quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Fora da capital paulista, acordos estão avançados

PT e PSD têm entendimentos avançados em ao menos duas capitais brasileiras para a realização de alianças. Provavelmente caminharão juntos em Salvador (BA) e Aracaju (SE), casos que o próprio prefeito Gilberto Kassab elencou em visita a Brasília na última semana.

Em Salvador o PSD deve compor a chapa encabeçada pelo deputado Nelson Pellegrino (PT), e em Aracaju deverá apoiar um dos dois petistas que postulam a candidatura: a deputa estadual Ana Lúcia e o secretário municipal de Saúde, Sílvio Santos. Caso não haja acordo, a tendência é que ocorram prévias. Os dois partidos também conversam sobre acordos em Campo Grande (MS), Fortaleza (CE), São Luís (MA) e Recife (PE). Há ainda diálogo por composições em cidades como Feira de Santana (BA), Juazeiro do Norte (CE) e Petrolina (PE).

No ABC paulista, já estão encaminhados acordos em São Bernardo do Campo e Santo André, cidades onde o PSD vai apoiar o candidato petista. Os partidos também negociam parcerias nas cidades de Mauá e Ribeirão Pires. PT e PSD costuram ainda alianças em várias cidades do interior do Estado de São Paulo.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Redes sociais são armas na luta da pré-campanha

Enquanto tucanos usam a internet para reafirmar seu desejo de prévias, outros candidatos tentam aumentar popularidade

Isadora Peron

Ainda é cedo para saber como as redes sociais serão usadas pelos candidatos durante as eleições municipais deste ano, mas o comportamento deles durante a pré-campanha dá uma amostra do papel de destaque que a internet irá desempenhar. Dos 13 pré-candidatos à Prefeitura de São Paulo pesquisados pelo Estado, o único que não mantém uma conta no Twitter é o petista Fernando Haddad. No Facebook, todos estão presentes, sete deles com um perfil pessoal e o restante com uma página institucional, geralmente alimentada pelas respectivas assessorias.

No microblog, o mais popular é o peemedebista Gabriel Chalita, com mais de 130 mil seguidores. Nem mesmo o cantor Netinho de Paula (PC do B) consegue superá-lo (24.589 seguidores). Soninha Francine, do PPS, pode ser considerada a mais desenvolta. Ex-VJ da MTV, ela abriu a sua conta no Twitter em outubro de 2008 e diz que costuma postar, direto do celular, sobre coisas curiosas que vê na rua ou que a revoltam no noticiário.

O mais bem colocado pré-candidato nas pesquisas eleitorais recentes, Celso Russomanno (PRB), havia tuitado pela última vez em janeiro de 2011. Após o Estado entrar em contato, o ex-deputado voltou à ativa. "Bom dia amigos, estou atualizando o Twitter, não deixem de acompanhar", disse em 14 de fevereiro.

A grande maioria já aproveitou o microblog para falar sobre a pré-candidatura. O vice-governador Guilherme Afif, do PSDB, usou a rede social para anunciá-la em 31 de janeiro: "Aceitei ser pré-candidato a prefeito de SP pelo PSD". Rodrigo Garcia, do DEM, agradeceu pelo Twitter o apoio que recebeu após ser o escolhido pela sigla.

Tucanos. As postagens dos pré-candidatos do PSDB no Twitter têm um tom um pouco diferente. Como eles estão em campanha para ver quem vai ser o escolhido para representar o partido nas urnas, costumam usar o microblog para relatar encontros com filiados e expor propostas.

Na semana passada, três dos quatro postulantes à candidatura se manifestaram através do microblog a favor da realização das prévias. As mensagens surgiram após setores do PSDB começarem uma articulação para engavetar o processo e fazer com que o ex-governador José Serra reveja sua intenção de não disputar a Prefeitura.

Na quinta-feira passada, o deputado federal Ricardo Tripoli tuitou: "Reafirmo que sigo como pré-candidato. Fui o primeiro a protocolar solicitação no diretório municipal. As prévias NÃO param". No mesmo dia, José Aníbal, secretário estadual de Energia, também se manifestou: "Prefeitura de Sampa é projeto de vida. Vamos manter a integridade das prévias". Bruno Covas, secretário estadual do Meio Ambiente, disse que continuava trabalhando firme pelas prévias. O secretário Andrea Matarazzo (Cultura) não comentou diretamente o assunto no microblog.

Questionados se pretendem manter a conta ativa quando a campanha começar, o sim vem em uníssono. Soninha é a mais enfática: diz que não consegue viver sem tuitar. A assessoria de Haddad informou que o ex-ministro ainda está analisando como irá usar as redes sociais.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Prefeito descarta PSD como vice de Serra

Apesar do apoio à possível candidatura do tucano, Kassab sinaliza que dobradinha afugentaria o DEM da aliança

Candidato tem que ter condições de "somar", afirma prefeito, o que não seria possível caso o PSD exigisse a vice

SÃO PAULO - Em aberta negociação com dois dos principais partidos que disputarão sua sucessão, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, afirmou ontem que sua legenda, o PSD, não tem "condições" de preencher a vaga de vice em uma possível candidatura do ex-governador José Serra (PSDB).

Kassab vinha acertando um acordo eleitoral com o PT, mas as conversas congelaram após o tucano emitir sinais de que pode entrar na disputa.

Desde então, o prefeito tem dito que apoiará Serra -de quem foi vice em 2005 e 2006- caso este assuma de fato a candidatura.

Questionado ontem durante vistoria a obras na região da cracolândia, no centro de São Paulo, se o seu PSD irá pleitear a vice na chapa de Serra, Kassab descartou.

"Não, nós não temos condições. Eu sempre entendo que o candidato a prefeito tem bom senso e quer ganhar as eleições. Na hora que você escolhe um candidato (...) ele melhor do que ninguém saberá como somar. Candidato que não soma é um candidato que tem dificuldade de ganhar as eleições", afirmou o prefeito.

Serra tem apresentado a aliados uma lista de ponderações que o levarão a decidir se entrará ou não na disputa.

Uma delas diz que a candidatura só é possível mediante um arco de alianças que o possibilite ter um razoável tempo na propaganda de televisão e rádio.

A maior parte desse tempo é computada com base no desempenho que os partidos da aliança tiveram nas urnas.

Criado em 2011, um ano depois das últimas eleições, o partido de Kassab terá que ir à Justiça para conseguir esse tempo.

Além disso, a ex-legenda de Kassab, o DEM, que é o quinto partido com maior peso na hora da definição do tempo de TV, está rompida com o prefeito e ameaça não integrar a chapa tucana caso o PSD exerça um papel de destaque.

Torcida

Kassab disse ainda que retomará as conversas eleitorais na semana que vem, mas evitou declarar ontem que "torce" para que Serra seja o candidato.

Questionado algumas vezes sobre isso, ele afirmou apenas que sua torcida "sempre será por São Paulo".

"Não tenho expectativa nem a favor nem contra, até porque é uma decisão dele."

O prefeito também negou que as conversas com PT e PSDB signifiquem que ele se encontra numa encruzilhada.

"A gestão é muito favorável e bem avaliada, felizmente. Está atingindo seu plano de metas, todas as nossas metas vão ser atingidas."

De acordo com a última pesquisa do Datafolha, de janeiro, Kassab mantinha na ocasião o menor índice de popularidade de seu segundo mandato -apenas 22% dos eleitores aprovavam o desempenho, contra 37% dos eleitores que consideravam seu governo ruim ou péssimo.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Partido de Kassab 'possui' 5 milhões de votos, diz TSE

Montante foi obtido em 2010 por políticos que, no ano seguinte, foram para o PSD

Número é argumento da legenda para pleitear mais recursos do Fundo Partidário e ampliação do tempo de propaganda

Fernando Rodrigues

BRASÍLIA - Estudo do Tribunal Superior Eleitoral aponta que o PSD (Partido Social Democrático) reúne políticos que disputaram vagas de deputado federal em 2010 e receberam 5,1 milhões de votos.

A legenda seria a sétima maior do país se existisse à época da última eleição.

Esse dado será considerado para que o TSE conceda ou não à agremiação acesso ao dinheiro do Fundo Partidário, uma das maiores fontes de receita das siglas.

Idealizado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o PSD recebeu seu registro definitivo no ano passado. Como nunca disputou uma eleição, tem direito apenas a uma parcela mínima do fundo (R$ 18,5 mil por mês) e alguns segundos do tempo de TV e de rádio durante eleições.

O partido tenta reverter a situação na Justiça Eleitoral. Se tiver sucesso, passará a receber cerca de R$ 1,6 milhão por mês do Fundo Partidário -calculado de acordo com o número de votos obtidos por candidatos a deputado federal (eleitos e não eleitos).

