domingo, 4 de agosto de 2013

A marquetagem "rudimentar" da doutora - Elio Gaspari

Desde que o "monstro" foi para a rua, o governo da doutora Dilma fez uma opção preferencial por encrencas que resultam apenas em trapalhadas. Quis convocar uma Constituinte exclusiva para desenhar uma reforma política, e a ideia durou pouco mais que um fim de semana. Sacou uma proposta de plebiscito a respeito da qual nem o PT se entende. Quis estender em dois anos a formação dos médicos e desistiu na semana passada.

Até aí, tratava-se apenas de desconversar diante do ronco das ruas que pedem melhores serviços públicos. Na semana passada, contudo, a doutora fez um novo lance, provocador. Veio a São Paulo para anunciar investimentos de R$ 3,1 bilhões em corredores de ônibus (um mimo para o comissário Fernando Haddad) e saiu-se com esta: São Paulo é "talvez a maior cidade do mundo com o menor sistema metroviário do mundo". Tradução: o problema de transporte do paulistano é a falta de metrô e, com isso, vai para o colo do tucanato que governa o estado há 20 anos.

Com 11 milhões de habitantes, a cidade de São Paulo tem 74 km de metrô, no qual movem-se três milhões de pessoas por dia útil. O metrô do Rio tem 46 km e atende 640 mil pessoas por dia, numa população de 6,3 milhões. A doutora ajeitou a bola com a mão. Tanto São Paulo como o Rio precisam de mais trilhos, mas o "talvez" só caberia se o Rio estivesse em outro hemisfério. Estando logo ali, com um metrô de má qualidade, como se comprovou durante a visita do Papa Francisco, como ela mesma diria, o truque foi "rudimentar".

De qualquer forma, a doutora poderá reequilibrar a balança se, na sua próxima visita ao Rio, disser que ela é uma das maiores cidades do mundo com o menor sistema metroviário do mundo.

Eremildo, o idiota
Eremildo é um idiota e soube que o presidente da Câmara, Henrique Alves, viajou na primeira classe em sua villeggiatura a Moscou porque não havia lugares vagos na executiva.

O cretino viu nisso a confirmação da própria estupidez. Se não há lugar na executiva ele pede para viajar na classe turística.

O doutor estava em Moscou quando o "monstro" saiu da caverna, estragando-lhe uma paradinha em Paris no caminho de volta.

Registro social
Com autorização judicial para deixar o país, o doutor Luis Octavio Indio da Costa está esquiando na estação de Las Leñas, no Chile.

Ele foi dono do banco Cruzeiro do Sul, colocado sob intervenção do Banco Central há um ano, com um rombo de R$ 3,1 bilhões.

Entre as gracinhas encontradas na contabilidade do banco esteve a compra de R$ 28,3 milhões em cartões telefônicos, ervanário suficiente para adquirir 566.821 plásticos com créditos de R$ 50.

Erros
O servidor da Abin detido no Rio durante os protestos contra o governador Sérgio Cabral não disse que estava a serviço da agência. Ele foi acusado de desacatar a delegada de plantão na 14ª DP.

O ministro Raimundo Carneiro, do Tribunal de Contas da União, que conviveu com duas datas de nascimento (1946 e 1948), esclarece que a disparidade "em nada interferiu no processo de aposentadoria perante o Senado", onde foi funcionário.

Palpite
De um conhecedor do Supremo Tribunal Federal: "Se havia alguma possibilidade de o STF aliviar as principais penas do mensalão, o ronco das ruas secou a fonte."

Recordar é viver
Está na rede um depoimento de Paulo, filho do general João Baptista Figueiredo, contando o encontro de seu pai com João Havelange, em 1979. O então presidente da Fifa queria trazer a Copa de 1986 para o Brasil. À época os interessados falavam numa despesa de US$ 500 milhões. O general sabia que a conta não ficaria por menos de US$ 1 bilhão, quantia equivalente a US$ 3,2 bilhões em dinheiro de hoje.

Pode-se não gostar de Figueiredo, mas ninguém podia tirar de sua biografia o fato de ter assinado a anistia. Agora, pode-se acrescentar que não assinou o cheque da Copa.

A Copa de Lula custará R$ 28 bilhões, ou US$ 12,1 bilhões.

Cadê o Amarildo?
No dia 14 de julho o pedreiro Amarildo de Souza, pai de seis filhos, foi levado para a Unidade de Polícia Pacificadora da Rocinha e desapareceu.

Segundo a polícia, ele foi liberado e não se sabe para onde foi.

Cadê o vídeo que registrou sua saída da UPP? A câmera estava quebrada.

Cadê os GPS dos carros da UPP, capazes de mostrar por onde andaram? Estavam desligados.

Cadê a inteligência da população? Precisa ser pacificada.

Para isso, o secretário de segurança Beltrame poderia responder a uma pergunta: Quantas vezes pifaram simultaneamente os controles das câmeras e os aparelhos de GPS em outros estabelecimentos policiais sob sua jurisdição?

Fonte: O Globo

Painel - Vera Magalhães

Coincidência geral?
A Mkpol Marketing Político, empresa que Duda Mendonça diz desconhecer, prestou serviços para campanhas em que o publicitário atuou em 2010. A lista inclui as de Hélio Costa (PMDB) e Paulo Skaf (ex-PSB) ao governo de MG e SP, e Fernando Pimentel (PT-MG), Lindbergh Farias (PT-RJ), Marta Suplicy (PT-SP) e Delcídio Amaral (PT-MS) ao Senado. A PF investiga se o comitê do governador Ricardo Coutinho (PSB-PB) repassou verba desviada à Mkpol, que diz pertencer a Duda.

Outro lado 1 O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro reiterou que Duda nunca trabalhou ou se associou à Mkpol, conforme disse à PF. Ele diz que, se a empresa trabalhou em campanhas nas quais Duda atuou, ele não tem conhecimento.

Outro lado 2 O publicitário afirma que foi indiciado em 15 de julho sem ter sido ouvido pela PF. Seu depoimento, no dia 29, só foi tomado após queixa da defesa.

Fogo... O procurador-regional da República Manoel Pastana entrou com representação em 22 de julho no Conselho Nacional do Ministério Público contra integrantes da cúpula do MPF: Roberto Gurgel, a subprocuradora Claudia Sampaio e o corregedor-geral, Eugênio Aragão.

... interno No documento, encaminhado também a Dilma Rousseff, Joaquim Barbosa e Renan Calheiros, Pastana aponta "graves ocorrências'' contra o trio e cita a Operação Monte Carlo, da PF. "Há fortíssimos indícios de que o PGR faltou com a verdade ao afirmar que reteve o mencionado inquérito por razões de estratégia'', diz.

Cálculo De um aliado de Gilberto Kassab sobre a brecha deixada pelo ex-prefeito para levar seu partido, o PSD, tanto para o palanque de Dilma quanto para uma eventual aliança com José Serra na sucessão presidencial do ano que vem: "O Kassab é engenheiro. Vai fazer o que garantir a maior bancada''.

Marca... O senador Gim Argello (PTB-DF) contratou com verba do Senado empresas de marketing comandadas por Abdon Bucar, que apareceu em vídeo durante o mensalão do DEM falando em "queimar" notas fiscais para legalizar dinheiro supostamente não declarado.

... registrada Sua empresa à época, a AB Produções, foi responsável pela campanha do ex-governador José Roberto Arruda (DF).

Veja bem 1 Argello pagou R$ 38 mil à empresa. Ele afirma que a produtora trabalhou para "toda a coligação de Agnelo Queiroz" em 2010 e não sabia de sua citação no escândalo. "Não vejo demérito nisso. A produtora dele tem uma das maiores estruturas de Brasília", completa.

Veja bem 2 Bucar diz que apenas alguns veículos de comunicação reproduziram o vídeo gravado à época da denúncia e que seu nome não aparece na denúncia dos 38 réus do caso. Questionado sobre o que ocorreu no dia da gravação, ele afirma não se lembrar mais da história.

Lupa 1 O governo Geraldo Alckmin (PSDB) acompanhará com apreensão o protesto marcado pelo Movimento Passe Livre no dia 14, contra acusação de desvios em licitações de metrô e trem.

Lupa 2 O Palácio dos Bandeirantes acredita que o ato pode ampliar a repercussão do caso e colar imagem de corrupção ao governo.

Tiro A bancada do PT na Câmara paulistana quer aproveitar a CPI dos Transportes para pressionar o governo a rever o subsídio à integração entre ônibus e metrô na capital. O vereador Paulo Fiorilo diz que a prefeitura banca 52,25% das despesas, e o governo, 47,75%.

Tiroteios
Serra sabe da falta de médicos no interior do país. Tanto que, como ministro, defendeu a vinda de estrangeiros, inclusive cubanos.
DO MINISTRO ALEXANDRE PADILHA (SAÚDE), rebatendo críticas do ex-ministro e ex-governador de São Paulo, José Serra, ao programa Mais Médicos.

Contraponto
O inferno são os outros
Durante ato político no Senado em defesa da criação de novos Tribunais Regionais Federai) no país, o deputado Amauri Teixeira (PT-BA) cometeu uma gafe ao chamar o senador Sérgio Souza (PMDB-PR) de deputado. Ao ser corrigido por colegas, tentou minimizar o mal-estar diante de uma plateia de congressistas, magistrados e representantes de entidades jurídicas - e acabou apelando para o "excesso de sinceridade".

