O Globo
A divulgação dos documentos de outubro do ano
passado e de janeiro passado que continham o que seriam as condições para a
abertura de negociações comerciais com o Brasil mostra algo inquietante: a
diplomacia americana perdeu o foco, virou assembleia estudantil.
O conjunto de condicionantes virou um terreno
baldio, fica a impressão de que os diversos lobbies de Washington passavam pelo
rascunho e jogavam seus pleitos. A Boeing quer que as empresas aéreas
brasileiras só comprem seus produtos. As big techs querem continuar fazendo o
que bem entendem e os plantadores de soja querem que o Brasil ajude a
“estabilizar o comércio mundial de soja”. Traduzindo: querem que o agro
brasileiro ajude a turma da soja americana.
As propostas americanas foram rechaçadas, até
porque essas negociações não podem ser conduzidas como pacotes. Cada item é um
item e conversa-se devagar. Lidos de uma vez, parecem um instrumento de
capitulação.
Os itens que tratam da próxima eleição
brasileira são de uma ignorância abissal, como se em Pindorama houvesse um
candidato prometendo melar o pleito.
A diplomacia americana já foi outra, ela dava
pouco espaço ao improviso, ajudava os lobbies, porém mantinha a elegância.
A diplomacia trumpista é arrogante e vazia. O melhor que se pode fazer nesses casos é ficar longe. Bater boca não adianta nada e tentar negociar a sério poderá ser possível, mas dará muito mais trabalho, pois não havendo foco, não haverá prioridades.
Incorrigível
Desde o início da crise do Supremo, sabe-se
que o governo de Lula 3.0 não tem nada a ver com ela. Nenhum titular de cargo
bicou nos favores de Vorcaro. Era a crise dos sonhos do Palácio.
Faltou combinar com Lula. A troco de nada,
durante uma entrevista banal, tomou o partido do ministro Alexandre de Moraes.
Acusou Flávio Bolsonaro de “ter bronca” do ministro porque ele mandou prender
seu pai.
Atravessou a Praça dos Três Poderes para
escorregar no cocô do cachorro do bandido.
Cuidado com Fux
Com a civilidade do Supremo em viés de baixa,
tudo pode acontecer naquele pretório excelso. Uma troca de mensagens entre os
ministros Gilmar Mendes e Luiz Fux mostra o clima:
Gilmar: “Isto revela qq (sic) coisa menos
postura institucional. Espero que não (sic) se repita”.
Fux: “Ninguém nesse mundo diz pra (sic) mim
como agir”.
Gilmar: “Fux, soh (sic) cuide de atuar como
Presidente da turma”.
Fux: “Bom Dia. Cuide de não encher meu
saco!”.
Gilmar sabe, mas não custa repetir, Fux tem
uma graduação superior à faixa preta de jiu-jítsu. Como o decano do Supremo é
um mestre da retórica do atrevimento, convém se cuidar.
Há alguns anos, Fux encestou um ladrão.
Rivotril
O reajuste do Bolsa Família às vésperas do
primeiro turno ganhou um apelido: Rivotril.
Afinal, Lula tem 53% das preferências entre
os beneficiários do programa. Flávio Bolsonaro tem surpreendentes 28%
D. Pedro passou a faca
D. Pedro II tem fama de austero, criterioso e
justo. Menos. Em 1863 ele aposentou compulsoriamente quatro juízes do Supremo
Tribunal de Justiça. Seriam ministros prevaricadores ou teriam descontentado a
Condessa de Barral, uma bonita baiana, culta e chique. Namorada do Imperador,
sabia defender seus interesses.
Foram quatro ministros de uma só vez. A
degola foi denunciada por inconstitucional e o presidente do tribunal renunciou
ao cargo (mas manteve a cadeira).