Em seguida, o PSD entrará com uma ação para também obter o tempo de TV, nesse caso com base no número de deputados eleitos.

A tese do partido de Kassab é simples. O TSE criou em 2007 a norma da fidelidade partidária: mandatos eletivos passaram a pertencer aos partidos. A partir daí, quem se desligou de uma legenda correu o risco de perder o cargo.

Mas há exceções. Uma delas é que o político pode deixar uma sigla para fundar uma nova. "Se a própria Justiça diz que um político pode sair do partido pelo qual foi eleito e fundar um novo, parece natural que esse político leve consigo os votos que obteve", diz o secretário-geral do PSD, Saulo Queiroz.

De 2007 para cá, pós-regra da fidelidade partidária, só duas agremiações foram criadas -o PSD e o PPL (Partido Pátria Livre). Apenas o PSD teve uma adesão expressiva de políticos.

Enquanto o PPL não tem representantes no Congresso, o PSD atraiu 52 deputados federais (10% da Câmara).

A legenda do prefeito de São Paulo apresentou em novembro uma ação ao TSE pleiteando uma parcela maior do Fundo Partidário. Agora neste mês conseguiu que o tribunal fizesse o cruzamento de todos os filiados à sigla com a lista de candidatos a deputado federal em 2010.

A tabela mostra que o PSD subtraiu votos de 20 agremiações, inclusive do PT.

Mas quem mais sofreu foi o DEM, ex-partido de Kassab, cujo total de votos para deputado federal caiu de 7,3 milhões para 5,1 milhões.

O DEM classificou-se como o quinto maior partido em número de votos para deputados em 2010. Com a chegada do PSD, caiu para oitavo. Os votos perdidos pelos democratas representam 42,8% da "votação" da sigla de Kassab.

O PP perdeu 422 mil votos, e é o segundo mais afetado. Em seguida, vêm PMDB (perda de 301 mil votos), PDT (menos 208 mil votos) e PSDB (189 mil votos).

Não há prazo para que o TSE decida. O advogado do partido, Admar Gonzaga, espera que isso ocorra antes de junho, quando os partidos fazem suas convenções para a escolha de seus candidatos.

Se tiver sucesso na ação por mais dinheiro do fundo, o PSD entrará com pedido para que a mesma regra seja aplicada para efeito de tempo de propaganda no rádio e na TV. "Essas questões são irmãs siamesas. Se uma for aceita pelo TSE, a outra naturalmente o será", diz Saulo Queiroz.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

PT privatiza - Editorial :: O Globo

As economias dependem do investimento para crescer a médio e longo prazos. O investimento amplia a capacidade de produção, atendendo, assim, à expansão da demanda por bens e serviços, sem provocar desequilíbrios que ponham em risco a trajetória de crescimento. Mas o investimento também depende da formação de poupança para financiá-lo. Se uma sociedade consome todos os seus recursos e nada poupa, não existirão sobras que viabilizarão a expansão futura.

Em síntese, isso foi o que aconteceu com a economia brasileira por um prolongado período. O Estado se agigantara, perdera eficiência, e, além de consumir todos seus recursos, ainda precisava avançar sobre o que o setor privado tentava poupar (em escala menor, o problema persiste). O investimento havia encolhido para patamares irrelevantes no país.

Para a economia brasileira se recuperar, com inflação controlada e finanças externas em ordem, o Estado teve de passar necessariamente por um processo de reforma, destinado a reduzir o déficit crônico e a dívida pública. Tal objetivo não teria êxito sem que o Estado se retirasse de diversas atividades ou decidisse compartilhar tarefas com o setor privado. Nesse sentido, o primeiro desafio foi vender empresas e bancos que certamente passariam a ser mais bem geridos fora do controle estatal. Não foi fácil encontrar compradores para essas companhias no começo do programa de privatização. Os horizontes da economia brasileira ainda eram nebulosos e persistiam muitas dúvidas sobre a recuperação do país. Os leilões foram abertos para qualquer candidato idôneo, sem se discriminar a nacionalidade do capital. Mas, por várias vezes, o BNDES precisou acenar com a possibilidade de financiamentos para que as transações se concretizassem, devido à falta de interessados.

Embora se soubesse que os ganhos posteriores com a privatização seriam consideráveis inclusive para os cofres públicos, a venda de patrimônio estatal só encontraria respaldo junto à sociedade se a alienação fosse feita por preços considerados justos. Os processos sempre se iniciavam com a contratação de dois diferentes consórcios de auditores, apresentavam relatórios de avaliação independentes.

Somente a partir daí era estabelecido um preço mínimo, nunca abaixo dos valores propostos pelos auditores. Uma das maneiras de os adversários da privatização criarem obstáculos era a contestação dos valores sugeridos. Mas, em diversas ocasiões, os leilões mostraram que os preços mínimos estavam acima da percepção do mercado, pois poucos investidores se habilitavam a arrematar as empresas ofertadas.

Apenas no segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso é que o programa de privatização passou a despertar mais interesse, pois os horizontes da economia brasileira começavam a desanuviar. O processo de privatização do setor de telecomunicações (uma combinação de venda de empresas com a concessão de serviços) foi mais concorrido que os demais. As concessões de malhas ferroviárias e de rodovias federais então deslancharam. O país acumulou uma boa experiência com esse programa. Ferrenho crítico da privatização, ao assumir o governo o PT não deixou de recorrer a esse instrumento para a concessão de blocos de exploração de petróleo, de usinas de energia elétrica, de rodovias e ferrovias. E agora, com sucesso, de grandes aeroportos. O resto é discussão semântica, por medo de admitir a incapacidade de gestão do Estado.

Recuperação da economia só se viabilizou com reforma do Estado

Stepan Nercessian - Os penetras bons de humor

Eduardo Sterblich, Marcelo Adnet e Stepan Nercessian
Tudo se passa no réveillon nesta comédia prevista para estrear no 2º semestre

Roberta Pennafort

RIO - Os créditos de Os Penetras, que anunciam Marcelo Adnet e Eduardo Sterblitch (o Freddie Mercury Prateado do Pânico) como a dupla de protagonistas, são, ao mesmo tempo, o chamariz e a pegadinha do filme. Sim, eles são estrelas da nova geração do humor brasileiro, colecionam fãs pelos stand ups no teatro, os vídeos no You Tube e os humorísticos na TV. Não, não se trata de transplantar o deboche, as piadas e as sátiras para a tela grande.

"Eu queria uma comédia não televisiva", explica o diretor, Andrucha Waddington, em seu quarto longa e primeira incursão cinematográfica no gênero, que sucede o épico Lope. "O grande desafio era fugir do que eles fazem na TV, e tentar construir personagens que têm uma tragédia pessoal. Eles embarcaram nessa onda e saíram da zona de conforto."

Adnet e Sterblitch são Marco e Beto, dois opostos que se atraem. O primeiro é um carioca fanfarrão e espertinho; o segundo, vindo do interior, é introvertido, deslocado e inseguro. Eles se conhecem acidentalmente e, com a convivência, em que Marco tenta se dar bem e Beto corre atrás da mulher amada, as personalidades se entrosam. A ação se dá toda nas últimas 48 horas do ano.

Promessa de blockbuster, produzido pela Conspiração Filmes e com Stepan Nercessian, Mariana Ximenes, Susana Vieira, Andrea Beltrão, Luis Gustavo e Luiz Carlos Miele no elenco, Os Penetras tem estreia prevista para o segundo semestre.

Foi rodado entre dezembro e janeiro, no Rio, em locações facilmente reconhecíveis: Copacabana no réveillon, o Mirante Dona Marta, o Palácio do Catete... Numa mansão em Santa Teresa, de propriedade de uma tradicional família grã-fina, Andrucha filmou uma exclusiva festa de réveillon que se tornou um prato cheio para a dupla de bicões.

Esqueça Cilada.com, Muita Calma Nessa Hora e Agamenon - O Filme. O diretor quis o foco nos personagens, e não em piadas. Ele cultiva o projeto desde 2006 e escreveu o roteiro com colaboradores - inclusive os dois atores, mais recentemente.

Quando assistiu a Penetras Bons de Bico, filme de 2005, em que Vince Vaughn e Owen Wilson "penetravam" em festas de casamento para tirar proveito das convidadas encalhadas e vulneráveis, hesitou em levá-lo adiante. Depois o retomou e decidiu fazer uma comédia de humor "bem carioca".

