terça-feira, 9 de agosto de 2022

Antonio Cláudio Mariz de Oliveira* - Jô Soares, o imortal

O Estado de S. Paulo

Para minha decepção, ele se foi. Ficou o vazio, mas ficaram as suas lições de humanismo, de amor ao próximo e de brasilidade.

Há figuras humanas que se imagina serem imortais. Não é a imortalidade dos que permanecem na memória e na saudade daqueles que ficam. Eu me refiro à imortalidade no sentido literal. O ser que jamais se ausentará. Jamais morrerá. Jamais será enterrado. O seu corpo permanecerá e sempre será visto.

Assim eu imaginava que ocorreria com Jô Soares. Ele nunca nos deixaria. Como diziam os antigos, ele ficaria para semente. Na verdade, efetivamente ele partiu, mas com certeza as suas sementes germinarão e darão frutos.

Quais sementes? Várias, e que correspondem com as suas qualidades e características. Inteligência, cultura, rapidez de raciocínio, alegria, humor, fidelidade às suas origens, por vezes sagacidade e ironia. Essas e tantas outras.

No entanto, eu quero testemunhar um relevante aspecto que foi para mim revelado nos últimos tempos. Especificamente nos quatro anos anteriores a hoje. A sua brasilidade. A sua preocupação com o País. A sua apreensão de estar assistindo a um Brasil atormentado pela intolerância, pelos riscos de ruptura institucional, pelas pregações destrutivas, pelo estímulo às armas, pelo esmaecimento de sua imagem perante o mundo, pela destruição das matas, etc., etc. Afligia-o, também, a crescente desarmonia instalada no seio da sociedade, por um discurso voltado para a destruição e o ódio.

Fernando Carvalho* - Fui barrado no Jô

Sempre é lamentável a morte de um homem como o Jô Soares que contribuiu para tornar o mundo mais rico culturalmente.

Quanto a mim perdi uma oportunidade de ouro de tê-lo conhecido. Conto essa história. Meu O Livro Negro do Açúcar está de graça na internet há mais de 15 anos. Em 2010 foi publicado pela Alaúde com o título Açúcar O Perigo Doce. A editora conseguiu marcar uma entrevista com o Jô Soares. Mas não passei pela pré-entrevista.

A senhora que falou comigo disse "O Jô já entrevistou muitos médicos falando sobre diabetes". Pensei em dizer que a coisa mais sem graça do mundo é um médico falando sobre diabetes porque eles não dizem nada. Mas respondi que meu livro era sobre o açúcar e perguntei se ela sabia que com açúcar se produz explosivos? Ela disse-me que sabia porque havia visto isso no MacGyver.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Editoriais / Opiniões

Elas dão de ombros

Folha de S. Paulo

Fragilidade de medidas das big techs para combater desinformação nas eleições requer atenção do TSE

É difícil fugir à sensação de que as grandes empresas de tecnologia não dão a mínima para a democracia brasileira. Se em 2018 ainda podiam alegar desconhecimento quanto a seu alcance no processo eleitoral, em 2022 elas só encontram esse argumento na estante das desculpas esfarrapadas.

Inúmeros estudos sobre o avanço das autocracias no mundo nos últimos anos, ao listar os fatores por trás do fenômeno, põem em posição destacada a expansão desenfreada da desinformação e do discurso de ódio nas redes sociais.

Plataformas como Facebook, Instagram, WhatsApp, TikTok, Kwai, Twitter, YouTube e Telegram sabem muito bem disso, pois têm sido pressionadas nos mais diversos países a adotar mecanismos transparentes capazes de conter a manipulação, a fraude e o assédio.

A lógica por trás dessas iniciativas é cristalina. Trata-se de corresponsabilizar essas empresas pelos crimes cometidos por meio dos seus serviços, mas sem com isso manietar a liberdade de expressão.

Poesia | Murilo Mendes - Os dois lados

 

Música | Paulinho da Viola - Argumento

 

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

A Carta de 2022*

Entre as principais razões do êxito na expressiva adesão, estão seu caráter plural e a ausência de vinculação a partido político

Comemoramos hoje os 45 anos do histórico evento ocorrido no pátio da Faculdade de Direito da USP em defesa da democracia e em repúdio ao regime militar.

Em 8 de agosto de 1977, o professor Goffredo da Silva Telles Júnior leu a “Carta aos Brasileiros”, documento que se tornou um marco na luta pelo restabelecimento do Estado de Direito.

Diante dos atuais ataques à democracia e às instituições, com questionamentos infundados ao processo eleitoral brasileiro, insinuações de adiamento do pleito e, até mesmo, de eventual desprezo ao resultado da vontade popular, resolvemos editar uma nova “Carta às Brasileiras e aos Brasileiros”, com o propósito de reafirmar o pacto de 1988 e o respeito às regras do jogo democrático, aproveitando a simbologia da data para fazer uma justa homenagem à carta de 1977.

