*Hannah Arendt (1906-1975), “A vida do
espírito” p.274. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2009.
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
sábado, 16 de abril de 2022
Opinião do dia - Hannah Arendt*: pensar o futuro
Ricardo Noblat: Como Jair Messias Bolsonaro ameaça o estado de direito no Brasil
Blog do Noblat / Metrópoles
Marine Le Pen, na França, não esconde que
jogará fora das quatro linhas da Constituição
Na última quinta-feira, o jornal Le Monde
estampou em manchete de primeira página: “Como Marine Le Pen ameaça o estado de
direito”. Le Pen é a candidata da extrema direita que disputará o segundo turno
da eleição presidencial francesa com Emmanuel Macron, atual presidente, de
centro-direita.
Em declaração recente, Le Pen deixou claro
o que pretende fazer se eleita. Ela quer governar “livre do controle
constitucional, do Parlamento e de uma parte da Imprensa”. Dito de outra
maneira: ignorando a Constituição, o Congresso e a imprensa que não compartilha
suas ideias claramente antidemocráticas.
Le Pen, pelo menos, é sincera. Não esconde
que jogará fora das quatro linhas da Constituição. Quem votar nela não poderá
dizer depois que votou por engano. A eleição na França será sobre a democracia,
de resto como a do Brasil em outubro próximo. Quando a imprensa, aqui,
estampará isso em suas manchetes?
Cristina Serra: Jornalistas e o ovo da serpente
Folha de S. Paulo
Imprensa não pode repetir em 2022 a fraude
cognitiva dos dois 'extremos' quando só há um
Relatórios publicados recentemente por
entidades do setor jornalístico (Fenaj, Abraji e Abert) revelam uma explosão de
violência contra profissionais da comunicação no Brasil. São insultos, ataques
físicos, atentados, assassinatos, censura e restrições à liberdade de imprensa.
A hostilidade contra jornalistas é estimulada
pelo presidente da República e seus apoiadores. Bolsonaro já
quis dar "porrada" em repórter e mandou jornalistas à
"pqp". A truculência mira os profissionais e também o jornalismo como
atividade essencial à democracia.
Ele não dá entrevistas coletivas formais e
ministérios não se dão ao trabalho de atender à imprensa. É um generalizado
"E daí?". Não há o menor respeito e compromisso com a informação de
interesse público. O presidente se comunica por redes sociais e veículos
patrocinados pelo bolsonarismo.
As milícias digitais fazem o resto. Ao jornalismo
profissional resta reverberar as barbaridades exaladas por uma
máquina de mentiras e mistificações. Tudo isso é método de sabotagem ao papel
da imprensa. Faz parte da estratégia da extrema direita em todo o mundo na
escalada de processos autoritários.
Hélio Schwartsman: Só matemática sofisticada salvaria terceira via
Folha de S. Paulo
Com voto valorativo, candidato que
recebesse pontuações médias teria alguma chance
A esta altura, só um milagre viabilizaria
a chamada
terceira via. Como bom ateu, não acredito em milagres.
Viúvas da terceira via, porém, acertam em alguma coisa ao apontar que há algo
de paradoxal no fato de os dois candidatos mais detestados pelos eleitores
serem os que mais chances têm de conquistar a Presidência. O bom Jean-Jacques
Rousseau nos convenceu de que, para chegar ao nirvana político, bastaria seguir
a vontade geral. Talvez, mas aferir essa tal de "volonté générale"
não é tão simples.
Se há algo que a matemática nos garante é que todos os sistemas de votação são
ruins. O que utilizamos no Brasil, o escrutínio majoritário uninominal (cada
eleitor vota em um candidato e vence quem recebe mais sufrágios), pode levar a
situações como a que vivemos, em que os campeões da rejeição não só se tornam
os favoritos como também conseguem bloquear o surgimento de alternativas.
Alvaro Costa e Silva: O laboratório da corrupção
Folha de S. Paulo
Com tantas denúncias no MEC, Ciro Nogueira
virou especialista no tema
Herdeiro de uma família de larga tradição
política no Piauí e tendo apoiado todos os governos (FHC, Lula, Dilma, Temer)
desde que chegou a Brasília pela primeira vez para atuar como deputado federal,
em 1995, Ciro Nogueira
é especialista em corrupção. Entenda-se: como um cientista em seu
laboratório, ele consegue distinguir e classificar os milhares de tipos da
doença que sufoca o país.
Segundo Nogueira, todo-poderoso ministro da Casa Civil, a corrupção sob
Bolsonaro é "virtual". Ou seja: ela não é real nem pode
ser simulada; sua existência ocorre apenas em teoria; é o resultado de uma
demonstração ou de uma "narrativa" –para usar essa palavra mágica,
capaz de explicar tudo nos dias de hoje.
Demétrio Magnoli: Jornalistas que tuítam
Folha de S. Paulo
O vício do Twitter desmoraliza veículos de
imprensa e os próprios jornalistas
O Estatuto Militar proíbe a participação de
militares da ativa em atos políticos. No Brasil atual, militares
da ativa passam o dia espalhando consignas políticas nas redes sociais.
