terça-feira, 19 de agosto de 2014

Dora Kramer: Páreo duro

- O Estado de S. Paulo

A primeira pesquisa do instituto Datafolha com a inclusão do nome de Marina Silva em substituição ao de Eduardo Campos como titular da chapa presidencial do PSB não surpreendeu.

Ao contrário: correspondeu perfeitamente à expectativa de que a ex-senadora alcançasse o candidato do PSDB, Aécio Neves, em termos de intenções de votos. A leitura fria dos números não autoriza dizer que o resultado seja reflexo da comoção nacional decorrente da morte trágica do ex-governador de Pernambuco.

Quando perdeu a condição legal de se candidatar porque não conseguiu registrar seu partido no prazo permitido por lei, Marina aparecia com 27% nas pesquisas de opinião. Como vice não havia ainda conseguido transferir esse capital para seu companheiro de chapa, cujo índice estava no patamar de 8%.

Demonstração clara de que é no mínimo questionável a influência do vice na incorporação de votos. Na realidade, ninguém vota em vice. No momento em que a ex-senadora passa à condição de herdeira da candidatura, nada mais natural que recupere boa parte de seu patrimônio pessoal.

Está escrito na pesquisa: nem a presidente Dilma nem o senador Aécio perdem um ponto porcentual sequer. Ela fica com os 36% anteriores e ele com os 20% registrados na penúltima consulta. Marina pontua 21%. De onde saem esses votos? Os números indicam que das categorias "outros", "brancos/nulos" e "não sabe".

Na consulta de quinze dias atrás, esse conjunto somava 35% dos pesquisados. Na pesquisa atual o índice cai para 13%. Diferença: 22%. Um ponto porcentual a menos que o índice de intenção de votos registrado para Marina Silva. Matematicamente ao menos parece que temos uma evidência.

Os eleitores de Dilma e Aécio ficam onde estavam. Os de Marina despertam. Criam um novo interesse pela eleição, o que é ótimo para o processo como um todo, tende a aumentar a quantidade de votos válidos e, com isso, a participação do eleitorado.

Mas, esse é o primeiro momento e há muitas variáveis daqui em diante a serem consideradas antes de se estabelecer um cenário de resultado confiável. A mais importante delas: como vai se comportar o eleitorado diante de uma candidatura de Marina Silva não mais como uma "outsider", mas como uma possibilidade concreta de presidente?

Outra: qual a posição da candidata será de franca oposição ao governo? E os adversários, PT e PSDB, partirão para o ataque? Menos ou mais agressivo? Qual a calibragem de maneira a mostrá-la menos preparada para governar, mas sem transformá-la em vítima das grandes e tradicionais forças políticas?

São questões a serem resolvidas nos próximos dias, aí sim, considerado o fator comoção. O ambiente tende a se normalizar e, nele, há dificuldades para Marina.

A relação tensa com o PSB no tocante às alianças regionais cujo fiador era Eduardo Campos, o financiamento de campanha e até um dado importante - surpreendente - da pesquisa; a melhora em seis pontos porcentuais na avaliação positiva do governo da presidente Dilma.

Em suma, a eleição que antes era difícil para dois candidatos, agora é difícil para três.

'Medômetro'. No ranking informal - troca de impressões, ainda sob o impacto da morte de Eduardo Campos - de executivos de grandes bancos o tucano Aécio Neves segue em primeiro lugar nas preferências. Marina Silva fica na segunda posição e o receio maior continua sendo em relação à reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Como esperado, a resistência à candidatura do PSB aumenta no setor de agronegócio, onde é difícil a quebra do gelo entre outros fatores por ausência de disposição de parte a parte. O papel de mediador era feito por Campos, que conseguiu algum avanço na sabatina da Confederação Nacional da Agricultura, há duas semanas.

Na ocasião, porém, a plateia recebeu com frieza explícita a então candidata a vice.

Eliane Cantanhêde:Tempo corre contra Marina

- Folha de S. Paulo

O Datafolha reflete um momento específico: é o primeiro imediatamente depois da morte de Eduardo Campos e antes dos programas de TV. Muita água vai rolar.]

Mesmo assim, todas as campanhas, ainda tontas pela tragédia, vão ter de se recompor com base nesses dados. E Aécio Neves se vê, subitamente, "ensanduichado" entre Dilma Rousseff, a favorita, e Marina Silva, a grande novidade.

Dilma teve a pior notícia: a vitória no primeiro turno evaporou, e ela está num empate técnico com Marina num eventual segundo turno entre as duas. Mas Dilma não perdeu um só ponto para a nova adversária, e candidatos à reeleição dependem até mais da avaliação de governo e dos índices de rejeição do que de intenções de voto. O ótimo/bom do governo subiu de 32% para 38%, e o ruim/péssimo caiu de 29% para 23%.

Marina teve as melhor notícia: já larga com 21%, em meio a enorme exibição na mídia e gerando expectativa de vitória final. Mas a excepcionalidade do momento passa, e ela tem as piores condições. Seu partido não é seu; PSB e Rede têm uma relação complicada; os arranjos estaduais estão em suspense; setores que se encantavam com Campos não se encantam com ela; setores que se encantavam com ela desencantaram-se. Não será uma campanha fácil. O tempo corre contra Marina.

E Aécio? Respira aliviado por não perder capital para Marina, mas está estacionado em 20% e espremido entre as fortes condições de Dilma (tempo de TV, palanques estaduais, imagens de obras de governo) e os ventos favoráveis a Marina (foco das atenções, o bom "recall" de 2010 e a ansiedade por uma terceira via).

E mais: Dilma pode bater em Aécio, Aécio pode atacar Dilma, Marina pode dizer poucas e boas contra os dois. Mas Dilma e Aécio não podem mirar Marina agora, porque teria efeito bumerangue.

Em ascensão, ela está livre para voar sem os estilingues dos adversários. Mas cuidado com os "aliados"!

Raymundo Costa: Os novos desafios de Marina Silva

• O que antes parecia certo e seguro não é mais na sucessão

- Valor Econômico

Uma das máximas preferidas dos congressistas diz que duas coisas movem a política: o fato novo e o fato consumado. Os dois se juntaram na atual conjuntura e mudaram verdades estabelecidas. O que antes parecia seguro e certo, como a criação do Rede Sustentabilidade após a eleição, por exemplo, pode não ser mais, se a ex-senadora Marina Silva se eleger presidente da República pela legenda do PSB, embora ela diga exatamente o contrário. Desde a morte prematura e trágica de Eduardo Campos, a política segue sua dinâmica e lógica próprias - a começar pela confirmação de Marina Silva como candidata de um partido em que planejava ficar por uma curta temporada.

A terceira via, aparentemente prestes a sucumbir à polarização entre PT e PSDB, ganhou uma base mais sólida para se expressar. Não é por acaso que Marina Silva entrou na corrida já em segundo lugar, sem no entanto tirar votos da presidente Dilma Rousseff e do senador Aécio Neves, os outros dois principais candidatos a presidente. Marina cresceu entre os insatisfeitos com a política e no ruído das ruas de junho de 2013. Ainda é pouco para ganhar a eleição, mas o suficiente para virar de ponta cabeça o quadro sucessório.

O cenário atual ainda está muito contaminado pela tragédia pessoal de Campos e sua família. Para uma avaliação mais precisa dos desdobramentos eleitorais dos novos fatos é necessário esperar a entrevista de Marina ao "Jornal Nacional" da TV Globo, para um público de 40 milhões de espectadores, e o andamento do horário gratuito de televisão, quando a emoção, aos poucos, será substituída por avaliações de mérito da candidata, em relação sobretudo ao outro desafiante, o senador tucano Aécio Neves.

Num primeiro momento, Marina parece depositária natural do apoio emocionado de parte do eleitorado. Mas é impossível dimensionar qual a força desse fenômeno e sua extensão no tempo. Seja como for, os comitês de Dilma e Aécio preparam mudanças e um reposicionamento na campanha. A campanha de Dilma, particularmente, aposta na destruição mútua de Aécio e Marina, em consequência de uma disputa sangrenta pelo segundo lugar. Algo como aconteceu em 2002, quando a campanha de José Serra (PSDB) atacou virulentamente a candidatura de Ciro Gomes, à época no PPS, mas chegou sem gás ao segundo turno.

Os sinais até agora emitidos pela campanha de Aécio apontam para uma disputa de nível. O candidato do PSDB pretende questionar a experiência administrativa da candidata do PSB. O jogo em armação no PT parece mais duro. A campanha de Dilma pretende exigir que Marina diga o que pensa fazer com Belo Monte, por exemplo, e os projetos para a cadeia produtiva do petróleo. Legítimo, se não for uma discussão para disseminar preconceitos, como dizer que Marina é contrária ao desenvolvimento do país. Antes da morte de Campos, o presidente do PT, Rui Falcão, já dizia que sua vice Marina teria que explicar por que ficou neutra no segundo turno da eleição presidencial de 2010.