-Você pode chamar deputado de senador, mas não senador de deputado. Ninguém quer sair do céu para o inferno, que é a Câmara - disse, arrancando risos.

Com Andréia Sadi e Bruno Boghossian

Fonte: Folha de S. Paulo

Brasília-DF – Luiz Carlos Azedo

A conta da saúde
Um projeto de lei de iniciativa popular com 1,5 milhão de assinaturas para tornar obrigatório o repasse de 10% da receita corrente bruta da União para a Saúde será entregue amanhã ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), por um grupo de médicos sanitaristas. É a resposta dos profissionais de saúde aos vetos da presidente Dilma Rousseff à regulamentação da Emenda 29, que destina recursos à Saúde e ao polêmico Programa Mais Médicos.

Os sanitaristas Luis Eugenio de Souza, presidente da Abrasco, Ligia Bahia e Eli Iola, diretores da entidade, estão entre os autores da iniciativa. Pela manhã, vão se reunir com o Conselho Nacional de Saúde, do qual as entidades médicas se retiraram, e se encontram depois com o secretário de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde, Luiz Odorico Monteiro de Andrade.

Vão retomar as discussões sobre o polêmico Programa Mais Médicos, que recebeu grande apoio dos prefeitos do país, mas é amplamente rejeitado pelos médicos. Hoje, diante da situação política criada, o projeto de lei de iniciativa popular tem mais chances de emplacar no Congresso do que o Programa Mais Médicos. É esse o estado crítico em que as coisas estão.

Prévias
Não é fácil a vida de candidato a presidente da República do PSDB. Está tudo certo para que o presidente da legenda, senador Aécio Neves, seja o candidato tucano em 2014. Aí vem o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e diz que é favorável à realização de prévias para a escolha do candidato. Pura média com o ex-governador José Serra, que ameaça sair da legenda.

Gazeteiros
Além de saírem de férias sem cumprir o dever de votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2014, a maioria da Câmara decidiu enforcar o primeiro dia de trabalho pós-recesso branco. Gazetaram na semana passada 476 deputados.

Vetos
O ambiente no Congresso também é favorável à derrubada dos vetos à Emenda 29, que fixa os gastos mínimos da União, dos estados e municípios com a saúde pública. Um dos vetos impede que o governo federal aplique créditos adicionais na saúde.

Ficou de fora
Conforme as regras sancionadas pela presidente, os estados são obrigados a investir 12% da arrecadação com impostos, e os municípios, 15%. O percentual para o Distrito Federal varia de 12% a 15%, conforme a fonte da receita. A União ficou sem a obrigação dos 10%.

Priscila Prade/Divulgação
Vídeo gay
O ator Wagner Mourae o rabino Nilton Bonder são as estrelas do vídeo lançado pela Campanha Nacional em Apoio ao Casamento Civil Igualitário. “A palavra casamento pertence à religião?”, pergunta o ator ao rabino. A iniciativa foi do deputado federal Jean Wyllys (PSol-RJ), um dos líderes do movimento LGBT. Desde o dia 14 de maio de 2013, casais homoafetivos de todo o país já podem se casar no civil.

Remédios/ O deputado José Antonio Reguffe (PDT-DF) foi um dos 37 deputados que compareceram à Câmara na quinta-feira passada. Fez discurso no plenário: “Não dá para entender: o governo baixa preço de automóvel e não retira os impostos de remédios.”

Aborto/ A presidente Dilma Rousseff bem que tentou evitar o confronto, mas o pastor Marco Feliciano (PSC-SP), que se notabilizou como presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, não pretende deixar barato a sanção à lei que define regras para tratamento de vítimas de violência sexual. Passou a fazer oposição aberta à reeleição de Dilma.

Lide/ O ex-senador Paulo Octavio está em Buenos Aires, onde participa do encontro do Lide — Grupo de Líderes Empresariais —, que começou na sexta-feira e termina hoje. É um evento mundial, no qual fará uma apresentação sobre a economia, o crescimento e as oportunidades de negócios em Brasília.

Quem samba fica// Assim como fez em Minas Gerais, o governador Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, ameaçou intervir no diretório baiano para garantir o apoio à sua candidatura à presidência da República. A senadora Lídice da Mata, do PSB, deverá ser candidata ao governo da Bahia.

Fonte: Correio Braziliense

Panorama Político - Ilimar Franco

A ordem é arrochar a enquadrar
Os presidentes, os líderes e os ministros de cada um dos partidos aliados estão sendo chamados ao Planalto. A rodada de cobranças começa a partir desta segunda-feira. O governo quer se assegurar que as bancadas aliadas não vão se rebelar nas votações polêmicas das próximas semanas. A expectativa é dobrar o PDT e o PSB, no caso da votação da Lei dos Royalties, quanto à destinação dos recursos do Fundo Social para a Educação e a Saúde. E dar um jeito no PSD, do recém-nomeado ministro da Micro e Pequena Empresa, Afif Domingos, que trabalha com garra para derrubar, no Congresso, o veto à multa de 10% do FGTS nas demissões sem justa causa.

Buscando apoios
O ex-ministro e deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS) está sendo indicado para o TCU. A vaga do Legislativo ficará desocupada com a aposentadoria de Valmir Campelo. Ele disputa com o senador Gim Argello (PTB-DF).

A força do hábito
A fórmula é a mesma. O PSDB precisava do PMDB para governar, como o PT hoje. Os tucanos passaram o governo FH esculhambando o PMDB, como os petistas fazem agora no governo Dilma. Os "neoliberais" e os "social-liberais" agem ao estilo do capitão Renault, personagem do filme Casablanca (1942), que na cena final proclama: "Prendam os suspeitos de sempre".

Eles são iguais
Os especialistas em Comissão do Orçamento dizem que não há diferença entre um tecnocrata petista ou um tucano. Para ambos, deputados e senadores eleitos não têm legitimidade para destinar recursos para suas regiões eleitorais.

Hora de mudar
Há muitos anos as repartições militares dão meio expediente na sexta-feira. Os ministros da Defesa anteriores não conseguiram acabar com a regalia. Eles acreditam que a escandalosa portaria da Marinha cria um oportunidade de correção.

Estilo Mercadante
Ministros dos partidos aliados estão chocados com Aloizio Mercadante. Contam que ele está chamando a todos para dar um dá ou desce. Cobra deles que enquadrem suas bancadas, para que votem com o governo. E ameaça com demissões e fusões de ministérios. As prioridades são aprovar a Lei dos Royalties e manter o veto ao artigo que acaba com a multa de 10% do FGTS.

Fogo amigo
Sob fogo cruzado dos petistas, o ministro Aldo Rebelo (Esporte) mandou um recado ao ministro Aloizio Mercadante (Educação) e ao deputado e ex-ministro Ricardo Berzoini (PT-SP) dizendo que não é candidato a ocupar a Secretaria de Relações Institucionais. Na reforma, Aldo vai deixar a pasta para concorrer a deputado federal.

O ministro Paulo Bernardo (Comunicações) deve reconduzir o atual presidente da Anatel, João Rezende, cujo mandato termina em novembro.

Fonte: O Globo

Direto de Brasília -João Bosco Rabello

Assim é se lhe parece
A presidente Dilma Rousseff parece convencida da eficácia da tese segundo a qual os protestos de junho resultam do êxito de seu governo, por uma exótica interpretação de que os manifestantes, agraciados com as melhorias sociais promovidas, agora querem mais. E que a estagnação do crescimento abaixo de índices razoáveis se deve aos efeitos da crise global. Isto posto, a crise não é de seu governo, embora as pesquisas indiquem o contrário.

É o típico caso em que importa a versão e não os fatos. E, com tal premissa, prossegue transferindo a responsabilidade pela insatisfação do contribuinte às demais instituições igualmente mal avaliadas. Agora, em ritmo de campanha eleitoral, como mostram seus últimos movimentos, do "alto" dos 30% de aprovação que lhe restaram.

O anúncio, ao lado do prefeito Pemando Haddad, de R$ 8 bilhões para melhorias do transporte municipal, simultaneamente ao lançamento do ministro da Saúde para o governo estadual, é um ato eleitoral claríssimo. Ao acrescentar ao discurso a crítica ao sistema estadual de transportes tenta passar a mensagem, de que veio resolver aquilo que o governador Geraldo Alckmin não consegue. Campanha explícita.

Vê-se, então, agora, a confirmação de que o programa Mais Médicos, lançado da. noite para o dia no surto provocado pelos protestos populares, era matéria ainda incompleta, guardada para dar a largada na candidatura do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao governo de São Paulo. No calor da batalha, decidiu-se antecipar seu lançamento, sendo impossível disfarçar o improviso da medida, que abriu uxna polêmica nacional e impôs recuos ao governo.

Padilha, ao que se sabe, é o candidato preferido do ex-presidente Lula, na mesma linha de aposta em nome ainda não batizado nas urnas, que deu ceito com Fernando Haddad, uma vez constatado o tédio do eleitor paulista com o revezamento dos mesmos candidatos de PT e PSDB. O problema é que Padilha não marcou sua gestão no ministério da Saúde por qualquer iniciativa que venha a ser lembrada, o que o liga à ineficiência do setor, líder de queixas na sociedade.