D. Pedro sabia lidar com magistrados. Num
despacho de 1862 com o presidente do conselho, registrou:
“Falamos também sobre as prevaricações de
certos magistrados, e disse que era preciso não deixar impunes tais crimes,
sendo seus perpetradores estigmatizados, ao menos, por um processo”.
Como no filme
Daniel Vorcaro ocupa parte do seu tempo na
Papudinha cuidando de um pequeno jardim e de uma horta.
Vorcaro teve seu momento de Dustin Hoffman.
No filme “Papillon”, baseado na autobiografia de um arrombador de cofres
francês (Steve McQueen no filme), mandando para uma prisão na Guiana, lá ele
convive com o vigarista Louis Dega (Dustin Hoffman).
Enquanto Papillon só pensa em fugir, Dega
torna-se um aplicado jardineiro.
Vaidade masculina
Com o Supremo Tribunal debaixo da lupa,
caíram na frigideira os relógios de algumas das excelências. O decano Gilmar
Mendes lembra os soldados russos, usa dois, um em cada pulso. O mais caro é o
Patek Philippe de Alexandre de Moraes (R$ 720 mil) e o mais barato é o Patek de
Edson Fachin (R$ 60 mil).
Todos feitos para quem anda em carro oficial,
pois, com modelitos desse valor, um pedestre não consegue andar por cem metros
de calçada.
Misógino, o Pretório Excelso é uma vitrine da
vaidade masculina. Em tese, os ministros vestem togas negras, sóbrias e
despojadas.
Na prática, os doutores redesenharam as togas
e enfiaram ridículas ombreiras que os fazem parecer com Darth Vader, além
disso, quase todos usam togas acetinadas, que lhes dão um brilho quase
carnavalesco.
Quando um curioso perguntou à ministra Cármen
Lúcia se a sua toga era acetinada, ela mineiramente respondeu:
Você está me estranhando?
Jogatina
Com a eleição chegando e Flávio Bolsonaro
encostando nas pesquisas, Lula promete acabar com os cassinos on-line, aqueles
nos quais se pode apostar a partir do celular.
Ótima ideia, mas para prevenir desastres
futuros, caso ele seja reeleito, poderia organizar um seminário para investigar
como e por que o seu governo instalou a jogatina em Pindorama.
O objetivo era fazer caixa, nada mais.
A proibição desses cassinos deveria ser
anunciada em rede nacional pelo doutor Fernando Haddad. Afinal, ele é um dos
pais da ideia.
A faxina do STF
Tomara que a eleição parlamentar de 2026
traga alguma emoção, ideia ou novidade. Isso porque a disputa presidencial é
soporífera, desprovida de ideias e novidades. Novidade mesmo só a nova
composição do Senado e a forte possibilidade de se formar uma maioria de 54
votos capaz de tirar o cargo de um ministro do Supremo Tribunal.
Se depender do próprio tribunal, ele nunca
fará isso.
Os candidatos ao impedimento são pelo menos
dois: Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. A relação de Moraes com o senador
Davi Alcolumbre pode livrá-lo da lâmina.
A tarefa dos doutores parece ser a de criar tantos obstáculos para uma faxina doméstica, de forma que o socorro venha do Senado.
O conjunto de condicionantes virou um terreno
baldio, fica a impressão de que os diversos lobbies de Washington passavam pelo
rascunho e jogavam seus pleitos. A Boeing quer que as empresas aéreas
brasileiras só comprem seus produtos. As big techs querem continuar fazendo o
que bem entendem e os plantadores de soja querem que o Brasil ajude a
“estabilizar o comércio mundial de soja”. Traduzindo: querem que o agro
brasileiro ajude a turma da soja americana.
As propostas americanas foram rechaçadas, até porque essas negociações não
podem ser conduzidas como pacotes. Cada item é um item e conversa-se devagar.
Lidos de uma vez, parecem um instrumento de capitulação.
Os itens que tratam da próxima eleição
brasileira são de uma ignorância abissal, como se em Pindorama houvesse um
candidato prometendo melar o pleito.