Em documento interno, o secretário-geral do PSD, Saulo Queiroz, chama a atenção para um aspecto pouco considerado até agora: um partido novo e forte pode estar nascendo na política brasileira, sem a necessidade do escrutínio da Justiça eleitoral. Marina, como é de conhecimento público, não conseguiu registrar o Rede Sustentabilidade a tempo de disputar a eleição de 2014. À época, alguns pequenos partidos ofereceram legenda para abrigar sua candidatura a presidente da República. Seria até uma solução natural - outra das leis que regem a política -, mas Marina surpreendeu e preferiu se associar a Campos no PSB.

O movimento da ex-ministra de Lula implicava a renúncia explícita de sua candidatura presidencial, já ocupada por Campos. Era um acerto temporário. Em nenhum momento Marina e seus aliados abdicaram da criação do Rede Sustentabilidade. Na realidade, como diz o documento de Saulo, "ficou muito claro que abriram mão da candidatura a presidente para não abrir mão de criar o novo partido, recheado de ideias e conceitos políticos inovadores", no futuro.

Em todo esse processo, o Rede jamais abriu mão de suas teses e valores, pelo que nunca restou dúvida de que se tratava de uma aliança pragmática, mas transitória. Mas com Marina cabeça de chapa o Rede "deixa para trás a condição de hóspede e assume a condição de morador permanente no seu novo espaço político", diz Saulo.

O secretário-geral pessedista acredita que a força da candidatura de Marina vai obrigar o velho PSB a se renovar, "abrigando os postulados defendidos pelos sonháticos". O desafio de Marina será juntar o capital de Eduardo Campos com o seu próprio, agora em valorização. A convicção de Saulo vem do fato de que a legislação para a criação de novos partidos mudou. Ao contrário do que aconteceu com o PSD, o Pros e o Solidariedade, novos partidos agora nascem sem tempo de televisão e recursos do fundo partidário, a que só terão direito por conquista eleitoral.

Mudança significativa no comitê eleitoral da presidente Dilma Rousseff: o presidente do PT, Rui Falcão, venceu a queda de braço que mantinha com o superpoderoso ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) sobre os assuntos da campanha à reeleição. Depois de uma conversa classificada de "dura" entre os dois com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro passou a cuidar exclusivamente de assuntos de governo. Mercadante ainda deve participar de reuniões da coordenação, periodicamente realizadas no Palácio da Alvorada. Mas deixou de lado a operação propriamente dita de assuntos da campanha. A gota d'água, aparentemente, foi a costura para o financiamento de algumas campanhas estaduais do PMDB, feitas sem o conhecimento do vice-presidente Michel Temer. Candidatos que estavam de fora da lista dos beneficiados, como Eunício Oliveira, protestaram. Temer, que estava licenciado da presidência do PMDB, reassumiu o cargo.

Ricardo Noblat: Quem conspira contra Marina

- O Globo

Está em curso uma segunda tentativa, da última quarta-feira para cá, de inviabilizar a indicação de Marina Silva pelo PSB para substituir Eduardo Campos como candidata a presidente da República. E como a anterior, o responsável pela tentativa é Roberto Amaral, presidente em exercício do PSB, estreitamente ligado a Lula, a Dilma e ao PT, e favorável a que o partido se mantenha formalmente neutro na eleição presidencial.

- Esse Amaral, homem, só me cria problemas - disse-me Eduardo Campos em Brasília, no segundo semestre do ano passado, antes mesmo de Marina ingressar no PSB.

- E por que o senhor dá tanta força a ele? - insisti.

- Não dou. Mas ele está no partido há muito tempo. É líder da facção mais antiga do partido. Meu avô, Arraes, gostava dele - desculpou-se Eduardo.

Foi na quarta-feira que caiu perto de Santos, em São Paulo, o jatinho que conduzia Eduardo, quatro assessores e dois pilotos. Naquele mesmo dia, Amaral, que foi ministro do governo Lula e uma vez se disse favorável a que o Brasil construísse sua bomba atômica, partiu para cima da candidatura natural de Marina, vice de Eduardo. Plantou onde pôde a notícia de que haveria dificuldade para emplacar o nome de Marina. E que o partido nada decidiria por enquanto.

A família de Campos, antes mesmo do enterro do corpo dele, entrou em cena para socorrer Marina. Primeiro foi o único irmão de Eduardo que distribuiu nota dizendo que a família apoiava o nome de Marina para candidata a presidente. Em seguida, foi a própria viúva, Renata Campos, que acolheu Marina no Recife e fez questão de mantê-la ao seu lado durante o velório do marido. Nem por isso, Amaral desistiu do seu intento.

Aproveitou o protagonismo conquistado por Renata nos últimos dias para vender por aí a ideia de que o PSB quer vê-la na chapa de Marina Silva como candidata a vice. De resto, Marina estaria obrigada a desfilar nos estados ao lado de políticos dos quais prefere manter distância. E a dar um jeito de pagar as despesas de campanha de pequenos partidos que apoiavam a eleição de Eduardo. Amaral assumiu a presidência do PSB para ajudar ao PT - essa é que é a verdade.

Renata não quer ser candidata a vice de Marina. Foi convidada por Marina para ser. Disse não. Está pronta para ajudar Marina, assim como Paulo Câmara, candidato do PSB ao governo de Pernambuco. Mas se dedicará daqui para frente, e durante o tempo necessário, a criar seus cinco filhos, um deles bebê de 7 meses.

No mais, Marina precisa de um vice com perfil político, capaz de compensar suas deficiências nessa área. Não seria o caso de Renata.

Luiz Carlos Azedo: O novo cenário

• O realinhamento de forças políticas no processo eleitoral sempre tende a ser mais acentuado quando o candidato favorito é ultrapassado por um dos concorrentes

- Correio Braziliense

O dado mais importante da pesquisa Datafolha divulgada ontem não foi o empate técnico entre Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB), com ligeira vantagem de um ponto para a primeira, mas a perda de favoritismo da presidente Dilma Rousseff, que ficou atrás da ex-vice de Eduardo Campos na simulação de segundo turno por uma diferença de quatro pontos, ou seja, no limite da margem de erro.

Em tese, esse resultado pode desencadear um novo alinhamento de forças já no primeiro turno. A ameaça de “cristianização” de Dilma Rousseff sempre existiu entre os aliados e partidários do próprio PT, por diversos motivos. Os principais são o péssimo relacionamento com os aliados, o alijamento de lideranças importantes do PT do governo e o excessivo intervencionismo econômico.

O movimento “Volta, Lula!” era uma expressão dessas insatisfações, mas foi contido pelo próprio ex-presidente da República, que rechaçou a possibilidade de concorrer ao Palácio do Planalto no lugar de Dilma. Ainda mais porque a criatura ganhou vida própria e bateu o pé contra o retorno do criador ao poder.

Toda vez que a possibilidade de segundo turno aparece nas pesquisas, a expectativa de um novo mandato de Dilma no Palácio do Planalto, ao contrário do que seria natural, funciona como elemento desagregador de setores da própria base. Agora, a situação é mais delicada porque o Datafolha revelou a possibilidade de Dilma perder a eleição.

Voto útil
Eduardo Campos sempre apostou na “cristianização” de Dilma, pois há setores da base do governo e até mesmo do PT que prefeririam a eleição do socialista, e não a permanência da presidente da República no poder por mais quatro anos. Acreditava que, para chegar ao segundo turno, faria uma arrancada avassaladora, que implodiria a base governista.

O mesmo raciocínio vale para o tucano Aécio Neves, que também tem grande trânsito em setores da base do governo. Com a vantagem de Marina , o fenômeno pode ocorrer ainda no primeiro turno, a favor dele, acredita.

O realinhamento de forças políticas no processo eleitoral sempre tende a ser mais acentuado quando o candidato favorito é ultrapassado por um dos concorrentes, ainda mais a sete semanas da eleição. Antes mesmo do segundo turno, nesses casos, ocorre um fenômeno semelhante ao “voto útil”.

Pesquisas
Esses cenários, porém, merecem o devido desconto em razão de a pesquisa Datafolha ter sido realizada no calor dos acontecimentos trágicos que afastaram da disputa o ex-governador de Pernambuco. Muitos analistas relativizam os resultados da pesquisa do Datafolha nos últimos dias 14 e 15.

Houve a superexposição de Marina na mídia, beneficiada pela forte comoção causada pela morte de Eduardo Campos. Dilma, principalmente, e Aécio terão mais tempo no horário eleitoral, o que deixa a candidata do PSB em desvantagem. Também farão diferença as estruturas de poder e os recursos mobilizados por cada candidato.

