quarta-feira, 30 de outubro de 2024

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Prisão de bicheiro traz oportunidade contra o crime

O Globo

Desta vez, Justiça não deveria impedir que Rogério Andrade fique preso e que sua quadrilha seja desbaratada

A prisão do bicheiro Rogério Andrade, na manhã desta terça-feira no Rio de Janeiro, representa um passo importante no enfrentamento à máfia dos jogos de azar que há anos, graças à leniência das autoridades, protagoniza uma guerra sangrenta pela disputa de território na cidade. Sobrinho do conhecido bicheiro Castor de Andrade, que morreu em 1997, Rogério é acusado de ser o mandante do assassinato do também contraventor Fernando Iggnácio (genro de Castor) em novembro de 2020. Na decisão judicial , Rogério é citado como chefe de um grupo criminoso “voltado para a prática de diversos crimes”, entre os quais homicídio, corrupção, contravenção e lavagem de dinheiro.

A escuta contra a política troncha - Vera Magalhães

O Globo

População se deixou seduzir por candidatos mais pragmáticos, que olham para suas necessidades sem superioridade sociológica da esquerda

Raro exemplo de renovação da centro-esquerda brasileira, o prefeito reeleito do Recife, João Campos (PSB), forneceu na última segunda-feira, no Roda Viva, reflexões valiosas para seu campo político a respeito do muito que deveria mudar para responder à preocupante desconexão com o eleitorado evidenciada pelas disputas municipais.

Um dos maiores erros que os políticos podem cometer, disse ele, é achar que sabem tudo, que têm solução para tudo sem ouvir o povo. Contou a história de uma obra da prefeitura que comanda para reformar um campo de várzea que era troncho (torto), e a comunidade fez um protesto para evitar que fosse deixado reto. Ele mandou parar a obra e ouvir todos os que usavam o campo.

— Ganhou para ficar troncho mesmo. Você precisa combinar com o povo — contou.

A parábola — saborosíssima, à moda das que seu pai, Eduardo Campos, que morreu em plena campanha presidencial há dez anos, adorava contar — ilustra à perfeição um dos pecados mortais da esquerda lulista: achar que tem o mapa para o coração dos mais pobres e a receita de como resolver a vida deles.

Um carimbo para o PCC - Bernardo Mello Franco

O Globo

Ao citar facção contra rival, governador admitiu que crime manda cada vez mais em estado que o elegeu

Ao festejar a reeleição em São Paulo, o prefeito Ricardo Nunes chamou Tarcísio de Freitas de “líder maior” e o lançou à Presidência em 2026. “Seu nome é presente, mas seu sobrenome é futuro”, proclamou.

O saldo das urnas reforçou Tarcísio como virtual candidato das direitas caso seu padrinho, Jair Bolsonaro, permaneça inelegível. Mas o governador manchou a vitória ao jogar sujo para ajudar Nunes no dia da eleição.

Sem apresentar provas, Tarcísio disse que o Primeiro Comando da Capital (PCC) teria orientado voto em Guilherme Boulos, adversário do prefeito. Depois seus aliados atribuíram a acusação a bilhetes apócrifos, vazados pela polícia que ele controla.

Tarcísio só erra numa direção – Elio Gaspari

O Globo

O governador teve seu momento Pablo Marçal

Pelo andar da carruagem, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, será candidato à Presidência em 2026. Sua vitória eleitoral e muitos aspectos de sua gestão qualificam-no para isso. Ele produziu uma imagem austera, próxima do unicórnio de político técnico. Como se sabe, unicórnio não existe.

Tarcísio de Freitas é um exemplo dos poucos momentos virtuosos na passagem de Jair Bolsonaro pela Presidência da República. Ele o escolheu para o Ministério da Infraestrutura sem conhecê-lo. No Planalto, foi Bolsonaro quem o convenceu a disputar o governo de São Paulo.

Tarcísio seria um bolsonarista moderado. Como ensina a repórter Flávia Oliveira, “bolsonarista moderado é como cabeça de bacalhau, não existe”. Na tarde de domingo, tendo ao lado o prefeito Ricardo Nunes, Tarcísio disse o seguinte:

Há boas notícias no resultado das eleições – Zeina Latif

O Globo

A vitória do centro poderá influenciar o pleito em 2026. Há boas chance de haver candidatos competitivos de perfil moderado

A melhor notícia das eleições municipais é o sinal de redução da polarização (entre extremos), tema já discutido aqui. Somados, os partidos de centro — PSD, MDB, PP, União Brasil, Republicanos e Podemos — conquistaram 19 capitais e 3.365 municípios.

