terça-feira, 10 de setembro de 2024

Pedro Doria – Tem um clima pintando

O Globo

O banimento do X, no Brasil, não é um gesto isolado

Nos acostumamos, no Brasil, a enxergar os acontecimentos nacionais pelo nosso umbigo. Como se tudo fosse jabuticaba, algo nosso particular. Mas o país não é uma ilha, e estamos mais envolvidos no centro dos grandes debates globais do que muitos se permitem perceber. A decisão de banir a plataforma X já completa uma semana e, diferentemente do que o debate público faz parecer, ela não é um evento isolado.

No fim de agosto, a polícia francesa prendeu Pavel Durov, dono do Telegram. Ele é acusado de ser permissivo com conteúdo envolvendo pornografia infantil na plataforma. Foi liberado sob fiança de € 5 milhões, deve comparecer à delegacia duas vezes por semana e está proibido de deixar a França enquanto aguarda julgamento. Durov tem um discurso similar ao de Musk: considera que não deve controlar o que se fala no espaço digital que criou.

Pedro Cafardo - Por que o sr. D agradece a Tombini, Ilan e Campos Neto

Valor Econômico

Nos últimos 20 anos, para quem tem capital, mesmo pequeno, foi mais fácil e seguro viver de renda do que tentar empreender

Este texto é sobre uma história simples, mas que sugere reflexão, contada pelo senhor D. Ele começa com um agradecimento aos três presidentes do Banco Central dos últimos dez anos: Alexandre Tombini, Ilan Goldfajn e Roberto Campos Neto, respectivamente nomeados por Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.

No início, a narração dele parece irônica, própria de um crítico da política de juros altos do BC. Mas em seguida ele faz um relato detalhado de seus ganhos financeiros em dez anos. Fica uma dúvida sobre a ironia.

O senhor D conta que em 2014, aos 55 anos, decidiu antecipar sua aposentadoria como empregado celetista para abrir um negócio, uma pequena metalúrgica de precisão, sua área de especialização. Ficou animado com a expectativa de criar a empresa com o dinheiro que receberia de Fundo de Garantia, férias atrasadas e outras indenizações. Mas surpreendeu-se ao ver que, feitas as contas, acabou com uma bolada de R$ 3 milhões, incluindo aí poupança que já tinha no banco e indenização da mulher, a senhora D, que também optou pela aposentadoria antecipada.

Míriam Leitão - Os problemas e a briga da direita

O Globo

Bolsonaro conseguiu levar milhares para a Paulista, mas coleciona derrotas que vão do fracasso de candidatos às brigas na extrema direita

Jair Bolsonaro conseguiu reunir uma multidão na Avenida Paulista, mas, ao mesmo tempo, viu as fraturas dentro do seu grupo e já sabe que vai perder a eleição no seu reduto. Na Polícia Federal prosseguem outras investigações que podem levar a novos indiciamentos tanto dele, quanto do seu candidato no Rio. A direita extrema se divide e não surge daí uma linha democrática. Do ponto de vista das ideias, a emergência climática é outra complicação. Atinge em cheio o negacionismo desse grupo político e da parte do agro que o apoia. Não há mais como negar.

A escolha do ministro Alexandre de Moraes como alvo do dia 7 de setembro é bem óbvia. Ele é o presidente do inquérito que mais ameaça Bolsonaro e a todos os que cometeram crimes na preparação e na execução da tentativa de golpe de 8 de janeiro. Por isso, ele diz que Moraes é “pior do que Lula”. Lula o derrotou em 2022. Moraes pode mandar prendê-lo. O ataque a Alexandre de Moraes tentou aproveitar o momento em que o ministro sofreu desgaste com a suspensão do X e por ter supostamente quebrado o rito ao pedir ao TSE informações públicas sobre perfis que defendiam golpe de Estado.

Maria Cristina Fernandes - Bolsonaro perde o monopólio da direita

Valor Econômico

Hoje Marçal assusta o eleitor moderado como Bolsonaro também o fazia antes de se eleger, mas é ofensiva estratégia para herdar seu eleitorado

O bolsonarismo arrumou uma encrenca com o ato de 7 de Setembro. A ideia era se valer da força da direita na eleição paulistana e da última grande efeméride antes da disputa pelas mesas diretoras para bombar duas pautas que passam pelo Congresso: a anistia pelo golpismo do 8/1 e o impeachment do ministro Alexandre de Moraes.

Findou passando recibo para a concorrência de Pablo Marçal. O candidato do PRTB não se limitou a transformar a Avenida Paulista no laboratório de sua preferência no eleitorado bolsonarista. Saiu ovacionado ao se evidenciar como herdeiro de Jair Bolsonaro num ato convocado para pressionar pela devolução dos direitos políticos do ex-presidente. Não foi por 2024, mas por 2026 que se puseram em conflito.

