domingo, 19 de março de 2023

Cristovam Buarque* - Os esquecidos da anistia

Blog do Noblat / Metrópoles

No mundo letrado, o analfabeto é torturado todos os minutos em que está desperto. É como se carregasse um chicote elétrico dentro do cérebro

No seu brilhante e emotivo discurso de posse, o Ministro Silvio Almeida listou, um por um, os grupos que precisam ter seus direitos humanos relembrados, afirmando que eles não seriam esquecidos. Mas não citou aos mais de 10 milhões de brasileiros analfabetos.

Diante da violência da tortura a que foram submetidos os presos políticos no passado, do sofrimento diante do racismo contra os negros e dos preconceitos contra gays e transsexuais, o Brasil esquece a violência cometida contra quem sobrevive no mundo letrado sem saber ler seu próprio idioma: a tortura de caminhar pelas cidades sem ler o nome de cada rua, sem saber o remédio que toma ou o ônibus em que sobe.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Lula manteve opacidade no Orçamento

O Globo

Mas, com aumento nas emendas de parlamentares, nem isso lhe garante força para ditar agenda no Congresso

Ao acabar com as emendas do relator, identificadas pela sigla RP9 no Orçamento da União, o Supremo Tribunal Federal (STF) acreditou prestar um serviço ao país. No discurso, valorizava a transparência dando um basta ao esquema de compra de votos que sustentou apoio parlamentar ao governo Jair Bolsonaro e à alocação de recursos públicos seguindo critérios paroquiais, não técnicos. Na prática, as brechas continuam abertas. Os critérios adotados no Orçamento de 2023 desenham um quadro não muito diferente, quando não pior, do existente sob Bolsonaro.

Para começar, os recursos à disposição dos congressistas aumentaram. As verbas previstas para 2023 somavam R$ 47 bilhões, ante emendas de R$ 43,1 bilhões em 2020, R$ 37,1 bilhões em 2021 e R$ 26,2 bilhões em 2022 (em valores corrigidos até 15 de março). Nunca o Orçamento lhes destinou tanto dinheiro (há dez anos, as emendas giravam ao redor de R$ 15 bilhões).

Metade (R$ 9,8 bilhões) do valor previsto para as banidas emendas do relator foi incorporada às emendas individuais, cuja execução é obrigatória (RP6). Na dotação inicial, o total das RP6s saltou de R$ 11,7 bilhões para R$ 21,5 bilhões. Cada deputado federal teria neste ano R$ 32,5 milhões à disposição, e cada senador R$ 59,8 milhões — antes ambos tinham R$ 19,7 milhões.

Poesia | Não te quero senão porque te quero - de Pablo Neruda

 

Música | Sueli Costa - Jura Secreta (Original da Autora)

 

sábado, 18 de março de 2023

Demétrio Magnoli - Al Capone, Bolsonaro e nós

Folha de S. Paulo

Futuro político do ex-presidente pode misturar impunidade com inelegibilidade

Al Capone acabou em Alcatraz pelo menor de seus crimes: evasão fiscal. Os crimes comuns que pesam sobre Jair Bolsonaro no caso das joias pouco significam perto dos crimes constitucionais praticados sistematicamente ao longo de seu mandato. Mas delineia-se um cenário no qual o ex-presidente terá o destino do mafioso americano. Seria uma forma de misturar, no liquidificador da demagogia, impunidade com inelegibilidade.

Durante a pandemia, Bolsonaro sabotou as restrições sanitárias e a campanha de vacinação, operando contra o direito coletivo a saúde pública. Seu governo estimulou a invasão de terras indígenas por garimpeiros e madeireiros, desafiando o compromisso estatal de proteção desses povos. Durante quatro anos, o presidente mobilizou seus apoiadores em persistente agitação golpista, que culminou no 8 de janeiro de Brasília, traindo o dever de respeito às instituições democráticas. Contudo, ao que parece, responderá apenas por peculato, descaminho e abuso de poder.

Alvaro Costa e Silva - Os cúmplices de Bolsonaro

Folha de S. Paulo

Novos escândalos mostram como militares se curvaram ao capitão

O almirante Bento Albuquerque não está com a memória boa. Esquece o que falou, confunde as coisas, mistura alhos, bugalhos e muambas. Em depoimento à PF, ele deu mais uma versão sobre as joias recebidas na viagem à Arábia Saudita em 2021.

Diz agora que o pacote feminino (par de brincos, colar, anel e relógio confeccionados com pedras preciosas que brilham de cegar e com valor avaliado em R$ 16,5 milhões), retido na Receita Federal e alvo de uma força-tarefa governamental para que fosse liberado, era um presente da ditadura saudita ao Estado brasileiro —assim como o conjunto masculino (abotoaduras, caneta, relógio, anel e um tipo de rosário, todos da marca suíça de diamantes Chopard, avaliados em R$ 400 mil), que entrou ilegalmente no país e foi entregue a Bolsonaro.