Não que os partidos de centro sejam garantia de gestão eficiente e probidade administrativa. Trata-se, na verdade, de ter um ambiente mais propício ao diálogo, ingrediente fundamental para o avanço de reformas.

Mesmo nos municípios, há importantes agendas estruturantes a serem abraçadas, como nas políticas de uso e ocupação do solo, na agenda ambiental, na educação infantil e nos marcos regulatórios para o empreendedorismo. A missão de prefeitos vai muito além da zeladoria.

Lula e Bolsonaro ficaram em segundo plano nas campanhas.

Trump é o homem que queria ser rei - Martin Wolf

Valor Econômico

Com os EUA, o grande bastião da democracia no século XX, sob controle autoritário, haveria uma oscilação no equilíbrio global contra a democracia liberal, não só em termos de poder, mas também em termos de credibilidade ideológica

O que um segundo mandato de Donald Trump significaria para os EUA e o mundo? Os otimistas podem apontar para o que aconteceu da última vez: sua presidência, eles poderiam afirmar, foi cheia de alarde e fúria. Mas isso pouco significou. Ele governou de maneira mais convencional do que muitos temiam. Além disso, no fim, foi derrotado por Joe Biden e partiu. Partiu com má vontade, é verdade. Mas o que mais se poderia esperar? Ele partiu mesmo assim. Por que não seria parecido se ele conquistasse um segundo mandato, como sugerem as pesquisas?

Trump é especialista em promessas vazias. Em 2016, uma peça central de sua campanha foi o “muro” pelo qual o México pagaria. No fim, não houve muro, quanto mais qualquer dinheiro do México. Desta vez ele prometeu reunir e deportar até 11 milhões de estrangeiros em situação irregular. A operação necessária para isso seria imensamente cara e polêmica. De fato, como exatamente muitos milhões seriam deportados e para onde?

O complexo processo de reflexão interna do PT - Fernando Exman

Valor Econômico

Avanço nas eleições, além de reduzido, foi muito concentrado e frustou o Palácio do Planalto

A reação de parte da cúpula do PT ao balanço eleitoral feito pelo ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, Alexandre Padilha, evidencia como vai ser complexo o processo de reflexão interna que o partido inevitavelmente enfrentará.

Complexo e intenso. Ele terá como pano de fundo as articulações para a sucessão da presidente do partido, a deputada Gleisi Hoffmann (PR). Uma disputa que definirá, entre outros aspectos, qual será a postura da sigla nas negociações com os partidos de centro para as eleições de 2026 e seu discurso em relação à política econômica do Ministério da Fazenda e, também, ao Banco Central sob o comando de Gabriel Galípolo.

De forma franca, Padilha colocou o dedo na ferida. Após reunir-se com Gleisi e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada na segunda-feira (28), avocou a condição de filiado e integrante da bancada federal do PT para defender que a sigla faça “uma avaliação profunda” do resultado das eleições. Disse que a legenda permanece na zona de rebaixamento em que entrou nas eleições municipais de 2016, o que irritou os correligionários e provocou o embate.

Eleição não muda jogo para Lula e Bolsonaro - Christopher Garman

Valor Econômico

É preciso ter muita cautela para não extrapolar para a disputa presidencial de 2026 conclusões exageradas sobre as eleições municipais

Passado o segundo turno das eleições municipais, comentaristas e lideranças partidárias estão tirando duas conclusões sobre os resultados das urnas - ambas tremendamente exageradas.

A primeira é que a dominância dos partidos de centro e direita mostraria que o país está migrando para a direita, criando um cenário difícil para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Partido dos Trabalhadores em 2026. A segunda é que o ex-presidente Jair Bolsonaro teria perdido força, já que não conseguiu eleger seus candidatos em várias cidades (particularmente Goiânia e Belo Horizonte), indicando que o eleitorado estaria começando a privilegiar candidatos mais ao centro e a rejeitar a polarização.