O PT, porém, sentiu o golpe. Lula ainda tentou remover a candidatura de Marina Silva, mas o tiro saiu pela culatra, principalmente por causa da forte reação de Ana Arraes, Renata Campos e Antônio Campos, mãe, esposa e irmão do ex-governador pernambucano, respectivamente.

A reação de Aécio Neves foi mais cautelosa. A entrada de Marina Silva foi vista pelo candidato do PSDB como um fato positivo porque garante o segundo turno da eleição. O novo cenário eleitoral, porém, ainda está sendo avaliado. Talvez os tucanos tenham que mudar de estratégia para garantir a presença do ex-governador de Minas no segundo turno.

Começa nova eleição com Marina Silva: O Globo - Editorial

• Se deixar de ser candidata "de protesto" e passar a ter chances reais de vitória, terá de esclarecer o que pensa sobre os graves problemas econômicos do país

A percepção, ainda na quarta-feira, dia da queda do avião de Eduardo Campos, de que as eleições presidenciais tomariam outro rumo se confirmou com a primeira pesquisa eleitoral pós-tragédia, da Datafolha, divulgada ontem pela "Folha de S.Paulo", com Marina Silva como candidata ao Planalto pelo PSB. Apurada nos dois dias seguintes ao desastre, a sondagem comprovou o cacife eleitoral de Marina, superior ao do ex-governador de Pernambuco: enquanto Campos, na última pesquisa, aparecia em terceiro lugar, com 8% de preferência, abaixo de Aécio (PSDB) e Dilma (PT), Marina obteve o índice de 21% de apoio, praticamente empatada com Aécio (20%). O candidato do PSDB se manteve no mesmo nível apurado pela pesquisa anterior, assim como Dilma, esta nos 36%.

Deve-se considerar que a pesquisa foi feita em meio a grande comoção. Mesmo assim, é considerando o fortalecimento da candidatura do PSB, com Marina Silva, que analistas e estrategistas têm de lidar. Pesquisa realizada em abril já indicara apoio a ela de 27% dos eleitores.

Há constatações indiscutíveis. Por exemplo, que está garantido o segundo turno — salvo hecatombes. E nele, Marina Silva ganharia de Dilma por 47% a 43% . A vitória petista só ocorreria se o adversário fosse Aécio Neves: 47% a 39%.

Outra constatação — já indicada pelo fato de os candidatos petista e tucano terem permanecido nos mesmos níveis da sondagem anterior — é que Marina atrai de maneira bastante forte aqueles que, sem ela na cabeça da chapa do PSB, votariam em branco ou nulo ou não sabiam quem escolher. Também candidatos nanicos perdem eleitores. Marina Silva funciona como um aspirador no quadro eleitoral, preservados Dilma e Aécio. Atrai o voto dos desiludidos com a política, bandeira de Eduardo Campos.

Marina Silva precisa, no entanto, transitar com cautela no espaço do PSB, em que há lideranças, como o atual presidente nacional da legenda, Roberto Amaral, defensores da adesão ao PT e Dilma. Some-se a isso que Marina propôs sua adesão a Eduardo Campos por não ter conseguido registrar seu partido, a Rede. É difícil afastar a ideia de que o PSB serve de "barriga de aluguel" para a nova legenda.

Outro tema delicado é a obediência a alianças seladas por Campos em alguns estados, sem o entusiasmo de Marina. O caso mais evidente é São Paulo, em que o PSB cede Márcio França, presidente local do partido, para vice na chapa do tucano Geraldo Alckmin, candidato à reeleição. E há, ainda, acertos com representantes do agronegócio, demonizado por Marina Silva — pelo menos no passado.

Se deixar de ser uma candidata "de protesto" para ter chances reais de vitória, Marina precisará deixar claro o que pensa sobre os graves problemas econômicos. O PSB prepararia uma espécie de "Carta aos Brasileiros", como fez Lula/PT em 2002, para Marina assinar. Seria bom começo.

A nova equação eleitoral: O Estado de S. Paulo - Editorial

A primeira das 20 sessões de propaganda para a Presidência da República no rádio e na TV - duas vezes ao dia, três vezes por semana, até 2 de outubro - começa ainda sob o impacto do desastre aéreo que na quarta-feira matou o candidato Eduardo Campos, do PSB. A ele caberia, por sorteio, iniciar o ciclo. A fração de 2 minutos e 3 segundos a que teria direito, no bloco de 25 minutos, provavelmente o mostrará hoje quando dizia as palavras com que passou à história, nos instantes finais da entrevista que dava ao Jornal Nacional (JN), na véspera da tragédia, e que viriam a dominar o seu cortejo fúnebre, acompanhado por mais de 100 mil pessoas, domingo, no Recife: "Não vamos desistir do Brasil".

Se não por decoro, pelas regras do jogo eleitoral, a sua até então companheira de chapa, Marina Silva, não poderá se apresentar desde já como a sua substituta. Nem herdeira, como decerto haverão de preferir os correligionários do ex-governador de Pernambuco, para mantê-la vinculada às suas propostas (nem sempre coincidentes com as dela) e, mais ainda, aos compromissos eleitorais assumidos pelo partido nos Estados (no Rio e em São Paulo, contra a sua vontade). Formalmente, a ex-senadora só poderá assumir a candidatura da coligação liderada pelo PSB depois de ter o seu nome homologado amanhã pela executiva nacional da legenda e avalizado pela maioria das quatro siglas aliadas, no prazo legal de 10 dias. Na reunião, a cúpula do partido deverá escolher também o nome do vice de Marina.

Isso significa que, na melhor das hipóteses, apenas no dia seguinte ela poderá se dirigir ao eleitorado como aspirante ao Planalto, encarnando a "terceira via" preconizada por Campos para interromper duas décadas de governos ou do PSDB ou do PT. Dos candidatos que contam, Marina é quem menos tem o que apostar no período oficial de propaganda. Tudo computado, contará com apenas 82 minutos, ante 183 de Aécio Neves e 456 de Dilma Rousseff. Mas, em 2010, quando dispunha só de 1 minuto e 23 segundos em cada entrada, a penúria de tempo na mídia de massa foi mais do que compensada pelo boca a boca de seus entusiásticos seguidores e o aluvião de mensagens em seu favor nas redes sociais. Marina obteve surpreendentes 19,6 milhões de votos (ou perto de 18% dos sufrágios válidos), o que a levou ao terceiro lugar na disputa.

Agora, trazida à liça pela força do acaso - ou, segundo ela, pela Providência Divina, a que atribui a sua decisão de não viajar com o titular da chapa no voo afinal acidentado -, Marina já mudou a equação sucessória. Pesquisa do Datafolha realizada nos dois dias seguintes ao acidente deu-lhe 21% das intenções de voto, em empate técnico com Aécio (20%). Ele e Dilma (36%) mantiveram as mesmas posições da sondagem anterior, com 8% para Campos. Nas simulações de segundo turno, a esta altura inevitável, Marina bate Dilma por 47 pontos a 43, no limite da margem de erro. As futuras sondagens dirão se esses números traduzem a emoção do momento ou se exprimem uma migração efetiva dos eleitores até então indecisos ou propensos a invalidar o seu voto: esse contingente, que somava 27% há um mês, caiu para 17%.

Inevitavelmente no centro das atenções do público que acompanhar o início do horário de propaganda, Marina terá de dizer a que vem, já não representando apenas "o novo", como há quatro anos, nem tampouco centrada na causa ambiental. Pelo menos os eleitores que descobriram as ideias do candidato do PSB na entrevista ao JN terão a natural curiosidade de saber o que a aproxima e o que a diferencia do político a quem se aliou no ano passado, quando fracassou em registrar como partido o movimento Rede Sustentabilidade. Marina também terá de se voltar para as questões terrenas dos brasileiros, deixando em casa o misticismo que a levou a dizer, no velório de Campos, que "essas coisas acontecem em nome de algo maior".

O papel do horário eleitoral na definição do voto é discutível, de todo modo. Sem dúvida desperta o público para o pleito, mas não parece decisivo para o seu resultado. Nas quatro últimas eleições presidenciais, ganhou o candidato que já liderava as pesquisas quando começou a temporada. Marina mudará a escrita?

José Roberto de Toledo: Eleitor de ex-ministra cansou do embate que marca País desde 94

- O Estado de S. Paulo

Analisando-se os cruzamentos da pesquisa Datafolha, vê-se que Marina Silva (PSB) recuperou seus eleitores históricos: os muito jovens (7 pontos acima de sua média), os que têm curso universitário (9 pontos acima), os de renda mais alta (8 pontos acima), os moradores das grandes e médias cidades (4 pontos) e os evangélicos (até 6 pontos acima da média).