Joel Pinheiro da Fonseca - A direita tem dono?

Folha de S. Paulo

Marçal não é mero 'voto de protesto', como Tiririca foi no passado

Narcísico, megalomaníaco, soberbo e lacrador foram alguns dos xingamentos usados por Silas Malafaia para se referir a Pablo Marçal depois do protesto de 7 de Setembro na Paulista. O motivo do protesto era, em tese, a liberdade de expressão, mas o que se viu na avenida foi mais um ato político do bolsonarismo.

O curioso é que o público do bolsonarismo parece estar ficando menos… bolsonarista. E não é que tenha aberto mão dos valores que movem o movimento. Só mostra disposição de se descolar da liderança de Bolsonaro para votar em outros que melhor os incorporem. Grande parte deles pretende votar, não no candidato apoiado por Bolsonaro, Ricardo Nunes, e sim em Pablo Marçal.

Muito se pode criticar a direita brasileira, mas uma coisa ela tem mostrado: é mais fiel a seus valores que a seus líderes. O mesmo não se pode dizer da esquerda brasileira, que dos anos 90 até hoje tem apenas um e único líder.

Dora Kramer - Do medo nada se leva

Folha de S. Paulo

Guardiões da legalidade não devem ser temidos nem estimados, mas respeitados

O que se ouviu na avenida Paulista no último sábado, 7 de Setembro, algum efeito terá sobre deputados e senadores. O Senado, no entanto, não atenderá aos pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes nem a Câmara aos de anistia para condenados pelos atos golpistas que culminaram no 8 de janeiro de 2023.

Ao menos não na atual composição do Congresso. Disso sabem as lideranças, cujo estrato mais identificado com aquelas propostas aposta na pressão permanente na expectativa de que o ambiente lhe seja mais favorável depois da eleição de 2026.

Rosane Borges - Capitalismo canibal: como se opor?

Folha de S. Paulo

Fim de modelo exige, entre outras coisas, a superação do reducionismo econômico

"Capitalismo Canibal" (ed. Autonomia Literária), de Nancy Fraser, é daquelas obras que chegam em hora oportuna com um título que consegue expressar a máxima "o conceito alcançou a realidade". A filósofa e feminista recoloca o capitalismo em cena, uma vez que, segundo ela, o termo esteve fora dos escritos dos pensadores marxistas nas últimas décadas.

O livro defende que "o capital está destruindo todas as esferas da vida, consumindo a riqueza da natureza, aprofundando o racismo, sugando a nossa capacidade de cuidar uns dos outros e destruindo a prática política". Todos esses tópicos compõem o cartão postal do nosso tempo e configuram o capitalismo do século 21.

Eliane Cantanhêde - Fumaças e erros no ar

O Estado de S. Paulo

Brasil: envolto em fumaça e andando em círculos na política externa, sem chegar a lugar nenhum

Ao vencer a eleição de 2022 e anunciar ao mundo que “o Brasil voltou”, o presidente Lula trazia com ele alívio pelo fim do governo Bolsonaro e expectativa do retorno de políticas públicas essenciais, reinserção do País no mundo e recuperação da liderança na área ambiental. Em resumo, Lula prometia repetir os acertos e deixar para trás os erros dos dois mandatos anteriores. Tem sido assim?

“Pária internacional” com Bolsonaro, o Brasil colhe fracassos com Lula, como mediador nas guerras de Rússia e Ucrânia e de Israel e Palestina e a política externa anda em círculos, sem chegar a lugar nenhum, não por culpa do Itamaraty. Lula e o assessor Celso Amorim jogaram as expectativas lá em cima, mas o Brasil não teve fôlego para tanto.

Carlos Andreazza - A punição eleita

O Estado de S. Paulo

Vote não por realizações de governo. Por forra instantânea

A campanha de Pablo Marçal tem fundamento na ideia de punição. É explícito. Declarado mesmo. Algo de intensidade sem precedente no Brasil.

Vote – não para eleger – para punir. Não por realizações estruturais de governo. Por forra instantânea. Um discurso construído sobre a projeção-promessa, para efeito em curtíssimo prazo, do castigo.

Do castigo – eis a bênção prometida – ao que representariam os adversários, atores num velho teatro entre farsantes.

Vote e puna. Vote para punir. Vote punindo. Eleja a punição.

Não há discurso – incluídos debates e entrevistas – em que Marçal não peça voto como instrumento para punir. Para humilhar. É o compromisso do candidato. Vote e, ao contabilizar da urna eletrônica, seja patrono do achincalhe geral. Danem-se os quatro anos contratados, se condenada a corriola já.

