- O Globo
Em países desenvolvidos, com Estado forte e regras democráticas compartilhadas por todos os cidadãos, a guerra fica a cargo do estamento militar, e a política, dos representantes populares, eleitos com tal função. Para quem foi formado na arte da guerra, os seus opositores são tidos por inimigos que devem ser eliminados. Para quem foi formado na arte da política, opositores são adversários com quem se convive a partir de valores constitucionais comuns.
Ora, o país vive uma situação assaz bizarra, havendo uma espécie de inversão entre os militares e os políticos, aí incluindo representantes de poderes constitucionais como a cúpula do Ministério Público Federal e alguns membros do Supremo.
Fosse outro o momento histórico, os militares já teriam intervindo. Por muito menos, tomaram o poder em 1964. A segurança pública é um descalabro, fazendo por ano tantas vítimas quanto as registradas entre os soldados americanos durante toda a Guerra do Vietnã.
A classe política está totalmente desmoralizada, pois boa parte de seus membros foi capturada nas teias da Lava-Jato. O mesmo vale para ministros do atual governo e dos anteriores. As instituições estão frequentemente em conflito entre elas e internamente. O lulopetismo montou um esquema de corrupção do Estado que o minou em seus fundamentos. A sua herança nas áreas econômica e social é desastrosa.
