Do ponto de vista geográfico, sua força maior continua sendo no Norte/Centro-Oeste e no Sudeste. Ela teve, como sempre, mais dificuldades no Sul e no Nordeste. Vai melhor nas metrópoles do que no interior. É o mesmo perfil de quem votou nela para presidente em 2010.

São eleitores que optam por Marina porque perderam a confiança no PT e no PSDB. Seus motivos variam. Há os que se desencantaram com a falta de solução para problemas eternos nos serviços públicos, pela corrupção ou pela mera ladainha de petistas acusam tucanos, que acusam petistas, numa ciranda sem fim nem propósito senão o de se alternarem no poder.

Mas há também aqueles que elegem Marina por causa da fé da candidata. Ela chega a 29% entre evangélicos não pentecostais e a 27% entre os pentecostais. Por comparação, tem 19% entre católicos e 23% entre agnósticos e ateus.

Parece que Marina não tira votos de Dilma Rousseff e Aécio Neves, porque as intenções de voto em ambos não se alteraram no Datafolha. Mas pode ser miragem. Dilma pode ter ganho de um lado - afinal, a avaliação de seu governo melhorou - e perdido para Marina o mesmo tanto que ganhou.

O fato é que Marina rebaixa tanto o teto de Dilma como o de Aécio. No cenário sem a candidata do PSB, a petista chega a 41% e o tucano, a 25%. Ou seja, cada um deixa de ganhar 5 pontos por causa de Marina. E o estrago pode crescer.

Até agora, Marina recuperou seus eleitores históricos que estavam acantonados com Eduardo Campos e com os nanicos, ou estavam indecisos e declarando voto nulo e branco. Marina personificou o seu protesto e pode vir a incorporar outros protestantes - sejam religiosos, sejam manifestantes.

Vai depender, claro, de sua atuação, mas também dos seus adversários. Quanto mais Dilma e Aécio se digladiarem entre si, mais insatisfeitos Marina terá para recolher em sua urna. Ela tem a menor rejeição e o maior potencial de crescimento.

Míriam Leitão: Erros do mercado

- O Globo

O mercado financeiro tem sido sistematicamente mais otimista em relação à economia brasileira do que os fatos comprovam. Entre 2011 e 2013, as projeções para o PIB em janeiro foram sempre maiores do que o crescimento que ocorreu. Em 2014, a estimativa no início do ano era de 1,95% e já caiu para 0,79%, na 12ª retração semanal consecutiva. Os números positivos acabam não se confirmando.

Ográfico abaixo mostra o que o mercado previu, no início de cada ano, e o resultado final, divulgado pelo IBGE, entre 2011 e 2013. Para 2014, ilustra a projeção feita em janeiro e a última estimativa, divulgada ontem pelo Banco Central (BC). Os números finais são sempre menores, quando o assunto é PIB, e maiores, quando se trata de inflação.

O Relatório de Acompanhamento da Pesquisa Focus, elaborado pelo Departamento de Estudos Econômicos do Brasil, mostra que o mercado já previu crescimento de 4,5% para o PIB brasileiro de 2014. Isso aconteceu ainda em 2011, quando o país crescia a uma taxa de 7,5% e muita gente acreditava que o ritmo se sustentaria nos anos seguintes. De lá para cá, no entanto, o que se viu foi o número murchando até chegar à previsão de 0,79%.

O erro de diagnóstico tem acontecido principalmente na produção industrial. Em janeiro deste ano, o Focus estimava alta de 2,2% para a indústria e agora projeta queda de 1,79%. Isso significa uma alteração de quatro pontos percentuais em oito meses. A projeção em janeiro de 2013 era de 3%, quando o resultado final foi 1,2%. No ano anterior, a estimativa de 3,3% foi frustrada com um resultado negativo de 2,7%. Em 2011, previa-se 5%, em janeiro, e deu apenas 0,3%.

Quando o assunto é inflação, tem acontecido o contrário. O problema vem sendo subestimado. Em janeiro de 2014, estimava-se o IPCA em 5,97%. Agora, o número é 6,25%. No ano passado, previa-se alta de 5,49%, quando o resultado final foi 5,91%. O erro maior aconteceu em 2011, quando a inflação ficou no teto da meta.

O Boletim Focus é uma forma de os bancos e consultorias informarem ao BC sobre o que estão enxergando no desempenho da economia. Isso ajuda a própria autoridade monetária a definir a política de juros. Os modelos, no entanto, estão rodando longe da realidade e por isso as revisões para baixo têm sido constantes. Está na hora de os economistas de bancos e consultorias ajustarem seus padrões.

Panorama Político :: Ilimar Franco

- O Globo

Fora Lindbergh. Fora Alckmin
A futura candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, não vai subir nos palanques do tucano Geraldo Alckmin (SP) nem do petista Lindbergh Farias (RJ). "Ela não vai, o PSB vai", explica um integrante da cúpula da Rede. Os "marineiros" argumentam que nem Eduardo Campos iria e não veem ruído entre Marina e os socialistas. E garantem que "todo o legado de Eduardo será respeitado".

Nos bastidores da consulta
Lideranças do PSB atribuíam ontem ao bairrismo e a um clima de homenagem a especulação sobre a vice da chapa de Marina ser ocupada pela mulher de Eduardo Campos, Renata, ou pelo irmão, Antônio. "Isso é lenda ", garantiu um dirigente do partido, negando que eles estariam reivindicando essa posição. Os socialistas preferem que a vaga seja destinada a alguém que represente a estrutura partidária. Nesse contexto, o nome do deputado Beto Albuquerque (RS) ficou muito forte, inclusive entre os "marineiros". No PSB, o que se diz é que "os entendimentos do Eduardo foram todos combinados com ela. E que alguma ponta que estiver solta, vamos amarrar".
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"O cidadão médio quer mudança com segurança, estabilidade política e econômica. Não quer "porra-louquice". Não quer guerrilha "
Marcus Pestana
Presidente do PSDB-MG e deputado federal, sobre a candidatura de Marina Silva
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Carisma
O PSB esperava aumentar sua bancada na Câmara com Eduardo Campos. Agora, com Marina Silva, a crença é a de que os socialistas ganharam um novo impulso. Desde 1986, há crescimento a cada pleito. Hoje, são 35 deputados.

"Self-made woman"
Soberba e descrédito são as reações dominantes no PSDB e no PT diante da entrada em cena de Marina Silva. Mas há especialistas em campanha fazendo a leitura de que ela tem identidade com o ex-presidente Lula. "Eles vieram de baixo", dizem. E sugerem que ela invista nisso e justificam: "60% clamam por mudança e queriam a volta do Lula ".

Na largada
No comando da candidatura Eduardo Campos não houve surpresa com o desempenho de Marina Silva no Datafolha. Contam que era esse o patamar de Eduardo quando o pesquisado era informado que ele era o candidato de Marina.

Apagando incêndio
O presidente do PSB, Roberto Amaral, conversou ontem com os presidentes do PRP, Ovasco Resende, e do PHS, Eduardo Machado. Marina Silva com o dirigente do PPL, Miguel Manso. Garantiram que acordos serão mantidos, como a ajuda financeira aos coligados. E convidaram os três para reunião sobre o vice hoje em Brasília.

No retrovisor
O presidente do PPS, Roberto Freire, está exultante. Lembra que desde 2002 a oposição não vence o candidato da situação em pesquisa de segundo turno. Naquela, Serra ficou atrás de Ciro Gomes e depois de Lula, o presidente eleito.

Hacker oficial
Assessor de Suporte Estratégico do gabinete do governador Cid Gomes (CE), Francisco Soriano de Moraes registrou domínios na internet com os nomes dos adversários: o senador Eunício Oliveira e o ex-governador Tasso Jereissati.
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GRITARIA GERAL. Candidatos a deputado federal de todos os estados e partidos choramingam pela falta de recursos e material de propaganda.

Painel :: Bernardo Mello Franco

- Folha de S. Paulo

Aposta na emoção
A frase "Não vamos desistir do Brasil", dita por Eduardo Campos em entrevista na véspera de sua morte, encerrará hoje o primeiro programa eleitoral do PSB. Em tom emocional, o partido vai exibir imagens em que ele aparece alegre e confiante na vitória. Marina Silva será mostrada ao seu lado, sem pedir voto. O funeral foi gravado, mas não será explorado na estreia. "Não haverá nada macabro. Se for o caso, usaremos mais à frente", diz Roberto Amaral, novo presidente da sigla.

Tragédia na urna De Amaral, sobre o impacto eleitoral do acidente que abalou a campanha: "Antes, Marina era a grande eleitora de Campos. Agora, é o contrário".

Lá vem encrenca Com Marina na cabeça de chapa, a cúpula do PSB pressionará para usar sua imagem em todas as campanhas estaduais apoiadas pelo partido. Como vice, ela tinha o direito de só aparecer ao lado dos candidatos que desejava.

