O Globo
Em alta nas pesquisas, Flávio Bolsonaro é
beneficiado por crise no STF
O escândalo do Banco Master pode dar votos ao
único candidato que tomou dinheiro de Daniel Vorcaro? É o que parece acontecer
na eleição presidencial, a julgar pelas pesquisas divulgadas nos últimos dias.
Dos 12 concorrentes, só Flávio Bolsonaro
figura como beneficiário direto do esquema. Ele é investigado pela Polícia
Federal por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Foi
flagrado pedindo R$ 134 milhões a Vorcaro, a quem chamava de “irmão”.
Ao ser questionado sobre o rolo, o senador simulou indignação: “É mentira! De onde você tirou isso?”. Quando ficou claro que o mentiroso não era o repórter, ele mudou de tom e alegou ter pedido patrocínio para o que descreveu como uma “obra-prima”.
Flávio nunca apresentou a prestação de contas
que prometeu. Tampouco explicou como uma fita capenga, produzida pelo astro de
“Floribella”, poderia se tornar o filme mais caro da história do cinema
brasileiro.
Poupado das operações policiais que atingiram
outros políticos da lista de Vorcaro, o senador conseguiu recuperar os pontos
que perdeu em maio, quando o “Dark horse” saiu da cocheira. Agora aparece em
empate técnico com Lula nas simulações de segundo turno.
Há algumas explicações na praça para o
paradoxo do Master. A principal, aceita pelas duas campanhas, sustenta que
Flávio é o maior beneficiário da crise no Supremo. A percepção de que até a
cúpula do Judiciário se envolveu em corrupção tende a favorecer políticos que
apostam no discurso antissistema. O pai do senador já surfou essa onda em 2018,
no auge da Lava-Jato.
O fato de Alexandre de Moraes estar no centro
das suspeitas também impulsiona o candidato do PL. O ministro foi indicado por
um presidente de direita, mas se notabilizou como o homem que prendeu Jair
Bolsonaro. Seu derretimento respinga na imagem de Lula, ainda que o presidente
tente se distanciar do caso.
Por fim, é difícil não notar a mão amiga de
André Mendonça em favor de Flávio. O ministro ocultou por quase dois meses a
informação de que o presidenciável era investigado pela PF. E ainda protegeu
três colegas citados no celular de Vorcaro enquanto lançava Moraes sozinho na
fogueira.

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