De fato, o resultado das urnas sinaliza que partidos de centro e direita reforçaram sua posição nas prefeituras locais, o que vai ajudá-los a eleger deputados em 2026. Mas diz pouco sobre a eleição presidencial de 2026, e não deve ser visto como um sinal de fragilidade - nem de Lula, nem de Bolsonaro.

O ‘modo disputa’ de Lula e o fator Dirceu - Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Presidente acha que ex-chefe da Casa Civil pode ajudar o PT e o governo no diálogo para 2026

Encerradas as eleições municipais, com desfecho favorável à centrodireita, o governo Lula vai ligar agora o “modo disputa” 2026. Além de promover uma reforma ministerial para a segunda metade de seu mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentará reforçar a articulação política com o Congresso e acha que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu pode ajudar nessa tarefa.

Dirceu já vem atuando longe dos holofotes. No rol de seus interlocutores estão os ministros Fernando Haddad (Fazenda), José Múcio (Defesa), Alexandre Silveira (Minas e Energia), Renan Filho (Transportes) e Sílvio Costa Filho (Portos e Aeroportos). Para Lula, o ex-chefe da Casa Civil tem como auxiliar em várias “missões”, como a de reconstruir o PT – que vai renovar sua cúpula em 2025 –, melhorar o diálogo com empresários e políticos do Centrão, além de ampliar as conversas com a ala do MDB que não quer se aliar ao governador Tarcísio de Freitas, em 2026.

Sangue na água da direita – Bruno Boghossian

Folha de S. Paulo

Grito de independência da 'direita moderada', no entanto, ainda sai trêmulo

Jair Bolsonaro desfilou pelo Congresso como se não carregasse nas costas um saco de derrotas amargas nas eleições municipais. Circulou por gabinetes para negociar uma anistia e fez pouco caso dos políticos que dizem enxergar uma direita sem seu comando. "Já tentaram várias vezes e não conseguiram", afirmou. "Eles têm uma utopia."

As duas pontas estão conectadas. O plano de Bolsonaro para conseguir uma anistia, emparedar tribunais e recuperar o direito de se candidatar depende da leitura que as elites da direita fazem sobre o poder do ex-presidente. Se esses líderes entenderem que há outros caminhos para o sucesso eleitoral, não haverá muita pressa para salvá-lo.

Brasil um tédio desesperador - Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

País fica travado por adiar decisão óbvia, se ocupa de ninharia e o direitão toma conta

Quando se assunta com gente do governo o que seria o plano de contenção de gastos Haddad-Tebet, o que mais se ouve é desconversa, desconhecimento ou desprezo. Quando vazam medidas "em estudo", parte do governo sabota as ideias, até em público.

Deve ser por isso que Fernando Haddad procura despistar todo o mundo a respeito do que seria seu plano, como o fez nesta terça (29): não haveria data para divulgar o pacote ou tamanho dele. Talvez seja melhor não contar nada, discutir o assunto só com o presidente da República e, assim, evitar sabotagens nas internas. Afinal, governo e PT brigam em público até por picuinhas municipais.

Esquerda esqueceu arte de mudar de assunto - Rui Tavares

Folha de S. Paulo

Concentrar campanha na verdade indesmentível de que Trump é horrível não deixa de ser fazer dele o centro da conversa

Sim, foi um circo de horrores o comício de Donald Trump e dos seus aliados no Madison Square Garden, em Nova York. Sim, o racismo, a misoginia e até o fascismo descarado dos discursos é demasiado escandaloso para não merecer resposta. E sim, é possível que alguns dos comentários que ali foram feitos prejudiquem a campanha do republicano a poucos dias das eleições. É compreensível que os democratas cedam à tentação de fazer disso o assunto da campanha na reta final.

Pergunto-me, porém, se foi devidamente levado em conta que concentrar a campanha na verdade indesmentível de que Trump é horrível não deixa de ser, apesar de tudo, fazer de Trump o centro da conversa.

E se há razão para essa eleição estar muito mais difícil para Kamala Harris do que precisaria é que a sua campanha não conseguiu segurar e prolongar o tema da alegria e da novidade que fugazmente foi o seu após a convenção do Partido Democrata em agosto.

O recado das urnas para a esquerda - Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Se fossem seriamente escutados, quem sabe esses eleitores não responderiam?