Olha a encrenca aí Porta-voz da Rede, Walter Feldman avisa que Marina não se associará ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo. "Já tivemos a chapa Edualdo, mas a Marinaldo não vai existir", afirma.

Novos amigos Aliado de Campos em Pernambuco, Inocêncio Oliveira (PR-PE) diz que agora pedirá votos para Marina. O deputado, que está no Congresso desde 1975, é um símbolo da "velha política" que a ex-senadora promete combater.

Superexposição Pelo cálculo de uma das campanhas presidenciais, o noticiário da morte de Campos e da escolha de Marina para substitui-lo ocupou 100 minutos do "Jornal Nacional" e do "Jornal Hoje" entre quarta e sábado, véspera do enterro.

Nunca antes A exposição nos dois telejornais de maior audiência da TV Globo equivale a 150% do tempo a que o PSB terá direito nos 45 dias de horário eleitoral.

Fé na máquina Petistas e tucanos ainda tratam Aécio como favorito para chegar ao segundo turno, devido à robusta máquina partidária do PSDB. O peso da sigla faria a diferença na reta final.

O voto do não Marina e Aécio empatam tecnicamente entre os que classificam o governo Dilma Rousseff como ruim ou péssimo: ela tem 33%, e o tucano, 34%.

Podia ser pior A campanha de Aécio temia que Marina já aparecesse em vantagem acima da margem de erro no Datafolha. A diferença de um ponto percentual foi recebida como boa notícia.

Podia ser melhor O PSB espera que Marina tenha crescido mais durante e após o fim de semana, quando o noticiário foi tomado pelo funeral de Campos. As entrevistas da pesquisa foram encerradas na sexta-feira.
A intocável Enquanto blogs petistas já começam a atacar Marina, políticos da sigla pedem cautela. "Amigos do PT: não detonem Marina. Ela é adversária, íntegra. Para muitos que foram às ruas, é esperança. Critiquem a direita tucana", pediu o ex-ministro Carlos Minc, no Twitter.

O PSOL é pop O músico Marcelo Yuka é quem vai apresentar a presidenciável Luciana Genro (PSOL) no programa de 51 segundos que vai ao ar hoje. O slogan, inspirado nos protestos de junho, será "O povo acordou".

Visita à Folha Paulo Skaf, candidato do PMDB ao governo de São Paulo, visitou ontem a Folha, a convite do jornal, onde foi recebido em almoço. Estava com André Rabelo, coordenador de seu programa de governo, Helena Chagas e Guilherme Barros, assessores de imprensa, e Junior Ruiz, assessor.
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Tiroteio
"Se Marina fosse mesmo coerente, não sairia candidata pelo PSB depois de criticar tanto as alianças que o seu partido fez pelo país."
DO DEPUTADO VICENTINHO (PT-SP), líder da bancada na Câmara, que acusa incoerência entre a fala de Marina e os apoios firmados pelo PSB nos Estados.
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Contraponto
Diferenças insuperáveis
Durante uma viagem da pré-campanha presidencial, um auxiliar serviu a Eduardo Campos (PSB), por engano, a refeição que havia sido preparada para Marina Silva. A ex-senadora tem uma série de restrições alimentares e precisa de ingredientes especiais.
Ao ver a bandeja em sua frente, Campos brincou:
--A gente pode até discutir o programa, incluir pontos de sustentabilidade, ter candidatura própria nos Estados. A gente pode fazer tudo, Marina... Mas se for para ter que me comprometer a comer sua comida, então a nossa aliança acaba agora mesmo!

Diário do Poder – Cláudio Humberto

- Jornal do Commercio (PE)

• Contribuinte banca maior parte das campanhas
Enquanto brasileiros reagiam indignados ao “financiamento público de campanha”, discretamente os políticos engordaram o “fundo partidário”, abastecido com recursos do Tesouro. Em 2004, ao ser instituído, o fundo tirou R$124,8 milhões do bolso do contribuinte. Isso foi aumentando até saltar de R$197 milhões, em 2010, para R$ 307,3 milhões em 2011. Em 2014, a previsão é que vai a R$ 364,3 milhões.

• Rateio do butim
Do total, 5% do fundo é rateado entre todos os partidos registrados na Justiça Eleitoral, e 95% conforme a votação para deputado federal.

• Partidos cartoriais
Vários partidos nanicos, sem qualquer expressão eleitoral, são mantidos pelos seus “donos”, interessados apenas no fundo partidário.

• Parte do leão
Até julho, os grandes partidos embolsaram a “parte do leão” do fundo: PT (R$ 29,4 milhões), PMDB (R$ 21 milhões) e PSDB (R$ 19,9 milhões).

• Sem voto, com grana
Nanicos não têm votos, mas fazem festa com o fundo: PTC (R$ 1,3 milhão), PRTB (R$ 773 mil), PSDC (R$ 618 mil) e PEN (R$ 531 mil).

• Fecomércio-MG adquiriu imóveis superfaturados
Investigação de desvios e superfaturamento levaram a juíza Lucimeire Rocha, da Vara de Inquéritos Criminais de BH, a afastar o presidente do sistema Fecomércio-MG, Lázaro Gonzaga, e os diretores do Sesc, Rodrigo Duarte, e do Senac, Luciano Fagundes, aliados do presidente da Confederação Nacional do Comércio, Antônio de Oliveira Santos. Também tiveram os bens bloqueados até o valor de R$ 50 milhões.

• Tal qual
O Sesc Nacional, de Antônio de Oliveira Santos, é acusado de pagar dez vezes mais por uma fazenda no Mato Grosso.

• MP investigou
A investigação na Fecomércio-MG foi iniciada em 2013 pelo promotor Eduardo Nepomuceno, de Defesa do Patrimônio Público de BH.

• Tudo errado
Além de comprar imóveis sem avaliação oficial, a Fecomércio-MG pagou R$30 milhões antecipadamente, antes do registro em cartório.

• Não é Marina
O novo presidente do PSB, Roberto Amaral, continua dando pistas do seu desconforto com a candidatura de Marina Silva. Disse ontem que Renata Campos, viúva de Eduardo, “é a maior liderança do PSB”.

• Eleição nas redes sociais
O perfil de Marina Silva (PSB) no Facebook cresceu 300 mil curtidas, desde quinta passada; tem agora 1,1 milhão de “likes”. Aécio Neves (PSDB) tem 1,13 milhão de curtidas e Dilma Rousseff (PT), 920 mil.

• Virada
Experientes políticos acham que Paulo Câmara (PSB) tem tudo para virar a campanha vencer a disputa pelo governo, até como homenagem dos pernambucanos a Eduardo Campos, que o escolheu candidato.

• Informe a favor
Informe de analistas do banco Credit Susse aponta Dilma como a favorita na disputa. Se escrevessem o contrário, seus patrões seriam pressionados a demiti-los, como aconteceu no banco Santander?

• Ninguém merece
Quem reclamava do assembleísmo do PT antes da chegada ao poder, não viu nada. Os chamados “marineiros”, que agem no Rede e no PSB como tutores de Marina Silva, são um pé no saco da objetividade.

• Antipetistas
Estrelas do PMDB, o vice de Dilma, Michel Temer, e Paulo Skaf, que disputa o governo paulista, foram a ato antipetista em Mauá (SP). Era o lançamento da candidatura à reeleição da deputada estadual Vanessa Damo (PMDB), arquirrival de Donizete Braga, prefeito petista de Mauá.

• Petista ‘humilhado’
Alexandre Padilha (PT) sentiu-se “humilhado” com o critério da Globo de fazer cobertura diária de candidatos acima de 6% nas pesquisas. Padilha deveria se sentir diminuído com o próprio desempenho: ele não passa dos 5%. Mas foi à Justiça para obrigar a Globo a abrir espaço.

• Embate no debate
Líder nas pesquisas para o governo do DF, José Roberto Arruda (PR) enfrenta hoje os adversários no debate da Band, inclusive Toninho do Psol, autor da representação que fez o TRE impugnar sua candidatura.

• Pergunta diante da TV
Já que permite que políticos mintam à vontade no guia eleitoral a partir de hoje, o TSE não deveria julgá-los depois por propaganda enganosa?

Capiba - Madeira que cupim não rói

Carlos Pena Filho: Soneto oco

Neste papel levanta-se um soneto,
de lembranças antigas sustentado,
pássaro de museu, bicho empalhado,
madeira apodrecida de coreto.

De tempo e tempo e tempo alimentado,
sendo em fraco metal, agora é preto.
E talvez seja apenas um soneto
de si mesmo nascido e organizado.

Mas ninguém o verá? Ninguém. Nem eu,
pois não sei como foi arquitetado
e nem me lembro quando apareceu.

Lembranças são lembranças, mesmo pobres,
olha pois este jogo de exilado
e vê se entre as lembranças te descobres.