A diplomacia americana já foi outra, ela dava
pouco espaço ao improviso, ajudava os lobbies, porém mantinha a elegância.
A diplomacia trumpista é arrogante e vazia. O
melhor que se pode fazer nesses casos é ficar longe. Bater boca não adianta
nada e tentar negociar a sério poderá ser possível, mas dará muito mais
trabalho, pois não havendo foco, não haverá prioridades.
Incorrigível
Desde
o início da crise do Supremo, sabe-se que o governo de Lula 3.0 não tem nada a
ver com ela. Nenhum titular de cargo bicou nos favores de Vorcaro. Era a crise
dos sonhos do Palácio.
Faltou combinar com Lula. A troco de nada,
durante uma entrevista banal, tomou o partido do ministro Alexandre de Moraes.
Acusou Flávio Bolsonaro de “ter bronca” do ministro porque ele mandou prender
seu pai.
Atravessou a Praça dos Três Poderes para
escorregar no cocô do cachorro do bandido.
Cuidado com Fux
Com
a civilidade do Supremo em viés de baixa, tudo pode acontecer naquele pretório
excelso. Uma troca de mensagens entre os ministros Gilmar Mendes e Luiz Fux
mostra o clima:
Gilmar: “Isto revela qq (sic) coisa menos
postura institucional. Espero que não (sic) se repita”.
Fux: “Ninguém nesse mundo diz pra (sic) mim
como agir”.
Gilmar: “Fux, soh (sic) cuide de atuar como
Presidente da turma”.
Fux: “Bom Dia. Cuide de não encher meu
saco!”.
Gilmar sabe, mas não custa repetir, Fux tem
uma graduação superior à faixa preta de jiu-jítsu. Como o decano do Supremo é
um mestre da retórica do atrevimento, convém se cuidar.
Há alguns anos, Fux encestou um ladrão.
Rivotril
O
reajuste do Bolsa Família às vésperas do primeiro turno ganhou um apelido:
Rivotril.
Afinal, Lula tem 53% das preferências entre
os beneficiários do programa. Flávio Bolsonaro tem surpreendentes 28%
D. Pedro passou a faca
D.
Pedro II tem fama de austero, criterioso e justo. Menos. Em 1863 ele aposentou
compulsoriamente quatro juízes do Supremo Tribunal de Justiça. Seriam ministros
prevaricadores ou teriam descontentado a Condessa de Barral, uma bonita baiana,
culta e chique. Namorada do Imperador, sabia defender seus interesses.
Foram quatro ministros de uma só vez. A
degola foi denunciada por inconstitucional e o presidente do tribunal renunciou
ao cargo (mas manteve a cadeira).
D. Pedro sabia lidar com magistrados. Num
despacho de 1862 com o presidente do conselho, registrou:
“Falamos também sobre as prevaricações de
certos magistrados, e disse que era preciso não deixar impunes tais crimes,
sendo seus perpetradores estigmatizados, ao menos, por um processo”.
Como no filme
Daniel
Vorcaro ocupa parte do seu tempo na Papudinha cuidando de um pequeno jardim e
de uma horta.
Vorcaro teve seu momento de Dustin Hoffman.
No filme “Papillon”, baseado na autobiografia de um arrombador de cofres
francês (Steve McQueen no filme), mandando para uma prisão na Guiana, lá ele
convive com o vigarista Louis Dega (Dustin Hoffman).
Enquanto Papillon só pensa em fugir, Dega
torna-se um aplicado jardineiro.
Vaidade masculina
Com
o Supremo Tribunal debaixo da lupa, caíram na frigideira os relógios de algumas
das excelências. O decano Gilmar Mendes lembra os soldados russos, usa dois, um
em cada pulso. O mais caro é o Patek Philippe de Alexandre de Moraes (R$ 720
mil) e o mais barato é o Patek de Edson Fachin (R$ 60 mil).
