- Folha de S. Paulo
Disposição em normalizar ditadura é fruto apodrecido da campanha
Quase um terço dos brasileiros acha que o legado da ditadura militar foi positivo para o país. Na última pesquisa do Datafolha, 32% dos entrevistados disseram que houve mais realizações boas do que ruins no regime autoritário. Há quatro anos, esse índice era de 22%.
Um dos frutos apodrecidos da campanha eleitoral deste ano é uma aparente disposição em normalizar os horrores do autoritarismo e da tortura. A defesa aberta do regime feita pelo líder da corrida presidencial e a leniência das instituições contribuem para o retrocesso.
A relativização ganhou ares oficiais quando o chefe do STF, Dias Toffoli, disse que a deposição do presidente da República em 1964 não foi um golpe militar, mas um “movimento”.
Nesta quarta (24), o TSE mandou suspender, pela segunda vez, uma propaganda do PT que vinculava Jair Bolsonaro ao torturador BrilhanteUstra. Para o ministro Luís Felipe Salomão, o vídeo “pode criar [...] estados passionais com potencial para incitar comportamentos violentos”.
Bolsonaro disse no Roda Viva, em julho, que “abomina” a tortura, mas se desmentiu logo depois. Insinuou que “este pessoal que se diz torturado” inventa histórias para obter indenizações e respondeu que Ustra era o autor de seu livro de cabeceira.


