Sterblitch, que vem do teatro (estudou desde criança), está em seu primeiro filme, e bem à vontade. "Eu sempre fui nerdzinho de cinema. Já tinha recebido propostas, mas tive bastante cautela. O Andrucha nos deu toda a liberdade. Aqui, a graça vem da situação", afirma o ator, que fez 25 anos na quarta-feira.

Adnet, que festejou os 30 no ano passado, conta que ambos já conheciam o trabalho um do outro, mas nada mais havia além disso. "Estávamos procurando o Beto, e quando o Eduardo leu, veio a certeza na hora. A gente tem uma musicalidade diferente, respira diferente, e dá muito certo."

Stepan Nercessian tinha um papel menor, mas o entrosamento com a dupla ("dois cariocas que foram ganhar dinheiro em São Paulo", como brincam) fez com que cenas fossem reescritas. "É bom estar colocando mais uma pedrinha na construção do cinema brasileiro. A gente perdeu a embocadura para fazer comédia, e eu sempre fui muito fã de comédias simples", acrescenta Stepan Nercessian.

Fonte: Caderno 2/ O Estado de S. Paulo

Poema de Carnaval: Graziela Melo

Entre
as estrelas
e a lua
transitam
nuvens
inquietas

Há muito
se escondeu
o sol
atrás
das sombras
da terra!

Ruminando
um certo
desejo
que consome
minha alma

E do meu sono
tripudia

Olho pela janela
e vejo a rua
vazia...

E apenas
olhar
para o mundo,
era só
o que eu
queria!!!

Graziela Melo 20/02/2012

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

OPINIÃO DO DIA - Hannah Arendt: A Renúncia ao Poder

"O único fator material indispensável para a geração do poder é a convivência entre os homens. Estes só retêm poder quando vivem tão próximos uns dos outros que as potencialidades da acção estão sempre presentes; e, portanto, a fundação de cidades que, como as cidades-estado, se converteram em paradigmas para toda a organização política ocidental, foi na verdade a condição prévia material mais importante do poder.

O que mantém unidas as pessoas depois de ter passado o momento fugaz da ação (aquilo que hoje chamamos «organização») e o que elas, por sua vez, mantêm vivo ao permanecerem unidas é o poder. Todo aquele que, por algum motivo, se isola e não participa dessa convivência renuncia ao poder e torna-se impotente, por maior que seja a sua força e por mais válidas que sejam as suas razões."

Hannah Arendt, in 'A Condição Humana', pág. 251- 11º edição. Forense Universitária, Rio de Janeiro, 2010.

Manchetes de alguns dos principais jornais do Brasil

O GLOBO
O Reino Unido da Sapucaí
O Cordel encantado do Salgueiro
Em três dias de carnaval, 122 mortos em rodovias federais

FOLHA DE S. PAULO
Presos superam em 81% número de vagas em SP
Recém-nomeado, Lupi é exonerado de cargo de assessor na Prefeitura do Rio
Governo temia a ação de ONGs na Amazônia

O ESTADO DE S. PAULO
UE deve dar socorro recorde à Grécia
Lupi perde cargo de assessor após dois dias

CORREIO BRAZILIENSE
Trânsito já matou 122 e o feriado nem acabou
Bafômetro até nos bares
Propaganda eleitoral "importada"

ESTADO DE MINAS
Depois da ficha limpa, a vez da verba da saúde
Estradas: Acidentes já mataram 21 no feriadão em MG

ZERO HORA (RS)
Polícia Federal do RS é a que mais prende
Avançam tratativas para renegociar dívida da Grécia

JORNAL DO COMMERCIO (PE)
Batuques e cores
Oriente Médio

O que pensa a mídia - editoriais dos principais jornais do Brasil

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

O milagre da multiplicação dos candidatos:: Fernando Abrucio

A Prefeitura de São Paulo tornou-se um dos postos mais cobiçados do país para os partidos brasileiros. Vários deles querem lançar candidatos, num número inédito, e propostas de alianças são feitas por todos – e para todos – os lados. Os dois principais polos do sistema político, PT e PSDB, estão gastando todas as suas energias e envolvendo suas lideranças mais expressivas nessa disputa. Há chances de haver mais uns cinco candidatos de legendas importantes, incluindo aí o PMDB, praticamente ausente das últimas eleições na capital paulista. Tanto interesse desperta duas perguntas. Primeira: qual é o sentido de tanta cobiça por esse cargo? E segunda, e não menos relevante: que projeto de cidade está em jogo?

A primeira questão conduz a respostas mais claras a respeito de projetos de poder. Tanto petistas como tucanos pensam que a disputa pela prefeitura é uma prévia para a eleição a governador, em 2014. O PT quer destronar o PSDB de seu domínio por quase 20 anos no Estado. Os pessedebistas querem manter essa estrutura tão importante para a sobrevivência do partido, sobretudo se tiverem uma nova derrota no pleito presidencial. O PMDB enxerga numa possível – e inédita – vitória na cidade de São Paulo uma forma de reconstruir sua força no plano estadual e, especialmente, ganhar um poder maior de barganha na coalizão nacional com o petismo, garantindo a posição de vice numa bem provável candidatura da presidente Dilma à reeleição.

Entre os partidos médios e pequenos, a lógica do poder também é bem nítida. PCdoB, PDT, PRB e outros que fazem parte do governismo no plano federal pretendem lançar candidatos para tentar mostrar ao PT, com quem se aliaram numa convivência recente cheia de conflitos, que merecem receber maior atenção do que têm tido ultimamente. Ainda é possível vislumbrar nessas possíveis candidaturas uma forma de fixar nomes – talvez até ideias – num território político com muitos votos para eleições proporcionais.

A posição estratégica do prefeito Gilberto Kassab passa por duas questões. Uma é apoiar não só quem tenha maiores chances de vencer, mas, principalmente, obter do vencedor um compromisso de não pôr a gestão Kassab, agora e no futuro próximo, na berlinda. Se a eleição paulistana for vencida por um opositor claro ao governo Kassab, seu poder de barganha no xadrez político estadual e nacional diminuirá muito. O atual prefeito não está lutando para fazer seu sucessor. Sua meta é evitar que um inimigo político tome seu posto.

Soma-se a esse objetivo a pretensão de obter um espaço político, pós-eleições municipais, que permita a Kassab continuar como líder partidário influente com Dilma e, especialmente, ser uma peça-chave na próxima eleição estadual. Ele pode concorrer ao Senado, ser vice, ou, na hipótese menos pretensiosa, conquistar uma vitória estrondosa para a Câmara Federal. Qualquer coisa menor do que isso será uma derrota para alguém que, inesperadamente, construiu uma legenda que desorganizou a oposição no plano nacional e construiu uma via pró-Dilma por fora da coalizão governista. Kassab se tornou o jogador mais imprevisível e habilidoso do sistema político em 2011.

Ainda no plano das lideranças, o ex-presidente Lula e, com menor intensidade, o governador Alckmin são atores centrais na eleição paulistana. Lula porque atuou fortemente para lançar um candidato sem experiência eleitoral, que traz uma imagem nova para o PT, contra a vontade da principal política local, a ex-prefeita Marta Suplicy. Alckmin, até agora, não entrou com tudo na disputa. A própria montagem das prévias revela que não há um ator hegemônico no PSDB. Ele sabe que uma derrota estrondosa para o petismo pode ser a maior ameaça a seu projeto de reeleição. Diante dessas duas situações, Alckmin tenderá a ser mais ativo e incisivo quando o nome tucano for definido.

Um ator relevante poderá aparecer no último ato: o ex-governador José Serra. Ele já está acostumado a se colocar como candidato no minuto final e, novamente, o PSDB não tem segurança sobre as chances eleitorais dos nomes apresentados até agora. Serra foi prefeito, tem um recall muito forte na cidade, mas agora sua taxa de rejeição é altíssima. Se for concorrente e vencer, pode dar adeus à eleição presidencial. Se perder, entra para a segunda divisão dos políticos brasileiros. Não é uma escolha fácil nem para Serra nem para seu partido.

Desenhado o cenário e definidos os atores, falta o mais importante: saber quais serão suas falas. Claro que a mise-en-scène é sempre importante no teatro da política, pois o público também é cativado pela encenação. Mas o futuro da cidade exige algo mais. Nomes e projetos de poder estão na mesa, num processo de negociação e disputa. Mas ainda não se disse quais são os planos dos partidos e candidatos para melhorar a gestão pública da maior cidade brasileira.