Era preciso, então, criar uma marca para o ministro da Saúde, e o programa tentou atender a essa emergência. A presidente prosseguirá em campanha com inaugurações; previstas em sua agenda, em Minas, Paraná e Santa Catarina, além de São Paulo. E investirá na exposição em programas de rádio, televisão e entrevistas com pauta específica, ou seja, dizendo apenas o que lhe interessar,

Com essa estratégia, o governo corre o risco de continuar falando sozinho, num monólogo em que oferece explicações ao invés de resultados.

Sem acordo
O anúncio de liberação das emendas parlamentares, não freará o PMDB: o partido quer votar na terça o orçamento impositivo.

Banho-maria
O Planalto deve renunciar à urgência para o Código de Mineração, aposta o relator, Leonardo Quintão (PMDB-MG). Mas não o fará no curto prazo. Quer negociar mais.

Palanques
Os comerciais de tevê do PMDB, entre 10 e 17 próximos, destacam os candidatos aos governos estaduais Paulo Skaf (SP), Luiz Fernando Pezão (RJ) Eunício Oliveira (CE) e Geddel Vieira Lima (BA).

Fonte: O Estado de S. Paulo

Até aqui, nada bem - Miriam Leitão

A economia em 2013 entrou numa sequência de dados e fatos decepcionantes que se aprofundaram nos últimos dias. O dólar voltou a subir, a bolsa perdeu 20%, a arrecadação está minguando, os números fiscais, piorando, a balança comercial acumula déficit de US$ 5 bilhões. O Brasil não é o único a ter problemas este ano, mas o país está ficando com fama de estar preso ao baixo desempenho.

Números não faltam para a perda de confiança na economia brasileira. Não é apenas o governo que tem tido suas projeções revistas para baixo. Até os economistas de bancos e consultorias esperavam mais do ano de 2013. Consumidores, empresários da indústria e do setor de serviços também se decepcionaram. A alta do dólar poderia ajudar o país a reduzir o déficit comercial, mas ele está crescendo. O efeito benéfico da desvalorização do real, que seria o impulso nas exportações, não está acontecendo, mas o impacto negativo de elevação de alguns preços e insumos industriais já começa a aparecer.

A indústria cresceu 1,9% no semestre. Uma boa notícia, mas esse resultado é pouco para compensar a queda de 2,7% do ano passado. A inflação em julho foi praticamente zero, e em agosto pode ter novo resultado muito bom, mas o IPCA teve alta de 3,15% de janeiro a junho. A meta para o ano inteiro é 4,5%. O dólar se valorizou 12,5%, a balança comercial tem déficit de US$ 5 bi até julho. As transações correntes ficaram no vermelho em US$ 49 bilhões, que correspondem a 3,82% do PIB. Os investimentos diretos chegaram a US$ 37 bilhões, mas não financiaram o déficit externo.

Além dos números, o governo parece andar batendo cabeça mais do que o normal. Na semana passada, desentenderam-se o representante do Brasil no FMI, Paulo Nogueira Batista, e o ministro Guido Mantega. O governo não passa uma semana sem fazer alguma mudança no indicador fiscal que aumente a desconfiança que o mercado tem em relação às medidas dos gastos do governo. A última foi querer retirar, das contas das despesas públicas, os gastos dos estados com a mobilidade urbana.

A Presidência fez uma enxurrada de propostas no auge dos protestos de junho e, desde então, não faz outra coisa a não ser recuar de cada uma. Os investimentos de R$ 50 bilhões com transporte até agora ninguém conseguiu saber a que a presidente Dilma Rousseff estava se referindo quando fez a promessa. Se foi ao trem-bala, o edital acaba de ter outro adiamento. É o quarto, ou quinto. Perde-se a conta. Mas esse projeto equivocado e caro deve estar em ponto de bala para ser usado na campanha eleitoral. Assim querem os marqueteiros.

O superávit primário, mesmo maquiado, ajustado e descontado, está minguando este ano. Ficou 28% menor de janeiro a junho. O déficit nominal saltou de R$ 45 bilhões para R$ 65 bi e foi a 2,83% do PIB. E deve aumentar pela alta da Selic para combater a inflação, que encarece a dívida.

O crescimento do PIB parece que será de novo pífio este ano, ainda que maior do que o do ano passado. Outros países estão crescendo pouco, mas o Brasil está disputando, na região, na turma da lanterna.

Há algumas notícias boas resistindo a essa maré de baixa. A taxa de desemprego permanece em 5,7% e houve criação de 826 mil empregos formais no semestre. O número representa queda de 21%, mas é um bom resultado em comparação com inúmeros países do mundo. A produção de bens de capital acumula alta de 13,8% até junho, o que sinaliza recuperação dos investimentos, puxada pela produção de caminhões. A inadimplência das pessoas físicas caiu de 7,9% para 7,2%. Ainda é alta, mas a tendência de baixa é animadora.

Há razões externas para a volatilidade, mas o vai e vem das decisões do governo é o principal foco de instabilidade. O ano que vem será de uma dura batalha eleitoral, em que a economia terá que entregar um bom resultado para ajudar no palanque. A ameaça é o governo ampliar mais os gastos, tomar novas decisões que comprometam o equilíbrio fiscal e maquiar ainda mais os indicadores das despesas públicas. Nesse campo, o risco não é perder o futuro, mas o passado. As bases da estabilização foram construídas com uma década e meia de muito trabalho. E ela é que vem sendo erodida.

Fonte: O Globo

Breve notícia do Brasil profundo - Vinicius Torres Freire

Crise faz turismo na aprazível, progressista, mas porém pobre urbe de "X", no litoral longe do Nordeste

A temporada turística não começou bem na aprazível cidade de X, que abriga menos de 10 mil almas ao longo de umas três ruas paralelas às praias de um lugar onde o vento faz a curva, no Nordeste do Brasil. A crise também faz turismo.

Julho de 2013 parece ter sido o primeiro de recessão no turismo de X, que crescia sem parar faz quase uma década. "Parece", é impressão geral, pois X não conta com dados econômicos de alta frequência. Os restaurantes não tinham mais que duas mesas ocupadas em cada almoço ou jantar de uma semana inteira.

Mas houve uma década de progresso nesta urbe de gente que antes vivia de peixe e coleta de coco, o que ainda faz na baixa temporada.

Motos das maquiladoras da zona franca substituem jegues, vários soltos nas ruas, como se via no sul do Piauí ou no Cariri do início do "milagre do crescimento" luliano (2006-07), quando os bichinhos de catadura triste eram largados ou vendidos por alguns reais.

Muitos dos amáveis moradores de X vivem naquilo que daqui do centro rico de São Paulo parece o mundo fantástico dos programas do governo federal, com aqueles nomes marqueteiros anunciados nas cerimônias cafonas de Brasília.

Um dia, o visitante resolveu fazer pilhéria do cálculo de probabilidades e entrou numa lotérica-banco da Caixa, seduzido pelo devaneio da manchete "Mega Sena acumulada de R$ 20 milhões sai para um único apostador de X".

A fila da lotérica-banco não andava. Cinco moradores de X esperavam para receber seu Bolsa Família, mas não havia dinheiro no caixa. O pessoal bolsista de X por vezes espera duas horas até aparecer alguém que faça pagamento ou aposta grande o bastante para cobrir o dinheirinho do Bolsa Família. Mas há o Bolsa Família, alívio.

A renda per capita de X não chega a R$ 260 por mês (a renda per capita média das cidades brasileiras é R$ 493). Na lista do Índice de Desenvolvimento Humano, a cidade está lá para lá de 4.000º lugar.

Na saída da escola primária, as crianças dos vilarejos mais distantes pegam um ônibus escolar novinho em folha, laranja como aqueles americanos, com logotipo do governo federal e o nome "Programa Caminho da Escola" na lataria.

Quase 99% das crianças de 6 a 14 anos estão pelo menos matriculada nas escolas de X, embora 77% delas estejam "vulneráveis à pobreza", como diz o Atlas do IDH.

Mas ver a barulheira das crianças aparentemente bem alimentadas tomando o ônibus novinho dá uma satisfação alegre, ainda que uma nuvem rápida passe pela cabeça ("o ônibus foi superfaturado?").

A nuvem volta quando se descobre que os meninos da 8ª série e do colégio tiveram menos de um terço das aulas do primeiro semestre. Faltam professores de química, matemática, história e geografia, entre outros problemas, como o diretor da escola berrar com estudantes e pais que reclamam da precariedade.

Os médicos parecem cumprir seu turno de trabalho nos postos de saúde e no Programa Saúde da Família, o que não é muito comum pelos fundões do país. Trabalham as oito horas, diz o povo, mas há mais postos e horas no dia do que médicos. Na cidade vizinha maior, a 40 minutos pela estrada de buracos, o único hospital das redondezas mal funciona por falta de funcionários.