O New York Times, arrependido de uma
orientação formulada muitos anos atrás, acaba de recomendar
a seus jornalistas que se desintoxiquem do Twitter. No fundo, o memorando
interno do jornal argumenta que o jornalismo profissional é incompatível com a
militância política nas redes sociais.
"Podemos depender demais do Twitter
como ferramenta de reportagem ou feedback —o que é especialmente nocivo quando
nossos feeds se tornam câmaras de eco", diz o memorando.
As redes sociais fragmentaram a Agora. No lugar da antiga praça central do mercado de ideias criada pela imprensa, surgiram incontáveis palanques isolados: bolhas discursivas frequentadas por tribos ideológicas. O jornalista viciado no Twitter comporta-se como qualquer internauta: imagina que a sua bolha representa a "opinião justa" e nutre-se psicologicamente dos aplausos virtuais que obtém.
João Gabriel de Lima: Os cadáveres e os ‘vladimínions’
O Estado de S. Paulo
Discurso pró-Putin se disseminou em grupos
de esquerda apesar do massacre nas ruas de Bucha
A fotografia de crianças em desespero,
fugindo de um bombardeio de napalm, ajudou a mudar a opinião do mundo sobre
a Guerra do Vietnã. O flagrante, de 1972, foi captado por Nick Ut, que
cobria o conflito em Trang Bang, aldeia próxima a Saigon. Ele trabalhava para a
agência Associated Press, responsável por várias outras imagens icônicas do
conflito – entre elas a da execução de um soldado, que foi parar na capa do
jornal The New York Times.
É possível fazer um paralelo entre a foto de Nick Ut e as imagens de cadáveres de civis ucranianos espalhados pelas ruas de Bucha. Em vez de uma aldeia próxima a Saigon, temos um subúrbio de Kiev. No lugar do flagrante estático, imagens em movimento. Elas são tão chocantes que o YouTube exige senha e cadastramento aos usuários que tentam acessá-las.
O exército russo nega ter perpetrado um massacre em Bucha, e a imprensa internacional foi cautelosa nos primeiros relatos sobre o fato. Passadas duas semanas, multiplicam-se as evidências de crimes de guerra. A revista The Economist atesta que em pelo menos nove cadáveres examinados por seus repórteres há indícios flagrantes de execuções: mãos amarradas nas costas, e tiros no peito ou na cabeça.
Carlos Alberto Sardenberg: Como o Brasil pode ficar rico?
O Globo
‘Na
origem de nossa incapacidade de retomar o crescimento está uma avassaladora
captura do Estado por interesses privados, em detrimento do bem comum. Falhamos
em aprimorar as instituições inclusivas, alargando o espaço para o crescimento
de instituições extrativistas. No lugar de cumprir seu papel essencial de
oferecer serviços públicos de qualidade à população, o Estado passou a servir a
interesses e privilégios de grupos que dele se apropriaram.’
Assim começa o denso e oportuno documento
intitulado “Desenvolvimento inclusivo, sustentável e ético”, de autoria de
Affonso Pastore, Cristina Pinotti e Renato Fragelli. Trata-se, acredito, da
mais importante contribuição recente para um debate que pode ser assim
reduzido: como o Brasil pode escapar da armadilha da renda média e se tornar um
país rico?
Tendo em vista uma questão crucial —um Estado a serviço do público —, destaca-se a importância das “instituições contratuais (verticais) que regulam o direito de propriedade, incluindo as que protegem os cidadãos contra o poder abusivo das elites, políticos e grupos de privilégio corruptos”.
Pablo Ortellado: Demissões voluntárias em alta
O Globo
Numa entrevista para a agência Bloomberg,
em maio de 2021, o professor de gestão Anthony Klotz profetizou que os Estados
Unidos assistiriam a uma “grande recusa”, uma onda de demissões voluntárias em
massa causadas por epifanias dos trabalhadores provocadas pela pandemia: sobre
o tempo que passam com a família, o tempo gasto com transporte e o sentido do
trabalho.
Logo depois, dados sobre demissões
voluntárias começaram a mostrar o tamanho da grande recusa: nos Estados Unidos,
elas saltaram de cerca de 3 milhões por mês no período pré-pandemia para 4,5
milhões em novembro de 2021. O fenômeno foi também detectado na Europa e na
China, e um levantamento recente mostra seu impacto no Brasil. Afinal, por que
os trabalhadores estão voluntariamente abandonando seus empregos?
Segundo levantamento da Lagom Data, com dados do Caged (Ministério do Trabalho e Previdência), as demissões voluntárias dispararam no Brasil a partir de setembro de 2021. Enquanto, no período pré-pandemia, oscilavam abaixo da faixa das 300 mil por mês, desde outubro de 2021 passam de 400 mil e chegaram a 560 mil em janeiro de 2022.
