Uma semana depois, em 21 de dezembro, a mesma praia e os gramados adjacentes foram o cenário de uma manifestação vibrante de unidade, de reflexão e de respeito mútuo. Nesse dia, cerca de 16.000 pessoas ali se reuniram numa celebração de luto, o “National Day of Reflexion”. Dela participaram o primeiro-ministro, senadores, deputados federais e estaduais e diversas autoridades entre elas rabinos, imãs, padres, pastores e líderes muçulmanos.
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
terça-feira, 13 de janeiro de 2026
Bondi Beach e o massacre. Por Marcus Cremonese*
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Novos desastres climáticos desafiam as autoridades
Por O Globo
Pelo menos 83% do território do Rio e metade
dos municípios brasileiros são vulneráveis a tragédias ambientais
A tragédia das chuvas na Região Serrana do Rio, um dos maiores desastres naturais da História do país, com mais de 900 mortes, completou 15 anos ontem. Desde 2011, líderes mundiais participaram de 14 conferências do clima, os alertas de especialistas sobre a iminência de novas catástrofes foram mais enfáticos e constantes, e novas tragédias aconteceram para confirmar que não são alarmistas. Temporais mataram 242 pessoas em Petrópolis e 133 em Pernambuco em 2022, 65 no Litoral Paulista em 2023 e 185 no Rio Grande do Sul em 2024, deixando cidades inteiras debaixo de água. Os números assustadores aparentemente não bastaram para que as medidas de prevenção necessárias fossem tomadas.
Entrevista | PEC da Segurança ‘subiu no telhado’, diz José Guimarães
Por Andrea Jubé e Murillo Camarotto / Valor Econômico
Líder do governo na Câmara avalia que proposta não
deve ser aprovada, vê feridas na relação com Motta ‘cicatrizadas’ e analisa
eleições
Em meio à crise com a saída prematura do ministro
Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça, o líder do governo na Câmara dos
Deputados, José Guimarães (PT-CE), acha difícil que a proposta que era a
bandeira da pasta, a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública,
seja votada antes das eleições. “Subiu no telhado”, admitiu. Ele também
descarta a criação de uma pasta da Segurança Pública ainda neste ano.
Sobre o desentendimento do PT com o presidente da
Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), no fim do ano, afirmou que as
feridas “estão cicatrizando”. Acrescentou que a redução da escala 6 x 1 é
prioridade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste semestre.
Vice-presidente do PT e
coordenador do grupo de trabalho eleitoral da sigla, ele disse que o partido
tem nesta eleição o desafio de alterar a correlação de forças na Câmara e no
Senado. A meta é eleger pelo menos 90 deputados federais, e impedir a oposição
de fazer maioria no Senado. Em tom de desabafo, reclamou da vida difícil do
governo no Congresso: “É dolorosa a realidade aqui dentro. Chega a ser
dilacerante”.
Guimarães sustentou que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não tem o direito de sair do governo e ir pra casa. Ele defende que Haddad seja candidato em São Paulo, ao governo ou ao Senado. “O Haddad tem missão a cumprir”.
A seguir os principais pontos da entrevista ao Valor:
O BC pode cortar a Selic contra o mercado? Por Alex Ribeiro
Valor Econômico
A mensagem do Copom de dezembro acabou sendo contaminada por outros fatores, como as preocupações com as eleições de 2026 e as remessas de lucros e dividendos ao exterior
O jeito de os banqueiros centrais se
comunicarem mudou muito desde que Alan Greenspan, que foi chefe do Federal
Reserve (Fed), afirmou que havia aprendido a “murmurar com grande incoerência”.
Se algo que ele tivesse dito parecesse muito claro, era porque o ouvinte havia
entendido mal. Agora, a nova fronteira é falar até por memes, como fez o
presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na entrevista do Relatório de
Política Monetária (RPM), citando um deles.
A mensagem que ele queria passar: alguns participantes do mercado financeiro se enganaram quando leram uma mensagem conservadora apenas porque o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC não telegrafou que vai começar a cortar os juros já nesta reunião de janeiro.