Rubens Barbosa - Oceanos e desafios climáticos

O Estado de S. Paulo

Incluir os oceanos como componente central nas estratégias de mitigação e adaptação às mudanças climáticas será fundamental para o sucesso das negociações nas COPs

Os oceanos, fundamentais para a manutenção da vida na Terra, nem sempre estão entre as principais prioridades climáticas globais. Eles são responsáveis pela maior parte da produção do oxigênio no planeta, atuam como absorvedores de carbono e reguladores climáticos, possuem uma rica biodiversidade e sustentam milhões de pessoas em todo o mundo. Apesar de sua importância, a proteção dos oceanos não tem a visibilidade que têm o desmatamento e as emissões de gases de efeito estufa na agricultura e na indústria.

Reconhecendo essa negligência, a ONU criou a Década do Oceano (2021-2030) para destacar a importância dos oceanos na agenda global. Essa iniciativa busca promover a conservação marinha e o uso sustentável dos recursos oceânicos.

Jorge J. Okubaro - Devolver a capacidade de sonhar

O Estado de S. Paulo

Com recursos, disposição, organização e seriedade, é possível melhorar a vida das pessoas e abrir horizontes para jovens e crianças em condição de vulnerabilidade

Ainda neste ano as 220 mil pessoas que vivem em Heliópolis, a grande comunidade instalada nos limites da Capital com a cidade de São Caetano Sul, ganharão uma sala de concerto para 533 espectadores e com palco para orquestra de cem músicos. O responsável pela obra é o Instituto Baccarelli, organização sem fins lucrativos que há mais de 27 anos se instalou em Heliópolis e realiza um trabalho social com crianças e jovens em situação de vulnerabilidade. Trata-se de um projeto idealizado em 2005, para abrigar a Orquestra Sinfônica Heliópolis.

Luiz Carlos Azedo - Lula nomeia deputada negra para Direitos Humanos

Correio Braziliense

Macaé Evaristo assume uma pasta na esfera de controle político da primeira-dama Janja da Silva, que interferiu diretamente na crise que levou à demissão de Silvio Almeida

O desfecho da crise aberta pelas denúncias do MeToo Brasil contra o ex-ministro dos Direitos Humanos Silvio Almeida — que foi escrachado publicamente e demitido do cargo, por suposta importunação e assédio contra a ministra da Integração Racial, Anielle Franco, e outras mulheres —, seguiu o roteiro previsível: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ontem, nomeou para o cargo a deputada estadual de Minas Gerais Macaé Evaristo (PT), que já era uma das mais cotadas para a pasta, ao lado da deputada federal Benedita Silva (PT-RJ). O ex-ministro ainda esperneia, nega as acusações e revela bastidores da disputa política com Anielle.

A própria natureza da crise foi determinante para a sucessão do ministro por uma mulher negra e petista. "Recebi um convite muito afetivo do presidente Lula, que diz conhecer minha trajetória de luta pelos direitos humanos e antirracista", disse Macaé, que é muito ligada ao ex-governador Fernando Pimentel.

Poesia | Poema que aconteceu, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Zeca Pagodinho - Do jeito que o Rei mandou (Sambabook João Nogueira)

 

segunda-feira, 9 de setembro de 2024

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Nova reforma da Previdência se tornou mais urgente

O Globo

Com envelhecimento mais veloz da população, efeitos das mudanças de 2019 se esgotarão já em 2027

Foi-se o tempo em que o termo “pirâmide etária” descrevia a distribuição da população brasileira por idade. O país envelhece, cai o número de filhos por mulher, e hoje o gráfico nada mais tem a ver com a clássica pirâmide, em que a grande quantidade de jovens na base sustenta os mais velhos no topo. Ao longo dos próximos anos, como mostram as projeções do IBGE, seu formato se aproximará mais e mais de um pentágono, com uma população de jovens bem menor que a dos idosos na posição superior do gráfico.

O sistema brasileiro de Previdência, por ser de repartição — contribuintes que entram no mercado formal pagam a aposentadoria dos que saem —, sofrerá impacto imediato do envelhecimento populacional. A tendência de queda nos contribuintes do INSS e de crescimento no contingente de aposentados levou à reforma aprovada em 2019, estabelecendo idades mínimas mais altas (62 anos para mulheres e 65 para homens) — com inúmeras exceções e regras de transição que permitem aposentadoria mais cedo.

Paulo Fábio Dantas Neto** - Perguntas e conjecturas sobre assédio e subpolítica: Lete...Eris...Poseidon *

Permitam-me tentar falar sobre o que considero haver de política, implicado na situação crítica que envolve, nos últimos dias, o agora ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, a ministra Anielle Franco, da Igualdade Racial, a ONG Me Too Brasil, a primeira-dama Janja da Sllva e o governo federal.