Eduardo Affonso: Indecisos podem decidir
O Globo
Por inapetência, incompetência e
conveniência dos partidos do tal “centro democrático”, vamos nos encaminhando
para as eleições de outubro com a perspectiva (funesta) de um encontro marcado,
no segundo turno, com um ex e um futuro presidiário.
A pesquisa Genial/Quaest (2 mil entrevistas
feitas entre 1º e 3 de abril) mostra, na intenção de votos (espontânea) para
presidente, que 28% preferem Lula, 22% vão de Bolsonaro e 46% estão
“indecisos”.
Talvez haja aí uma sutil questão de nomenclatura —e esses “indecisos”, longe de não saberem em quem votar, estejam duplamente decididos. Seriam os “eles-não”, aqueles a quem ainda não foi oferecida uma alternativa razoável. E que acabarão por votar em branco ou nulo (e seja o que o capiroto quiser) —ou respirar fundo e escolher pelo avesso, conformando-se com o menos pior.
Gustavo Binenbojm*: A festa incompleta da liberdade
O Globo
O Pessach —
a Páscoa judaica — representa a forma viva mais antiga de celebração coletiva
da liberdade. Há cerca de 3 mil anos, judeus espalhados pelo mundo contam a
seus descendentes sobre a amargura da escravidão no Egito e sua longa travessia
para a liberdade na Terra Prometida. Mesmo nas situações mais adversas, como em
guerras, nos campos de concentração e durante pandemias, a comunidade judaica
resistiu e cumpriu o mandamento bíblico de transmitir às crianças o testemunho
de seus antepassados. A Última Ceia de Jesus, retratada por inúmeros artistas,
revela detalhes da liturgia de Pessach,
celebrado numa Jerusalém sob domínio romano, quase como um ato de subversão.
Lembrar o passado era necessário porque a opressão se fazia novamente presente
naquela época.
De certa forma, Pessach representa a incompletude da libertação da humanidade, como uma obra em construção. Se já sabemos como não ser racistas, estamos ainda aprendendo a ser antirracistas. Como disse lindamente o rabino Nilton Bonder: “Liberar-se é deixar de ser escravo; libertar-se é deixar de ser escravo e escravagista”. Não há como deixar de lembrar para que a história não se repita conosco, mas também para que ela deixe de se repetir com outros povos. Quem foi escravizado não pode jamais ser indiferente a pessoas escravizadas. Por isso, ao final de cada Pessach, a porta da casa deve ser aberta à espera daquele que ainda está por vir, daquele para quem a festa ainda não começou. Sua simbologia me parece clara: lembrar aqueles invisíveis aos nossos olhos.
Mano Ferreira*: Vícios e virtudes do liberalismo brasileiro
EA Estado da Arte / O Estado de S. Paulo
“Nossos neoliberais raciocinam como
paleoliberais, saudosistas de uma ordem socioeconômica vitoriana, alheia ao
princípio moderno da economia social do mercado e aos deveres do Estado num
país em desenvolvimento”. O leitor poderia imaginar que as palavras saíram de
uma boca socialista. Em tempos bolsonaristas, de fato não falta fermento no
bolo do socialismo. O autor, contudo, é José Guilherme Merquior, grande liberal
brasileiro, em texto de 1983. Uma grande virtude do pensamento liberal
brasileiro é que suas melhores críticas são autocríticas.
Não se trata de uma novidade. Um século
antes, em 1886, Joaquim Nabuco escrevia que a agenda da abolição “substituiu a
luta das teses constitucionais sem alcance e sem horizonte” do seu Partido
Liberal “pela luta contra os poderosos privilégios de classe, contrários ao
desenvolvimento da nação”; e que, com isso, “pela primeira vez o Partido
Liberal saiu do terreno das discussões escolásticas, que só interessavam à
classe governante, para entrar no terreno das reformas sociais, que afetam as
massas”.
A disputa pelo real significado do liberalismo é tão antiga quanto a relevância política das ideias liberais. A acusação de socialismo disfarçado também. Hoje tratado por todos como legítimo representante do melhor liberalismo brasileiro, Nabuco também foi acusado de socialista. Um de seus acusadores foi Martinho Campos, correligionário do Partido Liberal, para quem a defesa da escravidão seria, em primeiro lugar, uma prova de caridade cristã, como se o senhor de escravos na verdade fizesse um grande favor aos escravizados; e, acima de tudo, uma defesa da propriedade privada, afinal “nenhum (escravo) caiu do céu”, todos haviam sido adquiridos legalmente.
Marcus Pestana*: A hora da verdade para a 3ª. Via
Geralmente, cada eleição tem um vetor claro de continuidade ou mudança. O momento brasileiro não é nada confortável. A instabilidade é grande; as desigualdades aumentaram na pandemia; a inflação, os juros e o desemprego são altos; as principais políticas públicas estão à deriva e a avaliação do governo é negativa. Tudo indicaria um cenário tranquilo para a vitória das oposições. No entanto, Bolsonaro tem se mostrado resiliente e eclipsado os temas centrais com uma permanente cruzada ideológica contra um impensável “fantasma do comunismo”.
