domingo, 20 de setembro de 2026

Falta foco à diplomacia americana, por Elio Gaspari

O Globo

A divulgação dos documentos de outubro do ano passado e de janeiro passado que continham o que seriam as condições para a abertura de negociações comerciais com o Brasil mostra algo inquietante: a diplomacia americana perdeu o foco, virou assembleia estudantil.

O conjunto de condicionantes virou um terreno baldio, fica a impressão de que os diversos lobbies de Washington passavam pelo rascunho e jogavam seus pleitos. A Boeing quer que as empresas aéreas brasileiras só comprem seus produtos. As big techs querem continuar fazendo o que bem entendem e os plantadores de soja querem que o Brasil ajude a “estabilizar o comércio mundial de soja”. Traduzindo: querem que o agro brasileiro ajude a turma da soja americana.

As propostas americanas foram rechaçadas, até porque essas negociações não podem ser conduzidas como pacotes. Cada item é um item e conversa-se devagar. Lidos de uma vez, parecem um instrumento de capitulação.

Os itens que tratam da próxima eleição brasileira são de uma ignorância abissal, como se em Pindorama houvesse um candidato prometendo melar o pleito.

A diplomacia americana já foi outra, ela dava pouco espaço ao improviso, ajudava os lobbies, porém mantinha a elegância.

A diplomacia trumpista é arrogante e vazia. O melhor que se pode fazer nesses casos é ficar longe. Bater boca não adianta nada e tentar negociar a sério poderá ser possível, mas dará muito mais trabalho, pois não havendo foco, não haverá prioridades.

Incorrigível

Desde o início da crise do Supremo, sabe-se que o governo de Lula 3.0 não tem nada a ver com ela. Nenhum titular de cargo bicou nos favores de Vorcaro. Era a crise dos sonhos do Palácio.

Faltou combinar com Lula. A troco de nada, durante uma entrevista banal, tomou o partido do ministro Alexandre de Moraes. Acusou Flávio Bolsonaro de “ter bronca” do ministro porque ele mandou prender seu pai.

Atravessou a Praça dos Três Poderes para escorregar no cocô do cachorro do bandido.

Cuidado com Fux

Com a civilidade do Supremo em viés de baixa, tudo pode acontecer naquele pretório excelso. Uma troca de mensagens entre os ministros Gilmar Mendes e Luiz Fux mostra o clima:

Gilmar: “Isto revela qq (sic) coisa menos postura institucional. Espero que não (sic) se repita”.

Fux: “Ninguém nesse mundo diz pra (sic) mim como agir”.

Gilmar: “Fux, soh (sic) cuide de atuar como Presidente da turma”.

Fux: “Bom Dia. Cuide de não encher meu saco!”.

Gilmar sabe, mas não custa repetir, Fux tem uma graduação superior à faixa preta de jiu-jítsu. Como o decano do Supremo é um mestre da retórica do atrevimento, convém se cuidar.

Há alguns anos, Fux encestou um ladrão.

Rivotril

O reajuste do Bolsa Família às vésperas do primeiro turno ganhou um apelido: Rivotril.

Afinal, Lula tem 53% das preferências entre os beneficiários do programa. Flávio Bolsonaro tem surpreendentes 28%

D. Pedro passou a faca

D. Pedro II tem fama de austero, criterioso e justo. Menos. Em 1863 ele aposentou compulsoriamente quatro juízes do Supremo Tribunal de Justiça. Seriam ministros prevaricadores ou teriam descontentado a Condessa de Barral, uma bonita baiana, culta e chique. Namorada do Imperador, sabia defender seus interesses.

Foram quatro ministros de uma só vez. A degola foi denunciada por inconstitucional e o presidente do tribunal renunciou ao cargo (mas manteve a cadeira).