Fonte: Folha de S. Paulo

O que pensa a mídia - editoriais de alguns dos principais jornais

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Tchaikovsky - October - Piano & Orchestra - The Seasons

A Rosa, no íntimo - Carlos Pena Filho (Recife,1930-1960)

Entro em teu breve sono, onde os minutos
são três pássaros líquidos e enorme,
e descubro os gelados aquedutos
guardiães do silêncio, enquanto dormes.

Pouso a cabeça nos teus lábios sujos
de mundo e tempo, e vejo que possuis
em teus seios, dois bêbados marujos
desesperados, sós, raros, azuis.

Enfim, além (no além de tuas pernas
onde Deus repousou a sua face,
cansado de inventar coisas eternas)

desvendo, ao desespero de quem passe,
a rosa que és, a mística e sombria
a noturna e serena rosa fria.

sábado, 3 de agosto de 2013

OPINIÃO DO DIA - Ignácio de Loyola Brandão: Dilma disse que Lula nunca saiu

Então, está explicado.

Se o Lula nunca saiu, tudo o que está acontecendo, economia ruim, inflação, saúde péssima, educação aos pedaços, violência desenfreada, povo nas ruas, é culpa do Lula.

Volte a presidir, Dilma.


Ignácio de Loyola Brandão contista, romancista e jornalista. In “Dilma reconheceu, a culpa de tudo é o Lula”, Caderno 2 /O Estado de S. Paulo, 2/8/203.

Ecos do julgamento - BC fecha banco do mensalão

Ao decretar ontem a liquidação do Banco Rural, envolvido no esquema de pagamento de propina a políticos aliados do governo Lula, o Banco Central informou que a instituição mineira cometeu "graves violações" às normas do sistema financeiro e estava com a situação econômico-financeira comprometida. Por causa da crise de confiança após o mensalão, o patrimônio do Rural diminuiu para um quarto do total. O BC exigiu que o banco retirasse do balanço R$ 200 milhões de créditos tributários que não existiam. Os bens de 18 controladores e ex-administradores — três deles condenados pelo mensalão — estão indisponíveis

O fim do banco do mensalão

Com apenas um quarto do patrimônio que possuía antes do escândalo, Rural é liquidado pelo BC

Gabriela Valente

No centro do escândalo. O Rural "jamais causou prejuízo a quem quer que seja", afirmou a instituição em nota

BRASÍLIA - Oito anos depois do escândalo do mensalão, o Banco Central fechou o Banco Rural, instituição financeira que foi acusada de envolvimento com o esquema de pagamento de propina a políticos aliados do governo Lula, entre 2003 e 2005. De acordo com o BC, o banco mineiro cometeu "graves violações" às normas do sistema financeiro nacional, estava com a situação econômico-financeira comprometida e havia a possibilidade de acumular sucessivos prejuízos. Para o Banco Central, tudo isso representava um risco anormal para os credores que não têm prioridade em caso de falência.

Por causa do abalo na confiança em relação ao Banco Rural depois do escândalo do mensalão, o patrimônio da instituição diminuiu para um quarto do total. Há três meses, o Departamento de Fiscalização do BC exigiu que o banco retirasse de seu balanço R$ 200 milhões de créditos tributários que não existiam, e ainda provisionasse débitos que ocorreriam por ações na Justiça que estavam praticamente perdidas. Isso fez com que o banco ficasse em uma situação de insolvência, com dívidas maiores que todos os ativos. O BC pediu um plano de recuperação ou de venda, o que não foi apresentado.

No julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), no ano passado, dos 37 réus, 25 foram condenados - entre eles, três ex-integrantes da cúpula do banco: Kátia Rabello, ex-presidente e dona da instituição, e os ex-dirigentes José Roberto Salgado e Vinícius Samarane. A ex-diretora Ayanna Tenório foi absolvida.

Kátia foi condenada a 16 anos e oito meses de prisão por lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, evasão de divisas e formação de quadrilha. Salgado pegou a mesma pena, pelos mesmos crimes. Samarane foi condenado a oito anos, nove meses e dez dias de prisão, por lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta. Se nada mudar no julgamento dos recursos, as penas deverão ser cumpridas em regime inicialmente fechado.

Banco não estava sob intervenção

A partir da decisão de ontem do BC, os bens de 18 controladores e ex-administradores do Rural, inclusive os que foram julgados pelo STF, já estão indisponíveis. Os correntistas terão garantidos os depósitos - no limite de R$ 250 mil por cliente - pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Ao contrário do que é de praxe, o Banco Rural não estava sob intervenção do BC. Normalmente, a autarquia toma para si a administração das instituições financeiras com problemas. Tenta sanear e vender o banco. Há pouco mais de um mês, por exemplo, decidiu fechar o BVA, que ficou sob intervenção por oito meses até o principal credor desistir oficialmente da compra.

No caso do Rural, a instituição foi liquidada diretamente. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, explicou que não havia um "plano viável" para a sua recuperação. O banco funcionava normalmente, e a notícia pegou os funcionários e a direção de surpresa.

Assim que foi informada da decisão do BC, a assessoria do Rural divulgou uma nota em que afirmou que não provocou prejuízo a ninguém. Os controladores lamentam a interrupção abrupta, justamente num momento em que se construía uma transição para reforçar o capital da instituição e adequá-lo a seus planos de crescimento. A estratégia, segundo o comunicado, era de conhecimento do próprio BC.

"Os controladores do Banco Rural se viram surpreendidos com a decisão do Banco Central do Brasil de decretar a liquidação extrajudicial da instituição. O Banco Rural tem mais de 50 anos de existência e nesse período jamais causou prejuízo a quem quer que seja", disse a instituição em nota. A direção do Rural disse que vai estudar "medidas cabíveis".

O Rural pode recorrer à Justiça. No entanto, nesse tipo de matéria, o BC consegue manter 98% das decisões de liquidação.

A decisão do BC abrange as demais empresas ligadas ao Rural: o banco de investimentos Rural Mais, o Banco Simples e a Rural Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. Todo o grupo detinha apenas 0,07% dos ativos e 0,13% dos depósitos do sistema financeiro. "O Banco Central está tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades", afirmou o BC, em nota. "O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas punitivas de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes".

O Rural sofreu seu maior desgaste por estar no centro do escândalo de compra de votos de parlamentares da base aliada do governo Lula. A instituição já tinha sido condenada pelo Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional há um ano. Na instância máxima de processos administrativos do governo, os conselheiros aprovaram a condenação determinada pelo BC em dois processos. Mantiveram a pena de inabilitação de três ex-dirigentes da instituição que são réus no processo do mensalão.

Kátia Rabello não poderá atuar no mercado financeiro por três anos. Salgado e Ayanna Tenório, que ocuparam a vice-presidência, foram banidos da atividade bancária por dois anos. Plauto Gouveia, outro dirigente, foi punido com um ano de inabilitação, que já terminou.

Multa por operação fictícia

Todos os dirigentes foram acusados de simular uma transferência de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) para o Banco Simples, controlado pelo Rural, em 2004. A operação fictícia permitiu a redução dos passivos do Rural. Pela operação, o banco pagará uma multa de R$ 200 mil. O Rural recorreu da decisão.

Um outro processo administrativo, aberto pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), responsabilizou o Rural pelas fraudes no esquema do mensalão. Depois de um recurso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, manteve a condenação, por facilitação de saques de terceiros, como políticos e assessores.

A instituição tinha 49 anos de atuação. Nos anos 1980, passou a ser banco múltiplo com carteira comercial, financiamento de câmbio e financiamento imobiliário. Desde o início da crise econômica mundial, em 2008, bancos pequenos e médios apresentam problemas financeiros. Alguns foram vendidos e outros, fechados.

Fonte: O Globo

BC decreta liquidação do Rural, o ‘banco do mensalão’

O Banco Central decretou ontem a liquidação do Banco Rural por problemas financeiros, alegando que a instituição não tinha um plano viável de recuperação. O Banco Rural alimentou o esquema do mensalão, emprestando recursos ao PT e à agência de Marcos Valério, e também esteve envolvido nas investigações que levaram ao impeachment do presidente Fernando Collor

BC decreta liquidação do Rural, o "banco do mensalão", por problemas financeiros

Célia Froufe, Eduardo Cucolo, Murilo Rodrigues Alves

BRASÍLIA - Epicentro do chamado "núcleo financeiro" do mensalão, o Banco Rural teve ontem sua liquidação decretada pelo Banco Central. A instituição, controlada pela família Rabello, apresentava comprometimento da situação econômico-financeira. Em 2005, o banco foi acusado de abrir e manter contas de pessoas e empresas ligadas ao maior escândalo de corrupção da história do País.

O BC ressaltou também a existência de "graves violações" às normas legais e de estatuto do setor e os "sucessivos prejuízos" como motivos para a ação. Ao apresentar recorrentemente balanços no vermelho, a instituição sujeitava os credores a um "risco anormal". Segundo o BC, pesou também na tomada de decisão, a falta de um plano viável para a recuperação da situação do banco.

Com a ação de ontem, os bens dos controladores e ex-administradores do Rural, um total de 18 pessoas, ficam indisponíveis. A liquidação atinge ainda ãb demais empresas que fazem parte do conglomerado financeiro: o Banco Rural de Investimentos S/A; o Banco Rural Mais; o Banco Simples; e a Rural DTVM.