Na guerra das montadoras, o lobby não tira férias. Por Bruno Carazza
Valor Econômico
Grandes questões econômicas são decididas na
surdina, com pouca discussão na sociedade
O Estado brasileiro é uma fonte quase inesgotável de oportunidades de negócios e as grandes empresas que atuam no país sabem que, para se manter lucrativas, precisam combinar estratégias de mercado com o desenvolvimento de relações íntimas com a classe política.
É difícil cravar que as coisas por aqui são piores do que em outros países, mas lacunas institucionais levam a crer que as decisões de políticas públicas e econômicas, no Brasil, quase sempre são tomadas levando em conta apenas os interesses privados, e não o que seria melhor para a sociedade.
Trump: a lei sou eu. Por Carlos Alberto Sardenberg
O Globo
Ele parece ignorar algumas questões
essenciais sobre o mercado global de petróleo, que pretende controlar
Donald Trump tem certeza de que é o dono do
mundo — e age com base nessa convicção —, mas parece não ter conhecimento de
questões cruciais envolvendo desde petróleo até armas nucleares. Dentro de um
mês, expira o último e mais amplo acordo nuclear entre Estados Unidos e Rússia.
Com isso, as duas potências estarão livres para aumentar (e eventualmente usar)
seus arsenais sem qualquer restrição. Jornalistas do New York Times perguntaram
a Trump, em entrevista na semana passada, como ele se preparava para essa
situação. Ele respondeu vagamente:
— Se vai expirar, vai expirar.
Os jornalistas ficaram com a nítida impressão
de que Trump simplesmente não estava a par do assunto. Tanto que acrescentou,
sem dar qualquer detalhe:
— Faremos um acordo melhor.
Jornalismo investigativo. Por Miguel de Almeida
O Globo
A civilização ganha com a imprensa
independente
Por meio de soldados arrependidos, o
jornalista Seymour Hersh soube da chacina em My Lai. Na manhã de 16 de março de
1968, helicópteros da Companhia Charlie desceram no pequeno vilarejo
vietnamita. A ordem: destruir a aldeia suspeita de abrigar combatentes
vietcongues. Entre 7h30 e 11h, os soldados mataram cerca de 500 pessoas, entre
crianças, mulheres e idosos. Estupraram mulheres e meninas. Bebês foram mortos
a tiros ou na ponta das baionetas.
Nenhuma arma foi encontrada.
A face do crime. Por Irapuã Santana
O Globo
Protocolo de Reconhecimento de Pessoas é
fundamental para que as polícias abandonem métodos amadores
No dia 5, o Ministério da Justiça e Segurança Pública editou uma norma histórica: a Portaria 1.122/2026, que institui o Protocolo Nacional de Reconhecimento de Pessoas. Trata-se de um guia fundamental para que as polícias brasileiras abandonem métodos amadores e passem a tratar o reconhecimento como prova científica e rigorosa.
Lula e a Venezuela. Por Diogo Schelp
O Estado de S. Paulo
Se governo interino colaborar com Trump, as atenções sobre a Venezuela tendem a diminuir
Pode soar contraintuitivo, mas o ocaso de Nicolás Maduro pode ter vindo em boa hora para os planos de reeleição do presidente Lula. Como assim, se Lula e o PT têm uma relação histórica de amizade e conivência com o regime chavista, que esteve sob o comando de Maduro nos últimos 15 anos? Como assim, se o episódio revela a disposição de Donald Trump de usar a lei do mais forte para fazer valer seus interesses externos? As duas premissas são verdadeiras, mas é preciso analisar quais são os riscos reais que elas carregam para o projeto de poder petista.
Tutelas na América Latina fracassaram. Por Oliver Stuenkel
O Estado de S. Paulo
A promessa de ‘boa governança’ na AL por meio de supervisão externa mostrou-se ilusória
A história das “tutorias fiscais” –
protetorados de facto – dos Estados Unidos na América Latina explica a
hesitação do setor petrolífero americano com a Venezuela. Na semana passada,
após a operação militar dos EUA que levou à queda de Nicolás Maduro, o governo
Trump anunciou que pretende administrar, a partir de Washington, a produção, a
venda e o uso das receitas do petróleo venezuelano.
A proposta vai além da supervisão técnica: ao sugerir que os EUA poderão decidir o destino dos recursos, dá a Washington influência direta sobre o principal eixo do orçamento do país sul-americano. Trata-se de uma iniciativa sem precedentes no pós-Guerra Fria – mas com paralelos na história americana do início do século XX.