Entre as principais razões do êxito na expressiva adesão à “Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em Defesa do Estado Democrático de Direito”, estão seu caráter plural e a ausência de vinculação a partido político, vocalizando o anseio da sociedade civil.

Fernando Gabeira - Presença de Anitta na corrida eleitoral

O Globo

Missionários do tipo Bolsonaro não têm outro caminho, exceto celebrar a atenção do universo que os rejeita

 ‘O mundo começava nos seios de Jandira/Depois surgiram outras peças da criação’.

Esses versos do maior poeta da minha cidade natal, Murilo Mendes, me inspiram para dizer que, de certo modo, as eleições começam na voz de Anitta, e as outras partes da criação.

A cantora brasileira decidiu apoiar Lula, vestiu uma calça vermelha com uma estrela do PT.

Foi um grande impulso para Lula, pelo menos nas redes sociais, onde suas citações cresceram 30%.

Numa sabatina como candidato, Ciro Gomes lamentou que o apoio de Anitta tenha sido dado a outro que não ele. E Bolsonaro ficou furioso, mas aproveitou a popularidade da cantora para atacá-la por sua opção política.

Escolhidos, preteridos ou mesmo rejeitados, os candidatos não podem ignorar Anitta, que tem mais de 60 milhões de seguidores nas redes sociais.

Recentemente, no Rio, Anitta foi chamada a arbitrar a disputa pelo Senado, dividida entre Alessandro Molon, do PSB, e André Ceciliano, do PT. Molon pediu e ganhou o apoio da cantora.

Bruno Carazza* - Lula vence o segundo round das eleições

Valor Econômico

Petista isola Ciro, racha terceira via e afasta novidades

Na minha coluna de 04/04/2022, argumentei que Jair Bolsonaro havia largado na frente e vencido o primeiro round na disputa eleitoral deste ano. Naquela época, a janela para mudanças partidárias tinha acabado de fechar, e os partidos que apoiam o presidente (PL, PP e Republicanos) haviam atraído os maiores contingentes de parlamentares no Congresso Nacional e nas Assembleias Legislativas.

Após quatro meses de intensas negociações, pouca coisa mudou. A campanha está na rua, mas nada de bombástico surgiu: nenhum candidato surpresa apareceu, o PSD de Kassab não se aliou formalmente a ninguém, não há frente ampla e nem terceira via. Até as intenções de voto evoluem lentamente, com alterações milimétricas, sempre dentro da margem de erro a cada rodada de pesquisas.

Com as convenções partidárias encerradas, Bolsonaro mantém a tríade de partidos do Centrão lhe dando suporte, enquanto Lula, do outro lado, manteve num amplo espectro de legendas de esquerda a sua base de sustentação. A terceira via, como esperado (vide coluna de 21/03/2022), se fragmentou entre Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB, PSDB, Cidadania e Podemos), Soraya Thronicke (União Brasil) e Luiz Felipe d’Avila (Novo).

Persio Arida: Superação da crise exige primazia da economia política

Por Cristiano Romero / Valor Econômico

Persio Arida e outros cinco economistas lançaram um conjunto de propostas para o governo que comandará o país a partir de 2023

A superação da crise econômica exigirá a primazia da chamada economia política, diz Persio Arida, um dos formuladores do Plano Real. Além da necessidade de corrigir o legado de “distorções” criadas pelo atual governo e o Congresso, a próxima gestão terá que propor uma série de reformas institucionais nas áreas tributária, orçamentária e administrativa, uma agenda que demandará grande capital político. A tarefa, observa o economista, será hercúlea e terá que ser tocada em meio a um cenário internacional difícil.

Em coautoria com cinco economistas, Persio lançou na sexta-feira um conjunto de propostas para o governo que o país terá a partir de 2023, intitulado “Contribuições para um Governo Democrático e Progressista”. No documento, os autores vão além da proposição de medidas e trazem algo inédito: a combinação de propostas para que o país avance do ponto de vista institucional com outras que assegurem, durante o período de ajuste, o apoio da sociedade às reformas. A ideia é instituir “programas especiais de gastos”, que na área social aumentariam a despesa de 0,4% do PIB para 1% do PIB.

“O governo precisa de reformas que são absolutamente necessárias para o Brasil retomar o crescimento econômico”, disse ele ao Valor. “É sempre possível que tudo dê certo e não precise de nada e o programa de gastos especiais pode ser anunciado mais para frente”, disse.

Sergio Lamucci - Com foco no curto prazo, Brasil vende o futuro

Valor Econômico

O foco do governo está em iniciativas para tentar melhorar a popularidade de Bolsonaro, sem preocupação com o custo ou com as suas consequências

O governo de Jair Bolsonaro opera em 2022 com o foco em medidas de curto prazo para melhorar a popularidade do presidente, não importando o efeito sobre a credibilidade das instituições fiscais do país. Iniciativas com horizonte de poucos meses terão impacto duradouro. Há reduções de impostos baseadas no pressuposto de que o aumento corrente de receitas será permanente, afetando a situação fiscal futura de Estados e municípios. Elevações de gastos previstas para vigorar apenas no segundo semestre devem se perenizar. Há ainda adiamento de despesas - caso dos precatórios - que poderão gerar uma bola de neve de dívidas nos próximos anos.