Ao contrário do que acontece usualmente com instituições em dificuldade, o BC optou desta vez por decretar a liquidação diretamente, sem passar antes pelo trâmite burocrático de intervenção na instituição financeira. Segundo fontes com conhecimento do processo, metade dos depósitos do Rural será coberta pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Esquema. O Rural alimentou o mensalão, emprestando recursos para o PT e para a agência de propaganda do publicitário Marcos Valério, como ficou comprovado no julgamento da ação penal 470. Três dirigentes da instituição foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A ex-presidente do banco Kátia Rabello e o ex-vice-presidente José Roberto Salgado foram condenados por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e evasão de divisas. No caso do ex-vice-presidente Vinícius Samarane, a condenação foi por lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta.

Antes disso, em 1992, o Rural também teve o nome envolvido nas investigações que culminaram no processo de impeachment do então presidente Fernando Collor. A Comissão Parlamentar de Inquérito, aberta no Congresso Nacional, concluiu que o Rural atuou de forma decisiva no esquema capitaneado por PC Farias. Era do Rural, por exemplo, o cheque que comprou o Fiat Elba, símbolo das investigações contra o governo Collor.

Segundo o BC, o conglomerado financeiro Rural detinha 0,07% dos ativos e 0,13% dos depósitos do sistema financeiro em março de 2013. O BC informou que está tomando todas as "medidas cabíveis" para apurar as responsabilidades.

História. O Banco Rural surgiu no início da década de 1960, com o nome de Banco Rural de Minas Gerais. O nome atual foi adotado quase 20 anos depois. Em 1976, o empresário Sabino Rabello assumiu a presidência do banco. Em 2001, o comando da instituição passou para sua filha, Kátia Rabello, que recebeu a quarta maior pena no julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF).

As denúncias do mensalão tiveram início em 2005 e as penas foram anunciadas no ano passado. Em maio deste ano, os advogados de Kátia pediram, em recurso apresentado ao STF, a redução das penas aplicadas à ex-prcsidente do banco, que somam mais de 16 anos.

Tamanho
R$ 2,197 bi era o total de depósitos do Rural em dezembro de 2012

Fonte: O Estado de S. Paulo

Ecos do julgamento - Oposição questiona coincidência da liquidação do Banco Rural

Anúncio veio logo após julgamento dos recursos do mensalão ser marcado

Carolina Brígido, Demétrio Weber

BRASÍLIA - A oposição elogiou a decisão do Banco Central de liquidar o Banco Rural, mas considerou que ela demorou. Para o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), a liquidação "quase inevitável, diante das informações que se tinha sobre a situação do banco":

- Espero que não seja só uma exceção em relação ao Banco Rural. Esta deve ser a regra de atuação do Banco Central - afirmou Randolfe.

O líder do PPS na Câmara, deputado federal Rubens Bueno (PR), afirmou que o Banco Central agiu tarde:

- O Banco Rural tinha uma relação incestuosa com o governo e com o PT, partido do governo. Foi o grande arcabouço do esquema do mensalão. Já deveria ter sido fechado há muito tempo - disse Bueno.

O líder do PPS chamou a atenção para o fato de que a decisão do BC foi tomada na semana em que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, marcou a data de início do julgamento dos recursos dos 25 condenados, a partir do próximo dia 14 de agosto.

- Por que o Banco Central age dois dias depois que o presidente do Supremo marcou o julgamento? Por que dois dias depois, quando tinha todas as condições de fazê-lo antes? - indagou Bueno.

O vice-presidente da Câmara, deputado André Vargas (PT-PR), disse que a liquidação do Banco Rural não guarda relação com a retomada do julgamento do mensalão, marcada para o próximo dia 14:

- Não acredito nisso. Acho que uma coisa não tem nada a ver com a outra. O Banco Central age tecnicamente.

O Banco Rural ganhou projeção nacional depois do escândalo do mensalão. Segundo o processo, a instituição disponibilizou R$ 32 milhões ao esquema criminoso em 2003, por meio de empréstimos fraudulentos ao PT e às empresas de Marcos Valério. O valor, segundo a acusação do Ministério Público Federal, chegou a R$ 58,9 milhões após as sucessivas renovações que se estenderam até 2005. O Rural também patrocinou a distribuição das mesadas em 2003 e 2004: era em suas agências que parlamentares e assessores sacavam, na boca do caixa, quantias vultosas. Em troca do dinheiro, os parlamentares apoiariam o governo federal em votações importantes no Congresso Nacional.

As denúncias foram confirmadas pelo STF no julgamento do processo, ocorrido ao longo do segundo semestre de 2012. Segundo o processo, a ex-presidente do Rural Kátia Rabello reuniu-se com o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, com a intermediação de Marcos Valério, para discutir a liquidação do Banco Mercantil de Pernambuco, na qual o Rural tinha interesse. Em troca, o Rural concedeu os empréstimos fraudulentos que abasteceram o esquema.

Os ex-dirigentes do Rural José Roberto Salgado e Vinicius Samarane teriam usado mecanismos ilícitos para conceder os empréstimos, omitindo os reais riscos financeiros das operações. Kátia teria assinado renovações de empréstimos, mesmo com parecer interno alertando para risco da operação.

- Ao invés de vetar renovação de altíssimo risco, Kátia Rabello, mesmo sem conhecimento técnico sobre o mesmo, aprovou a operação - disse o relator do processo, Joaquim Barbosa, durante o julgamento.

No plenário do STF, o advogado José Carlos Dias, contratado por Kátia para defendê-la, argumentou que sua cliente tinha herdado o banco, embora não tivesse nenhuma vocação para a área financeira. Ele ressaltou que, depois da morte da irmã em um desastre de helicóptero, Kátia foi nomeada para o conselho de administração da instituição, mesmo "sem estar preparada".

O STF concluiu que os empréstimos foram simulados e concedidos em desobediência a recomendações da própria instituição e a normas do Banco Central. O Rural teria emprestado R$ 3 milhões ao PT, R$ 19 milhões à SMPB e R$ 10 milhões à Graffiti. Os empréstimos foram renovados a cada 90 dias pelo Rural até 2005, mesmo sem a apresentação de garantias mínimas por parte dos tomadores.

Fonte: O Globo

PSDB vê Cade agindo como polícia política

Órgão investiga cartel em licitações de metrô em São Paulo. Governo Alckmin vê ação para prejudicar gestões tucanas

SÃO PAULO - O governo de Geraldo Alckmin (PSDB) acusou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) de agir como "polícia política" para prejudicar a imagem das gestões tucanas em São Paulo. O órgão, do governo federal, investiga a formação de cartel em licitações do metrô e da CPTM, denunciada pela multinacional alemã Siemens.

Alckmin escalou o secretário-chefe da Casa Civil, Edson Aparecido, para responder a acusação de que o governo paulista deu aval à formação de cartel para licitação no ano 2000, na gestão de Mário Covas, morto no ano seguinte. Como revelou ontem a Folha de S.Paulo, em documentos entregues ao Cade a Siemens diz ainda que "o concluio se estendeu ao governo Alckmin (2001-2006) e ao primeiro ano de José Serra, em 2007".

Aparecido afirmou que o Cade está "sonegando informações da investigação ao governo de São Paulo enquanto faz um vazamento seletivo à imprensa".

"Passados quase um mês (da deflagração da operação), nem o governo, que tem todo o interesse no processo, nem o Ministério Público do Estado têm acesso a essa investigação", queixou-se. "Há um desvirtuamento de um importante órgão, cujo o principal papel é garantir a livre concorrência. Parece que o Cade tem se transformado num instrumento de polícia política", afirmou.

Serra também acusou a entidade. "O Cade, do governo do PT, não apresentou os documentos, vazou (a informação) por baixo", afirmou. Mas defendeu a investigação do caso. "Não tem condição de controlar o que as empresas que participam de uma concorrência conversam entre si. Se o Cade descobriu, ótimo. Foi uma lesão para o Estado e vamos pedir o dinheiro de volta. Só isso."

O ataque tucano fez o Cade reagir. Em nota, o órgão disse repudiar qualquer acusação de instrumentalização política das investigações. "O inquérito é sigiloso, uma vez que o acordo de leniência que deu origem às investigações está protegido por sigilo."

O secretário de Alckmin disse ainda que são "calúnias" as afirmações de que seu chefe, Serra e Covas sabiam do conluio. "Estão enxovalhando a memória do Covas."

A documentação da Siemens, porém, não cita nomes, apenas a secretaria que comandou as licitações (Transportes Metropolitanos). "Foi uma decisão do governo politizar o debate", dizem os tucanos, acrescentando ver na ação do Cade as digitais petistas. Na Assembleia Legislativa, a bancada petista pediu a abertura de uma CPI sobre o caso.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

Senador petista ataca Eduardo em Pernambuco

Ao governador, Humberto cobra reconhecimento

Petista diz que Pernambuco recebe tratamento especial da União e lista obras federais. Para ele, governo do Estado não reconhece

Débora Duque

Deflagrada após o governador Eduardo Campos ter indicado a possibilidade de sair candidato à Presidência da República, em 2014, a tensão entre PT e PSB ganhou um novo episódio, ontem, durante o anúncio do "Plano Safra" para o semiárido nordestino, no Centro de Convenções. Com as digitais do governo federal, o programa visa conceder auxílio aos agricultores da região e serviu de mote para que o senador Humberto Costa (PT) cobrasse do governador Eduardo Campos (PSB) o "reconhecimento" dos investimentos direcionados pela presidente Dilma Rousseff (PT) ao Estado.