Bye bye’, Maduro. Por Denis L. Rosenfield
O Estado de S. Paulo
Eis uma oportunidade que não poderia ser perdida, capaz de assegurar o futuro da democracia e o enterro do ‘socialismo do século 21’
Maduro, hoje recolhido a uma cela num presídio nova-iorquino – destino merecido – foi um cruel ditador, impiedoso em suas ações. Seus meios de governar, se é que se pode utilizar essa expressão, foram a violência generalizada por meio da repressão, da tortura, do estupro, do silenciamento de toda e qualquer crítica. Utilizou um sistema repressivo baseado nas Forças Armadas, na polícia e nas milícias bolivarianas, com o uso constante da intimidação e do assassinato. Nada o detinha em sua dominação despótica. Eis o resultado do tão alardeado “socialismo do século 21”, produtor de miséria, de desigualdade social extrema, reduzindo a sua população à maior pobreza, enquanto a nomenclatura “socialista”, “comunista” usufrui dos maiores privilégios. Que tal regime tenha sido e seja ainda para alguns, um farol da esquerda beira ao incompreensível.
Master era um morto-vivo. Por Vinicius Torres Freire
Folha de S. Paulo
Banco não recolhia nem dinheiro que
instituições são obrigadas a deixar no BC
Ativos eram superavaliados ou fictícios, não
entrava dinheiro para cobrir o que saía
O Master foi liquidado por "profunda e crônica crise de liquidez" que comprometeu a "capacidade para satisfazer seus compromissos". Por "grave e reiterado descumprimento de normas", em "particular quanto à manutenção dos níveis regulamentares de recolhimentos compulsórios" e gestão de riscos de crédito e liquidez. Por "prática de ilícitos graves no âmbito de operações de cessão de ativos a terceiros". É o que escreveu o Banco Central em esclarecimentos prestados ao TCU (Tribunal de Contas da União) em 18 de dezembro de 2025.
De Lima Barreto ao Banco Master. Por Marcus André Melo
Folha de S. Paulo
A degradacao institucional expõe também o TCU
O vale tudo pós-Lava Jato explica muita
coisa, mas não se trata apenas da velha promiscuidade entre Estado e grandes
interesses privados
Em "O Triste Fim de Policarpo Quaresma", o personagem Genelício é o arquétipo do barnabé indolente, inepto, e diligente apenas na arte de parecer ocupado. Finge trabalhar enquanto se ocupa obsessivamente de regras obsoletas e protocolos irrelevantes. Dizia dedicar-se à redação de um monumental volume intitulado "Os Tribunais de Contas nos Países Asiáticos" —iniciativa tão inútil quanto o aprendizado do javanês em outro texto cáustico de Lima Barreto. O autor escrevia em 1911. Mais de um século depois, porém, o tema outrora exótico e quase irrelevante dos tribunais de contas converteu-se em questão central da agenda pública na atual conjuntura.
Legitimidade democrática e revisão dos tribunais. Por Lara Mesquita
Folha de S. Paulo
Segundo cientista político, certas elites
encontram no Judiciário proteção contra mudanças legislativas
Cortes que revisam leis aprovadas não
protegem minorias nem colaboram para o desenvolvimento
Há um ano publiquei meu primeiro artigo neste
espaço. Na ocasião, recorri a Adam Przeworski para discutir o que esperamos da
democracia e quais são seus principais desafios. Entre estes, mencionei o
cenário que se desenhava com o retorno de Donald Trump à
Presidência dos Estados
Unidos e a fraude nas eleições venezuelanas.
Nesta primeira coluna de 2026 volto a recorrer a Przeworski. Em artigo ainda em fase de preprint, o professor da NYU, em coautoria com José Antonio Cheibub, Fernando Limongi e Ye Wang, analisa diferentes modelos de controle constitucional e o papel contramajoritário das cortes que exercem revisão ex-post, isto é, sobre leis já aprovadas pelo Legislativo (modelo que adotamos no Brasil).
