O Globo
Fachin terá de ter muito pulso para dirigir a
sessão hoje, porque ainda haverá várias tentativas de adiamento
A diversificação de ações para tentar adiar a
sessão que deve começar hoje de manhã no Supremo Tribunal Federal (STF)
demonstra que o grupo que apoia o ministro Alexandre de Moraes receia perder a
parada e está disposto a uma briga de foice no escuro, à Tarantino. O ministro
Gilmar Mendes já avisou:
— Quem não gosta de pisão não vai ao bailão.
O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, mostra-se firme na decisão de realizá-la e, como será o primeiro a votar, dará o rumo do debate, tanto limitando-o ao tema único de hoje, o pedido de investigação de Moraes, quanto determinando a melhor maneira de preservar a instituição máxima da nossa Justiça e, por tabela, da própria democracia brasileira. Os que se gabavam de ter salvado a democracia durante a tentativa de golpe do bolsonarismo e suas consequências hoje põem em risco o que consideram ter salvado, pois o poder que ganharam no correr dos tempos fez o que os deuses já previam e os homens definiram na História: poder em excesso corrompe completamente.
No STF, o grupo que tenta não realizar a
votação hoje manobra para adiar a sessão com várias artimanhas. Uma delas seria
algum ministro pedir vista, o que adiaria a decisão em até 90 dias, depois da
eleição, portanto. Mas há um movimento de antecipar o voto, da turma a favor da
investigação de Moraes. Se isso acontecer, e ficar firmada a maioria, serão 90
dias com ele já marcado, embora os ministros ainda possam mudar de votos nesse
período. Moralmente, será uma condenação, com a presença de ex-ministros e
ex-presidentes do STF que querem a investigação.
Fachin terá de ter muito pulso para dirigir a
sessão hoje, porque ainda haverá várias tentativas de adiamento. O caso Master
em si não tem influído na decisão do eleitor na hora de escolher seu candidato
à Presidência, como mostra a recente pesquisa da Quaest, mas inflama a
militância da direita e os bolsonaristas. O reflexo pode estar na primeira vez
em que Flávio Bolsonaro ultrapassa numericamente Lula no segundo turno, ainda
que em empate técnico.
É sinal de que a disputa continua
acirradíssima. Tudo indica que será assim até o final, como em 2022. Os outros
candidatos ficaram na poeira. Pela mudança apontada no segundo turno, podemos
ver que a tendência da maior parte dos votos dos outros candidatos é ir para
Flávio. Lula perdeu muito apoio dos independentes, que votaram nele em 2022,
porque não cumpriu a promessa de união nacional. Flávio tem conquistado a
maioria dos votos desse grupo e está com votação forte no Sudeste, região com
maior número de eleitores. A tendência no momento é a favor de Flavio, mas a
diferença é muito pequena, um empate técnico que permanece há algumas semanas.
Neste momento o candidato oposicionista
avança sobre nichos eleitorais que já foram majoritários em favor de Lula:
mulheres, Sudeste, independentes. Ficaram também reduzidas as escolhas do
presidente em setores em que ainda é majoritário, sugerindo perda de tração às
vésperas da eleição. No Sudeste, maior região eleitoral do país, onde estão os
três maiores eleitorados (São Paulo, Minas e Rio), Flávio abriu 16 pontos sobre
Lula.
A abertura, pelo ministro Flávio Dino, do
sigilo da investigação sobre o filme “Dark horse”, hagiografia do ex-presidente
Jair Bolsonaro, pode trazer novos dados que prejudiquem a campanha
oposicionista, mas o que realmente poderia mudar a tendência seria provar que o
dinheiro de Vorcaro sustenta a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados
Unidos.

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