À uma plateia formada por prefeitos de municípios pernambucanos e auxiliares do governador, Humberto afirmou que Pernambuco recebe "tratamento especial" do governo federal e listou, como exemplo, a execução de obras como a ferrovia Transnordestina e a Transposição do São Francisco, além de outras ações federais. "Tenho certeza que foi por isso que Pernambuco votou maciçamente na presidente Dilma. Porque sabia que daria continuidade à atenção que o ex-presidente Lula (PT) sempre teve a essa parceria e a prioridade de investimentos no Nordeste e mais, especialmente, no nosso Estado", provocou o petista.

O tom do discurso, já repetido por petistas em outras ocasiões, é uma tentativa de frisar que o desempenho da gestão Eduardo depende diretamente da aliança política mantida com o PT. Segundo Humberto, as "parcerias" com o governo federal foram "fundamentais" para o crescimento do Estado nos últimos anos. "Queria fazer esse registro porque no momento de dificuldade que vive o País, não podemos deixar de reconhecer. É exatamente no momento mais difícil é que é preciso reconhecer aquilo que foi feito para que Pernambuco cresça e avance", reforçou.

Ao discursar logo em seguida, Eduardo Campos procurou retrucar as cobranças ouvidas do aliado. Começou dizendo que o plano safra para o semiárido foi resultado de sugestões de vários governadores, inclusive, dele próprio, e não uma criação do governo federal. "Fica aqui o registro do nosso diálogo federativo", disse. Também ressaltou que as políticas do governo federal voltadas para a agricultura familiar incorporaram iniciativas tomadas por seu avô, o ex-governador Miguel Arraes (PSB). "Ainda é preciso romper um século de exclusão política e isso não se faz por decreto", rebateu, referindo-se à desvantagem econômica do Nordeste em relação ao Sul/Sudeste do País.

Questionado sobre o clima de hostilidade durante o evento, Eduardo negou desconforto com as cobranças de Humberto. "Não. Absolutamente, não percebi isso", rechaçou.

Fonte: Jornal do Commercio (PE

Em Minas PSB convida Kalil para fazer chapa com Lacerda em 2014

Socialistas vão promover mudanças internas à sigla para garantir sucesso nas urnas no ano que vem

Alexandre Kalil já negou a intenção de concorrer às eleições em 2014, mas o convite do PSB ao dirigente de futebol foi renovado

Larissa Arantes

O PSB de Minas prepara uma reestruturação ampla para se fortalecer nas eleições de 2014 e uma das estratégias é atrair nomes de peso para compôr a chapa majoritária, da qual deve fazer parte o prefeito Marcio Lacerda. A partir da semana que vem, o partido vai intensificar os esforços para levar para a legenda o presidente do Clube Atlético Mineiro, Alexandre Kalil. O assunto já era comentado desde março, mas a conquista da Libertadores pelo clube renovou a expectativa dos socialistas.

A possibilidade que antes era tratada de forma reservada, foi comentada abertamente pelo presidente do PSB de Minas Gerais, deputado federal Júlio Delgado. “Existe o convite para o Alexandre Kalil fazer chapa majoritária conosco. O Daniel (Nepomuceno) já fez convite pessoal, agora fazemos o convite público para ele se filiar”, disse Delgado ontem. Daniel Nepomuceno é, atualmente, secretário municipal e vice-presidente do Atlético.

A iniciativa faz parte de um conjunto de ações que serão tomadas pelo comando estadual do PSB para o partido ter condições de discutir o pleito do ano que vem “no mesmo patamar” de siglas como o PSDB e o PT. “Se nós conseguirmos desenvolver essa dinâmica, vamos ter chapas competitivas e tentar, com isso, o protagonismo na disputa estadual de Minas também”, avaliou Delgado.

Conjunto. O PSB vai criar uma série de secretarias temáticas na sigla para se aproximar da sociedade. Temas como juventude, movimento sindical e desenvolvimento social serão alvos de colegiados organizados dentro do partido.

Além disso, um conselho político será formado para debater o cenário eleitoral e fazer um verdadeiro raio-X da presença dos socialistas no Estado. O deputado federal Isaías Silvestre irá coordenar o grupo. “O conselho vai funcionar regionalmente, vamos fazer uma leitura da vida do PSB em Minas Gerais para fortalecer a sigla para as eleições”, afirmou o deputado.

O PSB, a partir de agora, ganha uma outra cara com a nova presidência estadual. Antes, o posto era ocupado pelo ex-ministro Walfrido Mares Guia, muito próximo do PT.

Já Delgado é próximo do senador e presidenciável Aécio Neves (PSDB, e sua escolha foi estratégica para o partido. Caso o governador de Pernambuco e também presidenciável, Eduardo Campos, realmente decida lançar sua candidatura, o deputado terá a missão de criar palanque para ele em Minas Gerais. Caso Campos não saia como candidato no pleito de 2014, mas Aécio, sim, o PSB estará a um passo de se alinhar com os tucanos.

A reportagem tentou falar com Alexandre Kalil, mas não conseguiu. A assessoria de imprensa do Atlético informou que não poderia se posicionar sobre o assunto, apenas o próprio presidente do clube. Kalil já negou, quando questionado em outras ocasiões, a intenção de concorrer às eleições.

Fonte: O Tempo (MG)

PT quer ocupar ruas para mudar mídia

Pedro Venceslau

Favorito na disputa interna pela presidência do PT o deputado estadual paulista Rui Falcão começará sua campanha reeleitoral entre os militantes no próximo dia 13 levantando antigas bandeiras da esquerda, fazendo autocrítica sobre a burocratização da legenda nos últimos dez anos e defendendo mobilizações de rua.

"Cabe ao PT organizar mobilizações e campanhas massivas, em todo o País, em torno de questões cruciais da vida brasileira, como, por exemplo, a democratização das comunicações", diz o texto. O manifesto resgata temas recorrentes no partido na época de sua fundação no início dos anos 80. Fala em reforma agrária, integração da América Latina, compromisso com igualdade de gênero e orientação sexual e com "causas libertárias".

Tratado internamente como a linha mestra do partido nas campanhas de 2014, o manifesto explicita reclamações feitas internamente pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"O PT não pode ser apenas uma máquina eleitoral que se mobiliza a cada dois anos. Deve ser um partido militante, de atuação cotidiana", diz o texto. Principal cabo eleitoral de Falcão, Lula aprovou o conteúdo.

O manifesto foi escrito pelo ex-secretário geral da Presidência, Luiz Dulci, atual presidente Instituto Lula e coordenador da campanha do petista. Além da rubrica do ex-presidente, que deve ser a primeira, o documento será assinado por personalidades do partido e quadros políticos das três principais correntes internas do PT: Construindo um Novo Brasil, Novos Rumos e PT de Luta e Massas. Juntas, formam a chapa O Brasil quer mais e melhor. Esse grupo é herdeiro da antiga Articulação, tendência majoritária desde a fundação do partido.

Voz das ruas. A presidente Dilma Rousseff integra o grupo, mas não deve assinar o documento. O texto mostra preocupação com as manifestações de junho e seu impacto na eleição do ano que vem. "É indispensável estreitar ainda mais os laços do partido com os movimentos sociais, seja apontando as suas lutas, seja promovendo campanhas conjuntas em defesa de causas comuns", diz o texto.

O manifesto fala, ainda, em buscar uma "profunda sintonia" com as grandes organizações e movimentos populares, "mas também com as novas redes de ação social".

Em algumas manifestações de junho, petistas foram agredidos e expulsos das passeatas.

O texto escrito por Dulci teoriza que a revolta popular registrada em junho ocorreu devido ao sucesso dos 10 anos de PT no poder - tese já defendida por Lula e por Dilma publicamente. Em nenhum momento o documento cita a queda brusca da popularidade da presidente.

"O novo tempo que construímos traz consigo também novos desafios (...) o de ouvir a voz das ruas e responder criativamente aos seus anseios".

Mais extensa, a tese oficial da chapa de Falcão - um outro documento divulgado nesta semana - avança nessa avaliação e diz que as manifestações exigem do PT uma reformulação positiva de sua estratégia partidária.

"O PT saúda as mobilizações sem ingenuidade nem reatividade. E deseja assumir, livremente, o papel de um dos vetores dessa nova cena nacional." O documento também prega "uma cultura de esquerdas" e ousa mais na autocrítica. "Cabe ao PT enfrentar de uma só vez os riscos da excessiva burocratização e vinculação de seus quadros com os aparelhos de Estado."

No momento em que Falcão se esforça para evitar rusgas com o PMDB depois que o partido foi alvo de críticas de setores do PT, o documento assinado pelos três grupos que apoiam a candidatura dele diz, sem citar nomes, que "setores" do parlamento "antepõem obstáculos à realização da reforma política".