Hélio Schwartsman - Resgate a bancos quebrados cria o chamado risco moral

Folha de S. Paulo

É fundamental que operações de salvamento não recompensem gestores incompetentes

Um mundo justo é aquele em que cada um responde por suas ações e omissões. A definição não é despropositada, mas receio que a maioria de nós não gostaria de viver num lugar assim. Nele, pessoas que não tivessem poupado para aposentadoria seriam condenadas à miséria na velhice; quem não tivesse plano de saúde morreria na porta do hospital. Vivemos em sociedades que redistribuem riscos, por variados mecanismos.

No Brasil, temos o SUS, um sistema de saúde universal bancado com dinheiro dos impostos. Temos também o INSS e programas de governo voltados para populações específicas. Mais longe do âmbito do Estado, temos seguros, hedges etc.

Rodrigo Zaidan - Sobressaltos bancários adiam recuperação global para 2024

Folha de S. Paulo

Problemas em bancos trarão maior custo de crédito e diminuição do crescimento

Apertem os cintos, o regulador sumiu. A quebra do banco Silicon Valley (SVB, em inglês) acendeu o alerta no mercado financeiro mundial.

Estamos à beira de uma crise financeira global como a de 2008? Felizmente não, mas isso pode contribuir para desacelerar a economia global.

Há chance de uma crise financeira no Brasil? Também não, já que temos um dos reguladores mais conservadores do mundo.

O SVB quebrou por ter dinheiro demais, o que parece estranho à primeira vista, é claro. O banco recebeu uma enxurrada de mais de US$ 120 bilhões em novos depósitos em 2020 e 2021, com preços de ativos financeiros nas alturas; em 2019, o total de depósitos não chegava a metade disso.

Fernanda Mena - Com reforma, Macron pode jogar França no colo da ultradireira

Folha de S. Paulo

Ao impor reforma da Previdência aos franceses, presidente adiciona pólvora a cenário potencialmente explosivo

"Trabalhar e morrer." A frase fatalista, vista em cartazes nas manifestações que levaram milhões às ruas da França contra a controversa reforma da Previdência de Emmanuel Macron, exagera um sentimento comum entre os franceses, que pode, segundo analistas, jogar o país no colo da ultradireita.

Ao elevar a idade mínima para a aposentadoria de 62 para 64 anos, a reforma imposta pelo governo mexe em um sistema de segurança social que é motivo de orgulho nacional e reduz o horizonte dos franceses de usufruir do benefício com qualidade em uma terceira fase da vida.

"A proteção social francesa é relativamente generosa na comparação internacional, assim como o nível das pensões", explica Anne-Marie Guillemard, especialista em trabalho e previdência da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS), em Paris, e professora emérita de sociologia da Universidade de Paris Cité. "E os franceses são muito apegados a esse sistema, que permite aos aposentados manter um nível de vida similar ao de quando estavam ativos."

João Gabriel de Lima* - As cidades de 15 minutos

O Estado de S. Paulo

O paulistano fará festa se um dia conseguir resolver compromissos em menos de meia hora

No dia em que Francisco Prestes Maia terminou seu mandato, um carro o esperava à frente do gabinete do prefeito, que ficava na Rua Libero Badaró. O político dispensou o motorista, caminhou até o Viaduto do Chá e pegou o bonde logo adiante, na Rua da Consolação. Prestes Maia, prefeito de São Paulo entre 1938 e 1945, abriu mão das mordomias do cargo assim que saiu dele. A anedota é narrada no livro A Capital da Vertigem, de Roberto Pompeu de Toledo.

No episódio, Prestes Maia rejeitou o carro e preferiu o transporte público. Na vida política, fez o contrário. Foi dele o plano de avenidas que se espraiam do centro para os bairros periféricos – as “radiais” –, num desenho que em tudo privilegia os carros. Poucos paulistanos sabem que essa escolha, feita décadas atrás, é responsável pelos congestionamentos que enfrentam hoje.

Maílson da Nóbrega* - O papel das regras na geração de riqueza

O Estado de S. Paulo.

Independência dos BCs tornou-se imprescindível nos últimos 50 anos e consagrada há pelo menos três décadas. PT e Lula não perceberam essa realidade ainda

Nas recentes críticas à taxa de juros, o presidente Lula tachou de “bobagem” a independência do Banco Central (BC). Ocorre que a regra prevalece nos países ricos, sem exceção. Também é assim em países latino-americanos. Em três deles – Chile, Colômbia e México, governados por líderes de esquerda – esse status permanece. O novo presidente colombiano, Gustavo Petro, ex-guerrilheiro, reclamou das taxas de juros, mas não questionou a independência do banco central.