D. Pedro sabia lidar com magistrados. Num despacho de 1862 com o presidente do conselho, registrou:

“Falamos também sobre as prevaricações de certos magistrados, e disse que era preciso não deixar impunes tais crimes, sendo seus perpetradores estigmatizados, ao menos, por um processo”.

Como no filme

Daniel Vorcaro ocupa parte do seu tempo na Papudinha cuidando de um pequeno jardim e de uma horta.

Vorcaro teve seu momento de Dustin Hoffman. No filme “Papillon”, baseado na autobiografia de um arrombador de cofres francês (Steve McQueen no filme), mandando para uma prisão na Guiana, lá ele convive com o vigarista Louis Dega (Dustin Hoffman).

Enquanto Papillon só pensa em fugir, Dega torna-se um aplicado jardineiro.

Vaidade masculina

Com o Supremo Tribunal debaixo da lupa, caíram na frigideira os relógios de algumas das excelências. O decano Gilmar Mendes lembra os soldados russos, usa dois, um em cada pulso. O mais caro é o Patek Philippe de Alexandre de Moraes (R$ 720 mil) e o mais barato é o Patek de Edson Fachin (R$ 60 mil).

Todos feitos para quem anda em carro oficial, pois, com modelitos desse valor, um pedestre não consegue andar por cem metros de calçada.

Misógino, o Pretório Excelso é uma vitrine da vaidade masculina. Em tese, os ministros vestem togas negras, sóbrias e despojadas.

Na prática, os doutores redesenharam as togas e enfiaram ridículas ombreiras que os fazem parecer com Darth Vader, além disso, quase todos usam togas acetinadas, que lhes dão um brilho quase carnavalesco.

Quando um curioso perguntou à ministra Cármen Lúcia se a sua toga era acetinada, ela mineiramente respondeu:

Você está me estranhando?

Jogatina

Com a eleição chegando e Flávio Bolsonaro encostando nas pesquisas, Lula promete acabar com os cassinos on-line, aqueles nos quais se pode apostar a partir do celular.

Ótima ideia, mas para prevenir desastres futuros, caso ele seja reeleito, poderia organizar um seminário para investigar como e por que o seu governo instalou a jogatina em Pindorama.

O objetivo era fazer caixa, nada mais.

A proibição desses cassinos deveria ser anunciada em rede nacional pelo doutor Fernando Haddad. Afinal, ele é um dos pais da ideia.

A faxina do STF

Tomara que a eleição parlamentar de 2026 traga alguma emoção, ideia ou novidade. Isso porque a disputa presidencial é soporífera, desprovida de ideias e novidades. Novidade mesmo só a nova composição do Senado e a forte possibilidade de se formar uma maioria de 54 votos capaz de tirar o cargo de um ministro do Supremo Tribunal.

Se depender do próprio tribunal, ele nunca fará isso.

Os candidatos ao impedimento são pelo menos dois: Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. A relação de Moraes com o senador Davi Alcolumbre pode livrá-lo da lâmina.

A tarefa dos doutores parece ser a de criar tantos obstáculos para uma faxina doméstica, de forma que o socorro venha do Senado.

A divulgação dos documentos de outubro do ano passado e de janeiro passado que continham o que seriam as condições para a abertura de negociações comerciais com o Brasil mostra algo inquietante: a diplomacia americana perdeu o foco, virou assembleia estudantil.

O conjunto de condicionantes virou um terreno baldio, fica a impressão de que os diversos lobbies de Washington passavam pelo rascunho e jogavam seus pleitos. A Boeing quer que as empresas aéreas brasileiras só comprem seus produtos. As big techs querem continuar fazendo o que bem entendem e os plantadores de soja querem que o Brasil ajude a “estabilizar o comércio mundial de soja”. Traduzindo: querem que o agro brasileiro ajude a turma da soja americana.

As propostas americanas foram rechaçadas, até porque essas negociações não podem ser conduzidas como pacotes. Cada item é um item e conversa-se devagar. Lidos de uma vez, parecem um instrumento de capitulação.