Sobre a noção de classes e grupos subalternos em A. Gramsci
Por Ivete Simionatto e Mirele Hashimoto Siqueira
Serviço Soc. Soc. São Paulo, v.147 (3) 2024
O objetivo do artigo é resgatar a
concepção de classes e grupos subalternos no pensamento de Antonio Gramsci,
demarcando a relação orgânica do tema com suas condições de vida, suas origens
sardas e a “questão meridional”. Através de um estudo bibliográfico e
teórico-filológico, recupera-se a presença dos conceitos nos escritos
pré-carcerários, o aprofundamento nos Cadernos do cárcere, com
destaque para os Cadernos 3 e 25, e as mediações
com outras categorias desenvolvidas na obra carcerária.
Palavras-chave:
Gramsci; Classes subalternas; Grupos subalternos
“Classes e grupos subalternos” estão entre os conceitos gramscianos mais discutidos nas últimas décadas, empregados nos mais variados discursos acadêmicos, científicos e políticos. Seu uso difundiu-se e alastrou-se largamente, em especial a partir dos estudos do coletivo indiano Subalter Studies, surgido nos anos 1980, ganhando popularidade entre os estudiosos de língua inglesa. Essa rápida disseminação, contudo, não raro vem acompanhada de equívocos interpretativos, decorrentes de uma apropriação indireta da obra de Gramsci, sem recorrer às fontes originais. Não é incomum, por exemplo, encontrarmos referência à discussão da subalternidade sem menção ao nome de Gramsci, o qual, mesmo que muito citado, permanece pouco lido na fonte viva de seu pensamento.
domingo, 11 de janeiro de 2026
Opinião do dia – Antonio Gramsci*
*Antonio Gramsci (1891-1937). Cadernos do Cárcere, v.1. p. 103. Civilização Brasileira, 2006.
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Acordo entre Mercosul e UE deve ser celebrado
Por O Globo
Em tempos turbulentos, ele representa uma
vitória do multilateralismo e uma derrota do protecionismo
Num mundo fraturado pelo protecionismo, é uma
resposta histórica corajosa o acordo entre Mercosul e União
Europeia, cuja assinatura oficial está prevista para esta semana em
Assunção, no Paraguai. Referendado na última sexta-feira pela UE, ele é o maior
tratado comercial já firmado, reunindo um mercado com 721 milhões de consumidores
e PIB de US$ 22,34 trilhões. O Brasil será sem dúvida um dos principais
beneficiários, tanto pelas exportações quanto pelas importações. O acordo prova
que, a despeito das medidas protecionistas que proliferam, livre-comércio e
multilateralismo estão vivos — e ainda são o melhor caminho para o planeta.
As negociações se arrastavam desde 1999. Sofreram inúmeras reviravoltas devido à pressão de grupos protecionistas, em especial agricultores europeus (os protestos pela Europa mostram que ainda não desistiram). As tratativas ganharam fôlego depois do tarifaço de Donald Trump, que forçou os países prejudicados a buscar novos mercados e alianças estratégicas. Na Europa, a resistência que emperrava o acordo se tornou gradativamente minoritária. A assinatura estava prevista para dezembro, mas acabou adiada em meio às dúvidas da Itália, que exigia salvaguardas mais robustas para os agricultores. Os italianos cederam depois do ataque americano à Venezuela.
Perda de tempo. Por Merval Pereira
O Globo
O presidente dos Estados Unidos parece ter
esquecido, ou não se dá conta, é de que sem uma democracia estabelecida é
difícil, quase impossível, fazer negócios que exigem muitos investimentos de
longo prazo.
Quando a criação do ministério da Segurança Pública volta a ser uma possibilidade, diante da crise de violência que assola o país, e o domínio do crime organizado torna-se uma ameaça explícita, vale a pena lembrar, e lamentar, que há mais de 20 anos essa mesma discussão dominava a política nacional. O então todo poderoso ministro Chefe do Gabinete Civil, José Dirceu, declarava sua vontade de ser nomeado o “czar antidrogas”, e numa manhã de novembro de 2003, em reunião com políticos, empresários e investidores em Campos de Jordão, deu um choque na plateia ao afirmar que se a América do Sul não se unisse no combate das drogas, os Estados Unidos poderiam invadir a Colômbia e, a partir dela, assumir o controle da Amazônia.