Lula usou um exemplo pessoal para defender uma tese: nos seus dois primeiros mandatos, o presidente do BC tinha autonomia para definir a taxa Selic. Não haveria, pois, necessidade da independência formal. Lula se equiparou, assim, a Luís XIV, o Rei Sol francês do século XVII, que em 72 anos de reinado se tornou o símbolo máximo do absolutismo. Egocêntrico, ele teria dito que “o Estado sou eu”, ou seja, a fonte máxima de poder e autoridade para estabelecer regras. Se não fosse Lula o presidente, como ficaria a autonomia do BC?

Adriana Fernandes - Nas mãos de Lula

O Estado de S. Paulo.

Haddad terá de gastar saliva para convencer pessoal do governo de que regra não é arrocho

É só o começo da guerra que Fernando Haddad, trava com a ala expansionista do governo e do PT em torno do anúncio do novo arcabouço fiscal. É uma guerra tribal, relata um interlocutor da coluna.

Enquanto Haddad quer e precisa mostrar uma nova regra fiscal que pareça robusta e crível, a ala expansionista do governo está fazendo de tudo para que o novo arcabouço seja o mais flexível e gradual possível no processo de reversão do déficit das contas públicas.

Como Haddad e três integrantes da sua equipe já deixaram claro que o modelo contém uma regra de controle das despesas, o ponto central que está pegando na definição do arcabouço é o que ficará de fora do limite de gastos. Quais os investimentos, os projetos prioritários. O que inclui o tamanho do novo PAC que Lula quer fazer.

Evangélicos querem isenção para igrejas até de impostos indiretos

Por Luísa Marzullo / O Globo

Proposta que amplia isenção tributária para igrejas ganha força na Câmara com adesão de governistas

Bancada evangélica mobilizou 336 deputados federais em prol da Proposta de Emenda à Constituição

Com aval do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e apoio de partidos da base de Lula, a bancada evangélica mobilizou 336 deputados federais em prol da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que busca ampliar a imunidade tributária para as igrejas no país. Os evangélicos, que angariaram uma série de benefícios durante a gestão Jair Bolsonaro, querem isenção também em impostos indiretos, aqueles que incidem sobre produtos e serviços, por exemplo. Para especialistas, esse novo modelo vai impactar diretamente na arrecadação dos estados.

A imunidade para os templo está prevista na Constituição, e o Supremo Tribunal Federal (STF) entende que a isenção se refere aos tributos diretos — tais como IPTU no imóvel da igreja ou IPVA para os carros no nome da entidade religiosa. Com a nova proposta, o deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) busca expandir a medida para as tributações indiretas. No caso de uma reforma do templo ou em obras comunitárias ligadas à igreja, por exemplo, o material de construção seria adquirido sem imposto.

Carlos Alberto Sardenberg- Dúvidas razoáveis?

O Globo

Sumir com um déficit de 2,3% do PIB em dois anos é uma proeza que só pode ser realizada com forte corte de gastos

Existem várias maneiras para controlar as contas públicas, mas, ao final, trata-se de uma combinação de receitas e despesas. Tem-se falado recentemente em controle pela dívida. Ocorre que o tamanho e a evolução da dívida dependem da relação entre receita e despesas. Se o gasto excede a arrecadação, surge um déficit que logo se torna dívida.

Também se pode avaliar a dívida não pelo tamanho absoluto, mas pela relação com o Produto Interno Bruto. Se a dívida permanece estável, e o PIB cresce, é claro que o quadro fiscal ganha equilíbrio. Mas a outra variável — a equação de receita e despesa — continua dominante.

Dirão:

— Mas que monte de obviedades!

Com razão.

Então por que estamos insistindo nisso? Porque toda essa conversa sobre o novo arcabouço fiscal parece caminhar em busca de algum truque para escapar daquelas obviedades.

O que se sabe?

Eduardo Affonso - É ruim, mas é bom

O Globo

As manchetes das análises econômicas têm sido um tanto bipolares. O desemprego é alto, mas está baixo. Projeta-se uma recessão, mas isso não é o fim do mundo. Lula acertou sobre o BNDES, apesar de ter errado.

É como se vivêssemos numa espécie de “Tudo em todo o lugar ao mesmo tempo”, só que sem o multiverso. Basta a tecnologia das conjunções adversativas, com o viés apontando para onde olhar com mais carinho — o que vem antes ou o que vem depois do “mas”.

No governo anterior, volta e meia algo despiorava. No atual, aqui e ali, algo desmelhora. Por exemplo, a redução dos juros do empréstimo consignado. Faltou combinar com os russos (os bancos) e com o mundo real (onde o pensamento mágico tem poderes limitados). A suspensão da linha de crédito foi um resultado inesperado para os jênios do Ministério do Trabalho — e previsibilíssimo para quem já leu “Introdução aos rudimentos básicos de economia para principiantes”. Juro baixo é como o colesterol: tem o bom e o ruim.