Algumas dessas medidas foram tomadas por meio de Propostas de Emenda à Constituição (PEC), banalizando um instrumento que deveria ser usado de modo criterioso. Para completar, iniciativas de estímulo à demanda ocorrem num ambiente em que o Banco Central (BC) se esforça para derrubar uma inflação que roda na casa dos dois dígitos há quase um ano. Com isso, os juros terão de ficar mais altos por mais tempo.

Jairo Saddi - Juros, juros e mais juros

Valor Econômico

Só estímulo à competição, redução da inadimplência e simplificação tributária e regulatória podem derrubar juros ao consumidor

Roberto Troster, em artigo neste Valor (“Métricas bancárias”, 15/07/22, pág. A-8), sugeriu acertadamente uma padronização no conceito e na convenção da aplicação de juros. Diz ele: “No Brasil, é desnecessariamente mais complexa, usando várias medidas de juros em vez de uma, como no resto do mundo. Um mesmo número pode representar valores muito díspares dependendo se a taxa vier expressa em taxa mês ou taxa ano, o ano com 252 dias ou com 365 dias, com e sem o IOF, que tem uma alíquota efetiva que varia de acordo com o dia do mês”. Acho que é meritório, a partir de sua sugestão, ampliar o debate.

Demétrio Magnoli -17h44, hora de Moscou

O Globo

O pouso de Nancy Pelosi em Taipé é uma evidência definitiva de que Washington opera sem bússola estratégica

O avião militar de Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos EUA, aterrissou às 22h44 em Taipé, capital de Taiwan, na terça passada. Em Moscou eram 17h44, e o sol brilhante do verão russo incandescia as cúpulas douradas do Kremlin. Naquele momento, Putin terá erguido um brinde. A troco de nada, o governo Biden violava o catecismo geopolítico, estabelecendo uma confrontação simultânea com seus dois rivais nucleares.

Pelosi chefia um Poder separado e, portanto, não precisa de autorização do Executivo para viajar ao lugar que quiser. Há décadas, ela denuncia as políticas autocráticas da China. Mas, no fim das contas, pertence ao mesmo partido de Joe Biden, que tinha o dever de dissuadi-la da mais imprópria das visitas. O pouso em Taipé é uma evidência definitiva de que Washington opera sem bússola estratégica.

Mathias Alencastro* - Brasil rifou agenda do clima

Folha de S. Paulo

Enquanto isso, da Colômbia à França há uma mudança de paradigma calcada em valores e pragmatismo

A última semana foi frustrante para aqueles que pensavam que, pela primeira vez, o clima teria um papel central na eleição.

A candidatura ao Senado de um dos mais ilustres defensores do meio ambiente da República, Alessandro Molon (PSB-RJ), está comprometida por trivialidades partidárias. Ciro Gomes (PDT), que há muito vagueia longe de terras democráticas, qualificou a questão indígena de "política de papo-furado".

É muito difícil criticar Simone Tebet (MDB) depois do festival de machismo na convenção que formalizou a indicação da sua vice, a senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP). Mas, na condição de presidenciável, ela terá de explicar a contradição entre sua promessa de zerar o desmatamento e o envolvimento histórico do seu grupo na predação de terras em Mato Grosso do Sul.

Marcus André Melo* - A balbúrdia eleitoral

Folha de S. Paulo

Por que Bolsonaro promove ataques às urnas eletrônicas?

A balbúrdia em torno da urna eletrônica é puro Bolsonaro. Parafraseando Hofstader, no clássico "The Paranoid Style in American Politics", de 1964, é exemplo do estilo paranoico. As eleições acabaram sendo uma das poucas questões em que ainda se pode fazer alarido. (O autoritarismo do STF é outra). Pode-se fingir que não é governo, é vítima.

A denúncia sobre uma conspiração no dia das eleições é consistente com um espírito antissistema, que tem se mostrado crucial para o sucesso eleitoral na nova onda populista global. Eis o Leitmotiv principal da investida denuncista. A balbúrdia poderia servir para mobilizar o núcleo duro de apoiadores; flexionar músculos visando eventuais retaliações futuras; e, não menos importante, monopolizar a agenda pública em torno do assunto. Mas há custos —não desprezíveis— que não foram antecipados. O saldo líquido é negativo.

Celso Rocha de Barros - Propostas para um crescimento justo

Folha de S. Paulo

Ideias de especialistas merecem ser discutidas com atenção pelas forças democráticas

Na semana passada, um grupo de especialistas que representam o que o debate público brasileiro tem de melhor lançou um documento com propostas para o Brasil.