Comecemos pela relação entre os possíveis concorrentes, com suas alianças e bases de apoio, e sua posição diante do governo municipal atual. Evidentemente será muito difícil para o PSDB se colocar como a "maior oposição ao prefeito Kassab". Por vias tortas ou não, os tucanos foram peça-chave da prefeitura paulistana nos últimos oito anos – e os nomes do alto escalão estão aí para quem quiser ver. Para se transformar em oposicionistas, teriam de ter mudado de lado muito antes. E, mesmo que tentem convencer os eleitores de sua nova posição, fica a pergunta: no que seria diferente a visão de cidade tucana em comparação com o modelo político-administrativo vigente?

A confusão entre projeto de poder e projeto para a cidade também bateu à porta do PT. Como justificar a oposição feita ao prefeito Kassab nos últimos oito anos? Decerto podem ser encontrados pontos em comum, mas, analisando um só aspecto caro ao petismo paulistano, fica a pergunta: qual é a avaliação que farão do setor de transportes municipais nos últimos oito anos?

Em menor grau, tais indagações podem ser colocadas para os outros candidatos, uma vez que quase todos os partidos apoiaram o prefeito Kassab, cuja vice veio do PMDB. A única forma de sair dessa armadilha é apresentar um projeto claro para modernizar São Paulo. Terão de dizer o que farão com as arcaicas subprefeituras, como implantarão carreiras meritocráticas em setores estratégicos do serviço público, que formas de participação cidadã serão incorporadas à governança local, quando e de que maneira implantarão um planejamento estratégico eficaz para a cidade, qual será o projeto para o centro e as periferias urbanas da metrópole, para ficar em alguns do temas mais candentes. Se esse roteiro não for apresentado, e logo, aos eleitores, todo o jogo político dos últimos meses será apenas um teatro de sombras.

Fernando Abrucio é doutor em ciência política pela USP e professor da Fundação Getulio Vargas (SP)

FONTE: REVISTA ÉPOCA

Dores dos cortes:: Valdo Cruz

Divulgado estrategicamente dias antes do Carnaval, o corte de R$ 55 bilhões no Orçamento atingiu em cheio as famosas emendas parlamentares -dinheiro que deputados e senadores mandam para suas bases eleitorais.

Amortecidos pela véspera do período momesco, os protestos devem reinar na volta dos trabalhos do Congresso pós-Carnaval.

Mas não é só ali, no Legislativo, que os cortes geraram queixas e farão Dilma administrar tensões. Dentro da própria equipe econômica o tema divide opiniões.

Guido Mantega defendeu o corte de R$ 55 bilhões. Seu secretário-executivo, Nelson Barbosa, preferia uma tesourada um pouco mais suave para vitaminar os investimentos públicos federais.

As divergências entre os dois, num momento em que o ministro da Fazenda se tornou alvo de tiroteios, azedaram ainda mais o clima dentro do ministério.

Ciente dos atritos, o recado presidencial resume-se a três itens. Primeiro: Guido Mantega e Nelson Barbosa ficam onde estão e precisam se acertar. Os dois contam com seu apoio e admiração. Se o secretário-executivo da Fazenda decidir sair do seu posto, será chamado a assumir outro -mas não acredita que isso aconteça.

Segundo: não acha ruim que eles divirjam, faz bem para o debate "interno" do governo. Detesta, porém, que divergências em sua equipe ganhem as páginas dos jornais.

Terceiro: o corte de R$ 55 bilhões no Orçamento não é decisão desse ou daquele assessor, mas dela. Dilma segue adepta de sua nova visão de rigor fiscal, de olho na redução da taxa de juros para um dígito.

Afinal, ela sabe que o Banco Central só terá condições de seguir reduzindo os juros se o ajuste fiscal prometido for cumprido.

Ou seja, quem esperava mudar a opinião presidencial, aparentemente, pode desistir. A vida da base aliada, principalmente, será dura.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Sob mira, as cadernetas:: Celso Ming

O governo Dilma não está interessado só em desestimular aplicações nos fundos referenciados ao DI (Depósito Interbancário). Pretende alterar, também, regras da caderneta de poupança, de modo a rebaixar sua rentabilidade.

O problema de fundo é conhecido. A caderneta paga remuneração quase fixa. Juros de 0,5% ao mês (ou de 6,17% ao ano, uma vez compostos em 12 meses) mais fração da Taxa Referencial de Juros (TR). Na prática, traz retorno entre 7,0% e 7,5% ao ano e disputa a preferência do aplicador com outras três vantagens: (1) liquidez imediata, ou seja, possibilidade de saques a qualquer momento (com perda de rendimento se não for no “dia certo”); e isenção de (2) taxa de administração; ou do (3) Imposto de Renda, cobrado sobre a maioria das remunerações de aplicações.

O governo tem pressa na derrubada dos juros básicos, hoje de 10,5% ao ano, pelo Banco Central – que, por sua vez, já avisou que estão próximos os dias em que alcançarão um dígito (abaixo de 10,0% ao ano). Outras manifestações dos dirigentes da área dão a entender que podem cair abaixo dos 9,75% ao ano, nível que caracterizaria a queda a um dígito.

Nessa paisagem, a caderneta passa a ser um problema. Mantido seu retorno de 7,5% ao ano, logo chegará o dia em que pagará mais do que os fundos de renda fixa, especialmente os fundos DI (atrelados à Selic) – cujo rendimento está sujeito ao Imposto de Renda e cujo patrimônio é reduzido pelo sistema “come-cotas” montado pelas taxas de administração. Assim, a migração das aplicações financeiras para cadernetas ficaria inevitável – a menos que o governo passe, como quer, a tesoura de poda na remuneração da caderneta.

O problema não será solucionado só com um passeio de caneta ao pé de um texto de medida provisória. Como ficou dito, a caderneta garante liquidez imediata. O aplicador pode buscá-la de volta quando quiser. E, no entanto, só pequena parcela desses recursos está nos bancos. Foram emprestados ao tomador de financiamentos para a casa própria, que tem 10, 15 ou 20 anos para devolvê-los em prestações mensais, com juros e correção prefixados em contrato. Um dos riscos é o esvaziamento das aplicações em poupança, o que deixaria os bancos a descoberto.

Mas o aplicador poderia ficar sem opção e se manter fiel ao velho amor – rendimento a conta-gotas, mas confiável. Assim, no entanto, seria preciso prever possível reviravolta. Vamos que, adiante, seja preciso puxar novamente os juros básicos para cima. A aplicação das cadernetas poderia ficar desastradamente para trás e, para evitar novo esvaziamento, o governo teria de voltar a puxar para cima o rendimento da caderneta. Nesse caso, o descasamento entre ativos (mais baixos) e ativos (mais altos) dos bancos viria por outro fator e abalaria o sistema.

O outro risco é político. A caderneta sempre foi considerada o investimento dos pobres e dos simples. O achatamento de sua remuneração poderia levar a crer que o governo estaria metendo a mão na aplicação do povão. Pelo seu forte impacto em ano eleitoral, essas mexidas provavelmente não sairão antes de novembro.

CONFIRA

Aí está a evolução do consumo de etanol nos últimos 5 anos. Enquanto o consumo de gasolina aumentou 18,8%, o de etanol caiu 13,8%.

Gasolina subsidiada. Esse tombo no consumo de etanol teve a ver com o mau desempenho do setor. Esse, por sua vez, deveu-se tanto à queda de produção de cana-de-açúcar, em consequência da falta de investimentos e, em algumas regiões, também pela seca. Mas o principal fator subjacente da queda de produção de etanol está no achatamento dos preços da gasolina, que tiram competitividade do etanol.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Escravos da modernidade:: Vladimir Safatle

Na semana passada, a imprensa veiculou a notícia de que uma construtora servia-se de trabalho escravo.

A obra não era uma hidrelétrica na região Norte ou em algum lugar de difícil acesso, onde sempre é mais complicado descobrir o que se passa. Na verdade, a obra encontrava-se quase na esquina com a avenida Paulista.

Trata-se da reforma de um dos mais conhecidos hospitais da capital paulista, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Ironicamente, a empresa responsável pela obra chama-se "Racional" Engenharia.

Como não podia deixar de ser, a empresa afirmou que os trabalhadores respondiam a uma empresa terceirizada e que os dirigentes desconheciam realidade tão irracional. Este foi o mesmo argumento que a rede espanhola de roupas Zara utilizou quando foi flagrada servindo-se de mão de obra escrava boliviana empregada em oficinas terceirizadas no Bom Retiro.

É muito interessante como empresas que gastam fortunas em publicidade e propaganda institucional são tão pouco cuidadosas no que diz respeito às condições aviltantes de trabalho das quais se beneficiam por meio do truque tosco da terceirização. Quando se contrata uma empresa terceirizada, não é, de fato, complicado averiguar as reais condições a que trabalhadores estão submetidos, se seus turnos são respeitados e se seus alojamentos são decentes.