Pablo Ortellado - A política está adoecendo a esquerda?

O Globo

Uma pesquisa publicada no fim do ano passado disparou um grande debate nos Estados Unidos sobre a relação entre saúde mental e política. O estudo, publicado na revista SSM Mental Health, apontou uma correlação intrigante entre a identidade política dos adolescentes e uma escala que mede depressão. Estudantes do último ano do ensino médio (17 e 18 anos) que se identificam como “liberais” (na tradição americana, de esquerda) têm pontuação média significativamente maior na escala que mede depressão do que aqueles que se identificam como “conservadores”. A diferença aparece em toda a série histórica e, mesmo quando a depressão entre todos os adolescentes dispara, no começo dos anos 2010 (provavelmente pelo maior uso de mídias sociais), a pontuação é maior para adolescentes de esquerda e maior ainda para meninas de esquerda.

A recepção da pesquisa ficou restrita aos círculos acadêmicos até o fim de fevereiro, quando foi descoberta e passou a ser discutida nas redes sociais e na imprensa americana. O debate produziu dois tipos de explicação.

Marcus Pestana - Fascismo: totalitarismo e guerra

Seguimos hoje com mais um artigo da série sobre as correntes de pensamento que animaram as lutas políticas nos últimos séculos, tratando de um dos fenômenos históricos mais complexos e intrigantes da civilização moderna: o nazifascismo.

Um terremoto de grandes proporções se abateu sobre a Europa nas décadas de 1920, 1930 e início dos 40. Não é possível atribuir eventos tão trágicos que resultaram na Segunda Grande Guerra, no Holocausto e na crise econômica e social vivida no período, apenas à psicologia individual e aos atributos pessoais de Mussolini e Hitler. O líder, seja o “Dulce” ou o “Führer”, só pode ser compreendido dentro do contexto histórico que se configurou após a Primeira Grande Guerra e a crise monumental que se abateu sobre a Alemanha e a Itália, agravada pela Grande Depressão de 1929. É intrigante entender como dois líderes desequilibrados, sem empatia pelo ser humano, carismáticos, narcisistas, ególatras, violentos, conseguiram chegar ao poder pela via da democracia parlamentar e consolidar a mais terrível experiência totalitária em toda a história moderna – esqueçamos aqui o stalinismo já objeto de artigo anterior – com impacto em todo os cantos da Terra, na mais chocante guerra vivenciada pela Humanidade. O líder, ainda mais ditadores facínoras como Mussolini e Hitler, tem, sem dúvida, um papel crucial nos acontecimentos. Mas não chegariam e se manteriam no poder a não ser em determinadas condições históricas e obtendo consensos mínimos e apoio social em seus países.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Políticos precisam cumprir exigências da Lei das Estatais

O Globo

Liminar do ministro Lewandowski dispensou de quarentena líderes de partidos e campanhas eleitorais

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) tem a missão de rever a suspensão, pelo ministro Ricardo Lewandowski, de obrigações impostas pela Lei das Estatais. Em liminar feita sob medida para atender aos interesses do Planalto, Lewandowski dispensou lideranças de partidos e campanhas eleitorais de cumprir a quarentena de três anos antes de assumir cargos de direção nessas empresas.

Trata-se de um retrocesso evidente, por enfraquecer a legislação que tenta manter a gestão das empresas estatais imune à interferência de interesses políticos. Toda vez que políticos as subordinam a seus desígnios, estão dadas as condições para escândalos que resultam em prejuízos à sociedade e ao contribuinte — quando não em cadeia.

O interesse dos partidos em obter cargos para apaniguados nas estatais é evidente. É grande a pressa para indicar nomes neste início de governo. Daí o PCdoB — partido da base governista que entrou com o processo contra a Lei das Estatais — ter solicitado uma liminar sobre o assunto sem esperar o pedido de vista feito na semana passada pelo ministro André Mendonça no plenário virtual, onde tramita a ação. Para que a decisão de Lewandowski seja examinada também com rapidez, Mendonça decidiu então devolver o processo ao plenário físico.

Poesia | A Última Cantiga - de Cecília Meireles

 

Música | Alceu Valença e Orquestra Ouro Preto - Papagaio do Futuro

 

sexta-feira, 17 de março de 2023

Fernando Abrucio* - Brasil vive epidemia de intolerância

Eu & Fim de Semana / Valor Econômico

Nas últimas semanas, foram vários casos de preconceitos sociais vindos de indivíduos dos mais variados lugares da sociedade brasileira

Foram mais de dois anos de pandemia de covid-19, com um número enorme de mortos e sequelados no Brasil. A vacina nos salvou de uma situação pior e agora houve uma grande redução dos casos e dos óbitos. Há um quadro de quase normalidade, com todas as crianças na escola, as pessoas novamente indo a festas, shows e atividades esportivas, além do prazer inenarrável de voltar a frequentar o teatro. Mas nem tudo são flores, pois uma nova epidemia está assolando a sociedade brasileira: a praga da intolerância.