O propósito de falar em política, quando o tema da trama é assédio sexual, justifica-se, como é óbvio, porque o acusado, no momento da acusação e do possível delito, era um ministro, assim como é ministra uma das virtuais acusadoras. Claro (não precisaria dizer, mas no ambiente atual, é preciso) que não subestimo as histórias pessoais, nem as questões de gênero, muito menos o crime, se cometido, ainda mais pelo papel público do seu presumido agente. E também não acho que política é mais importante do que isso, ou aquilo. Só penso que em nome disso ou daquilo não se deve fechar olhos, ouvidos e mentes também para o que ocorre com a política, quando ela se entrelaça com temas tais. Principalmente se passam a ser objeto de uma subpolítica, crente de que “tudo é pequena política”.

Penso que precisamos de um grau minimamente satisfatório de qualidade na política para termos condições de empreender ações em torno de causas sociais, econômicas, culturais ou existenciais, inclusive as da igualdade de gênero e de raça. Uma política que cheira mal atrapalha tudo isso. E nesse caso, o cheiro é de um vale-tudo sufocante, que olfatos ativos e sensíveis não conseguem racionalizar.

Fernando Gabeira - O fascínio da riqueza nas redes e na política

O Globo

As políticas públicas precisam funcionar, e a prosperidade obedecer a alguns princípios éticos

Há duas semanas, eu disse na TV que Pablo Marçal usava uma aura de sucesso profissional e prosperidade para seduzir a juventude da periferia. As patrulhas caíram em cima, por acharem que não o criticava com vigor. Ignoram meus artigos e não percebem que eu apenas buscava uma vereda de análise para entender um fenômeno político.

Com a prisão no Recife da advogada Deolane Bezerra, posso voltar ao tema, com um pouco de calma. Ela tem 20 milhões de seguidores. O exame de suas postagens nas redes sociais mostra Deolane testando carros de luxo, navegando com a família, saindo carregada de compras de uma loja da Louis Vuitton. Tudo com a ajuda de Deus.

Miguel de Almeida -A solidão da militância

O Globo

Pedia-se tolerância religiosa, passaram a perseguir as religiões afro-brasileiras

Faz pouco, as ruas quase só eram ocupadas pelos movimentos de esquerda. Com as redes sociais e o fim do imposto sindical, a militância mudou de mãos. Sob nova administração, a defesa da liberdade de expressão tornou-se um mantra onipresente.

Antigas bandeiras como moradia popular ou menos desigualdade econômica foram substituídas no discurso, e algumas vezes na prática, pela rejeição às cotas sociais, pela volta da ditadura militar e pela estridente homofobia. Ah, pediu-se tolerância religiosa enquanto passaram a perseguir as religiões afro-brasileiras.

A coerência não é um atributo da política. Nela, ao contrário do que dizia Gertrude Stein, uma rosa não é uma rosa. Ao falar de democracia, a prática da extrema direita mostra a tentativa de erodir a coesão social. O intuito é o reino do medo. As inconstâncias propiciadas pelas novas tecnologias ajudam na venda de um futuro apocalíptico. Por que será que o Inferno surgiu com as religiões? Ainda bem que na Idade Média inventaram o Purgatório — na lojinha da fé, já é uma pechincha.

Irapuã Santana - Atenção à política do idoso

O Globo

É importante procurar saber o que o candidato em quem você pretende votar fará a respeito dos idosos

número de pessoas com mais de 65 anos no Brasil ultrapassou 22 milhões, um crescimento de 57,4% em relação a 2010. No mesmo período, jovens de até 14 anos saíram de 24,1% para 19,8%. O país está ficando mais velho, e algumas reflexões precisam ser feitas.

Uma recente foi a reforma da Previdência. No livro “Reforma da Previdência — Por que o Brasil não pode esperar?”, Paulo Tafner e Pedro Fernando Nery apontam a necessidade de modificar o sistema para ele não ruir. O aumento da expectativa de vida e a redução na taxa de natalidade geram pressão cada vez maior sobre o sistema previdenciário, que precisa arcar com um número crescente de aposentados e um número menor de contribuintes.

Bruno Carazza - As forças que definirão as eleições

Valor Econômico

Disputas nas capitais testam várias hipóteses sobre o que rege a política brasileira atualmente

Toda eleição é uma nova oportunidade de verificar como estão funcionando as engrenagens que movem a política brasileira. Nas disputas para as prefeituras, fica ainda mais nítida a interação de forças relacionadas aos atributos pessoais dos candidatos (carisma, estratégia de comunicação, preparo profissional etc.) e toda a estrutura que movimenta as campanhas (apoios políticos, acesso a financiamento, uso de cargo público, entre outras).