Lembrar é preciso. Por Bernardo Mello Franco
O Globo
Em livro, cientista político Leonardo
Avritzer lembra tentativa de golpe e alerta para permanência do extremismo:
“Democracia segue sendo um projeto contencioso”
A cada 15 anos, o Brasil esquece o que
aconteceu nos últimos 15 anos. A frase foi cunhada por Ivan Lessa antes do
surgimento da internet. Na era das redes sociais, há quem precise de apenas 15
minutos para perder a memória.
Na semana em que o 8 de Janeiro completou três anos, parte da elite dirigente fez uma opção pela amnésia. Os presidentes da Câmara e do Senado ignoraram a data. A oposição só se manifestou para pedir impunidade aos golpistas. No Supremo, o ministro Edson Fachin marcou um ato com exposição e rodas de debate. Dos dez juízes em atividade na Corte, foi o único a comparecer.
Relembrar os ataques à democracia brasileira é o mote de “O golpe bateu na trave”, do cientista político Leonardo Avritzer. Lançado no fim de 2025, o livro sustenta que a legalidade foi salva por pouco. E discute os fatores que mantêm o extremismo vivo entre nós.
Trump e o Cartel de los Soles. Por Elio Gaspari
O Globo
Termo foi usado em denúncia americana contra
líder venezuelano no passado, mas governo constatou nesta semana que grupo não
existe como uma organização real
Entre as acusações dos EUA contra Nicolás
Maduro estava a de liderar o Cartel de los Soles no tráfico de drogas e no
terrorismo. Ela foi denunciada pelo Departamento de Justiça em 2020 e reiterada
em 2025.
O Cartel de los Soles nunca traficou drogas
nem praticou atentados. Na verdade, nunca foi um cartel. Tratava-se de uma
criação de jornalistas para designar o coração do chavismo.
A atribuição de traficâncias e atentados ao
Cartel de los Soles era algo como associar a Banda de Música da União
Democrática Nacional, a velha UDN, a atividades culturais, como concertos.
A Banda de Música da UDN foi uma criação da imprensa na segunda metade do século passado para designar um grupo de parlamentares aguerridos que faziam oposição aos governos de Getulio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart.
Parábola. Por Dorrit Harazim
O Globo
Ano começou com o mundo parado à porta da Casa Branca, com o guardião-mor destruindo até mesmo leis que funcionavam mal
Começa assim o conto “Diante da lei”, que
Franz Kafka publicou ainda em vida (1915) e foi postumamente incorporado à
história de Josef K. no célebre romance “O processo”, do mesmo autor:
— Diante da lei, encontra-se um porteiro. A
esse porteiro chega um homem do campo que pede para entrar na lei. Mas o
porteiro diz que não pode conceder-lhe entrada naquele momento. O homem então
pergunta se poderá entrar mais tarde. “É possível”, diz o porteiro, “mas não
agora”.
Na parábola citada, o portão da lei parece
estar sempre aberto, e o recém-chegado se inclina para espiar o que há lá
dentro. O porteiro percebe e ri.
— Se a tentação é tão grande, tente entrar apesar da minha proibição. Saiba que tenho poder, mas sou apenas o porteiro do escalão mais baixo.
Muita coisa está fora da ordem. Por Míriam Leitão
O Globo
Acordo Mercosul-União Europeia dá sinal de
que o mundo pode escapar do destino que Trump aponta com diplomacia, comércio e
cooperação
No meio da tensa reunião em Brasília no sábado, dia 2, para discutir a invasão da Venezuela por Donald Trump, alguém perguntou: “E o Putin?.” Outra autoridade respondeu: “Ah, foi sequestrar o Zelensky.” Era uma tentativa de descontrair, mas também apontava para um dos efeitos colaterais da operação de Trump, a ideia de que, se um país é mais forte, não precisa respeitar a integridade territorial de outros estados nacionais. A liberdade de invadir países alegando a própria segurança libera Putin de condenação, e dá um salvo conduto para a China em relação a Taiwan. A investida, por enquanto apenas retórica, de Trump sobre a Groenlândia traz de volta lembranças sombrias da guerra dos mundos, que terminou em 1945.