O texto se chama "Contribuições para um governo democrático e progressista" e tem como autores Bernard Appy, Carlos Ari Sundfeld, Francisco Gaetani, Marcelo Medeiros, Pérsio Arida e Sérgio Fausto.

Arida foi um dos criadores do Plano Real, Appy foi um dos melhores nomes da equipe econômica de Lula, Medeiros é um dos maiores especialistas brasileiros em desigualdade de renda. É um grupo politicamente heterogêneo e altamente qualificado.

Ruy Castro - Um erro providencial

Folha de S. Paulo

Todo mundo erra, mas alguns abusam

Outro dia, li numa biografia do escritor inglês Graham Greene que, em crise entre sua fé católica e uma irrefreável tendência à devassidão, Greene tentou se matar. Mas fez tudo errado: bebeu colírio. Como não morreu, decidiu conciliar a fé e a devassidão.

Ninguém erra por querer. O cantor Eddie Fischer, ex-marido de Elizabeth Taylor e pai de Carrie Fischer, acordou meio bleargh e, fazendo confusão com seus comprimidos, tomou com água os dois fones sem fio de seu aparelho de surdez. Já Keith Richards, dos Rolling Stones, cheirou as cinzas do pai achando que fosse cocaína. E o pai de minha amiga Ana Luiza, pensando estar vendo aranhas, matou de chinelo os cílios postiços que ela deixara na mesa.

Carlos Pereira - Lutas pela democracia e anticorrupção são irmãs

O Estado de S. Paulo

Democracia sem um juiz forte e independente é o hall de entrada de iliberalismos.

No dia 11 de agosto a sociedade dará mais uma demonstração de vigor da democracia brasileira com o lançamento da “Nova Carta aos Brasileiros”. O que é mais emblemático nessa iniciativa é a compreensão de que a defesa da democracia passa por um movimento a favor do juiz... a favor da Justiça Eleitoral... a favor das urnas eletrônicas... a favor das regras do jogo democrático.

Dificilmente alguém discordaria dessa frase. Num olhar mais atento, entretanto, percebemos que o grau de concordância é condicionado pelos ganhos/perdas proporcionados pelas próprias decisões judiciais.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Editoriais / Opiniões

Sem sinal

Folha de S. Paulo

Estreia do 5G mostra que será preciso cuidado para não acentuar desigualdade no acesso à tecnologia

A estreia da rede 5G, nova geração da telefonia celular, teve impacto reduzido para a maioria dos consumidores. A nova tecnologia promete velocidade até dez vezes superior à oferecida pelo 4G à transmissão de dados, mas essa experiência ainda é muito incomum.

Nas capitais que já têm antenas conectadas à nova rede, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre e João Pessoa, a cobertura é parcial e a resposta do sinal se mostrou oscilante nos primeiros dias de operação, na semana passada.

Parte do problema era previsível a esta altura do processo de instalação do sistema. A frequência usada pela rede exige um número maior de antenas, separadas entre si a distâncias menores do que as requeridas pelos sistemas atuais.

Será preciso tempo para instalar os equipamentos que viabilizarão o funcionamento pleno da rede. Estima-se que o 5G demandará dez vezes mais antenas do que as que sustentam as redes mais antigas.

Além disso, ainda são muito poucas as pessoas que carregam no bolso os aparelhos mais modernos, habilitados para se conectar ao sistema e usufruir os benefícios prometidos pela nova tecnologia.

Poesia | Castro Alves - As duas flores

 

Música | Caetano Veloso, Gilberto Gil - Sampa

 

domingo, 7 de agosto de 2022

Paulo Fábio Dantas Neto* - Conversa política sobre a pauta do largo de São Francisco e a das urnas

Um raciocínio de Felipe Nunes, Diretor do Instituto Quaest - exposto fora do contexto geral de uma entrevista que concedeu à CNN, ao divulgar a mais recente rodada de pesquisas do instituto – tem atuado, no discurso eleitoral da esquerda e na linha editorial de parte do jornalismo político, como mais um fermento do bolo lógico do qual se nutre a campanha pela antecipação de um voto “útil” em Lula, pressão precoce feita desde bem antes do período oficial da campanha ao primeiro turno das eleições.

Selecionado e convertido em manchete, um dos raciocínios de Nunes - de que conquistar intenções de voto hoje direcionadas a Lula é o único caminho possível a Bolsonaro para conseguir levar a eleição ao segundo turno - termina induzindo quem não escutar a entrevista inteira a pensar que o analista acha improvável haver segundo turno e que, portanto, a vitória de Lula no primeiro é uma meta ao alcance da mão, o que justifica aumentar a pressão sobre possíveis aliados num eventual segundo turno para que joguem suas toalhas antes que um debate de rumo imprevisível se instale. Mesmo quando essa pressão já não pode ser feita sobre decisões partidárias formais (afinal o 5 de agosto passou), continua, na pesca de adesões individuais e no fomento a cristianizações a granel. É preciso ouvir a íntegra da entrevista para saber que o prognóstico de Nunes é o oposto, ou seja, de que o mais provável é haver segundo turno, afirmação com a qual encerra suas palavras. Se levada a sério, ao menos como hipótese, converte a captura de náufragos eleitorais em praias vizinhas num insólito ensaio de um encalhe na sua.