Os itens que tratam da próxima eleição brasileira são de uma ignorância abissal, como se em Pindorama houvesse um candidato prometendo melar o pleito.

A diplomacia americana já foi outra, ela dava pouco espaço ao improviso, ajudava os lobbies, porém mantinha a elegância.

A diplomacia trumpista é arrogante e vazia. O melhor que se pode fazer nesses casos é ficar longe. Bater boca não adianta nada e tentar negociar a sério poderá ser possível, mas dará muito mais trabalho, pois não havendo foco, não haverá prioridades.

Incorrigível

Desde o início da crise do Supremo, sabe-se que o governo de Lula 3.0 não tem nada a ver com ela. Nenhum titular de cargo bicou nos favores de Vorcaro. Era a crise dos sonhos do Palácio.

Faltou combinar com Lula. A troco de nada, durante uma entrevista banal, tomou o partido do ministro Alexandre de Moraes. Acusou Flávio Bolsonaro de “ter bronca” do ministro porque ele mandou prender seu pai.

Atravessou a Praça dos Três Poderes para escorregar no cocô do cachorro do bandido.

Cuidado com Fux

Com a civilidade do Supremo em viés de baixa, tudo pode acontecer naquele pretório excelso. Uma troca de mensagens entre os ministros Gilmar Mendes e Luiz Fux mostra o clima:

Gilmar: “Isto revela qq (sic) coisa menos postura institucional. Espero que não (sic) se repita”.

Fux: “Ninguém nesse mundo diz pra (sic) mim como agir”.

Gilmar: “Fux, soh (sic) cuide de atuar como Presidente da turma”.

Fux: “Bom Dia. Cuide de não encher meu saco!”.

Gilmar sabe, mas não custa repetir, Fux tem uma graduação superior à faixa preta de jiu-jítsu. Como o decano do Supremo é um mestre da retórica do atrevimento, convém se cuidar.

Há alguns anos, Fux encestou um ladrão.

Rivotril

O reajuste do Bolsa Família às vésperas do primeiro turno ganhou um apelido: Rivotril.

Afinal, Lula tem 53% das preferências entre os beneficiários do programa. Flávio Bolsonaro tem surpreendentes 28%

D. Pedro passou a faca

D. Pedro II tem fama de austero, criterioso e justo. Menos. Em 1863 ele aposentou compulsoriamente quatro juízes do Supremo Tribunal de Justiça. Seriam ministros prevaricadores ou teriam descontentado a Condessa de Barral, uma bonita baiana, culta e chique. Namorada do Imperador, sabia defender seus interesses.

Foram quatro ministros de uma só vez. A degola foi denunciada por inconstitucional e o presidente do tribunal renunciou ao cargo (mas manteve a cadeira).

D. Pedro sabia lidar com magistrados. Num despacho de 1862 com o presidente do conselho, registrou:

“Falamos também sobre as prevaricações de certos magistrados, e disse que era preciso não deixar impunes tais crimes, sendo seus perpetradores estigmatizados, ao menos, por um processo”.

Como no filme

Daniel Vorcaro ocupa parte do seu tempo na Papudinha cuidando de um pequeno jardim e de uma horta.

Vorcaro teve seu momento de Dustin Hoffman. No filme “Papillon”, baseado na autobiografia de um arrombador de cofres francês (Steve McQueen no filme), mandando para uma prisão na Guiana, lá ele convive com o vigarista Louis Dega (Dustin Hoffman).

Enquanto Papillon só pensa em fugir, Dega torna-se um aplicado jardineiro.

Vaidade masculina

Com o Supremo Tribunal debaixo da lupa, caíram na frigideira os relógios de algumas das excelências. O decano Gilmar Mendes lembra os soldados russos, usa dois, um em cada pulso. O mais caro é o Patek Philippe de Alexandre de Moraes (R$ 720 mil) e o mais barato é o Patek de Edson Fachin (R$ 60 mil).