Acordo Mercosul-União Europeia amplia margem de manobra do Brasil. Por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
Do ponto de vista da relação
com os Estados Unidos e a China, o acordo com a UE funciona como contrapeso
oportuno. Permite ao Brasil resistir a acordos bilaterais muito assimétricos
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia reposiciona o Brasil no tabuleiro internacional num momento de forte turbulência geopolítica mundial. A combinação entre o unilateralismo norte-americano, a crescente centralidade da China na economia globalizada e a crise de governança regional na América do Sul exige do governo Lula que evite o alinhamento automático a qualquer polo de poder. Nesse aspecto, o acordo com a UE amplia a margem de manobra estratégica do Brasil tanto diante dos Estados Unidos quanto da China. Há que se destacar o mérito do Itamaraty, que persistiu na construção das bases do acordo com muita resiliência, durante 26 anos.
Ano eleitoral começa com juros altos e PIB fraco. Por Rolf Kuntz
O Estado de S. Paulo
Tanto para o governo quanto para o setor privado, o custo do capital se mantém como importante obstáculo ao investimento produtivo
Maior potência industrial da América Latina e do Hemisfério Sul, o Brasil completou mais um ano de crescimento econômico puxado pelo agronegócio, o setor mais dinâmico no último quarto de século. Até o terceiro trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) superou por 2,4% o resultado de um ano antes. O agro produziu 11,6% mais do que no período anterior, enquanto os serviços avançaram 1,8%, liderando a oferta de empregos e a produção industrial aumentou 1,7%, mantendo o padrão discreto da última década.
Donald Trump versus Mercosul-EU. Por Eliane Cantanhêde
O Estado de S. Paulo
Se ataca os Brics e desdenha a Europa, Trump ficará indiferente ao acordo Mercosul-UE?
Depois de invadir a Venezuela e plantar a
bandeira dos Estados Unidos não num país, mas na América Latina, como
advertência e símbolo de dominação, Donald Trump dá passos concretos para a
ocupação da Groenlândia, confrontando o poder e a influência da Europa,
justamente quando o acordo de livre-comércio da União Europeia com o Mercosul,
o maior do mundo, se materializa.
Em sua megalomania, Trump negocia com quem tem tamanho e musculatura para enfrentar os EUA, como a China, mas usa a força do império para intimidar e subjugar o resto do mundo. Com governos fracos e o avanço da extrema direita – como na Alemanha e na França, as duas maiores economias europeias –, a Europa é um alvo que, mesmo que não seja, ele considera fácil.
Uma vitória estratégica para o Brasil. Por Lourival Sant’Anna
O Estado de S. Paulo
A lição é que alienar a direita por suas ligações com grupos radicais pode impedir exercício da liderança
A aprovação do acordo Mercosul-União Europeia é estratégica para o Brasil. Apesar de todas as restrições à importação de produtos agrícolas pelos europeus, o Brasil passa a participar da maior zona de livre comércio do mundo, com um bloco que compartilha os valores democráticos e liberais, reduz a relativa dependência da China e o efeito das pressões americanas.
Trump, o petróleo e a defesa da democracia. Por George Gurgel de Oliveira*
Desde o início, ele se comporta, no exercício da presidência americana, de maneira inconsequente e perigosa diante de um mundo à beira de precipícios que podem nos levar a caminhos de não retorno, frente à sua própria insensatez e às consequências do seu (des)governo diante da própria sociedade norte-americana e os seus reflexos na complexa realidade internacional, diante do protagonismo assustador do complexo industrial militar e nuclear ora existentes, considerando as atuais relações conflituosas dos Estados Unidos da América (EUA) com a União Europeia, a Rússia, a China e a América Latina, particularmente com a Venezuela.
A mais-valia do mando. Por Muniz Sodré
Folha de S. Paulo
O excesso de poder, ponto extremo de um
sistema, pode provocar a sua reversão; aconteceu com a Lava Jato
Depois de se deixar intimidar por um general
em cadeira de rodas, o Supremo cresceu e se impôs ao golpismo. Cresceu demais,
talvez
No fluxo e refluxo dos procedimentos do STF chamam a atenção atos incompatíveis com a expectativa pública de que o guardião das leis fundamentais da República seja também do zelo com a reputação própria. No latinório que doura a pílula jurídica, ele comprovaria o "argumentum ad verucundiam", isto é, a suposição de que se um magistrado decide sobre algo, sendo esse magistrado digno de crédito, então a decisão deve ser entendida como tal pelo comum de todos.