Carlos Souto Pena Filho (1929–1960), fez no Recife sua vida de poeta. Em 1952 publicou seu primeiro livro de poesias, “O tempo da busca”. Em 1955, “Memórias do boi Serapião”, ilustrado por Aloísio Magalhães. “A vertigem lúcida” foi publicado em 1958, e, no ano seguinte, sua obra foi reunida no “Livro Geral”. Organizada por seu biografo Edilberto Coutinho, em 1983 foi publicada a antologia “Os melhores poemas de Carlos Pena Filho”.

Em parceria com Capiba, renomado músico pernambucano, foi autor de letras de músicas de sucesso, entre as quais destacamos “A mesma rosa amarela”, incorporada ao movimento da Bossa Nova na voz de Maysa.

Morreu precoce e tragicamente no dia 1º de julho de 1960, vítima de um acidente automobilístico. Foi da redação do “Jornal do Commércio” — onde trabalhava — que pegou carona no carro de um amigo que se chocaria com um ônibus. No jornal assinou duas colunas: “Literatura” e “Rosa dos Ventos”. Cinco dias antes da sua morte, 26/6/60, foi publicado no “JC” seu último poema, que acima reproduzimos.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Opinião do dia: Roberto Freire

A cada dia, reforça-se a impressão que tenho de que o Brasil está querendo conhecer o que Eduardo Campos pensava, e isso terá muita influência na eleição.

Nesse momento, Marina parte para um patamar bastante elevado de votos; ela tende a crescer. Temos chances reais de vitória.

Roberto Freire, deputado federal (SP) e presidente nacional do PPS. Em entrevista, no funeral de Eduardo Campos, 17 de agosto de 2014.

Com 21% no 1º turno, Marina empataria com Dilma no 2º

• Ex-ministra disputa a segunda posição com Aécio Neves (20%), diz Datafolha

• Taxa de eleitores sem candidato cai com a entrada de Marina no lugar de Campos, morto na semana passada

Ricardo Mendonça - Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - Marina Silva (PSB) entra na disputa pela Presidência com 21% das intenções de voto. Segundo o Datafolha, ela larga em segundo lugar na corrida presidencial, um ponto à frente de Aécio Neves (PSDB) --o que os coloca em situação de empate técnico-- e 15 pontos atrás de Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT.

Inicialmente inscrita como vice na chapa de Eduardo Campos, o presidenciável do PSB morto no último dia 13, a ex-ministra tem um desempenho que afasta a chance de a eleição ser resolvida no primeiro turno.

Já na simulação de segundo turno, Marina, que deve ser oficializada candidata na quarta-feira (20), fica numericamente à frente de Dilma, com 47% das intenções de voto contra 43% da presidente.

É uma situação de empate técnico nos limites máximos da margem de erro, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Contra Aécio, Dilma venceria o segundo turno por 47% a 39%. Nesse caso, os oito pontos de diferença representam uma ampliação da vantagem da petista. Em meados de julho, o cenário era de 44% a 40% (empate técnico).

A hipótese de conclusão da eleição no primeiro turno é afastada porque Marina surgiu com quase o triplo das intenções de voto em Campos (8%), porém sem provocar alteração nas taxas dos rivais mais competitivos.

Com Campos no páreo, Dilma também tinha 36%. Aécio alcançava os mesmos 20%.
Na comparação direta entre o cenário atual, com Marina, e o cenário anterior, com Campos, caíram de forma notável os percentuais de eleitores sem candidato.

Intenções de voto nulo ou em branco eram 13%. Com Marina candidata, essa taxa recuou para 8%. Indecisos eram 14% e agora são 9%.

Vários analistas apresentaram Marina como possível herdeira de um grupo crescente de eleitores descontentes com o sistema político. Nos protestos de junho de 2013, um sentimento de rejeição aos partidos ficou explícito.

Os dados da atual pesquisa combinam com esse tipo de interpretação. Muitos que pensavam em fazer um voto de protesto (anular), ou estavam com dificuldade para escolher, vão de Marina se essa opção estiver ao alcance.

Outra informação que reforça essa tese aparece na simulação de primeiro turno da atual pesquisa sem o nome de Marina no cartão de resposta --situação que seria possível caso o PSB deixasse de lançar a ex-ministra de Lula e abrisse mão da candidatura própria.

Nesse cenário, Dilma venceria a eleição já no primeiro turno com 41% (oito pontos a mais que a soma de seus rivais). Mas o percentual de eleitores sem candidato continuaria alto: 13% de brancos e nulos, 12% de indecisos.

Um conjunto de dados da atual rodada do Datafolha sugere que a entrada de Marina na disputa ocorre num momento de recuperação de Dilma. Além da ampliação de sua vantagem sobre Aécio no teste de segundo turno, a avaliação do governo melhorou (confira na pág. A6), sua taxa de rejeição oscilou para baixo (35% para 34%), e as intenções de voto espontâneas com seu nome oscilaram para cima (22% para 24%).

O Datafolha ouviu 2.843 eleitores em 176 municípios nos dias 14 e 15 de agosto.

PSB quer que Marina atue em todos os estados

• Pressão será feita pelo partido; ex-senadora resistia à chapa com o PSDB em São Paulo

Júnia Gama*, Sérgio Roxo e Mariana Sanches – O Globo

RECIFE - Recebida com gritos de "presidente" durante o velório de Eduardo Campos, a ex-senadora Marina Silva, tida como a sucessora natural do ex-governador de Pernambuco, deverá sofrer pressões por parte do PSB para que amplie sua presença em estados onde o partido fez aliança com as quais ela não concordava e, por isso, resistia em fazer parte das campanhas.

Além de uma carta de compromisso com o projeto político do PSB, que será submetida à aprovação de Marina para assegurar a continuidade das propostas discutidas, o partido quer que a ex-senadora retire o veto ao uso de sua imagem em palanques estaduais como o de São Paulo, maior colégio eleitoral do Brasil. Mesmo que não concorde em subir em palanques ao lado do tucano Geraldo Alckmin, que tem como vice o deputado Márcio França (PSB), os socialistas querem poder capitalizar os votos de Marina no material de campanha.

O partido planeja uma reunião ainda hoje em Brasília para acertar questões operacionais com Marina. O PSB quer tudo pontuado antes da oficialização da candidatura da ex-senadora, na próxima quarta-feira. Socialistas com bom trânsito junto a Marina dizem que ela terá "bom senso" para perceber que sua atuação como candidata a presidente terá de ser mais ampla do que como vice.

- Temos que combinar como vai ser a campanha daqui para frente. Na campanha com Eduardo, a Marina não ia em São Paulo, e tudo bem. Como vai ficar lá agora? No Rio de Janeiro, como vai ser? - diz um deles.

Antes da morte de Campos, o uso de fotos de Marina havia sido restrito às candidaturas estaduais majoritárias apoiadas formalmente pela Rede Sustentabilidade. Em nota, o grupo chegou a dizer que qualquer utilização da figura de Marina fora desse contexto constituiria "uso indevido da imagem". Interlocutores dizem que ela ainda não deliberou sobre essa questão e que está à espera de uma manifestação do PSB sobre a sucessão para, somente então, dar início a esse tipo de conversa.

"É triste, mas é bonito"

Segundo pessoas próximas a Marina, ela tem demonstrado "disposição em dialogar". Na manhã de ontem, durante o velório de Eduardo Campos, no Palácio das Princesas, Marina Silva entrou em uma sala reservada onde os bispos estavam se preparando para a missa. Ficou conversando alguns minutos e recebeu mensagens de força dos prelados. O gesto de Marina foi interpretado por alguns como uma primeira sinalização de abertura a setores com os quais não costumava ter. A ex-senadora é evangélica.

- Tá vendo? Depois dizem que ela é fundamentalista - comentou um aliado de Marina.

Sempre acompanhada de um cortejo em moldes presidenciais, Marina vestia ontem, durante a cerimônia de enterro de Eduardo Campos, uma blusa azul e tinha o semblante muito menos carregado do que nos dias anteriores.

- É triste, mas é bonito. É bonito, mas é triste - assim Marina descreveu toda a cerimônia de velório e enterro ao chegar de volta ao hotel onde está em Recife; a cena foi testemunhada pelo GLOBO. ( *Enviada especial )

Migração de votos enquanto durar comoção

• Para políticos, eleitores que pretendiam anular votação ou não tinham candidato devem passar a votar em Marina

Júnia Gama*, Ana Paula Ribeiro e Cleide Carvalho – O Globo

RECIFE e SÃO PAULO - No Palácio das Princesas, em Recife, onde foi velado o corpo de Eduardo Campos ontem, políticos de diversos matizes tinham avaliação semelhante sobre os efeitos da morte dele no cenário eleitoral. Sob a expectativa da primeira pesquisa oficial após a tragédia, o comentário geral era sobre a imprevisibilidade com a chegada de Marina Silva na disputa nacional e também nos estados.