Nas últimas semanas, foram vários casos de preconceitos sociais contra nordestinos, mulheres, negros, transexuais/travestis, pessoas com deficiência e gente com mais idade (etarismo). Foram falas vindas de indivíduos dos mais variados lugares da sociedade brasileira, como empresários, parlamentares, estudantes, donas de casa e humoristas. O que chama primeiramente a atenção é que não são episódios isolados. Trata-se de uma epidemia de intolerância

José de Souza Martins* - As joias e o poder dos presentes

Eu & Fim de Semana / Valor Econômico

Episódio envolvendo Arábia Saudita e o governo brasileiro pode criar uma consciência crítica de que a confusão decorre do nosso atraso cultural e político

A estranha incerteza quanto ao destinatário das joias enviadas da Arábia Saudita, supostamente ao governo do Brasil, tem ocupado a atenção da mídia nos últimos dias. Talvez porque esse poderá vir a ser motivo de um caso policial.

Também no âmbito dessas relações, é crime alguém apropriar-se do que é público. E o que é homenagem pessoal ao governante deve revestir-se do valor e da modéstia do que é simbólica manifestação de respeito. A dádiva, nesses casos, não pode ser tão desproporcional à função de quem ocupa o poder que se torne manifestação de desrespeito ao país que ele governa.

Essa distinção fica difícil numa sociedade como a nossa, em que muitas pessoas e mesmo pessoas na política não distinguem entre o que é público e o que é privado. Temos uma história de corrupção política que expressa para muitos a naturalidade dessa confusão. O eleitor, não raro, entendendo que a apropriação privada do que é público é um privilégio inerente à função política.

Naercio Menezes Filho* - Reforma tributária

Valor Econômico

Mudança irá provocar mudanças na distribuição da renda real ao longo do tempo

O Congresso deverá analisar em breve a proposta de reforma tributária que está no plenário. A proposta deverá enfrentar dificuldades na tramitação, pois alguns setores perderão arrecadação. Quais são os principais pontos positivos e negativos da proposta? Como funcionará a desoneração da cesta básica e o “cash-back” para os consumidores pobres?

Em primeiro lugar, é importante entender como funciona a estrutura tributária brasileira. Segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil arrecada 32% do PIB com impostos, sendo 14% do PIB com impostos sobre bens e serviços, 7% com impostos sobre a renda, 8% com contribuições previdenciárias e o restante com demais impostos. A arrecadação total brasileira está em linha com a média dos países da OCDE e acima dos demais países latino-americanos.

Claudia Safatle - Lupi mexeu em vespeiro com juros do consignado

Valor Econômico

Bancos suspenderam o crédito e aguardam uma solução da Fazenda e Casa Civil

Começou ontem a prática de um teto de juros de 1,70% ao mês para o crédito consignado dos aposentados do INSS, conforme decisão de segunda feira do Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS).

O Ministério da Fazenda e a Casa Civil, no entanto, estão debruçados sobre uma alternativa a essa medida, que aparentemente beneficiaria os aposentados, mas que os atinge em cheio.

Ontem os bancos divulgaram nota avisando que estão suspensas, por tempo indeterminado, as operações de concessão de crédito novo, refinanciamento e portabilidade para o consignado do INSS.

O resultado da decisão do CNPS, cujo placar foi de 12 votos a favor e apenas 3 contra, portanto, vai ser secar a oferta de crédito, sobretudo para os aposentados com menor renda e para o público com idade mais avançada. Os de mais idade, quando morrem, a dívida simplesmente desaparece, entrando nas estatísticas de inadimplência, onde respondem por 70%.

Vera Magalhães - Marco fiscal já nasce refém

O Globo

Projeto entrou na roda da chantagem de Arthur Lira para manter sob seu poder a tramitação das medidas provisórias

De pouco parece ter adiantado o cuidado de Fernando Haddad ao costurar o fechamento da equipe econômica em torno do seu projeto de novo marco fiscal, tampouco a preocupação com que a proposta não vazasse antes de apresentada e referendada por Lula. O presidente tanto demorou para receber o ministro da Fazenda e dar atenção ao projeto mais importante da largada de seu governo que a proposta nem chegou ao Congresso e já sofre pressões de várias origens.

Além disso, não parece que haja mais tempo hábil para que a nova âncora fiscal seja analisada e digerida pelo Comitê de Política Monetária de modo a ter influência concreta na indicação de breve mudança na trajetória dos juros básicos da economia, uma vez que a reunião acontece nas próximas terça e quarta-feira.