O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões
Editoriais
A frente ‘ampla’ que só tem o PT
O Estado de S. Paulo
O mundo político não caiu no engodo petista da tal frente ampla pela democracia. Não é ampla nem democrática. É apenas Lula sendo Lula, com sua pretensão de hegemonia
Segundo o conto lulopetista, Lula da Silva
estaria liderando uma formidável “frente ampla” da sociedade brasileira a favor
da democracia e contra o autoritarismo de Jair Bolsonaro. A realidade, no
entanto, é bem diferente. Chega a ser embaraçosa. Apesar de seu pré-candidato à
Presidência da República aparecer na frente nas pesquisas de intenção de voto,
o PT tem fracassado, até aqui, na empreitada de convencer outras legendas a
aderir ao seu projeto eleitoral. Até o momento, o partido de Lula obteve apenas
os apoios de sempre: PCdoB, PV e PSB.
O panorama não muda muito quando se olham
não os partidos, mas os políticos. Até agora, Lula conseguiu atrair Geraldo
Alckmin. Longe de representar uma tendência, o apoio do ex-governador de São
Paulo tem o tom de “exceção que confirma a regra”. A adesão do ex-tucano é um
bom termômetro do entusiasmo com que foi recebida a tal frente ampla do PT a
favor da democracia. Quais lideranças e setores que embarcaram no engodo
petista? Por ora, apenas Alckmin.
À primeira vista, o fenômeno pode suscitar perplexidade: o líder nas pesquisas de intenção de voto não consegue obter apoio de outros partidos. E, a agravar o caráter paradoxal da situação, essa resistência das legendas ocorre num cenário político-partidário marcado pelo oportunismo, sem especiais pudores de caráter ideológico ou programático. A princípio, era de esperar, portanto, que muitos partidos tivessem total interesse em aliar-se ao PT.
sexta-feira, 15 de abril de 2022
Fernando Gabeira: Um lamento amazônico
O Estado de S. Paulo
Sem a adesão das Forças Armadas, a região
será destruída com mais rapidez e o desmatamento nos levará a um ponto de não
retorno.
Manaus – Nos últimos dias de uma nova
viagem pela Amazônia, leio que o Facebook derrubou uma rede de perfis falsos
que espalhavam fake
news sobre a região, composta, entre outros, por dois
militares da ativa. Lembrei-me de uma das tarefas básicas para salvar a
Amazônia de uma destruição irreversível: convencer as Forças Armadas e obter
uma sintonia de todas as energias nacionais nesta gigantesca tarefa.
Creio que é necessário intensificar o
debate. A visão de desenvolvimento da Amazônia articulada no governo militar
não corresponde à realidade dos fatos. Considerar a floresta um inferno verde e
supor que o melhor caminho é construir estradas e levar para ali o que chamamos
de civilização é
equívoco não só econômico, mas também estratégico.
Passei três semanas falando com empreendedores na floresta. Eles são incontáveis na Amazônia, desde produtores de chocolate até criadores de abelhas, dizimadas pela plantação de soja, sem falar em quem trabalha com o açaí e a castanha, dois produtos vitoriosos inclusive no mercado internacional.
Eliane Cantanhêde: Ruim com Simone, pior sem ela
O Estado de S. Paulo
Enquanto seu lobo e a terceira via não vêm,
o risco é debandada para Bolsonaro, não Lula
O União Brasil quer fugir de Jair Bolsonaro
no primeiro turno, o MDB não quer ser só mais um no Centrão e o PSDB... bem, o
PSDB se debate para se manter à tona, jogado para um lado e para o outro por
Bolsonaro, o ex-presidente Lula e as próprias divisões internas. O Cidadania
tenta evitar que todos afundem.
É óbvio que superestimaram a importância do jantar de Lula com senadores em Brasília no início da semana. Ali não teve nada demais. Nem novidade. Quem estava com Lula continuou com Lula, quem não estava continuou não estando.
O MDB tem 12 senadores e nem metade estava
lá, na mansão do ex-senador e ex-presidente do Senado Eunício Oliveira (CE). Ele
e o senador Renan Calheiros (AL) são lulistas de outros carnavais. O apoio
deles não muda nada.
Além disso, são oito deputados federais do MDB nos nove Estados do Nordeste, que tende para Lula, e nove só nos três Estados do Sul, onde, sem candidatura própria, a debandada seria para o outro lado – Bolsonaro. Alagoas, de Renan, tem 14 votos na convenção nacional do MDB e o Rio Grande do Sul, 44.