Todos feitos para quem anda em carro oficial, pois, com modelitos desse valor, um pedestre não consegue andar por cem metros de calçada.

Misógino, o Pretório Excelso é uma vitrine da vaidade masculina. Em tese, os ministros vestem togas negras, sóbrias e despojadas.

Na prática, os doutores redesenharam as togas e enfiaram ridículas ombreiras que os fazem parecer com Darth Vader, além disso, quase todos usam togas acetinadas, que lhes dão um brilho quase carnavalesco.

Quando um curioso perguntou à ministra Cármen Lúcia se a sua toga era acetinada, ela mineiramente respondeu:

Você está me estranhando?

Jogatina

Com a eleição chegando e Flávio Bolsonaro encostando nas pesquisas, Lula promete acabar com os cassinos on-line, aqueles nos quais se pode apostar a partir do celular.

Ótima ideia, mas para prevenir desastres futuros, caso ele seja reeleito, poderia organizar um seminário para investigar como e por que o seu governo instalou a jogatina em Pindorama.

O objetivo era fazer caixa, nada mais.

A proibição desses cassinos deveria ser anunciada em rede nacional pelo doutor Fernando Haddad. Afinal, ele é um dos pais da ideia.

A faxina do STF

Tomara que a eleição parlamentar de 2026 traga alguma emoção, ideia ou novidade. Isso porque a disputa presidencial é soporífera, desprovida de ideias e novidades. Novidade mesmo só a nova composição do Senado e a forte possibilidade de se formar uma maioria de 54 votos capaz de tirar o cargo de um ministro do Supremo Tribunal.

Se depender do próprio tribunal, ele nunca fará isso.

Os candidatos ao impedimento são pelo menos dois: Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. A relação de Moraes com o senador Davi Alcolumbre pode livrá-lo da lâmina.

A tarefa dos doutores parece ser a de criar tantos obstáculos para uma faxina doméstica, de forma que o socorro venha do Senado.

A divulgação dos documentos de outubro do ano passado e de janeiro passado que continham o que seriam as condições para a abertura de negociações comerciais com o Brasil mostra algo inquietante: a diplomacia americana perdeu o foco, virou assembleia estudantil.

O conjunto de condicionantes virou um terreno baldio, fica a impressão de que os diversos lobbies de Washington passavam pelo rascunho e jogavam seus pleitos. A Boeing quer que as empresas aéreas brasileiras só comprem seus produtos. As big techs querem continuar fazendo o que bem entendem e os plantadores de soja querem que o Brasil ajude a “estabilizar o comércio mundial de soja”. Traduzindo: querem que o agro brasileiro ajude a turma da soja americana.

As propostas americanas foram rechaçadas, até porque essas negociações não podem ser conduzidas como pacotes. Cada item é um item e conversa-se devagar. Lidos de uma vez, parecem um instrumento de capitulação.

Os itens que tratam da próxima eleição brasileira são de uma ignorância abissal, como se em Pindorama houvesse um candidato prometendo melar o pleito.

A diplomacia americana já foi outra, ela dava pouco espaço ao improviso, ajudava os lobbies, porém mantinha a elegância.

A diplomacia trumpista é arrogante e vazia. O melhor que se pode fazer nesses casos é ficar longe. Bater boca não adianta nada e tentar negociar a sério poderá ser possível, mas dará muito mais trabalho, pois não havendo foco, não haverá prioridades.

Incorrigível

Desde o início da crise do Supremo, sabe-se que o governo de Lula 3.0 não tem nada a ver com ela. Nenhum titular de cargo bicou nos favores de Vorcaro. Era a crise dos sonhos do Palácio.

Faltou combinar com Lula. A troco de nada, durante uma entrevista banal, tomou o partido do ministro Alexandre de Moraes. Acusou Flávio Bolsonaro de “ter bronca” do ministro porque ele mandou prender seu pai.