A culpa de nada disso é de Haddad ou da área econômica, e sim, de novo, do presidente e de seu entorno político. Se Lula tem pressa em ver os juros caírem, pois isso seria crucial para a economia ganhar tração e sua popularidade subir, deveria priorizar a análise da proposta da Fazenda a qualquer outro compromisso. No entanto o que se viu nesta semana foi o presidente para cima e para baixo em agendas de menor relevância.

Rogério F. Werneck - O jogo do arcabouço fiscal

O Globo

No que tange à questão fiscal, os discursos de Fernando Haddad e do presidente da República estão gritantemente desalinhados

Não falta hoje quem se esforce para acreditar que o anúncio da tão aguardada proposta de um novo arcabouço fiscal dará, afinal, credibilidade ao suposto compromisso do novo governo com a gestão responsável das contas públicas, abrirá amplo espaço para a queda da taxa básica de juros e trará perspectivas bem mais promissoras para a economia nos próximos anos.

O ministro da Fazenda tem feito o possível para reforçar a esperança de que a deflagração desse círculo virtuoso está prestes a ocorrer. Em boa hora, decidiu antecipar a concepção do novo arcabouço fiscal. E, com o devido cuidado, preocupou-se com formar consenso entre ministros da área econômica em torno da proposta para, afinal, conseguir que seja respaldada pelo Planalto e submetida ao Congresso.

Flávia Oliveira - É promessa de vida

O Globo

Não é surpresa o país que naturaliza o extermínio de jovens ridicularizar o envelhecimento dos adultos. No Anuário Brasileiro da Segurança Pública 2022, a taxa de homicídio na faixa etária de 20 a 29 anos (55,6 por 100 mil habitantes) é mais que o dobro da média nacional (23,2). Uma sociedade que não preza a vida em amadurecimento é incapaz de celebrar a longevidade. Desde 1991, a esperança de vida no Brasil aumentou dez anos; saiu de 67 para 77 anos. Um brasileiro que chegou aos 40 anos em 2021 tinha perspectiva de viver mais quatro décadas, informou o IBGE na última divulgação da Tábua de Mortalidade, mesmo com o excesso de mortes decorrentes da pandemia de Covid-19. Em vez de bênção, constrangimento. Nesta semana, o debate sobre etarismo emergiu da cena em que três estudantes de biomedicina de 20 e poucos anos debochavam da colega de 45, Patrícia Linares. Trataram-na como se chegar ao ensino superior na maturidade fosse demérito, não fé no futuro, promessa de vida.

Luiz Carlos Azedo - Volta de Ibaneis sinaliza esgotamento das medidas de exceção

Correio Braziliense

A volta de Ibaneis ao cargo para o qual foi reeleito sinaliza que as medidas de exceção adotadas por Moraes contra os golpistas estão se esgotando, devido à necessidade de preservar o devido processo legal

Depois de 66 dias de afastamento, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), Ibaneis Rocha (MDB) reassumiu ontem o cargo de governador do Distrito Federal, do qual havia sido afastado na tarde de 8 de janeiro, pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do processo que apura a tentativa de golpe de Estado. O motivo do afastamento foi a suspeita de que se omitiu em relação à ação das forças de segurança sob seu comando.

“Foram dias muito difíceis, mas esse afastamento que tivemos ao longo desse período foi necessário. A invasão dos prédios do Congresso, do STF e do Palácio do Planalto foram significativos para a história deste país”, admitiu Ibaneis, ao reassumir o cargo. Classificou como um “apagão” o comportamento das forças policiais sob seu comando, num cenário de inoperância generalizada. “Houve um relaxamento geral. A Força Nacional também não atuou”, disse.

Bernardo Mello Franco - O apagão de Ibaneis

O Globo

Governador do DF omite alertas ao dizer que invasão dos palácios era ʽimprevisívelʼ

Um “apagão geral”. Assim o governador do Distrito Federal descreveu a inação da polícia diante dos atos golpistas de 8 de janeiro. Ao reassumir o cargo, Ibaneis Rocha tratou a depredação dos palácios como uma mera fatalidade. “Foi uma coisa imprevisível”, disse.

Na decisão em que autorizou a volta do governador, o ministro Alexandre de Moraes ressaltou que ele continua sob investigação. Ibaneis preferiu entender que já estaria absolvido. “Tenho consciência de que não devo nada à Justiça”, sentenciou.

O emedebista também tentou salvar a pele do ex-secretário Anderson Torres, preso há dois meses por ordem do Supremo. “Não foi culpa do Anderson”, garantiu.