Todos feitos para quem anda em carro oficial,
pois, com modelitos desse valor, um pedestre não consegue andar por cem metros
de calçada.
Misógino, o Pretório Excelso é uma vitrine da vaidade masculina. Em tese, os
ministros vestem togas negras, sóbrias e despojadas.
Na prática, os doutores redesenharam as togas
e enfiaram ridículas ombreiras que os fazem parecer com Darth Vader, além
disso, quase todos usam togas acetinadas, que lhes dão um brilho quase
carnavalesco.
Quando um curioso perguntou à ministra Cármen
Lúcia se a sua toga era acetinada, ela mineiramente respondeu:
Você está me estranhando?
Jogatina
Com
a eleição chegando e Flávio Bolsonaro encostando nas pesquisas, Lula promete
acabar com os cassinos on-line, aqueles nos quais se pode apostar a partir do
celular.
Ótima ideia, mas para prevenir desastres
futuros, caso ele seja reeleito, poderia organizar um seminário para investigar
como e por que o seu governo instalou a jogatina em Pindorama.
O objetivo era fazer caixa, nada mais.
A proibição desses cassinos deveria ser
anunciada em rede nacional pelo doutor Fernando Haddad. Afinal, ele é um dos
pais da ideia.
A faxina do STF
Tomara
que a eleição parlamentar de 2026 traga alguma emoção, ideia ou novidade. Isso
porque a disputa presidencial é soporífera, desprovida de ideias e novidades.
Novidade mesmo só a nova composição do Senado e a forte possibilidade de se
formar uma maioria de 54 votos capaz de tirar o cargo de um ministro do Supremo
Tribunal.
Se depender do próprio tribunal, ele nunca
fará isso.
Os candidatos ao impedimento são pelo menos
dois: Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. A relação de Moraes com o senador
Davi Alcolumbre pode livrá-lo da lâmina.
A tarefa dos doutores parece ser a de criar
tantos obstáculos para uma faxina doméstica, de forma que o socorro venha do
Senado.
O conjunto de condicionantes virou um terreno
baldio, fica a impressão de que os diversos lobbies de Washington passavam pelo
rascunho e jogavam seus pleitos. A Boeing quer que as empresas aéreas
brasileiras só comprem seus produtos. As big techs querem continuar fazendo o
que bem entendem e os plantadores de soja querem que o Brasil ajude a
“estabilizar o comércio mundial de soja”. Traduzindo: querem que o agro
brasileiro ajude a turma da soja americana.
As propostas americanas foram rechaçadas, até porque essas negociações não
podem ser conduzidas como pacotes. Cada item é um item e conversa-se devagar.
Lidos de uma vez, parecem um instrumento de capitulação.
Os itens que tratam da próxima eleição
brasileira são de uma ignorância abissal, como se em Pindorama houvesse um
candidato prometendo melar o pleito.
A diplomacia americana já foi outra, ela dava
pouco espaço ao improviso, ajudava os lobbies, porém mantinha a elegância.
A diplomacia trumpista é arrogante e vazia. O
melhor que se pode fazer nesses casos é ficar longe. Bater boca não adianta
nada e tentar negociar a sério poderá ser possível, mas dará muito mais
trabalho, pois não havendo foco, não haverá prioridades.
Incorrigível
Desde
o início da crise do Supremo, sabe-se que o governo de Lula 3.0 não tem nada a
ver com ela. Nenhum titular de cargo bicou nos favores de Vorcaro. Era a crise
dos sonhos do Palácio.
Faltou combinar com Lula. A troco de nada,
durante uma entrevista banal, tomou o partido do ministro Alexandre de Moraes.
Acusou Flávio Bolsonaro de “ter bronca” do ministro porque ele mandou prender
seu pai.
Atravessou a Praça dos Três Poderes para
escorregar no cocô do cachorro do bandido.