Atravessou a Praça dos Três Poderes para escorregar no cocô do cachorro do bandido.

Cuidado com Fux

Com a civilidade do Supremo em viés de baixa, tudo pode acontecer naquele pretório excelso. Uma troca de mensagens entre os ministros Gilmar Mendes e Luiz Fux mostra o clima:

Gilmar: “Isto revela qq (sic) coisa menos postura institucional. Espero que não (sic) se repita”.

Fux: “Ninguém nesse mundo diz pra (sic) mim como agir”.

Gilmar: “Fux, soh (sic) cuide de atuar como Presidente da turma”.

Fux: “Bom Dia. Cuide de não encher meu saco!”.

Gilmar sabe, mas não custa repetir, Fux tem uma graduação superior à faixa preta de jiu-jítsu. Como o decano do Supremo é um mestre da retórica do atrevimento, convém se cuidar.

Há alguns anos, Fux encestou um ladrão.

Rivotril

O reajuste do Bolsa Família às vésperas do primeiro turno ganhou um apelido: Rivotril.

Afinal, Lula tem 53% das preferências entre os beneficiários do programa. Flávio Bolsonaro tem surpreendentes 28%

D. Pedro passou a faca

D. Pedro II tem fama de austero, criterioso e justo. Menos. Em 1863 ele aposentou compulsoriamente quatro juízes do Supremo Tribunal de Justiça. Seriam ministros prevaricadores ou teriam descontentado a Condessa de Barral, uma bonita baiana, culta e chique. Namorada do Imperador, sabia defender seus interesses.

Foram quatro ministros de uma só vez. A degola foi denunciada por inconstitucional e o presidente do tribunal renunciou ao cargo (mas manteve a cadeira).

D. Pedro sabia lidar com magistrados. Num despacho de 1862 com o presidente do conselho, registrou:

“Falamos também sobre as prevaricações de certos magistrados, e disse que era preciso não deixar impunes tais crimes, sendo seus perpetradores estigmatizados, ao menos, por um processo”.

Como no filme

Daniel Vorcaro ocupa parte do seu tempo na Papudinha cuidando de um pequeno jardim e de uma horta.

Vorcaro teve seu momento de Dustin Hoffman. No filme “Papillon”, baseado na autobiografia de um arrombador de cofres francês (Steve McQueen no filme), mandando para uma prisão na Guiana, lá ele convive com o vigarista Louis Dega (Dustin Hoffman).

Enquanto Papillon só pensa em fugir, Dega torna-se um aplicado jardineiro.

Vaidade masculina

Com o Supremo Tribunal debaixo da lupa, caíram na frigideira os relógios de algumas das excelências. O decano Gilmar Mendes lembra os soldados russos, usa dois, um em cada pulso. O mais caro é o Patek Philippe de Alexandre de Moraes (R$ 720 mil) e o mais barato é o Patek de Edson Fachin (R$ 60 mil).

Todos feitos para quem anda em carro oficial, pois, com modelitos desse valor, um pedestre não consegue andar por cem metros de calçada.

Misógino, o Pretório Excelso é uma vitrine da vaidade masculina. Em tese, os ministros vestem togas negras, sóbrias e despojadas.

Na prática, os doutores redesenharam as togas e enfiaram ridículas ombreiras que os fazem parecer com Darth Vader, além disso, quase todos usam togas acetinadas, que lhes dão um brilho quase carnavalesco.

Quando um curioso perguntou à ministra Cármen Lúcia se a sua toga era acetinada, ela mineiramente respondeu:

Você está me estranhando?

Jogatina

Com a eleição chegando e Flávio Bolsonaro encostando nas pesquisas, Lula promete acabar com os cassinos on-line, aqueles nos quais se pode apostar a partir do celular.

Ótima ideia, mas para prevenir desastres futuros, caso ele seja reeleito, poderia organizar um seminário para investigar como e por que o seu governo instalou a jogatina em Pindorama.