Bruno Boghossian - ‘Conjunto da obra’ na mira TSE

Folha de S. Paulo

Minuta golpista deve ser avaliada pelo tribunal como parte de pacote de abuso de poder

TSE ouviu o ex-ministro Anderson Torres por uma hora e meia sobre a minuta golpista que ele guardava em casa. O aliado de Jair Bolsonaro fez pouco caso da papelada. Chamou o documento de lixo, ainda que estivesse numa pasta do governo, e disse que o texto era folclórico, embora seu chefe admita que buscava uma saída para a derrota nas urnas.

O tribunal não esperava coisa diferente de Torres, um bolsonarista fiel. Mas o depoimento cumpriu uma etapa no plano para tornar a minuta uma peça central da ação que pode tornar Bolsonaro inelegível.

Hélio Schwartsman - Impostura autoritária

Folha de S. Paulo

É grave tentar estender à população um núcleo particular de crenças

Senado instalou sua própria bancada evangélica, com o objetivo de tentar barrar a legalização dos jogos de azar e enfrentar pautas que podem ampliar o acesso ao aborto ou descriminalizar as drogas, além de defender a liberdade religiosa.

Sou liberal. Religiosos têm todo o direito de achar que jogoaborto (ou mesmo sexo) e drogas são pecado. Sendo este o caso, têm o dever moral de convencer seus fiéis a ficar longe dessas obras do demônio. Podem, se quiserem, jogar pesado na consecução dessa meta. Os católicos, por exemplo, inventaram um engenhoso sistema de excomunhão automática ("excommunicatio latae sententiae") para quem se envolver com abortos. Não sei se funciona (apostaria que não muito), mas não vejo problema em religiões (ou clubes) se valerem de regras próprias, ainda que esdrúxulas ou draconianas, desde que abraçadas voluntariamente por seus membros.

Reinaldo Azevedo - 'Uzmercáduz' são a nata reacionária

Folha de S. Paulo

Você pertence ao setor de proteína animal porque consome um bife?

Pesquisa da Genial-Quaest divulgada na quarta (15) revela mais do que a opinião de 82 executivos do mercado financeiro. Expõe o núcleo do reacionarismo nacional, um pedaço da economia de mercado corroída pelo "mercadismo" burro, a contaminação desses luminares pelo bolsonarismo troglodita, o flerte com um país ética e moralmente degenerado e, adicionalmente, um provável descuido com o dinheiro de terceiros.

Nota: há certo esforço para tornar "Uzmercáduz" um ente metafísico. Nos termos de Gil Vicente, seriam "Todo Mundo" e "Ninguém". Assim, se você tem uns caraminguás depositados, seria mercado também. Conversa mole. A Quaest ouviu 82 pessoas. Acertadamente, não estou na lista. E você? A composição da amostra, ademais, não é a de uma pesquisa eleitoral. O fato de que seríamos todos punidos por um calote da dívida não nos torna parte "d’Uzmercáduz". Não atuo no setor de proteína animal só porque como um bife, embora seja certo que, sem boi, não tem carne.

Vinicius Torres Freire - Vaquinhas de bilhões para bancos

Folha de S. Paulo

Remendos contêm mais falências, mas crises financeiras vêm em ondas e deixam cicatriz

O Banco Central da Suíça ofereceu empréstimo de até 50 bilhões de francos suíços para o Credit Suisse. O bancão vai pegar muito desse dinheiro, pois estava no bico do corvo. Esse cheque especial monstruoso equivale a 6,7% do PIB da Suíça. Mal comparando, seria como se o BC do Brasil oferecesse R$ 674 bilhões para um bancão bichado.

O número serve apenas para dar uma ordem de grandeza do problema. Não serve para outra elucubração.

Nos Estados Unidos, bancões e pares menores fizeram uma vaquinha para depositar US$ 30 bilhões (R$ 157 bilhões) no First Republic, banco de ricos da Califórnia, que vinham sacando o dinheiro por temer destino igual ao do SVB.

Os remendos fizeram algum efeito. Bolsas subiram, taxas de juros pararam de despencar etc. Acabou a crise?

Eliane Cantanhêde – O mundo (ainda) não desabou

O Estado de S. Paulo

Haddad: ‘Objetivo não é aumentar alíquotas, é fazer quem não paga passar a pagar’

A turma do Ministério da Fazenda estava para lá de preocupada com os sacolejos do Silicon Valley Bank (SVB) e do Credit Suisse, mas alguém mantinha a cabeça fria na quarta-feira à tarde, no pico da insegurança: o ministro Fernando Haddad, apostando que a crise não passaria dali e, se passasse, não afetaria, ou dificilmente afetaria, o sistema bancário brasileiro.

“A regulação bancária do Brasil é muito superior e mais rígida do que a americana e a europeia”, me disse o ministro, reconhecendo que, ao longo de quatro crises internacionais no governo FHC e da quebra do Bamerindus e do Marka FonteCindam, o sistema foi se aperfeiçoando até chegar ao Proer, por exemplo. “Se a crise ficar do tamanho que está, tudo bem”, acrescentou, minutos antes de seu assessor trazer a boa notícia: o compromisso do banco central da Suíça com US$ 54 bilhões para o Credit Suisse, segundo maior banco do país.