Luiz Carlos Azedo: Sincerídio aprofunda mal-estar no PSDB
Correio Braziliense
As negociações da terceira
via estão sendo conduzidas como um jogo de perde-perde, na base da conspiração
e das traições, o que sempre dificulta os acordos
É profundo o mal-estar no PSDB em razão das
declarações do presidente da legenda, Bruno Araújo, num encontro reservado com
quatro empresários paulistas, no qual revelou que a candidatura do ex-governador
João Doria será removida no encontro dos partidos da chamada terceira via
marcado para 18 de maio. A conversa foi gravada sem o tucano saber e vazou,
confirmando o que todos já sabiam nos bastidores. Araújo é aliado do
ex-governador mineiro Aécio Neves na operação para remover a candidatura de
Doria.
A surpresa foi o fato de Bruno revelar que
também não tem a intenção de apoiar o ex-governador gaúcho Eduardo Leite, que
continua trabalhando para ser candidato a presidente da República, mas, sim, a
senadora Simone Tebet (MS), pré-candidata do MDB. Não é o caso de Aécio Neves.
Em outras circunstâncias, a gravação custaria o cargo de presidente do PSDB,
mas não foi o que aconteceu, porque a conspiração é forte na bancada tucana. E
o acordo feito pelos presidentes dos partidos da terceira via para escolher um
candidato único serve de escudo para Araújo.
O próprio Doria, em declarações passadas, já havia admitido não ser candidato se outro nome surgisse de fora do PSDB, com mais pegada para cumprir o papel de unificador da frente de centro. Admitiu até a possibilidade de apoiar a senadora pantaneira. Mesmo assim, quando fala que a convenção dos quatro partidos da terceira via — PSDB, Cidadania, MDB e União Brasil — escolherá o candidato, Araújo esquece de combinar com Doria. É um dá ou desce por antecipação.
Reinaldo Azevedo: Não há isenção entre a corda e o pescoço
Folha de S. Paulo
Alckmin é o vice do diálogo entre
diferentes; Braga Netto é o vice da ameaça e do confronto
O Diretório Nacional do PT aprovou por
ampla a maioria —68 votos a 16— a
indicação do ex-tucano Geraldo Alckmin (PSB) para vice na chapa encabeçada por
Lula. O Encontro Nacional deve referendar a aliança.
Nesta quinta, com a garganta destreinada
para frases tonitruantes, o ex-governador de São Paulo bradou
num encontro com centrais sindicais: "A luta de vocês, a luta
sindical, deu ao Brasil o maior líder popular deste país: Lula! Lula! Viva
Lula! Viva os trabalhadores do Brasil!"
Aquele a quem se chamou muitas vezes, o que
sempre me pareceu impróprio, "Picolé de Chuchu" pôs uma inusitada
dose de pimenta retórica em sua saudação, o que causou certo estranhamento.
Mesmo num texto talhado para ser apenas noticioso, este jornal registrou até em
título na homepage, que o ex-governador se
manifestara "aos gritos". Sabe quem não grita nunca —não que a
gente ouça ao menos? O general Braga Netto.
O ex-ministro da Defesa e hoje assessor
especial da Presidência é cotado para ser
vice na chapa de Jair Bolsonaro. A alternativa —e ambos estão lá a fazer
uma luta intestina de pijamas— é o também general Augusto Heleno, um tantinho
mais estridente, mas, ainda assim, mais eficaz nos corredores do poder do que
nos palanques.
A sua robusta contribuição à vida pública foi ter chamado, na campanha de 2018, todos os políticos do Centrão de ladrões. Se estiver certo, seu chefe entregou a chave do cofre a uma quadrilha, com quem os dois militares da reserva dividem hoje a, por assim dizer, governança do país.
Hélio Schwartsman: Sigilos de Bolsonaro devastam a historiografia
Folha de S. Paulo
Achava que o STF seria capaz
de assegurar o respeito a princípios constitucionais
Se há um padrão no governo de Jair
Bolsonaro, é o de devastar aquilo em que toca. O caso mais gritante é o da
Covid. O negacionismo presidencial contribuiu para a pilha de mais de 600 mil cadáveres que o Brasil produziu. O saldo
de destruição também é visível nas florestas, nas escolas, na ciência e nos
direitos humanos. A historiografia parece ser o próximo alvo de Bolsonaro, cuja
administração vem decretando sigilos, às vezes de um século, sobre pedidos
feitos com base na Lei de Acesso à Informação (LAI).
O episódio mais recente é o que envolve os pastores do MEC. O jornal O Globo requisitou informações sobre as andanças dos religiosos pelo Palácio do Planalto e obteve uma bela negativa, sob a justificativa de que a liberação violaria a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). A argumentação, que já é juridicamente capenga, se torna suspeita quando se considera que o governo impôs segredo sobre outras informações potencialmente embaraçosas para o presidente, sua família e seus amigos.
Dora Kramer: Excesso de fatos
Revista Veja
A CPI do MEC não sai porque a bola está com
a velha guarda da velhíssima política
Um dos cacoetes mais frequentes na
avaliação sobre a competência de políticos é o de levar em conta resultados
obtidos ignorando os métodos adotados. Quando a pessoa alcança êxitos
repetidos, confere-se a ela condecoração máxima no quesito “habilidade política”
e por isso passa a ser celebrada.