Dias na trincheira. Por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Livro de ex-editor de Política da Folha conta
como foi cobrir a Presidência de Jair Bolsonaro durante a Covid-19
Obra dá destaque para o impacto exercido pela
pandemia, tema que aparece pouco na atual produção cultural
Lá por meados de 2020, quando já nos encontrávamos sob os rigores impostos pela Covid-19, mas ainda não tínhamos ideia de quando a pandemia acabaria, fiquei com a sensação de que ela seria um divisor de águas em nossas vidas e na sociedade.
Pistas de quem ficou com o dinheiro no fim da ciranda do Master. Por Vinicius Torres Freire
Folha de S. Paulo
Fundos faziam investimentos superfaturados em
outros fundos para esconder dinheiro
Questão agora é saber quem estava na ponta do
lucro gordo, Vorcaro ou mais poderosos
O Banco Master emprestava
dinheiro a empresas. Essas empresas investiam em fundos. Por exemplo, fundos
administrados pela Reag,
aquela gestora investigada pela polícia por administrar dinheiros do PCC ou
também de outras empresas criminosas. Ou também em fundos que tinham relações
com negócios e propriedades de Daniel
Vorcaro.
Esses fundos compravam voluntariamente gato magro por lebre, superfaturados. Isto é, compravam títulos (direitos e dinheiros a receber), como se relatava nestas colunas e como detalhado por colegas desta Folha.
Invasão americana equipara América do Sul ao Oriente Médio. Celso Rocha de Barros
Folha de S. Paulo
Ataque dos EUA à Venezuela foi
caricaturalmente imperialista
Ordem internacional multilateral é principal
vítima da aventura de Trump
Com a invasão da
Venezuela pelos Estados
Unidos, a América do
Sul entrou para a lista de regiões onde superpotências se
sentem à vontade para derrubar governos e roubar petróleo.
Se você está animado com essa perspectiva, vá lá checar se o Oriente Médio tem
se destacado por suas democracias estáveis e prósperas.
O ataque americano foi caricaturalmente imperialista. Enquanto Javier Milei celebrava gritando "Libertad, carajo!", Trump admitia candidamente que foi à Venezuela entregar mais "carajo" do que "libertad".
Não há crise no jogo jogado da política. Por Dora Kramer
Folha de S. Paulo
De tensão e atritos vivem as forças políticas
adversárias em ano eleitoral de disputa pelo poder. É normal
No veto à dosimetria, Lula deu recado ao
eleitorado dele, e a oposição reagiu como esperado pela turma dela
O presidente da República deu recado ao
eleitorado dele, e a oposição —aí incluídos aliados de ocasião— reagiu com o
gesto que seus eleitores esperavam dela. E foi só isso que aconteceu no veto de
Luiz Inácio da Silva (PT) ao projeto da dosimetria, seguido da
promessa de derrubada no Congresso.
Não há crise nem ruptura à vista, apenas o jogo jogado da política em ano eleitoral. O desenho de conflagração imprime dramaticidade ao cenário, reforça torcidas, robustece análises, mas não traduz com exatidão a realidade.
Intervenção (parcial) de Luiz Werneck Vianna, em reunião na Bahia, 2019
Intervenção (parcial) de Luiz Werneck Vianna, outubro de 2019, a convite do prof. Paulo Fábio Neto e dos seus alunos do grupo de pesquisas Ecos do Subsolo
Bondi Beach e o massacre. Por Marcus Cremonese*
Uma semana depois, em 21 de dezembro, a mesma praia e os gramados
adjacentes foram o cenário de uma manifestação vibrante de unidade, de reflexão
e de respeito mútuo. Nesse dia, cerca de 16.000 pessoas ali se reuniram numa
celebração de luto, o “National Day of Reflexion”. Dela participaram o
primeiro-ministro, senadores, deputados federais e estaduais e diversas
autoridades entre elas rabinos, i
imamsimãs,
padres, pastores e líderes muçulmanos.











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