Há de se perguntar se tal desenvoltura não é resultado da crença de que ninguém nunca perceberá o curto-circuito entre imagens institucionais modernas, requintadas, "racionais", e sistemas medievais de exploração.

No fundo, essa parece ser mais uma faceta de um velho automatismo brasileiro de repetição: discursos cada vez mais elaborados e modernos, práticas cada vez mais arcaicas. Afinal, tal precariedade foi feita em nome de novas práticas trabalhistas, mais flexíveis e adaptadas aos tempos redentores que, enfim, chegaram.

Não mais a rigidez do emprego e do controle dos sindicatos, mas a leveza do paraíso da terceirização, onde todos serão, em um horizonte próximo, empresas. Cada trabalhador, um empresário de si mesmo.

Que essa flexibilidade tenha aberto as portas para uma vulnerabilidade que remete trabalhadores à pura e simples escravidão, isto não retiraria em nada o brilho da ideia. Pois apenas os que temem o risco e a inovação poderiam querer ainda as velhas práticas trabalhistas. Pena que o novo tenha uma cara tão velha.

Pena também que, como os gregos mostrem a cada dia, quem paga o verdadeiro preço do risco sejam, como dizia o velho Marx, os que já perderam tudo.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

O passo seguinte:: Míriam Leitão

Uma nova reunião ontem em Bruxelas dos ministros das finanças da Zona do Euro foi o suficiente para deixar as bolsas animadas. O mundo não leva tão a sério assim o carnaval e tudo continua funcionando.

O que se pode esperar é um acordo que permita a liberação de mais uma prestação do empréstimo para a Grécia, com a qual o país irá rolar a dívida que vence em março. Isso é a solução? Não.

Uma análise feita pelas autoridades que representam os países do euro e os credores, a troica (FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia), projeta que, mesmo se a dívida grega for reduzida em C 100 bilhões, pelo sucesso da negociação com os bancos, o país em 2020 estará com dívida de 129% do PIB. Eles exigiam 120%. No final do dia já aceitavam 125%. Que diferença faz? Qualquer um desses números é absurdamente alto. Qual a capacidade de um país, qualquer que seja, manter um ajuste tão longo em suas contas para conseguir um resultado tão medíocre? Todo ajuste fiscal é de longo prazo e precisa da manutenção de metas de superávits cumpridas por vários anos para se conquistar indicadores melhores.

Mas a partir de um determinado ponto o país só faz encolher, o que eleva a dívida pública mesmo se os juros forem zero. A Grécia está prisioneira dessa armadilha. Este é o quarto ano em que o PIB vai diminuir, então a dívida aumentaria mesmo se em volume permanecesse estável, porque seria mais alta como proporção do PIB. Mas não permanece estável porque os juros têm subido quanto maior é a crise no país.

Qualquer ajuste além de um determinado ponto não é economicamente viável e pode não ser viável politicamente.

Num artigo publicado no "Financial Times", o articulista Wolfgang Münchau disse que "nós estamos num ponto em que o sucesso não é mais compatível com a democracia".

Ele acha que se os credores tiverem sucesso em impor ao novo governo uma política econômica estarão criando a primeira colônia da Zona do Euro.

O compromisso assumido pelo então candidato Luiz Inácio Lula da Silva não é comparável à carta que as autoridades da Zona do Euro exigiram dos candidatos à próxima eleição grega, de abril. Na Carta aos Brasileiros, o que Lula se comprometia era do interesse geral; a manutenção da estabilidade do real. A Carta afastou os temores em relação à mudança de partido no poder, e ele foi eleito. Agora, o que se quer dos gregos não tem apoio na maioria da sociedade.

Se o remédio amargo for rejeitado democraticamente, como pode ser imposto? "Como impedir um novo governo grego e um novo parlamento de unilateralmente mudar o acordo?", pergunta o articulista do "Financial Times". A proposta alemã de que se adie eleições é simplesmente ultrajante.

Não há solução sem dor para a Grécia, mas ela tem que procurar por ela mesma que dor prefere sentir. Os gregos querem ficar no euro, mas começam a achar que é impossível.
A saída do euro vai significar um grande calote interno nos poupadores gregos porque a conversão para a nova moeda, que pode ser a volta ao centenário dracma, será feita com perda de valor do principal hoje poupado em euros. Haverá um empobrecimento adicional dos gregos.

Mas não se pode impor a alternativa de ficar a um preço que signifique determinar de Bruxelas os destinos de Atenas. Ou de Berlim.

O que Bruxelas deveria estar pensando agora é qual é o passo seguinte. Se a Grécia sair do euro, sairá também da União Europeia? Se a saída for imposta, será uma violência. Se ficar, os trabalhadores desempregados da Grécia irão para os outros países da Europa pressionando um mercado de trabalho que está com dificuldade de atender à demanda por emprego. Então, expelir a Grécia como se fosse um corpo estranho não funcionaria.

Depois de queimarem as mãos na dívida grega, os bancos vão olhar com suspeição para Portugal.

E pode-se imaginar um cenário em que se force a saída de Portugal do euro e da União Europeia? Hoje, o presidente da Comissão Europeia é um português: José Manuel Durão Barroso. E mesmo se isso for feito, não será o fim da crise.

A Zona do Euro tem demonstrado desde o começo desta crise uma enorme incapacidade de ter visão estratégica. Em que ponto mesmo quer chegar? Por mais meritório que tenha sido o objetivo inicial da moeda comum — aprofundar a unidade — o fato a se reconhecer neste momento é que não foram tomadas as devidas precauções para um momento de crise, como a atual. E dado que não se pode alterar o passado, é preciso ver adiante e ter um objetivo futuro.

Não há de ser o acordo que estava sendo fechado ontem. O parlamento grego pode aprovar um pouco mais de corte nas pensões como o que estava ontem em discussão, os ministros reunidos em Bruxelas podem aprovar o novo acordo, a Grécia pode receber a nova parcela do empréstimo e cumprir seus compromissos de março, e os bancos podem fechar o acordo de abatimento da dívida. Se tudo isso acontecer, se o melhor cenário em cada caso for atingido, o que se terá ao final? Um país em recessão, com uma dívida acima de 120% do PIB, com déficit alto, com um quinto da mão de obra trabalhando para o governo.

Até os sacerdotes da Igreja Ortodoxa Grega são funcionários públicos e têm isenção fiscal. A Grécia carrega ainda o custo de ter tido durante muito tempo — até recentemente — um sistema previdenciário que permitia a aposentadoria muito precoce.

A Europa está diante de dilemas que marcarão seu projeto comum. Mas seus líderes não parecem ter um plano estratégico. Cada passo é apresentado como a solução final. Mas a crise sempre volta.

FONTE: O GLOBO

Os pacotes e a ambulância:: Clóvis Rossi

A suposta ajuda europeia está apenas sangrando países à beira da exaustão em todo o continente

A União Europeia discutia ontem o segundo pacote de ajuda a Grécia. Ops, eu disse ajuda? Deveria dizer mais um passo para sufocar um país já exangue.

Os grandes números sobre as consequências dos sucessivos pacotes europeus para a Grécia são eloquentes: o país entra no quinto ano consecutivo de recessão; o desemprego estourou dos 7,4% quando eclodiu a grande crise global de 2008 para os 21% atuais; a renda familiar caiu 30% nos anos de "ajuda".

Pelo menos foram corrigidos deficit e dívida, que o raciocínio convencional aponta como os problemas da Grécia? Não. A dívida saiu de 109% do PIB, no primeiro trimestre de 2007, para os atuais 159%, ao passo que o deficit, que deveria terminar 2011 em 7,6%, bateu em 9%, como proporção do PIB.

Passemos dos grandes números para o cotidiano. O jornal "El País" visitou Portugal, um dos países "ajudados", e recuperou o drama de João António Espadeiro, 84 anos, marca-passo no peito, que vive em Morão, no Alentejo, a uns 200 km de Lisboa.

Quando se sente mal, o que não é raro em uma pessoa dessa idade, ainda mais com problemas cardíacos, "seo" João não pode pedir uma ambulância para levá-lo ao hospital mais próximo, em Évora, a 70 km. Não pode porque a "ajuda" europeia a Portugal foi condicionada a cortes até na gratuidade do transporte em ambulância para necessitados como ele.

Pagar a ambulância roubaria € 36,50 (R$ 83) de sua única fonte de renda, a aposentadoria de € 475 (R$ 1.076). Ah, por favor, não venha me dizer que a aposentadoria de "seo" João é generosa, na comparação com padrões brasileiros. Os padrões brasileiros é que são miseráveis.