Eliane Cantanhêde As últimas não serão as primeiras

O Estado de S. Paulo

Partidos lançam mulheres de última hora, por exclusão, como coadjuvantes e quebra-galhos

Federações, partidos e campanhas deixaram para a última hora, ou último dia, o lançamento de candidatas, até a presidente da República, mas, ora, ora, principalmente a vices em chapas para presidente e governadores. Mais uma vez, como sempre, são ótimas mulheres, mas entram como coadjuvantes, ou quebra-galhos. As últimas não serão as primeiras.

Depois de meses de brigas e traições, o “centro democrático”, ou “terceira via”, minguou sem o União Brasil, jogou a toalha e rendeu-se à única solução disponível: a senadora Simone Tebet (MDB-MS). Se partidos e caciques estivessem unidos e a candidatura largasse com chances, seria mesmo uma mulher?

Tebet, 52, tem preparo, seriedade, princípios e DNA (seu pai, Ramez Tebet, foi um respeitável presidente do Senado) e brilhou na CPI da Covid. Mas, na verdade, só virou a segunda presidenciável, ao lado de Vera Lúcia, do PSTU, porque os tucanos implodiram a candidatura de João Doria e não construíram a de Eduardo Leite.

José Roberto Mendonça de Barros* - É necessário preservar a democracia

O Estado de S. Paulo

Não tenho dúvidas de que o momento é decisivo e que o futuro do País está em jogo

No próximo dia 11, será lida na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, uma nova “Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do estado democrático de direito”.

Nela está dito, entre outras coisas, que “estamos passando por um momento de imenso perigo para a normalidade democrática, risco às instituições da República e insinuações de desacato ao resultado das eleições”.

“Ataques infundados e desacompanhados de provas questionam a lisura do processo eleitoral e o estado democrático de direito, tão duramente conquistado pela sociedade brasileira.”

Mais ainda: “A solução dos imensos desafios da sociedade brasileira passa, necessariamente, pelo respeito ao resultado das eleições”.

É preciso que todos assinem o documento. Não tenho dúvidas de que o momento é decisivo e que o futuro do País está em jogo.

Luiz Carlos Azedo - A profanação do sagrado no rito do Bicentenário

Correio Braziliense

Não há um projeto de nação integrado ao mundo pós-moderno, capaz de construir um novo consenso nacional. Estamos naufragando num mar de iniquidades, entre as quais a miséria absoluta e a fome

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), manteve a parada militar de 7 de Setembro na Avenida Presidente Vargas, como acontece tradicionalmente, por solicitação dos próprios militares. Na capital fluminense se concentram as principais unidades das nossas Forças Armadas – na Vila Militar, na Baía de Guanabara e na Base Aérea de Santa Cruz. O presidente Jair Bolsonaro havia anunciado que o desfile seria na Praia de Copacabana, onde tradicionalmente se reúnem seus apoiadores. O desfile militar sempre começa na Candelária e termina em frente ao Quartel General do Exército, no Campo de Santana, onde foi proclamada a República. A polêmica mexe com símbolos e pode se transformar num rito de passagem nas eleições de outubro deste ano.

A Avenida Atlântica é um símbolo do Movimento Tenentista, ou seja, das revoltas da jovem oficialidade contra seus comandantes, porque a primeira delas ocorreu em 5 de julho de 1922, no Forte de Copacabana, conhecida como Revolta dos Dezoito do Forte, em protesto contra eleição de Arthur Bernardes, em março daquele ano. No dia 4 de julho de 1922, o capitão Euclides Hermes da Fonseca — filho do Marechal Hermes da Fonseca, que estava preso — e o tenente Siqueira Campos preparavam o forte para a revolta que se iniciaria na manhã do dia seguinte. Segundo seus planos iniciais, alguns estados brasileiros e áreas militares do Rio de Janeiro participariam do levante, mas o governo federal já sabia da conspiração militar e a impediu.

Míriam Leitão - Benefício eleitoral vai mudar o voto?

O Globo

Dados inéditos da pesquisa Genial/Quaest indicam que os ganhos eleitorais do Auxílio Brasil não devem ajudar Bolsonaro como pensa o governo

Dados inéditos de uma pesquisa de opinião mostram que o efeito dos benefícios eleitoreiros ainda é pequeno para Jair Bolsonaro. A propensão de votar nele, por causa da elevação do valor do Auxílio Brasil, aumenta pouco entre os mais pobres e até diminui entre os que não querem nem Bolsonaro nem Lula. Já com a queda dos impostos sobre combustível, há um aumento da propensão de votar em Bolsonaro entre os mais ricos. “O que o governo queria, que era conquistar a renda baixa, não parece que vai conseguir o tanto que ele precisa. Mas com o ICMS ele consegue mobilizar uma turma que, mais ou menos, já é dele”, diz o cientista político Felipe Nunes.