As semanas seguintes às eleições costumam ser momentos de avaliações sobre perdas e ganhos na política institucional, além de oportunidade para compreender o estado atual da correlação de forças no cenário político. Isso é natural, afinal, mandatos permanecem uma medida objetiva de força política. As urnas sempre transmitem mensagens importantes e cabe aos interessados decifrá-las com precisão para, então, tomar as devidas providências.

Vamos por partes. Quero me concentrar hoje em um aspecto específico da mensagem que a esquerda recebeu nas eleições municipais: sua relação com uma parte significativa dos eleitores parece ter se perdido de vez.

Dirceu volta à cena com anulação de penas - Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Gilmar Mendes anulou todos os atos processuais produzidos pelo ex-juiz Sergio Moro em duas ações penais contra o ex-ministro petista, por parcialidade

A anulação das condenações do ex-deputado federal José Dirceu, pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), trouxe o petista histórico de volta à cena política do país, com plenos direitos políticos. Dirceu havia sido condenado a 23 anos e três meses de prisão pelo então juiz e atual senador Sergio Moro (União-PR), que apontou o ex-chefe da Casa Civil do primeiro governo Lula como suposto beneficiário de R$ 15 milhões em propinas pagas pela empreiteira Engevix, por cinco contratos de obras da Petrobras.

Dirceu vinha mantendo discreta atuação política, sempre nos bastidores, mas circulava com desenvoltura e, toda vez que aparecia em público, em algum evento social que reunisse políticos, era reverenciado pelos interlocutores. Já havia retomado também a militância no PT, participando de reuniões e conversas informais, com a mesma discrição. Agora, livre das condenações, deve intensificar sua atuação, mas não decidiu ainda se pretende voltar à cúpula do PT e/ou disputar eleições. Oráculo dos principais dirigentes petistas nunca deixou de ser.

Poesia | Os fios e o desafio - Marcelo Mário de Melo

(Em memória do poeta Antônio Cícero) 

Pois o corredor da morte
é o corredor da vida 
um fio que se desenrola 
logo após vida nascida. 

Fio que se perde de vista 
ao se olhar da janela 
mas que pulsa à distância 
além da paisagem bela. 

São duas pontas de um fio 
que vão se aproximando 
até que o fio da nascença 
 vê o fio da morte chegando. 

É o mandato da velhice 
da doença terminal 
ante o mandato da vida 
impondo o ponto final. 

Entre os fios o desafio 
 de uma consciência clara. 
A consciência da morte 
natural comum não rara.

Música | Paratodos - Chico Buarque

 

terça-feira, 29 de outubro de 2024

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Acordo sobre as emendas significa avanço institucional

O Globo

Projeto de lei precisará estabelecer critérios de transparência e rastreabilidade exigidos pelo Supremo

Depois de um período de desentendimentos, Legislativo e Executivo buscam enfim um acordo, mediado pelo Judiciário, sobre as emendas parlamentares. Sua suspensão foi determinada em agosto pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STFFlávio Dino, numa decisão liminar depois referendada pelo plenário da Corte e reafirmada neste mês. A intervenção abrupta e abrangente do STF acirrou a tensão entre as instituições. Felizmente, foi aberta uma negociação que poderá ser encerrada com êxito nesta semana, com a apresentação ao Congresso de um Projeto de Lei Complementar estabelecendo regras para liberação e aplicação dos recursos.

Em reunião entre integrantes do STF, os presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, e representantes do Executivo, foram alinhados pontos de uma proposta que será levada a plenário na Câmara e no Senado. A votação desse projeto poderá representar um marco para disciplinar o avanço do Congresso sobre o Orçamento da União nos últimos anos.

O peso do dinheiro - Merval Pereira

O Globo

Ficou claro que saber gastar em obras importantes para os moradores é fundamental para obter resultados eleitorais

A eleição municipal que terminou domingo ficou conhecida como a “das emendas parlamentares”. Mas poderia também ser chamada de “eleição dos fundos”. Nunca ficou tão claro o poder do dinheiro na definição dos resultados finais, especialmente na reeleição da maioria esmagadora dos prefeitos de capitais.

O sistema de reeleição ficou consolidado com a vitória de quase 80% dos incumbentes. Pode ser bom por garantir a permanência de gestores bem avaliados, mas também ser reflexo da máquina estatal, impulsionada pelas verbas públicas. Os prefeitos, de costume, são fundamentais para a eleição do Congresso e, como chamou a atenção o diretor da Quaest, Felipe Nunes, podem impedir que a renovação política se faça a partir das bases.