Aceita-se, assim, que os fins justificam os
meios, costume condenado na teoria, mas muito festejado na prática. Tal
celebração da esperteza em prejuízo do critério da boa conduta entre nós é um
hábito, cujo prazo de validade expira quando algum escândalo dá um tombo no
esperto.
Os exemplos estão aí. Tanto dos que tiveram
a carreira encerrada quanto daqueles cuja reabilitação confirma o dito: alguns
fundos de poço na política têm molas. E há também os que, depois de uma vida
dedicada a expedientes escusos de menor porte, obtêm sucesso no repúdio a
grandes malandragens, mas se juntam aos seus autores quando a necessidade bate
à porta.
É o caso do presidente Jair Bolsonaro. Vai se dando muito bem
em sua aliança de resultados com o Centrão, grupo a que sempre pertenceu na
condição de soldado raso. Note-se, vai se dando bem segundo aqueles critérios
citados acima, da esperteza chamada de habilidade. Nada a ver com probidade,
transparência, legalidade e demais pré-requisitos exigidos pela Constituição ao
bom exercício da administração pública.
Por aquela óptica torta, há uma avaliação corrente no mundo político, até entre gente defensora da ética no palanque, de que Bolsonaro está “fazendo tudo certo”. Seu novo/velho partido, o PL, tornou-se a maior bancada da Câmara e suas outras legendas-satélite também ganharam força, somando cerca de 200 deputados. Contingente agora organizado e bem alimentado a poder do Orçamento da União, sob as batutas de Ciro Nogueira, ministro-chefe da Casa Civil, e Arthur Lira, presidente da Câmara.
Ricardo Rangel: Liberais… mas só até a página 2
Revista Veja
Lula e Bolsonaro compartilham o mesmo
defeito
Lula tem dado recorrentes
declarações de que pretende revogar o teto de gastos e a reforma trabalhista,
interferir na Petrobras y otras
cositas más. Liberais, que costumam acompanhar o cenário econômico
e se lembram do que aconteceu no Brasil há poucos anos, ficam de cabelo em pé.
Praticando a infame “nova matriz econômica”
criada por Lula, Dilma interferiu na economia como nunca se viu, criou uma
devastação fiscal que derrubou o PIB em 9% e elevou aos píncaros o desemprego,
a inflação e a taxa de juros. Uma catástrofe.
Bolsonaro, por outro lado, manteve o
teto de gastos e a reforma trabalhista, fez a reforma da Previdência, o novo
marco legal do saneamento, deu autonomia ao Banco Central, aprovou a privatização
da Eletrobras e está falando até em privatizar a Petrobras. Portanto, pensam
alguns que se consideram liberais, reeditar Bolsonaro deve ser melhor do que
reeditar Lula.
Mas Bolsonaro está longe de ser economicamente bom. O governo não corta custos, o teto foi informalmente quebrado, a reforma da Previdência se deve a Rodrigo Maia. A pandemia praticamente acabou, mas o país não cresce e o desemprego não cai. A inflação, que já é similar à máxima de Dilma, “surpreendeu” o presidente do Banco Central e a taxa de juros pode bater a de 2016.
Marco Antonio Villa: O Brasil precisa entrar no século XXI
Revista IstoÉ
Observando o processo eleitoral do País, um candidato está, no máximo, no século XVIII – pré-Revolução Francesa –, o outro no século XX, e que ainda não foi sequer avisado da queda do muro de Berlim
A guerra da Rússia contra a Ucrânia
derrubou por terra definitivamente a platitude de que a globalização teria
enterrado a sete palmos o nacionalismo, o Estado-Nação. Seria, de acordo com os
doutores Pangloss da contemporaneidade, o fim dos interesses nacionais, da
possibilidade de construir um projeto nacional. Os grandes protagonistas da
cena política mundial, sem exceção, defendem e impõe seus interesses nacionais
à frente de qualquer princípio das relações internacionais.
O cenário da terceira década do século XXI
é de um nacionalismo exacerbado, nunca visto desde o século XIX, quando da
expansão dos Estados nacionais por boa parte do mundo.
O discurso de que não resta espaço para um projeto nacional está a serviço de interesses alienígenas, do que, nos anos 1960, era chamado de centro do sistema capitalista. Ter um projeto nacional não significa edificar uma economia autárquica, mas garantir uma inserção na economia mundial de forma soberana. Portanto, não é uma reedição do nacional desenvolvimentismo, fruto de um contexto muito particular e que o Brasil conseguiu se adaptar e colher frutos.
Vera Magalhães: Holofotes sobre os segredos de Jair
O Globo
Jair Bolsonaro gosta de esconder segredos
sobre seu governo. Amante confesso de ditaduras e outros regimes autocráticos,
o presidente brasileiro resolveu, desde que assumiu, revogar na marra artigos
da Constituição sobre a publicidade de atos da administração pública e a Lei de
Acesso à Informação.