O objetivo era fazer caixa, nada mais.

A proibição desses cassinos deveria ser anunciada em rede nacional pelo doutor Fernando Haddad. Afinal, ele é um dos pais da ideia.

A faxina do STF

Tomara que a eleição parlamentar de 2026 traga alguma emoção, ideia ou novidade. Isso porque a disputa presidencial é soporífera, desprovida de ideias e novidades. Novidade mesmo só a nova composição do Senado e a forte possibilidade de se formar uma maioria de 54 votos capaz de tirar o cargo de um ministro do Supremo Tribunal.

Se depender do próprio tribunal, ele nunca fará isso.

Os candidatos ao impedimento são pelo menos dois: Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. A relação de Moraes com o senador Davi Alcolumbre pode livrá-lo da lâmina.

A tarefa dos doutores parece ser a de criar tantos obstáculos para uma faxina doméstica, de forma que o socorro venha do Senado.

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A divulgação dos documentos de outubro do ano passado e de janeiro passado que continham o que seriam as condições para a abertura de negociações comerciais com o Brasil mostra algo inquietante: a diplomacia americana perdeu o foco, virou assembleia estudantil.

O conjunto de condicionantes virou um terreno baldio, fica a impressão de que os diversos lobbies de Washington passavam pelo rascunho e jogavam seus pleitos. A Boeing quer que as empresas aéreas brasileiras só comprem seus produtos. As big techs querem continuar fazendo o que bem entendem e os plantadores de soja querem que o Brasil ajude a “estabilizar o comércio mundial de soja”. Traduzindo: querem que o agro brasileiro ajude a turma da soja americana.

As propostas americanas foram rechaçadas, até porque essas negociações não podem ser conduzidas como pacotes. Cada item é um item e conversa-se devagar. Lidos de uma vez, parecem um instrumento de capitulação.

Os itens que tratam da próxima eleição brasileira são de uma ignorância abissal, como se em Pindorama houvesse um candidato prometendo melar o pleito.

A diplomacia americana já foi outra, ela dava pouco espaço ao improviso, ajudava os lobbies, porém mantinha a elegância.

A diplomacia trumpista é arrogante e vazia. O melhor que se pode fazer nesses casos é ficar longe. Bater boca não adianta nada e tentar negociar a sério poderá ser possível, mas dará muito mais trabalho, pois não havendo foco, não haverá prioridades.

Incorrigível

Desde o início da crise do Supremo, sabe-se que o governo de Lula 3.0 não tem nada a ver com ela. Nenhum titular de cargo bicou nos favores de Vorcaro. Era a crise dos sonhos do Palácio.

Faltou combinar com Lula. A troco de nada, durante uma entrevista banal, tomou o partido do ministro Alexandre de Moraes. Acusou Flávio Bolsonaro de “ter bronca” do ministro porque ele mandou prender seu pai.

Atravessou a Praça dos Três Poderes para escorregar no cocô do cachorro do bandido.

Cuidado com Fux

Com a civilidade do Supremo em viés de baixa, tudo pode acontecer naquele pretório excelso. Uma troca de mensagens entre os ministros Gilmar Mendes e Luiz Fux mostra o clima:

Gilmar: “Isto revela qq (sic) coisa menos postura institucional. Espero que não (sic) se repita”.

Fux: “Ninguém nesse mundo diz pra (sic) mim como agir”.

Gilmar: “Fux, soh (sic) cuide de atuar como Presidente da turma”.

Fux: “Bom Dia. Cuide de não encher meu saco!”.

Gilmar sabe, mas não custa repetir, Fux tem uma graduação superior à faixa preta de jiu-jítsu. Como o decano do Supremo é um mestre da retórica do atrevimento, convém se cuidar.

Há alguns anos, Fux encestou um ladrão.