Manifesto e tese deixam claro que, depois de dez anos no poder e sob a pressão das ruas, o PT deve resgatar o discurso de fundação do partido.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Na lei anticorrupção, Dilma compra nova briga com aliado

Andreza Matais, Fábio Fabrini

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff comprou mais uma briga com o PMDB, principal aliado do governo no Congresso, ao vetar trechos da lei que pune com rigor empresas privadas envolvidas em corrupção. O texto sancionado anteontem suprime itens negociados com o partido para assegurar sua aprovação.

Houve críticas à presidente até no PT. "Tem um problema político, porque foram feitos acordos no Senado e na Câmara" afirmou o petista Carlos Zarattini (SP), relator do projeto na Câmara, O líder do PMDB na Casa, Eduardo Cunha (RJ), diz que a bancada vai avaliar a derrabada deles.

Proposta pelo governo Lula, a nova lei tramitou mais de três anos e foi aprovada em julho, para entrar em vigor em fevereiro de 2014. Entre os principais pontos, permite ao gestor público aplicar às empresas multa de até 20% do faturamento bruto por corromper servidores, financiar crimes, usar laranjas para obter benefícios ou fraudar licitações.

O texto aprovado no Congresso limitava a multa ao valor do contrato, o que, na prática, poderia resultar em punição menor, "Vai ser mais um veto derrubado. Desfigura um conjunto de conteúdos aprovados. Nosso compromisso é com a integralidade do texto", afirmou Cunha, acrescentando que desfazer acordos virou uma "prática" do governo Dilma. Na MP dos Portos, o partido diz ter havido quebra de compromisso. "O uso do cachimbo faz a boca torta. Tudo se veta, o que se combina não se cumpre. É preciso um pouco mais de cautela", avisou Cunha.

O líder do PMDB advertiu : que o partido vai manter seu compromisso, nas questões e afetem o caixa, mas a fidelidade não está"garantida em outros temas: "Vão entender depois que o Congresso começar a derrubar os vetos".

Além da regra sobre o limite da multa, Dilma vetou item que considerava a conduta do servidor na análise da pena. Num caso de achaque partido de um funcionário público, por exemplo, a punição da empresa que pagou o suborno poderia ser atenuada. Outro ponto vetado dizia que a Justiça só poderá dissolver, interditar ou proibir empresas corruptoras de obter benefícios se comprovados "dolo ou culpa" na participação em atos ilícitos. O texto sancionado é mais duro, prevendo a responsabilização objetiva.

O governo argumenta que os trechos vetados atenuariam os efeitos da lei. O ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage, classificou as emendas ao texto original de "contrabandos" e disse ao Estado que aconselhou Dilma a vetá-los.

Fonte: O Estado de S. Paulo

A rainha nua - ITV

Dilma Rousseff conseguiu enxovalhar, como nunca antes na história, a reputação da Presidência da República. O grau de confiança que os brasileiros nutrem por ela despencou, segundo nova pesquisa divulgada pelo Ibope. Fica cada vez mais evidente sua incapacidade para enfrentar os crescentes problemas que o país enfrenta. Fica cada vez mais nítida sua falta de talhe para o cargo. A rainha está nua; o tempo de Dilma passou.

Nada traduz melhor o atual estado e a fraqueza da chefe da nação para lidar com as questões do país do que a pesquisa que o Ibope divulgou ontem sobre a confiança dos brasileiros nas instituições e grupos sociais. Dilma Rousseff conseguiu enxovalhar, como nunca antes na história, a reputação da Presidência da República.

O levantamento mostra que o grau de confiança da população na instituição "presidente da República” caiu de 63 em 2012 para 42 neste ano. Foi a maior queda medida pelo Ibope, tanto em termos absolutos (21 pontos), quanto relativos (33%), nesta rodada – a quinta desde que a pesquisa anual passou a ser feita, em 2009.

A brutal queda na percepção positiva que os cidadãos têm sobre a figura da presidente da República também representa o triplo da redução média verificada na confiança que os brasileiros nutrem pelas instituições do país em geral, que foi de 7 pontos ou 13%: passou de 54 para 47 pontos, numa escala que vai de 0 a 100.

Desde que Dilma assumiu o governo, há dois anos e meio, a confiança dos brasileiros na figura da presidente já caiu quase 40%. Até a gestão passada, a Presidência era considerada a 3ª instituição mais confiável, atrás apenas dos bombeiros e das igrejas. Hoje, é apenas a 11ª mais respeitada.

"No primeiro ano de governo de Dilma Rousseff, seu índice de confiança caiu de 69 para 60. Recuperou-se para 63 no ano seguinte, e despencou agora para 42 – uma nota 'vermelha'. Em um ano, saiu da 4ª posição no ranking para a 11ª. Nenhuma outra instituição perdeu tantas colocações em tão pouco tempo”, informa O Estado de S.Paulo, que divulgou os resultados da pesquisa em sua edição de hoje. (A íntegra do levantamento feito pelo Ibope, chamado Índice de Confiança Social, não está disponível para consulta na internet.)

Em regiões e grupos sociais específicos, a presidente goza de ainda menos confiança junto aos brasileiros. No Sudeste, seu índice caiu de 60 para 34 em um ano. Entre as classes A e B, chegou a 36. Só o Nordeste e as classes D e E continuam salvando Dilma de uma avaliação ainda mais amarga.

Entre 2012 e 2013, a queda de confiança foi generalizada e atingiu todas as 18 instituições pesquisadas. Mas as únicas com desempenho tão negativo quanto a presidente da República são o governo federal, com queda de 23% desde 2012, e o sistema público de saúde, com perda de 24%. Ou seja, também estão intimamente relacionadas ao desempenho da atual gestão. Todas as demais instituições perderam menos de 20% entre um ano e outro.

O levantamento vem se somar às pesquisas de opinião pública mais recentes, que demonstram a ascendente desaprovação da população brasileira ao jeito Dilma de governar. Fica cada vez mais evidente sua incapacidade para enfrentar os crescentes problemas que o país atravessa. Fica cada vez mais nítida sua falta de talhe para o cargo. A rainha está nua.

Cada vez mais, os brasileiros vão se apercebendo que estão diante de um governo sem norte, sem comando, sem outros propósitos que não seja unicamente preservar, a todo o custo, o poder conquistado e exercido ao longo de uma década.

O governo Dilma está se notabilizando por conduzir o país a um grau alarmante de paralisia e de preocupante desorientação. Suas propostas e decisões não conseguem sobreviver ao choque da realidade. Suas ideias não correspondem aos fatos. Suas intenções esbarram na inépcia de quem não consegue transformar o que é papel e saliva em realidade.

Suas muitas promessas continuam sem ser cumpridas – vide o que acontece em qualquer uma das áreas de infraestrutura, das ferrovias aos aeroportos e estradas. Sua incapacidade para enxergar o óbvio chega a cegar – veja-se o risco ascendente que agora rondam as privatizações que o governo federal pretende levar adiante nos próximos meses.

A indústria definha, num ziguezague que só tende a levá-la ainda mais fundo para o buraco. O comércio exterior nunca esteve tão mal, abatido por importações cavalares de petróleo num país que até outro dia se dizia autossuficiente. Os serviços públicos continuam em petição de miséria – na pesquisa do Ibope, o sistema de saúde só não é mais mal avaliado que o Congresso e os partidos políticos.

É inegável que a perda de confiança da população na figura que exerce a função mais importante no país acaba respingando nas demais esferas. Com sua péssima atuação à frente do governo, a presidente está conseguindo erodir não apenas o seu capital político, mas também depreciar ainda mais todas as instituições da República. A dose de malefícios que ela está impondo ao Brasil já ultrapassou os limites. A pesquisa feita pelo Ibope é o retrato mais fiel de que o tempo de Dilma Rousseff passou.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela

Pobres filhos de Francisco - Guilherme Fiuza

O Brasil sofre de orfandade crônica. Está sempre procurando um pai. De repente o país saiu às ruas, indignado. Parecia ter finalmente entendido que seus problemas não se resolvem com a aclamação de bonzinhos profissionais, e seus melodramas de esquerda. A popularidade dos governantes despencou. O povo sentira o colapso administrativo do populismo, e queria ação. Aí chegou o Papa Francisco.

Milhões de brasileiros saíram às ruas novamente, e o resto do país grudou na tela da TV. O povo revoltado com o império do blá-blá-blá estava, agora, derretido com as palavras bondosas de Francisco. Euforia geral: papai chegou. Vejam como o Papa é simples! Notem como é despojado, com seu carro modesto de janela aberta! Olhem o Papa preso no engarrafamento, sem medo do povo! Vivam os novos tempos!

É comovente ver um povo se lambuzar todo com essas esmolas de esperança.

Esmolas valiosas, aliás, para os profissionais da bondade que andavam chamuscados. Até a presidente da Argentina veio tirar foto com o sorridente Francisco em Copacabana. Cristina Kirchner acaba de vitaminar sua ditadura do bem, com poderes de intervenção estatal na mídia, enquanto sua foto com o Papa bonzinho circula em material de propaganda por todo o país. Como é barato lavar uma reputação...