É preciso um “revogaço” dos atos
inconstitucionais que, em vários órgãos, decretam sigilo de até cem anos em
toda sorte de informação relevante que, por ser pública, tem de estar
acessível.
O Gabinete de Segurança Institucional
(GSI), chefiado pelo general Augusto Heleno, tem sido a casa das máquinas da
tentativa de Bolsonaro de evitar que atos seus, dos filhos e de auxiliares
ganhem a luz.
Nada melhor para garantir transparência a um regime opaco como o de Bolsonaro que aumentar a carga dos holofotes. Diante da publicação das justificativas inacreditáveis para a recusa em fornecer ao GLOBO a lista com todas as vezes em que os pastores lobistas do MEC, Gilmar Santos e Arilton Moura, foram ao Planalto, Heleno teve de retroceder e entregar ao jornal aquilo que é do público por lei.
Bernardo Mello Franco: O crepúsculo dos olavistas
O Globo
Os pupilos de Olavo de Carvalho se
desiludiram com o Mito. Nos últimos dias, Arthur Weintraub e Ernesto Araújo
emergiram do pântano para criticar Jair Bolsonaro. Os dois atacaram o governo e
expuseram mágoas com o ex-chefe.
Weintraub ligou o presidente ao escândalo
no Ministério da Educação. Contou ter recebido ordens de Bolsonaro para entregar
o FNDE ao Centrão. O fundo foi depenado pela quadrilha que atuava na pasta.
Enquanto o Planalto se esforça para barrar
uma investigação no Senado, o ex-ministro disse que “adoraria ver uma CPI do
MEC”. “Tenho muita coisa para contar”, provocou.
Ernesto também surpreendeu. Em março,
acusou Bolsonaro de reproduzir “desinformação russa” sobre a guerra. Dias
depois, ironizou as novas companhias do capitão, que fez comício ao lado de
Fernando Collor e Valdemar Costa Neto.
“Caberia perguntar por que algumas pessoas que estavam no palanque com o presidente e já foram condenadas por corrupção merecem uma segunda chance”, criticou o ex-chanceler.
Alckmin: “A luta sindical deu ao Brasil o maior líder popular deste país”
Sérgio Roxo / O Globo
SÃO PAULO - Ao receber o apoio das
principais centrais sindicais do país, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva criticou nesta quinta-feira a reforma trabalhista implantada pelo governo
do presidente Michel Temer. Também se comprometeu, caso eleito, a retomar a
política de aumento real do salário mínimo.
Ao lado de Geraldo Alckmin (PSB), que na
quarta-feira teve a sua indicação para vice da chapa aprovada pelo diretório
nacional do PT, Lula se referiu ao impeachment da sua sucessora,
Dilma Rousseff, como "golpe".
Em 2016, Alckmin resistiu inicialmente a
apoiar o impeachment, mas depois, assim como o PSDB, seu partido na época, se
engajou no movimento pelo afastamento de Dilma.
Ao comentar a reforma trabalhista nesta
quinta-feira, Lula afirmou:
— Não teve reforma coisa nenhuma. Desmontaram os direitos trabalhistas e desmontaram a estrututura sindical.
Malu Gaspar: O pacto de silêncio entre Lula e Alckmin
O Globo
Antes de chegar ao elogio público e
entusiasmado de ontem, num evento com as centrais sindicais, Geraldo Alckmin e
Lula fizeram um pacto de silêncio que durou meses.
A história foi contada por interlocutores
dos dois em uma mesa, no jantar promovido nesta semana pelo grupo de advogados
ligados a Lula, o Prerrogativas, que deu as boas vindas a Alckmin na aliança.
A combinação entre os dois foi feita no
primeiro jantar desse mesmo grupo de que o ex-governador participou, também em
São Paulo, em dezembro.
Na ocasião, a aliança já vinha sendo
discutida havia meses, mas ainda era uma novidade no cenário político e
enfrentava resistências tanto no PT quanto entre aliados do ex-governador de
São Paulo.
Do lado petista, era preciso contornar as
resistências do ex-presidente, Rui Falcão, e mesmo da atual presidente, Gleisi
Hoffman.
A ex-presidente Dilma Rousseff, que não foi
ao jantar em São Paulo, também não era fã da união.
Alckmin, por sua vez, tinha que fechar com
um partido e tentar atrair para ele alguns ex-tucanos, o que de fato fez.
Desde então, foram várias reuniões e costuras internas. Nas entrevistas, Lula defendia a possível aliança, mas não a confirmava.
Alckmin exalta Lula aos gritos em evento com centrais sindicais
Ex-governador paulista e ex-presidente petista participam de evento com sindicalistas em São Paulo
Victoria Azevedo, Catia Seabra / Folha de S. Paulo
SÃO PAULO - O ex-governador
Geraldo Alckmin (PSB) fez um discurso exaltado nesta quinta-feira (14)
em defesa do ex-presidente
Lula (PT), de quem deve ser o vice
na chapa presidencial para a disputa das eleições de outubro.