O peso que cada característica terá no resultado final depende das circunstâncias em cada lugar, mas é importante observar as tendências, pois algumas vêm para ficar, enquanto outras se revelam modismos passageiros.

César Felício - Quase mil cidades no Brasil têm menos habitantes do que eleitores

Valor Econômico

Piauí lidera ranking e pequenos municípios predominam

Uma em cada cinco cidades no Brasil conta com mais eleitores do que habitantes, uma anomalia que atinge sobretudo pequenos municípios e se concentra principalmente em cinco estados: Minas Gerais, Goiás, Paraíba, Piauí e Rio Grande do Sul. Eles somam 624 das 995 localidades com mais voto na urna do que residentes. O resultado é absurdo, já que pelo menos 20 % da população no Brasil está abaixo do limite etário para votar, de 16 anos. O levantamento cruza dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de julho de 2024 com os dados preliminares do censo do IBGE de 2022 e foi elaborado pelo Valor Data.

Oliver Stuenkel - O extremismo renasce na Alemanha

O Estado de S. Paulo

Os jovens no leste da Alemanha já não têm memória da repressão e do fracasso do socialismo

Quase 35 anos após a reunificação alemã, as discrepâncias políticas entre os estados que integravam a antiga Alemanha Oriental e o restante do país permanecem nítidas. O aspecto mais chamativo talvez seja a firme disposição dos eleitores do leste para votar em partidos radicais antissistema, tanto à esquerda quanto à direita.

Isso se evidenciou durante as recentes eleições estaduais. Na Turíngia, o Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema direita, foi o partido mais votado – obteve 32,8% dos votos. Três dos quatro partidos com melhor desempenho podem ser considerados radicais.

O recém-criado BSW, que funde pensamento nacionalista, anticapitalista, pró-Rússia e anti-imigração com uma visão conservadora nos costumes, obteve 15.8% dos votos, e A Esquerda, sucessora do Partido Socialista Unificado da Alemanha (SED), que governou a antiga Alemanha Oriental de 1949 a 1989, teve 13.1% dos votos.

Diogo Schelp - Bolsonaro, um populista desatualizado

O Estado de S. Paulo

Bolsonaro não se reinventa, apesar de o fenômeno que o alavancou continuar firme e forte

A pretexto de alavancar candidaturas municipais do seu partido e de aliados, Jair Bolsonaro (PL) dedicou-se nos últimos meses a uma agenda de viagens e eventos com o objetivo de manter acesa a chama do seu capital político e elevar o custo de eventuais condenações na Justiça. Por onde passa, ele confirma sua capacidade de reunir multidões, mas há sinais de desgaste nos fundamentos de sua liderança. Isso ficou claro na manifestação de 7 de setembro realizada em São Paulo, que reuniu cerca de 45 mil pessoas, bem menos do que as 185 mil que estiveram no ato bolsonarista anterior, em fevereiro deste ano.

Denis Lerrer Rosenfield - A ideia de socialismo

O Estado de S. Paulo

Ideia sem seu processo, histórico, é uma mera abstração, carente de significado. Sobra somente esta forma específica de fanatismo teológico/político

Há ideias bizantinas em curso sobre a ideia de socialismo, como se fosse uma proposta etérea, quase divina, que se confrontaria contra todas as formas existentes de organização social, política e econômica, sobressaindo o capitalismo como o inimigo número um. Capitalismo, entenda-se, a economia de mercado, a democracia, a livre concorrência, a liberdade de escolha que os cidadãos têm de decidirem sua própria vida e o Estado de Direito.

Cria-se uma situação assaz curiosa, a de comparar a ideia de uma sociedade perfeita, a cidade de Deus, a todas as sociedades existentes. Nessa lógica desprovida de razão, o embate seria sempre favorável ao socialismo. Não é feita a comparação entre o socialismo existente, em suas várias realizações históricas, exemplificado na experiência comunista, e as sociedades capitalistas, exemplares na democracia e na defesa das liberdades, além de propiciarem a mudança do padrão de vida dos mais necessitados.

André Gustavo Stumpf - Cortesia com chapéu alheio

Correio Braziliense

Quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os números do desempenho da economia nacional, os técnicos descobriram perplexos que o Brasil tinha sido o segundo maior país em crescimento de seu produto interno bruto

Especialistas, agências e institutos que se dedicam a fazer projeções sobre o desenvolvimento da economia brasileira continuam a errar muito. De novo, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os números do desempenho da economia nacional, os técnicos descobriram perplexos que o Brasil tinha sido o segundo maior país em crescimento de seu Produto Interno Bruto, perdeu apenas para o Peru, e empatou como potências do quilate de Arábia Saudita e Noruega. Os técnicos que fazem as profecias ficaram perplexos e não tiveram a humildade de vir a público e tentar explicar o que aconteceu. Este número resulta em crescimento anual próximo a 3%. As projeções eram inferiores a 2%. Um vexame. 