A supervisão do Tribunal Superior Eleitoral e dos Tribunais Regionais Eleitorais será cada vez mais necessária, para que o abuso do poder político e econômico não distorça os resultados das urnas. Ao mesmo tempo, ficou claro que saber gastar o dinheiro em obras importantes para os moradores é fundamental para obter resultados eleitorais positivos. A mudança essencial é que os partidos políticos ganharam independência ante o governo central, cujo partido não detém o controle do Congresso.

Partidos pêndulo estão mais fortes - Míriam Leitão

O Globo

Grandes vencedores da eleição, posição do PSD e MDB em 2026 dependerá da capacidade de construção de alianças de cada campo

Os partidos pêndulo saíram mais fortes dessas eleições. Os maiores vencedores, PSD e MDB, integram hoje administrações de esquerda e de direita. O PSD de Gilberto Kassab está no governo de São Paulo e, portanto, na aliança de direita que impôs à esquerda a sua maior derrota ao ajudar a eleger Ricardo Nunes, do MDB. Os dois partidos têm ministérios no governo Lula. O PSD, no Rio e em Belo Horizonte, e o MDB, no Pará, derrotaram candidatos bolsonaristas. Para onde irão esses dois partidos em 2026 vai depender da capacidade de construção de alianças eleitorais de cada campo. O eleitor derrotou o extremismo da direita e mandou recado para a esquerda de que ela precisa se repensar.

Eleição nos EUA influenciará futuro de Lula – Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A estreita vantagem de Kamala nas pesquisas, ao manter Trump como uma alternativa de poder, também repercute na geopolítica e na economia global

A uma semana para as eleições nos Estados Unidos, 5 de novembro, as pesquisas mostram que, nesta reta final, a disputa entre a vice-presidente Kamala Harris e o ex-presidente Donald Trump é dramática. Seu resultado é incerto, porém será uma variável externa a ser levada em conta pelo governo Lula, tendo em vista sua repercussão na política interna brasileira até as eleições de 2026.

Eleita, Kamala será a primeira mulher a presidir os Estados Unidos e uma aliada natural de Lula. Se as contradições geopolíticas entre os dois países não se aprofundarem, sua vitória será uma espécie de “mais do mesmo” em relação à política do presidente Joe Biden. Seus principais pontos de tensão com Lula são as guerras da Ucrânia e de Gaza. Venezuela e Nicarágua, áreas sensíveis para o Itamaraty, hoje, mais aproximam do que distanciam o Brasil dos Estados Unidos. A relação do Brasil com a China, nosso maior parceiro comercial, para onde vai a maior parte da nossa produção agrícola, não interfere nas relações com os Estados Unidos, o maior mercado para a nossa indústria, a ponto de estressar o diálogo de Lula com Biden.

O que é vencer as eleições? - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

PSD de Kassab fez mais prefeituras, mas joga um jogo diferente do de Lula e Bolsonaro, que não foram bem

Para lideranças político-partidárias como LulaJair Bolsonaro e Gilberto Kassab, o que significa vencer as eleições municipais? Basta empilhar corridas em que teve êxito ou é necessário emplacar candidatos que de fato as representem?

Eu diria que as duas coisas importam, apresentam diferentes graus de dificuldade e atendem a objetivos diversos.

Pelo critério do acúmulo de vitórias, o PSD de Kassab é o campeão. O partido fez 891 prefeituras. O PL de Bolsonaro ficou com 517 (5º lugar), e o PT, 252 (9º lugar).

A direita racha na eleição e Bolsonaro leva sua 'sapecada monumental' - Ranier Bragon

Folha de S. Paulo

Ex-presidente usou a expressão para falar do PT, mas os candidatos que apoiou abertamente perderam em 17 de 27 cidades no 2º turno

Jair Bolsonaro (PLamanheceu no domingo (27) em Goiânia fazendo uma análise das eleições municipais em que pontuou a "sapecada monumental" que o PT levou nas urnas. Apuradas as votações do dia, porém, o ex-presidente também levou a sua particular sapecada, em vários aspectos.

A começar pelo simbolismo de comparecer pessoalmente a uma capital em que travava uma queda de braço no campo da direita com o governador Ronaldo Caiado (União Brasil).