Mesmo sendo residual, o que a pesquisa da Genial/Quaest mostra é que o pouco avanço que Bolsonaro consegue com essas medidas pode levar a disputa para o segundo turno.

Dorrit Harazim - Sois rei?

O Globo

Não será surpresa se o candidato à reeleição para presidente da República escapulir de todos os debates agendados pelas grandes mídias profissionais do país

Não é de hoje que o ser humano faz promessas de acordo com suas conveniências, mas age de acordo com seus medos. Para muitos, o medo da morte, quando sobrepassa qualquer outro, pode tornar-se a mais degradante das nossas emoções. A britânica Gertrude Bell, extraordinária mulher da era vitoriana, produziu escritos sobre o tema. Ela tinha escopo e vivência para isso — nascida em família afluente e vanguardista, teve formação e liberdade raras para mulheres de sua época. Bell foi arqueóloga, escritora, desbravadora, aprendeu a língua persa e o árabe, moveu desertos ao lado de T.E. Lawrence e participou do redesenho imperial no pós-Grande Guerra com o então secretário das Colônias, Winston Churchill. Mulherão, em suma. É dela a observação de que o medo da morte esgarça os limites e as convenções que tornam possível a convivência social. “Esse medo revela quanto somos animalescos. Não há nobreza na luta diária pela sobrevivência. Quem vive esse medo deixa de lado honra, autoestima e tudo o mais que poderia dar valor ao mero fato de continuar vivo”, escreveu.

Elio Gaspari - A imprudência do general

O Globo

Com preocupação 'urgentíssima' sobre urnas eletrônicas, ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, flerta com anedotário da caserna

O general Paulo Sérgio Nogueira, atual ministro da Defesa, flerta com o anedotário da caserna onde brilha a carga da cavalaria ligeira do Lord Cardigan na Batalha de Balaclava. Em 1854, durante a Guerra da Crimeia, ele atacou uma posição da artilharia russa com seus Dragões. Fracassou e perdeu 118 soldados. Em Pindorama, ocupando a função civil de ministro da Saúde, resplandece o general intendente Eduardo Pazuello. Ele precisava mandar vacinas para Manaus e elas chegaram a Macapá, que fica a mil quilômetros de distância.

Há dias, Nogueira expediu um ofício “urgentíssimo” ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pedindo “a disponibilização dos códigos-fonte dos sistemas eleitorais” para serem examinados por oficiais das Forças Armadas. Desde outubro do ano passado, o Ministério da Defesa tinha em seu arquivo um ofício do então presidente da TSE, Luís Roberto Barroso, informando que “os códigos-fonte dos programas que compõem o sistema eletrônico de votação estão disponíveis para inspeção de suas evoluções, das 10h às 18h, na Sala Multiuso, localizada no subsolo do edifício-sede deste Tribunal”.

Explicando-se, o Ministério da Defesa diz que o “urgentíssimo” do pedido devia-se à proximidade da eleição de 2 de outubro. Verdade, mas era a Defesa quem estava atrasada, como o candidato do exame do Enem que tomou o ônibus errado e corre para fazer a prova.

Bernardo Mello Franco – A parada do golpe

O Globo

Copacabana já viu quase tudo desde que o primeiro bonde atravessou o Túnel Velho, em 1892. O bairro assistiu à revolta dos Dezoito do Forte, ao nascimento da bossa nova e ao maior show dos Rolling Stones. A depender do capitão, agora receberá um inédito desfile de tanques e baionetas.

Jair Bolsonaro mandou o Exército transferir para a orla o cortejo oficial do Sete de Setembro. Quer transformar a comemoração do bicentenário da Independência numa parada golpista à beira-mar.

No ano passado, o presidente aproveitou a data cívica para atacar o Supremo Tribunal Federal e chamar as eleições de “farsa”. Agora planeja usar o feriado para reforçar suas ameaças à democracia.

A ideia é promover uma demonstração de força a 25 dias do primeiro turno. A Avenida Atlântica já seria o destino da militância de extrema direita. Com a mudança do desfile, a turma ganhará a companhia de uma tropa uniformizada e armada.

Bolsonaro quer vender a ideia de que paisanos e militares estão unidos pelo mesmo propósito: assegurar sua permanência no poder, seja pelo voto ou pela ruptura institucional.