Ruy Castro - Pensar dói?

Folha de S. Paulo

Segundo pesquisa na Holanda, algumas atividades cerebrais são dolorosas. Uma surpresa, porque vinda de um país de grandes pensadores

Pesquisadores da Universidade Raboud, na Holanda, analisando cerca de 5.000 participantes de 358 tarefas cognitivas, chegaram à conclusão de que pensar dói. Não ria. A análise foi feita com o auxílio de um programa especial da Nasa, o que lhe dá mais autoridade do que a de pesquisadores limitados a só usar o cérebro. Pelo que entendi, certas atividades cerebrais, como fazer cálculos matemáticos, ler Gertrude Stein ou tomar decisões que envolvam um sim ou não de vida ou morte, provocam sensações orgânicas que podem ser classificadas como dolorosas.

Marcus André Melo - A teoria dos elefantes brancos

Folha de S. Paulo

Projetos inviáveis ou economicamente deficitários representam uma forma de transferência de renda para grupos

Por que há tantas obras inacabadas em nosso país? Já faz parte da nossa paisagem como uma segunda natureza estradas que ligam nada a lugar nenhum; obras prontas que se mostram inviáveis ou com defeitos insanáveis: estaleiros, refinarias, cidades da música. A variável explicativa central é a corrupção.

Mas não dá conta de explicar muitos casos, onde não há evidências de desvios. Ou de imperícia técnica.

Uma explicação foi proposta por James Robinson e Ragnar Torvik em um paper intitulado sugestivamente "White Elephants". Robinson é um cientista político e coautor com Daron Acemoglu de "Por que as Nações Fracassam?" e "O Corredor Estreito: As Origens do Poder, da Prosperidade e da Pobreza". Os autores enumeram inúmeros elefantes brancos em vários continentes e formalizam o argumento.

Vagner Gomes de Souza* - Enquadramentos sobre as eleições em São Paulo

Os estudiosos do pensamento político brasileiro ainda tem muito que contribuir nas análises do cenário eleitoral municipal em 2024 ao revisitarem as considerações do saudoso professor Luiz Werneck Vianna no ensaio “Americanistas e iberistas: a polêmica de Oliveira Vianna com Tavares Bastos**. Mais do que referendar uma polarização entre dois campos interpretativos, o autor demonstra como melhor interpretar nosso país poderia nos auxiliar no desafio da previsão em política. Segundo ele,

“Decerto que nos originamos de uma espécie peculiar de Ocidente, a chamada ‘opção ibérica’, como analisou Morse em seu fecundo O espelho de Próspero, a carga de pragas, segundo os liberais, que nos teria interditado o caminho progressista e libertário da região ao norte do nosso continente. Filhos diletos do capitalismo mercantil, não fomos postos no mundo por uma história sem intenções. Nas palavras da forte ensaística de Angel Rama, aqui o ideal precedeu o material; o signo, as coisas; o traçado geométrico do plano, as nossas cidades; e a vontade política de explorar, o sistema produtivo.”***

Bruno Ghetti - Festival de Veneza dá um 'chega para lá' em discursos de ódio

Folha de S. Paulo

Premiação laureou Pedro Almodóvar em trama sobre eutanásia e o brasileiro ‘Ainda Estou Aqui’, sobre morte na ditadura militar

Os grandes festivais tinham uma desconcertante dívida com Pedro Almodóvar: laureado diversas vezes com troféus secundários, o espanhol ainda não tinha recebido um prêmio principal em Berlim, Cannes ou Veneza, os mais importantes festivais do mundo. Pois os italianos se encarregaram de corrigir isso na premiação deste ano: "The Room Next Door", seu primeiro longa em inglês, ganhou um relativamente justo Leão de Ouro.

Não é o melhor filme do cineasta, mas é um Almodóvar de muito alto nível. Traz Julianne Moore no papel de uma escritora que ajuda uma velha amiga com câncer, vivida por Tilda Swinton, em seus dias finais. Ela lhe ajuda inclusive em sua eutanásia, em um filme muito bem conduzido e que não tem o peso que a trama talvez faça parecer.

Há melancolia, mas há humor e uma grande fúria com um certo estado de coisas no mundo, que dá a esse filme uma vitalidade inesperada —uma energia de combate. É uma obra altamente política, que faz uma cáustica análise do mundo atual, com canhões voltados sobretudo a ideias reacionárias.

