quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Flávio joga parado na economia e não é cobrado, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Presidenciável do PL tem sido beneficiado por não ser o candidato incumbente e pelo baixo nível de cobrança de diversos atores

A conta de suas promessas não fecha; não precisa ser economista para chegar a essa conclusão

O presidenciável Flávio Bolsonaro joga parado nas promessas que faz para a economia durante a campanha eleitoral.

Ele tem sido beneficiado por não ser o candidato incumbente, diferentemente do presidente Lula, e pelo baixo nível de cobrança dos analistas do mercado financeiro, dos eleitores e também da mídia que acompanha seu périplo diário na disputa pelo Palácio do Planalto.

Instado a falar sobre medidas econômicas que adotará caso ganhe as eleições, o candidato do PL fala de "tesouraço" nas despesas do Orçamento, gatilhos para contenção de gastos, redução de ministérios, corte de cargos comissionados e mudanças na reforma tributária.

Enquanto pega carona nas críticas ao crescimento da dívida pública no governo Lula, ele promete o maior corte da história da carga tributária do país via redução de impostos e desoneração da folha de pagamento das empresas.

Com a declaração de que "não fará economia em cima de aposentados" —frase moldada pelos seus estrategistas de marketing político—, repete a tática do pai.

É sempre bom recordar. Para barrar medidas do seu ministro da Economia, Paulo Guedes, voltadas ao financiamento do Auxílio Brasil (o antecessor do atual Bolsa Família), Jair Bolsonaro saiu-se com a histórica frase de que "não tiraria de pobres para dar para paupérrimos".

Ao final, o Auxílio Brasil foi bancado pela PEC dos Precatórios, que empurrou parte do pagamento dessas despesas com sentenças judiciais.

Flávio também já admitiu em entrevista ao SBT que não daria detalhes sobre onde cortaria os gastos. Fazer isso, segundo ele, geraria "um castelo de cartas".

Por outro lado, ele já disse que não pretende dar fim aos pisos constitucionais da saúde e da educação nem acabar com a vinculação do salário mínimo à inflação ou realizar uma reforma da Previdência.

Com base no pouco que o candidato disse e também no que falou que não faria, a conclusão a que se chega é que a conta não fecha.

Ninguém acredita. Ou ele não fala a verdade, ou vai praticar estelionato eleitoral se ganhar a eleição.

 

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