Cuidado com Fux
Com
a civilidade do Supremo em viés de baixa, tudo pode acontecer naquele pretório
excelso. Uma troca de mensagens entre os ministros Gilmar Mendes e Luiz Fux
mostra o clima:
Gilmar: “Isto revela qq (sic) coisa menos
postura institucional. Espero que não (sic) se repita”.
Fux: “Ninguém nesse mundo diz pra (sic) mim
como agir”.
Gilmar: “Fux, soh (sic) cuide de atuar como
Presidente da turma”.
Fux: “Bom Dia. Cuide de não encher meu
saco!”.
Gilmar sabe, mas não custa repetir, Fux tem
uma graduação superior à faixa preta de jiu-jítsu. Como o decano do Supremo é
um mestre da retórica do atrevimento, convém se cuidar.
Há alguns anos, Fux encestou um ladrão.
Rivotril
O
reajuste do Bolsa Família às vésperas do primeiro turno ganhou um apelido:
Rivotril.
Afinal, Lula tem 53% das preferências entre
os beneficiários do programa. Flávio Bolsonaro tem surpreendentes 28%
D. Pedro passou a faca
D.
Pedro II tem fama de austero, criterioso e justo. Menos. Em 1863 ele aposentou
compulsoriamente quatro juízes do Supremo Tribunal de Justiça. Seriam ministros
prevaricadores ou teriam descontentado a Condessa de Barral, uma bonita baiana,
culta e chique. Namorada do Imperador, sabia defender seus interesses.
Foram quatro ministros de uma só vez. A
degola foi denunciada por inconstitucional e o presidente do tribunal renunciou
ao cargo (mas manteve a cadeira).
D. Pedro sabia lidar com magistrados. Num
despacho de 1862 com o presidente do conselho, registrou:
“Falamos também sobre as prevaricações de
certos magistrados, e disse que era preciso não deixar impunes tais crimes,
sendo seus perpetradores estigmatizados, ao menos, por um processo”.
Como no filme
Daniel
Vorcaro ocupa parte do seu tempo na Papudinha cuidando de um pequeno jardim e
de uma horta.
Vorcaro teve seu momento de Dustin Hoffman.
No filme “Papillon”, baseado na autobiografia de um arrombador de cofres
francês (Steve McQueen no filme), mandando para uma prisão na Guiana, lá ele
convive com o vigarista Louis Dega (Dustin Hoffman).
Enquanto Papillon só pensa em fugir, Dega
torna-se um aplicado jardineiro.
Vaidade masculina
Com
o Supremo Tribunal debaixo da lupa, caíram na frigideira os relógios de algumas
das excelências. O decano Gilmar Mendes lembra os soldados russos, usa dois, um
em cada pulso. O mais caro é o Patek Philippe de Alexandre de Moraes (R$ 720
mil) e o mais barato é o Patek de Edson Fachin (R$ 60 mil).
Todos feitos para quem anda em carro oficial,
pois, com modelitos desse valor, um pedestre não consegue andar por cem metros
de calçada.
Misógino, o Pretório Excelso é uma vitrine da vaidade masculina. Em tese, os
ministros vestem togas negras, sóbrias e despojadas.
Na prática, os doutores redesenharam as togas
e enfiaram ridículas ombreiras que os fazem parecer com Darth Vader, além
disso, quase todos usam togas acetinadas, que lhes dão um brilho quase
carnavalesco.
Quando um curioso perguntou à ministra Cármen
Lúcia se a sua toga era acetinada, ela mineiramente respondeu:
Você está me estranhando?
Jogatina
Com
a eleição chegando e Flávio Bolsonaro encostando nas pesquisas, Lula promete
acabar com os cassinos on-line, aqueles nos quais se pode apostar a partir do
celular.
Ótima ideia, mas para prevenir desastres
futuros, caso ele seja reeleito, poderia organizar um seminário para investigar
como e por que o seu governo instalou a jogatina em Pindorama.