Dilma Rousseff sabe disso, e também não perdeu a pechincha de Francisco: pegando uma carona na aura imaculada do santo homem, despejou um discurso petista daqueles mais satânicos, cheio de autoexaltações paranoicas e fraudes retóricas convictas. Dilma disse que as manifestações de rua são sinal de dez anos de êxito do PT. E o Papa ouviu sorridente. Deus abençoe a cara de pau.

O desfile de simplicidade e despojamento de Francisco, que custou uns 300 milhões de reais ao contribuinte, foi uma bênção para o governo popular. Não há mau humor no Brasil que sobreviva ao carnaval, e a micareta cristã veio a calhar.

Como se sabe, os brasileiros acham que ajuntamento de gente é sinônimo de grandiosidade. Da mesma forma que as passeatas contra tudo (e contra nada) foram saudadas como um novo Maio de 68, as multidões que atravancaram o cotidiano carioca em torno de Sua Santidade viraram o "show da fé", o alvorecer da boa vontade franciscana etc. De muvuca em muvuca, de mistificação em mistificação, o país vai caminhando epicamente para lugar nenhum.

Recitando sua cartilha progressista, Francisco declarou que não gosta de jovem que não protesta. Pronto: quem mandou você, estudante alienado que só pensa em estudar, ficar em casa? Está excomungado. Por que não fez como o jovem que foi à passeata em Belo Horizonte com um cartaz pedindo "Jô titular!" - um brado indignado para que Felipão escalasse o artilheiro do Atlético-MG? Esse não vai para a lista negra do Papa.

Assim é o populismo: calcula o que a multidão quer ouvir e manda bala. "Se uma pessoa é gay, busca Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?", disse Francisco, levando à apoteose o presépio progressista. Bem, vamos ajudar esse Papa simpaticíssimo e responder quem é ele: é o representante máximo de uma religião que não tolera as relações homossexuais. Caberia então perguntar ao novo Papa: está propondo uma mudança radical na doutrina do catolicismo? Está indicando que a Igreja deverá aceitar o sexo entre iguais, portanto sem fins reprodutivos?

Se o Papa responder que sim, estaremos diante de uma revolução. Mas se ele não responder - e ele jamais responderá -, a declaração sobre os gays terá sido só uma frase de efeito. Um truque político.

O Brasil revoltado que foi às ruas e invadiu palácios deveria estar farto de truques políticos. Deveria estar farto, ou ao menos desconfiado, de líderes que trazem o paraíso na garganta. As manifestações estouraram porque a vida piorou. E a vida piorou por causa do "show da fé" numa administração fajuta, disfarçada por alegorias e bandeirolas progressistas.

O governo do PT montou em dez anos uma orgia de gastos públicos sem precedentes - e sem investimentos, sem projetos, pura alimentação do parasitismo político. A inflação é o efeito colateral mais visível desse golpe. Mas Dilma acaba de declarar, tranquilamente, que a sua Disneylândia de ministérios não afeta as contas públicas. E que a inflação era um problema no governo Fernando Henrique, não no de Lula e no seu. O PT é especialista em falsidade ideológica por falta de contraditório. Tudo cola. A mentira progressista tem perna longa - pelo menos mais longa que a dos manifestantes ninja, que andam muito e nunca chegam.

Acaba de sair novo relatório de superfaturamento milionário no Dnit - aquele mesmo Dnit que levou à queda do ministro dos Transportes, na famosa faxina de Dilma. Isto é: a ordenha prossegue normalmente. Onde está a mídia ninja? Melhor rezar para Francisco.

Fonte: O Globo

Demagogia na saúde - Miguel Reale Júnior

O levantamento demográfico da medicina no Brasil publicado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em fevereiro, indicou que no nosso país o número de médicos cresceu 74%, na relação por 1.000 habitantes, de 1980 a 2012. Hoje se conta com 2 médicos para cada 1.000 habitantes, enquanto em 1980 a proporção era de 1,15. A meta proposta pela Frente Nacional de Prefeitos é de 2,75 por 1.000 habitantes no prazo de dez anos, o mesmo índice da Inglaterra. Esse crescimento desejado será conseqüência natural em face do número de inscrições nos Conselhos Regionais de formados pelas 201 faculdades existentes: de outubro de 2011 a outubro de 2012 se inscreveram 16.227 novos médicos.

Como destaca o censo demográfico da medicina, o problema não reside no número de médicos, mas na sua distribuição desigual pelas diversas regiões e, muito especialmente, na falta de outros profissionais de saúde, de instalações e equipamentos essenciais ao correto atendimento.

Malgrado esse quadro, o governo Dilma Rousseff, de modo demagógico, visando a satisfazer os objetivos de diminuirá carência de médicos em regiões prioritárias e as desigualdades regionais, criou, por medida provisória (MP), duas frentes: inovou o currículo do curso e permitiu o exercício da medicina aos formados no exterior, sendo a estes desnecessária a revalidação do diploma.

Quanto à primeira medida, inventou-se no currículo de Medicina um segundo ciclo a se realizar após os normais seis anos de curso - como se tal fosse necessário à formação do médico -, consistente na prestação obrigatória de atendimento médico a título de treinamento em serviço, exclusivamente, na atenção básica à saúde e em urgência e emergência no âmbito do SUS. Ignora-se que grande parte dos estudantes, sob orientação de seus professores, já presta, no 5.º e no 6.° anos, assistência a pacientes do SUS.

Essa imposição, da qual consta ter-se desistido, vigoraria a partir de 2021, pois aplicável aos estudantes que ingressassem na faculdade de 2015 em diante. Quem completasse o primeiro ciclo, os seis anos de curso, receberia inscrição provisória do Conselho Regional de Medicina ao se matricular no segundo ciclo, um meio médico, porque autorizado a atuar unicamente na atenção básica à saúde, em urgência e emergência no âmbito do SUS. Depois de cumprido o segundo ciclo receberia o estudante, então, o diploma de médico.

Prevê-se também que caberá ao estudante do segundo ciclo receber a necessária supervisão de sua instituição de ensino, como se isso pudesse ser feito pelas faculdades nos locais para onde será enviado o seu antigo aluno, no atendimento de emergência do SUS.

Trata-se de efetiva chantagem com o formando em Medicina: ou presta serviços ao SUS ou não recebe o diploma de médico - fazendo-se de conta que, depois do curso normal, trabalhar para o SUS seja essencial para a formação médica, para sua qualificação profissional. Viola-se a Constituição, ao se impor um serviço obrigatório admitido pela nossa Carta apenas com relação ao serviço militar. Afronta-se o disposto no artigo 5.º, XIII, pois não constitui, evidentemente, qualificação profissional para o exercício da medicina a prestação de serviços de emergência no SUS.

Caberá ao Conselho Nacional de Educação regulamentar o segundo ciclo, mas este já se manifestou no sentido de transformar em residência médica os anos de trabalho obrigatório no SUS, ideia agora aceita pelo governo. Conforme editorial deste jornal, a residência não poderá ser feita, em geral, na rede do SUS por falta de qualificação para tanto, de vez que a residência, como aperfeiçoamento, apenas é factível em hospital-escola ou de referência. Eufemisticamente se chama de residência o trabalho obrigatório.

Mais grave ainda a segunda medida: elimina-se a necessidade de avaliação de médicos, brasileiros ou estrangeiros, formados no exterior, dispensando o exame de revalidação do diploma. Entrega-se a saúde pública, com cegueira deliberada, a uma aventura. Estudantes mal sucedidos em vestibulares no Brasil, esses médicos formados na Bolívia, na Argentina e em Cuba, em cursos reconhecidamente sofríveis, não precisam do segundo ciclo nem de comprovar preparo técnico.

Quanto ao ensino cubano, basta o relato de ex-presidente do CFM Edson de Oliveira Andrade, que após visita à ilha assinalou: "Os médicos recém-fomrados em Cuba não conseguem aprovação nas provas de revalidação de diplomas no Brasil porque a sua formação é deliberadamente limitada, com ênfase nos cuidados básicos - importantíssimos por certo, porém insuficientes para o exercício de uma medicina plena, como precisamos e exercemos no Brasil".

Recebem os estrangeiros visto temporário de trabalho. Já os brasileiros, e são 20 mil a estudar Medicina na Bolívia, se livraram do vestibular e agora se livram também de revalidar o diploma, pois a MP exclui de incidência as normas do artigo 48, § 2.0, da Lei de Diretrizes e Bases, impositiva da revalidação, e do artigo 17 da Lei n.° 3.268/57, que exige para o exercício da medicina o registro do diploma no Ministério da Educação.

Deve-se lembrar ao ministro Lewandowski, do STF, que não viu urgência na concessão de liminar em ação interposta pela Associação Médica Brasileira contra a MP, poder tomar-se cúmplice da entrada de médicos mal formados, não avaliados, oriundos de cursos insuficientes em países latino-americanos. Urgente é impedir que a saúde seja entregue a profissionais despreparados, buscando magicamente suprir a desigual distribuição de profissionais nas regiões do País.

A demagogia não deve entrar na sensível área da saúde. Certo seria criar plano de carreira para médicos e iniciar ação conjunta com Estados e municípios para dotar de meios a rede pública de saúde. O mais é demagogia.

*Advogado , professor titular da Faculdade de Direito da USP, membro da Academia Paulista de Letras, foi ministro da Justiça

Fonte: O Estado de S. Paulo