Perdeu para Caiado não só em Goiânia, mas também em Aparecida de Goiânia, a segunda maior cidade do estado e também aonde foi para acompanhar o voto do candidato do PL.

Lições das eleições municipais - Joel Pinheiro da Fonseca

Folha de S. Paulo

Em uma mudança cultural de fundo, nossa sociedade está mais 'de direita'

PL perdeu a maioria dos segundos turnos em que enfrentou um candidato de centro ou de centro-direita. Seus grandes triunfos —como Brunini, em Cuiabá— se deram justamente onde o adversário era de esquerda. Isso significa que, na maior parte das capitais, a união entre esquerda, centro e centro-direita ainda soma mais do que a extrema direita sozinha. Ufa!

Mas a direita bolsonarista puro-sangue continua forte. O PL, que tantas cidades perdeu no segundo turno, ainda assim foi o partido com o maior número de votos para prefeito do Brasil e é o partido com o maior número de prefeituras de grandes cidades (aquelas com mais de 200 mil eleitores). Tem 16, seguido pelo PSD com 15. O partido de esquerda melhor colocado nesse ranking é o PT, em oitavo lugar, com 6 prefeituras de grandes cidades.

Unidos no infortúnio – Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Lula e Bolsonaro saem da eleição rebaixados do comando do espetáculo da política

Eleição municipal atípica, a que termina agora dá um sinal claro para a próxima, daqui a dois anos, coisa que normalmente não ocorria: duas das mais relevantes lideranças políticas no plano nacional não obtiveram vitórias significativas. Ou, por outra, tiveram derrotas eloquentes.

Isso não antecipa necessariamente o cenário de 2026, mas evidencia que o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) e o antecessor Jair Bolsonaro (PL) não comandam o espetáculo da política na dimensão em que ambos acreditaram ou talvez ainda acreditem.

A vitória do amigo da onça - Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

No quadro geral, perdeu Lula, perdeu Bolsonaro, perdeu a polarização

A eleição de 2024 ficará marcada pelo caixa 2 cobrado a empresários em troca de oferta de contratos (apesar da derrama de verbas públicas destinada aos candidatos), pela compra de votos que faz o Brasil retornar aos tempos da República Velha e pela modernidade que representa a infiltração de organizações criminosas.

Para ficar apenas em São Paulo: órgãos de inteligência noticiaram ao TRE-SP que 70 candidatos são suspeitos de ligação com o crime. Dez foram eleitos vereadores e dois levaram prefeituras.

Ao gosto do freguês - Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Gilberto Kassab viu o que o também craque Luiz Inácio Lula da Silva não viu, talvez por velhas idiossincrasias: o eleitor que estava dando sopa, solto, sem rumo, era o do PSDB, que oscilava entre a centro esquerda e a centro direita. Kassab adaptou o PSD e está moldando o governador Tarcísio de Freitas ao gosto do freguês – leia-se: do eleitorado tucano. Lula teve a grande sacada de atrair Geraldo Alckmin para sua vice, mas ficou por aí.

O erro original continua cegando os líderes de PT e PSDB e os dois partidos que reuniram os melhores quadros a favor da abertura política nos anos 1980, ao lado do MDB, continuam para todo o sempre como inimigos e, num abraço de afogados, afundam juntos e deixam a direita nadando de braçada.

Direita Valdemar - Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

O sangue da inelegibilidade do mito está na água e os nikolas farejam

Guilherme Boulos sai menor das urnas. Teve o apoio do PT e muita grana para campanha. Colheu a mesma votação de 2020. O teto da rejeição se lhe impôs. Parece limitação incontornável – comunica a incompetência.

Foram quatro anos e nenhum programa para minimizar a imagem negativa, sendo estarrecedor haver quem supusesse que algo positivo poderia ser extraído da submissão desesperada à sabatina com Marçal.

Boulos sai também sozinho. A lavação de roupa suja petista, processo delirante, já atribui o revés ao que seria escolha errada de candidato; como se o PT contasse, em seu deserto de renovação, com opção paulistana competitiva; e como se o partido não tivesse se lançado a enfrentar o prefeito da tragédia em Porto Alegre com a única candidata que o faria menos rejeitado. Sebastião Melo venceu no Sul.

