sexta-feira, 18 de setembro de 2026

O efeito Xandão no STM, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Com crise no STF e Flávio eleito, golpistas vão sair da cadeia e manter patentes e privilégios

A enxurrada de notícias sobre relações do Banco Master e de Daniel Vorcaro com ministros do Supremo continua fazendo vítimas (que deveriam ser réus) e isso tem um efeito colateral num outro julgamento, este no Superior Tribunal Militar (STM): o da perda de patentes do ex-presidente e de altos oficiais condenados pela trama do golpe.

O processo foi aberto em fevereiro e, naquele momento, a tendência era francamente pela perda de patentes de generais, do almirante Almir Garnier e do capitão da reserva Jair Bolsonaro, mas isso vem mudando ao longo dos meses. Primeiro, para poupar dois generais, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira. Agora, pode desandar para poupar todos.

Os ministros do STM, na maioria militares, acompanharam o julgamento no STF, as provas, as acusações e as defesas dos articuladores do golpe e, nos bastidores, concordaram com as condenações, apesar de considerar as penas excessivas, especialmente as dos que participaram do 8/1, mas sem relevância.

As revelações escabrosas sobre a promiscuidade de ministros do STF com um criminoso do quilate de Vorcaro, principalmente de Alexandre de Moraes, contaminaram a percepção, não só da sociedade civil, mas de amplas áreas militares e do STM.

Começou com uma pergunta: como vamos condenar duplamente os réus do Supremo, se a credibilidade do relator (Moraes) foi por água abaixo? E essa pergunta se ampliou: e como vamos tirar as patentes dos “nossos”, se só se salvam três ou quatro no Supremo?

A indignação que já vinha desde as histórias cabeludas de Dias Toffoli e o tal resort Tayayá chegou ao cume com o contrato de R$ 131 milhões do escritório da família de Moraes e continua sendo alimentada pelas “novidades” e nomes que não param de sair.

Depois das relações do filho e de festas de Nunes Marques e as conversas e o carnaval do filho de Luiz Fux, chega a notícia de que o instituto de André Mendonça recebeu R$ 5 milhões de um ex-parceiro de negócios de Vorcaro e surge um novo nome: o da advogada Dalide Corrêa, chamada de “canal direito com STF”, que recebeu R$ 33 milhões num ano.

O julgamento sobre as patentes depende do eleito. Se for Lula, o processo prossegue e deverá ser julgado ainda neste ano. Se for Flávio Bolsonaro, pode nem haver. Ele promete indultar o pai, generais, almirante e todos os envolvidos no golpe e, assim, não haverá quem julgar.

Resumo da ópera: o que Alexandre de Moraes fez, Alexandre de Moraes desfaz e vira fator para transformar os réus em vítimas e os presos em livres, leves, soltos e com suas estrelas nos ombros. Menos Jair Bolsonaro, que não tem estrela nenhuma.

Um comentário:

Anônimo disse...

Sou contra a perda de patentes e de pensões dos golpistas militares: eles trabalharam duro e bem nas suas funções durante décadas. Os crimes recentes não devem fazer com que percam conquistas justas e honestas das décadas anteriores. O mesmo vale pro GENOCIDA até ser expulso do Exército. Sua pensão de capitão foi obtida de forma relativamente honesta, com vários anos de trabalho militar, mesmo tendo sido um MAU MILITAR.