O Estado de S. Paulo
Para minha decepção, ele se foi. Ficou o
vazio, mas ficaram as suas lições de humanismo, de amor ao próximo e de
brasilidade.
Há figuras humanas que se imagina serem
imortais. Não é a imortalidade dos que permanecem na memória e na saudade
daqueles que ficam. Eu me refiro à imortalidade no sentido literal. O ser que
jamais se ausentará. Jamais morrerá. Jamais será enterrado. O seu corpo
permanecerá e sempre será visto.
Assim eu imaginava que ocorreria com Jô
Soares. Ele nunca nos deixaria. Como diziam os antigos, ele ficaria para
semente. Na verdade, efetivamente ele partiu, mas com certeza as suas sementes
germinarão e darão frutos.
Quais sementes? Várias, e que correspondem
com as suas qualidades e características. Inteligência, cultura, rapidez de
raciocínio, alegria, humor, fidelidade às suas origens, por vezes sagacidade e
ironia. Essas e tantas outras.
No entanto, eu quero testemunhar um relevante aspecto que foi para mim revelado nos últimos tempos. Especificamente nos quatro anos anteriores a hoje. A sua brasilidade. A sua preocupação com o País. A sua apreensão de estar assistindo a um Brasil atormentado pela intolerância, pelos riscos de ruptura institucional, pelas pregações destrutivas, pelo estímulo às armas, pelo esmaecimento de sua imagem perante o mundo, pela destruição das matas, etc., etc. Afligia-o, também, a crescente desarmonia instalada no seio da sociedade, por um discurso voltado para a destruição e o ódio.


















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