Editoriais
Além da Petrobras
Folha de S. Paulo
Com nova troca, Bolsonaro mostra que
projeto eleitoral ignora lógica e escrúpulo
Jair Bolsonaro (PL) e seus adeptos lançaram
nova ofensiva da campanha para conter —ou parecer que tenta conter— os preços
dos combustíveis e da energia elétrica.
O governismo abriu mão de impostos, com
aumento da dívida pública; quer impor cortes de tributos a estados e
municípios, suspender no Congresso reajustes de energia elétrica e ensaia
promover um tabelamento de preços ao menos temporário na Petrobras.
Não foi por outro motivo que o candidato a
reocupar o Planalto demitiu o
terceiro presidente da petroleira em menos de quatro anos, no cargo
havia meros 40 dias. Bolsonaro cria instabilidade a fim de obrigar a direção da
estatal a segurar a alta dos combustíveis. Os reajustes já têm sido espaçados.
O mandatário e sua trupe populista querem
financiar a aquisição de alguns pontos nas pesquisas de voto por meio da
apropriação de receitas de governos estaduais e municipais, da redução forçada
do faturamento da Petrobras e da instabilidade do setor elétrico.
É incerto se a frente vai alcançar integralmente seus objetivos. Seja como for, terá conseguido ao menos difundir ainda mais a percepção de que estabilidade administrativa, contratos, estatutos, leis e normas de responsabilidade orçamentária correm risco no país sob a atual administração.

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