Fernando Gabeira - Um governo que começa

O Estado de S. Paulo

É preciso andar rápido e bem, pois a extrema direita recuou após o 8 de janeiro, foi golpeada com o escândalo das joias, mas está sempre pronta a ressurgir

O ano político começa, de fato, com o envio do projeto de arcabouço fiscal ao Congresso e, em seguida, o debate sobre a reforma tributária. Alguns anos começam mais tarde, outros custam a acabar, como o último de Bolsonaro. Foi prolongado pelos acontecimentos de 8 de janeiro, a tragédia Yanomami e, agora, mais recentemente, o escândalo das joias presenteadas pela Arábia Saudita.

A reforma tributária é vista por muitos como um projeto que vai fazer o País avançar, tanto quanto o Plano Real, no passado. Há um otimismo em relação ao resultado, mas também em relação às possibilidades. Parece que o tema amadureceu e a maioria no Congresso concorda em aprovar algum tipo de texto nesse sentido.

Como o tema envolve muitos interesses conflitantes, há quem duvide da sua viabilidade, com o argumento de que a reforma foi tentada muitas vezes e fracassou. De fato, há um emaranhado de interesses, mas é difícil de ver o tema com o olhar da história natural, uma simples repetição, como o curso das estações do ano.

Nathalia Rocha - No ‘nós contra eles’ vai todo mundo perder

O Estado de S. Paulo

Proteção ambiental pode ser o eixo temático para construir uma visão única sobre o Brasil que queremos

Todo brasileiro tem um conflito: o orgulho do nosso país e de suas potencialidades e a frustração pelo choque entre aquilo que ele poderia ser e aquilo que ele é. O sentimento descrito por Darcy Ribeiro – “tenho tão nítido o que o Brasil pode ser, e há de ser, que me dói demais o Brasil que é” – talvez encapsule este misto de esperança e insatisfação. A construção deste Brasil do qual possamos nos orgulhar seguirá como uma promessa enquanto não conseguirmos construir uma visão compartilhada daquilo que queremos.

Tomemos a agenda de mudanças climáticas, um dos principais desafios que temos a enfrentar. A maioria dos brasileiros (96%) reconhece que o aquecimento global já está acontecendo e 77% consideram importante proteger o meio ambiente, ainda que isso signifique menor crescimento econômico e menos empregos. Os dados da pesquisa Mudanças climáticas na percepção dos brasileiros, realizada pelo Ipec a pedido do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS) e da Universidade

Celso Ming - Alívio na crise bancária global

O Estado de S. Paulo

A crise financeira global foi aparentemente revertida com firme atuação (intervenção) dos bancos centrais e de organismos reguladores. Mas há questões à espera de solução.

O colapso de liquidez do Credit Suisse, o segundo maior banco da Suíça, foi solucionado com a abertura de créditos de 50 bilhões de francos suíços (US$ 53,7 bilhões) pelo Banco Nacional da Suíça (banco central), contra garantias em ativos do banco. Não ficaram claras outras condicionalidades exigidas ao Credit. Algumas informações dão conta de que, além da correção das tais inconsistências acusadas em balanço, há em vista possível fusão com seu principal concorrente, o União de Bancos Suíços (UBS). É providência a conferir.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Crise em bancos estrangeiros traz dilema monetário

O Globo

Depois de o Banco Central Europeu elevar juros, dúvida é se Fed relaxará combate à inflação para aliviar tensão

Desde a quebra do Silicon Valley Bank (SVB) e do Signature Bank dias atrás, o mundo passou a seguir os movimentos das autoridades americanas para desarmar o risco de uma crise bancária com desdobramentos globais. Do outro lado do Atlântico, o Credit Suisse, considerado um dos 30 bancos críticos para o sistema financeiro global, revelou estar em apuros e recebeu socorro de US$ 54 bilhões do banco central suíço. As medidas tomadas por americanos e suíços enfraqueceram os prognósticos catastrofistas. Ainda assim, a situação exige cautela e tornou evidentes desafios de regulação e política monetária.

As dúvidas começaram a ser respondidas ontem pelo Banco Central Europeu (BCE). Ao manter o aumento previsto na taxa de juros da Zona do Euro — de meio ponto, para 3% —, o BCE transmitiu um recado de que não vê risco de contágio no sistema financeiro a ponto de mudar a política de combate à inflação. Os olhos se voltam agora para a decisão do Fed na semana que vem. É uma decisão menos evidente.

Poesia | O Analfabeto Politico, de Bertolt Brecht

 

Música | Despejo na Favela/Abrigo de Vagabundo (Adoniran Barbosa)