Os espinhos do divã petista - Maria Cristina Fernandes

Valor /Econômico

O Brasil não está polarizado, mas politizado. As pessoas querem ter opinião sobre tudo, fundamentadas, ou não, em fatos. Cada vez mais influenciadas pela religião, essas posições só poderão ser conquistadas se a esquerda se mostrar útil na vida das pessoas. No PT há 44 anos, José Dirceu não doura a pílula sobre o desempenho de seu partido nas eleições municipais.

Com uma anulação de seus processos ainda por ser julgada no Supremo Tribunal Federal, o ex-ministro ainda aguarda esses desdobramentos para definir se voltará a disputar a Câmara dos Deputados em 2026, quando completa 80 anos. Mas não para se envolver na disputa de rumos do PT. Estabelecido de volta em São Paulo, esteve em Brasília há mais de um mês para uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem não encontrava havia um ano e meio.

Gleisi prega aliança mais ao centro para reeleger Lula em 2026

Marcelo Ribeiro, Raphael Di Cunto e RenanTruffi / Valor Econômico

Presidente nacional do PT reconhece o crescimento da extrema-direita e diz que partido precisa se preparar para esse enfrentamento

Em meio a uma troca pública de críticas por conta do resultado das eleições municipais com o ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, Alexandre Padilha, a presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann, concluiu nesta segunda-feira (28) que o partido precisará fazer uma aliança muito mais ao centro para conseguir reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026. Ela também citou o crescimento da direita nos últimos anos e o fato de o PT ter apoiado candidaturas de legendas aliadas — por ser de um governo de coalizão — como alguns dos fatores para o avanço tímido nas disputas locais.

Apesar do crescimento no número de prefeituras sob o comando da sigla — passando de 183 em 2020 para 252 em 2024 —, Gleisi lembrou que o bom desempenho nas eleições municipais “nunca foi o forte do campo da esquerda”. O partido ficou atrás do PL do ex-presidente Jair Bolsonaro e conquistou apenas uma capital, Fortaleza.

Entrevista | Kassab: Tarcísio é líder estadual e problema do Centro é não ter opções majoritárias

César Felício/ Valor Econômico

Presidente nacional do PSD afirma que "Centrão não existe mais"

Presidente nacional do PSD, o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab sai do processo eleitoral com o seu partido ostentando a condição de sigla com a maior quantidade de prefeitos do País (888 municípios conquistados), administrando 27, 6 milhões de eleitores, quase a mesma fatia obtida pelo MDB ( 27,7 milhões). Ele afirma que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de quem é secretário de Governo, é uma liderança que hoje unifica os partidos de centro e de direita, mas faz a ressalva de que isso vale para São Paulo. Tarcísio, na opinião de Kassab, é uma liderança estadual, não nacional. Kassab falou com o Valor na sexta-feira, com o compromisso de publicação da entrevista depois da apuração.

No plano nacional o presidente do PSD vê um cenário em aberto com três campos demarcados: um é o da direita, liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, formado pelo PL, Republicanos e PP. O outro é o da esquerda, cuja referência é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, integrado por PT, PSB, PDT e Psol. O terceiro, e maior deles, é o formado pelo Centro, integrado por PSD, MDB e União Brasil. "O problema do Centro é a falta de opções majoritárias", opina.

A seguir trechos da entrevista de Kassab ao Valor:

Caiado quer disputa com Bolsonaro em 2026 - Caetano Tonet

Valor Econômico

Governador de Goiás impôs duas derrotas ao ex-presidente nas maiores cidades de seu Estado

Após vencer Jair Bolsonaro (PL) nas eleições das duas maiores cidades de seu Estado, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), reafirmou, em entrevista ao Valor, que será candidato à Presidência em 2026. O posicionamento, segundo ele, independe de Bolsonaro estar ou não na disputa do comando do país. Caiado defende, inclusive, o avanço das propostas de anistia que possam reverter a inelegibilidade do ex-presidente, condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no ano passado.

“Deixa ele [Bolsonaro] vir para o jogo. A urna acaba sendo uma sentença. Tem uma capacidade de assepsia fora de comum. A urna é um grande antisséptico”, disse Caiado.

Bolsonaro foi declarado inelegível no ano passado por ter realizado uma reunião com embaixadores para afirmar, sem provas, que o sistema eletrônico de votação era vulnerável. O encontro, realizado em julho de 2022, foi transmitido pela TV Brasil.