A perspectiva é que Marina seja receptora, no primeiro momento, de boa parte dos votos dos eleitores que pretendiam anular ou ainda não tinham candidato, mas que isso poderá mudar à medida que vá se dissolvendo a comoção sobre a tragédia.

A principal prejudicada neste início, apontam alguns petistas e integrantes da base governista, deve ser a presidente Dilma Rousseff. Sondagens informais de políticos do PT mostram que, em alguns estados, Marina já teria herdado votos em branco e nulos e começado a pegar alguns pontos de Dilma. Mas o impacto de Marina na campanha pode acabar também tirando Aécio Neves do segundo turno.

Desconhecimento superado com a tragédia
As pessoas que circulavam pelo palácio na manhã de ontem durante o velório comentavam que, paradoxalmente, o principal obstáculo de Campos - seu desconhecimento - havia sido superado com a tragédia. Ele se tornou conhecido com a comoção, e há possibilidade de esse fator ser traduzido em votos para sua sucessora.

- A comoção gera conhecimento, e esse conhecimento se transforma em referencial. A pessoa que melhor pode representar esse referencial é Marina - afirmou a interlocutores o senador Walter Pinheiro (PT-BA), no Palácio das Princesas.

A disputa em alguns estados também pode ser afetada. O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, na missa em homenagem a Campos, lembrou que Marina teve votação expressiva no estado em 2010 e que pode, de imediato, recuperar esse recall. Mas Pezão crê que ela não deverá entrar de cabeça em nenhuma candidatura no Rio, já que o ex-presidente Lula dificilmente permitirá que Marina participe da campanha de Lindbergh Farias, que se aliou ao PSB em acordo costurado por Campos.

Pezão destaca que a participação de Marina no estado não dependeu, em 2010, de estrutura partidária. Ela pode, no entanto, ter alguma atuação ao lado de Romário, candidato ao Senado pelo PSB.

Há avaliações de que a entrada de Marina na disputa presidencial rompe a lógica de polarização entre PT e PSDB. Com o recall dos 19,6 milhões de votos que obteve na eleição presidencial de 2010, quando disputou pelo PV e ficou com quase 20% dos votos válidos, Marina coloca o PSB no páreo por um lugar no 2º turno.

Nem PT, nem PSDB, porém, pretendem transformá-la em alvo de ataques no 1º turno, não só na tentativa de manter bom relacionamento para o 2º turno, mas também para aguardar que diminua a comoção pela tragédia e possam mensurar seu efeito na atração de votos para Marina.

Alberto Goldman, vice-presidente do PSDB, diz que a presença de Marina terá impacto maior na campanha do PT do que na do tucano Aécio Neves:

- Campos não era parte da disputa real. Ele não tinha mais como subir. Ela (Marina) tem um recall imenso da última eleição e representa bem mais do que o Eduardo o desânimo com a política.

Na avaliação de Goldman, Marina vai quebrar a linha de raciocínio das últimas campanhas petistas que buscava transformar o embate numa disputa de pobres contra ricos e contra uma suposta elite que representa retrocesso. Goldman afirmou que o PSDB não deve mudar sua campanha e continuará se colocando como oposição ao PT:

- Nossos inimigos são Dilma, Lula e PT. Nossa campanha é contra o PT, oferecendo uma alternativa. Irá para o 2º turno quem oferecer a melhor alternativa. Só existe um candidato de situação.

Para Goldman, enquanto o PSDB continuará a centrar fogo contra o inimigo de sempre, o PT terá de enfrentar uma candidata que já esteve na legenda e saiu por discordar dela.

O secretário de Comunicação do PT, José Américo, porém, afirmou que o principal adversário continua a ser Aécio e que, no caso da nova candidata do PSB, será adotado tom de respeito, até pela proximidade com alguns petistas:

- É com o Aécio que vamos polarizar. Ela será tratada com respeito. Mas eleição é eleição. Se ela for para o 2º turno, vamos destacar as nossas diferenças, mas não será uma polarização.

"Tendência é perder palanques de campos"
O PT vai continuar a insistir que o tucano é quem que representa o atraso e o conservadorismo. Porém, segundo Américo, ainda é cedo para qualquer avaliação sobre o efeito de Marina na campanha, o que só será possível entre dez e 15 dias, com a divulgação das primeiras pesquisas após alguns dias de campanha na TV.

Florisvaldo Costa, secretário de Organização do PT, encarregado de fazer o mapa das alianças nos estados, não crê que Marina Silva seja tão impulsionada pela comoção causada pela tragédia:

- Marina continua sem palanque nos estados, e a tendência é perder palanques que eram de Campos. Mas quem vai ter o primeiro problema é Aécio. Ele terá de olhar para frente e para o retrovisor. Nós faremos a defesa do nosso projeto de governo.

Em SP, o PT deverá priorizar sua campanha na Região Metropolitana da capital, onde a presença do partido é forte, e em municípios onde Dilma aparecerá ao lado do ex-presidente Lula, como São José do Rio Preto, Campinas, São José dos Campos e Presidente Prudente. (* Enviada especial )

Campos é enterrado em clima eleitoral

• Marina Silva fica o tempo todo ao lado da família, ouve gritos de apoio e pedidos para que Renata seja sua vice

Isadora Peron, João Domingos, Ricardo Brandt - O Estado de S. Paulo

Cerca de 100 mil pessoas, segundo cálculos do governo de Pernambuco, acompanharam ontem, no Recife, a cerimônia de despedida de Eduardo Campos, candidato do PSB à Presidência da República morto na quarta-feira passada após um acidente aéreo no litoral paulista. O velório, aberto ao público, foi tomado por manifestações eleitorais.

Marina Silva, candidata a vice que assumirá o posto de nome do PSB ao Planalto, ficou o tempo inteiro ao lado da família. Levantou para o alto, em certo momento, a foto de Campos que estava sobre o caixão.

Os filhos do ex-governador de Pernambuco vestiam camisetas com uma das últimas frases ditas publicamente por Campos antes de morrer – “não vamos desistir do Brasil”. Frase que também estava estampada no caminhão de bombeiros que realizou o cortejo na madrugada, da base aérea para o Palácio do Campo das Princesas, sede do governo onde foi realizado o velório e uma missa campal celebrada por d. Fernando Saburido, arcebispo do Recife e de Olinda.
João Campos, de 20 anos, apontado como herdeiro político do pai, cerrou punhos e puxou o coro “Eduardo, guerreiro do povo brasileiro”. O mesmo coro foi repetido várias vezes durante o velório, o cortejo até o cemitério de Santo Amaro e o enterro dos restos mortais do ex-governador de Pernambuco.

Renata, viúva de Campos, teve o nome várias vezes entoado pelos presentes, que pediam que ela se lançasse candidata a vice na chapa de Marina.

Do lado oposto à área reservada a autoridades e à família, a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, e o candidato do PSDB ao Planalto, Aécio Neves, estiveram juntos durante a missa. A petista estava acompanhada do antecessor e padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva. Ela chegou a ser hostilizada por algumas pessoas que estavam próximas da área de autoridades. O tucano foi ao velório com o candidato a vice, Aloysio Nunes Ferreira.

Em família.A presença de Marina junto à família de Campos repetiu-se durante o cortejo final que levou o corpo do ex-governador ao Cemitério de Santo Amaro. Ela ficou em cima do carro de bombeiros que levou o caixão ao cemitério sentada ao lado de Renata e dos filhos da viúva. Marina não quis dar declarações à imprensa ontem.

No sábado, ao chegar ao Recife, ela deu uma breve entrevista ao Estado na qual afirmou sentir “o senso de compromisso” que a morte do aliado lhe impôs. Também afirmou que o fato de não ter embarcado no jatinho que caiu em Santos na quarta-feira foi uma “providência divina”.

Renata e Antonio Campos, o único irmão do ex-governador, foram os primeiros a defender que Marina ocupasse a cabeça de chapa do PSB na disputa presidencial. A gratidão da ex-ministra ao gesto foi visível.

Durante o enterro dos restos mortais de Campos, ocorreram novas manifestações favoráveis a Marina. “Fora Dilma, agora é Marina” e “Marina e Renata” eram gritos ouvidos dentro de cemitério. Também foram espalhadas faixas por toda a cidade do Recife, confeccionadas pelo PSB, dizendo: “Seus ideais permanecem vivos em cada um de nós”. Faixas e camisetas também tinha a foto do ex-governador, com data de nascimento e morte.

Avô. Os familiares também usaram chapéus de palha, em homenagem a Miguel Arraes, avô de Campos que também foi governador de Pernambuco. “Chapéu de Palha” é um programa social criado por Arraes em 1988.