Diante de dezenas de sindicalistas reunidos
em São Paulo, Alckmin aumentou o tom de voz para dizer que a "luta
sindical deu ao Brasil o maior líder popular deste país".
Em seguida, já rouco e aos gritos, repetiu:
"Lula, Lula, viva Lula, viva os trabalhadores do Brasil."
Alckmin disse ainda aos representantes das
centrais que estará com eles nas eleições para "somar esforços" para
derrotar o atual
presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição.
Em seu discurso, Lula afirmou que é
"plenamente possível" que ele e Alckmin formem uma chapa "para
reconquistar os direitos dos trabalhadores".
"Vamos juntar as duas experiências para tentar reconstruir em quatro anos o que eles destruíram", continuou.
Alckmin faz périplo por sindicatos e diz que houve excessos em reforma trabalhista
Folha de S. Paulo
Ex-governador tenta estreitar laços com
público caro a Lula e já visitou cerca de 20 entidades
Indicado para vice
na chapa de Luiz Inácio Lula da
Silva (PT), o
ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) vem se dedicando desde o começo do
ano a estreitar laços com um público caro ao ex-presidente, os sindicatos.
Nos últimos quatro meses, ele visitou cerca
de 20 entidades de trabalhadores, que representam categorias como padeiros,
eletricistas e químicos. Nas conversas com os sindicalistas, tem perguntado
sobre a situação do emprego e os efeitos da alta da inflação sobre o orçamento
dos trabalhadores.
Embora tenha defendido a reforma
trabalhista aprovada no governo de Michel Temer (MDB), Alckmin avalia que
houve excessos. Um dos pontos em que concorda com Lula é que as mudanças
asfixiaram financeiramente os sindicatos e que é preciso haver correções, para
que essas entidades tenham mais poder de fogo em negociações com os patrões.
O ex-governador participou nesta quinta-feira (14) de evento com as centrais sindicais ao lado de Lula e fez um discurso exaltado em sua defesa.
O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões
EDITORIAIS
Sigilo de dados no governo Bolsonaro atinge
nível absurdo
O Globo
O exemplo mais recente aconteceu nesta
semana. O GLOBO solicitou, por meio da Lei de Acesso à Informação, a relação
das entradas e saídas no Palácio do Planalto dos dois pastores lobistas
investigados pela Polícia Federal por suspeita de corrupção no Ministério da
Educação. Em resposta, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), comandado
pelo ministro Augusto Heleno, disse que não atenderia à solicitação, sob o
pretexto descabido de que poderia pôr em risco a vida do presidente da
República e de seus familiares. Questionado numa rede social se tinha algo a
esconder, Bolsonaro respondeu: “Em 100 anos [você] saberá”. Só depois da reação
contrária, o GSI forneceu os dados das visitas ao GLOBO. Infelizmente, é pouco.
Essa foi apenas a última ocorrência de um comportamento contumaz no governo Bolsonaro. No último ano do governo Temer, 2018, o GSI pôs 11 documentos sob sigilo. Pois logo no ano seguinte, o primeiro de Bolsonaro na Presidência e de Heleno à frente do GSI, 255 foram classificados como secretos ou reservados, média de um a cada dia útil. Em 2020, a média foi de 13 por mês (os dados de 2021 ainda estão incompletos).
quinta-feira, 14 de abril de 2022
Maria Hermínia Tavares: No México como aqui, o mesmo alvo
Folha de S. Paulo
O objetivo é espalhar suspeitas em relação
às eleições democráticas
No domingo 10/4, os mexicanos foram
chamados a
opinar se queriam que o presidente Andrés Manuel López Obrador
continuasse a governá-los até a próxima eleição, em 2024. Conhecida como
referendo revogatório, a Consulta de Revogação do Mandato foi convocada pelo
próprio mandatário, responsável também, em 2019, pela reforma que incluiu a
democracia direta na Constituição.
Analistas acreditam que tudo não passou de
manobra de AMLO, como é conhecido pelos concidadãos, a fim de se mostrar
detentor do apoio da rua para promover mudanças constitucionais que lhe
permitam mais facilmente submeter as instituições democráticas à sua vontade
—abrindo caminho, entre outras coisas, à sua reeleição.
Nem 2 em cada 10 mexicanos
participaram da encenação do mandatário, esvaziando a manobra. Mas a
ocasião serviu para acentuar a campanha de descrédito do INE (Instituto
Nacional Eleitoral), incumbido de organizar a consulta e garantir sua lisura.
Assim, conhecidos os resultados, AMLO atribuiu o fracasso de sua jogada à suposta incompetência e má-fé do organismo e prometeu uma reforma eleitoral que, entre outras coisas, viria alterar a composição do instituto.

.png)

.jpg)
.jpg)
.jpg)
.webp)


.jpg)






.jpg)
.jpg)
.jpg)




.jpg)