O objetivo era fazer caixa, nada mais.
A proibição desses cassinos deveria ser
anunciada em rede nacional pelo doutor Fernando Haddad. Afinal, ele é um dos
pais da ideia.
A faxina do STF
Tomara
que a eleição parlamentar de 2026 traga alguma emoção, ideia ou novidade. Isso
porque a disputa presidencial é soporífera, desprovida de ideias e novidades.
Novidade mesmo só a nova composição do Senado e a forte possibilidade de se
formar uma maioria de 54 votos capaz de tirar o cargo de um ministro do Supremo
Tribunal.
Se depender do próprio tribunal, ele nunca
fará isso.
Os candidatos ao impedimento são pelo menos
dois: Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. A relação de Moraes com o senador
Davi Alcolumbre pode livrá-lo da lâmina.
A tarefa dos doutores parece ser a de criar
tantos obstáculos para uma faxina doméstica, de forma que o socorro venha do
Senado.
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O conjunto de condicionantes virou um terreno baldio, fica a
impressão de que os diversos lobbies de Washington passavam pelo rascunho e
jogavam seus pleitos. A Boeing quer que as empresas aéreas brasileiras só
comprem seus produtos. As big techs querem continuar fazendo o que bem entendem
e os plantadores de soja querem que o Brasil ajude a “estabilizar o comércio
mundial de soja”. Traduzindo: querem que o agro brasileiro ajude a turma da
soja americana.
As propostas americanas foram rechaçadas, até porque essas negociações não
podem ser conduzidas como pacotes. Cada item é um item e conversa-se devagar.
Lidos de uma vez, parecem um instrumento de capitulação.
Os itens que tratam da próxima eleição brasileira são de uma
ignorância abissal, como se em Pindorama houvesse um candidato prometendo melar
o pleito.
A diplomacia americana já foi outra, ela dava pouco espaço ao
improviso, ajudava os lobbies, porém mantinha a elegância.
A diplomacia trumpista é arrogante e vazia. O melhor que se pode
fazer nesses casos é ficar longe. Bater boca não adianta nada e tentar negociar
a sério poderá ser possível, mas dará muito mais trabalho, pois não havendo
foco, não haverá prioridades.
Incorrigível
Desde o início da
crise do Supremo, sabe-se que o governo de Lula 3.0 não tem nada a ver com ela.
Nenhum titular de cargo bicou nos favores de Vorcaro. Era a crise dos sonhos do
Palácio.
Faltou combinar com Lula. A troco de nada, durante uma entrevista
banal, tomou o partido do ministro Alexandre de Moraes. Acusou Flávio Bolsonaro
de “ter bronca” do ministro porque ele mandou prender seu pai.
Atravessou a Praça dos Três Poderes para escorregar no cocô do
cachorro do bandido.
Cuidado com Fux
Com a civilidade
do Supremo em viés de baixa, tudo pode acontecer naquele pretório excelso. Uma
troca de mensagens entre os ministros Gilmar Mendes e Luiz Fux mostra o clima:
Gilmar: “Isto revela qq (sic) coisa menos postura institucional.
Espero que não (sic) se repita”.
Fux: “Ninguém nesse mundo diz pra (sic) mim como agir”.
Gilmar: “Fux, soh (sic) cuide de atuar como Presidente da turma”.
Fux: “Bom Dia. Cuide de não encher meu saco!”.
Gilmar sabe, mas não custa repetir, Fux tem uma graduação superior
à faixa preta de jiu-jítsu. Como o decano do Supremo é um mestre da retórica do
atrevimento, convém se cuidar.
Há alguns anos, Fux encestou um ladrão.
Rivotril
O reajuste do
Bolsa Família às vésperas do primeiro turno ganhou um apelido: Rivotril.