Bruno Boghossian – A aliança de Copacabana

Folha de S. Paulo

Ao unir apoiadores e militares, presidente tenta usar ameaça como arma de sobrevivência política

Se acreditasse que o caminho para ficar no poder é vencer no voto, Jair Bolsonaro não precisaria ter convocado os militares para o comício que pretende fazer no próximo 7 de Setembro. Na semana passada, o presidente anunciou que vai misturar o tradicional desfile das tropas com uma reunião de apoiadores prevista para Copacabana no feriado.

Em busca de sobrevivência política, Bolsonaro confia na lógica da intimidação. O presidente já disse mais de uma vez que seus eleitores devem dar o que ele descreve como "recado" para instituições como o STF e o TSE. Para isso, ele espera ver nas ruas os grupos mais afinados com sua retórica conspiracionista batendo continência para militares.

Janio de Freitas - Nova era dos descobrimentos

Folha de S. Paulo

Manifestos em defesa da democracia não se dirigem só a Bolsonaro

A impossibilidade de uma ideia sadia de Bolsonaro denuncia, por si só, algum propósito maléfico em sua ordem que transfere o desfile de 7 de Setembro para Copacabana, avenida Atlântica. A passagem das tropas, sem a largura usual nesses velhos exibicionismos, será abaixo de um paredão de altos edifícios de onde podem sair muitas coisas. Um rojão, por exemplo, dos usados nos estádios, em mãos bolsonarista e apontado para baixo —pânico, reações armadas, ninguém dirá o que pode vir.

Talvez seja um exemplo brando. Bolsonaro tem convocado seus seguidores, também os de outros estados, para uma concentração de dimensões excepcionais, ocupando não só os calçadões da avenida Atlântica. Impossível prever o que será de Copacabana, se efetivado o plano. Uma dedução, aliás, se oferece: será um lugar onde, morador ou visitante, não se deve estar naquele dia.

Muniz Sodré* - O passado à frente


Folha de S. Paulo

O telescópio James Webb e a falta de investimento em universidades federais brasileiras

Na mesma semana em que o telescópio espacial James Webb estonteava o mundo da ciência com a visão nítida da luz das galáxias emitida há 13 bilhões de anos, 17 universidades federais brasileiras, com perdas de R$ 400 milhões, anunciavam o risco iminente de paralisia e os congressistas desmontavam a Constituição para o governo gastar a perder de vista.

Uma coisa tem muito a ver com as outras. Primeiro é que o telescópio, construído ao longo de 15 anos, custou quase US$ 10 bilhões, valor próximo aos R$ 41 bilhões disponíveis para alguns meses de farra pré-eleitoral. Pior, estima-se em R$ 300 bilhões a meta de gasto, já avaliado como o maior episódio de corrupção da história republicana.

Ruy Castro - E aquela do Max Nunes?

Folha de S. Paulo

O gênio que desfazia as frases feitas para fazer crítica e humor

Por falar nos centenários de 2022 que passaram em branco por falta de espaço, tivemos, em 17 de abril, o de Max Nunes. Sim, o misto de médico e gênio do humor, criador da dupla Primo Rico e Primo Pobre (do programa "Balança Mas Não Cai", de rádio e TV) e de vários personagens de Jô Soares. Tive a honra de organizar dois livros com as frases de Max: "Uma Pulga na Camisola" (1996) e "O Pescoço da Girafa" (97). Eis algumas.

"O dinheiro corrompe. Mas só quem não o tem." "Duplicata é essa coisa que sempre vence. Nunca empata." "Antes, a união fazia a força. Hoje, a União cobra os impostos e quem faz a força é você". "Anda tudo tão caro que até quem desdenha não quer mais comprar." "Mesmo com salário de fome, os professores do 1º grau não deixam de ir à escola. Mas é por causa da merenda."

Cacá Diegues - A vida no lugar da morte

O Globo

O que hoje no Brasil nos faz mal e nos faz sofrer é um pesadelo que nos foi imposto pelos inimigos da Democracia

É a Humanidade que está se desfazendo ou são os meios de comunicação que se multiplicaram e se aperfeiçoaram, colocando-nos imediatamente a par de tudo o que está acontecendo no mundo? Num passado não muito distante, nós levávamos um certo tempo para saber o que se passava na Europa ou em qualquer outro continente desse planeta.

Das guerras mundiais que tanto marcaram o século XX nós sabíamos o que havia acontecido na semana passada. Agora acompanhamos ao vivo o reboliço do mar acabando com as cidades costeiras do Japão ou a invasão da Ucrânia pelo Exército russo de Putin. Não importa mais o país, em que continente, está tudo a nosso imediato alcance.

Sérgio Augusto - O 7 de setembro pode virar o anúncio de um golpe

O Estado de S. Paulo

No ano do bicentenário da Independência, a data pode se transformar numa manifestação distante de um ato cívico

Daqui a um mês estaremos comemorando o Bicentenário da Independência e, se consumadas as ameaças do presidente, acompanhando ao vivo um golpe de Estado. No ano do Centenário da Independência, o máximo em agitação militar que tivemos, dois meses antes da festa, foi aquela marcha dos tenentes pela orla de Copacabana.