Também não venha me dizer que os "joões" de Portugal, da Grécia, da Espanha etc. são os responsáveis pela crise, porque viveram à tripa forra (para usar uma expressão bem portuguesa). Conforme seu gosto e sua visão de mundo, você pode listar uma dúzia de culpados -dos políticos irresponsáveis aos banqueiros gananciosos, passando por vários outros suspeitos-, mas não incluiria aposentados e a grande maioria dos assalariados.

Que, no entanto, pagam o custo até mais que os verdadeiros culpados. Basta ler até quem aprova os pacotes de austeridade, caso de Jean Pisani-Ferry, diretor do Centro Bruegel de pesquisas sobre políticas econômicas europeias, em artigo para o "Monde" de ontem: Pisani-Ferry começa lembrando que entende que os tecnocratas do FMI só pensem em programas como os que estão sendo aplicados. Mas, completa, "a União Europeia é uma entidade política que fez da justiça social um de seus objetivos fundamentais. Ela não pode demandar uma redução do salário mínimo e ter como secundário o fato de que a evasão fiscal dos 10% mais ricos se traduza por uma perda de um quarto das receitas do Imposto de Renda" [caso da Grécia].

O economista afirma que não se trata de negar a necessidade de um programa de austeridade, mas fecha o raciocínio com a observação de que o programa em curso "é tardio, mal concebido e iníquo".

Está explicado por que é errado dizer que se trata de "ajuda"?

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Homenagem à folia – Coral Bloco da Saudade

Lupi perde cargo de assessor após dois dias

Lupi perde cargo de assessor especial após dois dias

Ex-ministro foi nomeado por Eduardo Paes na sexta para representar o Rio em Brasília; prefeito, porém, voltou atrás

Sergio Torres

RIO - O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), exonerou o ex-ministro do Trabalho, Carlos Lupi, do cargo de assessor especial da prefeitura do Rio em Brasília. A nomeação havia sido publicada na última sexta-feira no Diário Oficial do município. O ex-ministro do governo Dilma Rousseff durou apenas dois dias na função.

Como a nomeação ocorreu às vésperas do carnaval, Lupi, certamente, não teve tempo de fazer alguma coisa. A exoneração foi anunciada pelo prefeito no Sambódromo, na noite de domingo. Pela função de assessor especial, o ex-ministro receberia salário de R$ 8,5 mil.

De acordo com nota oficial divulgada pela assessoria de imprensa da prefeitura, a exoneração foi decidida de comum acordo. Após uma conversa, Paes e Lupi entenderam "por bem não ser adequado que ele (o ex-ministro pedetista) assuma as funções de assessor no gabinete do prefeito".

O teor do comunicado contrasta com o tom entusiasmado de Lupi, ao falar na sexta-feira sobre a nomeação.

"Ele (Eduardo Paes) quer que eu faça um trabalho pelos interesses do Rio, possíveis emendas, projetos. Fazer a ponte com Brasília. Como fui ministro e tenho boa relação com todo mundo, vou fazer esse meio de campo", dissera ele na ocasião.

De volta este ano à presidência nacional do PDT, que integra a base aliada do governo municipal, Lupi é funcionário concursado da Prefeitura do Rio, onde ingressou em 1985.

Ele deixou o Ministério do Trabalho no início de dezembro do ano passado. Estava no cargo desde 2007, nomeado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em sua gestão, a pasta teria se envolvido em negociações suspeitas com organizações não governamentais (ONGs) com quem firmara contratos. Além disso, Lupi acumulou dois cargos públicos irregularmente por cinco anos, o que é vedado pela Constituição.

Com apoio da maioria dos membros da Executiva, Lupi voltou à presidência do PDT.

O ex-ministro, porém, ainda enfrenta resistências no partido. Um grupo de pedetistas se opõe ao seu nome por entender que as suspeitas em torno de sua gestão no Ministério do Trabalho mancham a imagem da legenda.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Partidos aliados a Dilma vão ser adversários nas eleições

Em 25 capitais, tendência é de confronto entre ao menos duas siglas governistas

Assim como em disputas passadas, interesses locais dos candidatos a prefeito falam mais alto do que arranjo nacional

Maria Clara Cabral, Simone Iglesias

BRASÍLIA - Aliados nacionalmente, os partidos que dão sustentação à presidente Dilma Rousseff devem patrocinar disputas entre si em praticamente todas as capitais nas eleições municipais de outubro.

Levantamento feito pela Folha tendo como base os sete principais partidos da aliança dilmista (PT, PMDB, PDT, PSB, PC do B, PP e PTB) mostra que em 17 capitais o confronto entre mais de três dessas siglas é bem provável.

Apenas no Rio o apoio à reeleição do prefeito Eduardo Paes (PMDB) é esperado.

Mesmo em Belo Horizonte, com um arco de aliança amplo para a reeleição de Márcio Lacerda (PSB), deve haver enfrentamento com o PMDB.

Nas sete demais capitais, há pelo menos dois pré-candidatos da base.

É o que ocorre em Vitória. Lá, a maioria dos governistas está com Iriny Lopes (PT), mas a exceção é o ex-governador Paulo Hartung (PMDB).

A definição oficial das candidaturas será em junho, com as convenções partidárias.

Em capitais como São Paulo, Porto Alegre, Salvador e Recife, o número de candidatos é ainda maior.

Na capital paulista, cinco partidos da base têm pré-candidatos: Fernando Haddad (PT), Gabriel Chalita (PMDB), Netinho de Paula (PC do B), Paulo Pereira da Silva (PDT) e Luiz Flávio D"Urso (PTB).

Principal aliado do PT em âmbito nacional, o PMDB deve disputar em 21 capitais. É a legenda com o maior número de pré-candidatos, ficando na frente, inclusive, do PT, que trabalha com a possibilidade de lançar 18 nomes.

Histórico

A discrepância entre as disputas para as prefeituras e a aliança partidária que dá sustentação ao governo federal já ocorreu em outras eleições.

Em 2008, por exemplo, PT e PMDB, os dois maiores partidos da coalizão nacional, se enfrentaram em 17 das 26 capitais em jogo.

O professor de Ciência Política da Universidade de Brasília David Fleischer lembra que nas disputas municipais a tendência é que prevaleçam os arranjos paroquiais.

"As questões locais e a sobrevivência dos partidos fazem com que todos queiram disputar. A eleição municipal serve de base para o aumento do número de deputados, senadores e governadores."

Apesar disso, o alto número de postulantes causa preocupação ao Planalto. Na última reunião com os dirigentes dos partidos, Dilma tentou acalmar os ânimos dizendo que nem ela nem o vice Michel Temer (PMDB) iriam se envolver nas campanhas. A orientação é que ministros, o vice e a própria presidente não apoiem um candidato em capitais com conflito na base.

Para o presidente nacional do PT, Rui Falcão, a falta de acordo não é prejudicial.

"É legítimo que na eleição municipal cada partido lance seu candidato, ainda mais em cidades com possibilidade de segundo turno. Isso em nada afetará a base da presidente Dilma, até porque o PT fará uma campanha sem ataques pessoais", afirmou.

Além de problemas com aliados, o PT enfrenta também conflitos internos.

Em Recife, o prefeito João da Costa seria candidato à reeleição, mas outros três petistas querem a vaga. Em Porto Velho, há prévia marcada para 25 de março.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

PT joga as fichas para eleger Haddad

Petistas traçam a conquista da prefeitura de São Paulo como prioridade do partido com vista a interromper a hegemonia tucana no governo do estado, daqui quatro anos

Paulo de Tarso Lyra

A vitória do PT na disputa pela prefeitura de São Paulo é, na cabeça do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o primeiro passo para consolidar o projeto hegemônico petista. Depois de o partido conquistar a Presidência da República em 2002, 2006 e 2010, Lula quer retomar a prefeitura paulistana e, em 2014, vencer também o governo estadual, um bastião político controlado pelo PSDB desde 1994. "São Paulo é a última trincheira organizada da oposição ao governo federal", admite o presidente estadual do PT em São Paulo, deputado Edinho Silva.

Para que isso dê certo, é fundamental a eleição do ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, na maior cidade do país. Mas não só. Pelos planos dos estrategistas, o partido de Lula precisa se sair bem na capital, no grande ABC, na Grande São Paulo (Osasco e Guarulhos, por exemplo) e em cidades polo, como Campinas, Ribeirão Preto, Santos e São José do Rio Preto.

Lula tem dito muito claramente aos interlocutores petistas que a sua nova missão será desalojar o tucanato de São Paulo. "Nós provamos que o PSDB fez mal aos brasileiros. Agora, temos mostrar que eles também fizeram mal aos paulistas", repete ele, como mantra, segundo comentários de mais de um correligionário. O plano é ambicioso, mas a tarefa não é tão simples.