Afinal, Lula tem 53% das preferências entre os beneficiários do
programa. Flávio Bolsonaro tem surpreendentes 28%
D. Pedro passou a faca
D. Pedro II tem
fama de austero, criterioso e justo. Menos. Em 1863 ele aposentou
compulsoriamente quatro juízes do Supremo Tribunal de Justiça. Seriam ministros
prevaricadores ou teriam descontentado a Condessa de Barral, uma bonita baiana,
culta e chique. Namorada do Imperador, sabia defender seus interesses.
Foram quatro ministros de uma só vez. A degola foi denunciada por
inconstitucional e o presidente do tribunal renunciou ao cargo (mas manteve a
cadeira).
D. Pedro sabia lidar com magistrados. Num despacho de 1862 com o
presidente do conselho, registrou:
“Falamos também sobre as prevaricações de certos magistrados, e
disse que era preciso não deixar impunes tais crimes, sendo seus perpetradores
estigmatizados, ao menos, por um processo”.
Como no filme
Daniel Vorcaro
ocupa parte do seu tempo na Papudinha cuidando de um pequeno jardim e de uma
horta.
Vorcaro teve seu momento de Dustin Hoffman. No filme “Papillon”,
baseado na autobiografia de um arrombador de cofres francês (Steve McQueen no
filme), mandando para uma prisão na Guiana, lá ele convive com o vigarista
Louis Dega (Dustin Hoffman).
Enquanto Papillon só pensa em fugir, Dega torna-se um aplicado
jardineiro.
Vaidade masculina
Com o Supremo
Tribunal debaixo da lupa, caíram na frigideira os relógios de algumas das
excelências. O decano Gilmar Mendes lembra os soldados russos, usa dois, um em
cada pulso. O mais caro é o Patek Philippe de Alexandre de Moraes (R$ 720 mil)
e o mais barato é o Patek de Edson Fachin (R$ 60 mil).
Todos feitos para quem anda em carro oficial, pois, com modelitos
desse valor, um pedestre não consegue andar por cem metros de calçada.
Misógino, o Pretório Excelso é uma vitrine da vaidade masculina. Em tese, os
ministros vestem togas negras, sóbrias e despojadas.
Na prática, os doutores redesenharam as togas e enfiaram ridículas
ombreiras que os fazem parecer com Darth Vader, além disso, quase todos usam
togas acetinadas, que lhes dão um brilho quase carnavalesco.
Quando um curioso perguntou à ministra Cármen Lúcia se a sua toga
era acetinada, ela mineiramente respondeu:
Você está me estranhando?
Jogatina
Com a eleição
chegando e Flávio Bolsonaro encostando nas pesquisas, Lula promete acabar com
os cassinos on-line, aqueles nos quais se pode apostar a partir do celular.
Ótima ideia, mas para prevenir desastres futuros, caso ele seja
reeleito, poderia organizar um seminário para investigar como e por que o seu
governo instalou a jogatina em Pindorama.
O objetivo era fazer caixa, nada mais.
A proibição desses cassinos deveria ser anunciada em rede nacional
pelo doutor Fernando Haddad. Afinal, ele é um dos pais da ideia.
A faxina do STF
Tomara que a
eleição parlamentar de 2026 traga alguma emoção, ideia ou novidade. Isso porque
a disputa presidencial é soporífera, desprovida de ideias e novidades. Novidade
mesmo só a nova composição do Senado e a forte possibilidade de se formar uma
maioria de 54 votos capaz de tirar o cargo de um ministro do Supremo Tribunal.
Se depender do próprio tribunal, ele nunca fará isso.
Os candidatos ao impedimento são pelo menos dois: Dias Toffoli e
Alexandre de Moraes. A relação de Moraes com o senador Davi Alcolumbre pode
livrá-lo da lâmina.
A tarefa dos doutores parece ser a de criar tantos obstáculos para
uma faxina doméstica, de forma que o socorro venha do Senado.

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