargo que ocupa: “lixo careca”.

Foi um discurso truculento, realizado num evento partidário brasileiro. Por isso, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou a manifestação como interferência nos assuntos internos do Brasil e uma agressão ao Executivo, ao Judiciário, ao Congresso e ao povo brasileiro. Lula tentou tirar por menos: “Eu? Quem é esse cara?”, mas a reação de alguns ministros foi no mesmo diapasão. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, abandonou o estilo diplomático e chamou Milei de “palhaço”.

Essa escalada verbal não interessa aos dois países. Brasil e Argentina construíram, desde o governo José Sarney, uma parceria que permitiu superar a antiga rivalidade estratégica, criar o Mercosul e integrar cadeias produtivas fundamentais, principalmente na indústria automobilística. A Argentina é o terceiro maior destino das exportações brasileiras. Pelos dados apresentados, comprou US$ 9,12 bilhões em produtos do Brasil, atrás apenas da China, com US$ 47,68 bilhões, e dos Estados Unidos, com US$ 20,02 bilhões.

A pauta destinada à China é concentrada em commodities, sobretudo soja, petróleo e minério de ferro. Estados Unidos e Argentina absorvem uma parcela proporcionalmente maior de bens industrializados, de maior valor agregado e com capacidade de gerar empregos qualificados no Brasil. Automóveis, autopeças, máquinas, equipamentos elétricos, produtos químicos, aeronaves, combustíveis processados e outros manufaturados ocupam espaço relevante nas vendas aos mercados norte-americano e argentino. A retração das exportações pode reduzir a produção industrial, interromper cadeias de fornecedores, adiar investimentos, afetar a arrecadação e eliminar empregos

Eixo de alianças

A presença de Milei na convenção não foi um acaso, reflete o eixo das alianças internacionais de Flávio Bolsonaro, ao lado da mensagem de Benjamin Netanyahu exibida no evento e da atuação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. As relações entre Brasil e Israel chegaram ao nível mais baixo desde 1949. Os dois países deixaram suas representações sob encarregados de negócios, sem embaixadores. Ao gravar uma mensagem para a convenção do PL, o primeiro-ministro israelense ingressou diretamente no ambiente eleitoral brasileiro e reforçou a identificação do bolsonarismo com seu governo.

Forma-se uma conexão internacional de extrema direita: Milei representa o ultraliberalismo econômico e a guerra cultural contra a esquerda; Netanyahu é um senhor da guerra marcado pela prolongada ofensiva militar em Gaza; e Rubio executa uma política externa voltada para conter a expansão chinesa e alinhar governos da América do Sul às prioridades de Washington.

Com os Estados Unidos, o problema é economicamente mais grave. A imposição de tarifas pelo governo Donald Trump já interferiu na eleição brasileira e atingiu setores exportadores. Rubio tornou-se um dos principais formuladores dessa pressão, associando medidas diplomáticas, comerciais e políticas a críticas ao Supremo e aos processos contra Jair Bolsonaro.

Flávio procura transformar essa ofensiva numa prova de que Lula isolou o país. O efeito pode ser aumentar as tensões com dois dos três maiores compradores dos produtos brasileiros, ampliar a insegurança dos empresários e criar dificuldades para os setores industriais. Uma ruptura mais profunda elevaria custos, pressionaria preços e prejudicaria a renda e o emprego.

7 comentários:

Anônimo disse...

Excelente coluna! Parabéns ao autor, e ao blog por divulgá-la!

ADEMAR AMANCIO disse...

O que seria de mim sem esse blog,eu agradeço também.

Anônimo disse...

Nathan’s hue????( rsrsrsrsrs

Anônimo disse...

Piada grosseira com esse cafajestes. Foi bom saber perdeu meu voto Bolsonaro.

Anônimo disse...

Pig nojento

Anônimo disse...

O hipocrita do Nathanahue

Anônimo disse...

Bucho asqueroso e fingido