Poesia | Louvor do esquecimento, de Bertolt Brecht

 

Música | Ney Matogrosso - Yolanda | Altas Horas (25/05/24)

 

domingo, 8 de setembro de 2024

Opinião do dia – Marco Aurélio Nogueira* (A democracia desafiada)

“No centro dos capítulos que se seguirão está a questão da democracia. Trata-se de uma escolha sustentada pela convicção de que não teremos um futuro promissor sem arranjos democráticos sustentáveis. Podemos e devemos discutir de “qual democracia” estamos a falar, que peso deverão ter nela os princípios liberais e socialistas, de que modo será feita a participação dos cidadãos, se os partidos políticos devem ter maior relevo do que as redes sociais, qual o melhor regime para a tomada de decisões, e assim por diante. Mas não há como renunciar à democracia como valor estratégico. Sem isso estaremos sempre a um passo da escuridão autoritária.

Somos protagonistas de uma grande transição. Ela se estrutura sobre três eixos dominantes: (a) a vida nacional se globalizou; (b) o capitalismo industrial se converteu em capitalismo informacional; e (c) a modernidade se se radicalizou e se tornou hipermodernidade. Cada um desses eixos tem repercussões fortíssimas no dia a dia, na organização social, nas formas da política, no estado, na economia e na cultura, no corpo e na alma das pessoas.”

*Marco Aurélio Nogueira, professor titular de Teoria Política da Unesp. “Democracia desafiada. Recompor a política para um futuro incerto”. Introdução, p. 11. Ateliê de Humanidades Editorial, Rio de Janeiro, 2023.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Orçamento de 2025 expõe limites do arcabouço fiscal

O Globo

Além do conhecido engessamento, projeto no Congresso superestima receitas e subestima despesas

A proposta orçamentária para 2025 encaminhada pelo governo ao Congresso revela não apenas os problemas conhecidos que atravancam o Estado brasileiro. Também inaugura uma lista de novos problemas, provocados pelo novo arcabouço fiscal e pelo ímpeto gastador do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

No campo das dificuldades que se repetem ano após ano, está o engessamento das despesas. No Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), 93% têm destinação fixa. São gastos com funcionalismo, Previdência, programas sociais, subsídios e vinculações obrigatórias gravadas na lei. Quanto a isso, nada tem mudado. O que mudou, como resultado do arcabouço fiscal, foi a autorização para o governo abrir espaço a mais gastos. Na prática, o projeto superestima receitas e subestima despesas. Para ampliar receitas, prevê crescimento do PIB de 2,6%, muito além do consenso do mercado. No relatório Focus do Banco Central do final de agosto, a estimativa era de 1,85%. A surpresa positiva no PIB deste ano deverá aumentá-la, mesmo assim o otimismo do governo é exagerado.

Pedro Malan - Crescentes incertezas até outubro de 2026

O Estado de S. Paulo

À diferença do poeta de Fernando Pessoa, que chegava a fingir que era dor a dor que deveras sentia, Lula está convencido de que não são gastos certos gastos que deveras realiza

É sabido que a existência de governos capazes, confiáveis e efetivos operacionalmente é uma das mais importantes características das experiências bem-sucedidas de crescimento econômico sustentado no longo prazo. O papel das lideranças políticas responsáveis é o de contribuir para reduzir – e não aumentar – os graus de incerteza sobre o futuro. Não através de promessas e discursos contra inimigos do país e do povo, internos ou externos, mas através de exercícios consistentes em diálogos com base em moderação, serenidade, postura e compostura que possam inspirar um mínimo de confiança e cooperação na busca de compartilhados objetivos maiores.

À diferença do poeta de Fernando Pessoa, que chegava a fingir que era dor a dor que deveras sentia, o presidente Lula está convencido de que não são gastos certos gastos que deveras realiza. Não só está convencido, como pretende convencer o público em geral de que muitos dos seus gastos são, na verdade, investimentos no País e no seu futuro. Todos com alta taxa de retorno social, ou compromissos de campanha que devem ser honrados.

Rolf Kuntz - Confiança, boa notícia; gastança, rima infeliz

O Estado de S. Paulo

Dados de inflação e juros tornam especialmente valioso o otimismo captado pela FGV, mas também realçam o perigo da inclinação presidencial para gastar

Confiança em alta entre consumidores e empresários pode facilitar a vida do presidente Lula neste semestre, dispensando-o de antecipar o Natal para outubro, como fez o companheiro Nicolás Maduro, ditador da Venezuela. Nada o dispensa, no entanto, de realizar seu trabalho, cuidando bem do dinheiro público, evitando um novo rombo orçamentário e buscando, por meio de reformas, desengessar as finanças do governo. O País teve um primeiro semestre vigoroso, com produção 2,9% superior à de um ano antes, emprego em alta e maior rendimento para os trabalhadores. Os novos desafios incluem o risco de inflação maior e o desarranjo das contas públicas.