Costa Neto vê base forte para sucessão presidencial em 2026 – Andrea Jubé

Valor Econômico

PL administrará capitais (4) pela primeira vez desde a fundação da sigla, além de ter ficado em 5º em número de prefeitos eleitos

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou ao Valor que o resultado das eleições revela que o partido construiu uma base forte para a sucessão presidencial de 2026 porque conquistou o maior número de votos nos municípios. Ele negou que o ex-presidente Jair Bolsonaro tenha perdido capital político, e garantiu que o ex-mandatário será o presidenciável da sigla, pela convicção de que o Congresso aprovará uma anistia para reverter a sua inelegibilidade.

Bolsonaro está inelegível até 2030 por abuso de poder político na reunião com embaixadores em que fez afirmações falsas contra as urnas eletrônicas e, também, pelo uso eleitoral das comemorações do Dia da Independência em 2022.

O PL elegeu 516 prefeitos, sendo quatro de capitais: Cuiabá (MT), Aracaju (SE), Maceió (AL) e Rio Branco (AC). Falava em uma meta de mil prefeituras. Mas será a primeira vez, desde a fundação da sigla, que o PL vai administrar capitais.

MDB, PSD e PL irão governar cidades com receitas de R$ 648 bi - Marta Watanabe

Valor Econômico

Em valores reais, orçamento é mais que o dobro dos R$ 299,7 bilhões que as urnas garantiram para esses partidos há quatro anos

Os resultados das urnas em outubro combinados a vários fatores que elevaram as receitas municipais nos últimos anos vão garantir um orçamento maior em termos reais às legendas vencedoras em comparação ao que foi direcionado a elas nas eleições de 2020. Juntos, os prefeitos pelo MDB, PSD e PL irão administrar cidades com receitas agregadas de R$ 648 bilhões, mais que o dobro dos R$ 299,7 bilhões que as urnas garantiram para esses partidos há quatro anos, em valores reais.

Dentre os três partidos, o PL de Jair Bolsonaro é o que mais terá crescimento na participação relativa no orçamento, o que contribuiu para quase quadruplicar as receitas sob sua gestão. O partido elegeu este ano prefeitos em 516 cidades, 165 a mais que em 2020. Na mesma comparação, o MDB garantiu prefeitos em cidades que aumentam em 85% as receitas sob sua gestão e o PSD, em 94%, sempre em termos reais.

Paulo Fábio Dantas Neto lança ACM político baiano nacional, sexta

Tasso Franco / BahiaJá

Acontece na Reitoria da UFBA na sexta-feira, 1, 17hs

Livro de Paulo Fábio Dantas será lançado na próxima sexta-feira, 01/11, a partir das 17:30, na Reitoria da UFBa, bairro do Canela.

Paulo Fábio é cientista político e professor da UFBa.

Publicou em 2006 seu primeiro livro sobre ACM, tratando da sua atuação política entre 1954 e 1974.

Esse novo livro, editado pela Edufba, cobre a trajetória completa da vida pública de ACM, até a sua morte, em 2007.

Será lançado na próxima sexta-feira, 01/11, a partir das 17:30, na Reitoria da UFBa, bairro do Canela.

Paulo discute o que ficou de ACM e do carlismo como memória simbólica, à disposicão de políticos atuais, de diferentes partidos, após o desaparecimento tanto do personagem, como do grupo carlista.

Não é uma biografia, o autor procura, sim, responder questões de natureza política:

Como um chefe estadual do regime autoritário tornou-se um político nacional, ainda mais influente, na democracia?

Como as fases da sua trajetória pessoal podem nos ajudar a entender a política baiana e nacional da segunda metade do século passado?

O prefácio é do professor Othon Jambeiro e o texto de orelha, do ensaísta e tradutor Luiz Sergio Henriques.

Poesia | Graziela Melo - Vidas

Quantas vidas

desvividas,

passaram

no meu caminho!

Revividas

e mal vividas,

sem afeto,

sem afago

e sem carinho!

Quantas vidas

desvividas

pela estrada

deste mundo,

e quantas almas

Perdidas

neste abismo

tão profundo,

deste universo

perverso

oriundo

de outras vidas

oriundo

de outros mundos!!!