O ex-presidente atropelou a democracia interna petista e impôs a candidatura de Haddad. Em seguida, começou as articulações para ampliar o leque de alianças. Não se furtou, inclusive, de conversar com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), outro que tem dado sinais ambíguos e contraditórios nessa disputa. Ora pode estar no palanque com o PT, ora com o PSDB, caso o candidato tucano seja José Serra.

Uma liderança petista confessou que o "namoro" com os pessedistas traz outro conforto para o PT. O partido pode poupar-se, nesse momento, de assediar o PMDB do pré-candidato Gabriel Chalita. "Se o PSD vier, virão PSB, PR e PDT. Imagine se Haddad perder a eleição mais importante para o PT por causa do PMDB? Com que cara o vice-presidente Michel Temer vai olhar para o Lula e a Dilma depois?" questiona o cacique petista.

Mas o PT precisa desesperadamente ampliar seu leque de coligações. O partido só tem 30% do eleitorado. 

Já ganhou duas vezes a prefeitura paulistana, mas em momentos muito específicos. Em 1988, Luíza Erundina — hoje no PSB — foi eleita com menos de 30% dos votos (naquela época não tinha segundo turno). Em 2000, novo êxito, com a vitória de Marta Suplicy. Mais uma vez, em situação especialíssima: além de contar com o apoio do então governador tucano, Mário Covas, ela se beneficiou da rejeição ao ex-prefeito Paulo Maluf, desgastado após a desastrosa gestão de Celso Pitta.

Palácio dos Bandeirantes

Outra dificuldade para o PT é atrair o eleitorado de centro, que em São Paulo ainda é forte e representativo. O PIB paulistano tem aversão ao partido e a Lula e mesmo a tese da sacralização do ex-presidente diante da possibilidade de cura do câncer de laringe não permite sonhos de mares menos revoltos para os petistas. "O PSD começa a ocupar esse espaço que antes pertencia ao PMDB. Mas tenho dúvidas se é boa para nós essa aliança", afirma o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), crítico da dobradinha com Kassab.

Passado dezembro, o PT começará a pensar quem serão os nomes do partido para a disputa ao governo de São Paulo, em 2014. Um nome forte é o do prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho. Mas alguns dirigentes defendem que os prefeitos eleitos em outubro devem concluir seus mandatos. Com isso, uma nome que ganha força é o do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. "Ele terá, contudo, de fazer uma grande gestão no ministério para pleitear algo", diz um petista.

Planos petistas em São Paulo

64 prefeitos (o estado tem 645 munícipios)
47 vice-prefeitos
522 vereadores

Focos do partido e prováveis candidatos

São Paulo — Fernando Haddad
Osasco — João Paulo Cunha
Guarulhos — Sebastião Almeida
São Bernardo — Luiz Marinho
Santo André — Carlos Grana
Campinas — Artur Henrique (presidente da CUT) ou
Márcio Pochmann (presidente do Ipea)
Ribeiro Preto — João Gandini
São Carlos — Oswaldo Barba
Franca — Gilson Pelizaro
Araçatuba —Cido Sério
Bauru — Apoiará Rodrigo Agostinho (PMDB)
Cubatão — Márcia Rosa de Mendonça Silva
Guarujá — Sidnei Aranha
São José dos Campos — Carlinhos Almeida
Taubaté — Deve apoiar Padre Afonso (PV)

FONTE: CORREIO BRAZILIENSE

Dirigentes em São Paulo preferem ficar 'em cima do muro'

A articulação por uma aliança com Gilberto Kassab gerou entre os petistas um grupo que, publicamente, se coloca "em cima do muro". Entre os quais se encontram o pré-candidato Fernando Haddad, alguns vereadores e os presidentes municipal e nacional do PT, respectivamente Antonio Donato e Rui Falcão. Estes dois últimos são largamente contrários à aliança, mas publicamente optam pela neutralidade porque funcionam como árbitros do processo eleitoral no partido - um em âmbito local e outro nacional - e ocupam cargos na institucionalidade da legenda.

Entre os contrários à possível entrada de Kassab estão a maior parte do núcleo haddadista que hoje trabalha na pré-campanha, vereadores e deputados que formaram em São Paulo o hoje desfeito grupo de Marta Suplicy (PT-SP), além da própria senadora e de toda a base petista ligada aos movimentos sociais e populares da sigla.

Do lado favorável estão Lula, seus articuladores políticos mais próximos, como o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho; o presidente do PT paulista, Edinho Silva; o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza, além do novo líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto. Rechaçam a aproximação com o prefeito também vereadores ligados ao PTLM, grupo controlado por Tatto que representa cerca de 25% do diretório municipal. / F.G.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Prefeito jura apoio a Serra

Em fevereiro do ano passado, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, começou a articular a formação de uma nova sigla já com o intuito de disputar as eleições municipais de 2012. Após cerca de sete meses, em 27 de setembro, o TSE concedeu o registro ao partido: nascia o PSD.

Antigo aliado do tucano José Serra, de quem assumiu a Prefeitura em 2006, defendia desde o início uma aliança entre PSD e PSDB em São Paulo. Diante da demora dos tucanos em escolher o seu candidato, Kassab começou a sondar a possibilidade de uma parceria com o PT, cujo candidato é o ex-ministro da Educação Fernando Haddad.

No entanto, recentemente Serra passou a dar sinais de que poderá rever a posição de não disputar a Prefeitura e Kassab abortou as negociações com os petistas. Embora procure manter as portas abertas com o PT, o prefeito promete agora dar apoio "incondicional" ao ex-governador.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Orçamento 'turbina' favoritismo de Paes

Desde 2008, caixa da prefeitura do Rio dobrou; em 2012 a previsão é de R$ 20,5 bi

Wilson Tosta

RIO - Candidato à reeleição com o apoio dos governos federal e estadual, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), enfrentará o pleito de 2012 com favoritismo turbinado pelo forte crescimento do caixa da Prefeitura do Rio.

Em quatro anos, a cidade praticamente dobrou seu orçamento, dos R$ 10,4 bilhões de 2008 para R$ 20,5 bilhões previstos para 2012, apresentando no ano passado receitas nominais totais (sem correção da inflação) 62,7% maiores do que quando Paes foi eleito. O aumento coincidiu com a expansão de investimentos do município, de 5,88% para 16,6% no período (apenas 2,9% em 2009). O pico foi no ano passado: 23,7% das verbas orçamentárias, segundo a Secretaria da Fazenda. Paes, contudo, não quer vincular o bom momento fiscal à recandidatura.

"Nem penso nisso", brinca Paes, na conversa com o Estado. Ele destaca, contudo, que, diferentemente de outros governos, não deixou o ápice dos investimentos para o último ano de governo - ele ocorreu em 2011 - e afirma esperar que, no ano passado, a cidade do Rio, em termos relativos, tenha sido o ente federado do País que mais investiu , na comparação com o total do orçamento. O Rio vive uma explosão de obras públicas, tocadas pelos três níveis de governo, visando à Copa do Mundo de 2014 e aos Jogos Olímpicos de 2016, com participação expressiva da prefeitura.

Apesar da "modéstia" do prefeito, a bonança financeira, o alinhamento das máquinas federal, estadual e municipal e a base que praticamente reproduz o espectro que sustenta a presidente Dilma Rousseff, somadas à fraqueza da oposição, o tornam o mais forte candidato ao Palácio da Cidade. "Minha leitura é que reeleição é avaliação de governo", afirma.

"Se (os eleitores) acharem que as coisas melhoraram, reelegem; senão, mandam para casa." Paes vê os bons resultados de caixa como resultado do que chama de "umbigo do dono no balcão", ou seja, o acompanhamento muito próximo do dia a dia da administração da cidade.

"Toda segunda-feira, participo da reunião do que chamamos de Comitê de Programação Financeira, para ver caixa, gastos etc.", conta. "Tem aí alguma coisa de português, de dono de botequim." A boa situação financeira do Rio permitiu que o prefeito, além de expandir os investimentos, sobretudo em obras, a partir de 2009, pudesse conceder reajustes salariais aos servidores todos os anos - pelo menos para corrigir a inflação. "Talvez sejamos o único governo a fazer isso", especula, no que deverá ser uma de suas bandeiras eleitorais durante a campanha.

O prefeito também afirma que aumentou os gastos com Saúde de 15% para 25% - somados com despesas com Educação, mantidas em 25%, chega-se a metade do orçamento para os dois setores somados. "Em saúde, saímos de R$ 1,8 bilhão para R$ 4 bilhões", declara.