O patético ensaio para o golpe, no último 7 de Setembro, com aqueles tanques resfolegando e queimando óleo na Praça dos Três Poderes, teve ao menos um mérito: desacreditar, com um ano de antecedência, qualquer calhordice eventualmente programada para o próximo Dia da Pátria. 

Ficaremos, quero crer, no trivial desfile, no “marcha soldado”, tão do agrado das crianças de antigamente. Nunca me levaram a uma parada de 7 de Setembro. Nem eu pedi. Ao meu precoce desinteresse por patriotadas marciais agregou-se, mais tarde, uma implicância com a monarquia escravocrata aqui implantada e sua nobreza biônica, embrião e arrimo das oligarquias que se assenhorearam do País. 

Talvez por isso, minha lembrança mais viva da efeméride não seja sequer o acadêmico Grito do Ipiranga, imaginado e pintado por Pedro Américo no final do século 19, mas o brado sacana que há 52 anos Ziraldo bolou para o Pasquim, com D. Pedro 1.º não mais a bradar, de espada em riste, “Independência ou morte!”, mas “Eu quero mocotó!!” A zombaria irritou paca os generais no poder, que quase fecharam o jornal.

Cristovam Buarque* - Salvem os militares

Blog do Noblat / Metrópoles

O Brasil precisa de Forças Armadas respeitadas, competentes, que sejam e passem a imagem de respeito às instituições democráticas nas urnas

De tanto elas terem servido para reprimir práticas democráticas internas, sem guerras externas, começa a surgir na juventude um sentimento contra as Forças Armadas, especialmente o Exército. Este sentimento não é bom para o Brasil, pelo menos antes que surja uma desmilitarização de toda a América Latina e da África Atlântica, além de uma pacificação mundial, que permitam deslocar os gastos militares para outras prioridades, tais como erradicação da pobreza, educação, saúde, segurança interna. Difícil disto ocorrer, e se ocorrer, será quando a ciência e a tecnologia fizerem as armas obsoletas e a moral fizer a consciência humana superar conflitos. Até lá, o Brasil precisa de Forças Armadas respeitadas, competentes, que sejam e passem a imagem de respeito às instituições democráticas nas urnas. Por isto, precisamos ajudar os militares nesta direção.

Fernando Carvalho* - O Golpe que Bolsonaro vai dar

Que Bolsonaro vai dar um golpe é uma questão líquida e certa. Ele já planeja esse golpe desde o século passado. Em 1999 durante entrevista à TV Band respondendo à pergunta do repórter J. Marquesini se ele fecharia o Congresso Nacional caso fosse eleito presidente da República. Bolsonaro respondeu na lata: "Daria o golpe no mesmo dia" (em que tomasse posse). Tico e Teco, os neurônios de Bolsonaro não avisaram a ele que o presidente da República é o chefe de apenas um dos três poderes da República e que um golpe de Estado é um pouco mais complicado.  Como estamos falando em golpe. A própria eleição de Bolsonaro já foi um golpe de Estado. Ou alguém concebe Joe Biden no dia em que tomou posse agradecer a um general o fato de ter sido eleito?  A primeira coisa que Bolsonaro fez ao sentar o traseiro na cadeira presidencial foi despachar os médicos cubanos de volta para casa com isso prejudicando os brasileiros pobres que usam o SUS. Com isso reforçou o espantalho do comunismo, tão caro ao projeto de seu golpe.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Editoriais / Opiniões

Preço da arruaça

Folha de S. Paulo

Resposta vigorosa da sociedade a ameaças golpistas evidencia riscos da aposta de Bolsonaro na baderna

A resposta veemente da sociedade às ameaças golpistas do presidente Jair Bolsonaro (PL) mostrou ao mandatário que o preço a ser pago pelos que ousarem se insurgir contra a ordem democrática aumentou.

As adesões à carta dos ex-alunos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, que será lida em público na próxima quinta-feira (11), se aproximam de 800 mil.

Um manifesto articulado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, divulgado na sexta (5), foi subscrito por mais de uma centena de associações, incluindo a Federação Brasileira de Bancos, as maiores centrais sindicais e a União Nacional dos Estudantes.

A Abert, que representa emissoras de rádio e TV, a Aner, dos editores de revistas, e a Associação Nacional de Jornais, da qual a Folha faz parte, também lançaram seu manifesto.

Basta passar os olhos pelas listas de apoiadores para perceber seu ecletismo, bem como a presença de pessoas e organizações que antes preferiam manter silêncio diante dos desmandos do presidente.

As manifestações apontam os princípios da Constituição de 1988 como valores inegociáveis, e a estabilidade democrática como indispensável para a prosperidade do país.

Poesia | Vinicius de Moraes - Amizade Inseparável

 

Música | Chico Buarque - Tua Cantiga