Rivotril

O reajuste do Bolsa Família às vésperas do primeiro turno ganhou um apelido: Rivotril.

Afinal, Lula tem 53% das preferências entre os beneficiários do programa. Flávio Bolsonaro tem surpreendentes 28%

D. Pedro passou a faca

D. Pedro II tem fama de austero, criterioso e justo. Menos. Em 1863 ele aposentou compulsoriamente quatro juízes do Supremo Tribunal de Justiça. Seriam ministros prevaricadores ou teriam descontentado a Condessa de Barral, uma bonita baiana, culta e chique. Namorada do Imperador, sabia defender seus interesses.

Foram quatro ministros de uma só vez. A degola foi denunciada por inconstitucional e o presidente do tribunal renunciou ao cargo (mas manteve a cadeira).

D. Pedro sabia lidar com magistrados. Num despacho de 1862 com o presidente do conselho, registrou:

“Falamos também sobre as prevaricações de certos magistrados, e disse que era preciso não deixar impunes tais crimes, sendo seus perpetradores estigmatizados, ao menos, por um processo”.

Como no filme

Daniel Vorcaro ocupa parte do seu tempo na Papudinha cuidando de um pequeno jardim e de uma horta.

Vorcaro teve seu momento de Dustin Hoffman. No filme “Papillon”, baseado na autobiografia de um arrombador de cofres francês (Steve McQueen no filme), mandando para uma prisão na Guiana, lá ele convive com o vigarista Louis Dega (Dustin Hoffman).

Enquanto Papillon só pensa em fugir, Dega torna-se um aplicado jardineiro.

Vaidade masculina

Com o Supremo Tribunal debaixo da lupa, caíram na frigideira os relógios de algumas das excelências. O decano Gilmar Mendes lembra os soldados russos, usa dois, um em cada pulso. O mais caro é o Patek Philippe de Alexandre de Moraes (R$ 720 mil) e o mais barato é o Patek de Edson Fachin (R$ 60 mil).

Todos feitos para quem anda em carro oficial, pois, com modelitos desse valor, um pedestre não consegue andar por cem metros de calçada.

Misógino, o Pretório Excelso é uma vitrine da vaidade masculina. Em tese, os ministros vestem togas negras, sóbrias e despojadas.

Na prática, os doutores redesenharam as togas e enfiaram ridículas ombreiras que os fazem parecer com Darth Vader, além disso, quase todos usam togas acetinadas, que lhes dão um brilho quase carnavalesco.

Quando um curioso perguntou à ministra Cármen Lúcia se a sua toga era acetinada, ela mineiramente respondeu:

Você está me estranhando?

Jogatina

Com a eleição chegando e Flávio Bolsonaro encostando nas pesquisas, Lula promete acabar com os cassinos on-line, aqueles nos quais se pode apostar a partir do celular.

Ótima ideia, mas para prevenir desastres futuros, caso ele seja reeleito, poderia organizar um seminário para investigar como e por que o seu governo instalou a jogatina em Pindorama.

O objetivo era fazer caixa, nada mais.

A proibição desses cassinos deveria ser anunciada em rede nacional pelo doutor Fernando Haddad. Afinal, ele é um dos pais da ideia.

A faxina do STF

Tomara que a eleição parlamentar de 2026 traga alguma emoção, ideia ou novidade. Isso porque a disputa presidencial é soporífera, desprovida de ideias e novidades. Novidade mesmo só a nova composição do Senado e a forte possibilidade de se formar uma maioria de 54 votos capaz de tirar o cargo de um ministro do Supremo Tribunal.

Se depender do próprio tribunal, ele nunca fará isso.

Os candidatos ao impedimento são pelo menos dois: Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. A relação de Moraes com o senador Davi Alcolumbre pode livrá-lo da lâmina.

A tarefa dos doutores parece ser a de criar tantos obstáculos para uma faxina doméstica, de forma que o socorro venha do Senado.

 

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