Um chapéu chegou a ser colocado sobre o caixão na hora do enterro. Diante da família, entre as quais a mãe de Campos, Ana Arraes, ministra do Tribunal de Contas da União, João, o herdeiro político, voltou a puxar o coro “Eduardo, guerreiro do povo brasileiro”. “Viva Eduardo! Viva Arraes! Viva o Brasil!”, gritou o jovem, que queria ser candidato a deputado neste ano, mas foi convencido pelo pai a se dedicar aos estudos. Além de João, Campos deixou outros quatro filhos com Renata: Maria Eduarda, Pedro, José e Miguel.

Marina pode tirar voto de Dilma no Nordeste, avalia PT

• PT acha que, a princípio, comoção com tragédia favorece Marina na região de Campos; dúvida é se quadro se mantém até outubro

Tânia Monteiro, João Domingos - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - A entrada da ex-ministra Marina Silva na campanha eleitoral e os votos que ela pode tirar do PT no Nordeste foram os principais assuntos da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante encontro que tiveram ontem, no Recife, logo depois da missa de corpo presente do ex-governador Eduardo Campos.

Após a missa, Dilma e Lula pegaram o mesmo carro. Aproveitaram para conversar sobre a realidade surgida com a morte de Campos e sobre a possibilidade de perda de votos para Marina. Há uma preocupação no governo de que a comoção observada com as circunstâncias trágicas da morte de Campos possa reverter em votos para a ex-ministra no Nordeste, especialmente em Pernambuco. O principal temor se deve ao fato de que se considerava que a petista já estivesse consolidada na região.

Duas etapas. A possibilidade de segundo turno também preocupa. O PT trabalhava com esse quadro, mas torcia para que ele não se concretizasse. Com Marina na disputa e a comoção em torno de Campos, os petistas acreditam que muitos eleitores que estavam indecisos ou desiludidos com a política poderão aderir à ex-ministra do Meio Ambiente.

Muitos acreditam que Marina conseguirá arrebatar os descontentes de junho do ano passado e descrentes da política, que poderão apostar nela, como válvula de escape.
Num segundo turno, os candidatos têm o mesmo tempo de propaganda na TV. No primeiro, Dilma tem ampla vantagem. A petista dispõe de 11 minutos, Aécio, pouco mais de 4 minutos e meio e Marina, cerca de 2.

Preferência. Os petistas preferem enfrentar o tucano Aécio Neves na segunda etapa da disputa. Acreditam que o tradicional discurso polarizado antielite funciona.

Apesar de haver consenso de que o segundo turno se tornou uma realidade, ainda há dúvidas se a comoção se manterá até 5 outubro, dia da eleição. Ou seja, espera-se um crescimento inicial da ex-ministra. Resta saber se ele se manterá até o momento de o eleitor ir à urna.

Entrevista. A presidente deverá nortear sua conduta hoje na entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, já com base no fator Marina e nas primeiras projeções de intenção de voto divulgadas após a morte de Campos.

Apesar do quadro que possa ser ainda desenhado, interlocutores de Dilma estão convencidos de que ela chegou ao seu piso de votos e que não cairá abaixo de 36%, mesmo que o fenômeno Marina possa voltar.

A mudança na candidatura do PSB preocupa também o comando de campanha dos tucanos. O grupo de Aécio diz, porém, que o PT perderá mais. O raciocínio é que Campos, como Aécio, apresentava um programa econômico mais liberal. Agora, com a saída dele, é provável que os tucanos fiquem sozinhos nesse campo, pois Marina tende a seguir um perfil com maior presença do Estado na economia.

Como Aécio é o preferido do agronegócio e Marina, considerada hostil pelo setor, os tucanos acreditam que terão apoio no setor rural. Na opinião deles, Dilma também não conseguiu agradar ao agronegócio.

Adeus a Campos redefine eleição

• Em acordo com o PSB, candidata será lançada na quarta-feira. Beto Albuquerque pode ser o vice

Carlos Rollsing – Zero Hora (RS)

RECIFE (PE) - Com divergências praticamente superadas, Marina Silva será anunciada na quarta-feira como candidata do PSB à Presidência. A ambientalista terá de assumir o programa do ex-governador Eduardo Campos, morto em acidente aéreo, e abraçar as alianças regionais do partido.

Os socialistas não exigirão que ela permaneça na legenda em caso de vitória, concordando com a criação da Rede Solidariedade – grupo político de Marina que se abrigou no PSB por não ter conseguido registro eleitoral.

No sábado, ao chegar a Recife para acompanhar o enterro do ex-companheiro de chapa, a ex-ministra disse que a perda do aliado impõe a ela uma "responsabilidade" e um "compromisso". Esse posicionamento tranquilizou lideranças do PSB, que temiam uma Marina mais crítica a alianças com o PSDB e setores econômicos ligados ao agronegócio.

Até quarta-feira, a sigla ainda terá de definir quem será o vice. A viúva Renata Campos chegou a ser cogitada. Candidato ao Senado pelo Rio Grande do Sul, Beto Albuquerque é o favorito por ser militante histórico e ligado a Campos. Além disso, é respeitado por Marina e conhecido por sua capacidade de diálogo. Mas Luiza Erundina (PSB-SP) está no páreo e, em Recife, demonstrou interesse em ocupar o posto. Ambos disseram que não irão disputar a indicação no voto, o que impõe a necessidade de um consenso.

A decisão sobre o vice passará por consultas a líderes do PSB, a partidos aliados e, sobretudo, à viúva Renata Campos. Respeitada no PSB, ela terá participação na campanha. Em Recife, Marina foi recebida como se fosse da família. A ex-ministra chorou ao reencontrar Renata pela primeira vez após o acidente e foi consolada por ela.

Foi a relação com a família que ajudou a abrir caminho para a ambientalista substituir Campos. Agora, Marina chega com força para modificar o quadro eleitoral. Aliados de Dilma Rousseff (PT) consideram a ex-ministra uma adversária mais difícil de ser batida do que Aécio Neves (PSDB).

– Marina tem penetração nas camadas médias e populares. Teoricamente, no enfrentamento com Dilma, ela poderá oferecer mais resistência do que Aécio – analisou o presidente do PC do B, Renato Rabelo, já convencido da realização de segundo turno.

José Serra (PSDB) reconheceu que Marina provoca mudanças no cenário, apontando para um segundo turno, mas evitou comentar o enfrentamento entre a ambientalista e Aécio para passar para a segunda fase da eleição.

Lula e Dilma são vaiados e depois aplaudidos durante velório de ex-governador

- Folha de S. Paulo

RECIFE - O temor de petistas acabou se confirmando. Mal tinham se aproximado do caixão de Eduardo Campos, a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram alvos de uma forte, porém curta, vaia vinda de populares.

A reação negativa foi logo abafada por intensos aplausos, iniciados por pessoas que estavam nos espaços destinados a familiares --Marina Silva era a única política ali presente-- e autoridades, e distribuídos pela plateia.

Antes mesmo da chegada da presidente e de Lula ao Palácio Campo das Princesas, local da cerimônia fúnebre, petistas comentavam que o clima era muito hostil.

Lula chorou ao se aproximar do caixão para amparar a viúva e os filhos de Campos. "É um momento triste para o Brasil", disse ele a políticos. "É preciso ter força e ter fé", acrescentou em outro momento. À Folha, Dilma apenas elogiou a força da mulher e dos filhos de Eduardo Campos.

O presidenciável Aécio Neves (PSDB), também presente, evitou comentários sobre a eleição: "Nunca imaginei uma construção de futuro no Brasil em que não estivéssemos juntos", afirmou, acrescentando que "precisamos honrar os ideais de Eduardo".

No início da noite, sem estar mais no Recife, Dilma voltou a ser vaiada no cemitério enquanto a população aguardava o caixão de Eduardo Campos. Houve gritos de "Fora Dilma, agora é Marina".

Reservadamente, um assessor de Dilma comentou que sua equipe já havia identificado, entre populares, a disposição de vaiar a presidente, que criticara o rival Campos dias antes de sua morte.

Um amigo de Lula, em conversa durante a cerimônia, disse que ele estava triste por não ter se reconciliado com seu antigo amigo. Lula e Campos, lembrou ele, eram dois grandes companheiros, mas que estavam passando por momentos de distanciamento diante da decisão do ex-governador de Pernambuco de disputar a Presidência.

Quando as vaias terminaram, um familiar de Campos reprovou o gesto. Disse que Dilma não precisava ter ido ao velório, embora tivesse feito questão, e que bastava uma mensagem à família.

Este mesmo parente reclamou que a presidente comparecera ao enterro com uma equipe de TV a tiracolo, sugerindo que ela fosse usar as imagens na campanha eleitoral. O governo, porém, negou que uma equipe da campanha tenha feito imagens. Quem acompanhou Dilma foi um grupo da NBR, TV que registra eventos em caráter oficial.