Apesar da melhora na economia, os níveis de confiança ainda ficaram em agosto, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), abaixo do nível neutro, correspondente a 100 pontos. Tendo subido pelo quarto mês consecutivo, o indicador empresarial atingiu 97,9 pontos. No caso dos consumidores, depois de três meses de avanço foi alcançado o patamar de 93,2 pontos. Endividamento e inadimplência ainda elevados limitam, de acordo com o relatório, o otimismo das famílias.

Vinicius Torres Freire - Lula pode cumprir meta fiscal de 2024

Folha de S. Paulo

PIB foi maior do que o previsto por 'o mercado'; déficit primário pode ser menor

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva pode cumprir sua meta fiscal para 2024, ainda que passe de ano raspando. A possibilidade já consta de relatórios dos economistas de instituições financeiras relevantes. Depois do crescimento imprevisto do PIB e, em parte até por causa disso, poderia haver surpresa fiscal.

A meta para este ano é de equilíbrio primário: nem déficit nem superávit. Isto é, despesa igual à receita (afora gasto com juros). A meta, na verdade, é uma banda, uma faixa: se o governo tiver déficit de até 0,25% do PIB, cumpre o objetivo. Algumas projeções na praça, de fato ainda poucas, são de déficit de quase 0,25%.

Esse resultado pode ser qualificado por um monte de senões, "poréns", críticas. Mas, mesmo com todas essas ressalvas, já se previu déficit bem maior (a Fazenda acertou mais que a mediana de "o mercado"). Por ora, as previsões de déficit entre departamentos de economia mais ponderados vão de 0,3% a 0,7% do PIB, diferença enorme (perto de R$ 50 bilhões).

Muniz Sodré - 'Enfim só' é voto secreto da sologamia

Folha de S. Paulo

E na mídia a fratura do sujeito singular multiplica-se a tal ponto que a pessoa digital não mais corresponde à original

casamento da espanhola Vanessa Garcia consigo mesma foi noticiado pela imprensa como pitoresco "fait divers", isto é, como evento insólito que se desvia das normas naturais ou culturais. Essa expressão francesa, corrente no jornalismo do século passado, caiu em certo desuso, mas não sua aplicação conceitual a fenômenos semelhantes.

A passagem do tempo revela uma diferença crucial. O fait divers clássico atraía pela confusão entre real e imaginário, que dava margem a um texto fabulativo, como na ficção popular, impregnada por enigmas, acaso e destino. Também em eventos quase anedóticos: "A velhinha afugentou os assaltantes a tiros".

Com fatos dessa ordem, o jornalismo explorava o modo como o cotidiano podia corresponder à invenção romanesca, seduzindo leitores. Mas hoje, no campo da realidade digital, o inverossímil que pretende se tornar verdade adquire outro estatuto.

Ruy Castro - Trevas a caminho

Folha de S. Paulo

Casos de racismo na Europa contrariam uma tradição de abraçar quem viesse de fora, não importava a cor da pele

Duke Ellington passava o ano se apresentando com sua orquestra em cidades dos EUA. Com ele, viajavam 18 músicos, alguns com suas mulheres, e a equipe de ajuda. Ao fim de cada show, tinham de procurar um hotel de beira de estrada que aceitasse hóspedes negros. O cantor Billy Eckstine, cujos olhos verdes fascinavam as mulheres brancas, não era aceito nos estados do Sul. E, em Las Vegas, Nat King Cole não podia frequentar e se hospedar nos cassinos e hotéis em que cantava para plateias de milhares. Duke, Billy e Nat eram negros. Eram também príncipes. Mas assim eram os EUA.

Elio Gaspari - A crise ambiental mudou de patamar

O Globo

Vistos como profetas da catástrofe, os ambientalistas se revelaram clarividentes

A crise climática está aí. O país vive a maior seca em mais de meio século, dois mil municípios estão em condições de risco e cidades são tomadas pela fumaça dos incêndios. No Dia da Amazônia, soube-se que, em agosto, a região teve 38 mil focos de queimadas, um número superior aos anos de Bolsonaro. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse no Senado que o bioma do Pantanal pode desaparecer até o fim deste século.

Os ambientalistas tinham razão. Vistos como profetas da catástrofe, revelaram-se clarividentes. E agora? O pior cenário seria a continuação do que acontece há décadas. Os defensores do meio ambiente reclamam, nada acontece (ou faz-se uma lei) e as coisas continuam na mesma. A orquestra toca a partitura errada e alguns instrumentos não tocam como deviam.

Antes da posse de Lula, circulou a proposta de se cuidar do meio ambiente por meio de uma política de transversalidade. Por trás dessa palavra que pode dizer muito, ou nada, o problema ambiental seria enfrentado por uma agência, fosse o que fosse, prevalecendo sobre as burocracias dos ministérios.