Economia. Para o secretário municipal da Casa Civil, Pedro Paulo, uma combinação de crescimento da economia com medidas administrativas da Prefeitura do Rio, como a adoção da nota fiscal eletrônica e de metas de arrecadação, além de uma reestruturação da dívida municipal, ajudaram a elevar a receita da cidade. Houve ainda redução relativa das despesas de pessoal, que dos 56% das despesas totais que consumia antes do início da atual gestão, recuou para aproximadamente 45%, segundo o secretário. Os gastos com funcionários cresceram abaixo do aumento da receita.

"A gente segurou bem, buscando dar eficiência a esse gasto, que não fosse um gasto que simplesmente disparasse e acompanhasse o crescimento do orçamento", diz Pedro Paulo. Sindicatos das áreas de educação e médica, porém, queixam-se de salários baixos e de terceirizações de unidades de saúde para Organizações Sociais, que não dariam qualidade ao atendimento e tornariam precárias relações de trabalho, na versão dos sindicalistas ouvidos pelo Estado.

O sistema de objetivos estabelecidos para os servidores é parte do esforço para dar "eficiência" ao funcionalismo, de acordo com o secretário. "Todos os servidores da prefeitura têm metas para cumprir. E aí a área de Fazenda tem meta de arrecadação. Bateu aquela meta, tem ali um bônus", afirma Pedro Paulo, explicando que o funcionário pode receber até dois salários extras por ano caso seu setor atinja ou supere o que foi fixado como limite.

Pelo acordo com o Banco Mundial, a prefeitura contraiu um empréstimo - a juros mais baixos que os brasileiros e com prazo até 2040 para pagamento -de US$ 1,045 bilhão. Com esse dinheiro, quitou 20% da dívida do município com a União, que era de R$ 5,95 bilhões, habilitando-se, segundo o próprio contrato de renegociação, a reduzir a correção do débito de 9% para 6% anuais, além do indexador pelo IGP-DI.

Com isso, o peso da dívida nos gastos totais do Rio caiu de cerca de 8% para 4%, gerando uma sobra anual de R$ 300 milhões, de acordo com a Secretaria da Fazenda.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Terceiro dia - Coral Bloco da Saudade

Militares criticam opiniões de ministras e omissão de Dilma

Em nota, presidentes dos três clubes da reserva atacaram declarações de Maria do Rosário e de Eleonora Menicucci

Tânia Monteiro

BRASÍLIA – Em sinalização de como os militares da reserva estão digerindo a instalação da Comissão da Verdade, presidentes dos três clubes militares publicaram um manifesto censurando a presidente Dilma Rousseff e atacando as ministras dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, e da Secretaria das Mulheres, Eleonora Menicucci, por supostas críticas dirigidas à caserna.

A carta, embora assinada por oficiais da reserva, traduz a insatisfação de militares da ativa, que são proibidos de se manifestarem. Eles se queixam de Maria do Rosário por supostamente estar questionando a Lei da Anistia e da titular da pasta das mulheres por "críticas exacerbadas aos governos militares".

Os militares reclamam que Dilma, como comandante em chefe das Forças Armadas, deveria ter repreendido suas auxiliares, e não ter aplaudido o discurso de posse da nova ministra, endossando suas palavras supostamente contra a categoria. "Os Clubes Militares expressam a preocupação com as manifestações de auxiliares da Presidente sem que ela, como a mandatária maior da nação, venha a público expressar desacordo", diz a nota.

Ao se queixarem da postura da ministra Maria do Rosário, os militares citam que ela deu declarações na qual "mais uma vez asseverava a possibilidade de as partes que se considerassem ofendidas por fatos ocorridos nos governos militares pudessem ingressar com ações na Justiça, buscando a responsabilização criminal de agentes repressores, à semelhança ao que ocorre em países vizinhos".

Na nota, os presidentes dos clubes Militar, Naval e da Aeronáutica reclamam de Maria do Rosário alegando que "mais uma vez esta autoridade da República sobrepunha sua opinião à recente decisão do STF", que rejeitou a revisão da Lei da Anistia. "A Presidente não veio a público para contradizer a subordinada."

Nova ministra. O manifesto censurou ainda a presidente Dilma por ter afiançado o discurso supostamente revanchista de posse de Eleonora. Segundo os militares, a nova ministra "teceu críticas exacerbadas aos governos militares e, se auto-elogiando, ressaltou o fato de ter lutado pela democracia (sic), ao mesmo tempo em que homenageava os companheiros que tombaram na refrega". Os militares ressaltaram que "a plateia aplaudiu a fala, incluindo a sra Presidente".

Procurada ontem, Maria do Rosário disse que não leu o manifesto e que, portanto, "não comentaria" o documento. A ministra Eleonora não foi localizada pela reportagem.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Propaganda eleitoral para uma minoria

Devido à captação do sinal de outras cidades, população de 90% dos municípios do país assistem na tevê às propostas de candidatos de outros locais. Resolução do problema em discussão no TSE pode interferir na transmissão.

Erich Decat, Diego Abreu

Considerado um dos principais artifícios para conquistar o voto dos eleitores e alvo de disputa pelos partidos, o programa eleitoral gratuito transmitido na tevê deve sofrer mudanças este ano. Como há apenas 512 emissoras para cobrir os 5.565 municípios brasileiros, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estuda mudar a forma de transmissão, obrigando as redes a veicularem pronunciamentos de candidatos de diferentes cidades. Caso a modificação seja aprovada, as localidades que hoje não sintonizam a propaganda de seus respectivos candidatos poderão conhecer as propostas de cada um. A medida pode causar interferência inclusive na programação das tevês do Distrito Federal, onde não são realizadas eleições para prefeito e vereador.

O texto com as novas regras deve ser votado pelo TSE até o fim do mês. Antes disso, um grupo de trabalho comandado pelo relator da matéria, ministro Arnaldo Versiani, deve se reunir com entidades do setor de comunicação para coletar sugestões para o novo texto. "O fato de existirem poucas emissoras passa por uma questão política e de custo. É muito caro se fazer televisão hoje, principalmente quanto a equipamentos e produção", avalia o diretor de Assuntos Legais da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Rodolfo Machado Moura.

Uma das alternativas estudadas pelo TSE prevê que, se no município principal de determinada região houver mais de uma emissora, as demais terão que transmitir a propaganda própria dos candidatos a prefeito e vereador das cidades vizinhas. No caso da capital federal, as tevês locais poderiam ter que veicular a propaganda de municípios do Entorno. Ainda não foi definido, no entanto, o critério de quais emissoras deverão passar a propaganda para a cidade principal e quais para as secundárias. Algumas redes, segundo integrantes do TSE, defendem que aquela que tiver maior audiência transmita para a região principal. Outras defendem que a escolha seja por sorteio.

O ministro Versiani admite a hipótese de as tevês do DF transmitirem a propaganda para o Entorno, embora demonstre ser contrário a essa possibilidade. "Seria um problema nós, que não temos eleições municipais, termos que assistir à propaganda eleitoral. Isso não seria adequado", opinou. Ele, porém, avisa que caberá aos tribunais regionais eleitorais (TREs) a definição.

Nas mãos dos TREs

De acordo com o ministro Henrique Neves, do TSE, as novidades nas propagandas deste ano decorrem da minirreforma eleitoral. "Até 2008, nas últimas eleições municipais, os partidos poderiam pedir para reservar 10% do tempo de propaganda para transmitir aos municípios que não têm geradora própria. Na prática, isso não ocorria muito, com exceção do Rio de Janeiro. Os diretórios regionais, talvez por interesse de deixar o tempo total para a capital, não selecionavam os municípios que teriam direito a esses 10%", explica.

Um dos pontos previstos na resolução é que a apuração e a definição dos municípios contemplados com a transmissão ficará a cargo dos TREs. O problema é que a maior parte dos tribunais não têm o controle sobre a quantidade de cidades capazes de produzir propagandas próprias. "A gente espera que esse trabalho de mapeamento pelos TREs, com o nosso auxílio e com a colaboração do Ministério das Comunicações, possa ser feito nos meses de março e abril", afirmou Versiani. "O que sabemos é que menos de 10% dos municípios têm propaganda própria."

O ministro sintetizou qual será a proposta do TSE. "O objetivo da minuta é fazer com que os municípios realmente grandes, que sejam vizinhos das capitais, tenham propaganda própria na TV. A gente quer adotar uma experiência que o Rio de Janeiro já fez nas eleições de 2008. São municípios importantes, localizados próximos à capital, que ficam privados da propaganda", detalhou Versiani.

FONTE: CORREIO BRAZILIENSE